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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Filme de Segunda 173

Foxcatcher - Uma História Que Chocou O Mundo


É difícil mensurar o tamanho das atuações de Steve Carel, Mark Ruffalo e Channing Tatum em Foxcatcher. Não são trabalhos que primam pela virtuose mas, assim como o filme, primam pela frieza, pela introspecção e pela complexidade. Não à toa, das cinco indicações que recebeu ao Oscar de 2015, uma é de melhor ator (Carel) e outra de ator coadjuvante (Ruffalo). Uma indicação para Tatum também não seria exagero.

O drama dirigido por Bennet Miller (Capote e O Homem Que Mudou O Jogo) narra a história verdadeira que tem seu fim trágico em 1996, nos Estados Unidos. O milionário John du Pont (Carel), um milionário excêntrico, frustrado por não conquistar a admiração da mãe, convida os irmãos Mark Schultz (Channing Tatum) e Dave Schultz (Mark Ruffalo), ambos medalistas olímpicos em luta greco-romana, para integrar um centro de treinamento supercapacitado da modalidade dentro de sua mansão-fazenda Foxcatcher. Os irmãos passam a trabalhar ao lado de du Pont em meio a preparação para as Olimpíadas de 1988.

Tatum, à esquerda, contracena com Carel.

Por se tratar de uma história real, amplamente documentada pela imprensa norte-americana, o climax de Foxcatcher perde muito de sua força. Um sinal que, acertadamente, tanto o diretor quanto os roteiristas E. Max Frye e Dan Futterman não encheram a história de confetes.

Ruffalo, à direita, indicado ao Oscar de melhor ator 
coadjuvante
A narrativa não deixa de ser sombria. Há sempre um clima estranho pairando no ar, e não sabemos nunca ao certo do que se trata. Mas, basicamente, o que conduz esse ar de estranhamento é a relação entre os três protagonistas. Há um du Pont nacionalista, que não mede esforços nem recursos financeiros para conquistar glórias para si, para o país e para o orgulho de sua distante mãe, que considera o a luta greco-romana um esporte menor. Há também um Mark Schultz no auge de sua forma física, mas visivelmente perturbado, desde as primeiras cenas ao lado do irmão Dave, de todos o mais equilibrado, conseguindo manter a vida pessoal e a profissional em aparente harmonia.  

Foxcatcher é muito competente quando consegue deixar evidente toda uma aura de inquietação ao redor dos personagens, permitindo aos atores uma linha de atuação sem exageros e de muita correção. Não é apenas um ótimo trabalho de roteiro e direção, mas também de fotografia, direção de arte e montagem.

Gênero: Drama
Duração: 130 min.
Origem: EUA
Direção: Bennet Miller
Roteiro: E. Max Frye e Dan Futterman
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 12 anos
Ano: 2014


Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Filme de Segunda 172

A Família Bélier


O cinema francês tem um charme especial. A começar pela fotografia, sempre muito marcante, passando pelo idioma, suave e agradável, até chegar nos atores, sempre uma grata surpresa. Nos últimos anos, dramédias competentíssimas produzidas na França têm chegado com força ao circuito comercial brasileiro, são casos como de Intocáveis e Eu, Mamãe e os Meninos, e agora aplica-se A Família Bélier.

O filme do diretor Eric Lartigau conta a história dos inusitados Béliers, moradores da zona rural de uma cidade no interior da França. Administradores de sua pequena fazenda, dos quatro membros, apenas Paula (Louane Emera), a filha mais velha do casal, não é deficiente auditiva. Aos 16 anos, ela é a interprete da família, sendo a interlocutora para traduzir o que diz o noticiário da tv, atender os clientes na barraquinha da família na feira da cidade, negociar com a cooperativa além, claro, de ir à escola e tentar ser uma adolescente normal.


O primeiro ato de A Família Bélier é promissor, apresentando os personagens e deixando evidente que, para Paula, não está sendo nada fácil acumular tantas responsabilidades, sobretudo quando descobre uma talento até então adormecido: cantar. Ainda mais quando surge a oportunidade de ir estudar música em Paris, longe dos pais. Até aqui, o roteiro de Stanislas Carré sustenta a trama e injeta a dose necessária de bom humor para tornar tudo muito agradável.

Porém, no meio do filme as coisas se embolam. Abrem-se algumas subtramas que não são muito bem resolvidas, como a candidatura do pai Rodolphe Bélier (François Damiens) à prefeito da cidade e o romance de Paula com um colega popular da aula de canto. Ao ser mau explorado em cena, o jovem casal acaba não criando química.

A Família Bélier, contudo, deixa a cereja do bolo para o desfecho. O filme se revela uma belíssimo conto sobre o rompimento do cordão umbilical com os pais já na fase da adolescência, mas isso se dá por duas ou três cenas no final do longa, nos fazendo relevar o segundo ato mal resolvido da trama.

Louane Emera, atriz que interpreta a protagonista, é uma jovem cantora, participante da edição francesa do reality show The Voice, de 2013. A artista cresce de forma encantadora na parte final do longa e protagoniza uma das cenas mais emocionantes da história do cinema. Eric Lartigau teve o mérito de dirigir um clímax arrebatador, com Louane interpretando a canção Je vole, de Michel Sardou.

As lágrimas são quase inevitáveis, e o filme é salvo de maneira digna e merecida.

Gênero: Comédia, Drama
Duração: 102 min.
Origem: França
Direção: Eric Lartigau
Roteiro: Stanislas Carré
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2014


Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Filme de Segunda 171

Dúvida


Em 2008, John Patrick Shanley arriscou-se pela segunda vez como diretor. Se nos anos 90 seu primeiro trabalho foi a comédia Joe contra o Vulcão, quase 20 anos depois ele volta para adaptar uma peça de sua própria autoria. Dúvida é um drama, com diálogos acentuados, atuações convincentes e um suspense sutil, dosado corretamente pelo autor.

A trama se passa em 1964, e o cenário é a escola católica St. Nicholas, no Bronx novaiorquino, um ano após o assassinato do presidente John Kennedy. A sociedade americana ainda está muito abalada com o fato. O crime chega a ser citado no sermão dominical do Padre Flynn (Philip Seymour Hoffman), no qual o tema principal eram as dúvidas que nos deparamos ao longo da vida. Assim, Shanley demarca um espaço preciso no tempo e aponta o sentimento bucólico que paira sobre aquela comunidade.

Diretora da escola St. Nicholas, a conservadora irmã Aloysius (Meryl Streep) não encara  de forma amistosa o comportamento progressista de Flynn, tampouco a proximidade dele com os alunos. Após um relato da professora James (Amy Adams), uma jovem e inocente freira, Aloysius passa a desconfiar que o padre pudesse ter abusado de um dos alunos. Hierarquicamente inferior ao sacerdote, a diretora passa a questionar e confrontar o personagem de Hoffman.


Dúvida acaba sendo um título adequado e direto. O filme não apresenta ao espectador uma trama hermeticamente fechada, pelo contrário. Baseado nas atuações, o poder da sugestão ganha muita força, afinal não há nenhuma cena que mostre algo claramente, o que existe são diálogos, expressões e alegorias - como o vento, explorado exaustivamente pelo diretor.

Um prova do excelente trabalho de Shanley na condução de seus atores, é a lista dos indicados ao Oscar de 2009. Meryl Streep foi indicada ao prêmio de melhor atriz, Philip Seymour Hoffman ao prêmio de ator coadjuvante enquanto Amy Adams à atriz coadjuvante. De quebra, Viola Davis, com uma rápida e intensa participação, no papel de mãe do menino supostamente abusado, também recebeu indicação de melhor atriz coadjuvante.  Dúvida também foi indicado na categoria de melhor roteiro adaptado.

Gênero: Drama
Duração: 105 min.
Origem: EUA
Direção: John Patrick Shanley
Roteiro: John Patrick Shanley
Distribuidora: Buena Vista Pictures
Censura: 12 anos
Ano: 2008


Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Filme de Segunda 170

Philomena


Em época de premiação do Globo de Ouro e expectativas para os indicados ao Oscar 2015, falo sobre um filme que teve quatro indicações ao prêmio da academia no ano passado. Apesar de Philomena ser um bom drama, o trabalho do diretor Stephen Frears não merecia sair vencedor em nenhuma das categorias.

Philomena Lee (Judi Dench) viveu sua adolescência no convento da Abadia de San Ross, na Irlanda, lugar de educação rígida e conservadora, sobretudo na metade de século 20. Em uma noite livre, com permissão para passear, conhece um rapaz encantador e tem sua primeira relação sexual. O pecado da carne cai sobre si de duas maneiras: além de ter confessado às irmãs do convento que adorou o sexo, ela estava grávida. Como era de praxe no local, a criança era tirada da mãe e vendida para casais americanos.


Após 50 anos de silêncio, segredo e angustia, Philomena decide que é hora de procurar o seu filho roubado. A história da senhora acaba então cruzando a vida de Martin Sixsmith, um jornalista em crise profissional que vê, na busca de Philomena, uma oportunidade de escrever uma grande reportagem de apelo emocional.

Philomena se torna então, quase um road movie, com os dois personagens pegando a estrada e partindo atrás das pistas que levem até o filho da complexa mulher vivida por Judi Dench. Uma católica sempre muito compreensiva com as decisões da Igreja, mesmo que essas decisões tenham um dia tirado dela o seu filho. Por outro lado, o jornalista Sixsmith é um ateu convicto, de uma ironia quase deselegante.

Em todos os aspectos, Philomena sempre vai até determinado ponto e não consegue ultrapassá-lo, o que não o deixa ser mais que apenas um bom filme, que conta uma história real, mas não é capaz de chocar ou emocionar tanto quanto poderia.  

Gênero: Drama
Duração: 98 min.
Origem: EUA, Inglaterra, França
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Jeff Pope, Martin Sixsmith, Steve Coogan
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2014



Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Filme de Segunda 167

Boa Sorte


Carolina Jabor viu no conto de Jorge Furtado, Frontal com Fanta, a oportunidade de dirigir seu primeiro longa de ficção. Coube ao próprio Furtado, junto com seu filho Pedro Furtado, a adaptação do roteiro. Filha do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, diretora do documentário O Mistério do Samba (2008), não dá pra dizer que Carolina tem uma estreia ruim na ficção. Contudo, Boa Sorte não chega a ser nada fora do comum.

O filme é uma jornada de autodescoberta, que se passa dentro de uma clínica de reabilitação. João, de 17 anos, é viciado no calmante em que a mãe toma diariamente. Seus pais decidem interná-lo. Na clínica ele conhece Judite (Deborah Secco), uma mulher mais velha, atraente, soropositivo e com um vasto currículo de drogas lícitas e ilícitas.


Boa Sorte abre discussões pertinentes, como a postura dos pais diante os problemas dos filhos, os próprios pais como válvula causadora de tudo, a linha tênue entre as drogas lícitas e as ilícitas, a venda de remédio sem prescrição médica e o tipo de tratamento que é oferecido. Porém, o longa de Carolina Jabor acaba focando demasiadamente no romance entre João e Judite. Não que não fosse importante para a narrativa, mas assim ela deixou escanteado outros aspectos que poderiam enriquecer a obra.

Se por um lado os realizadores acertaram na direção de arte, com cenas que se passam a maior parte do tempo dentro da clínica, misturando uma natureza esverdada e de pouco vida com o aspecto bucólico de um casarão velho, Boa Sorte entrega para o espectador, no final, uma indecisão conceitual. Deixa tudo nas entrelinhas ou explica didaticamente o desfecho?

Mesmo com a primeira opção já tendo sido alcançada, a cineasta parte para as explicações. Uma satisfação que não precisava, tampouco para justificar o nome do filme, que é o que acontece. No pacote básico dos 90 minutos que é Boa Sorte, mais proveitoso seria ter trabalhado com mais cuidado os personagens periféricos e entregado uma obra de maior peso e atitude, que valorizaria ainda mais o trabalho corretíssimo dos dois protagonistas João Perdro Zappa e Déborah Secco.

Gênero: Drama
Duração: 90 min.
Origem: Brasil
Direção: Carolina Jabor
Roteiro: Jorge Furtado, Pedro Furtado
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2013


Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Filme de Segunda 166

Ilha do Medo


Exatamente há 72 anos, no dia 17 de novembro, em Nova York, nascia Martin Scorsese, um dos maiores cineastas da história. Aproveito a data para falar sobre um dos seus trabalhos recentes, de 2010, que acabei não comentando aqui no Filme de Segunda. Estou me referindo a Ilha do Medo, estralado por Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley.

O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Dennis Lehane que, com a ajuda de Laeta Kalogridis, também roteirizou o longa. A trama se passa em 1954, quando o detetive Teddy Daniels (DiCaprio), acompanhado do agente Chuck Aule (Ruffalo), investiga o desaparecimento de uma paciente perigosa, que fugiu do hospital psiquiátrico na remota Ilha Shutter, um lúgar inóspito, misterioso e de difícil acesso.


Scorsese, como de praxe, filma a partir de referências, autorreferências e homenagens. A neblina do início, lembra o seu Taxi Driver, de 1976. Depois, Ilha do Medo propõem um desfile de estilos, todos encaixados a cada momento da trama. Primeiro, com a chegada dos dois agentes na ilha, um clima de investigação policial, detetive clássico, com direito a frases, cortes e planos clichês. Depois, suspense e um leve toque de terror. Para então, na reta final, o filme se tornar um drama psicológico, capaz de desconstruir toda a narrativa.

Como sempre, o cineasta apresenta filmes tecnicamente quase perfeitos. É o caso de Ilha do Medo, que tem trilha sonora fundamental, direção de arte muito competente, fotografia adequada e uma série de interpretações corretas, todas dentro do tom necessário. Porém, falta aquele algo a mais para que o longa se torne um dos grandes na cinebiografia de Scorsese. É até difícil explicar o que seria esse algo a mais sem chegar muito perto de dar spoiler. Porém, talvez fosse mais vantajoso ao que se propõe Ilha do Medo que o diretor colocasse mais cedo a pulga atrás da orelha do espectador.

Gênero: Drama
Duração: 148 min.
Origem: EUA
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Dennis Lehane, Laeta Kalogridis
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Censura: 14 anos
Ano: 2009
Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Filme de Segunda 164

Como resolvi inverter os papéis graças à eleição de domingo, postando na segunda-feira o Você Viu?, deixei para hoje o Filme de Segunda, desta vez a edição número 164. Confira: 

Relatos Selvagens


O cinema argentino sempre nos reserva boas experiências. Relatos Selvagens é sucesso de público e crítica em seu país, e chega ao Brasil com o competente Ricardo Darín posando como protagonista no cartaz de divulgação. Já adianto que isso é uma manobra de publicidade. O longa do emergente Damián Szifron é uma colagem de seis histórias diferentes. Darín participa apenas de um desses contos.

Através de humor negro e de uma ironia sádica, o diretor e roteirista apresenta ao telespectador seis histórias independentes que, se narrativamente não se encontram em nenhum momento, se costuram pela temática da barbárie cotidiana. Relatos Selvagens tem personagens em situações banais mas que, por algum motivo, saem de sua zona de conforto e se submetem ou enfrentam situações de extremo estresse.

As situações transcorrem dentro de nosso cotidiano comum, este sempre um grande mérito do cinema argentino. Um avião, uma briga de trânsito, uma lancheria em beira de estrada, um pai de família azarado, um atropelamento ou uma festa de casamento.


Em Relatos Selvagens todos estes pequenos contos se sustentam muito bem, com início, meio e climaz muito bem delineados. Nesse sentido, Szifron tem um trabalho corretíssimo, conseguindo fazer com que o espectador se sinta desconfortável em algum momento e ria já na cena seguinte, tamanha é a tragicomédia da situação. Dos seis relatos, destaco a que Darín participa, como um engenheiro que se revolta contra o sistema e também o último conto, uma festa de casamento destruída por constrangimento e traição. 

Gênero: Comédia
Duração: 122 min.
Origem: Argentina, Espanha
Direção: Damián Szifron
Roteiro: Damiám Szifron
Distribuidora: Warner Bros
Censura: 14 anos
Ano: 2014


Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Filme de Segunda 94

Entre o Amor e a Paixão

A canadense Sarah Polley parece estar despontando como uma das grandes cineasta de uma geração que está surgindo. Ela tem apenas 33 anos e já assina seu segundo filme. São trabalhos autorais, de muita personalidade. Em 2006, Longe Dela, o primeiro. O segundo, Entre o Amor e a Paixão, é do ano passado, mas só agora entra em cartaz no Brasil.

Dirigido e roteirizado por Sarah, Entre o Amor e a Paixão é um romance indie, milimetricamente pensado a cada cena, a cada objeto posicionado, em cada cor ou música. Tudo nos leva a sentir aquilo que Polley nos que fazer sentir.

O nome em português é muito claro. Michelle Williams é Margot, uma jovem escritora, casada há cinco anos, que vive no subúrbio de Toronto. Em uma viajem ela conhece Daniel (Luke Kirby), que por coincidência é seu vizinho. Rola uma química muito forte entre os dois e surge daí uma paixão. Margot entra num dilema ético, pois é casada, ama seu marido, ao mesmo tempo que está completamente atraída por Daniel.

Entre o Amor e a Paixão não tem frases de efeito. A maioria das coisas ficam subentendidas através do olhar, de uma gaguejada, de um gesto, de uma trilha sonora e até mesmo na fotografia do filme. Há cenas muito poéticas, de um cuidado primoroso de Sarah e sua equipe, sempre repleto de cenários bem coloridos, porém com tons desbotados, sempre com muitos objetos.

O sentimento é o de Margot. Indecisão, angustia, atração física e apego ao que já está constituído e aparentemente dá certo. Entre o Amor e a Paixão  inspira certo ar de melancolia. É imediatamente chato, principalmente pela melosidade da protagonista. Mas o filme persiste, sabe o que quer e tem saldo positivo. Me ganhou só após a sessão, horas depois.

Seth Rogen é Lou, marido de Margot. Um dos pontos fortes do filme. Talvez o personagem mais simpático do trio de protagonistas. Contudo, Michelle Williams e Luke Kirby também estão muito convincentes, fazendo ótimos trabalhos sob o comando de Sarah Polley. Com esses três, Entre o Amor e a Paixão abre um leque imenso de possibilidades, sentimentos e interrelações. Apesar de se tratar de um roteiro amarrado principalmente por coincidências, estão ali situações possíveis, que em dado momento nos colocam com a mesma angustia de Margot. 

Gênero: Drama
Duração: 116 min.
Origem: Canadá
Direção: Sarah Polley
Roteiro: Sarah Polley
Distribuidora: Califórnia Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2011
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Filme de Segunda 63

127 Horas

Danny Boyle é diretor de filmes notáveis. Sua filmografia é de respeito, longas como o Trainspotting, de 1996, e Quem quer ser um milionário?, vencedor do Oscar de melhor filme em 2008 pesam no currículo do diretor.

127 Horas, lançado em 2010 e com várias indicações ao Oscar no ano seguinte, com certeza já az parte desses filmes que chamam atenção na filmografia de Boyle. É o tipo de produção que foge a linha de Hollywood, pois tem poucos personagens, nenhum par romântico, nenhum grande vilão, nenhum grande herói, um cenário monótono. Assim são contadas essas 127 horas da vida de Aron Ralston, um jovem alpinista, interpretado por James Franco.

Mas ao contrário do que possa parecer, 127 Horas não é um filme chato. Ele se compensa.

Aron Ralston partiu para mais uma aventura sozinho e sem contar para ninguém naquele abril de 2003. Foi fazer um passeio pelo cânion Bluejohn, no estado de Utah, nos EUA. Não contava com uma pedra em falso, que lhe rendeu uma queda em uma fenda do cânion, deixando seu braço direito trancado e esmagado em uma rocha.

Nessa cinebiografia que conta a história de como Ralston sobreviveu por cinco dias preso, machucado, com pouca água, com pouca alimentação e pouca exposição ao sol, quem brilha é James Franco, interpretação que lhe rendeu indicação ao Oscar. 127 Horas mescla cenas da câmera pessoal do personagem de Franco, que documenta tudo, e imagens das câmeras de Boyle.

O filme caminha num clima meio confessionário, de monólogos com a câmera. Para não perder o espectador, Danny Boyle opta por uma montagem de cortes secos, alternando momentos intensos com uma trilha sonora bem pra cima, de muito bom gosto.

A expectativa em torno do desfecho da história gira em saber como Aron vai se livrar daquela situação que certamente o levará à morte. Para ser mais direto: quando ele vai decidir se livrar para então protagonizar uma das cenas mais fortes do cinema.

Em 127 Horas, Aron Ralston é vilão e herói de si mesmo e a fotografia maravilhosa dos cânions americanos compensa qualquer monotonia de ficar cinco dias parado no mesmo lugar afinando um canivete péssimo fabricado na China.


Gênero: Drama
Duração: 100 min.
Origem: EUA e Reino Unido
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Simon Beaufoy e Danny Boyle
Distribuidora: Fox Film
Censura: 16 anos
Ano: 2010


Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Filme de Segunda 57

J.Edgar
De Jackeline Moraes

O novo longa de Clint Eastwood (Gran Torino e Invictus) é intrigante e longo, mas acabou me conquistando. A história cronologicamente confusa conta com a narração como guia e nos trilha quase que inteiramente pela vida pessoal do diretor mais importante do FBI. 

John Edgar Hoover é protagonizado por Leonardo Di Caprio que, por vezes, aparece caricato de tanta maquiagem. J.Edgar conta a história de um dos indivíduos que mais contribuiu para segurança dos EUA. Sua vida é basicamente servir a seu país, estando por 48 anos à frente das investigações do FBI. Contribuiu para o desenvolvimento tecnológico da segurança, introduziu peritos criminais e métodos científicos para solucionar os casos, ajudou na captura de grandes criminosos dos anos 30, perseguiu comunistas, deportou estrangeiros durante a Segunda Guerra, caçou direitos civis de negros e subornou grandes autarquias para se beneficiar.

O filme não decepciona quanto à missão de retratar a vida de John Edgar Hoover, porém importantes questões são relatadas de forma sutil e dão mais espaço para vida pessoal do diretor que, particularmente, pouco interessa. Não que eu esperasse sangue, tiros e mortes, fui preparada para assistir à uma cinebiografia e esperava ver os feitos, as intervenções, as posições políticas, as tramas, os podres e não a opção sexual de J.Edgar.

Clint Eastwood é conhecido por sua posição declaradamente republicana e, talvez por isso, sua mão posou leve sobre as cearas dos bastidores políticos que envolveram J. Edgar. Tudo é mostrado de forma leve e há muitos elementos subentendidos. 

As idas e vindas no tempo também prejudicam, mas o resultado final é bom. A atuação de Leonardo Di Caprio é ótima. Já tenho uma queda por filmes protagonizados por ele, e J.Edgar é levado com tanto êxito que eu quase esqueci meu lado apreciadora de filmes, não de atores. 

Enfim, o filme me ganhou pelo contexto, pelo final, pela atuação do Di Caprio. Certamente um filme que deve ser valorizado, principalmente pelos apreciadores das produções policiais, apesar da “falta” de pólvora.

Gênero: Biografia e Drama
Duração: 137 min.
Origem: Estados Unidos
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Dustin Lance Black
Distribuidora: Warner Bros 
Censura: 12 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Filme de Segunda 53

A Casa dos Sonhos
De Jackeline Moraes

Parece que deixamos meio perdido no caminho de 2011 o filme A Casa dos sonhos, que estreou em novembro. Um filme bem aproveitado e diferente, merecendo não só a coluna de segunda, como também um destaque nas locadoras.

A trama conta a história de um editor confuso e misterioso que vai para a cidade isolada morar com sua linda família na casa nova. Até aí tudo igual, mesmo clichê de qualquer casa assombrada. Porém, o filme se vende quando tudo que acontece é bem diferente do que esperamos. É verdade que os acontecimentos não são muitos, os sustos também, mas o enlace da história é surpreendente.

A Casa dos Sonhos tem como protagonista Will Atenton (Daniel Craig), que compôs bem o personagem, desde o tom de voz usado até o figurino, nos mantém ligado no mistério. A linda família começa a ser perseguida por vizinhos e descobre que a nova residência foi palco para uma chacina. 

O filme pode não conter grandes assombros, mas garante a fumacinha saindo da cabeça para entender o longa. Inclusive encontrei algumas referências de Ilha do medo (que, proposito, é um dos meus favoritos).

Pra começar o ano com boas indicações, a proposta de A Casa dos Sonhos me convenceu. O filme é o eleito para estrelar no meu primeiro Filme de Segunda de 2012.

Gênero: Suspense
Duração: 92 min.
Origem: Estados Unidos
Direção: Jim Sheridan
Roteiro: David Loucka
Distribuidora: Warner Bros.
Censura: 14 anos
Ano: 2011
Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Filme de Segunda

Especial Final de Ano
Este é o último Filme de Segunda de 2011. Portanto não comentarei nenhum filme em especial, hoje farei algumas considerações, agradecimentos, observações. Ao longo do ano foram 42 textos, a imensa maioria deles comentando filmes lançados em 2011.
Comecei esta coluna em Novembro de 2010 e é um orgulho muito grande conseguir manter tamanha regularidade e falhar poucas segunda-feiras. Aqui não posso deixar de agradecer minha colega de jornalismo Jackeline Moraes, que em junho passado começou a dividir a coluna comigo. No nosso acordo fica uma semana pra cada um, o que facilita que sejam comentados filmes recentes - que é o que torna a coisa interessante.
Olha aí a lista de filmes lançados esse ano que eu e a Jackeline comentamos:

Acho a lista muito boa, o que acaba tornando as críticas do blog bem boazinhas, pois não se fala mal de quase ninguém! As classificações mais baixas do ano ficaram à cargo da Jackeline, isso talvez porque ela veja mais filmes que eu, portanto a probabilidade de assistir bomba é maior. Da lista,o pior que eu vi foi o nacional Assalto ao Banco Central, que classifiquei como bom filme, mas não é. Fui desgostando do filme conforme escrevia, mas por algum motivo não mudei a classificação que tinha na cabeça antes de começar a escrever. Pra Jacke, o pior foi de A Inquilina, que ela classificou como meia-boca. E aí vasculhando aqui achei o 11-11-11, que ela classificou como ruim! Nem sempre se consegue ser coerente.
O nosso Top 3 ficou parecido, ainda que não tenhamos elencado posição. Pra mim, os grandes espetáculos do ano foram Cisne Negro, Meia Noite em Paris e A Pele que habito. Minha colega de blog concorda com Cisne Negro e Meia Noite em Paris, mas coloca na sua lista o Atividade Paranormal 3, pra ela o melhor da franquia, e que merece o posto pela surpresa que lhe causou.
Contudo, não foram estes os filmes que nos emocionaram. Da lista, chorei com Toy Story 3, O Palhaço e Late Bloomers, todos com histórias lindíssimas sobre a vida. Já a ala feminina da coluna foi pega pelo romance, e se emocionou mais com One Day e Larry Crowne. Dois filmes, aliás, que não vi (ainda), mas já gostei...
Semana que vem já será dia 2 de janeiro de 2012! Com sinceridade, ainda não sei se terá texto novo. Ainda estou analisando o período de férias deste querido blog. A unica certeza é que a coluna semanal sobre cinema vai seguir. E torço para que o saldo seja positivo como é ao final desse ano. Que venha mais um ano de Cinema no PoA Geral!