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quarta-feira, 18 de março de 2015

Você viu? #128

Hoje no Você Viu vou priorizar uma assunto que ainda está muito forte: as manifestações do dia 15 de março. Como de costume, vou fugir das notícias e interpretações da grande mídia e buscar visões e opiniões mais à esquerda. Entendo como um exercício necessário para tentar fugir do lugar comum.






Blog do Sakamoto, 15 de março

Bruno Lima Rocha para o IHU, 15 de março

Jornalistas Livres, 15 de março

Sul 21, 15 de março

Eliane Brum, 16 de março

Pragmatismo Político, 17 de março

Carta Capital, 17 de março

El País, 17 de março

Revista Fórum, 18 de março

Imagens dos protestos em Novo Hamburgo, região metropolitana. Foto: Joel Vargas

segunda-feira, 16 de março de 2015

Respeito, mas está longe de me representar

Todo respeito ao povo que saiu às ruas neste domingo, 15 de março, em todo o Brasil. Um número realmente significativo de pessoas foram manifestar-se contra o PT e a presidente Dilma Rousseff, pedindo o impeachment da mandatária e o fim da corrupção. Faz parte do jogo democrático. 

Entendo que engana-se quem generaliza dizendo que apenas a elite branca foi para as ruas. Pelo que tenho observado e lido nesses últimos meses, este é um movimento forjado pela elites e comprado por uma parcela significativa dos brasileiros médios, que não são necessariamente privilegiados pelos programas assistenciais do governo, tampouco pelo capital das grandes potências empresariais. Esse brasileiro médio, alardeado por postagens terroristas nas redes sociais e uma cobertura do país negativa e insistente por parte da grande mídia, foi para as ruas convicto que o Partido dos Trabalhadores e a presidente são os maiores problemas do Brasil.

Terrorismo desse tipo tomou conta das redes sociais, levando 
muitas pessoas a crerem nessas informações.
Eles tem o direito de pensarem assim. Ainda bem que vivemos em uma democracia e isso pode acontecer. Contudo, as pautas defendidas pelas principais lideranças que convocaram esse movimento do dia 15 de março, não me representam. E digo mais: não representam para o país um caminho salutar em sua democracia ainda jovem.

Primeiro que não acho que os últimos anos da administração do PT tenham sido uma maravilha. Dilma, Lula e o PT cometeram os mesmo erros e fizeram as mesmas alianças que qualquer partido da oposição faria sem corar as bochechas. Reconheço, porém, os inúmeros avanços e conquistas importantes de uma parcela da população proporcionadas pelo governo do PT, no qual sempre votei em segundo turno (optando primeiramente pelos candidatos do PSOL).

Dito isto, não posso nunca me aliar a um movimento que tem, entre seus simpatizantes e principais incentivadores, nomes como Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e grupos que apoiam a intervenção militar. Além, claro, do desespero completo que é, neste momento, acreditar no impeachment da presidente Dilma.

Casal protesta em Porto Alegre. Foto: Guilherme Santos / Sul21

Estes surgem da mesma vertente que defende a redução da maioridade penal, criminaliza o aborto, criminaliza os movimentos sociais e diz amém para absolutamente tudo que a grande mídia publica. É um movimento que se diz contra a corrupção e grita palavras de ordem contra o governo que mais investigou corrupção na história desse país.

Me alio aos movimentos que não negam suas bandeiras históricas, que muito levaram pau da polícia, bala de borracha, gás lacrimogênio, para que hoje desfrutemos de direitos essenciais, como férias remuneradas, décimo terceiro, licença maternidade, valorização do salário mínimo, carteira assinada. Movimentos que entendem a importância da Petrobrás, que também querem o fim da corrupção, mas não que isso signifique o enfraquecimento das instituições em nome de um jogo político sujo, forjado e mal interpretado.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Folha de S. Paulo: golpe baixo e desinformação

O jornal Folha de S. Paulo publicou em seu portal na última quarta-feira, 17, um levantamento sobre os gastos públicos com publicidade do governo federal e das estatais nos veículos de comunicação, entre os anos de 2000 e 2013. O título da matéria é "Sites alinhados ao governo foram beneficiados com gasto em publicidade".

A estrutura, a abordagem e a intenção do texto são de um golpe baixíssimo e praticam sobre o leitor uma desinformação tremenda. Na publicação, em tom acusatório, o jornal afirma que revistas como a Carta Capital e sites como o Carta Maior são tidos pela "oposição" como veículos financiados pelo Palácio do Planalto e pelo PT. Segundo a Folha, são "sites alinhados ao governo" e com "posições de esquerda". Quer dizer, na linguagem jornalística mais rasa, de entendimento médio, estes veículos não praticam jornalismo isento e honesto.

Desonesta é a intenção da Folha em publicar a matéria com a clara intenção de minar a discussão pública sobre democratização da mídia, dando a entender que fora do pequeno espectro de grandes empresas de comunicação do Brasil o jornalismo é necessariamente chapa branca e alinhado ao governo. Tornando notícia o fato de um veículo se posicionar politicamente à esquerda, como se isso configurasse algum crime.

Na quarta-feira mesmo a Carta Capital publicou uma matéria em tom de resposta. "O levantamento da Folha de S.Paulo comprova o óbvio: os barões da mídia embolsam a maior fatia dos investimentos do governo federal. Sem falar nos acertos pouco republicanos com seus aliados tucanos", afirma o texto. E ainda destaca que, no últimos 14 anos, os grupos que mais lucraram em cotas publicitárias são:  Grupo Globo (5,2 bilhões), TV Record (1,3 bilhão), SBT (1,2 bilhão), Band (1 bilhão), Editora Abril (523 milhões), Folha de S. Paulo (266 milhões), O Estado de S. Paulo (188 milhões) e IstoÉ (179 milhões).

Imagem: Carta Capital

Na matéria da Folha, são citados oito sites/blogs de esquerda. Somadas suas cifras, chegamos próximo a 72 milhões. Em média, 9 milhões de reais para cada um. Será mesmo que são eles os financiados pelo Palácio do Planalto, pelo PT, ou pelos gastos públicos com publicidade das estatais e do governo federal?

Nesses últimos 14 anos, o número de meios de comunicação que recebem investimentos de estatais passaram de 4,4 mil para 10,8 mil. Ou seja, houve uma sinalização de abertura e de democratização, ainda que sensível. Contudo, automaticamente diminui a fatia do bolo destinado às grandes empresas. Mas, de fato, a distribuição ainda é desigual. É dentro deste contexto que os barões da mídia levantam a bandeira de combate à opinião de esquerda, à democratização e disseminação de veículos que representem uma real alternativa de fonte de informação.

No blog do Rovai, hospedado no Portal Fórum, o jornalista contou como foi a abordagem da repórter da Folha antes da publicação da matéria. Já o portal Carta Maior informou que vai processar o jornal.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Você Viu? #118

Ideologia: Manifesto sobre a esquerda-caviar
Carta Capital, 15 de dezembro

Comportamento: Selfies em sequestro de Sydney revoltam internautas
BBC Brasil, 15 de dezembro













CNV: O choro de Dilma na Comissão da Verdade: um depoimento
Diário do Centro do Mundo, 15 de dezembro



História: Jornalista lança 'biografia' do DOI-Codi. Com ex-agente do Dops na plateia
Rede Brasil Atual, 14 de dezembro

Política: PSDB e PT estão mais similares, diz Luciana Genro
Diário do Pará, 14 de dezembro

MTST: Líder dos sem-teto reúne ricos e pobres em ‘aula pública’ no centro de SP
Ponte, 12 de dezembro

Sonegação: como a Globo conseguiu renovar a concessão apesar de dever ao Fisco
Diário do Centro do Mundo, 10 de dezembro

Repercussão caso Jair Bolsonaro (PP)



EBC, 15 de dezembro

Portal Imprensa, 15 de dezembro
 
Portal Fórum, 14 de dezembro

Zero Hora, 12 de dezembro

Revista Exame, 11 de dezembro

Portal Imprensa, 10 de dezembro

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Você Viu? #113

Ditadura: Dopinha é tema de documentário e deve ser adquirido pelo governo do Estado até dezembro
Sul 21, 11 de novembro

Mídia: Crônica da baixaria entre Santana e Kenny Braga
Juremir Machado da Silva, 11 de novembro


Violência: Em 7 meses, 6 funkeiros são assassinados em bailes de SP
Ponte, 10 de novembro

Eleições: O ‘nordestino’ Diogo Mainardi
Diário do Centro do Mundo, 10 de novembro

Intercâmbio: MST defende acordo de cooperação assinado com ministro venezuelano
Agência Brasil, 10 de novembro

Veja: O “odiojornalismo” não pode ser patrocinado pelo dinheiro público
Diário do Centro do Mundo, 10 de novembro

Infeliz: Silvio Santos ironiza cabelo de criança negra e recebe críticas na internet
Carta Capital, 10 de novembro

Meninas: A rebelião de Jô Soares
Tijolaço, 9 de novembro


Política: Deputado tucano exige que site anti-PT que atacou jornalistas seja punido
Blog do Sakamoto, 8 de novembro

Esquerda: Polemizando com dois editoriais da Carta Maior, 29 de outubro e 06 de novembro de 2014
Estratégia & Análise, 8 de novembro

Auxílio-moradia: Trabalhadores e jovens de mais de dez entidades protestam contra auxílio moradia para juízes
Jornalismo B, 7 de novembro
FOTO: Alexandre Haubrich / Jornalismo B















segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Você viu? #111

Hoje farei uma inversão de postagens. Ao invés do habitual Filme de Segunda, neste dia posterior às eleições darei uma de revista Veja e anteciparei o Você Viu? em um dia. Amanhã, portanto, volto a falar sobre cinema. Por agora, indico algumas leituras repercutindo o pleito de domingo.

Sartori diz que ninguém está autorizado a divulgar nomes de secretários
Sul 21, 27 de outubro

Imprensa europeia repercute vitória de Dilma Rousseff
Agência Brasil, 27 de outubro

Dilma e sua coligação está movendo 7 ações na justiça contra a revista Veja
Sul 21, 27 de outubro

Não esqueçam o que eles escreveram
Observatório da Imprensa, 27 de outubro

A pressão por uma guinada de Dilma à esquerda começa agora
Blog do Sakamoto, 27 de outubro

91,8% dos brasileiros em Miami votaram em Aécio Neves
Revista Fórum, 27 de outubro

Primeiro pronunciamento da Presidente reeleita Dilma Rousseff




Primeiro pronunciamento do Governador do RS eleito José Ivo Sartori




A Dilma Rousseff que eu conheci pessoalmente
El País, 26 de outubro

Aécio: “a maior prioridade deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado”
Carta Capital, 26 de outubro

PMDB é o maior vencedor nos estados
Carta Capital, 26 de outubro

Por que a Minas de Aécio deu a vitória a Dilma
Diário do Centro do Mundo, 26 de outubro

Indignado, Coronel Telhada fala em separar SP do País
Portal Terra, 26 de outubro

Nordestinos sofrem preconceito na internet após vitória de Dilma
Uol, 26 de outubro


AQUI, galeria dos fotógrafos Bernardo Jardim Ribeiro e Ramiro Furquim, do Sul 21.
Bernardo Jardim Ribeiro / Sul 21

sábado, 25 de outubro de 2014

A técnica do antijornalismo e a resposta da Presidente Dilma

Em Vi O Mundo, o pesquisador que estudou o maior fenômeno de antijornalismo do Brasil. Artigo interessante para entender um pouco da prática jornalística da revista Veja. Já o portal de notícias Pragmatismo Político destaca: Tribunal Superior Eleitoral afirma que capa da revista Veja é propaganda eleitoral irregular e está claramente “a favor de uma candidatura em detrimento de outra”.



Indico ainda o texto do editor do Diário do Centro do Mundo. A seguir, na íntegra:

Uma discussão estritamente jornalística sobre o caso Veja

Paulo Nogueira para o DCM, em 25 de iutubro

Capa da mais recente edição de Veja, que teve
seu lançamento antecipado em dois dias 
Vou falar estritamente sobre a técnica jornalística utilizada pela Veja na última edição.

Percebi que é necessário, uma vez que mesmo jornalistas experientes como Ricardo Noblat não compreendem exatamente onde está o problema.

Citei Noblat porque, em sua conta no Twitter, além de em determinada altura do debate de ontem ele informar seus seguidores de que a bateria do celular acabara, ele fez a seguinte indagação.

“Que prova Dilma da reportagem da Veja? Uma gravação? Diria que é falsa. Uma entrevista do doleiro preso?”

Uma das missões do jornalismo é jogar luzes sobre sombras. Noblat jogou ainda mais sombras sobre as sombras já existentes.

Prova é prova. Prova são evidências consideradas irrefutáveis pela Justiça depois de um processo em que as partes defendem sua posição.

Prova não é a palavra de ninguém – gravada, escrita ou dita em público. Porque o ser humano pode dizer qualquer coisa que imagine que vá beneficiá-lo ou prejudicar um opositor.

Imagine que alguém queira destruir moralmente você. Ele afirma que você é pedófilo, por exemplo. Grava um vídeo e coloca no YouTube.

O fato de ele haver falado que você é pedófilo não prova nada, evidentemente. Você o processa. A Justiça vai pedir provas. Se o difamador não as tiver, estará diante de uma encrenca considerável.

O raciocínio acima não vale, infelizmente, para o jornalismo, dada a influência que as empresas de mídia exercem sobre a Justiça no Brasil.

Mas vale em sociedades mais avançadas. O caso clássico, neste capítulo, é o de Paulo Francis.

Acusou diretores da Petrobras de terem contas no exterior. Como as acusações foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, os acusados puderam processá-lo nos Estados Unidos.

A Justiça americana pediu provas a Francis. Ele nada tinha. Na iminência de uma indenização à altura das calúnias, Francis se atormentou e morreu do coração.

Na Justiça brasileira, ele certamente se sairia facilmente de um processo. E ainda seria glorificado como mártir da liberdade da expressão.

Ainda que, para voltar à frase de Noblat, uma fita fosse apresentada, isto não valeria rigorosamente nada. De novo: nada.

Imagine, apenas a título de exercício mental, que alguém tivesse prometido ao doleiro preso vantagens no caso de uma vitória de Aécio: dinheiro, pena branda, cobertura discreta em jornais, revistas, telejornais.

Imagine, além disso, que o doleiro de fato acreditasse que uma simples declaração sua daria a presidência a Aécio.

Ele falaria o que quisessem que ele falasse, naturalmente.

No Brasil, situações como a que descrevi podem acontecer.

Nos Estados Unidos, e volto a Paulo Francis, não. Sem provas, não apenas o acusador estaria frito. Também jornais e revistas que reproduzissem suas acusações enfrentariam problemas colossais.

A sociedade tem que ser protegida.

Em meus dias de Abril, meus amigos se lembram, sempre disse que seria simplesmente inimaginável um jornal publicar – sem provas – uma entrevista em que um irmão do presidente fizesse acusações destruidoras.

Esse irmão poderia estar mentindo, por ódio ou motivações pecuniárias. Inventando coisas. Aumentando outras.

Onde muitas pessoas viram um triunfo da Veja, enxerguei desde o princípio uma demonstração da miséria do jornalismo nacional. E da Justiça, porque se ela agisse como deveria ninguém destruiria a reputação de ninguém sem provas.

Tantos anos depois deste caso a que me refiro, nem o jornalismo brasileiro e nem a Justiça evoluíram.

As trapaças estão até nos detalhes. O jornalismo digno manda que você tome cuidados básicos ao publicar acusações. O acusador disse isso ou aquilo. Afirmou. Para manipular leitores, a Veja utiliza outro verbo: revelou. É, jornalisticamente, uma canalhice e um crime.

A Veja sabe que pode publicar o que bem entender porque a Justiça não vai cobrar provas. Como opera em solo brasileiro, e não americano, ainda poderá se declarar mártir da liberdade da expressão, caso seja mesmo processada por Dilma.

Era o que aconteceria com Paulo Francis se não tivesse sido julgado pelas leis americanas.

Nos Estados Unidos, de onde emigrou há 60 anos a então modesta família Civita para fazer fama e fortuna no Brasil, a Veja estaria morta há muito tempo com o tipo de jornalismo que faz.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dez coisas sobre o debate dos presidenciáveis na Band

Assisti a boa parte do debate com os candidatos a Presidente da República realizado pela TV Bandeirantes na noite de terça-feira, 27. Não foi com aquela atenção necessária, com anotações precisas e fundamentais para escrever qualquer análise mais densa sobre o confronto. Confesso, porém, não ter me surpreendido com nada. Nem com os momentos bons, tampouco com o vários momentos ruins, de enrolação e discurso vazio.

Marina (PSB) pergunta a Dilma (PT). 
Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Quero, portanto, replicar a análise breve e pertinente do jornalista Paulo Nogueira, publicada nesta quarta no portal Diário do Centro do Mundo. Posso até discordar em uma ou duas frases do editor do site, mas concordo, sobretudo, com a essência básica que passa o texto. Confira:

Dez coisas sobre o debate da Band

1) Dilma apanhou de todos os lados. Bateu em Aécio e poupou Marina, que não a poupou.

De uma maneira geral, se defendeu bem, o que mostra que se preparou para a pancadaria generalizada.

2) Aécio foi Aécio e mais três: os jornalistas da Band, José Paulo de Andrade, Boris Casoy e Fabio Panuzio.

As perguntas deles continham invariavelmente críticas a Dilma e oportunidades para Aécio vender seu peixe. Foram torcedores muito mais que jornalistas.

3) Aécio escolheu por onde vai tentar brecar Marina: dizendo que ela é uma “aventura”, um “improviso”.

A verdadeira mudança, segundo ele, é ele mesmo.

4) Aécio vê um Armínio Fraga que só ele vê. Nas  suas considerações finais, Aécio anunciou Fraga como ministro da Economia com o ar triunfal de um técnico que estaria comunicando a aquisição de Messi.

5) Marina mostrou quanto respeita Neca. Os óculos vermelhos com os quais se apresentou no debate chamaram a atenção de todos.

Neca não parece ter apreciado muito. Da plateia, acenou para que Marina os tirasse, e foi obedecida.

6) Marina, como se diz no futebol, está de salto alto, mascarada, por conta das pesquisas.

Parecia pairar acima do bem e do mal, ou pelo menos acima de Dilma e Aécio, ao renegar a polarização PT X PSDB.

7) O Pastor Everaldo não tem noção das coisas. Numa pergunta sobre o futuro da energia, parecia aquele aluno que ao ver uma questão numa prova percebe que não estudou nada. Respondeu com seu repetido bordão sobre o Estado Mínimo, que lhe valeu o apelido de Pastor Neoliberal entre os internautas.

8) Eduardo Jorge, do PV, foi o Rei da Zoeira, com seu vozeirão, seu traje de cantor sertanejo e suas críticas “a tudo isso que está aí”.

“Aquele tio que fuma maconha e pede dinheiro emprestado pra tua avó”, na definição de um internauta no Twitter.

9) Levy Fidelix frustrou os internautas ao deixar de falar no mítico “aerotrem”.

Comparado ao baixinho da Kaiser e ao Senhor Spacely, parecia, como o Pastor Everaldo, perdido no tempo e no espaço.

10) Luciana Genro pode se tornar um bom quadro da esquerda, se for mais pragmática. Sublinhou a semelhança entre o programa econômico de Aécio e de Marina, falou na necessidade de taxar as grandes fortunas e, em seu melhor momento, notou que o jornalista José Paulo de Andrade não entendeu nada dos protestos de junho passado.

Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Eleições presidenciais e reformas estruturais

A seguir, editorial da edição 596 do Jornal Brasil de Fato, que basicamente reflete a opinião deste blogueiro que vos tecla.

As manifestações de junho de 2013, exigindo mais cidadania políti­ca e social, assim como a instrumen­talização da Ação Penal 470 (conhe­cida como mensalão) pelas forças ne­oliberais para destruir o Partido dos Trabalhadores (PT) e desgastar os governos Lula e Dilma, transforma­ram as eleições de 2014 numa bata­lha decisiva. Nesse sentido, os pro­testos de junho do ano passado colo­caram na ordem do dia a necessidade de aprofundar as mudanças no Bra­sil. Ao mesmo tempo, a politização da AP 470 reafirmou que a classe do­minante brasileira não tolera a me­lhoria de qualidade de vida do povo e que é impossível avançar nas con­quistas populares sem o acirramento da luta de classes.

Para responder aos anseios po­pulares de mais cidadania política e social, é necessário colocar as re­formas estruturais na agenda políti­ca brasileira. Não por acaso, a pre­sidenta Dilma, no lançamento de sua candidatura à reeleição, pautou o Plano de Transformação Nacional como uma diretriz fundamental de seu programa de governo. Trata-se do compromisso com quatro refor­mas: a política; a federativa; a urba­na e dos serviços públicos.

Para a reforma política, Dilma tem concordância com a necessida­de de um plebiscito oficial que con­sulte o povo brasileiro sobre a ne­cessidade de convocar uma Assem­bleia Constituinte exclusiva para mudar o sistema político. Por trás da reforma federativa está certa­mente uma reforma tributária pa­ra corrigir as distorções que penali­zam a renda da classe trabalhadora e que prejudicam os setores produ­tivos da economia brasileira. A re­forma urbana se pautará certamen­te para combater o déficit habita­cional, melhorar consideravelmente a mobilidade urbana, avançar num amplo programa de saneamento básico e redefinir a segurança pú­blica no Brasil. A melhoria dos ser­viços públicos é uma medida fun­damental e de impacto imediato na população pobre.

Até agora, esse compromisso da candidatura da presidenta Dilma com estas quatro reformas é a gran­de novidade das eleições presiden­ciais de 2014. Entretanto existem al­gumas pedras no meio do caminho. O compromisso do PT e da presi­denta Dilma com estas reformas en­frenta alguns gargalos. O primeiro é o caráter conservador de sua coali­zão eleitoral, particularmente o PM­DB. Ou seja, conseguirá a presiden­ta Dilma, durante a campanha pro­pagandear estas reformas sem sofrer dissidências ou ameaças dos pró­prios aliados?

O segundo gargalo é que mesmo que a presidenta consiga propagan­dear estas propostas e seja reeleita compromissada com elas, encontra­rá dificuldades de aceitação no Con­gresso Nacional hegemonizado por empresários, ruralistas e todo tipo de pensamento conservador. Ou seja, encontrará um obstáculo num siste­ma político pautado pelo poder eco­nômico.

Não é possível colocar as reformas estruturais na agenda sem combinar luta de massas com a luta pela cons­tituinte exclusiva do sistema políti­co. Para viabilizar esta agenda políti­ca, torna-se urgente a construção de uma nova maioria social que tenha como base uma força social de mas­sas formada fundamentalmente pela jovem classe trabalhadora que se re­novou nestes últimos 12 anos.

Se a presidenta Dilma não pautar as reformas estruturais, não conse­guirá dar respostas às demandas de junho de 2013. Além disso, corre o risco de abrir um abismo entre o PT e os anseios por mudanças que os ma­nifestantes de junho pautaram. Mas não somente isso. Poderá perder as eleições e abrir espaço para uma pos­sível restauração neoliberal no Brasil com consequências para toda a Amé­rica Latina.

Pautar estas quatro reformas seria um bom ponto de partida para rom­per com a pobreza de debate pro­gramático tão comum nas eleições. Além disso, também seria o primei­ro passo para pautar outras refor­mas fundamentais, como a agrária, solenemente ignorada nestes últi­mos 12 anos.

São novas tarefas e novas forças sociais que abrem a possibilidade de gestarmos um novo ciclo histórico para refundar o Brasil. Quais candi­daturas presidenciais acumulam for­ças para um projeto de mudanças es­truturais?

A candidatura da presidenta Dil­ma, com todos os seus limites, não representa retrocessos e tem sinali­zado com a necessidade de assumir o compromisso com o aprofundamen­to das mudanças políticas e sociais.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Raul Pont responde à Rosane de Oliveira, de ZH

A seguir, texto enviado ontem pelo deputado Raul Pont, presidente estadual do PT/RS, à jornalista Rosane de Oliveira, responsável pela coluna Página/10, do jornal Zero Hora. Em sua edição de terça, dia 4, a coluna classifica como “desastrada” a estratégia do PT em lançar candidaturas próprias em Porto Alegre e Caxias do Sul, ao invés de optar por uma aliança com o PC do B.


Raul Pont

A Página 10 de Zero Hora supera-se, diariamente, em subjetividade e parcialidade de seus comentários. Hoje, 4/9, aponta como “desastrada” a posição do PT em Caxias do Sul e Porto Alegre por não ter feito aliança com o PC do B e, segundo “antigos aliados” (as eternas “fontes” não identificadas), o PT “é incapaz de retribuir o apoio que recebe”.

A tese não se sustenta, pois podemos dizer o mesmo em dezenas de municípios onde não recebemos o apoio de aliados apesar de evidentes relações de força ou de pesquisas realizadas nos municípios.

A questão principal é que vivemos num sistema eleitoral de dois turnos e isso pressupõe o desejo da sociedade e dos partidos de apresentarem-se com seus programas e candidatos no maior número possível, afinal, essa é a razão de ser de um partido político. Apresentar-se por inteiro e utilizar o direito às coalizões no primeiro ou no segundo turno de acordo com suas decisões internas, democraticamente construídas.

Somos um partido que se orgulha da disputa permanentemente a hegemonia política pois essa é a essência e a razão da existência partidária. Isso é primário na teoria e na prática política.

De acordo com a avaliação e análise dos filiados em cada município, das relações de força, das relações com o Estado e o governo federal definimos uma tática eleitoral que foi seguida em todo o Estado. Disso resultou a apresentação de quase 200 candidaturas a prefeito em chapas próprias e com aliados. Em mais de 150 municípios temos a indicação de vice-prefeitos em coligações em que estamos apoiando chapas majoritárias de outros partidos.

Portanto, em que se sustenta a tese da “estratégia desastrada”? Em que se sustenta a tese de “não retribuição de apoio”? Em nada, puro subjetivismo e busca de crítica preconceituosa e dirigida para criar uma imagem negativa ao PT.

Por sinal, acima da “estratégia desastrada” está a foto com destaque da “força do Sartori” em Caxias do Sul. Sem nenhum comentário de que Simon e Rigotto discordaram da “tática”, não estão na campanha e para o PMDB entregar um “governo tão bem avaliado” para outro partifo não se constitui em nenhuma “tática desastrada”. Uma bela forma de construir um partido e hegemonia. Mas aí não interessa nem cabe nenhuma avaliação objetiva. O que importa é criticar o PT apesar da insustentabilidade da tese.

Crédito: blog RS Urgente

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Coligações bizarras e o outro lado da moeda

Há cerca de duas semanas um aperto de mão caiu como uma bomba no meio político brasileiro. Em São Paulo, Lula cumprimentava Maluf, na casa do ex-prefeito, e saudava a coligação entre PT e PP para apoiar a candidatura de Haddad à prefeitura paulista. A repercussão é proporcional à aberração política do fato. Para os admiradores do Lula e de seus ótimos oito anos de governo, a imagem choca e causa uma certa decepção. Falo por mim.

Ao encontro da famigerada coligação, outra bomba política caiu sobre a América Latina recentemente. No Paraguai, o então presidente eleito Fernando Lugo sofreu um processo de impedimento e num prazo de dois dias foi deposto do cargo. Dois dias para que se apure provas de acusação e defesa e ainda se julgue um presidente legitimamente eleito é, no mínimo, um prazo inconcebível para um sistema que se diz democrático.


À vistas grossas uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas há sim uma relação de similaridade. E esta similaridade fica evidente depois do artigo do governador do RS publicado blog RS Urgente no último dia 24 de junho. A certa altura de seu texto, Tarso relata:

[...] Aqui, eles não tiveram sucesso porque – a despeito das recomendações dos que sempre quiseram ver Lula isolado, para derrubá-lo ou destruí-lo politicamente – o nosso ex-Presidente soube fazer acordos com lideranças dos partidos fora do eixo da esquerda, para não ser colocado nas cordas. Seu isolamento, combinado com o uso político do "mensalão", certamente terminaria em seu impedimento. Acresce-se que aqui no Brasil – sei isso por ciência própria pois me foi contado pelo próprio José Alencar - o nosso Vice presidente falecido foi procurado pelos golpistas “por dentro da lei” e lhes rejeitou duramente. [...] 


O duro fato é que, sem algumas das concessões mais criticadas pelas militâncias de partidos de esquerda, seria improvável que partidos com projetos de desenvolvimento social e econômico de cunho popular chegassem à presidência e promovessem as mudanças de promoveram no Brasil. O PT e o Lula, junto ao Haddad, agora buscam uma maneira de derrotar o PSDB em São Paulo. E apesar de ser um político à moda antiga, da pior espécie, do jargão "rouba mas faz", Maluf ainda conta com um público votante que Lula sabe que pode fazer a diferença. É digno? É, no mínimo, julgável.

Lugo estava isolado no Paraguai, não procurou a tão falada governabilidade. Foi tirado do poder na primeira oportunidade que a oposição direitista viu brilhar.

Se não concordamos com Lula, ao menos podemo compreende-lo e, até, não surpreender-se tanto. Pois o ex-presidente sempre foi um grande negociado, conciliador. Um político nato, fruto da militância sindical, das grandes greves e dos grandes acordos entre classe proletária e patrão.


Outro exemplo poderemos ter bem debaixo do nosso nariz, a partir de 2013, caso Manuela seja eleita prefeita da capital gaúcha pelo PCdoB, com o apoio do PSD de Kassab e a simpatia de Ana Amélia Lemos, do PP.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ditador Castelo Branco segue dando nome de rua em Porto Alegre

Foi votado nesta quarta-feira o Projeto de Lei proposto pelos vereadores do PSOL, Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, que pretendia mudar o nome da Avenida Castelo Branco para Avenida da Legalidade. A via é a principal entrada de Porto Alegre. Em três horas de sessão, 33 parlamentares presentes, 12 votos a favor da mudança, 16 votos contra e cinco abstenções.
Castelo Branco foi comandante do golpe militar em 1964, e autor dos Atos Institucionais 1 e 2. Muito diferente disso, o Movimento da Legalidade, liderado por Leonel Brizola em 61, lutou em defesa da constituição e contra um golpe militar ainda naquele ano.
Veja os nomes dos vereadores que não aprovaram esta mudança justa, justificável e saudável para Porto Alegre:

Pela manutenção do nome “Avenida Castelo Branco”

Reginaldo Pujol (DEM)
Dr. Raul Torelly (PMDB)
Haroldo de Souza (PMDB)
Professor Garcia (PMDB)
Sebastião Melo (PMDB)
Beto Moesch (PP)
João Antônio Dib (PP)
João Carlos Nedel (PP)
Paulinho Rubem Berta (PPS)
Waldir Canal (PRB)
Nelcir Tessaro (PSD)
Tarciso Flecha Negra (PSD)
Luiz Braz (PSDB)
Mario Manfro (PSDB)
Elói Guimarães (PTB)
Nilo Santos (PTB)

Pela mudança para “Avenida da Legalidade”

Luciano Marcantônio (PDT)
Toni Proença (PPL)
Airto Ferronato (PSB)
Pedro Ruas (PSOL)
Fernanda Melchionna (PSOL)
Adeli Sell (PT)
Aldacir Oliboni (PT)
Engenheiro Comassetto (PT)
Maria Celeste (PT)
Mauro Pinheiro (PT)
Sofia Cavedon (PT)
DJ Cassiá (PTB)

Abstenções

Mário Fraga (PDT)
Idenir Cecchim (PMDB)
Elias Vidal (PPS)
Carlos Todeschini (PT)
Alceu Brasinha (PTB)

Ausentes

Dr. Thiago Duarte (PDT)
Mauro Zacher (PDT)
Bernardino Vendruscolo (PSD)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A discussão sobre a reforma política

Nessas duas entrevistas ao canal TV Sul21, o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) fala sobre a sua proposta de reforma política. Entre os assuntos, o voto proporcional misto e o financiamento público de campanha. Este é um assunto muito importante para o futuro político do Brasil, questão capital para a evolução da nossa jovem democracia. É imprescindível que a população esteja infomada sobre essa proposta e essa discussão.



quarta-feira, 8 de junho de 2011

Faltou sensibilidade política ao Governo Dilma e a Palocci

Texto de Alves Rodrigues, escrito um dia antes de Antônio Palocci renunciar ao cargo de ministro-chefe da Casa Civil.
O Brasil sempre teve, ou pelo menos faz bastante tempo que passou a ter, o seu bandido da moda. O criminoso da hora. Fernando Collor e PC Farias já foram bandidos da moda. Já tivemos assassinos como o Maníaco do Parque, políticos como Zé Dirceu e Antônio Palocci, o casal que jogou a filha pela janela, jogadores como Bruno, o ex-goleiro do Flamengo, o maluco que invadiu uma escola no Rio de Janeiro e atirou contra várias crianças e tantos outros casos que não me lembro. Sempre tivemos algum bandido da moda.
O bandido da moda é um excelente prato para os telejornais noturnos e costumam ocupar longos espaços por vários dias seguidos em programas como o do Datena, por exemplo, ou o Jornal Nacional. Quando o bandido da moda é um político, especialmente se é um político supostamente alinhado às ideologias de esquerda, jornalões nitidamente elitistas como O Globo, Zero Hora ou A Folha de São Paulo aproveitam para fazerem a festa (e a fortuna), capricham nas manchetes e enchem de mórbido prazer seus assinantes reconhecidamente contrários a qualquer governo que tenha alguma proposta de políticas públicas – caso do PT, 'supostamente' um partido de esquerda. Jornalistas como Boris Casoy lambem os beiços e babam pelos cantos da boca quando têm a chance de malhar alguém (supostamente) de esquerda. Semanários de qualidade discutível como a Veja e a Época dedicam várias capas e mancheteiam inúmeras denúncias de supostos escândalos relacionados ao esquerdista que ocupa o posto de bandido da moda. Nem precisa ser verdade o que publicam, o que importa é denunciar.
Bandidos da moda, como o próprio nome já deixa perceber, nunca ficam muito tempo 'em cartaz', e, em geral, eles raramente voltam a ocupar as capas dos semanários ou os espaços dos telejornais. Antônio Palocci, no entanto, conseguiu ser um desses raros casos. Depois de ter se tornado o bandido da moda, e ter sido por isso afastado do governo Lula, mais uma vez ele volta à cena, ou melhor, à moda.
Um dos graves defeitos da democracia é que ela é inteiramente dependente da honestidade e/ou da noção de ética das autoridades que controlam as sociedades democráticas. É completamente impossível prever e coibir todas as formas possíveis de subversão do uso do conhecimento adquirido através da participação em uma equipe de governo. Durante e depois do período de participação em uma equipe econômica, por exemplo, um homem passa a valer muito dinheiro, por seu conhecimento, pelos 'segredos' que pode revelar ou acontecimentos que supostamente pode 'prever'. Se esse homem (ou mulher) vai vender esse conhecimento, se vai aproveitar essa sua suposta capacidade de 'prever' certos comportamentos da economia e transformá-la em riqueza pessoal, só ele mesmo pode decidir. O Estado não pode impedir um cidadão de ensinar aquilo que aprendeu honestamente, não em uma democracia, pois isso seria um claro ataque às liberdades individuais, tão sagradas nas sociedades democráticas.
Antônio Palocci, na forma legítima e plenamente legal de 'assessoria', vendeu a empresários interessados, seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo em que fez parte da equipe econômica do governo Lula. Foi isso, ou foi mais ou menos isso, ou então foi algo bem pior. Não sabemos.
Em sociedades democráticas, parecer honesto é infinitamente mais importante do que efetivamente ser honesto. Para ser mais verdadeiro, nem é preciso ser honesto, desde que se pareça sê-lo. Palocci, me parece, deveria ser mais cuidadoso, um pouco mais preocupado com os aspectos éticos de suas assessorias e, fundamentalmente, Palocci bem que poderia parecer um pouco mais honesto.
Não faço a menor ideia de quanto tempo ainda levará até que Palocci seja afastado do cargo de ministro. não sei nem se isso irá mesmo acontecer, mas tenho a absoluta certeza de que não é nada bom para o governo Dilma, como de resto não seria bom a governo nenhum, ter como ministro-chefe da Casa Civil exatamente alguém que foi eleito (talvez até com correção) o bandido da moda.

*O trecho em negrito foi destacado pelo editor do blog.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Palocci e o "justiçamento midiático"

Reproduzo a seguir parte do texto de Miguel do Rosário, escritor, blogueiro há mais de 10 anos, que mantém o Óleo de Diabo. O texto é longo, por isso vou deixar o link da publicação original para quem se interessar em lê-lo na íntegra (leiam!). Miguel fala com muita propriedade e serenidade sobre o amplamente discutido caso de enriquecimento do Ministro-Chefe da Casa Civil, Antônio Palocci.
Ele não faz o papel de advogado de ninguém. Isso fica claro no texto. Mas atenta para uma prática comum na mídia, o de julgar. E nos leva a refletir e observar com mais atenção alguns fatos e fatores. Como o da importância de Palocci para o desenvolvimento do Brasil na era Lula, quando então Ministro da Fazenda. Como a fonte de todo esse "escândalo", pois a Folha de São Paulo fez a "denuncia" com base em dados da receita federal, ou seja, em dados legais. 
Quando um político influente, bem informado, bem posicionado, deixa seu cargo e se faz valer do bom transito que tem nos bastidores, dos bons contatos, da excelente percepção de cenário, e dessa forma ganha alguns milhões dando consultoria a empresas dispostas a pagar esses milhões e faturarem outros milhões e até bilhões. Quando esse cara faz isso numa sociedade de um capitalismo feroz e aparentemente faz de forma lícita, qual o seu crime?
Melhor escreve Miguel do Rosário:


O caso Palocci: ingenuidade, oportunismo e manipulação
Atacar Palocci seria uma excelente oportunidade para este blogueiro demonstrar sua independência em relação ao governo Dilma. Afinal, de fato, ser blogueiro (blogueiro político, para ser mais exato) tornou-se uma espécie de cargo militar na guerra midiática em curso no Brasil desde a assunção da esquerda ao poder, em 2003. A gente vê os erros em nosso próprio campo, mas a prioridade é defender o nosso lado e atacar o adversário. Não é uma filosofia muito bonita, do ponto-de-vista da ética jornalística, mas é a realidade concreta, como diria Lênin. E os jornais, na verdade, são apenas mais hipócritas, quando negam ter igualmente uma postura orgânica em defesa de uma ideologia e dos partidos políticos que a professam. A gente nunca está totalmente à vontade nessa guerra, todavia, e sonhamos em abandonar a farda e nos tornarmos verdadeiramente imparciais. E aí que se dane Palocci e Dilma. Eles que se virem. Eu sou um blogueiro livre!
A derrota da mídia, neste sentido, nunca é completa, porque seus candidatos podem perder as eleições, mas os periódicos continuam a circular normalmente, e a audiência do Jornal Nacional permanece estável. Além do mais, os vitoriosos, para vencerem, tiveram que assumir alguns valores do adversário, mesmo que disso não tenham consciência.
De qualquer forma, essa é a democracia que temos, e não é correto sermos maniqueístas ou dramáticos. Nem o nosso campo político é composto de santos, nem nossos adversários são demônios ansiosos para destruir o Brasil. Passado o processo eleitoral, temos que buscar a paz; não sou eu que digo; é o que consta no preâmbulo da nossa Constituição:
Nós, representantes do povo brasileiros, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, (….) uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias(…).
Enfim, eu poderia atacar Palocci, e mostrar como eu sou independente. No entanto, não o farei pelos seguintes motivos:
Não sou juiz nem policial. Não gosto desse papel. Não o faço nem com quadros políticos que eu combato. Quem pode definir se fulano cometeu crime ou não é a Justiça, e quem tem a função de investigá-los é a polícia ou o Ministério Público. Poderia citar aqui o “jornalista investigativo”, mas essa é uma atividade que tem sido tão vilipendiada por elementos desonestos e parciais que prefiro deixá-la de fora.
Não concordo com a demonização política de Palocci, pintado como um quadro inútil e incompetente. É injusto atribuir o conservadorismo dos primeiros anos do governo Lula apenas à Palocci. Ele soube, sim, corajosamente, assumir o ônus de tudo, para preservar o presidente e o governo, mas Palocci não fez mais do que seguir as diretrizes traçadas por Lula, e Lula, por sua vez, seguiu as diretrizes traçadas pela necessidade e pelas condições políticas e econômicas do momento. Desde então, parte da esquerda estigmatizou Palocci. Todavia, por mais incômodo que seja para a esquerda aceitar, os desdobramentos da história provaram que sua política econômica estava certa. Ele mesclou conservadorismo econômico e ativismo social. Quem pagou a dívida externa com o FMI não foi Guido Mantega; foi Palocci. Quando chegou a crise política, e o governo foi posto no pelourinho da mídia, seus defensores estavam armados com as estatísticas que a gestão Palocci lhes forneceu. Inflação baixa, forte crescimento econômico, acelerado processo de distribuição de renda em marcha, dívida externa paga.
Palocci assumiu todos os ônus, junto à esquerda, pelas políticas conservadoras, deixando que Lula figurasse como um deus olímpico, livre de qualquer peso simbólico das decisões difíceis. Tanto que hoje, os que defendem a queda de Palocci alegam que Dilma deve se realinhar ao “lulismo” para poder governar. Ora, Palocci não foi “lulismo”? Na verdade, o Palocci de hoje é um articulador político, sem nenhuma influência sobre a política econômica, enquanto na gestão anterior era o titular do Ministério da Fazenda!
[...]
Eu acho que o governo Dilma tem força suficiente para aguentar o tranco de uma eventual queda de Palocci. Se houver algo de concreto, ele terá de sair. Não boto a mão no fogo por Palocci assim como não fiz com nenhuma figura do governo Lula.
Quanto às denúncias de enriquecimento, mais uma vez apelo à Justiça. Não vou condenar Palocci simplesmente por ganhar dinheiro. Arminio Fraga comprou o MacDonalds América Latina por 1,5 bilhão de dólares logo após sair do governo FHC. André Lara Resende, de pobre ficou miliardário, com haras até na Inglaterra. Palocci comprou um apartamento de 6 milhões de reais.
Não digo isso para repetir o discurso de que "se eles fazem, nós também podemos fazer", mas para mostrar que o mercado costuma receber ex-integrantes de equipe econômica com muita generosidade. Alguns dizem que a lei é falha, ou que a quarentena imposta é pequena. Não sei. Nesse ponto, prefiro o ceticismo. Se a quarentena fosse excessiva, ou se proibíssemos que ex-membros da equipe econômica ganhassem dinheiro em consultorias, abertamente, declarando ao fisco, estaríamos estimulando que o sujeito ganhasse dinheiro por baixo dos panos. É a lei da oferta e da procura.

Texto na íntegra AQUI, no blog Óleo do Diabo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Governo do RS lançará Gabinete Digital

O lançamento do Gabinete Digital e do site deste novo espaço de comunicação entre Estado e cidadão está marcado para às 17 horas do dia 24, no Palácio Piratini. O evento será transmitido ao vivo pelo site do Gabinete Digital.
Segundo os  idealizadores do projeto e as informações do blog RS URGENTE, a ideia é inspirada em iniciativas como o e-Sergipe, do governador Marcelo Deda, as audiências digitais promovidas pelo governador Cid Gomes, no Ceará, e as experiências de Barack Obama, nos Estados Unidos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A República da Farinha – o momento dos grandes partidos políticos brasileiros

Por Alexandre Haubrich, jornalista, editor do blog Jornalismo B (http://twitter.com/jornalismob / http://twitter.com/alexhaubrich)
A atuação dos partidos políticos brasileiros hoje pode ser explicada através da farinha. Já tivemos o Ciclo do Açúcar, o Ciclo do Ouro, o Ciclo do Café. Tivemos até a versão político-institucional mais chique, mais cheia de fricotes, o café-com-leite, assim com hífen e tudo. Pois hoje vivemos o Ciclo da Farinha. De sacos diferentes, mas ainda assim farinha. 
Peguemos os mais encorpados partidos do país e vejamos se a farinha não é o elemento comum entre eles, se não é ela quem norteia os rumos da política nacional. A farinha, unida a doses variáveis de fermento, é a receita geral, ainda que um ou outro mestre-cuca da alta elite culinária prefira a farinha que passarinho não come
O PSDB segue a receita da vovó estrangeira, que vem e volta ao Brasil de acordo com suas conveniências, mas não gosta muito daqui. De qualquer forma, ela está sempre em contato, enviando sua mais nova receita aos filhinhos tucanos, nova receita que é sempre a mesma. Está caduca ou apenas quer fixar bem seus ingredientes na nossa cabeça? Bondosa. Fato é que o contato é sempre através de cartas, para que venha junto seu cheiro de enxofre, tão agradável ao olfato das aves de bico longo que habitam essas paragens. 
A receita do PSDB baseia-se, teoricamente, em fazer o bolo crescer para depois dividir. Mas, cozinheiros amadores que somos, sabemos que em qualquer casa que se preze quem está na cozinha acaba por decidir o quanto quer comer. Se muitos estão ajudando a fazer o bolo, muitos comem, irremediavelmente. Se poucos se fecham a sete chaves na cozinha, fazem um bolo enorme e comem tudo sozinhos. 
Mas não veja no PSDB ou em sua avó estrangeira muita criatividade. Com problemas para manter o peso, os tucanos pouco mais fizeram do que deixar mais light a receita usada pelo seu primo DEM, receita essa criada pela querida vovó deste último, a Dona Arena. Essa rigorosa senhora passou a tal receita para o seu filho, o PFL, que repassou para o DEM. Os passos são mais ou menos semelhantes aos da receita do PSDB, mas, para fazer o bolo como prefere o DEM, bata bastante. O bolo da Dona Arena  também tem um gosto um tanto adstringente: enrola a língua do vivente, dificulta a fala. E é preciso comê-lo com cuidado, sem estardalhaço e com um ritual determinado anteriormente pelo cozinheiro. Caso contrário o cidadão ficará chocado com o que pode acontecer. 
O PT, por sua vez, nunca teve muitas condições financeiras para comer bolo. Comia terra, mas comiam todos. Desde 2001, essa realidade mudou. O PT ascendeu à classe média, e ganhou até o direito a fazer seu próprio bolo. Fez, faz, e tem distribuído os pedaços para mais gente. Mas não deixa mais ninguém entrar na cozinha, e a receita, que pegou emprestada do PSDB, ganhou apenas um pouco mais de açúcar. 
E o PMDB? Bom, esse não sabe cozinhar, mas come o que vier. E pede para repetir.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tarso Genro concede entrevista à mídia blogueira

Matéria do Jornal Sul 21, assinada por Milton Ribeiro


Hoje pela manhã (05), o governador Tarso Genro concedeu entrevista a um grupo de blogueiros no Palácio Piratini. Segundo o governador, este gênero de encontro deverá repetir-se em seu governo como forma de reconhecer e valorizar este meio de comunicação já não tão alternativo.
Os blogueiros sorteados fizeram questionamentos sobre os mais variados assuntos. Destacamos as principais respostas do governador.
Sobre a importância dos blogs e redes sociais: “Finalmente está ocorrendo a democratização da comunicação. Os blogs e redes sociais vão no sentido inverso da deslegitimacao da atividade politica e dos politicos, tal como tem tentado fazer a chamada grande imprensa, onde ocorre uma comunicação unilateral, sem liberdade ou livre trânsito de conceitos. É a palavra do dono do jornal ou, pior, a interpretação da mesma. Os meios agora disponíveis funcionam como oxigênio para a informação”.
Sobre o MST: “Temos procurado estabelecer diálogo permanente com o MST. É nosso interesse. Buscamos sempre o apoio do governo federal para realizar rapidamente os assentamentos. Curiosamente, a constituição brasileira é hostil à reforma agrária. Ele não permite uma rápida emissão da posse. Permite que o ex-dono fique na posse da terra até o ultimo dia da demanda judicial. Há casos de terras que ainda estão sob judice desde o governo Olivio. A reforma agrária no Brasil é uma equação complicada; não obstante, o RS deseja manter o destaque da agricultura familiar. Não pode abrir mão deste padrão no estado. A importância da agricultura familiar na organização da sociedade é fundamental”.
Sobre o déficit zero divulgado pelo governo Yeda Crusius: “Não houve déficit zero nem em termos nominais nem em termos estruturais. O governo anterior deixou de fazer alguns gastos e cortou investimentos. A situação fiscal do Rio Grande do Sul hoje é mais ou menos a mesma do governo Rigotto. Não adianta nada anunciar medidas anticrise espetaculares que só rendem belas manchetes. Já vimos desde o PDV (Programa de Demissão Voluntária) do governo de Antonio Britto que isso não resolve nada. Nunca achamos, por outro lado, que o Estado estava saneado e tampouco pensamos que a situação é ingovernável”.
Sobre a pequena participação das mulheres no Conselhão: “A participação menor das mulheres não é deliberada. Elas são em menor número na política, infelizmente. Temos sempre dificuldades para cumprir a lei que exige que as listas partidárias eleitorais tenha cotas de 30% para as mulheres. No governo federal e estadual há um necessário processo de discriminacao às avessas, que visa a colocação das mulheres e das minorias nas estruturas de comando e de mão-de-obra”.
Sobre a Comissão da Verdade: “Vejam as Mães a as Abuelas da Praça de Maio: a Argentina tem organizações de direitos humanos muito mais fortes do que as nossas. Lá houve punições e investigações sérias. A criação da nossa Comissão da Verdade deve ser apoiada sem restrições. As vitimas da ditadura e seus descendentes, se houve, assim como a sociedade, devem ser atendidos. Precisamos nos livrar da vergonha do encobrimento dos crimes do período militar".


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Outras coberturas e textos relacionados:
Sem dúvida, do ponto de vista da comunicação social, a iniciativa do governador do estado de conceder entrevista coletiva para a imprensa blogueira, pela segunda vez quatro meses de mandato, é uma excelente notícia e perspectiva. A notícia, pela notícia, pelo fato novo, que já não é tão novo nem menos expressivo. A perspectiva, a melhor possível, para um jornalismo mais plural, com mais possibilidades e menos monopólio.