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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Projeção, que nada!

Lá no dia 22 de novembro postei aqui no PoA Geral duas projeções de final de tabela do BR-14. Uma com o Inter se classificando na Libertadores, em quarto lugar, com 67 pontos. Na outra, era o Grêmio que se classificava em quarto, também com 67. Imaginando os dois classificados, a única condição que coloquei como possível seria o Cruzeiro campeão da Copa do Brasil, já que sempre achei improvável que o Atlético-MG (campeão da CB) acabasse no G4. Disse ainda que as vagas seriam definidas apenas na última rodada.

Final de semana que se avizinha com a tal última rodada do BR-14 não será tão movimentado na ponta de cima quanto eu projetava. Os classificados para a Libertadores estão definidos, resta saber quem, de Inter e Corinthians, fica com a vaga direta. Acreditava também que Grêmio e Fluminense estariam vivos ainda na rodada derradeira. Diferente do que imaginei, o time de Felipão perdeu para o Coringão de Mano e o Colorado fez seis pontos nos dois jogos em casa contra Galo e Palmeiras. A possibilidade do Inter fazer nove pontos, e não apenas sete, aumentou consideravelmente.

Montagem: PoA Geral - FOTOS: Facebook Inter Oficial / Grêmio Oficial

Por outro lado, o Grêmio tem um final de temporada melancólico, de muitos vacilos e três derrotas seguidas inconcebíveis. Não sou do time que acha o plantel gremista fraco, e vejo muitas virtudes no trabalho feito por Scolari (embora não tivesse concordado com sua contratação), por isso acreditava no Grêmio com fôlego até a última rodada.

Da mesma forma, não considero o ano do Inter tão péssimo quanto pintam. O que o time de Abel tem é dois momentos quem chamam muito a atenção e acabam manchando: as eliminações ridículas na Copa do Brasil e Copa Sul Americana. Fora isto, superando alguns problemas do plantel, o Inter teve um ano razoável, e não será nenhum absurdo uma renovação com o técnico.

E para falar sobre o próximo ano ou até mesmo sobre a última rodada, vou esperar mais um pouco. 

sábado, 22 de novembro de 2014

Dobradinha Gre-Nal na Libertadores é muito difícil

Sobre essa reta final de BR-14, tenho duas convicções. A primeira delas é que a definição do G4 sai apenas com as combinações dos resultados da última rodada. A segunda é que a única chance de Inter e Grêmio irem juntos para a Libertadores é o Cruzeiro sendo Campeão da Copa do Brasil e possibilitando que o quinto colocado também se classifique.

São três rodadas em que tudo pode acontecer. Mas fico com minhas projeções, e entendo que seja improvável que tanto o time de Felipão quanto o time de Abel Braga façam mais de 7 pontos nas próximas partidas. Para isso, sou otimista com o Tricolor e acho que o Grêmio não perde pontos para o Corinthians. Porém para o Inter, estou com o sentimento que em um dos dois jogos em casa (Atlético-MG e Palmeiras), o colorado perde pontos.

Usei o simulador do Globoesporte.com para chegar nas duas possibilidades de tabela que posto logo abaixo. Todos os resultados utilizados foram de 1 a 0 ou 1 a 1 e no item "Últimos Jogos", verde significa vitória, cinza é empate e vermelho é derrota.

Inter Classificado

Nesse cenário o Inter faz o mesmo número de pontos que o Grêmio, mas termina o BR-14 com uma vitória a mais que o rival, ficando na quarta posição. Aqui, coloquei o time do Abelão empatando com o Palmeiras, dentro do Beira-Rio. Se no meio do semana o Cruzeiro conseguir virar sobre o Galo e vencer a Copa do Brasil, com essa tabela o Tricolor Gaúcho também se classificaria.











Grêmio classificado

Aqui, para o time de Luis Felipe Scolari conseguir sua classificação é fundamental não perder pontos para o Corinthians. A partida deste domingo é fundamental. Uma derrota não impossibilitaria matematicamente, mas seria um golpe muito forte para o Grêmio e a combinação de resultados nas duas partidas restantes seria improvável. Na tabela abaixo, para o Tricolor ficar em quarto, o Inter precisaria somar apenas 66 pontos.


sábado, 7 de junho de 2014

Vamo, vamo Inter

Vamo, vamo Inter. Vamos de novo, afinal o final faz parte. Não do jeito que foi, e quem sabe o jeito que deveria ser?  O mais certo é que poderia não ser, não assim, de repente, aos 36 apenas.

Vamo, vamo Inter. Foi ele quem pediu, na condição de capitão não só de um clube, mas de uma nação vermelha. E o Inter foi. O torcedor colorado sabe muito bem disso, todos nós sabemos.

Vamo, vamo Inter. Porque hoje não é por ser gremista ou colorado, é por ser desportista, é por saber reconhecer e respeitar quem foi mais que grande, foi gigante. Nesse sábado triste, somos F9 antes de qualquer cor ou bandeira.

Vamos, mesmo não sendo fácil acreditar ou aceitar. Mesmo que estejamos aqui, distantes, nos baseando apenas pela relação estabelecida através do futebol, que na prática, na análise fria, é distante da maioria, mas que emocionalmente torna tudo muito próximo.

Vai, Fernandão. Nós vamos daqui, vermelhos e azuis, sabendo que foi cedo, e tendo a noção que foi uma honra e um privilégio ter um jogador de futebol da tua categoria atuando no Rio Grande do Sul.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Enderson Moreira pensou corretamente, mas agiu errado

A avaliação estratégica do técnico gremista sobre a partida contra o San Lorenzo foi correta. O Grêmio precisava buscar um resultado adverso, precisava de presença no campo ofensivo, era necessário amassar o adversário e mesmo assim não descuidar lá atrás. Não haveria de ser uma tarefa fácil, embora tivesse o Grêmio uma Arena lotada a seu favor e, mais importante, um time mais qualificado que seu oponente. Mas o fato é que jogos eliminatórios são compostos por requisitos únicos, fatores emocionais, anímicos, técnicos e táticos que mudam da água pro vinho a cada minuto que se passa e o resultado não aparece. E o que vemos nos últimos 10 anos é um Grêmio com sérias dificuldades de superar cada uma dessas adversidades próprias da hora decisiva.

Enderson fez certo ao sacar Ramiro do time e escalar no equilibrado 4-2-3-1, com Edinho e Riveros protegendo a zaga e apostando na desenvoltura dos três meias Dudu, Zé Roberto e Luan para tramarem com Barcos as oportunidades que levariam o Grêmio ao sucesso. Mas o Grêmio teve problemas de posicionamento e conflito de característica. Falta ao excelente Luan vitalidade e verticalidade para ser o meia-atacante aberto pela direita. Tanto para atacar quanto para auxiliar Pará na marcação e saída de bola. O Grêmio sofreu muito por aquele lado. Luan rende mais como segundo atacante, próximo da área, sem se desprender muito do centravante.

Zé Roberto, centralizado, não tem a característica do armador, tampouco do ponta-de-lança que vai ingressar na área e aparecer como finalizador. O camisa 10 rende melhor quando cai por uma das beiradas do campo. A inversão de posição com Luan, sobretudo no primeiro tempo, quando a equipe poderia sofrer menos com afobação, traria um acréscimo importante na dinâmica de jogo do Tricolor.

Na média, o Grêmio não fez um jogo ruim. Seja como for, e em jogo eliminatório situações adversas somam-se à história da partida a cada instante, o time de Enderson Moreira buscou o gol, amassou o adversário quando pôde, desperdiçou chances. Mas novamente, como acontece há uma década, faltou o algo a mais.

Diego Vara / Agencia RBS
Nos melhores momentos da segunda etapa o Grêmio teve aquilo que não teve com a escalação inicial: boa ocupação de espaço e intensidade. A equipe ganhou nesses dois aspectos com as entradas de Rodriguinho e Maxi Rodrigues, jogadores que podem não ser mais qualificados tecnicamente que Zé e Luan, mas naquele momento atendiam à necessidade estratégica que o treinador precisava: velocidade, imposição física, insistência na jogada e pressão na saída de bola.

No 4-4-2, sempre mantendo dois homens preocupando o sistema defensivo gremista, o San Lorenzo demostrou suas fragilidades. Por pouco não vazou mais de uma vez. Contudo fez o jogo correto e teve chances de matar a partida no contra-ataque - o que acabou fazendo depois, nos pênaltis, com frieza. Tendo a capacidade de decidir que há muito não se vê em boas equipes montada pelo Grêmio.

E o detalhe é esse. Boa equipe do Grêmio, em processo de construção, com um treinador que tem lá seus equívocos, mas vai fazendo um trabalho razoavelmente bom. Que infelizmente ainda não se traduziu em título e acaba sendo subestimado devido à sapatada no Gre-Nal. A instituição Grêmio precisa mostrar força, convicção no trabalho e respaldo aos profissionais que se empenharam ao máximo para tentar passar de fase na Libertadores. Se o Presidente Koff decidir que precisa trocar de técnico pela terceira vez em menos de dois anos, fica evidente que o problema não é o comandante.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Substituições mudaram a cara do Grêmio no segundo tempo

Em termos de tabela e projeção, o empate de 0 a 0, em casa, com o Newell's Old Boys, não é resultado ruim. O Grêmio segue como líder do grupo e com a classificação bem encaminhada. Contudo, a partida na noite desta quinta-feira, na Arena, deixa mais que um ponto para o time gaúcho. Deixa também a sensação - como nos jogos anteriores da Libertadores - que a equipe de Enderson Moreira está no caminho certo quanto a sua formatação, e goza de um grupo de jogadores com boas opções para mudar o panorama de um jogo.

Diego Vara / Agência RBS
O time argentino foi uma parada duríssima, jogando um primeiro tempo de muito respeito, privilegiando a posse de bola e conseguindo certa imposição diante de uma Arena lotada. No 4-3-3, com a bola passando por Banega, Max Rodrigues e Figueroa, faltou ao NOB verticalidade. Mesmo no bom primeiro tempo que fez, como no segundo tempo mais cauteloso, a equipe do técnico Alfedro Berti não exigiu do goleiro Marcelo Grohe a realização de nenhuma defesa com qualquer grau de dificuldade. Fruto, também, da boa postura da linha de quatro defensores do Grêmio mais o auxílio dos três volantes.

Mas o que chamou atenção foi a mudança gremista do primeiro do segundo tempo. De um time mais passivo, tentando especular contra-ataques, o Grêmio se tornou um time insinuante, que buscou o gol e fez do goleiro Guzmán o principal nome da partida. Do 4-3-2-1, com Zé Roberto e Luan especialmente atuando por dentro, caindo pouco pelos flancos, com Riveros e Ramiro pouco inspirados tecnicamente, o Tricolor passou para o 4-2-3-1. Detalhe é que os três bons meias que compuseram a linha atrás de Barcos saíram do banco de reservas: Dudu, Alan Ruiz e Maxi Rodrigues.

O Grêmio acaba, na média, fazendo um bom jogo de futebol, construindo várias oportunidades na segunda etapa para que pudesse liquidar o adversário. E sem dúvida é um diagnóstico importante constatar que parcela considerável da mudança de postura do Grêmio veio do banco. É sinal que o Grêmio tem grupo razoavelmente qualificado para seguir crescendo na competição. Ainda que o uruguaio Maxi Rodruiguez pareça abaixo daquilo que foi em 2013, o conjunto em si prevalece, e me parece melhor com relação ao ano passado. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Grêmio passou por teste difícil na Arena

Possivelmente seja o Nacional de Medellín o adversário mais forte do grupo 6 da Libertadores, o chamado grupo da morte. É realmente um bom time e ontem à noite, em Porto Alegre, impôs certas dificuldades ao Grêmio, diferente do que pode refletir um placar de 3 a 0. Placar merecido, evidentemente, mas através de um trabalho coletivo muito árduo, de afirmação importante para a equipe de Enderson Moreira.

Wendell definitivamente não sente o peso da camisa ou do jogo. O jovem lateral-esquerdo do Grêmio tem muita facilidade no apoio, com bom drible e velocidade, fez o cruzamento para o gol de Ramiro e na parte defensiva não compromete. Assim como Luan, como Ramiro, é uma jóia com potencial de crescimento que está funcionamento muito bem dentro do trabalho coletivo da equipe gremista.

Variando do 4-1-4-1 para o 4-3-3, o Grêmio tem segurança defensiva com os três volantes e insinuação ofensiva com um Zé Roberto dividindo ações com Luan, tendo a chegada de Wendell pela esquerda e contando com um capitão Barcos em fase bem mais inspirada, mesmo que ontem tenha perdido um gol incrível. O bom time colombiano teve seus melhores momentos após ter levado o primeiro gol, mas encontrou na equipe gaúcha um time capaz de se defender e anular as virtudes do adversário.


O Grêmio de Enderson Moreira vai sendo talhado por vitórias seguras e consistentes, fatores importantes na caminhada de um time em formação. O Ainda é precoce apontar o Tricolor como favorito ao título da Libertadores, mas já há amostras que a equipe tem capacidade de crescimento importante na competição continental e pode, quem sabe, surpreender.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Enderson acerta Grêmio na estréia da Libertadores

A vitória de ontem à noite, sobre o Nacional, no Parque Central, é significativa. Primeiro por se tratar de uma partida fora de casa, na estréia da competição mais importante da temporada; depois por se tratar de um adversário pesado, experiente que, se não tem uma equipe de excelente nível técnico, teve ao seu lado uma torcida atuante os 90 minutos e o comando de um treinador habilidoso. O time de Enderson Moreira demonstrou força, aplicação e um sentido coletivo que até então não se imaginava.

Lucas Uebel / Grêmio FPA
O técnico mudou sensivelmente do Gre-Nal para o jogo contra os uruguaios. Se no domingo Riveros jogou mais adiantado, praticamente entre Luan e Zé Roberto, desta vez o volante paraguaio foi posicionado à esquerda do trio de volantes, juntamente com Edinho, centralizado, e Ramiro mais à direita. Zé Roberto e Luan apareceram pelas beiradas do campo, caracterizando, em muitos momentos, um 4-3-3. 

O Grêmio dominou o jogo a maior parte do tempo, jogando com paciência, valorizando a posse de bola e marcando muito forte quando o Nacional buscava o ataque. O time gaúcho teve excelentes participações individuais, como Rhodolfo, Ramiro, Riveros e o lateral esquerdo Wendell. Contudo, o conjunto da equipe acabou se sobressaindo.

Na frente, Barcos foi acionado menos do que deveria, mas a jogada do gol demonstrou a importância de se ter uma mecânica de jogo. O centroavante estava fora da área, atraindo a marcação e, com a bola no pé, conseguiu achar o volante Ramiro se infiltrando pela ponta direita. O ex-jogador do Juventude cruza e acerta a cabeça do outro volante, o Riveros, que está ocupando o espaço que seria do atacante. Ocupação de espaço, intensidade e posse de bola: são os três fatores fundamentais para se ganhar um jogo de futebol. Ontem o Grêmio teve os três.

Foi uma atuação promissora. É preciso, claro, achar algumas alternativas para situações ainda recorrentes no andamento da mecânica do tricolor. Por exemplo, Edinho não pode receber tanto a bola quando o Grêmio está atacante, atrapalha a progressão da equipe. E na frente, é preciso ter mais verticalidade e buscar mais a joga de flanco. Luan e Zé Roberto, apesar da boa partida, ainda centralizam muito as jogadas.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A liderança do Inter e a derrota da tese

Está bem o Inter. Ponto. E a melhor notícia para a torcida colorada talvez nem seja a liderança após o jogo contra o cambaleante São Paulo e sim a perspectiva de fortalecimento da equipe treinada por Dunga. No domingo, o Inter pega o lanterna Náutico. Ainda que fora de casa, é jogo para vencer e se manter na ponta. E manutenção é essencial para o psicológico, para amadurecer o espírito de líder e candidato real ao título. Afinal, só ganha quem sente-se capaz de ganhar.

O Internacional, já líder, passa (e passará) a contar com Alex, Scocco, Alan Patrick, Caio, Otávio e Leandro Damião. O time de Dunga praticamente chegou à liderança e se recuperou da péssima primeira parte de BR-13 sem contar com esse nomes - ou pelo menos não em condições ideais de jogo. A partir de agora passa a ser um Inter mais forte, mais encorpado, com um grupo de jogadores que oferece ao treinador opções interessantes para reposição ou até mesmo mudança de estratégia e esquema tático.

Está bem o Inter.


A derrota da tese

E não é que o Atlético Mineiro foi Campeão da Libertadores? Era quase impossível dizer que o Galo não era o favorito após o início arrasador na competição, precedido de uma boa temporada em 2012, avalizado por um forte time montado por Cuca. Quem não defendia o favoritismo, na realidade, defendia uma tese: a de que Cuca, Atlético e Victor nunca conseguiriam conquistar um grande título, simplesmente porque são azarados.

Não teve azar nessa Libertadores. Teve é muitas dificuldades. Muitas delas, é verdade, construídas pelo próprio Galo. Mas sobrou competência na maioria das vezes ao forte time mineiro, do monstruoso (São) Victor, do nervoso e ardiloso Cuca, do líder Ronaldinho, do matador Jô, do xerifão Réver e de todos os outros que merecem tanto louros quanto.

Na última quarta-feira o Atlético Mineiro entrou para a história conquistando uma grande competição, tendo um grande time, uma imensa torcida, derrotando não apenas um valente e improvável finalista como o Olímpia, mas também derrubando por terra uma legião de secadores e suas teses furadas. 

sábado, 13 de abril de 2013

O Grêmio que empatou com o Flu não apresentou evolução

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
O resultado de 0 a 0 entre Grêmio e Fluminense acaba não sendo ruim para nenhum dos dois. O único resultado que seria definitivo nesse jogo seria uma vitória carioca, que já garantiria a classificação antecipada do time de Abel Braga. Fora isso, uma derrota para qualquer um dos lados não representaria a eliminação do perdedor. Fica tudo para a última rodada. Para o Grêmio, ficaria de qualquer forma. 

Jogar duas contra o Fluminense, atual campeão brasileiro, e fazer 4 pontos, não é ruim. O ruim é perder em casa para o Huachipato. Mas o pior é não apresentar evolução depois de um mês se preparando para um jogo. O time de Luxa se reparou muito para o enfrentamento que teve com o Flu, na quarta. 

Pouco se viu de avanço em um time que ainda é novo, foi montado com a competição em andamento e precisa ainda adquirir maior sentido de equipe e mecânica de jogo. No papel, o Grêmio tem jogadores inteligentes e capacitados técnicamente para já terem assimilado algumas situações. 

O Grêmio que empatou com o Fluminense desfacelado, diante de uma Arena lotada, jogando junto, foi menos do que se esperava. Muito pelo desfalque de Elano, muito pela dor que prejudicou Barcos, muito pela noite infeliz de Cris ou pouco inspirada de Vargas. Mas ainda assim, o coletivo tinha que apresentar mais. 

Pelo que o Grêmio pode vir a ser, na quarta se viu pouco. Friamente, o resultado não foi ruim. No campo, percebe-se um Grêmio ainda despreparado para ser Campeão da Libertadores. Em processo de montagem, o time de Luxemburgo terá que ter muitas sorte e muita garra para seguir na competição enquanto ainda não estiver pronto.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Como o Grêmio jogará sem Elano pela Libertadores

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Na derrota de 2 a 1 para o Caracas, Elano recebeu o terceiro cartão amarelo e está suspenso para a próxima partida da Libertadores, contra o Fluminense, no ainda longe 10 de abril. Será um jogo fundamental para o tricolor gaúcho tentar encaminhar sua classificação para a fase seguinte.

Até o confronto com o time carioca, o Grêmio terá seis jogos pelo Gauchão. Mais importante que se recuperar no regional, é preparar uma equipe capaz de se recuperar na competição continental. Esta equipe não pode ter Elano. O meia, a partir de agora - e até o jogão contra o Flu na Arena - vira opção.

Luxa pode ser pragmático. Inventar pouco, colocar Marco Antonio no time, transformar as duas linhas de quatro em losango, colocando Zé Roberto centralizado na articulação. O Grêmio perderia em qualidade técnica, porém não deixaria de lado o estilo de jogo que vem adotando desde a chegada de Luxemburgo a Porto Alegre. O Grêmio sempre variou entre essas duas formações, inclusive dentro dos jogos.

Vanderlei pode ser ousado e fazer uma mudança drástica. Sem Elano, entra Bressan na equipe, adotando assim um 3-5-2. Maneira de jogar na qual este grupo está pouco habituado. Vejo este esquema como um equívoco quase suicida. O Fluminense varia entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3. Invariavelmente, os três defensores gremistas ficariam sem a sobra, marcando individualmente cada atacante carioca, o que obrigaria os alas a recuarem e formarem uma bizarra linha de cinco defensores.

Encaro como a alternativa mais vantajosa o 4-3-3, sobretudo jogando em casa e tendo tempo para treinar e testar. O Grêmio tem jogadores com rodagem pelo futebol europeu, acostumados a jogarem nesse esquema, com raciocínio tático para cumprirem funções e ocuparem espaços no campo, auxiliando na recomposição defensiva e na marcação.

O 4-3-3 exige muita entrega, compactação, aproximação e marcação. Não é, ao contrário do que muitos por aqui pensam, só ataque. Se por um lado é a opção que contempla uma maior complexidade de trabalho e aplicação, é a mais correta dentro das características do grupo gremista.

Portanto, Elano terá um desses três substitutos: Marco Antônio, Bressan ou Welliton. Posso estar até equivocado, mas muito longe disso não fica. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Punir apenas o Corinthians é uma atrocidade da Conmebol! Punição individual é única saída


Em 1985, uma bomba caseira foi apreendida pela polícia paulista momentos antes de um Corinthians x Palmeiras. Faz 28 anos! Nesse período, quantas vezes você soube que um torcedor foi preso por provocar violência num estádio? Por matar alguém? E quantas vezes, ouviu dizer que é preciso legislação específica para o futebol?

Homicídio não precisa de legislação específica. Homicídio é homicídio. No caso de Oruro, a pergunta é se o homicídio do adolescente Kevin Estrada foi doloso ou culposo. Mas homicídio deve levar à cadeia.

A punição individual, prisão de criminoso, é a única solução que dá certo em qualquer lugar do mundo. A torcida do Liverpool não deixou de ser violenta por ser excluída da Europa depois da tragédia de Heysel, em 1985. Havia hooligans de Liverpool na Alemanha, três anos depois, entre os 381 ingleses detidos durante a Eurocopa de 1988. Os que não se envolveram mais em brigas foram presos ou se intimidaram por conhecerem histórias de amigos encrencados com a polícia.

É uma espécie de Lei Seca. O cara só para de cometer delitos se souber que vai pagar caro por eles.

Isso não exclui que o Corinthians perca o direito de vender ingressos durante a Libertadores. 
Digamos que a punição ao Corinthians seja justa.
Mas só é justa se vier acompanhada a punições de outros culpados.
O San José, mandante da partida de Oruro, deve ter o estádio interditado, por ser incapaz de vistoriar os torcedores que o visitam, ser incompetente para evitar que um sinalizador entrasse nas arquibancadas.

O Corinthians jogar sem torcida é justo.
Mas só se outros culpados também forem punidos.
A punição ao Corinthians não resolverá nada e, em breve, outros episódios do tipo poderão ocorrer em quaisquer estádios da América do Sul.
A não ser que a sensação de impunidade suma. A não ser que os assassinos sejam presos e todos saibam disso.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sob o comando de Barcos, Grêmio começa a ter cara de time

O atacante argentino, que não treinava desde sábado, devido a um problema familiar, foi o maior responsável pela mecânica de jogo que acabou no 3 a 0 sobre o Fluminense. Um resultado vital para um Grêmio que tinha perdido a primeira em casa e corria o risco, na pior das hipóteses dessa rodada, de ficar com zero pontos, enquanto Huachipato e Fluminense chagariam a 6. Com a vitória, e com o resultado favorável ao Caracas, no Chile, todos do grupo ficaram com 3 pontos. O time gaúcho agora é o líder pelo saldo de gols.

Abel surpreendeu e largou com Deco e Thiago Neves no banco. No campo, um 4-2-3-1, com Sobis e Nem pelas pontas, Wagner centralizado. No ataque, um Fred muito bem marcado por Cris. Pelo lado direito, Wellington Nem foi o jogador mais agudo, explorando as costas de André Santos. A falta de parceria e a boa atuação do lateral gremista, bem assessorado por Zé Roberto e Fernando, atrapalharam o atacante do Fluminense.

No 4-4-2 gremista, além da tradicional linha de quatro defensores, mais à frente Elano fechava pela direita, Zé Roberto na esquerda, enquanto Souza e Fernando combatiam e ajudavam a contra-atacar pelo centro. Jogando no espaço deixado às costas dos volantes, obrigando a zaga carioca a avançar para marcá-lo, o Grêmio teve Barcos. O homem de jogo.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Barcos participou diretamente dos três gols gremistas. O centroavante, além de marcar presença na área, soube jogar muito bem fora dela. É da sua característica. Mais de uma vez o argentino lançou Vargas em profundidade. Em uma delas, com o Fluminense já completamente desorganizado devido as mudanças de Abel Braga, o atacante chileno recebeu em velocidade matou o jogo.

O Grêmio começa a ter cara de time. Não é a atuação que define que o Tricolor está pronto. Ao contrário do Fluminense, que está pronto, e dessa vez foi mal, o Grêmio está em formação, buscando um padrão de jogo. Nessa busca, o time de Luxa fez uma bela partida, que dá indícios do potencial técnico desse elenco montado para 2013.

O Grêmio volta a entrar nos trilhos. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Derrota gremista passa por erros de Luxa e falta de entrosamento

Jogadores como o volante Adriano, o lateral André Santos e o atacante Barcos, chegaram há pouco mais (ou pouco menos) de uma semana em Porto Alegre. Welliton, que entrou no segundo tempo, também. O zagueiro Cris, faz recém sua segunda partida na temporada. Vargas, a terceira. E o Grêmio sabia de tudo isso, sobretudo Luxemburgo, treinador experiente, que sabe dos perigos que poderia correr ao escalar um time completamente novo. 

Ele assumiu o risco planejando ser o Huachipato do Chile um adversário mais fraco. Pode até ser, tecnicamente. Porém, estratégica e taticamente o clube visitante teve todos os méritos na construção da vitória, chegando a abrir dois gols de vantagem.

O Grêmio não perdeu simplesmente porque Fernando foi sacado do time e Adriano foi alçado à condição de titular ao lado de Souza no meio-campo. O Tricolor perdeu pelo insucesso na execução do plano de jogo. Obviamente, fica mais difícil executar qualquer filosofia de futebol tendo uma equipe desentrosada. Da mesma forma que é mais fácil marcar e envolver um time que ainda não se conhece. O Huachipato soube se aproveitar de todos os fatores que teve a seu favor. Inclusive da má atuação do sistema defensivo gremista.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Promover a estreia de André Santos faz sentido, afinal a lateral-esquerda era um dos setores carentes do time. A estreia de Hernán Barcos poderia ter acontecido apenas no segundo tempo, apesar de não ter ido mal no jogo. No final das contas, o que mais pesa é a questão do primeiro volante. Luxemburgo abriu mão do quarteto de meio-campo que joga junto desde a temporada passada, enfraquecendo o setor e contribuindo com a falta de entrosamento da equipe.

Na volta do intervalo, já perdendo por 1 a 0, o treinador tirou Adriano e colocou Marcelo Moreno ao lado de Barcos. O Grêmio ficou num 4-3-3 com dois centroavantes de área, e Vargas (de atuação ruim) flutuando em volta da área. Quando o mais lógico era apostar nesse mesmo sistema, porém com mais um atacante de lado de campo, que seria o Welliton (que entrou mais tarde no lugar de Vargas).

O Tricolor tomou o segundo gol logo aos cinco minutos do segundo tempo, antes mesmo que a modificação de Luxemburgo pudesse surtir qualquer efeito. Com o Huachipato naturalmente mais fechado devido a vantagem de 2 a 0, ficou muito mais difícil correr atrás do resultado. Barcos acabou descontando em cobrança de pênalti. De resto, o Grêmio atacou com pouco organização e teve até chances para empatar. Mas não foram muitas, e muito menos seria um empate merecido.

O Grêmio de 2013 ainda não tem cara, nem espírito de Libertadores. Vai precisar adquirir em meio à competição. Material humano para que isso aconteça, Luxemburgo tem. Caso o treinador não volte a tropeçar nos próprios equívocos, a tendência é que seja uma grande equipe.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Grêmio não precisava de três atacantes para eliminar a LDU

O time de Luxemburgo conseguiu fazer o 1 a 0 que levou o jogo para a decisão por pênaltis apenas no segundo tempo, depois das mudanças do treinador. O Grêmio voltou com três atacantes: Willian José, André Lima e Vargas. Os dois primeiros entraram no time nos lugares de Fernando e Marcelo Moreno. Mas isso foi determinante? Não.

Objetivamente, o que determinou a classificação gremista foi a defesa de Marcelo Grohe no último pênalti cobrado pelo time equatoriano. Porém, o futebol não é tão simples. Uma série de fatores se encaixam para que se chegue a um resultado.

Com três atacantes, no segundo tempo, o Grêmio jogou pior que na primeira etapa, mesmo embora tivesse conseguido o gol. E o gol veio através de uma jogada que poderia muito bem ter acontecido com apenas um ou dois atacantes em campo: a iniciativa de um dos meias. Elano e Zé Roberto precisam ser mais agudos, arriscar mais, e não se limitar a tentativas de articular jogadas para outros finalizarem. O Grêmio precisa que eles finalizem, o Grêmio será mais agressivo com eles finalizando.

Foi finalizando, de longe, que o camisa 7 Elano fez o golaço que levou a decisão para os pênaltis.
Diego Vara / ClicRBS
Na segunda etapa, com três atacantes, sendo apenas um deles de movimentação, o Tricolor começou a lançar bola de tudo quanto é lado, apostando no confronto direto entre os dois centroavantes (André Lima e Willian José) com os três zagueiros da LDU. A segunda bola poderia sobrar para Vargas, e surgir daí uma situação de gol - era essa a estratégia de Luxa, mas não deu certo. Os equatorianos colaram os alas aos seus três zagueiros, dobrando a sobra na marcação dos atacantes gremistas e dificultando o rebote. Com a bola muito tempo no alto, Vargas sumiu do jogo, e passou longe do belo primeiro tempo que fez na Arena.

Os dois desfalques que o Grêmio teve para o jogo não foram sentidos. No lugar de Cris, o jovem Bressan se saiu muito bem, formando uma zaga segura - apesar da pouca idade - com o  melhor em campo, Saimon. No gol, o homem da classificação. Ele que entrou no lugar de Dida, lá em Quito, e logo levou o gol que dava a vantagem para a LDU. O mesmo que, aqui na Arena, pegou o pênalti de Morante, o último da noite. O da classificação. A torcida não sentiu falta do Dida.

Porém, o que grupo do Grêmio ainda sente a falta de algumas peças de reposição, principalmente para o meio-campo. E um jogador para vestir a 6 e tomar conta a lateral-esquerda (por mais que Alex Telles seja promissor).

sábado, 12 de maio de 2012

Eliminação do Inter não é desastre

Não consegui comentar a eliminação do Inter na Libertadores. Quarta, após o jogo, não consegui logar para escrever aqui. Que seja, faço agora, mesmo que de maneira mais breve.

O fato é que o Inter não jogou menos que o Fluminense no Rio. O 2 a 1 que eliminou o colorado, a grosso modo, tem a ver com a bola parada de Thiago Neves e a dificuldade que o Inter encontra desde o ano passado para escalar seu miolo de zaga.

A equipe de Dorival jogou 10 jogos pela Libertadores em 2012, venceu apenas três, foi o 16º colocado entre os dezesseis classificados para a segunda fase da competição e acabou eliminado pelo time melhor classificado da Libertadores. Bota na conta do Inter a série de desfalques que não permitirem a Dorival escalar seu time ideal nunca. Portanto, não é nenhuma catástrofe essa eliminação  que, ironicamente, aconteceu na que seja talvez a melhor partida do Inter na Libertadores.

Só que o futuro não é negro no Beira-Rio, e Dorival precisa seguir seu trabalho de forma tranquila. O time do Inter é bom, do meio pra frente tem jogadores de muita qualidade, mas algumas vagas ainda indefinidas. Oscar, Damião, D'Alessandro e Sandro Silva hoje são os mais titulares do Inter. Ainda sobram Dátolo, Tinga, Dagoberto, Guiñazu e Jajá para disputar duas vagas. O problema do Inter ainda é a zaga. E mesmo não sendo reforçada, o Colorado entra forte na briga pelo BR-12

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Equilíbrio no primeiro jogo entre Inter e Fluminense

O Fluminense ter a primeira campanha da Libertadores é plausível, nada de surreal. O que fugiu do comum foi a 16° campanha do Colorado entre os classificados para as oitavas de final. No geral da competição, a verdade é que o Inter ficou em 17°, pois o Defensor, terceiro colocado em seu grupo, teve campanha melhor que o time gaúcho. Pelo peso das duas camisas e pelos elencos, é prematuro que Flu e Inter se matem logo agora, no início da fase eliminatória. Contudo, pelo futebol apresentado pelo Colorado até agora, a situação se justifica.

Mas o que se viu no primeiro confronto foi equilíbrio. E não poderia se esperar outra coisa. O placar zerado só faz injustiça quanto ao tamanho do jogo e ao empenho das equipes. Porém, na equiparação de forças, o zero a zero talvez tenha sido um resultado correto. Assim como também seria 1 a 1 ou 2 a 2.
Foram dois tempos distintos. A primeira etapa foi toda do Fluminense. No segundo tempo, praticamente só deu Inter. As duas equipes jogaram de formas parecidas, um 4-2-3-1 com um atacante vindo de trás e se desgarrando da linha de armadores. No time de Abel, esse cara foi Rafael Sobis, que fez bom jogo, apareceu pelos dois lados, marcou o Nei e finalizou algumas jogadas. Diferente de Dagoberto, que pelo Inter executou a mesma função, mas como menos sorte. Dagoberto não foi bem mais uma vez, foi substituído no intervalo devido à lesão. Jajá, que entrou em seu lugar, foi melhor e participou da melhora do Inter na segunda etapa.

Tanto ao time de Dorival quanto o time de Abel, faltou acionar os finalizadores. Damião e Fred não receberam nenhuma bola em condição de converter à gol. Contudo, o centroavante colorado atuação razoável, melhor que a do avante tricolor. Leandro Damião buscou mais o jogo e criou algum coisa na base da iniciativa pessoal. Não é à toa que os destaques da partida foram jogadores de aptidões defensivas: Sandro Silva, pelo Inter, e Gum, zagueiro do Fluminense.

Na comparação dos dois tempos, o Fluminense comandado por Deco e Sobis criou mais que o Inter do segundo tempo. Só que, por ironia do futebol, quem teve o jogo na mão foi o Inter de Dátolo e Jô. O argentino desperdiçou o pênalti que Edinho cometeu em Damião; Jô meteu uma bola na trave poucos minutos antes do apito final, quando um bola sobrou em meio à confusão na área carioca.

No jogo da volta, 10 de maio, no Rio de Janeiro, o panorama deve ser o mesmo. Mas o Flu tem a vantagem de contar com o retorno de Wellington Nem, atacante que faz boa temporada pelo time carioca. Já o Inter dificilmente vai contar com os retornos de D'Alessandro, Oscar e, até mesmo, Kléber e Dagoberto.

Impossível cravar quem passa de fase. Mas é difícil negar que o Fluminense vive melhor fase e, quando propôs o jogo, foi melhor que o Inter no Beira-Rio.

Foto Diego Vara/ClicRBS

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Inter é o pior classificado para a 2° fase da Libertadores

O Juan Aurich é muito menos time que o Internacional. Mas o colorado não soube fazer valer sua maior capacidade técnica na partida no Peru, na derrota de 1 a 0 que só classificou o Inter porque o Santos não perdeu para o Strongest jogando na Vila Belmiro. 

As duas vitórias das equipes brasileiras pareciam certas antes da bola rolar. Na prática, dificuldades. O time de Neymar só marcou os dois gols da sua vitória no final do segundo tempo. Caso o time boliviano vencesse o Peixe, o Inter estava fora.

A péssima partida do Inter foi preocupante, muito mais porque culmina de uma campanha ruim na Libertadores. O time de Dorival poderia muito bem entrar em campo já classificado. No cruzamento dos grupos para o mata-mata, o Inter agora pega o Fluminense, time de Abel Braga, dono da melhor campanha da primeira fase.

Contudo, agora começa outro campeonato, que apresenta tendências, mas não certezas. Como mostra o estudo feito pelo blog Carta na Manga em abril de 2011. Vicente Fonseca analisou a segunda fase dos últimos 10 anos de Libertadores. A análise do jornalista do Carta derrubou alguns clichês. Por exemplo, de 2000 pra cá, o time de melhor campanha nunca foi campeão, quatro deles (contando o Cruzeiro 2011) caíram já nas oitavas. Outro mito é o da segunda partida em casa. A porcentagem é parelha: 55% de quem decide em casa consegue passar de fase, os outros 45% é de quem decide fora.

Ou seja, é totalmente plausível o Inter passar pelo Fluminense. Mas não é a tendência, ainda mais, e principalmente, se o Internacional continuar jogando tão pouco na casa do adversário. É bem verdade que Dorival está tendo alguns problemas para escalar a equipe, porém, fica a impressão que no último mês o Colorado deu uma parada, não evoluiu mais, ao contrário do Fluminense, que está com um senso de equipe num bom estágio.

É pedreira. Para os dois.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Inter, Santos e o jogão no Beira-Rio

Do meio para frente, Dorival Junior não contava com jogadores fundamentais de sua equipe. Oscar, D'Alessandro e Guiñazu teriam todas as condições de dar um algo a mais em favor do Internacional no jogaço que acabou em 1 a 1 no Beira-Rio. Ou talvez não, é do futebol. No primeiro jogo, em Santos, eles jogaram e o Inter tomou três do Neymar, este monstro com a bola nos pés que, nesse segundo jogo, só foi parado pela monstruosa atuação de Muriel, arqueiro colorado que vive uma temporada de muito brilho.

Ao contrário do Inter, o Santos de Muricy estava completo do goleiro ao centroavante. Um time que ainda é o atual campeão da América. E que, de quebra, é melhor que aquele Santos que venceu o Peñarol em julho passado. Uma equipe que demostrou muita maturidade ao não se desesperar com o gol cedo do Inter, um golaço do Nei, em linda cobrança de falta. O Santos segurou o Colorado com toda a paciência do mundo, neutralizou como pôde as investidas de Dagoberto e Dátolo, anulou Damião e, aos poucos, foi avançando e retendo a bola até possuir o controle do jogo, mas nada que representasse um desequilíbrio exagerado em campo, pois o Inter nunca foi passivo na partida.

Dorival armou um time híbrido, mas que atuou a maioria do tempo no 4-4-2, com Tinga bem aberto na direita, jogando uma bela partida, de muita entrega, com Dátolo ao lado, mais no centro que na esquerda, formando assim um quadrado torto no meio, com Sandro Silva e Élton jogando praticamente em linha na frente da zaga. Na frente, Dagoberto foi atacante ao lado de Damião, movimentou pelos dois lado, fez partida melhor que a do companheiro e melhorou com relação a ele mesmo nos últimos jogos.

As variações táticas do Inter pouco efeito prático tiveram no confronto. Em certos momentos Tinga recuou para formar um losango no 4-3-1-2. Algumas vezes quem recuava era o atacante Dagoberto, para armar a equipe no 4-2-3-1 que Dorival costuma usar.

O Santos não veio para empatar. Curiosamente, no final do segundo tempo, o Peixe era o mais interessado e jogar e se expor buscando o segundo gol que o próprio Internacional, que com este ponto somado adia e complica um pouco a classificação para a segunda fase. O Colorado fica quase que na obrigação de vencer o Juan Aurich no Peru e ainda torce por resultados paralelos bem prováveis que aconteçam.

Neymar passou como quis pela defesa colorada mais um vez, o craque santista merecia o gol por tudo o que fez e jogou no Beira-Rio. Neymar só não passou por Muriel, que por tudo o que catou embaixo das traves, não merecia ter sido vazado por Alan Kardec. Mas merecimento e justiça são conceitos complicados de serem aplicados ao futebol. Como ficou é sempre como deveria ser.

E foi um jogão. No final das contas, o Inter segurou as pontas. Pelo tanto de desfalques que teve Dorival, quando Tinga e Dagoberto cansaram, faltou banco para o treinador. Jajá, na Libertadores, ainda não. O mesmo vale para Gilberto. Muricy, por outro lado, tirou do banco Alan Kardec, autor do gol de empate, e Elano, jogador experiente e com passagens pela Seleção.

*Foto Diego Vara/ClicRBS

quinta-feira, 29 de março de 2012

As opções de Dorival Junior

Nesta quarta o Internacional empatou em 0 a 0 com o Lajeadense, fora de casa, e garantiu vaga na segunda fase da Taça Farroupilha. Dorival escalou equipe mista visando já o jogo da próxima semana, contra o Santos no Beira-Rio, válido pela Copa Libertadores. O bom e jovem time do Lajeadense complicou a vida do Inter, que pouco criou num jogo mormo e de poucas chances.

Para o confronto contra o Santos, o Inter segue sem Oscar, provavelmente não terá D'Alessandro 100% e Guiñazu é dúvida. O D'Ale voltou a sentir a lesão na terça, não jogou ontem e não jogará no final de semana. Contra o Peixe, tenho quase certeza que o argentino vai pro jogo, mesmo não estando na sua melhor condição.

Portanto, a linha de frente do Inter deve ter Dátolo na direita, D'Alessandro por dentro, Dagoberto na direita e Leandro Damião no ataque. O treinador colorado tem feito pequenas alterações no posicionamento de Dagoberto, que ora está como atacante ao lado de Damião, ora está como meia no 4-2-3-1 de Dorival. Dagoberto rende mais vindo de trás, tendo a possibilidade do chute de média distância e de entrar na área em diagonal.

Ao lado de Tinga, caso não jogue Guiñazu, Bollati e Elton são alternativas. Devido as circunstâncias, Élton tem mais fôlego e agilidade para marcar o meio-campo santista. De qualquer forma, o Inter perde sem Guiñazu.

Jajá e João Paulo também são opções, ainda que com menos possibilidades de serem utilizados no confronto. Até não atenderiam as necessidades do Inter, principalmente Jajá, que ainda precisa provar muito. Ontem, João Paulo rendeu legal jogando pelo meio, diferente de quando jogou pela direita.

A única coisa certa é a pedreira que vai ser Inter e Santos. Para os dois.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Inter se recupera na frente de sua torcida

A derrota de 3 a 1 para o Santos, pela Libertadores, deixou um clima ruim no Beira-Rio. Não só pelo futebol jogado, mas também pela atitude em campo, pelas opções do treinador e pelas diversas declarações desencontradas de dirigentes, comissão técnica e jogadores. Por pouco o Inter não mergulhou em uma crise administrativa. A possibilidade de que Dorival Junior tivesse perdido o comando de vestiário chegou a ser considerada. Acho que não chega, e nem chegou, perto de acontecer.

O fator Neymar e a Vila Belmiro lotada ajudaram a amenizar as coisas no Colorado. A vitória contra o Santa Cruz, no Gauchão, também, embora fosse um apertado 2 a 1. O Inter precisava lavar a alma, como fez ontem, contra o fraco The Strongest. Na tabela, o time boliviano tem os mesmos 6 pontos que agora tem o Internacional, mas foram 6 pontos conquistados na altitude de 3,6 mil metros de La Paz. 

A diferença entre as duas equipes se mostrou astronômica. No primeiro tempo o Strongest se fechou, num 4-4-2, jogando com duas linhas e buscando contra-atacar. Não deu certo. O Inter teve a bola sempre no pé, e só atacou na boa, fazendo 2 a 0 muito cedo e se acomodando. Na segunda etapa os bolivianos tentaram correr atrás do prejuízo, montando um 4-3-3, mas de pouca eficiência, sem velocidade nem aproximação. A coisa ficou mais fácil para um Inter paciente e eficaz. Os outros três gols saíram naturalmente.

A escalação de Dorival Junior não teve surpresa, foi o habitual e correto 4-2-3-1. Se o treinador não pôde contar com D'Alessandro, lesionado, no centro da linha de três meias colorados jogou Dátolo que, junto com Oscar, ditaram o ritmo da vitória do Internacional. O argentino se encaminha para ser o que, nos últimos anos, foi Andrezinho para o Inter. A não ser que Dátolo coloque Dagoberto ou Oscar no banco.

Os três gols de Damião também são sintomas importantes para a equipe e para o próprio jogador. Dorival conversou com ele, pediu para o centroavante simplificar. Sorte do Inter que para Leandro Damião, o simples é fazer três.