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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A crise institucional no Transporte Público em Porto Alegre

*Leonardo Palombini

Publicado em Jornal Sul21, 29 de janeiro

Está instalada a contradição na questão do transporte em Porto Alegre. Sim, os últimos episódios da questão apontam que vivemos uma crise. Essa crise, ainda resultado das jornadas de junho de 2013 e de toda a luta pelo Transporte Público que se alastrou pelo país naquele ano, expõe um racha geral entre os dois principais poderosos envolvidos na questão: Prefeitura e empresas de ônibus. Por um lado, Fortunati acusa as empresas de transporte e os trabalhadores de estarem de conluio na greve, a fim de aumentarem as tarifas. Por outro lado, as associações patronais repudiam publicamente essas declarações, tentando empurrar pra Prefeitura a responsabilidade por um possível aumento de passagem.

Os trabalhadores, por sua vez, embora com uma direção sindical pelega – do mesmo partido do prefeito -, encampam uma greve histórica, mostrando sua força e a importância que o transporte público tem na cidade. Eles, patrolando sua direção – que pede que coloquem 70% da frota na rua, em respeito à arbitrária decisão judicial, a qual contraria a Lei de Greve -, e em resposta aos ataques do Fortunati, param 100% da frota e propõem: “voltamos com 100% da frota às ruas, desde que liberem as catracas”. Isso significa: não temos nenhum compromisso com a agenda de ajuste das passagens, pelo contrário, queremos nosso reajuste salarial sem aumento de tarifa para população. Colocam em jogo o já manjado discurso do patrão e da mídia contra a greve, que diz que ela “prejudica a população”. Quem prejudica, afinal? A proposta dos trabalhadores transfere aos patrões a responsabilidade pela falta de ônibus. Só que o objetivo dos empresários, os chamados tubarões do transporte, não é prestar um serviço de qualidade à população, mas sim encher os bolsos de dinheiro com o já suado dinheiro dos trabalhadores. Se não o fosse, liberavam as catracas para garantir o serviço. Mas parece que não vão abrir mão tão fácil da sua tetinha… Centenas de milhares de reais por dia não se joga facilmente. Não bastando os incentivos fiscais que receberam do governo e seus sucessivos aumentos nas tarifas, impetrados historicamente acima da inflação, os empresários do transporte querem mais. Querem ainda economizar em cima de seus trabalhadores – já submetidos a uma rotina de trabalho longa, estressante e estafante. E é contra eles a luta dos rodoviários – a clássica luta entre trabalhadores x patrões.

Já a luta contra o aumento da tarifa, protagonizada pelo Bloco de Lutas e a juventude mobilizada da cidade – um quinto elemento nesse quiproquó – também é contra os tubarões do transporte, mas é ainda contra a política de Fortunati, que mantém nas ruas empresas sem sequer licitação para atuar e com reiterados aumentos abusivos de tarifa, empresas essas que sequer abrem suas contas publicamente, a despeito do serviço que prestam ser PÚBLICO.

Sendo assim, entre os patrões e a prefeitura – onde sempre houve uma aliança histórica – instala-se uma crise. E enquanto a direção do sindicato tenta frear a luta, por representar interesses alheios aos dos trabalhadores da base, empresários e prefeito tentam colocar um no outro a responsabilidade pelo – por eles desejável – reajuste das passagens. Afinal, embora os dois queiram o aumento, ambos têm medo em relação a que isso poderia desencadear em pleno ano de Copa – a exemplo do que aconteceu ano passado, com mais de 30 mil pessoas nas ruas de Porto Alegre marchando, entre outras coisas, pelo Transporte Público acessível e de qualidade.

No outro lado desse embate, entre a juventude e trabalhadores que lutam pelo transporte 100% público, pelo passe livre estudantil, indígena, quilombola e para desempregados, encampados no Bloco de Lutas, fortifica-se uma aliança política e de solidariedade com a luta dos trabalhadores rodoviários, uma aliança definitivamente de classe.

Isso tudo parece nos indicar uma aliança tradicional da burguesia esfacelando-se, justamente pela sua falta de saída e total desorientação dentro dos limites tradicionais impostos pelo modelo de transporte público privatizado, enquanto a aliança dos trabalhadores, essa sim, só cresce e se fortifica. São os de baixo colocando-se na ofensiva dentro do sistema, e isso é sinal dos tempos.

Ninguém ainda tem a resposta de onde tudo isso vai nos levar, mas uma coisa é certa: a questão do transporte e do direito à cidade está na pauta nacional, e Porto Alegre está encabeçando essa luta. O transporte nas cidades brasileiras é precário, dominado por meia dúzia de grandes empresários que nadam nos milhões com o lucro das passagens, enquanto se associam promiscuamente com os governos, tal qual uma máfia criminosa. E parece que esse tipo de coisa já não está mais sendo aceita publicamente. Está instalada a crise, que é o passo certeiro para o avanço.

Todo apoio à luta dos rodoviários!
Aumento de salário sem aumento de tarifa!
Por um transporte 100% Público!
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Leonardo Palombini é professor de Geografia na Rede Pública Estadual e mestrando em Geografia pela UFRGS.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Você Viu? #68

Meio Ambiente: Ativistas realizam marcha contra corte de árvores em Porto Alegre
Jornal Sul21, 20 de maio
Ramiro Furquim/Sul21

















Transporte: PSOL: nota da ATP “é uma ameaça à população e ao Judiciário”
Jornal Sul21, 20 de maio

Mídia: Os portugueses deveriam rir ao ser chamados de “estúpidos” pelo CQC?
Diário do Centro do Mundo, 20 de maio


Política: Dilma diz que boato sobre Bolsa Família é desumano e criminoso
Vi o Mundo, 20 de maio

Censura: PF apreende equipamentos de repórter no Mato Grosso do Sul
Blog do Sakomoto, 19 de maio

Uruguai: Mujica rejeita título de “presidente mais pobre do mundo”
Diário do Centro do Mundo, 18 de maio

Ditaduras: RÍOS MONTT, O GENOCIDA
Agência Pública, 16 de maio


E a série "Não há o que não haja", nos brinda com uma bela campanha contra o comunismo no Brasil.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

RS finalmente se livra das concessionárias de pedágios

O governador Tarso Genro assinou, nesta terça-feira (24), no Palácio Piratini, os termos de notificação do final dos contratos de pedágios firmados com o Estado. A partir do primeiro trimestre de 2013, a empresa estatal criada esse ano, a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), deve assumir 11 praças de pedágios no estado. Outras 16, ficarão momentaneamente desativadas. A estimativa do governo é que as tarifas baixem, pelo menos, 30%.

É, sem dúvida, um momento histórico para o Rio Grande do Sul, que se livra de contratos e acordos sangue-sugas que o governo de Antônio Brito assinou com uma série de empresas privadas. Desde lá, as tarifas se tornaram um absurdo. O custo para viajar em estradas gaúchas é totalmente desproporcional à qualidade das estradas e do serviço prestado.

Com a iniciativa de não renovar com as concessionárias, Tarso toma para o Estado um bem público que não faz sentido que seja privado. Imagine que um cidadão precise pagar a um empresário qualquer para se deslocar de uma cidade a outra. Pagar ao Estado faz mais sentido, a arrecadação é pública e tem por dever que retornar em benefícios à sociedade. Prefiro, ainda, confiar na prestação de serviço e arrecadação da máquina pública do que em uma empresa privada que tem compromisso zero com algo que não seja seu próprio lucro.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

terça-feira, 8 de novembro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Você viu? #1

Compilação de links reunidos durante os últimos sete dias. A partir de hoje, todas as terças-feiras aqui no PoA Geral.
O mundinho particular de Veja - Jornalismo B, 21 de Setembro.
Barça de Messi beira a perfeição - Blog do Carlão, 24 de Setembro.
O pensamento escravocrata - Tijolaço - O blog do Brizola Neto, 24 de Setembro.
Não somos racistas? - Cão Uivador, 25 de Setembro.
Ciclistas fazem “farofada” no Mercado Público de Porto Alegre. Veja as fotos - Sul 21, 26 de Setembro.


Em 1987, Jô Soares critica fortemente as atitudes de bastidores da Rede Globo, uma crítica perfeitamente atual, mas que provavelmente não sairia mais da mesma boca.

terça-feira, 29 de março de 2011

Finalmente Porto Alegre pode ganhar um metrô

Em entrevista coletiva à imprensa do RS, o prefeito de Porto Alegre José Fortunati apresentou na manhã dessa segunda-feira, 28, o projeto de metrô para a cidade de Porto Alegre e o cadastramento deste mesmo projeto no PAC da Mobilidade Urbana. Até o dia 2 de abril, através do seu site, o Ministério das Cidades, que tem orçamento disponível de R$ 18 bilhões, recebe projetos das cidades que estão divididas em três grupos. Porto Alegre está no grupo 1, que conta com mais recursos a serem gastos (R$ 2,4 bilhões). Dia 12 de junho a presidenta Dilma anunciará quais projetos serão contemplados pelo PAC da Mobilidade Urbana, a partir daí os escolhidos terão 8 meses para apresentação de um projeto básico da obra.
Se tudo correr dentro do planejado, o metrô da capital gaúcha (Fase 1) percorrerá desde a Esquina Democrática, no centro, passando pelas Avenidas Farrapos e Assis Brasil, até a sede da Fiergs. O trecho é de 15 km, terá 13 estações de embarque e desembarque e o valor deve ser o mesmo da passagem de ônibus, havendo, então, um sistema integrado de passagens entre metrô e linhas de ônibus. A previsão da Prefeitura é que as obras iniciem no segundo semestre de 2012 e levem de 4 a 5 anos para serem concluídas. O Metrô será subterrâneo, do tipo Cut and Cover, onde se utiliza a construção de túneis rasos com abertura de trincheiras. Ele passará por baixo do corredor de ônibus da Farrapos e Assis Brasil até o Terminal Triângulo e dali irá até a sede da Fiergs em via elevada.
Segundo o site da prefeitura, a modelagem financeira será da seguinte forma: o projeto total tem custo estimado em R$ 2,4 bilhões. Com as isenções fiscais estaduais e municipais, o valor fica em R$ 2,2 bilhões. A prefeitura solicitará R$ 1, 58 bilhão do Orçamento da União. A contraprestação da prefeitura será de R$ 300 milhões, na fase de operação do projeto, dividida em 15 anos. Além disso, no valor total estão inseridos R$ 323 milhões, que serão financiados pelo futuro concessionário.
O prefeito ainda adiantou que está prevista uma fase 2, com a construção de um segundo trecho, que vai da avenida Borges de Medeiros até a avenida Bento Gonçalves (extensão Antônio de Carvalho), com 10,92 km.

terça-feira, 1 de março de 2011

MP do Rio Grande do Sul age corretamente e determina a prisão de motorista crimonoso

O Ministério Público determinou no final da noite de segunda-feira, 28 de fevereiro, a prisão preventiva do bancário Ricardo José Neis que, na noite de sexta-feira atropelou cerca de 20 ciclistas que andavam pelas vias da capital gaúcha. Um dos promotores resposável, Eugênio Paes Amorim, afirmou que Neis "é um réu com histórico de violência e impulsivade, e o Ministério Público não podia esperar mais". Ao contrário do que ainda pensa a Polícia Civil e alguns poucos setores da imprensa, que tratam o ocorrido como acidente ou legítima defesa, a promotoria pública interpreta o caso da maneira que todos vimos: houve uma múltipla tentativa de homicídio doloso.
O assunto repercutiu no Brasil inteiro, abrindo uma discussão pertinente sobre a importância, o papel e o espaço das bicicletas no trânsito brasileiro. Blogues como o do Marcelo Tas e da Renata Falzoni, da ESPN, abominaram o que chamam de "monstorista".
O Massa Crítica ainda está sendo tratado como um movimento de protesto e, por conta disso, deveria ter avisado a EPTC antes de iniciar as ações. Isso é uma inverdade, pois o Massa Crítica é um movimento natural de pessoas que se reúnem para andar de bicicleta e ocupar lugar nas vias tal qual ocupam e engarrafam o trânsito os carros todos santo dia, a qualquer horário. Na "carrocracia" que vivemos, é inadmissível o carro não poder circular a mais de 80 sem ser atrapalhado. Pessoas estressadas e intolerantes como Ricardo José Neis, de 47 anos, acha exatamente isso. Tem seu carro, pagou caro por ele, então precisa andar rápido a qualquer custo. Mesmo, ao que parece, o custo seja vidas humanas.
Felizmente não houve vítimas fatais. Felizmente o Ministério Público, nas figuras de Eugênio Paes Amorim e Lúcia Helena Calegare, está lúcido nessa história toda.

Afinal, há como ir contra uma imagem chocante como está?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Eu não sei o que esses ciclistas têm na cabeça

Por Alves Rodrigues
Tem um maluco solto na cidade. Quer dizer, um só não, tem um monte deles. Mas me refiro a um psicopata em especial. Um que foi visto na noite da última sexta-feira (25), armado de um Golf preto e tentando assassinar o maior número possível de ciclistas participantes do Massa Crítica (movimento gaúcho pela valorização da bicicleta como meio de transporte).
Eu não sei o que esses ciclistas têm na cabeça. Não sei de onde eles tiraram a ideia de que têm o direito de usarem as rua de Porto Alegre sem o prévio consentimento da EPTC. Ora, onde já se viu? Desaforados. Esses caras estão pensando o quê? Que vão mudar o mundo? Não respeitam o sagrado direito de ir e vir (de carro, é claro). As ruas de Porto Alegre e da região metropolitana são para os carros, não são para pedestres, ciclistas, carroceiros, catadores de lixo reciclável e seus carrinhos que dificultam a "mobilidade urbana". Lugar de ciclista é nos parques. (Na ciclovia transformada em estacionamento é que não pode ser.) Pelo menos é isso que parece pensar o sr. Vanderlei Capellari, diretor da EPTC, que alega que a empresa não foi informada sobre a intenção do grupo de pedalar pelas ruas da Capital. Isso não me parece fazer sentido, e por dois motivos: o primeiro é que o Massa Crítica se reúne toda última sexta-feira do mês já há bastante tempo, fico surpreso com o desconhecimento do senhor diretor; e o segundo é que se essas mesmas pessoas resolvesse se encontrar no mesmo lugar em que se encontraram na sexta-feira, no mesmo horário e percorrerem as mesmas ruas, de carro e não de bicicleta, não precisariam "pedir" nada para a EPTC. Bicicleta não é meio de transporte, não é veículo? Ciclista não é um personagem do trânsito como outro qualquer?
Atropelamento intencional, acreditem, não é tentativa de homicídio, é "lesão corporal". Ao menos é o que acredita o delegado Gilberto Almeida Montenegro, diretor da Divisão de Crimes de Trânsito de Porto Alegre. Eu juro que pensava que se eu tivesse um carro e o usasse para passar deliberadamente sobre um grande grupo de pessoas, ia acabar me incomodando. Estava enganado. Isso não me causaria problema se essas pessoas estivessem desrespeitando o indiscutível direito de ir e vir dos egoístas mauricinhos de classe média em seus carros financiados a longo prazo. "Aqui não é a Líbia", disse o delegado, "aqui todos têm liberdade de manifestação, desde que avisem as autoridades". Quer dizer que é assim? Se as autoridades permitirem eu posso ser livre? Oba, viva a liberdade.
Não deveríamos estar tão surpresos com as declarações destes representantes do Estado. Lembram do jardineiro de Brasília? Se não lembram vou contar. Vou contar aquela história de um ministro (por ironia, Ministro dos Transportes) que voltava, na companhia de seu filho, de um churrasco regado a bebida alcoólica lá na Capital Federal. Dizem que quem dirigia era o filho do ministro, dizem que não tinha bebido. Não sei. Sei apenas que um jardineiro, um trabalhador, foi atropelado e abandonado caído no asfalto. Ficou lá, não teve assistência dos atropeladores. Julgados, pai e filho foram inocentados da acusação de omissão de socorro. A Justiça (cega) concluiu que por estar a vítima já morta, não havia mal nenhum na atitude dos atropeladores de irem para casa e de lá ligarem para a polícia. Ninguém foi preso, mas, magnânima, a Justiça "condenou" o réu, o filho do ministro, ao pagamento de algumas cestas básicas. Eu sei que a Justiça tem de ser cega, mas não acho que devesse levar a coisa tão ao pé da letra.
O caso do atropelamento em massa aqui de Porto Alegre parece que seguirá pelo mesmo caminho. Mesmo antes da identificação do atropelador, Polícia Civil e EPTC já encontraram alguém para culpar: as vítimas.
Parecia bobagem a figura que eu fiz no post anterior, aquele sobre o metrô de Porto Alegre, mas podem acreditar que assim mesmo que pensam as autoridades quando falam de mobilidade urbana. Em suas mentes, a imagem de ruas repletas de carros circulando sem serem atrapalhados por pedestres ou outras formas de transporte é a imagem da cidade ideal, moderna, desenvolvida. Quem sabe, quando construírem o tal metrô, não construam também, paralelo aos trilhos, uma ciclovia? Ficaria perfeito. Lugar de ciclista, nas modernas metrópoles capitalistas do Brasil do terceiro milênio, é junto com os trabalhadores: debaixo da terra. O cara do Golf preto só quis ganhar tempo e mandar os ciclistas pra lá de uma vez, não teve paciência de esperar o metrô ficar pronto.

*Alves Rodrigues mantém o blog Somos Todos Torcedores e o twitter @lvesrodrigues

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Atropelamento sem intenção?

ATUALIZADO 19h20



















Na noite de sexta-feira, em Porto Alegre, no bairro Cidade Baixa, um um Golf investiu pra cima de cerca de 150 ciclistas. O movimento bicicletada acontece toda última sexta do mês na capital, é inspirado no mundial Massa Crítica, uma organização coletiva, sem líderes, que exerce o direito de ir e vir na grandes cidades com o meio de transporte mais democrático e menos poluente que há: bicicleta.
O condutor do Golf atingiu mais de 20 ciclistas e fugiu do local. Todos os feridos já deixaram o hospital. A polícia trata o assunto ainda como acidente, batendo de frente com depoimentos de testemunhas. Quem presenciou, afirma que foi proposital e, dificilmente, naquelas circunstâncias, não o seria. 
Muitos depoimentos e protestos estão no blog http://massacriticapoa.wordpress.com



Veja as imagens do atropelamento: