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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Grêmio pragmático volta a vencer

É difícil mensurar o peso da vitória gremista sobre o Passo Fundo, por 2 a 0. Da mesma forma as duas derrotas consecutivas na Arena. A equipe que venceu ontem à noite, no interior do estado, terá sequência? Everaldo e Pedro Rocha formarão a dupla de ataque daqui pra frente? E o esquema com três volantes, será mantido?

Para efeito de momento, mesmo que não signifique muito, voltar a vencer já é um alívio. Se quisermos ainda ser um pouquinho mais otimistas, é possível destacar três aspectos (promissores?): o Grêmio não tomou gol; finalmente uma jogada de escanteio resultou em gol a favor; o time não dependeu apenas dos gols dos atacantes para vencer.

Postura defensiva


Além de uma injeção de ânimo nos jogadores, que correram mais, transpiraram mais, Felipão resolveu proteger mais o sistema defensivo, escalando a equipe no 4-3-1-2. Formando o losango do meio-campo o Grêmio teve Marcelo Oliveira à frente da zaga, Felipe Bastos na direita, Araújo na esquerda e Douglas mais avançado, na armação.














Postura Ofensiva


Com a posse da bola, o Grêmio foi igualmente pragmático, fez nada além do básico. Felipe Bastos teve liberdade para avançar e jogar praticamente ao lado de Douglas. Sempre muito próximo do camisa 10, de boa jornada, o volante arriscou arremates perigosos.

Pela esquerda, o lateral Junior mais uma vez se destacou, se mostrando sempre uma boa opção ofensiva, além de capacidade física de recompor a linha de defesa sempre que preciso. Na frente, Pedro Rocha, autor de um gol, demonstrou muita iniciativa e velocidade na condução da bola. Contudo, não dá pinta de quem vai conquistar a posição com todo elenco disponível.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Que dizer após duas derrotas na Arena?

É preciso ter muita frieza para analisar a atual situação do Grêmio. Não só no Gauchão, após duas derrotas seguidas dentro de casa, mas também toda a sua perspectiva de restante de temporada. Um ano em que o tricolor gaúcho resolveu que tinha que estancar os gastos, diminuir despesas e formar uma equipe mais barata. Qual o real preço dessa política? Do ponto de vista do futebol, não é promissora, embora seja cedo para qualquer diagnóstico catastrófico. Do ponto de vista econômico, tem tudo para deixar o clube mais saudável financeiramente em médio e longo prazo.

As derrotas

Com todo o respeito ao Brasil de Pelotas e ao Veranópolis, mas nenhum deles, tecnicamente, tem equipe para vencer o Grêmio na Arena. Mesmo esse enfraquecido Grêmio de 2015. Contudo, futebol não é só técnica - é, sobretudo, tática. Em comparação aos últimos dois anos, o tricolor não tem apenas menos qualidade no seu elenco. Em campo, tem também menos organização, e isso tem sido fundamental para o desempenho pífio neste começo de temporada.

Felipão parece não ter ideia da escalação, tampouco do esquema tático ideal para jogar. Pior ainda, ele não demostra ter confiança nos jogadores, e isso parece ter um impacto decisivo no grupo de trabalho.
Foto: Ricardo Duarte / Agência RBS

A escalação do Grêmio ainda é uma incógnita. Não sabemos se Marcelo Oliveira, por exemplo, vai ser zagueiro, lateral-esquerdo ou volante. Sabemos é que, mau ou bem, não sai do time. O mesmo com Galhardo, ora lateral-direito, ora meio-campista. No comando de ataque, é prudente apostar em Everaldo e Lucas Coelho depois das saídas de Barcos e Moreno? Não sabemos. Scolari também não sabe. No setor ofensivo do meio, Douglas tem cadeira cativa, mesmo com um futebol cada vez menos competitivo. Em contrapartida, quem poderia executar a função com mais intensidade, Lincoln tem apenas 16 anos.

O mais importante, fundamentalmente, é que as peças estão mal colocadas em campo. O Grêmio corre errado, ocupa mal os espaços e não consegue tramar jogadas ofensivas. Embora o elenco gremista não seja qualificado o suficiente para imaginarmos disputando a ponta de cima no Brasileirão, também não é desqualificado ao ponto de passar por dificuldades no modesto Gauchão.

Não prego a saída do Felipão. Sempre prefiro apostar na continuidade. Mas é bem possível organizar de forma mais compacta e coerente a equipe gremista, fazendo um time muito mais competitivo que esse derrotado duas vezes seguidas dentro da Arena.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

As dificuldades de escalar o Grêmio em 2015

Se com o grupo completo, escalar o Grêmio não é fácil, imagine para esse primeiro momento do Gauchão, que começa já no sábado, às 17h, contra o União Frederiquense na Arena. Por agora, Felipão ainda não conta com Geromel, Ramiro e Giuliano, que recuperam-se de lesão, e Wallace, volante que serve à Seleção Brasileira sub-20. 

O grande problema do Grêmio são as incertezas e, claro, as características dos jogadores. Há muito mais dúvidas que afirmações. Mesmo que a direção afirme que o time tenha uma base pronta do ano passado - e tem -, também é verdade que jogadores fundamentais para o desempenho da equipe gremista em seu melhor momento dentro BR-14 deixaram o grupo. Para Scolari, é difícil repetir este ano o 4-4-2 que facilmente variava para o 4-3-3, tendo como destaque a parceria entre Dudu e Zé Roberto na esquerda e Luan como segundo atacante. Comentei sobre essa formatação aqui no PoA Geral. 

Os jovens Erik e Evérton são o que mais próximo o Grêmio tem do velocista Dudu. Mas que resposta esses jogadores realmente podem dar? Na lateral-direita, Galhardo e Matías Rodrigues podem ser mais regulares que o competitivo Pará? E na esquerda, a capacidade física e de recomposição de Marcelo Oliveira podem suprir a técnica de Zé Roberto?

Contudo, o maior pepino para Felipão pode estar no lugar em que, aparentemente, estaria a solução. A trinca Douglas, Barcos e Moreno. Bons jogadores, mas que juntos deixam a equipe pesada, sem a mobilidade necessária para a montagem de uma equipe veloz e competitiva.

Qual o esquema melhor se adapta ao grupo gremista? A falta de velocidade e de estatura dos principais jogadores são uma preocupação, além da incógnita que representam ainda alguns jogadores promissores, como o próprio meia Lincoln, tratado pelo clube como jogador acima da média.

No treino de quarta-feira, 28, o técnico gremista sinalizou uma formação sem a presença dos dois centroavantes, no esquema 4-2-3-1, valendo-se de algumas improvisações.

Nessa projeção testada pelo Felipão, Galhardo e Luan seriam os meias abertos, enquanto Marcelo
Oliveira faz dupla com Rhodolfo durante a ausência de Geromel. Moreno seria reserva de Barcos,
porém a presença de ambos na equipe que inicia o Gauchão não está descartada.  

Time Ideal?

Se eu tivesse a difícil missão de definir uma equipe ideal para o Grêmio, usando todos os jogadores do elenco, eu também optaria pelo 4-2-3-1. Apostaria minhas fichas no Giuliano recuperado, na velocidade do jovem Éverton e arriscaria uma dupla de volantes baixos, com Ramiro e Felipe Bastos,  para tentar ter a posse da bola a maior parte do tempo. À primeira vista, não é time para disputar a ponta de cima da tabela do Campeonato Brasileiro, mas encaixado pode, perfeitamente, ser postulante na Copa do Brasil.

Gremio 2015 - Football tactics and formations



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Gestão sóbria deve fazer bem o Grêmio

O Grêmio vem de duas gestões irresponsáveis financeiramente. Primeiro com o presidente Odone em 2011/12 e depois com o presidente Koff em 2013/14. Os dois mandatários, e suas respectivas diretorias, contrataram uma infinidade de técnicos e jogadores caros e, mesmo assim, não levantaram sequer a taça do campeonato estadual. Foram investimentos milionários, em atletas e treinadores que não valiam tanto assim,  e que acabaram dando um retorno nada rentável, muito menos glorioso.

Nesse Grêmio, que passou pela transição Olímpico/Arena, criou-se a responsabilidade de montar um grande time, capaz de vencer títulos na nova casa. Para isso, foi instaurada a megalomania das contratações, dentro de um mercado que, sabemos, exige oferta muito boa para seduzir jogadores badalados a deixarem Rio/São Paulo e virem jogar no Sul. O Grêmio entrou nesse leilão ingrato, e apostou suas fichas nos supervalorizados Barcos, Kléber Gladiador, André Santos, Elano, Fernandinho, entre outros.

A verdade é que o Grêmio montou boas equipes, competitivas, mas muito caras para apenas competirem e viverem de boas campanhas. O tricolor gaúcho teve boas campanhas. Foi vice-campeão brasileiro, terceiro colocado em outra oportunidade, semi-finalista da Copa do Brasil duas vezes e, entre 2011 e 2014 esteve em três Copas Libertadores. Não é pouco mas, historicamente, não representa nada. Quase não empolga um torcedor machucado pela falta de títulos.

Zé Roberto queria permanecer, mas seu salário foi
considerado caro pela nova diretoria

As primeiras semanas de gestão do presidente Romildo Bolzan Jr. são de muita discrição, de passos calculados dentro do mercado da bola. O Grêmio finalmente se deu conta que precisa fechar a torneira, precisa buscar o equilíbrio nas finanças e encontrar uma forma que, à médio prazo, torne o clube autossustentável. 

Isso resultará em títulos? Sinceramente, em 2015, acho improvável. Mas diferente de outras tempos, agora o Grêmio tem um técnico que tem o direito de errar, coisa que Enderson Moreira, por exemplo, não tinha. Era questionado e pediam sua cabeça a cada derrota. A não ser que faça uma campanha excepcionalmente ruim, coisa de brigar para não cair no BR-15, Felipão não será demitido.

Ou seja, terá uma sequência de trabalho, e isso, de fato, pode render frutos ao Grêmio. Com a espinha dorsal de time que fica para a nova temporada, é improvável que se coloque como um dos postulantes às primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Mas é possível montar um time competitivo suficiente para vencer o estatual e a Copa do Brasil.

Não estou dizendo que vai vencer. Contudo, o torcedor não precisa fazer terra arrasada desde então, pensando que time barato não ganha título. É possível sonhar. Mais que isso, é preciso ser responsável e não endividar ainda mais o clube. É hora de evitar o passo maior que a perna. Privilegiar o que já tem em casa e o que vem surgindo da base. Se os dirigentes mantiverem a coerência e não cederem à pressão após a primeira sequência de resultados negativos, o Grêmio, com a Arena e ao lado da torcida, pode fazer a partir de 2015 uma reestruturação financeira importantíssima em sua história. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Projeção, que nada!

Lá no dia 22 de novembro postei aqui no PoA Geral duas projeções de final de tabela do BR-14. Uma com o Inter se classificando na Libertadores, em quarto lugar, com 67 pontos. Na outra, era o Grêmio que se classificava em quarto, também com 67. Imaginando os dois classificados, a única condição que coloquei como possível seria o Cruzeiro campeão da Copa do Brasil, já que sempre achei improvável que o Atlético-MG (campeão da CB) acabasse no G4. Disse ainda que as vagas seriam definidas apenas na última rodada.

Final de semana que se avizinha com a tal última rodada do BR-14 não será tão movimentado na ponta de cima quanto eu projetava. Os classificados para a Libertadores estão definidos, resta saber quem, de Inter e Corinthians, fica com a vaga direta. Acreditava também que Grêmio e Fluminense estariam vivos ainda na rodada derradeira. Diferente do que imaginei, o time de Felipão perdeu para o Coringão de Mano e o Colorado fez seis pontos nos dois jogos em casa contra Galo e Palmeiras. A possibilidade do Inter fazer nove pontos, e não apenas sete, aumentou consideravelmente.

Montagem: PoA Geral - FOTOS: Facebook Inter Oficial / Grêmio Oficial

Por outro lado, o Grêmio tem um final de temporada melancólico, de muitos vacilos e três derrotas seguidas inconcebíveis. Não sou do time que acha o plantel gremista fraco, e vejo muitas virtudes no trabalho feito por Scolari (embora não tivesse concordado com sua contratação), por isso acreditava no Grêmio com fôlego até a última rodada.

Da mesma forma, não considero o ano do Inter tão péssimo quanto pintam. O que o time de Abel tem é dois momentos quem chamam muito a atenção e acabam manchando: as eliminações ridículas na Copa do Brasil e Copa Sul Americana. Fora isto, superando alguns problemas do plantel, o Inter teve um ano razoável, e não será nenhum absurdo uma renovação com o técnico.

E para falar sobre o próximo ano ou até mesmo sobre a última rodada, vou esperar mais um pouco. 

sábado, 22 de novembro de 2014

Dobradinha Gre-Nal na Libertadores é muito difícil

Sobre essa reta final de BR-14, tenho duas convicções. A primeira delas é que a definição do G4 sai apenas com as combinações dos resultados da última rodada. A segunda é que a única chance de Inter e Grêmio irem juntos para a Libertadores é o Cruzeiro sendo Campeão da Copa do Brasil e possibilitando que o quinto colocado também se classifique.

São três rodadas em que tudo pode acontecer. Mas fico com minhas projeções, e entendo que seja improvável que tanto o time de Felipão quanto o time de Abel Braga façam mais de 7 pontos nas próximas partidas. Para isso, sou otimista com o Tricolor e acho que o Grêmio não perde pontos para o Corinthians. Porém para o Inter, estou com o sentimento que em um dos dois jogos em casa (Atlético-MG e Palmeiras), o colorado perde pontos.

Usei o simulador do Globoesporte.com para chegar nas duas possibilidades de tabela que posto logo abaixo. Todos os resultados utilizados foram de 1 a 0 ou 1 a 1 e no item "Últimos Jogos", verde significa vitória, cinza é empate e vermelho é derrota.

Inter Classificado

Nesse cenário o Inter faz o mesmo número de pontos que o Grêmio, mas termina o BR-14 com uma vitória a mais que o rival, ficando na quarta posição. Aqui, coloquei o time do Abelão empatando com o Palmeiras, dentro do Beira-Rio. Se no meio do semana o Cruzeiro conseguir virar sobre o Galo e vencer a Copa do Brasil, com essa tabela o Tricolor Gaúcho também se classificaria.











Grêmio classificado

Aqui, para o time de Luis Felipe Scolari conseguir sua classificação é fundamental não perder pontos para o Corinthians. A partida deste domingo é fundamental. Uma derrota não impossibilitaria matematicamente, mas seria um golpe muito forte para o Grêmio e a combinação de resultados nas duas partidas restantes seria improvável. Na tabela abaixo, para o Tricolor ficar em quarto, o Inter precisaria somar apenas 66 pontos.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Gre-Nal encaminha, mas não define

Não há dúvida que o clássico de domingo é importantíssimo. Até porque quem vencer na Arena fica na frente do rival e, com uma ajudinha de resultados paralelos, também fica muito bem posicionado na tabela. Dois pontos separam o Internacional, terceiro colocado com 56, do Grêmio, sexto colocado com 54 pontos. Portando, quem conquistar os três pontos dá um passo fundamental na briga por uma classificação para a Copa Libertadores.

Contudo, o equilíbrio do BR-14 é tão grande entre aqueles que disputam uma vaga no G4, que perder não significa estar fora da disputa. Do segundo colocado para o sétimo, são cinco pontos de diferença, sendo que ainda ocorrerão alguns confrontos diretos. Atrás do líder e virtual campeão Cruzeiro temos:

2° São Paulo ------ 59 pontos
3° Internacional - 56 pontos
4° Fluminense --- 54 pontos
5° Atlético-MG -- 54 pontos
6° Grêmio -------- 54 pontos
7° Corinthians --- 54 pontos

A tabela nos mostra que há três times, bons times, fora da zona de classificação que, mesmo assim, possuem pontuação para estarem dentro do G4, ficando de fora apenas pelos critérios de desempate. Se estas equipes mantiverem a média de aproveitamento, variando pouca coisa pra cima ou pra baixo, tenho absoluta certeza que a disputa vai até a última rodada. Independente do resultado do Gre-Nal de domingo.

Agora, clássico é um jogo à parte. Quase um campeonato separado, e numa análise de contexto mais ampla que o simples efeito de tabela, o Gre-Nal vale mais que três pontos. Vale a confiança de determinados jogadores para a reta final de campeonato, vale a estabilidade da comissão e do grupo de jogadores para seguir trabalhando com tranquilidade e buscar os objetivos, e vale o apoio e a auto-estima da torcida, que pode inflar com uma vitória sobre o rival.

Os times

Se tivesse que apostar, apostaria que Felipão e Abel Braga não promovem nenhuma surpresa. Escalam dentro daquilo que vem sendo suas equipes dentro das últimas rodadas. O Inter muito provavelmente em um 4-2-3-1, segurando bastante o Aranguiz ao lado de Willians para tentar proteger a zaga formada por jogadores razoavelmente jovens. Se Alex estiver em boas condições, haverá muita troca de posição com o volante chileno, fazendo com que D'Alessandro procure movimentar-se para o meio, abrindo espaço para que Charles Aranguiz se infiltre pela direita. Tal qual foi o primeiro gol contra o Santos, na Vila Belmiro, no final de semana.

Já o Grêmio deve usar três volantes de origem, como vem sendo. Esses nomes podem variar, afinal não há nenhum muito melhor que o outro. Contudo, Scolari optará em posicionar a equipe em um tradicional 4-4-2, fazendo no meio-campo a linha de quatro jogadores que lhe dá a segurança defensiva da equipe menos vazada no BR-14 e a opção de contra-ataque com Dudu e Zé Roberto pela esquerda. Luan deve ficar mais livre, atuando como segundo atacante e Ramiro novamente atuará pelo flanco direito, auxiliando Pará tanto no campo defensivo quanto no campo de ataque.

Se há um favorito, a balança pende mais para o lado colorado. É o time de melhor campanha, sempre esteve à frente do Grêmio e tem um retrospecto recente em clássicos que credencia. A questão anímica pode pesar para o tricolor, estar quase sempre inferiorizando no confronto direto nos últimos anos é sim capaz de afetar o emocional dos jogadores. Ainda mais que o elenco do Inter possui mais jogadores com perfil de decisão, que já demonstraram ser capazes de fazer a diferença em algum momento.

Agora, é importante ressaltar que as duas equipes se equivalem. Vivem momentos similares tecnicamente. A motivação gremista em finalmente vencer seu primeiro Gre-Nal na Arena é relevante e coloca um ingrediente a mais no clássico. Só resta torcer que seja um clássico jogado essencialmente na bola, sem polêmicas nem picuinhas, só com bola na rede.


Gremio vs Internacional - Campeonato Brasileiro - 9th November 2014 - Football tactics and formations
Inter no 4-2-3-1, apostando na variação entre Alex e Aranguiz para confundir a marcação do tricolor.
Já o Grêmio no 4-4-2 que permite variação para o 4-3-3, avançando Dudu e segurando Ramiro. Mas Felipão pensa, primeiramente, em proteger seus sistema defensivo.

domingo, 5 de outubro de 2014

Dupla Gre-Nal e o balde de água fria

Grêmio 0 x 1 São Paulo

O Grêmio perdeu a chance de entrar no G4. Só dependia dele, e isso tem sido um problema para o clube nos últimos anos. O tricolor gaúcho tem sérias dificuldades em vencer jogos realmente decisivos, mesmo tendo bom time. Bom time, aliás, que é esse São Paulo de Kaká, Pato, Ganso e Kardec.

A equipe de Felipão parou em seu pragmatismo, em sua incapacidade de surpreender o adversário. Diferente do adversário paulista, que conta com um quarteto ofensivo entrosado, que ocupou bem os espaços no gramado e usou da técnica e do improviso para envolver a boa marcação gremista a maior parte das vezes. Do outro lado, Luan, Dudu e Barcos não conseguiram o mesmo, e quando tiveram chance, pararam em Rogério Ceni.

Embora seja um balde de água fria na excelente sequência de jogos sem perder que o Grêmio vinha tendo, o tricolor segue no bolo de cima, segue candidato a uma vaga para a Libertadores. Dentro de suas possibilidades, o Grêmio de Felipão segue bem.

Agora, é curioso reparar nos cinco maiores públicos recebidos na Arena: Grêmio 1 x 0 San Lorenzo (30/04/2014 - Libertadores - 47.244 mil); Grêmio 0 x 1 São Paulo (04/10/2014 - Brasileiro - 46.441 mil); Grêmio 0 x 0 Atlético-PR (06/11/2013 - Copa do Brasil - 43.899 mil); Grêmio 0 x 0 Newell's (14/03/2013 - Libertadores - 43.628 mil); Grêmio 1 x 0 LDU (30/01/2013 - Libertadores - 41.461 mil). Ou seja, em três jogos eliminatórios, o Grêmio foi eliminado duas vezes (contra CAP e San Lorenzo) e nas duas partidas valendo pontos, somou apenas um (empate com o Newell's).

Cruzeiro 2 x 1 Internacional

Bruno Alencastro / Agência RBS
O colorado até equilibrou o jogo no segundo tempo, sobretudo após o Cruzeiro perder um pênalti quando já vencia por 2 a 0. Depois disso, o Inter logo fez o seu gol, com Alex chutando de longe. O meia ficou no banco por opção de Abel Braga e entrou no segundo tempo para ser o melhor jogador do time gaúcho na partida.

O técnico se equivocou na escolha da estratégia. Buscando uma escalação mais equilibrada e capaz de marcar melhor o líder Cruzeiro, desfalcado do destaque dos último jogos Eduardo Sasha, Abelão optou por colocar dois volantes na frente da zaga, Willians e Welington, e apostar na velocidade de Valdívia ao invés da cadência de Alex. O treinador trocou o eficaz 4-1-4-1 por um contido 4-2-3-1, que tem sempre como grande defeito o chileno Aranguiz na linha de três meias.

No segundo tempo, o chileno recuou após a saída de Wellington para a entrada de Alex. O Inter ganhou agilidade na transição e maior capacidade de retenção no meio. Mas foi pouco. O Cruzeiro dominou a maior parte do jogo, assumindo sua condição de líder e melhor time do BR-14, cada vez mais próximo do título.

Agora, um Inter tem tido problemas nos confrontos diretos. Contra Cruzeiro, São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Corinthians, até agora, forma 18 pontos disputados e apenas 3 conquistados. Um aproveitamento de 16,6% contra os rivais da ponta de cima. Ganhar apenas do Grêmio é pouco para quem almeja (e tem condições para) ser campeão.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Regularidade é um dos méritos do Grêmio de Scolari

O Grêmio fez bom jogo contra o Fluminense, no Maracanã, na noite de quarta-feira, 24. Mesmo que não tenha vencido, ou que Marcelo Grohe tenha que ter feito algumas boas defesas. O fato é que mais uma vez a equipe não sentiu o fato de estar jogando fora de casa, soube agredir o adversário e manteve-se como a defesa menos vazada do BR-14. O Grêmio do técnico Luiz Felipe Scolari adquiriu corpo, ganhou cara e estilo e, sobretudo, está mantendo a regularidade.

É justamente essa regularidade que faz com que o time seja um dos postulantes a vaga na Libertadores. São pequenos direitos que as equipes vão ganhando ao longo da competição. Há três ou quatro rodadas o Grêmio conquistou esse direito de ser um dos que disputam a ponta de cima. Na classificação de momento, antes do final da rodada, nesta noite de quinta-feira, o Tricolor é o quarto, tem 40 pontos. Mas pode ainda ser ultrapassado pelo Atlético-MG, no entanto não se distancia do G4.

Felipão tem como base o 4-3-3 e, a partir deste sistema, executa pequenas variações dentro das partidas. Contudo, a estratégia é basicamente a mesma em qualquer circunstância. A marcação é quase que prioridade, não à toa tem a melhor defesa, tendo tomado apenas 14 gols, mas um dos piores ataques, com 19 gols. O líder Cruzeiro já marcou 49, o vice Internacional 31 e o terceiro São Paulo tem 42 gols. Time base:

 Gremio - Football tactics and formations

As variações táticas passam por mudanças de posicionamento de alguns jogadores. Para se defender, por exemplo, o Grêmio se recolhe em um 4-1-4-1, geralmente quando Giuliano está no time. Contra o Fluminense, Felipão se defendeu em um 4-4-2, deixando Luan como companheiro de Barcos, criando uma opção mais razoável de contra-ataque. Veja o posicionamento defensivo no Maracanã: 

Gremio - Football tactics and formations

Apesar de ter valorizado a posse de bola em alguns momentos contra o Fluminense, tentando não desperdiçar o controle das ações enquanto o adversário não dava espaço, esta não é uma característica latente da equipe de Felipão. Geralmente o Grêmio opta pela objetividade, se aproveitando da verticalidade de Dudu, Luan e da boa capacidade de Barcos reter a bola e esperar a infiltração de quem vem de trás. É uma mecânica de jogo pragmática e eficiente, similar àquela implementada por Renato Portaluppi na campanha de vice-campeão brasileiro do ano passado.

Já são oito jogos seguidos sem perder, sendo cinco vitórias e três empates. A última derrota foi para o Cruzeiro, no Mineirão, dia 21 de agosto. Naquela oportunidade, apesar do resultado negativo, o Grêmio teve boa atuação, deixando o líder marcar apenas nos minutos finais.

Se não é postulante ao título, nem tem como certo a vaga na Libertadores, é ao menos regular o time de Felipão. Fator que já o credencia a ficar no bolo de cima pelas próximas rodadas e brigar por uma vaga no G4. Entendo que o BR-14 tenha no atual cenário seis equipes (do 2° Inter ao 7° Atlético-MG) lutando por três vagas.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A coragem e a atitude de Aranha

Ah, se tivéssemos mais Aranhas e menos Pelés. E não falo do futebol, da técnica, do jogo. Falo da atitude, do discurso e da coragem. O goleiro santista enfrentou uma Arena completamente hostil em seu retorno, após sofrer injúrias raciais naquele mesmo estádio. Foi recebido como se ele, mais que adversário, fosse o criminoso, quando na verdade, do episódio todo, foi a vitima. São coisas que se distorcem no futebol, que infelizmente habitam o imaginário popular, como se dentro de campo valessem outras regras, como se fosse tudo permitido.

Aranha, contra tudo e contra todos, mesmo após ser criticado por Pelé, negro como ele, maior ídolo do clube que defende e maior atleta da história do esporte do qual ganha a vida, mesmo voltando a ser hostilizado pela mesma torcida que alegou que o racismo não a representa. Aranha, mesmo assim, entrou em campo e jogou futebol, aparentemente tranquilo e muito exitoso, evitando o gol do Grêmio em mais de uma oportunidade. Fora de campo, após o jogo, também não se mostrou afetado pelas críticas. O goleiro manteve o discurso forte e necessário para o combate ao racismo.


O santista foi vaiado a noite inteira. Bastava encostar na bola. Em sua avaliação, foram sim vaias diferentes. O atleta tem razão. "Por que foi diferente? Foi diferente por tudo o que aconteceu. Nunca me senti tão mal jogando em um lugar como me senti hoje. Cobraram o perdão, mas não tem como perdoar um pessoal desse. Muita gente morreu, muita gente sofreu, muita gente lutou bastante pelos direitos. Fazer o quê? Paciência. Eu vim, joguei futebol, dei o meu melhor, lutamos. Tudo o que aconteceu era tudo o que se esperava. Eu, sinceramente, esperava ser recebido de outra maneira, porque acreditava que a grande maioria do torcedor gremista tinha repudiado, mas, pelo que vi hoje, eles concordam", declarou na saída de campo.

O atleta tem o meu respeito e a minha admiração pela coragem de não baixar a cabeça e fingir que não é com ele, perpetuando o pensamento mágico que é pior se incomodar e dar moral pra racista. O que o Aranha fez é muito diferente de dar moral, ele denunciou um crime, algo que, aliás, era corriqueiro na torcida gremista, acostumada a usar o termo "macaco" há mais de décadas.

"Eu perdoaria, abraçaria, mas ela [Patrícia] tem que pagar pelo que fez. Não quero circo, não quero palhaçada, não quero levar vantagem nenhuma. Faria isso para ela, não para a imprensa explorar", completou o goleiro, deixando claro que não quer fazer do episódio um show midiático.

Parabéns Aranha, pelo discurso, pelo posicionamento e pela coragem. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Punição ao Grêmio é justa, mas o que muda?

O fator pedagógico é importante. Já lembraram que em outros momentos as punições a clubes por causa de objetos lançados a campo por torcedores era comum. Este é um cenário que mudou bastante, de tanto que puniram as agremiações, o fator pedagógico condicionou torcedores a quase não cometerem mais infração de tal natureza. O que me leva a acreditar, de forma otimista, que a eliminação do Grêmio na Copa do Brasil e a multa de 50 mil reais por conta das injúrias raciais de torcedores dirigidas ao goleiro Aranha, do Santos, é começo definitivo para a mudança de comportamento, pelo menos dos, gremistas - habituados a chamar colorados de macaco sob o disfarce de folclore, e outras desculpas.

Contudo, o julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) deixa no ar inúmeras questões completamente discutíveis. O melhor texto que li a respeito, até então, foi do José Antônio Lima, publicado hoje no blog Esporte Fino, da Carta Capital. O jornalista é um crítico do trio que traz mais problemas que soluções ao futebol brasileiro (quando deveria ser exatamente ao contrário): CBF, Globo, STJD.

Entre outros aspectos, Lima faz o seguinte apontamento:
"A punição ao Grêmio foi, também, duplamente conveniente para o complexo da CBF. Por um lado, o tribunal mostrou “força”, e fez isso em cima de um time virtualmente eliminado da competição de que foi excluído. Fez, também, em cima de determinados torcedores, claramente culpados, é verdade, mas sem direito à defesa, o que é grotesco, e cuja punição não será fiscalizada, como é óbvio. Ao mesmo tempo, a decisão joga a tarefa do combate ao racismo sobre os clubes, isentando a CBF de qualquer obrigação a respeito de ações que eduquem jogadores, torcedores e clubes sobre o tamanho do problema. Com a punição do Grêmio, passa-se a sensação de que “algo está sendo feito”, ainda que na verdade nada tenha mudado."
Corroborando com a opinião do blogueiro, um levantamento da Folha de São Paulo, do dia 31 de agosto, destaca 12 denúncias de racismo no futebol brasileiro em 2014. Além de ser lamentável que o Grêmio esteja envolvido em duas das denuncias, é pertinente notar que todas as outras penas são relativamente brandas, muitas delas sendo ainda amenizadas após recurso no STJD.

Como se não bastasse, Ricardo Graiche, um dos cinco auditores que votou pela punição do clube gaúcho, foi flagrado em 2012 postando conteúdo preconceituoso e racista em sua conta no Facebook (imagens abaixo). Portanto, é necessário se dar conta:

- O racismo não se resume a poucos torcedores, tampouco a torcidas organizadas. É uma doença social;
- A punição contra o Grêmio, apesar de questionável, é justa e pode ter um significado importante para o futuro do clube e a relação com seu torcedor;
- Não podemos nos deixar enganar por medidas pontuais, principalmente vindas da CBF e STJD.



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O racismo por osmose

Há muitas coisas a serem ditas sobre o racismo no Brasil, sobre o racismo na sociedade, sobre o racismo no esporte, o racismo nos estádios de futebol e o racismo por parte de alguns torcedores gremistas. Evidente que não vou conseguir abraçar o mundo neste único texto, mas vou tentar enfatizar alguns pontos que considero, por agora, mais relevantes.

O primeiro é sobre o Grêmio. O clube como instituição, estigmatizado por décadas como uma agremiação de origem alemã, com sérios problemas para aceitar negros no elenco durante a primeira metade de sua existência. É um passado que não pode ser negado - mesmo que, à época, discriminar afrodescendentes não era privilégio apenas do tricolor. Já passou da hora do clube combater este estigma da forma mais veemente possível, e o primeiro passo é entender os erros outrora cometidos. O segundo, é admitir que os cânticos tradicionais da torcida gremista em que se refere a colorados como "macacos" é sim de origem racista, mesmo que atualmente perca parte de seu sentido racista (mas de intenção ainda ofensiva) quando bradada por uma multidão que não está, naquele instante, raciocinando sobre o que faz ou fala. A multidão quer apenas ver seu adversário sendo depreciado.

É fundamental que, se o Grêmio quer ser levado a sério em suas campanhas antirracismo, passe a combater essa "tradição" de chamar o arquirrival de macaco. É um tipo de movimento que precisa também ser adotado por todos os bons torcedores do clube, que entendem a gravidade do ato e a imensurável carga pejorativa que carrega a palavra "macaco", principalmente quando dita a uma pessoa negra.

Osmose
A menina flagrada pelas câmeras da ESPN chamando o goleiro Aranha, do Santos, de macaco cometeu um crime e precisa arcar com as consequências, sejam elas quais forem. Contudo, ela não pode servir como boi de piranha, enquanto outros tão culpados quanto, saiam limpos dessa história - e de tantas outras histórias já passadas.

Ela estava ali, e como que por osmose, da mesma maneira de outros tantos imprudentes, foi racista sem necessariamente raciocinar sobre a gravidade daquilo que dizia contra o arqueiro santista. Isso é relativamente comum em meio à multidões, nos mais variados delitos. Mas continua sendo delito. Continua sendo crime. Continua sendo racismo. A menina, e mais uma dezena que estava ali na volta, protagonizaram mais um episódio triste dentro de estádios de futebol, resultando em uma reação compreensível do atleta repercussão midiática merecida, e que pode servir como estopim para o Grêmio ultrapassar a fase de largar notas de repúdio e partir para ações mais pesadas.

Bem mesmo fez a Torcida Jovem do Grêmio, que já avisou. Esse é o primeiro passo (de muitos outros que precisam ser dados):


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Grêmio não transforma bom desempenho em vantagem

O Grêmio é definitivamente um caso a ser estudado. Pois no século XXI, o Grêmio parece fadado ao fracasso, sem aptidão de decidir grandes jogos e, tampouco, ganhar títulos, mesmo tendo bons times e fazendo boas campanhas. Venho batendo muito nessa tecla há bastante tempo, e essa espécie de falência anímica voltou a aparecer na Arena, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, na noite desta quinta-feira. É possível jogar bem e perder por 2 a 0? Talvez seja.

O time de Felipão iniciou apresentando uma mecânica de jogo consistente, marcando e atacando com tranquilidade, valorizando a posse de bola e usando do artifício de variações táticas. Sem a bola, um 4-4-2 em duas linhas, com Dudu fechando o meio pela esquerda, Giuliano na direita enquanto Ramiro e Walace atuaram por dentro. Com a bola, um 4-3-3 muito bem definido, com Giuliano se postando quase ao lado de Ramiro e o jovem Walace recuando, geralmente cobrindo as excelente subidas de Zé Roberto. Esse é sim um Grêmio promissor. Que teve seus pecados, e o maior deles foi, sem dúvida, não fazer gols.

Divulgação Grêmio FBPA

O gol do bom time do Santos mudou a postura das equipes. O time gaúcho sentiu, e a equipe de Oswaldo de Oliveira soube se aproveitar do momento de vacilo gremista para ampliar ainda no primeiro tempo. Quase que em duas situações isoladas. O Santos soube decidir. O Grêmio, mais uma vez não conseguiu ser decisivo. É um problema, e se paga por isso.

O Peixe começou a partida no 4-3-3, tendo na frente Thiago Ribeiro na esquerda, Gabriel na direita e Robinho atuando de forma inteligente como "falso 9", flutuando pelo centro, buscando atuar no vácuo entre as linhas gremistas. É um movimento que naturalmente abriria espaço para a penetração em diagonal dos dois pontas, coisa que pouco aconteceu.

Na segunda etapa, duas modificações: Biteco no lugar de Walace e Alan Ruiz no lugar de Luan. O posicionamento permaneceu basicamente o mesmo, com as mesmas variações. O Grêmio imprimiu mais uma vez um bom ritmo, sempre rondou a área santista, porém insistiu muito pela esquerda, com Dudu, que fez boa partida, mas era preciso explorar o outro lado do campo também, tentar abrir a defesa santista. A certa altura entrou o lateral Mattias Rodrigues na direita, jogador de características ofensivas. Ele não foi acionado nenhuma vez.

É quase certo que o Grêmio não classifica, é muito difícil que reverta esse resultado na Vila Belmiro, por mais que faça uma boa partida. Agora, é preciso ter frieza na avaliação interna visando a continuidade do trabalho. Felipão parece ter encontrado uma maneira equilibrada de jogar, e seria um equivoco recuar e buscar uma mudança de equipe, por mais que isso soe contraditório após uma derrota de 2 a 0. Com um pouco mais de competência é possível buscar coisas melhores no Brasileirão.

Racismo
Está mais do que na hora da instituição Grêmio combater com mais ênfase a questão das manifestações racistas de alguns setores da torcida. É um problema histórico e não se pode mais negar esse grave problema. É preciso banir esse tipo de criminoso dos estádios, e se faz necessário que o torcedor gremista de bom senso também passe a combater o racismo. O episódio ocorrido durante o jogo, com torcedores (identificáveis) agredindo o goleiro Aranha com ofensas racistas foi triste e revoltante.

A reação de irritação e desconformidade do goleiro santista é correta. É preciso escancarar, denunciar, buscar que a justiça atuem sobre essas pessoas que são burras, atrasadas e criminosas.  

domingo, 17 de agosto de 2014

Grêmio de Felipão segue sendo uma incógnita

O tricolor gaúcho teve uma atuação razoável para conseguir vencer o Criciúma na tarde deste domingo, na Arena. A vitória de 2 a 0 ficou de bom tamanho. Scolari, a exemplo do que fez para o Gre-Nal, modificou consideravelmente a equipe. Não podendo contar com Pará e Barcos, o Grêmio foi à campo no 4-3-3, com Zé Roberto fazendo boa partida na lateral esquerda, Matías Rodrigues muito discreto na direita, Ramiro, Riveros e Felipe Bastos como meio-campistas e, na frente, Dudu, Lucas Coelho e Luan. O meia Giuliano ficou na reserva, primeiro por estar com dores e segundo por uma opção do técnico em tem uma equipe mais combativa.

Mauro Vieira / Agencia RBS

O ideia do 4-3-3 é interessante e, acredito, plausível de ser aplicada com esse grupo de jogadores. Mas, talvez não com esses 11 que venceram o Criciúma, equipe notadamente pouco qualificada deste BR-14. Pelo rendimento de Matias Rodrigues, o retorno de Pará é inevitável. O atacante Barcos, apesar de tudo, é mais jogador de Lucas Coelho e tem lugar na equipe. Na lateral esquerda Zé Roberto foi muito bem, aguentou os 90 minutos, mas pode ter problemas com uma sequência mais pesada. Na trinca de meio-campistas, Felipe Bastos parece ter conquistado a confiança de Felipão. Mais uma vez fez boa partida. Quanto a Giuliano, tem muita qualidade e pode, se estiver inteiro, ser um dos jogadores do meio.

Mas em sua coletiva após o jogo Felipão deu a entender que haverá mais mudanças para enfrentar o Cruzeiro no Mineirão e deixou claro uma intenção de ter um time que muda a cada rodada, conforme a necessidade do adversário. Ou seja, tão cedo não saberemos que cara terá o Grêmio. Pode até funcionar, mantendo uma espinha dorsal e modificando sensivelmente o esquema: do 4-3-3 para o 4-2-3-1, por exemplo.

Contudo, um aspecto me preocupou da entrevista do técnico gremista. Segundo ele, Ramiro não precisava jogar, precisava apenas marcar e não deixar Paulo Baier ter liberdade. O Criciúma tem uma dos piores times da competição, o meia em questão tem 40 anos, se movimenta pouquíssimo e mereceu marcação individual por parte do Grêmio. E contra um Cruzeiro, Felipão vai marcar individualmente todo o time da Raposa? O futebol moderno não admite mais esse tipo de estratégia, sobretudo em um time de certa qualificação como é o do Grêmio, com total condição de exercer marcação por zona, roubada de bola no campo do adversário e posse de bola. Quando você se propõe a marcar individualmente você se desgasta mais, corre mais atrás da bola e possivelmente cometerá mais faltas. Acho este um conceito preocupante caso passe a ser usado com mais frequência. Sobre o rodízio, é mais provável que funcione.

domingo, 10 de agosto de 2014

Inter impõe superioridade em clássico equilibrado

Se algo de bom é possível o Grêmio tirar de mais uma derrota em Gre-Nal é a oportunidade de pisar os pés no chão, acabando com a ilusão que o simples retorno de Felipão traria de volta o time multicampeão dos anos 90.  O técnico até tentou mudar a fotografia da equipe: escalou Ramiro na lateral direita, Pará na esquerda, promoveu o retorno de Werley na zaga e Rodriguinho no meio e ainda as estreias dos volantes Felipe Bastos e Walace, de 19 anos.

O clássico, contudo, foi equilibrado a maior parte do tempo. Abel Braga optou pelo 4-2-3-1, sacando Alan Patrick e colocando Aranguiz na linha de três meias, mantendo Willians e Wellington como dupla de volantes. Do outro lado, o Grêmio atuou no 4-1-4-1, tendo o jovem Walace como jogador posicionado à frente da linha defensiva. O estreante foi apenas discreto, e talvez o tricolor precisasse mais do que um jogador discreto.

O Grêmio começou o jogo cometendo muitas faltas e se preocupando em não deixar o Inter articular. A partir dos 20 minutos do jogo o time de Felipão parecia ter acertado seu jogo, conseguindo trocar a bola e assustar o rival através de investidas e chutes de média distância. O sensível predomínio do Grêmio, entretanto, durou até os 16 minutos da segunda etapa, quando o Internacional fez boa trama pela esquerda e abriu o placar com gol de cabeça do chileno Aranguiz. Era a primeira chance de gol colorada.

Diego Guichard/GloboEsporte.com

O Inter tomou conta do Gre-Nal 402 a partir de então. O Grêmio faliu animicamente e não se acertou mais. O segundo gol foi consequência. A partida é uma espécie de retrato do futebol gaúcho nos últimos dez anos. Enquanto o time do Beira-Rio se agiganta em jogos decisivos, sobretudo contra o rival, a equipe tricolor perde confiança ano após ano e escancara uma dificuldade tremenda em vencer partidas fundamentais.

Jogadores inteligentes dentro e fora de campo, como D'Alessandro e Alex, além da qualidade técnica, possuem uma compreensão tática diferenciada, e um espírito de liderança dentro das quatro linhas que acabam ajudando o Internacional a se impor nos clássicos diante do Grêmio. Foi o que aconteceu neste domingo, no primeiro Gre-Nal do Beira-Rio remodelado. 

A vitória credencia o Internacional a buscar o líder Cruzeiro. O time de Abel Braga tem capacidade. Ao Grêmio, resta trabalhar, tentar mudar cada vez menos e buscar resgatar a confiança do grupo de jogadores.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Grêmio da falta de convicção e do pensamento mágico

O primeiro pensamento mágico da atual gestão do Grêmio é ela mesmo. Apostou-se que Fábio Koff voltaria à presidência do clube para reconquistar os títulos que há mais de década o tricolor não ganha. Apesar de uma razoável administração fora do campo, dentro dele foram prometidas metas que não passaram perto de serem cumpridas. A não ser que vença o improvável BR-14 ou a possível, porém complicada, Copa do Brasil. As fórmulas que deram certo nos anos 80 e 90 não funcionam mais em 2014. Por mais competente que seja - e Fábio Koff é -, é demasiado imaginar que uma pessoa seja capaz de descer ao vestiário, impor respeito a comissão técnica e jogadores, motivar, contratar, atuar politicamente nos bastidores e levar nas costas um clube de futebol à conquistas.

O segundo pensamento mágico foi a contratação de Renato Portaluppi ano passado, após a saída de Vanderlei Luxemburgo. O maior jogador da história do Grêmio voltava para reatar a parceria vitoriosa com o presidente em 83 e, principalmente, servir como atrativo para o torcedor comparecer em maior número na Arena.

Antes de fechar os dois anos da atual gestão, o Grêmio parte para mais um pensamento mágico na tentativa de voltar às suas maiores glórias. Depois da demissão de Enderson Moreira, Koff foi a São Paulo buscar Luiz Felipe Scolari. O treinador multi-campeão pelo tricolor gaúcho retorna depois de 18 anos e, assim como Portaluppi, tentará repetir a pareceria vitoriosa da metade dos anos 90.

Convicção
Ao final de 2014, a gestão Koff completará 24 meses no comando do Grêmio e quatro treinadores contratados. Na média, uma troca a cada seis meses. A partir desse ponto, é possível constatar alguns aspectos. Primeiro, e mais fundamental: não há convicção. No início de 2013 o departamento de futebol acertou a renovação com Luxemburgo a contragosto. Não era o nome preferido da diretoria. Na sequência, Renato Portaluppi foi segundo colocado no Brasileirão e descartado, sem receber uma merecida valorização por parte do clube. Então aparece Enderson Moreira, que é mantido mesmo após os fracassos no Gauchão e na Libertadores. Faz um Campeonato Brasileiro razoável e quando recebe peças de qualidade é dispensado na primeira derrota. E se vencesse, seguiria? Com que respaldo?

Aliás, os profissionais que vem atuar pelo Grêmio, sentem-se respaldados pela diretoria? Falo de jogadores, preparadores físicos, auxiliares, técnicos etc. Ninguém trabalha tranquilo sabendo que pode ser demitido a cada rodada ou execrado a cada gol perdido.

Felipão
O novo treinador gremista é um vencedor inquestionável, de carreira gloriosa, de muito mais acertos que erros. Ficou marcado pela última passagem na Seleção, após uma péssima Copa do Mundo. O que não significa que fará um péssimo trabalho no Grêmio, assim como seu passado também não é garantia de glória no presente. 

Com todo respeito que merece, pois não acho que seja ex-técnico, apesar de entender que seja sim defasado para assumir uma Seleção Brasileira, Scolari volta ao Grêmio para ganhar um salário astronômico e fazer pouco mais, talvez, do que Enderson. E ter menos tempo para trabalhar, e menos possibilidade de ganhar um título.

Acredito que não seja saudável para os cofres do Grêmio, tampouco para a imagem vencedora de dois ícones da história do clube como Koff e Felipão, que se arriscam agora a uma trajetória que tem tudo para ser mais uma razoavelmente boa, mas sem títulos - como tem sido os últimos anos do tricolor gaúcho.

Tomara que eu morda a língua.

domingo, 18 de maio de 2014

Bota essa na conta do Grohe

Em campeonato de pontos corridos, no final das contas, o importante é pontuar. Na Libertadores, por exemplo, contra o San Lorenzo, na Arena, o Grêmio fez melhor partida, fez o mesmo 1 a 0 e caiu fora do torneio. Hoje não. A equipe de Enderson Moreira foi inferior ao Fluminense em boa parte do jogo e mesmo assim construiu uma vitória importantíssima, que deixa o tricolor gaúcho dentro do G4, na terceira colocação, com 10 pontos somados.

O goleiro Marcelo Grohe fez pelo menos três defesas de grau elevadíssimo de dificuldade, em jogadas que o Fluminense inclusive poderia ter aberto o placar. A mais destacada delas, sem dúvida, a cabeçada de Fred ainda no primeiro tempo, em que o centroavante da Seleção Brasileira sobe sozinho na risca da pequena área e golpeia de cabeça, para baixo, fazendo a bola quicar antes de ir em direção ao gol de Marcelo. Coisa de milésimos de segundos, à queima roupa. Grohe se joga para o seu lado direito e tapeia a bola que entraria no canto superior. Foi ao melhor estilo Gordon Banks na Copa de 1970. Sem exagero.


O Fluminense, entretanto, é uma equipe forte, que volta a praticar bom futebol com a chegada de Cristovão Borges. O técnico tem à sua disposição, basicamente, o mesmo time campeão brasileiro em 2012, inclusive utilizando o mesmo esquema, o habitual 4-2-3-1. O time carioca veio para somar pontos e conseguiu ter a posse da bola a maior parte do tempo.

Do outro lado, o Grêmio ainda tem alguns problemas estruturais, mas segue sendo um time bastante competitivo. Com Edinho suspenso, Ramiro e Riveros fazem uma interessante dupla de volantes, contudo sentiram falta de uma maior entrega da linha de meias. No 4-2-3-1 de Enderson Moreira, ainda falta velocidade e intensidade no lado direito e um pouco mais de compreensão na hora de marcar. Os laterais do time carioca, Bruno e Carlinhos, tiveram demasiada liberdade.

Luciano Leon / Futura Press / Agência Estado
Mas o torcedor do Grêmio tem boas notícias, principalmente olhando para as próximas rodadas. Rodriguinho, autor do único gol do jogo, parece ser uma afirmação. O meia consegue imprimir certa velocidade, descolar boas assistências e ainda por cima se desprender o posicionamento inicial e entrar dentro da área. Esse é fator é fundamental para uma boa mecânica de jogo, as peças precisam se movimentar em harmonia. Além disse, Zé Roberto vem se mostrando boa alternativa para o segundo tempo, assim como Maxi Rodrigues, que parece estar retomando a confiança. Na mesma levada de otimismo, logo retorna o zagueiro Rhodolfo à titularidade e ao grupo o atacante Kléber. 

Porém, se tratando deste domingo, 1 a 0 sobre o Flu: pode botar na conta de Marcelo Grohe.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Enderson Moreira pensou corretamente, mas agiu errado

A avaliação estratégica do técnico gremista sobre a partida contra o San Lorenzo foi correta. O Grêmio precisava buscar um resultado adverso, precisava de presença no campo ofensivo, era necessário amassar o adversário e mesmo assim não descuidar lá atrás. Não haveria de ser uma tarefa fácil, embora tivesse o Grêmio uma Arena lotada a seu favor e, mais importante, um time mais qualificado que seu oponente. Mas o fato é que jogos eliminatórios são compostos por requisitos únicos, fatores emocionais, anímicos, técnicos e táticos que mudam da água pro vinho a cada minuto que se passa e o resultado não aparece. E o que vemos nos últimos 10 anos é um Grêmio com sérias dificuldades de superar cada uma dessas adversidades próprias da hora decisiva.

Enderson fez certo ao sacar Ramiro do time e escalar no equilibrado 4-2-3-1, com Edinho e Riveros protegendo a zaga e apostando na desenvoltura dos três meias Dudu, Zé Roberto e Luan para tramarem com Barcos as oportunidades que levariam o Grêmio ao sucesso. Mas o Grêmio teve problemas de posicionamento e conflito de característica. Falta ao excelente Luan vitalidade e verticalidade para ser o meia-atacante aberto pela direita. Tanto para atacar quanto para auxiliar Pará na marcação e saída de bola. O Grêmio sofreu muito por aquele lado. Luan rende mais como segundo atacante, próximo da área, sem se desprender muito do centravante.

Zé Roberto, centralizado, não tem a característica do armador, tampouco do ponta-de-lança que vai ingressar na área e aparecer como finalizador. O camisa 10 rende melhor quando cai por uma das beiradas do campo. A inversão de posição com Luan, sobretudo no primeiro tempo, quando a equipe poderia sofrer menos com afobação, traria um acréscimo importante na dinâmica de jogo do Tricolor.

Na média, o Grêmio não fez um jogo ruim. Seja como for, e em jogo eliminatório situações adversas somam-se à história da partida a cada instante, o time de Enderson Moreira buscou o gol, amassou o adversário quando pôde, desperdiçou chances. Mas novamente, como acontece há uma década, faltou o algo a mais.

Diego Vara / Agencia RBS
Nos melhores momentos da segunda etapa o Grêmio teve aquilo que não teve com a escalação inicial: boa ocupação de espaço e intensidade. A equipe ganhou nesses dois aspectos com as entradas de Rodriguinho e Maxi Rodrigues, jogadores que podem não ser mais qualificados tecnicamente que Zé e Luan, mas naquele momento atendiam à necessidade estratégica que o treinador precisava: velocidade, imposição física, insistência na jogada e pressão na saída de bola.

No 4-4-2, sempre mantendo dois homens preocupando o sistema defensivo gremista, o San Lorenzo demostrou suas fragilidades. Por pouco não vazou mais de uma vez. Contudo fez o jogo correto e teve chances de matar a partida no contra-ataque - o que acabou fazendo depois, nos pênaltis, com frieza. Tendo a capacidade de decidir que há muito não se vê em boas equipes montada pelo Grêmio.

E o detalhe é esse. Boa equipe do Grêmio, em processo de construção, com um treinador que tem lá seus equívocos, mas vai fazendo um trabalho razoavelmente bom. Que infelizmente ainda não se traduziu em título e acaba sendo subestimado devido à sapatada no Gre-Nal. A instituição Grêmio precisa mostrar força, convicção no trabalho e respaldo aos profissionais que se empenharam ao máximo para tentar passar de fase na Libertadores. Se o Presidente Koff decidir que precisa trocar de técnico pela terceira vez em menos de dois anos, fica evidente que o problema não é o comandante.

domingo, 27 de abril de 2014

Grêmio e Inter têm jornadas distintas no final de semana

Botafogo 2 x 2 Internacional
A equipe de Abel Braga fez um baita primeiro tempo, envolveu o combalido Botafogo e podia ter feito mais que dois gols. A vitória seria um passo inestimável rumo à liderança, principalmente por se tratar de um jogo fora de casa, contra um clube grande, e se constituindo na segunda vitória consecutiva. O Inter do primeiro tempo é promissor e deve ser perseguido por Abel a cada treinamento.

Mas a segunda etapa foi desastrosa. O colorado faliu tecnicamente. O apagado Alan Patrick saiu para a entrada de um desembocado Otavinho. D'Alessandro não conseguiu chamar o jogo pra si, teve má jornada o argentino e Dida falhou em pelo menos um dos gols do Botafogo. O time carioca teve modificações no segundo tempo, voltou mais veloz, sem Jorge Wagner e Aírton, e contou com a tarde inspirada de Emerson Sheike.

Não foi o resultado dos sonhos. A vitória parecia certa e o Inter deixou os três pontos escapar por entre as mãos. Contudo, na análise fria de projeção de tabela, um empate fora de casa frente ao Botafogo é, no mínimo, razoável.

Grêmio 2 x 1 Atlético-MG
Para o Grêmio, foi o resultado dos sonhos. Quem apostaria que os reservas do Tricolor Gaúcho, que vem de três derrotas consecutivas de seus titulares, venceriam o atual campeão da América? Os três pontos são fundamentais para que o Grêmio não fique tão atras assim na busca pelas primeira posições do BR-14. Outro fato importante é a retomada de confiança, mais por parte da torcida do que dos jogadores. Afinal poucos ali jogarão na quarta-feira contra o San Lorenzo.

A equipe de Enderson Moreira se portou bem e soube explorar o momento de instabilidade do Galo, que teve a estreia do novo técnico Levir Culpi e vive na Libertadores situação de desvantagem, assim como o Grêmio. Na pratica, a vitória tem efeito imediato apenas no Brasileirão. O jogo contra os argentino tem outra conotação, outra motivação e, o mais importante, outros jogadores.

domingo, 20 de abril de 2014

Sistema ofensivo gremista falha na estreia do BR-14

É estranho afirmar que o Grêmio jogou bem contra o Atlético-PR. Não foi exatamente uma boa partida, mas a verdade é que a derrota no Gre-Nal multiplica o peso de qualquer resultado que não seja a vitória. É preciso analisar a estreia no BR-14 de forma isolada. O time de Enderson não foi pior que a equipe paranaense, foi um jogo equilibrado, com um domínio mais acentuado para a equipe gaúcha, porém quem aproveitou a chance que teve foi o zagueiro Dráuzio, destaque na finalização fundamental e também na boa marcação individual a Barcos.

O gol saiu de uma falha do sistema defensivo, um conjunto que envolveu a marcação falha de Geromel e a saída imprecisa do goleiro Busatto. Contudo, a defesa gremista - que teve apenas Pará de titular - se portou bem. Teve outras poucas falhas durante o jogo, nenhuma delas grave ao ponto de permitir ao CAP ampliar o placar. Diferente do sistema ofensivo que, com a bola no pé, desperdiçou três ou quatro chances claras e foi inoperante em arremates de média distância, bolas paradas e escanteios. O Grêmio teve volume de jogo, não perdeu a cabeça quando tomou o gol, conseguiu trancar os contra-ataques do adversário, contudo teve um aproveitamento ofensivo irrisório.

Charles Guerra / Agência RBS
O retorno de Zé Roberto é importante, porém esse jogador carece de ritmo de jogo. Dudu mais uma vez se destacou individualmente, mas não conseguiu transformar isso em efetividade. Barcos foi bem marcado. Os jogadores que entraram, Rodriguinho e Éverton, também não conseguiram contribuir em termos de criação e finalização. O Grêmio sente falta de Luan, é o jogador que vinha fazendo o importante papel de segundo atacante, flutuando atrás do centroavante e tendo a chegada de Dudu, na diagonal pelo lado esquerdo. Além, claro, da chegada de Wendell por aquele lado, jogador que foi poupado.

Enderson manteve o sistema tático, um 4-4-2 com duas linhas bem definidas. Zé Roberto jogou mais perto de Barcos. Contudo, com o decorrer do jogo, houve variações. O Grêmio passou pelo 4-2-3-1 e terminou o jogo num frustrado 4-3-3 que acabou sendo engolido pelo 4-5-1 do CAP.

Não consigo perceber abatimento anímico nessa equipe do Grêmio. Foram duas derrotas seguidas, porém jogos e motivos completamente distintos. Não é hora de desconfiar do bom trabalho que vem sendo feito. Libertadores é outra competição, e nela o Tricolor está bem e confiante. E precisa entrar em campo na próxima quarta-feira, contra o San Lorenzo, tendo respaldo e apoio da torcida e da direção, jogando como legítimo segundo melhor time da competição.