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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Projeção, que nada!

Lá no dia 22 de novembro postei aqui no PoA Geral duas projeções de final de tabela do BR-14. Uma com o Inter se classificando na Libertadores, em quarto lugar, com 67 pontos. Na outra, era o Grêmio que se classificava em quarto, também com 67. Imaginando os dois classificados, a única condição que coloquei como possível seria o Cruzeiro campeão da Copa do Brasil, já que sempre achei improvável que o Atlético-MG (campeão da CB) acabasse no G4. Disse ainda que as vagas seriam definidas apenas na última rodada.

Final de semana que se avizinha com a tal última rodada do BR-14 não será tão movimentado na ponta de cima quanto eu projetava. Os classificados para a Libertadores estão definidos, resta saber quem, de Inter e Corinthians, fica com a vaga direta. Acreditava também que Grêmio e Fluminense estariam vivos ainda na rodada derradeira. Diferente do que imaginei, o time de Felipão perdeu para o Coringão de Mano e o Colorado fez seis pontos nos dois jogos em casa contra Galo e Palmeiras. A possibilidade do Inter fazer nove pontos, e não apenas sete, aumentou consideravelmente.

Montagem: PoA Geral - FOTOS: Facebook Inter Oficial / Grêmio Oficial

Por outro lado, o Grêmio tem um final de temporada melancólico, de muitos vacilos e três derrotas seguidas inconcebíveis. Não sou do time que acha o plantel gremista fraco, e vejo muitas virtudes no trabalho feito por Scolari (embora não tivesse concordado com sua contratação), por isso acreditava no Grêmio com fôlego até a última rodada.

Da mesma forma, não considero o ano do Inter tão péssimo quanto pintam. O que o time de Abel tem é dois momentos quem chamam muito a atenção e acabam manchando: as eliminações ridículas na Copa do Brasil e Copa Sul Americana. Fora isto, superando alguns problemas do plantel, o Inter teve um ano razoável, e não será nenhum absurdo uma renovação com o técnico.

E para falar sobre o próximo ano ou até mesmo sobre a última rodada, vou esperar mais um pouco. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Grêmio não transforma bom desempenho em vantagem

O Grêmio é definitivamente um caso a ser estudado. Pois no século XXI, o Grêmio parece fadado ao fracasso, sem aptidão de decidir grandes jogos e, tampouco, ganhar títulos, mesmo tendo bons times e fazendo boas campanhas. Venho batendo muito nessa tecla há bastante tempo, e essa espécie de falência anímica voltou a aparecer na Arena, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, na noite desta quinta-feira. É possível jogar bem e perder por 2 a 0? Talvez seja.

O time de Felipão iniciou apresentando uma mecânica de jogo consistente, marcando e atacando com tranquilidade, valorizando a posse de bola e usando do artifício de variações táticas. Sem a bola, um 4-4-2 em duas linhas, com Dudu fechando o meio pela esquerda, Giuliano na direita enquanto Ramiro e Walace atuaram por dentro. Com a bola, um 4-3-3 muito bem definido, com Giuliano se postando quase ao lado de Ramiro e o jovem Walace recuando, geralmente cobrindo as excelente subidas de Zé Roberto. Esse é sim um Grêmio promissor. Que teve seus pecados, e o maior deles foi, sem dúvida, não fazer gols.

Divulgação Grêmio FBPA

O gol do bom time do Santos mudou a postura das equipes. O time gaúcho sentiu, e a equipe de Oswaldo de Oliveira soube se aproveitar do momento de vacilo gremista para ampliar ainda no primeiro tempo. Quase que em duas situações isoladas. O Santos soube decidir. O Grêmio, mais uma vez não conseguiu ser decisivo. É um problema, e se paga por isso.

O Peixe começou a partida no 4-3-3, tendo na frente Thiago Ribeiro na esquerda, Gabriel na direita e Robinho atuando de forma inteligente como "falso 9", flutuando pelo centro, buscando atuar no vácuo entre as linhas gremistas. É um movimento que naturalmente abriria espaço para a penetração em diagonal dos dois pontas, coisa que pouco aconteceu.

Na segunda etapa, duas modificações: Biteco no lugar de Walace e Alan Ruiz no lugar de Luan. O posicionamento permaneceu basicamente o mesmo, com as mesmas variações. O Grêmio imprimiu mais uma vez um bom ritmo, sempre rondou a área santista, porém insistiu muito pela esquerda, com Dudu, que fez boa partida, mas era preciso explorar o outro lado do campo também, tentar abrir a defesa santista. A certa altura entrou o lateral Mattias Rodrigues na direita, jogador de características ofensivas. Ele não foi acionado nenhuma vez.

É quase certo que o Grêmio não classifica, é muito difícil que reverta esse resultado na Vila Belmiro, por mais que faça uma boa partida. Agora, é preciso ter frieza na avaliação interna visando a continuidade do trabalho. Felipão parece ter encontrado uma maneira equilibrada de jogar, e seria um equivoco recuar e buscar uma mudança de equipe, por mais que isso soe contraditório após uma derrota de 2 a 0. Com um pouco mais de competência é possível buscar coisas melhores no Brasileirão.

Racismo
Está mais do que na hora da instituição Grêmio combater com mais ênfase a questão das manifestações racistas de alguns setores da torcida. É um problema histórico e não se pode mais negar esse grave problema. É preciso banir esse tipo de criminoso dos estádios, e se faz necessário que o torcedor gremista de bom senso também passe a combater o racismo. O episódio ocorrido durante o jogo, com torcedores (identificáveis) agredindo o goleiro Aranha com ofensas racistas foi triste e revoltante.

A reação de irritação e desconformidade do goleiro santista é correta. É preciso escancarar, denunciar, buscar que a justiça atuem sobre essas pessoas que são burras, atrasadas e criminosas.  

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Inter não entregou classificação, foi derrotado pelo Ceará

Quem chega de Marte e vê o resultado agregado de 5 a 2 para o Ceará sobre o Internacional e assiste a alguma coisa dos dois jogos eliminatórios da Copa do Brasil, supõe que o time gaúcho deve ser o líder da segunda divisão nacional enquanto a equipe nordestina ocupa a segunda colocação da série A do BR-14, elite do futebol brasileiro. Todos sabemos, contudo, que a relação é exatamente a inversa, sendo o colorado um time sabidamente mais caro e notadamente mais capacitado tecnicamente. Mas apenas isso não foi o suficiente.

O Inter não abriu mão da Copa do Brasil para disputar a Sul-Americana, uma competição internacional supostamente mais fácil de ser ganha. O time de Abel Braga foi inquestionavelmente derrotado pelo Ceará, pelos méritos do bom time dirigido pelo técnico Sérgio Soares. A opção do colorado em poupar Alex e D'Alessandro é difícil de explicar e até mesmo compreender, mas o fato é que em alguns momentos da temporada é preciso elencar prioridades. Comissão técnica e departamento de futebol entenderam ser mais vantajoso contar com os dois meio-campistas descansados para o jogo do final de semana pelo BR-14. 

Visto que o grupo do Internacional é numeroso e qualificado, mesmo a equipe desconfigurada que acabou perdendo de 3 a 1 para o Ceará tinha sim condições de fazer um resultado diferente e até buscar a classificação. Não esquecendo que a derrota dentro do Beira-Rio foi com o time titular colorado. 

LC Moreira/Futura Press
Portanto, na avaliação do Inter, era possível vencer mesmo poupando Alex e D'Alessandro. Também acredito que era, mas a verdade é que, novamente, o Ceará foi muito mais aplicado em campo. Provavelmente venceria o Internacional completo.

É muito interessante a maneira pragmática em que atua o time de Sérgio Soares, apostando em marcação alta, velocidade e força física tendo, é claro, o requinte técnico quando a bola chega no veterano Magno Alves. Postado no 4-4-2, posicionado claramente com duas linhas de quatro e com dois atacantes bem definidos à frente. Dois atacantes que dão o primeiro combate, marcando por zona a saída de bola dos dois zagueiros adversários e do volante mais centralizado. Não por acaso o primeiro gol, aos 10 minutos de jogo acontece após uma roubada de bola sobre Igor na entrada da área colorada.

Circunstâncias parecidas com as criadas na primeira partida e mais uma vez o time de Abel Braga não foi capaz de superar. São, sem dúvida nenhuma, aspectos a serem trabalhado para o restante da temporada.  

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Imposição física e velocidade surpreenderam o Inter

A maneira de jogar da equipe que é líder da Série B do Brasileirão não foi surpresa para o Inter de Abel Braga, na primeira partida da terceira fase da Copa do Brasil, na noite de quarta-feira, no Beira-Rio. Presumo que a comissão do Internacional tenha estudado e analisado muitos jogos do adversário. O que o time da casa não esperava era que a execução do Ceará, um dos melhores ataques do ano até aqui na temporada, fosse tão boa. Ou boa o suficiente para amarrar um colorado em péssima noite, que mesmo com os desfalques de Wellington, Wellington Silva e Aranguiz tem mais time, no papel, que a equipe comandada por Sérgio Soares.

O abafa inicial foi do Ceará, sempre muito bem postado em campo, investindo na marcação alta, para roubar a bola dentro do campo do Inter - o que aconteceu diversas vezes. Dessa maneira saiu o primeiro gol, aos 9 do segundo tempo. Mas assim também já tinha ocorrido o pênalti para a equipe cearense, que Dida pegou, aos 15 da primeira etapa. O Inter ficou desorientado com a postura do adversário, que se colocava em um 4-4-2 bem ortodoxo, fechando bem os flancos com seus meias abertos, recuando para ocupar espaço, deixando os dois atacantes Magno Alves e Bill dificultando a saída de bola feita por Willians e os dois zagueiros colorados Paulão e Juan. Tudo isso com muito força física e velocidade.

Em contra partida, por característica um time lento, o Inter encontrou muitos obstáculos para colocar a bola no chão e fazer valer sua técnica. Dos três meias posicionados atrás de Rafael Moura, nenhum é de velocidade: D'Alessandro pela direita, Alex pelo centro e Allan Patrick na esquerda. Sendo que esses dois últimos ocupavam muitas vezes o mesmo espaço, dificultando a mecânica colorada.

Bruno Alencastro/Agência RBS
O Inter até chegou ao empate, mas só no momento em que o Ceará se recolheu e aceitou a pressão normal do time da casa que está perdendo e mistura pressa com velocidade, vontade e necessidade. De forma desorganizada, com um chute belíssimo de longa distância, o colorado fez seu gol com Alan Ruschel, que entrou no lugar de Fabrício. Logo na saída de bola, já nos acréscimos, o Ceará aproveitou o desespero e a desorganização do time de Abel e conseguiu sair na cara de Dida e fazer o 2 a 1. Com justiça, diga-se de passagem.

No jogo da volta o Internacional precisa vencer por dois gols de diferença para passar de fase ou vencer pelos mesmos 2 a 1 para ir para os pênaltis. Qualquer empate serve ao Ceará. A missão, é claro, ficou mais complicada, ainda mais que a partida será três dias após um Gre-Nal, do outro lado do país, portanto uma viajem desgastante. Mas a verdade é que o Inter tem toda condição de jogar mais e fazer o resultado que precisa, sobretudo com o retorno dos desfalques.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Grêmio: nem tanto ao céu, nem tanto a terra

É difícil ser sensato em um momento de eliminação, como o do Grêmio. Ainda mais quando essa eliminação está inserida em um contexto de uma sequência ruim de resultados, como é o caso do Grêmio. Contudo, é necessário ser equilibrado Ao contrário do muito que li, assisti e ouvi, o trabalho realizado por Renato Portaluppi, tal qual seu grupo jogadores, não são ruins. Não eram à época da vice-liderança, cerca de dois meses atrás. Não passam a ser agora.

Da mesma forma, o trabalho e o grupo de jogadores não são intocáveis, como prega a cada entrevista coletiva o treinador gremista. Obviamente há acidentes de percurso na caminhada tricolor nesses últimos meses de comando de Renato. Acidentes que são resultado de equívocos das mais variadas vertentes. A maior parte deles oriundo das decisões do comando técnico.

A escalação de Zé Roberto é um equívoco  não porque não deu certo efetivamente, mas sim pelo fato de ser um jogador que não vinha sendo utilizado. Estava desentrosado, sem ritmo de jogo e fora do contexto de equipe que o Grêmio adquiriu ao logo do trabalho. Mais coerente seria Elano. Mais correto seria Vargas. Mais lógico seria Elano e Zé acionados com mais frequência nos últimos quatro meses, não como titulares necessariamente, mas como opções valiosas certamente.

Lucas Uebel / Grêmio FPA

O primeiro tempo do jogo contra o Atlético-PR, na Arena, foi ruim. O Grêmio foi medroso, atacou pensando em não levar gol quando deveria pensar muito mais em fazê-lo. O Furacão foi inteligente, se fechou e aproveitou da evidente dificuldade gremista em converter as escassas oportunidades que cria.

Na segunda etapa, a necessidade fez do Grêmio um time mais impetuoso, sem medo de passar a bola pra frente, evitando o passe de lado. A fase não ajuda. O Grêmio correu mais que o adversário, criou muito mais e, de novo, foi infeliz na conclusão. Mesmo apressado e eliminado, foi um segundo tempo de razoável apresentação. Se faltou a sorte na hora do gol, sobrou competência ao goleiro Weverton - na mesma medida em que o tricolor foi incompetente nas jogadas de bola parada.

Prefiro o Renato da convicção do 3-5-2 e do 4-3-3 ao Renato que cede à pressão por Zé Roberto. Todos nós preferíamos um Renato menos arrogante em todas as situações, mais claro e menos repetitivo em suas entrevistas. Também prefiro que o treinador continue seu bom trabalho por mais de quatro meses. Que siga com o Grêmio de G4 por mais de meio campeonato, com uma equipe que segue com boas chances de ser vice-campeã. Que tem seus problemas, mas que também já teve - e segue tendo - boas e surpreendentes soluções.

Não está tudo certo no Grêmio. Mas, no futebol, por algumas poucas coisas erradas se perde um campeonato. Em reta final de temporada, com o Grêmio ainda muito vivo no objetivo de conquistar o direito a disputar a Libertadores de 2014, tudo o que o tricolor não precisa é de um clima de crise ou terra arrasada. Da direção para a comissão técnica, precisa sobrar respaldo e convicção. O mesmo vale da comissão técnica para os jogadores.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Grêmio não aproveitou o erro do adversário

Miguel Schincariol / Estadão Conteúdo
Essa derrota para o Santos, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, está longe de ser definitiva. O Grêmio segue vivo e favorito a passar de fase. Portaluppi não tem uma equipe pronta, ainda está em formação, porém está um estágio acima da equipe em transição de Claudnei Oliveira. Portanto, mesmo com a vantagem mínima conquistada, não enxergo o Peixe com grande possibilidade de classificar-se dentro da Arena, na próxima semana.

Ironicamente foi a melhor apresentação do 3-5-2 de Renato. Uma proposta muita mais clara em campo, bem definida, com o jogadores conscientes das funções que precisavam exercer. O esquema, que foi de necessidade a convicção após o Gre-Nal, parecia ter entrado em seu estágio de maturação. O Tricolor fazia bom jogo até levar o gol aos 36 do segundo tempo, porém cometeu o erro de não ser letal.

Nas últimas partidas o Grêmio se defendia, se protegia, corria riscos mínimos e especulava no erro do adversário. Pouca coisa diferente disso aconteceu nessa quarta, na Vila Belmiro. Em alguns momentos a equipe de Renato até teve a posse de bola e propôs o jogo. Vive um momento anímico mais tranquilo que a jovem equipe santista, e disso o Grêmio poderia tirar mais proveito.

Diferente dos últimos três jogos em que marcou 9 gols, desta vez o Tricolor desperdiçou. O Santos errou como o Renato queria. Claudnei escondeu Montillo grande parte do jogo, tentando que o argentino fosse um falso-nove, entre os zagueiros gremistas. Não deu muito certo. O que deu certo foi a movimentação do meia, que na segunda etapa foi recuado e, vindo de trás, construiu toda a jogada do gol santista. Momento raro.

O Grêmio teve o erro do adversário a seu favor. Barcos e Kléber fizeram boa partida, mas erraram gols que atacantes do nível de ambos não podem perder. E quem perde é o Grêmio, pagando o preço do desperdício, justamente na melhor partida do esquema que deu as três últimas vitórias ao time gaúcho. Entretanto - e posso queimar a língua -, em Porto Alegre, dá Grêmio. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Grêmio não soube jogar depois do 1° gol

Não há dúvida nenhuma, muito menos novidade, em afirmar que o Grêmio perdeu a classificação no Olímpico, depois dos 40 minutos do segundo tempo, quando o jogo já se encaminhava para o 0 a 0. Este empate com um gol para cada lado na Arena Barueri classificaria a equipe gaúcha. Com o resultado casado, 3 a 1 Palmeiras.

Tanto Felipão quanto Luxemburgo mostram prudência e convicção para iniciarem a partida. Os dois times estavam praticamente iguais aos que começaram o jogo do Olímpico. A diferença era que, ao invés de Miralles, Marcelo Moreno fez dupla com Kléber e, na lateral, Edilson jogou no lugar de Gabriel. No Palmeiras, os dois desfalques foram Luan e Marcos Assunção. Mazinho e Márcio Araújo cumpriram as mesmas funções e o Verdão repetiu o mesmo 3-5-2 de Porto Alegre.

O Grêmio não deu sorte com o tempo em Barueri. Muita chuva, o dia inteiro e durante todo o jogo. A certa altura do primeiro tempo o campo já estava em condições muito ruins para quem precisa colocar a bola não chão, trocar passes, organizar jogadas e abrir a defesa adversária. Naquela condição de jogo é muito mais fácil destruir do que construir jogadas. A possibilidade de erro aumenta muito, e isso não é bom para quem precisa errar quase nada defensivamente e fazer de dois e três gols de diferença.

No bom e disputado jogo que fizeram Grêmio e Palmeiras, o cenário parecido com o de Porto Alegre só mudou quando os treinadores resolveram mexer. Luxemburgo leu de forma correta a partida, apostou na bola aérea e no embate físico. Chegou ao gol aos 21 do segundo tempo, quando Moreno e André Lima seguravam os zagueiros do Palmeiras na área, Kléber consegui jogar com apenas um na marcação e Léo Gago e Fernando conseguiam lançar e articular certas jogadas, sempre com Pará e Edilson chegando pelos lados e Rondinelly aplicando boa movimentação.

O Grêmio fez o gol no seu melhor momento no jogo. Era melhor que o Palmeiras e conseguia achar algum espaço. Mas a equipe de Luxa não soube jogar depois do gol, e o próprio treinador mexeu mal. Quando já vencia, tirou o centroavante Moreno e colocou Miralles aberto na direita. Essa manobra, aliada a empolgação gremista, deu espaço para que Valdívia brilhasse e desmontasse o Grêmio 6 minutos depois do gol tricolor.

Depois do empate palmeirense os jogadores gremistas perderam a cabeça. Houve duas expulsões justas, Edilson e Rondinelly. No mesmo lance, Henrique, do Palmeiras, também foi expulso. Mas o momento era todo palmeirense, e a perturbação estava toda do lado gremista.

A equipe de Luxemburgo não fez má partida. Kléber mostrou melhor forma, assim como Moreno. Faltou um algo a mais, talvez um pouco mais de calma e algum deslize palmeirense, coisa rara nos dois jogos. Contudo. o treinador continua convicto na estrutura de time e confiante para o BR-12 e para a Sul Americana, e isto tem sua dose de importância.

*Foto Wagner Carmo/Vipcomm

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vantagem do Palmeiras é desproporcional, vitória não

O jogo não foi bom no Olímpico. Os 45 mil torcedores que lotaram o estádio assistiram a dois times pesados, de características parecidas, marcando muito e criando pouco. No décimo segundo jogo de Luxemburgo no Olímpico, a primeira derrota depois de uma série de 11 vitórias. Um retrospecto positivo que dava ao Grêmio certa dose de favoritismo.

Mas favoritismo nunca foi garantia de nada. A vitória do Palmeiras foi merecida, teve a cara de Felipão e fez-se graças ao exito da estratégia do treinador. Entretanto, o tamanho da vantagem adquirida pelo Verdão é desproporcional à sua campanha, à campanha do Grêmio (até então invicto na competição), e ao momento das duas equipes. Copa tem dessas coisas, nem sempre a melhor campanha é a do campeão. Isoladamente, o 2 a 0 para o Palmeiras é normal. Mas o peso desses dois gols no Olímpico vira de lado o favoritismo e coloca o melhor time da competição até agora em uma situação quase irreversível.

Praticamente toda vitória e toda derrota passa pelas opções e convicções do treinador. Isto vale para Luxemburgo, que faz um bom trabalho no Tricolor, mas que ontem não foi bem, e vale para Felipão, que está há um ano e meio aos trancos e barrancos no Palmeiras, só que acertou a mão e o time nesse primeiro confronto da semifinal da Copa do Brasil.

A grande surpresa do Grêmio foi a escalação de Kléber no ataque, junto a Miralles. Não acho que Luxa tenha errado aí. Inflamou o estádio com a presença do Gladiador e escalou dois atacantes que conseguem prender a bola no ataque. Mesmo com Kléber não estando com total ritmo de jogo, ao menos 45 ele aguentava. E aguentou muita porrada. De resto, um Grêmio igual, no 4-3-1-2, mas com um Marco Antônio muito escondido, bem marcado por Henrique. Se pelo lado direito do meio-campo Souza fez ótima partida, faltou a parceria com Gabriel, que jogou um futebol preguiçoso, fora do ritmo da decisão.

A estratégia do Palmeiras era marcar. Principalmente no 1° tempo. Segurar o Grêmio, amornar a torcida e sair mais no segundo tempo. Se o 0 a 0 era lucro, imagine o 2 a 0. Felipão montou um 3-5-2 híbrido, que tinha um zagueiro (Henrique) de primeiro volante, e um lateral como terceiro zagueiro (Arthur, pela direita). Na marcação de Kléber, sempre dois jogadores. Conforme a situações de jogo, esse Palmeiras virava facilmente um 4-2-3-1, sempre com Barcos lá na frente. João Victor, que no 3-5-2 era ala pela direita, avançava e ficava em linha com Daniel Carvalho e Luan, ficando os três na retaguarda do centravante.

A marcação do Palmeiras estava encaixada, funcionante completamente. As chances de gols são raras na partida, embora tenha no primeiro tempo o Grêmio um bom volume de jogo, mas sem praticamente nada de infiltração.

O jogo foi decidido depois das principais substituições do segundo tempo. Vanderlei Luxemburgo abriu mão do jogo de paciência, abriu mão da posse de bola no ataque. Sacou Miralles e Kléber e colocou Moreno e André Lima, dois centroavantes para receber bola alçada de tudo quanto é parte do jogo. Facilitou a marcação palmeirense. O ataque do Grêmio parecia uma parede, a bola batia e voltava.

Do outro lado, Felipão, que já via um Palmeiras mais à vontade em campo, menos nervoso que o time da casa, dotou sua equipe com mais velocidade. O zagueiro lateral Arthur saiu para entrar o lateral Cicinho, que tem mais recursos técnicos e que continuou cumprindo a mesma função do companheiro. No meio, o descompromissado Daniel Carvalho foi substituído pelo jovem e rápido Mazinho. Aos 41, Cicinho puxou o contra-ataque fulminante que acabou no gol de Mazinho. O segundo gol veio quatro minutos depois, de forma natural, com um Palmeiras cheio de confiança e um Grêmio totalmente atordoado depois do gol.

A grande vitória palmeirense passa por uma série de erros e acertos, de ambas as partes. Um jogo não define um ano, mas um jogo e uma vantagem desproporcional podem decidir uma Copa. É o que está acontecendo com o Grêmio. A não ser que na próxima semana aconteça a improvável virada tricolor. Impossível não é.

*Foto Fernando Gomes/ClicRBS

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Grêmio passa pelo Bahia e está na semifinal da Copa do Brasil

O Luxemburgo chamou o torcedor no começo da semana para o confronto com o Bahia e o torcedor correspondeu. Cerca de 35 mil gremista foram ao Olímpico e assistiram um bom jogo de futebol, com um Grêmio bem postado e comprometido em vencer, mesmo sabendo da vantagem já conquistada no primeiro jogo. Desde o início o Tricolor jogou sério, marcou bem e buscou o gol, sem brilhantismo como já é de praxe, mas vencendo.

O Bahia não é nenhum bobo. Falcão é bom treinador, é ousado, e tem nas mãos uma equipe formada por um punhado de refugos conhecidos e alguns outros jogadores menos cotados tecnicamente. No início do jogo o Bahia tentou jogar de igual para igual. Falcão montou o esquema conhecido pelo apelido de árvore de natal, um 4-5-1 que, distribuído em campo, fica um 4-3-2-1. Típico para explorar contra-ataque, porque tinha Fahel na frente da zaga, o bom Gabriel mais à direita, o ex-gremista Helder na esquerda, numa linha mais avançada o Lulinha ao lado do Magno e, na frente, o centroavante Ciro. Todos jogadores de velocidade.   

O problema do Bahia é que na hora de trocar passes e fazer o bola girar, além de faltar qualidade de quem trazia a bola de trás, sentia demais a marcação do Grêmio, que era muito boa. Fernando e Léo Gago foram impecáveis. Souza mais uma vez ficou aquém e Marco Antônio, no 4-3-1-2 gremista, foi nada mais que regular. A dupla formada por Miralles e Moreno deu boa resposta. O argentino é melhor alternativa que André Lima, que torna o ataque mais pesado e menos dinâmico.

Os dois gols do Grêmio saíram de boas trocas de passe. Jogadas trabalhadas em treino pelo Luxemburgo, um reflexo positivo no trabalho do treinador, que já tem oito jogos e oito vitórias na Copa do Brasil. É a melhor campanha na competição, o que não serve para muita coisa, já que é no sorteio que se decide onde será a segunda partida da semifinal contra o Palmeiras e pelo regulamente, o Grêmio pode ser eliminado com dois empates, caindo fora da competição estando invicto. Ou seja, a melhor campanha não tem nenhum valor prático, apenas anímico. A ideia de time que funciona, o respaldo dos bons resultados no Olímpico e a segurança de uma zaga que parece estar ajeitada - mesmo com o desfalque de Werley - são os grandes méritos do Grêmio na Copa do Brasil.

*Foto Marco Vieira/ClicRBS 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Vencer fora de casa é sempre significativo

O Grêmio fez um bom jogo contra o Bahia de Falcão. A vitória por 2 a 1 é justa e merecia ter sido menos apertada. Gol baiano saiu no primeiro tempo, no mento em que o Grêmio estava melhor e já tinha criado algumas boas chances de gol. Com o empate ainda na primeira etapa, o time de Luxa teve moral para aguentar a pressão do Bahia no início do segundo tempo e força para sair e buscar o resultado depois das mudanças do treinador, aos 20 minutos do segundo tempo (a virada veio aos 27).

Do jogo, ficam dois fatores muito significativos. Primeiro, a vitória fora de casa, que é um diferencial em qualquer situação, ainda mais em uma copa, quando o segundo jogo é em casa. Segundo é a maneira de jogar. O Grêmio de Luxemburgo segue pragmático, sem dar espetáculo, priorizando o futebol coletivo e de resultado. É essencial que um time, mesmo não estando no estágio ideal, e o Grêmio não está, construa sua identidade respaldado por vitórias significativas como esta sobre o Bahia.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Grêmio joga mal, vence e se classifica

O jogo foi complicado? Foi e não foi. Afinal, não dá para dizer que o Grêmio correu riscos contra o Fortaleza, no Olímpico. O Grêmio correu pouco. O Fortaleza, com time reserva, pois prioriza a final do cearense no Domingo, correu o que pôde com o que tinha. E tinha, inclusive, dois ex-jogadores do Grêmio: o volante Élton e o centroavante Rômulo. Dois que, em algum momento dos últimos 10 anos sem grandes títulos no Olímpico, foram titulares do Tricolor Gaúcho, agora são reservas do Fortaleza. Convenhamos, isto explica muita coisa.

Mas Elton e Rômulo, sobre os 2 a 0 a favor do Grêmio, não explicam quase nada. Estavam inseridos no 3-6-1 aplicado pelo Fortaleza, esquema que ajudou a neutralizar Marco Antônio, anulou André Lima e conteve os dois laterais gremistas. Só que muito mais que isso, não fez. Na frente, Rômulo teve atuação parecida com a do centroavante adversário, pouco fez.

No Grêmio, a grande expectativa nem era pelo jogo em si, ou pela classificação. A atração da noite era o lateral-esquerdo Dener, que ganhou a vaga já que as duas opções de Luxemburgo (J. César e Pará) estavam impedidos de jogar.  Definitivamente não foi uma boa estreia. O garoto não tinha sido aproveitado nas últimas temporadas no Olímpico e esse ano foi emprestado e jogou o Gauchão pelo Veranópolis. Pela esquerda, na noite desta quarta, não comprometeu atrás, contou com a ótima cobertura de Gilberto Silva (em grande forma), mas não acertou nenhuma investida, nem mesmo uma jogada de combinação com Léo Gago. Entretanto, Dener continua no grupo e, quem sabe, terá outras oportunidades.

Destaque mesmo para quem fez os dois gols. Primeiro Leó Gago, em cobrança de pênalti (sofrido por Bertoglio). Segundo, o próprio Facundo Bertoglio que, é verdade, acertou pouco coisa, mas quis muito o jogo, buscou a bola a todo momento e tentou as melhores jogadas do Grêmio. Miralles deu o segundo gol de lambuja.

Como já foi comentado algumas vezes aqui no PoA Geral, jogando um futebol pragmático, de resultado, o Grêmio vai avançando, enquanto vê grandes caírem na Copa do Brasil. Botafogo, Cruzeiro e Atlético-MG já estão fora. Pelo menos para Luxemburgo as perspectivas de melhora são interessantes, pois mais futuramente vai contar com Kléber, Marcelo Moreno, Zé Roberto e Julio César. 

*Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Grêmio venceu porque se impôs quando tinha 11

Dentre os vários problemas que o Grêmio, enquanto clube de futebol, enfrenta na última década, um deles, inegavelmente, é a dificuldade que seus times têm para vencer fora de casa. Dentro de casa, quase todo mundo vence quase todas. Perde uma aqui e ali, empata outra, mas vence a maioria. O diferencial do time vencedor de uma competição é ser forte também fora do seu estádio. O Grêmio tem dois exemplos recentes: a Libertadores de 2007 e o BR-09. Em ambas as competições o Tricolor papou todo mundo em casa e perdeu tudo longe do Olímpico.

Na vitória desta quarta, o principal fator para os 2 a 0 sobre o Fortaleza foi a imposição do Grêmio sobre o modesto e empolgado time cearense. A partida foi no acanhado estádio Presidente Vargas, lotado de uma torcida confiante, que vê o Fortaleza fazendo boa campanha em 2012, com dois atacantes que estão marcando gols no estadual e com uma referência técnica vestindo a 10, o meia-atacante Geraldo, de 38 anos. Não é um ambiente fácil de se jogar, mesmo levando em conta que o Fortaleza está na 3° divisão do futebol brasileiro. Coloque ainda na conta do Grêmio a derrota no grenal e a eliminação no campeonato gaúcho.

Luxemburgo mudou o time. Uma mudança foi por necessidade, pois Naldo fez quarta zaga no lugar de G.Silva, suspenso. As outras duas foram opções do treinador. Gabriel merecidamente perdeu o lugar na lateral-direita para o participativo Edilson e, na frente, Bertoglio foi sacado do time para que o Grêmio tivesse um ataque com mais força física e poder aéreo, formado por André Lima e Marcelo Moreno. No restante do time, a forma mais habitual de jogar em 2012, o 4-4-2 com o desenho de losango no meio (4-3-1-2).

Desde o início o Grêmio marcou na frente, travou a empolgação da equipe cearense e encheu de nervosismo time treinado por Neido Xavier. O primeiro gol saiu aos 12 minutos, com Marcelo Moreno aproveitando a sobra dentro da área. O segundo gol foi uma pintura, um minuto depois do primeiro. O lateral Edilson cruzou para a entrada da área e, da meia-lua, como ela veio, Marco Antônio acertou com sua perna direita um daqueles chutes que se acerta poucas vezes na vida. Golaço para fechar uma bela vitória tricolor.
O Grêmio só correu riscos quando perdeu o lateral-esquerdo Pará, aos 17 do segundo tempo, expulso depois de receber dois cartões amarelos. O Fortaleza, que já fazia quase um 4-3-3 com Geraldo e Cléo jogando uma linha atrás do centroavante Jaílson, recheou ainda mais o time de atacantes. O problema é que justamente os dois melhores nomes do Fortaleza, Geraldo e Cléo, não estavam em noite inspirada. Quando conseguiram vencer a defesa tricolor, pararam em Victor - novamente em grande forma.

O retorno de Léo Gago parece ser um fator decisivo para o Grêmio atualmente. Foi assim na vitória de 2 a 0 desta quarta. Assim como são cada vez mais inspiradas as partidas do volante Fernando. Para o jogo da volta, no Olímpico, no próximo dia 9, é natural que Luxemburgo não precise mais de um time mais pesado, por isso é plausível que André seja banco e Bertoglio volte ao time. O que não pode mudar é a atitude que o Grêmio teve quando, principalmente, tinha 11 em campo.

Foto Jarbas Oliveira/AE

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Grêmio pragmático apresenta suas armas para o restante da temporda

O início de trabalho de Vanderlei Luxemburgo no Grêmio é marcado por muitas vitórias, mas não por atuações empolgantes. Até agora, apenas uma derrota, para o Pelotas, fora de casa, e a eliminação nos pênaltis para o Caxias, na semi final do primeiro turno, depois do empate de 1 a 1 nos 90 minutos - este também fora de casa.

O 3 a 0 contra o Ipatinga ficou longe de uma atuação empolgante. Mas é um 3 a 0, é uma vitória que passa o time para a próxima fase da Copa do Brasil. Ou seja, Luxemburgo, por enquanto, só faz questão desse pragmatismo, da vitória a qualquer modo, que é o que leva a equipe adiante nas competições e ajuda a evoluir.  Vitórias sustentam ideias e ajudam a dar liga a um time. Parece que é exatamente o que acontece hoje no Grêmio.

Caio Junior, por exemplo, não teve atuações tão piores quanto as de Luxemburgo. Porém, faltava o resultado. Uma verdade do futebol muitas vezes cruel, mas realidade nos clubes brasileiro. O imediatismo, por vezes, comete equívocos. Doutras, não.

Contra o Ipatinga o Grêmio teve o mínimo de dificuldade. O time mineiro é fraco. Luxa voltou a trabalhar o Tricolor no 4-3-1-2, com muito protagonismo de Léo Gago, pela esquerda do losango, e Fernando, o volante que centraliza a marcação do meio-campo. Bertoglio como atacante é uma convicção do treinador, e vem dando certo. No início do jogo, André Lima e Bertoglio entraram ao mesmo tempo na área, em velocidade, quando Marco Antônio vindo de trás com a bola dominada, cumprindo sua função de ponta-de-lança no meio de campo. Marco Antônio lançou o argentino, em profundidade, que com categoria passou pelo goleiro e abriu o placar.

O primeiro gol praticamente matou o Ipatinga, que vinha com a desvantagem de 1 a 0 do primeiro jogo. Vitória lá que o Grêmio conquistou no pragmatismo de Luxemburgo, que optou em fechar a equipe num 3-5-2 e especular contra-ataques. Foi uma partida horrível, mas o Grêmio trouxe a vantagem de Minas Gerias. Lembram como foi o gol?

Como no primeiro jogo, Léo Gago voltou a marcar gol chutando com sua poderosa perna canhota. Foi o terceiro do Grêmio na vitória desta quarta-feira. O volante já tem cinco gols na temporada, e seu arremate de fora da área é uma das marcas do Grêmio versão 2012. Assim como os gols de Miralles, que entrou no segundo tempo. O atacante tem como característica se posicionar à esquerda da área, cortar pra dentro e colocar no ângulo do goleiro chutando com a perna direita. Já marcou três gols dessa forma.

É um Grêmio que ainda sente muito as quese vinte lesões de jogadores até o momento. Qualquer equipe sentiria. É fato que prejudica a montagem do time, mas Luxemburgo está conseguindo buscar alternativas no grupo, tal como as reintegrações de André Lima e Miralles. De qualquer forma, não é só de jogadores lesionados que o Grêmio sente falta, o grupo ainda precisa de duas ou três boas peças, principalmente zagueiros.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Um ponto que vale ouro na Bolívia e a classificação pouco brilhante no Olímpico

The Strongest 1 x 1 Internacional

Se a altitude de 3 mil e 600 metros já era um obstáculo e tanto para o time de Dorival Junior, imagina então receber a notícia, poucas horas antes do jogo, de que Oscar não poderia jogar, pois constava no BID como jogador do São Paulo. Sem dúvidas o cenário se desenhava para uma noite de muitas dificuldades para o Internacional. De fato, o empate em 1 a 1 foi suado, quase que não sai. Só saiu aos 43 do segundo tempo, dos pés do atacante Gilberto, que quase desperdiçou o lance.
Não podendo contar com Oscar, Dorival escalou João Paulo, que jogou quase sempre na meia-direita. Na esquerda esteve Dátolo e, mais à frente, como dois atacantes, Damião e Dagoberto. Dorival desmanchou o esquema com três meias e avançou Dagoberto, que não fez boa partida, buscou pouca bola e não conseguiu se desvencilhar da marcação. Ao contrário de seu companheiro de ataque, Leandro Damião teve melhor performance, chamando a marcação, indo pro embate com os zagueiros, fazendo tabelas e finalizando.

O fraco The Strongest passou a maior parte do tempo num 4-3-3, jogando com muita velocidade e apostando  nas subidas do meio-campista Chumacero que, não raro, estava dentro da área ao lado do centroavante boliviano. Contudo, o Inter fez um primeiro tempo equilibrado, com boas chances de conclusão. Mas a perna pesou no segundo tempo.

E não pesou apenas pela atitude. O gol cedo do Strongest desestabilizou o Colorado e encheu de gás o time boliviano. O Inter não se achou mais em campo. Aliás, achou o gol de empate quando nenhum colorado mais apostava na equipe.

Colocando na balança, o resultado tem muito mais peso que a atuação. É um ponto que vale ouro e facilita muito a classificação colorada para a fase eliminatória da Libertadores. Já atuação não deve pesar muito no decorrer do trabalho no Beira-Rio, visto todas as circunstâncias da partida, afinal Santos e Juan Aurich foram à La Paz e perderam. 

Grêmio 3 x 1 River Plate-SE

No resultado agregado, 6 a 3 para o Grêmio. É um placar elástico, mas tomar três gols de um time que não se classificou pra segunda fase do campeonato sergipano é preocupante. Luxemburgo sabe disso. O Grêmio sabe disso. O quanto é confiável uma zaga com G.Silva e Werley? Só o tempo irá dizer.
Quem foi ao Olímpico esperava um goleada. Talvez a equipe tenha caído na mesma graça. O Grêmio não entrou de sangue doce ou com o pé frouxo. Pelo contrário, Kléber, Moreno e Bertoglio estava mordendo, marcando forte a saída de bola do River. Todo o Grêmio avançou, fez a blitz mas não conseguiu finalizar. Sobrou espaço para uma ou duas escapadas do adversário, que acabou marcando primeiro.

O River Plate do Sergipe não fez feio. Até certo ponto, bloqueou totalmente as ações do Grêmio e teve alternativas de contra-ataque. A equipe obedeceu com rigor o 4-4-2 com duas linhas de quatro proposto pelo treinador Luis Carlos Cruz.

Luxemburgo testou novas possibilidades para sua equipe. Manteve o 4-3-1-2, com com Gago no banco, Bertoglio como ponta-de-lança no losango e Marco Antônio mais recuado, à esquerda, como volante apoiador. Na lateral esquerda, o destro Pará jogou no lugar de Julio César. Na prática, o Grêmio fazia um 4-2-2-2, com o argentino caindo mais pela direita e Marco Antônio avançando. Essa formação já foi tentada antes, mas ao invés de Bertoglio o Grêmio tinha Marquinhos. A mecânica de jogo ficou prejudicada da mesma forma. A performance individual caiu. O Grêmio dependeu muito de Kléber, que não fez gol mas foi o grande destaque da partida. 

Na balança tricolor, a classificação é importante, não há dúvida, porém a atuação do Grêmio tem de pesar bastante. Por enquanto, está provado que o atual elenco de Luxemburgo se adapta melhor a um sistema com três volantes de velocidade, que desarmam no campo do adversário e auxiliem Kléber e o eventual articulador a comandar o ataque da equipe. O Grêmio precisa fortalecer essa ideia de time.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Grêmio: do grupo de jogadores fechado em dezembro a grupo enfraquecido em janeiro

O Grêmio terminou dezembro e iniciou a temporada com várias contratações, algumas dispensas e um grupo de jogadores praticamente fechado, contando ainda com a forte possibilidade de trazer Giuliano ou Carlos Eduardo. A projeção de 2012 era de uma equipe forte e competitiva, com reais chances de ganhar a Copa do Brasil e disputar as primeiras posições do BR-12.

Ainda é muito cedo para afirmar que nada disso pode acontecer, afinal de contas o novo Grêmio de Caio Junior não tem um mês de trabalho e apenas quatro partidas disputadas. Mas já não inspira a mesma confiança de 20 dias atrás. Depois de duas vitórias e duas derrotas, e um futebol nada convincente, o Grêmio parece não ter mais a mesma força que tinha antes de começar a jogar.

Nessas últimas semanas o Tricolor perdeu jogadores e enfraqueceu o grupo. Há alguns dias a projeção de time ideal era a seguinte: Victor; Mário, Saimon, Sorondo, Julio César; Fernando, Léo Gago (ou Rochemback), Giuliano (ou Carlos Eduardo), Douglas; Kléber e Marcelo Moreno. Sem dúvida uma equipe forte.

Desse time ideal, Rochemback foi vendido, Douglas forçou sua saída e também foi vendido, Sorondo lesiono-se ainda na pré-temporada e teve o contrato rescindido, Carlos Eduardo e Giuliano não vieram. Marco Antônio, meia contratado junto à Portuguesa, uma aposta do Grêmio - apesar da idade do jogador - não agradou e nem convenceu quando teve oportunidade. Do banco de reservas, Miralles era considerado um reserva de luxo. Mas acabou se queimando também com Caio Junior e está liberado para procurar outro clube. O contestado André Lima está de volta, foi reintegrado ao grupo e é opção para o treinador.

No meio, o Grêmio se desfez de Willian Magrão, Adilson e Rochemback. Contratou apenas Léo Gago e tem como reserva apenas G.Silva. Para as meias, Marco Antônio, Marquinhos, a jovem aposta Felipe Nunes e o garoto Leandro, que na vitória contra o São Luiz jogou como meia bem aberto na direita, no 4-4-2 com duas linha de quatro montado por Caio Junior.

Nesses poucos dias de 2012 o Grêmio conseguiu perder a qualidade que projetava, porém não conseguiu por em prática. O que serve de consolo é que, segundo Paulo Pelaipe, o Tricolor tem dinheiro para contratar e fazer investimentos. É a hora do mesmo Pelaipe voltar com força ao mercado e reestruturar o grupo gremista.   

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Acerte o seu daí que eu arredondo o meu daqui!

Está valendo!

É com as frases do folclórico narrador Silvio Luis que abro esse texto sobre o início da nossa Copa. Na verdade, a Copa do Mundo. Aliás, mais da Fifa do que do mundo, mais do dinheiro do que da bola - ou da jabulani, como queiram.

Foi dada a largada oficialmente para a Copa do Brasil 2014 na tarde deste quinta-feira, em Joanesburgo. O evento apresentou o logo da Copa, teve alguns vídeos e shows e, claro, discursos.

Não quero entrar no mérito de discutir se é correto realizar a Copa num Brasil cheio de problemas. Mas é um Brasil cheio de técnicos, cheio de palpiteiros, boleiros, peladeiros, profissionais e amadores. E, acho sim que o Brasil merece sediar o maior espetáculo da bola. Dinheiro tem, vontade tem, futebol tem, corrupção também tem - e teria com ou sem Copa.

Os dois vídeos a seguir trazem o logo de 2014 e o discurso do Presidente Lula. Agora, que figura é esse Lula! Sou um profundo admirador desse cara - porque sim, ele é o cara. E nem falo tanto de política, pois não sou o mais indicado a discorrer sobre, porém me atenho ao Lula "pessoa física", digamos assim. O Presidente é de um carisma impressionante que, confesso, me ganha sempre!

Apresentação do logo da Copa de 2014
 
Discurso de Lula

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Agora quem dá bola é o Santos!

Foi mais um jogo para consagrar o bordão de Galvão Bueno: haja coração! A máxima também vale para os jogadores. Percebia-se nos primeiros minutos a respiração ofegante  e o olhar estalado, digno de quem está nervoso, nos 22 homens em campo.

A segunda partida entre Grêmio e Santos tinha um diferencial pois, parece óbvio, a primeira partida já tinha sido jogada e foi aquele espetáculo, um 4 a 3 que fica na história do Olímpico. Nessa condição, as duas equipes entraram em campo na Vila Belmiro sabendo que precisavam fazer e sabendo quais precauções adotar. Um jogo tático, de estratégia. Assim foi o primeiro tempo.

Silas foi para o intervalo vendo sua equipe se classificar. Dorival desceu ao vestiário vendo seu time ser amarrado pelo Grêmio. Isso porque: o 4-4-2 tricolor virou 4-5-1, com Jonas bem  e acompanhando de perto as descidas do Léo; porque Willian Magrão e Adilson se revezaram na marcação de Ganso e foram competentes no 45mim iniciais; porque Douglas e Hugo foram aplicados na hora de defender e inteligentes na hora de atacar. O Grêmio fez um grande primeiro tempo e perdeu de sair ganhando.

O Santos perdia em quantidade e futebol no meio-campo. O Robinho tentou fazer número, correu pelo campo, recuou para tentar articular mas não funcionou. Dorival ganhou o jogo quando, no segundo tempo, lançou Robinho da direita, trouxe Neymar para o lado esquerdo e conseguiu fazer com que sua equipe aplicasse a pressão que não conseguira no primeiro tempo.

Com a posse de bola, sem errar tantos passes, o Santos envolveu o Grêmio e assim o Ganso surgiu livre para acertar um chute lindo de longa distãncia. O Santos, que já estava melhor, tomou por completo o controle do jogo. Robinho, que não jogou nada, fez o segundo gol. Golaço, diga-se de passagem.

Silas demorou a mexer. Quando mexeu, não mexeu bem e já perdia por 2 a 0. O centroavante Willian entrou só para chutar o goleiro Felipe, Leandro entrou pra jogar o que jogou até agora - não muito - e Maylson só entrou quando mais nada o Grêmio podia fazer.

A reação do Grêmio foi no abafa, no tudo-ou-nada. Fez um gol, esteve perto do segundo mas deu muito campo para o contra-ataque, o que resultou na terceiro gol do Santos.

Passa o Santos, merecido. Poderia passar o Grêmio. Foram dois grandes jogos de futebol, imprevisíveis e bem jogados na maior parte do tempo. Na outra parte, expulsões, discussões, falhas individuais. No fim das contas, tudo o que se esperada de um grande espetáculo da bola.

Alguém duvida do favoritismo do Santos para levantar sua primeira Copa do Brasil?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

De encher os olhos

Grêmio e Santos fizeram uma extraordinária partida de futebol. A maneira como o Santos começou jogando e abrindo 2 a 0 de vantagem foi fantástica, a atuação do goleiro Felipe no primeiro tempo foi inquestionável, a vitória conquistada pelo Grêmio no segundo tempo é impressionante, uma virada épica, histórica. Vitória, aliás, que não é tão menor quanto o resultado que o Santos leva pra casa, pois fez três gols fora de casa e perder apenas por um gol de diferença, levando à risca o regulamento da competição, o resultado não é de todo o ruim.

Silas escalou mal, os três zagueiros e o Hugo na ala não funcionaram. Tanto que o Santos teve domínio completo da partida enquanto o Grêmio jogou dessa forma. Silas modificou logo que tomou o segundo gol, pôs a equipe no 4-4-2, improvisou Edilson na esquerda e liberou Mário pela direita. O time foi outro, não exatamente o que precisava ser, mas equilibrou as ações com o Santos. Por detalhes os meninos da Vila não ampliaram a vantagem no primeiro tempo, pios o Grêmio cedeu muito campo para contra-ataques. O Tricolor Gaúcho quando não parava por si só, parava em Felipe, o nome do jogo na primeira etapa, inclusive pegando pênalti.

Bom de papo e bom de vestiário, Silas mandou para o segundo tempo um Grêmio com mais atitude, mais ligado e melhor posicionado. O Tricolor fez com o Santos o que o próprio Santos fizera com ele no tempo anterior, com 20mim de bola rolando o Grêmio voava em campo e já alcançava a igualdade no placar.

Ganso sumiu, Arouca baixou de produção, Dorival Junior mexeu mal e o Grêmio jogou muito. Com o Olímpico em estado de transe, Borges anotava seu terceiro na partida, o quarto do Grêmio. Mas o jogo extraordinário como foi,  não parou aí.

Dorival se corrigiu, deu companhia a Ganso na articulação e mandou seus meninos jogarem novamente, afinal não tem explicação querer administrar uma derrota de 4 a 2. Paulo Henrique Ganso então deu uma metida de bola sensacional para Robinho, que resultou no belíssimo terceiro gol santista. Na noite, talvez só não tenha sido mais bonito que o também terceiro gol do Grêmio, um tirambaço de Jonas de fora da área.

Se viu em campo duas boas equipes, equipes corajosas e que, independente de idade e experiência, demonstram momentaneamente um futebol maduro. Propostas distintas de futebol, é claro, mas que vem dando resultado. Não por acaso são dois campeões regionais e semifinalistas da Copa do Brasil. Ficamos no aguardo do segundo capítulo desta excelente decisão de vaga - e espero que tenham lhes sobrado unhas nos dedos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Grêmio passa tranquilo

A vantagem conquistada pelo Grêmio no Maracanã na quinta-feira passada foi excelente e obviamente que teria reflexo direto na partida de volta, dentro do Olímpico. 

Precisando fazer pelo menos dois gols de diferença, o Fluminense nesse segundo confronto foi escalado por Muricy para atacar o Grêmio. O time carioca iniciou com três atacantes: André Lima centralizado, Wellington Silva aberto na direita e Adeílson na esquerda. No meio, a criação ficou à cargo de Conca, que não jogou o primeiro jogo.

O Grêmio foi para o jogo com uma escalação descaracterizada, cinco posições modificadas. O importante, entretanto, é que Silas manteve o esquema. Mesmo com Hugo e Douglas não funcionando no primeiro tempo, a marcação do tricolor gaúcho funcionou, e funcionou nos dois tempos. A dupla de zaga formada por Rafael Marques e Ozéa foram impecáveis. Ozéa, inclusive, foi o melhor jogador em campo.

Num primeiro tempo de um 0 a 0 com muitas faltas, muita marcação, muito passe errado, os dois sistemas defensivos foram impenetráveis, os dois goleiros mal foram exigidos. Diferente do segundo tempo, pois o Grêmio veio modificado. Silas retirou Mário Fernandes e Borges, ambos por problemas físicos. Os dois que entraram, Joilson na lateral e Leandro no meio-campo, fizeram boa partida.

As coisas ficaram mais fáceis para o Grêmio no segundo tempo. O Flu foi para o desespero e deixou espaços, principalmente na esquerda, onde jogaram Hugo e Neuton. Desses dois, e daquele lado, saiu o primeiro gol do Grêmio. A partir daí, 16mim do segundo tempo, só o time do Silas jogou. Naturalmente, o tricolor gaúcho ampliou em seguida. O Grêmio passou longe de correr riscos.
Na semifinal agora o Grêmio pega o Santos, jogo considerado a final antecipada da Copa do Brasil. Na outra chave, se enfrentam Vitória e Atlético-GO. Dos quatro semifinalistas, apenas o Grêmio já foi campeão dessa competição, quatro vezes, e contra o Santos jogará sua nona semifinal.

Sábado, Atlético-GO e Grêmio se encontram pela primeira rodada do Brasileirão. Possivelmente com duas equipes mistas, até porque os dois clubes vêm de uma sequência de jogos decisivos e devem poupar atletas.

 

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Uma grande vitória!

A vitória do Grêmio sobre o Fluminense de 3 a 2, com um jogador a menos, dentro do Maracnã, é maiúscula. Não assisti ao jogo, uma pena. Como só pude ouvir, vou me furtar de fazer um comentário mais profundo do jogo e destacar o contexto. 


O Grêmio agora soma duas vitórias consecutivas, contra dois adversários de 1° divisão. Vitórias, inclusive, na casa do oponente, um trauma que castigou o Grêmio de 2009 - o de 2010 só perdeu pra o Avaí longe do Olímpico e mesmo assim avançou de fase na Copa do Brasil. Vencer o Internacional dentro do Beira-Rio e o Fluminese no Maracanã não é acaso, não foi sorte. O Grêmio demonstrou competência, e vem demonstrando ao longo da temporada.

Silas tem achado alternativas quando não conta com os melhores, e já achou um time titular, o que é de suma importância.

O Grêmio se encaminha para duas decisões. As duas no Olímpico e, em ambas as oportunidades, o Grêmio tem uma situação confortável para administrar. Primeiro o Grenal de Domingo, o clássico que define o Campeão Gaúcho de 2010, o qual o Tricolor já começa vencendo o Inter por 2 a 0. 

Na próxima quarta tem o confronto da volta contra o Fluminense, jogo que define quem passa à semifinal. Os 3 gols fora de casa garantem ao Tricolor gaúcho uma série de vantagens. O Grêmio não terá o lateral Edilson, o zagueiro Rodrigo e o volante Adilson, todos suspensos. Ferdinando não fica à disposição porque está lesionado. A notícia boa é o retorno de Maylson, que pode acontece já no Grenal.

Nada definido para o Grêmio, só está tudo muito bem encaminhado. Se entrar em campo e jogar um futebol competitivo, comprometido e equilibrado - o que não fez contra o Avaí - dá Grêmio no Domingo e na Quarta.