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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Seleção de Mano sente o peso da insegurança e da indefinição

O Brasil não jogou bem, nesta sexta, contra a África do Sul, no Morumbi. Venceu por 1 a 0, suado. Suor e vitória que não vale tanto quanto valeria em um jogo de campeonato, daqueles que se avança somando pontos. A Seleção de Manos Menzes precisa avançar na sua concepção de equipe de futebol, jogando bola e, daí a importância, vencendo para adquirir confiança.

A Seleção Brasileira tem muito o que provar ainda, precisa adquirir a confiança da torcida. As vaias de hoje, e nos treinos durante a semana, são o sinal da falta de credibilidade de Neymar e cia. Mas a garotada precisa de crédito, precisa da paciência da torcida. Afinal de contas, quando Hulk fez o gol do jogo, no segundo tempo, a coisa ficou bem mais fácil, a África do Sul ficou bem menor e a gurizada passou a jogar com mais leveza, trocando bola com naturalidade.

Se da torcida a Seleção espera um pouco mais de paciência, de seu treinador ela precisa de sequência, filosofia de jogo, entrosamento. Esta é a hora, depois de muitos testes, de Mano Menezes começar a trabalhar com um time fixo, com menos mudanças.

Outro fator importante são os adversários. É hora, sim, de enfrentar adversários mais fracos. Aquilo que os críticos chamam de amistosos caça-niqueis. O time precisa de mecânica de jogo e confiança, o que é mais fácil de começar a adquirir vencendo times mais modestos. O nível de exigência precisa aumentar gradativamente. Obviamente que não temos time para enfrentar as grandes seleções, ainda. Mas temos potencial. Afinal, a safra é boa, ao contrário do que muitos afirmam.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Seleção fica no meio do caminho

Cair nas quartas de final é precoce para uma Seleção Brasileira, por mais que ela seja treinada por Dunga, por mais que ela não seja brilhante, por mais que tenha Felipe Melo, Michel Bastos e mais alguns pra lá de discutíveis. Mas essa Seleção de Dunga, e eu sempre disse isso aqui, era uma equipe competitiva, pragmática, que dificilmente levava gols. Por essas características, apostava que o Brasil iria mais longe.

O fato é que a Holanda é uma equipe muito parecida com essa Seleção montada por Dunga. A Laranja Mecânica até agora não foi a clássica Laranja Mecânica, passou longe de dar espetáculo, mas foi sempre muito pragmática e objetiva nessa Copa, ainda mais quando Robben voltou ao time para jogar junto a um Sneijder que já vinha jogando muito.

E a diferença da Holanda para o Brasil está, e esteve, nesses dois jogadores: Robben e Sneijder. Pois as duas equipes se encaixaram táticamente, a marcação de ambas foi corretas, tanto no 4-2-3-1 brasileiro, quanto no 4-3-3 holandês.

Quando o Brasil foi melhor, no primeiro tempo, foi porque Robinho teve vitória pessoal em algumas jogadas e conseguiu se desprender da marcação e entrar livre na área. Foi porque Kaká se movimentou bem. Foi porque Felipe Mello fez o que pouca faz. Foi porque Sneijder não conseguiu vencer G.Silva. Chocolate do Brasil no primeiro tempo: 1 a 0.

Já no segundo tempo, a Holanda foi melhor porque Sneijder saiu do meio, jogou mais à direita e fugiu da marcação de G.Silva. Foi melhor porque a marcação a Robben estava comprometida com o cartão de Michel Bastos. A Holanda foi melhor porque o Brasil voltou pior, desconcentrado. Julio e Felipe falharam logo aos 8 minutos, empata holandês. Aos 22, Felipe Mello (de novo ele) deixa Sneijder cabeciar sozinho para virar o jogo. Aos 28 minutos, antes que Dunga pudesse mexer - e já deveria ter mexido - Mello dá um pisão em Robben, vai expulso e complica tudo o que já estava complicado. Chocolate da Holanda no segundo tempo: 2 a 0.

Vitória merecida dos holandeses. Eliminação merecida do Brasil, que jogou o que pôde com o que tinha e com o que o Dunga levou. Fim de um trabalho bom nos números, feio no campo e na bola. 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Brasil sobrou em campo

Por Castro Marcon Cavalcante*
Segundo jogo no Elis Park, segunda vitória, só que agora mais fácil. Parece incrível, mas a sofrível Kóreia do Norte impôs maiores dificuldades ao Brasil do que a boa equipe do Chile. Coisas do futebol, coisas que já estamos cansados de dizer, de bater na tecla, "cansados" de ver o time de Dunga defendendo muito e vencendo quem muito ousa atacá-lo.
Bielsa fez o que sempre faz, mandou seu time atacar. O Chile começou um pouco modificado, um 4-3-3 diferente do seu habitual, com um meio-campo mais leve, menos consistente sem Valdívia, com Beasejour - geralmente o ponta-esquerda - fazendo as vezes de meio-campista.

Nos primeiros minutos até deu Chile com a posse de bola, mas o Brasil logo entrou no jogo. Na ausência de Felipe Mello, Ramires jogou muito. No embalo do ex-cruzeirense, cresceu também o futebol de G.Silva e Michel Bastos. Ainda teve D.Alves que, assim como Robinho, não guardou posição, se mexeu para ambos os lados e deu vida ao antes estático 4-2-3-1 do Brasil.

Juan abriu o placar, o zagueiro defende e ataca bem, de novo fez boa partida, ao lado de Lúcio. Robinho apesar do gol e da movimentação, pode dar mais, pode entrar mais na área, pode ser mais atacante e mais companheiro para Luis Fabiano. Robinho foi o melhor da Fifa, mas não o melhor do jogo, esse sim foi Ramires. Uma pena esse jogador não enfrentar a Holanda.

Bielsa mexeu no intervalo, quando já perdia por 2 a 0. O Chile voltou com Valdívia, uma formação semelhante a das duas vitórias contra Honduras e Suíça. Mas esse Chile é muito Colômbia: toca bem a bola, tem técnica, dribla aqui e acolá, mas não sai do lugar e nem faz gol.
No segundo tempo o Brasil preferiu contra-atacar, deixou a bola correr no pé do adversário, fez mais um e garantiu a classificação sem muito susto. Pareceu mais um jogo-treino. Agora enfrenta a Holanda, onde o buraco é mais embaixo - na verdade mais à direita, com Robben, que vai jogar em cima de Michel Bastos (ou Gilberto). O Brasil levemente favorito, sem Ramires, com Elano e, talvez, sem Felipe Mello de novo.

*Castro é louco, inclusive por futebol, e aceitou a ideia de ser o correspondente do PoA Geral na África do Sul. 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Opa, e o futebol?

Por Castro Marcon Cavalcante*
É bonito o estádio Moses Mabhida, aqui em Durban. Bonito não foi o 0 a 0 de Brasil e Portugal. Um jogo muito tático, estratégico. Jogos táticos e estratégicos quase sempre são chatos, ainda mais quando o empate é bom resultado para ambos.

Portugal mudou muito para enfrentar o Brasil. E mudou certo, tivesse pouco mais de ousadia no segundo tempo, teria vencido um Brasil engessado. Engessado com a saída de bola do G.Silva e a articulação de J.Baptista, alguns dos problemas apresentados pela nossa Seleção, e que todo mundo já conhece há tempos, inclusive Dunga e os adversários.

Ronaldo ficou isolado na frente, como um falso-nove, que sai da área toda hora para articular o jogo pros que chegam de trás. O problema é que no primeiro tempo não chegou ninguém. E pior que o 4-5-1 lusitano chamou o Brasil. O Brasil só tocou bola pro lado, raramente conseguiu infiltração, e deu campo pro adversário. Acabou se salvando por causa da solidão de Cristiano Ronaldo e a mão providencial de Juan.

Nilmar foi destaque. Lúcio foi destaque. Ficamos por aí. Kaká e Robinho fizeram, até porque Julio Baptista e Dani Alves não fizeram nada. E mais uma vez a Seleção mostrou que não sabe furar retranca, se o adversário não permite o contra-ataque fica complicado. Ah, e faltou banco.

Nos primeiros 20mim do segundo tempo, entrou Simão no time de Portugal, Carlos Queiroz adiantou as linhas de meio-campo, assim trancou Maicon e Michel lá atrás e deu companhia a Ronaldo.Foi o melhor momento dos portugueses no jogo, o Brasil ficou acuado. Mas depois disso, tudo voltou como começara: Portugal virou uma parede, e a Seleção passou a chutar bola na parede.

Agora é Brasil e Chile. Esquecendo e ignorando a Zebra Futebol Clube, dá Brasil fácil nas quartas de final.

*Castro é louco, inclusive por futebol, e aceitou a ideia de ser o correspondente do PoA Geral na África do Sul.

domingo, 20 de junho de 2010

O gol da Copa!


Por Castro Marcon Cavalcante*

Uma pintura de gol. Um golaço! Luis Fabiano fez o gol que valeu por todos os gols não feitos dessa Copa 2010. Teve uma mãozinha do árbitro, duas mãozonas do Fabiano e o delírio das 84 mil vuvuzelas presentes no Soccer City, que viram o gol da Copa em loco.

O juiz foi coerente na ruindade: validou o segundo gol do centroavante brasileiro, foi exagerado ao expulsar Kaká e não expulsou o Tioté, que quase tirou o Elano da Copa. Brasil e Costa do Marfim não têm culpa da má jornada do frouxo Stephane Lannoy, só prejuízos.

Foi um jogo complicado para a Seleção. Os africanos tem muito bom time. Mesmo respeitando o Brasil, alterando o sistema do habitual 4-3-3 para um mais contido 4-1-4-1, os marfinenses tinham o controle do jogo até o Brasil achar o primeiro gol, depois da jogada espetacular de Robinho, Kaká e L.Fabiano.

O Brasil fez boa partida, ainda tem fragilidade do lado esquerda de defesa, onde tem o Michel, que não foi bem, onde tem Robinho, que não tem voltado para auxiliar Felipe Mello por ali e que hoje não auxiliou nem lá na frente. A saída de bola com os Felipe e Gilberto ainda é problemática, e não deve melhorar no decorrer da Copa. Mas Lúcio e Juan continuam impressionantes, Kaká retomando a forma, dando passe para dois gols, Luis Fabiano voltando a marcar, Elano carregando o piano e aparecendo para finalizar.
A torcida aqui tá feliz, gostou muito do jogo de hoje. E tem motivos. A Copa é feia, truncada, como esse time do Dunga, que pode não encher os olhos, mas consegue acertar mais do que errar, e consegue, porventura, ter lampejos de Brasil.

Depois desse jogo, não dá nem pra reclamar do frio. Talvez do juiz. Mas que fique assim mesmo: Brasil, classificado, 3. Costa da Marfim, ainda no páreo, 1.

*Castro é louco, inclusive por futebol, e aceitou a ideia de ser o correspondente do PoA Geral na África do Sul.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Seleção de sempre

Por Castro Marcon Cavalcante*

Em Joanesburgo, fez um frio de bater o queixo, 3° graus marcava o termômetro, mais frio que isso só a pousada barata que estou parando. Incrível, os quartos de lá são uma geladeira. Pelo menos o calor da torcida brasileira no Elis Park serviu para amenizar a situação. Aliás, na terça, sentei próximo ao cara que despencou das arquibancadas em meio ao jogo. Muito engraçado.

Tive alguns problemas para enviar textos para o blog, por isso esse chega dias depois da estreia da Seleção. Uma estreia discreta, como 90% das estreias dessa Copa de poucos gols e muitas retrancas. Excessão à regra foram Alemanha e Argentina, que venceram e jogaram bem.Os hermanos confirmaram o bom futebol goleando a Koreia do Sul no começo dessa segunda rodada que já é melhor que a primeira, missão não muito difícil.

A vitória do Brasil não surpreendeu, tampouco o futebol. Assim tem sido a gestão Dunga. Com esse futebol, com esse esquema tático e com esses jogadores o Brasil ganhou tudo o que disputou nos últimos 3 anos e meio. Pode ganhar a Copa? Pode. Só não pode depender tanto de um lampejo de objetividade do Robinho, ou do poder de fogo do Kaká descontado. Não dá pra isolar o centroavante no estático 4-2-3-1.

Não pode tanta coisa. Nem era para o Dunga ocupar o cargo que ocupa, nem pra eu comprar ingresso de cambista. Uma coisa eu sei que eu posso fazer, é só o que me resta, torcer - e aguentar a vuvuzela do argentino do quarto ao lado.

*Castro é louco, inclusive por futebol, e aceitou a ideia de ser o correspondente do PoA Geral na África do Sul.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Começa a Copa das vuvuzelas

Por Castro Marcon Cavalcante (marcado na foto)*

O estádio Soccer City recebeu um público de 84. 489 mil pessoas, mais eu, na abertura, a tão esperada abertura da Copa do Mundo da África 2010. Para iniciar os trabalhos um jogo de futebol de nem tão bom futebol assim. Mas de uma torcida empolgada e barulhenta, de um México que me decepcionou e de uma África do Sul que jogou o que de fato sabe jogar.
Fora o jogo, é realmente impressionante a recepção do povo sul-africano não só com os brasileiro, mas com todos os turistas que aterrissaram na terra da Bafana Bafana para assistir suas seleções disputarem o caneco. Os africanos se esforçam e tratam todos da melhor maneira possível para compensar os problemas que qualquer país em desenvolvimento apresenta mesmo depois de inúmeras obras.

E outra, o esforço do blogue para mandar um correspondente à Copa é tocante e louvável. Agradeço e fico lisonjeado pelo convite. A viajem foi tranquila, na medida do possível, só faltou comida e água no último dia. Infelizmente o motor do bote não aguentou o longo trajeto, as 12 últimas horas foram no braço. Tenho certeza que a equipe do blogue vai encontrar uma maneira de me trazer de volta ao término da competição.

Por enquanto é isso! Volto a qualquer momento com mais colaborações para o PoA Geral. Um abraço, e boa Copa pra todo mundo!

*Castro é louco, inclusive por futebol, e aceitou a ideia de ser o correspondente do PoA Geral na África do Sul.