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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Grêmio não precisava de três atacantes para eliminar a LDU

O time de Luxemburgo conseguiu fazer o 1 a 0 que levou o jogo para a decisão por pênaltis apenas no segundo tempo, depois das mudanças do treinador. O Grêmio voltou com três atacantes: Willian José, André Lima e Vargas. Os dois primeiros entraram no time nos lugares de Fernando e Marcelo Moreno. Mas isso foi determinante? Não.

Objetivamente, o que determinou a classificação gremista foi a defesa de Marcelo Grohe no último pênalti cobrado pelo time equatoriano. Porém, o futebol não é tão simples. Uma série de fatores se encaixam para que se chegue a um resultado.

Com três atacantes, no segundo tempo, o Grêmio jogou pior que na primeira etapa, mesmo embora tivesse conseguido o gol. E o gol veio através de uma jogada que poderia muito bem ter acontecido com apenas um ou dois atacantes em campo: a iniciativa de um dos meias. Elano e Zé Roberto precisam ser mais agudos, arriscar mais, e não se limitar a tentativas de articular jogadas para outros finalizarem. O Grêmio precisa que eles finalizem, o Grêmio será mais agressivo com eles finalizando.

Foi finalizando, de longe, que o camisa 7 Elano fez o golaço que levou a decisão para os pênaltis.
Diego Vara / ClicRBS
Na segunda etapa, com três atacantes, sendo apenas um deles de movimentação, o Tricolor começou a lançar bola de tudo quanto é lado, apostando no confronto direto entre os dois centroavantes (André Lima e Willian José) com os três zagueiros da LDU. A segunda bola poderia sobrar para Vargas, e surgir daí uma situação de gol - era essa a estratégia de Luxa, mas não deu certo. Os equatorianos colaram os alas aos seus três zagueiros, dobrando a sobra na marcação dos atacantes gremistas e dificultando o rebote. Com a bola muito tempo no alto, Vargas sumiu do jogo, e passou longe do belo primeiro tempo que fez na Arena.

Os dois desfalques que o Grêmio teve para o jogo não foram sentidos. No lugar de Cris, o jovem Bressan se saiu muito bem, formando uma zaga segura - apesar da pouca idade - com o  melhor em campo, Saimon. No gol, o homem da classificação. Ele que entrou no lugar de Dida, lá em Quito, e logo levou o gol que dava a vantagem para a LDU. O mesmo que, aqui na Arena, pegou o pênalti de Morante, o último da noite. O da classificação. A torcida não sentiu falta do Dida.

Porém, o que grupo do Grêmio ainda sente a falta de algumas peças de reposição, principalmente para o meio-campo. E um jogador para vestir a 6 e tomar conta a lateral-esquerda (por mais que Alex Telles seja promissor).

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O que vale mais no Gre-Nal: objetivo ou simbolismo?

Um certo simbolismo, históricamente, toma conta do futebol do Rio Grande do Sul. No Campeonato Brasileiro, vive-se em eterno Gauchão. Quando os principais objetivos, como título e vaga na Libertadores, não são alcançados, torcedores e dirigentes exageradamente apaixonados e sanguíneos, contentam-se com a corneta de terminar no Brasileirão na frente do rival.

É um aspecto bairrista, típico do gaúcho. Uma característica que acaba apequenando tudo, de certa forma. Limitando o que é daqui a uma esfera que não ultrapassa as fronteiras do estado. O futebol, e todos que o envolvem, acabam incorporando isso. Acho ruim, nocivo aos nossos clubes, que muitas vezes não se portam como se tivessem a dimensão que de fato têm e adquiriam através de suas biografias centenárias.

Chegamos ao último Gre-Nal da história do Estádio Olímpico. Ao Inter, só resta o simbolismo de vencer o último clássico disputado na casa do Grêmio. Ao Tricolor Gaúcho, ainda falta alcançar um objetivo, que é a vaga direta na Libertadores, o que significa ser segundo colocado no BR-12. De qualquer forma, o simbolismo de fechar o Olímpico vencendo o Internacional também está intrínseco ao objetivo gremista.
Mas há um adendo. Mesmo perdendo, o Grêmio pode conquistar a segunda colocação e a vaga direta. Só depende de um resultado positivo entre Galo e Cruzeiro. E aí a questão: só conquistar o direito de disputar a Copa Libertadores a partir da fase de grupo, sem precisar passar por um jogo eliminatório, basta ao Grêmio?

No caso específico desse Gre-Nal, fico com a importância do simbolismo. Não será completa a glória Tricolor caso o Inter vença - como já o fez no primeiro clássico do Olímpico, um expressivo 6 a 2. Vaga direta ou indireta para Libertadores se disputa todo ano, assim como clássicos decisivos. O Gre-Nal do próximo domingo, fecha um Estádio com 58 anos de história, um templo emblemático do futebol mundial. É, sim, significativo uma vitória, por quem quer que seja.

Os objetivos reiais do campeonato, colocação e pontuação final, dessa vez, estão em segundo plano. Vale o que fica pra história, o que enriquece o ego do torcedor. Qualquer outro prêmio - que não um título - é lucro no domingo.

domingo, 4 de novembro de 2012

Grêmio vence Ponte Preta sem criar nenhuma situação de gol

Foi uma das piores atuações do Grêmio em 2012, sobretudo ao comando de Vanderlei Luxemburgo. Tivesse a Ponte Preta um pouco mais de sorte ou qualidade técnica, teria vencido, sem dúvidas. Durante os 90 minutos, o mais próximo que o Tricolor chegou a uma oportunidade de marcar foi no início do jogo, duas vezes. As duas com Marcelo Moreno, mas finalizando mal, não obrigando o goleiro Roberto a sequer executar uma defesa. É muito pouco.

O Grêmio foi um time distante, com pouco sentido coletivo, pouca vitória pessoal, entregue à boa marcação do time de Guto Ferreira. Lá atrás, sofreu com os contra-ataques puxados por Nikão e Luan. Marcelo Grohe precisou trabalhar, e trabalhou bem. Teve boas intervenções e evitou que o resultado fosse trágico para um Olímpico com 40 mil torcedores.

Se por um lado o time está desgastado física e mentalmente, cansado com a maratona de jogos, o que prejudica na execução de tarefas básica dentro de uma partida de futebol - como preencher espaços, passar, inverter a bola, tomar decisões corretas -, por outro lado é uma equipe muito bem preparada fisicamente. O Grêmio pode até correr errado, errar em demasia, mas corre. Vai em busca do resultado nem que seja no abafa, sem organização e méritos táticos.

Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
Foi o que aconteceu ontem, no Olímpico. Com um jogador a menos desde a metade do segundo tempo, o time de Luxa conseguiu empurrar a Ponte Preta para o seu campo. Continuou sem criar absolutamente nenhuma chance de gol, mas cavou escanteios e faltas na beira da área do adversário. Assim, num escanteio, aos 45 minutos da segunda etapa, foi que Zé Roberto achou André Lima, que trombou com zagueiro e goleiro para marcar o gol da vitória.

Faltando agora quatro rodadas para terminar o BR-12, tendo construído uma bela campanha e ainda com a possibilidade de subir uma colocação e ser vice-campeão, o Grêmio não precisa mais jogar bem. Precisa vencer, como fez ontem. Luxemburgo está administrando duas competições simultâneas, poupando um ou dois jogadores a cada partida, mas nunca descaracterizando a equipe. Esta reta final vai exigir muito dos atletas, e o melhor que podem esperar é que a torcida seja o centroavante do time, como foi e como muito bem observou Luxemburgo, após a vitória de sábado. Não é hora de pegar no pé.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vitória que credencia

O Grêmio conquistou uma grande vitória no domingo, contra o São Paulo, no Morumbi. Vitória de 2 a 1, fora de casa, contra um clube grande que, embora não viva seu melhor momento, também anseia voos maiores no BR-12.

Essa vitória sobre o São Paulo pode ser simbólica. Estamos diante de um Grêmio pronto, maduro e qualificado o suficiente para disputar as primeiras posições e buscar o título? Em parte, entendo que sim. O time de Luxedmburgo está pronto, e o grupo está fechado. Não chega mais nenhum contratado, e quanto a equipe titular, o máximo que pode mudar são as laterais. Direita, Edilson é o mais titular, mas Tony corre por fora e tem chances. Na esquerda, Pará "quebra um galho" como titular desde que chegou ao Olímpico, junto com o treinador. Por ali, os da posição, Julio César e Marco Aurélio, não conseguem jogar devido às diversas lesões.

Pela partida que fez, se aproveitando de um São Paulo fragilizado, ainda em formação, e conseguindo virar um resultado de 1 a 0 para o 2 a 1, fora de casa, se valendo de opções do grupo como Marquinhos e André Lima, e também por outras partidas, como o Batafogo no Rio, o Fluminense no Olímpico, dão sinais que o time alcançou um grau importante de maturidade. Sobretudo após as entradas de Zé Roberto e Elano, somadas aos retornos de Kléber e Moreno, que finalmente conseguiram uma sequencia jogando juntos.

Luxemburgo achou uma maneira de jogar, fixou o 4-4-2 abrasileirado, com dois meias, dois volantes e dois atacantes. Tem alternativas, como o 4-3-3 que venceu o Sport por 3 a 1 ou até mesmo o 4-4-2 britânico, eficaz contra o Botafogo de Seedorf.

Projetar uma disputa de título ainda é inviável, pois no cenário atual de do BR-12, o Atlético Mineiro, o Fluminense e o Vasco estão um passo à frente dos demais. Principalmente o Galo. O Flu, ao que tudo indica, é quem pode alcançar o time mineiro. O Grêmio, por enquanto, é o time mais forte depois destes três , e tem possibilidades de se fixar no bloco dos ponteiros da tabela.

As duas próximas partidas são no Olímpico, contra equipes que, teoricamente, representariam maiores facilidades ao Grêmio. Se o Tricolor confirmar dois bons resultados, podem ser seis pontos essenciais para a sequencia da competição.

Hoje o Grêmio enfrenta a Portuguesa, às 19h30. No final de semana, recebe o Figueirense.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Fluminense: o grande desafio gremista até agora

O jogo foi na quarta-feira, mas não quero deixar passar, pois ainda não tinha conseguido escrever sobre Grêmio e Fluminense. A vitória gremista foi simbólica, pois coroa uma bela sequência de quatro vitórias no BR-12 e credencia o Grêmio para ser um dos postulantes às primeiras colocações. Óbvio que não é definitivo, posso errar, mas nem falo em título (por enquanto), até porque os verdadeiros candidatos ao caneco são Atlético-MG, Vasco e o próprio Fluminense.
Ricardo Duarte/ClicRBS
A partida no Olímpico foi duríssima. Sem quatro titulares, Abel Braga abandonou o 4-2-3-1 e armou seu Fluminense num 3-4-3 (que confundiu muita gente, achando ser um 3-5-2). O esquema de Abel trancou o Grêmio, afinal tinha um zagueiro vigiando Kléber de perto, outro vigiando Moreno e mais um na sobra. Na frente, Fred marcava a saída pelos dois zagueiros e o volante, pelos lados os laterais gremistas tinham dois obstáculos: os atacantes de lado Wellington Nem e Thiago Neves e os dois alas bem avançados. Aos dois volantes cariocas, sobrou Elano e Zé Roberto.

O primeiro tempo foi muito equilibrado, com poucas chances de gol e com o visitante batendo de frente com o Grêmio. Na segunda etapa o Tricolor gaúcho teve uma mudança tática sensível, mas fundamental para adquirir o controle da partida e vencer o jogo. Luxemburgo abriu seus meias, colocou o meio-campo em linha. Zé Roberto e Elno, quando não estavam no confronto direto com os alas, estavam às suas costas, com campo para jogar.

Apesar do gol do Kléber ter saído após jogada de bola parada, o Grêmio no segundo tempo desdobrou o sistema tático de Abel e jogou melhor, marcou melhor e venceu com justiça. Vitória que tem importância na tabela, afinal são três pontos em um confronto direto, tem importância na construção do time, pois dá sustentação a uma ideia de futebol, e tem importância anímica para a relação entre torcida e a equipe de 2012 - que perdera dois jogos importantes com Olímpico lotado (Palmeiras e Galo mineiro).

domingo, 15 de julho de 2012

Com Elano, Grêmio muda esquema e volta a ter cara de time

Na última quarta-feira, aqui no PoA Geral, especulei como jogariam Elano e Forlán na dupla grenal. Cravei que o jogador gremista seria utilizado como volante apoiador pela direita, no losango que Luxemburgo usa desde quando chegou ao Grêmio. Na excelente vitória contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, nesse domingo, Elano jogou como meia, ao lado de Zé Roberto. Opção que coloquei em segundo plano no mesmo texto.

O Grêmio de Luxemburgo atuou no 4-4-2 com dois volantes, dois meias avançados. e dois atacantes - o brasileiríssimo 4-2-2-2. E jogando dessa forma, o Tricolor voltou a ter cara de time, como já tinha no início do trabalho de Luxa, mas foi se perdendo conforme um pragmatismo cada vez mais fácil de ser marcado.

O time que vencia o Cruzeiro por 2 a 0 quando perdeu Werley, expulso aos 44 do primeiro tempo, teve maturidade incomum e um futebol inesperado depois de uma semana complicada, com muito falatório, vindo de dois resultados de derrota no BR-12. O Grêmio teve a partida sob controle quando estava 11 a 11 e mesmo no segundo tempo, com um jogador a menos, fazendo duas linhas de quatro atrás de Moreno e encaixando alguns bons contra-ataques até fazer o terceiro gol e matar a Raposa de Celso Roth.

O gol do Cruzeiro veio nos acréscimos, depois de um pênalti bem marcado pelo atrapalhado árbitro. Atrapalhado como o time de Roth, que se desmanchou no segundo tempo para ir pra cima do Grêmio, ficou sem nenhum lateral e criou muito pouco.

Gil Leonardi/Lancepress!
A equipe do Grêmio teve atuações incorrigíveis. Sem dúvida os maiores destaques são Marcelo Moreno, autor de dois gols, e o volante Souza, desta vez mais ao lado de Fernando, marcando muito e saindo pro jogo na hora certa, sem desproteger o sistema defensivo. Fez uma linda jogada no terceiro gol gremista.

Com Zé Roberto e Elano nas meias, o Grêmio pareceu mais encorpado e, naturalmente, mais experiente. Os dois jogadores conseguiram fazer a aproximação dos setores e qualificaram o toque de bola gremista. Não foi por acaso os dois primeiros gols saíram pelo lado direito. O primeiro, depois de uma enfiada do Kléber, a bola chega até Elano na linha de fundo, que faz o cruzamento perfeito para a cabeçada de Moreno. No segundo gol, o promissor Tony faz boa jogada individual, vai até o fundo e cruza rasteiro, a bola chega no Moreno que, num toque sutil para trás, encontra o Gladiador, que finaliza a jogada. 

Nos três gols, o Grêmio teve bola trabalhada, troca de passe, aproximação, vitória pessoal e calma. A calma que não vinha tendo e, ironicamente, só veio depois de uma semana muito conturbada.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vantagem do Palmeiras é desproporcional, vitória não

O jogo não foi bom no Olímpico. Os 45 mil torcedores que lotaram o estádio assistiram a dois times pesados, de características parecidas, marcando muito e criando pouco. No décimo segundo jogo de Luxemburgo no Olímpico, a primeira derrota depois de uma série de 11 vitórias. Um retrospecto positivo que dava ao Grêmio certa dose de favoritismo.

Mas favoritismo nunca foi garantia de nada. A vitória do Palmeiras foi merecida, teve a cara de Felipão e fez-se graças ao exito da estratégia do treinador. Entretanto, o tamanho da vantagem adquirida pelo Verdão é desproporcional à sua campanha, à campanha do Grêmio (até então invicto na competição), e ao momento das duas equipes. Copa tem dessas coisas, nem sempre a melhor campanha é a do campeão. Isoladamente, o 2 a 0 para o Palmeiras é normal. Mas o peso desses dois gols no Olímpico vira de lado o favoritismo e coloca o melhor time da competição até agora em uma situação quase irreversível.

Praticamente toda vitória e toda derrota passa pelas opções e convicções do treinador. Isto vale para Luxemburgo, que faz um bom trabalho no Tricolor, mas que ontem não foi bem, e vale para Felipão, que está há um ano e meio aos trancos e barrancos no Palmeiras, só que acertou a mão e o time nesse primeiro confronto da semifinal da Copa do Brasil.

A grande surpresa do Grêmio foi a escalação de Kléber no ataque, junto a Miralles. Não acho que Luxa tenha errado aí. Inflamou o estádio com a presença do Gladiador e escalou dois atacantes que conseguem prender a bola no ataque. Mesmo com Kléber não estando com total ritmo de jogo, ao menos 45 ele aguentava. E aguentou muita porrada. De resto, um Grêmio igual, no 4-3-1-2, mas com um Marco Antônio muito escondido, bem marcado por Henrique. Se pelo lado direito do meio-campo Souza fez ótima partida, faltou a parceria com Gabriel, que jogou um futebol preguiçoso, fora do ritmo da decisão.

A estratégia do Palmeiras era marcar. Principalmente no 1° tempo. Segurar o Grêmio, amornar a torcida e sair mais no segundo tempo. Se o 0 a 0 era lucro, imagine o 2 a 0. Felipão montou um 3-5-2 híbrido, que tinha um zagueiro (Henrique) de primeiro volante, e um lateral como terceiro zagueiro (Arthur, pela direita). Na marcação de Kléber, sempre dois jogadores. Conforme a situações de jogo, esse Palmeiras virava facilmente um 4-2-3-1, sempre com Barcos lá na frente. João Victor, que no 3-5-2 era ala pela direita, avançava e ficava em linha com Daniel Carvalho e Luan, ficando os três na retaguarda do centravante.

A marcação do Palmeiras estava encaixada, funcionante completamente. As chances de gols são raras na partida, embora tenha no primeiro tempo o Grêmio um bom volume de jogo, mas sem praticamente nada de infiltração.

O jogo foi decidido depois das principais substituições do segundo tempo. Vanderlei Luxemburgo abriu mão do jogo de paciência, abriu mão da posse de bola no ataque. Sacou Miralles e Kléber e colocou Moreno e André Lima, dois centroavantes para receber bola alçada de tudo quanto é parte do jogo. Facilitou a marcação palmeirense. O ataque do Grêmio parecia uma parede, a bola batia e voltava.

Do outro lado, Felipão, que já via um Palmeiras mais à vontade em campo, menos nervoso que o time da casa, dotou sua equipe com mais velocidade. O zagueiro lateral Arthur saiu para entrar o lateral Cicinho, que tem mais recursos técnicos e que continuou cumprindo a mesma função do companheiro. No meio, o descompromissado Daniel Carvalho foi substituído pelo jovem e rápido Mazinho. Aos 41, Cicinho puxou o contra-ataque fulminante que acabou no gol de Mazinho. O segundo gol veio quatro minutos depois, de forma natural, com um Palmeiras cheio de confiança e um Grêmio totalmente atordoado depois do gol.

A grande vitória palmeirense passa por uma série de erros e acertos, de ambas as partes. Um jogo não define um ano, mas um jogo e uma vantagem desproporcional podem decidir uma Copa. É o que está acontecendo com o Grêmio. A não ser que na próxima semana aconteça a improvável virada tricolor. Impossível não é.

*Foto Fernando Gomes/ClicRBS

domingo, 10 de junho de 2012

Grêmio vence reservas do Corinthians

Em 12 pontos disputados, o Grêmio somou 9 no BR-12. É um bom início, dá até para dizer que promissor se levarmos em conta que o time de Luxemburgo ainda disputa em paralelo a Copa do Brasil, competição em que é semifinalista e já tem confronto na próxima quarta, no Olímpico, contra o Palmeiras.

Luxemburgo é bem claro. Depois de 10 dias de treinamento, não há motivos para preservar titulares agora, por isso que nos dois jogos que antecederam o primeiro confronto da semifinal o Grêmio foi com força máxima. E colheu frutos. Conquistou duas importantes vitórias, sendo uma delas fora de casa. Entretanto, o técnico gremista afirma que, quando for necessário, vai poupar jogadores. Não é o caso depois de 10 dias sem jogos.

Tite pensa diferente. Só pensa em Santos e em Libertadores. Exceto Fábio Santos, o Corinthians jogou com o time completamente reserva. Sabendo da dificuldade que é jogar com uma equipe desentrosada ainda mais enfrentando um Grêmio em boa fase dentro do Olímpico, Tite armou seu Corinthians para se fechar e contra-atacar o Tricolor. Assim, buscou privilegiar seu melhor jogador, o ex-gremista Douglas, esquematizando um time no 4-4-1-1, com o meia livre para atacar e sem a necessidade de marcar. Foi dos pés de Douglas que saíram as jogadas mais perigosas do Corinthians, quem não foram muitas.

O Grêmio ganhou ao natural, sobretudo depois do bom primeiro tempo. É verdade que a equipe gaúcha demorou até sair da marcação corintiana. Quando Marco Antônio passou a jogar entre a linha de meio-campo e a linha de defesa, foi que as coisas clarearam para o Grêmio. Os dois gols da vitória saíram a partir daí.
No segundo tempo o time de Luxemburgo relaxou, deu mais campo a um Corinthians que modificou seu modo de jogar, fez um losango no meio, colocou Willian mais encostado ao centroavante Élton e trouxe Fábio Santos para o meio-campo. Porém, mesmo estando melhor posicionado e com a posse da bola, o desfalcado Corinthians pouco ameaçou um Grêmio pragmático e seguro na defesa, sobretudo com o retorno de Werley à zaga.

Kléber jogou os 45 minutos finais, entrou no lugar de Miralles. O Gladiador foi participativo e foi para o confronto corporal sem nenhum tipo de receio. Perdeu uma chance de gol muito clara e errou algumas jogadas fáceis, muito por culpa da flata de ritmo. Também sofreu com um Grêmio menos organizado no segundo tempo. Isto porque entrou Rondinelly, e a equipe muda quando ele entra. Sem o centralizado Marco Antônio o tradicional losango gremista se desmancha. Rondinelly joga pelos lados, abre preferencialmente pela esquerda, Souza abre pelo outro lado e Léo Gago fica mais ao lado de Fernando. Está aí um dos motivos para Luxemburgo não cogitar sua titularidade por enquanto, mudar um padrão de jogo que está dando certo seria um tiro no pé.

*Foto Ricardo Duarte/ClicRBS

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Grêmio pragmático apresenta suas armas para o restante da temporda

O início de trabalho de Vanderlei Luxemburgo no Grêmio é marcado por muitas vitórias, mas não por atuações empolgantes. Até agora, apenas uma derrota, para o Pelotas, fora de casa, e a eliminação nos pênaltis para o Caxias, na semi final do primeiro turno, depois do empate de 1 a 1 nos 90 minutos - este também fora de casa.

O 3 a 0 contra o Ipatinga ficou longe de uma atuação empolgante. Mas é um 3 a 0, é uma vitória que passa o time para a próxima fase da Copa do Brasil. Ou seja, Luxemburgo, por enquanto, só faz questão desse pragmatismo, da vitória a qualquer modo, que é o que leva a equipe adiante nas competições e ajuda a evoluir.  Vitórias sustentam ideias e ajudam a dar liga a um time. Parece que é exatamente o que acontece hoje no Grêmio.

Caio Junior, por exemplo, não teve atuações tão piores quanto as de Luxemburgo. Porém, faltava o resultado. Uma verdade do futebol muitas vezes cruel, mas realidade nos clubes brasileiro. O imediatismo, por vezes, comete equívocos. Doutras, não.

Contra o Ipatinga o Grêmio teve o mínimo de dificuldade. O time mineiro é fraco. Luxa voltou a trabalhar o Tricolor no 4-3-1-2, com muito protagonismo de Léo Gago, pela esquerda do losango, e Fernando, o volante que centraliza a marcação do meio-campo. Bertoglio como atacante é uma convicção do treinador, e vem dando certo. No início do jogo, André Lima e Bertoglio entraram ao mesmo tempo na área, em velocidade, quando Marco Antônio vindo de trás com a bola dominada, cumprindo sua função de ponta-de-lança no meio de campo. Marco Antônio lançou o argentino, em profundidade, que com categoria passou pelo goleiro e abriu o placar.

O primeiro gol praticamente matou o Ipatinga, que vinha com a desvantagem de 1 a 0 do primeiro jogo. Vitória lá que o Grêmio conquistou no pragmatismo de Luxemburgo, que optou em fechar a equipe num 3-5-2 e especular contra-ataques. Foi uma partida horrível, mas o Grêmio trouxe a vantagem de Minas Gerias. Lembram como foi o gol?

Como no primeiro jogo, Léo Gago voltou a marcar gol chutando com sua poderosa perna canhota. Foi o terceiro do Grêmio na vitória desta quarta-feira. O volante já tem cinco gols na temporada, e seu arremate de fora da área é uma das marcas do Grêmio versão 2012. Assim como os gols de Miralles, que entrou no segundo tempo. O atacante tem como característica se posicionar à esquerda da área, cortar pra dentro e colocar no ângulo do goleiro chutando com a perna direita. Já marcou três gols dessa forma.

É um Grêmio que ainda sente muito as quese vinte lesões de jogadores até o momento. Qualquer equipe sentiria. É fato que prejudica a montagem do time, mas Luxemburgo está conseguindo buscar alternativas no grupo, tal como as reintegrações de André Lima e Miralles. De qualquer forma, não é só de jogadores lesionados que o Grêmio sente falta, o grupo ainda precisa de duas ou três boas peças, principalmente zagueiros.

domingo, 28 de agosto de 2011

Vitória no Grenal dá novo fôlego ao Grêmio

A situação do Grêmio no BR-11 determina que cada jogo disputado seja da importância de uma final de campeonato. Como vitórias não são constantes, cada uma conquistada tem um significado de recomeço, de um fôlego a mais na luta contra o rebaixamento e a expectativa de encaixar uma equipe e uma sequencia de resultados positivos, tão vital dentro de qualquer campeonato de pontos corridos.
Dentro deste contexto, uma vitória em clássico se mostra muito importante que qualquer outra. E o Inter chegava para o Grenal com status de favorito, respaldado pela recente conquista da Recopa Sul-America, sobre o Independiente. Um Internacional que, além do título do meio da semana, mantinha uma sequencia de bons resultados e um time que estava entrando nos trilhos, com o mesmo 4-4-2 que perdeu o clássico para o Grêmio, mas que não contou com Guiñazu e Nei, suspensos, e D'Alessandro, este lesionado. 
Dos méritos que qualquer vitória pode ter, esta do Grêmio tem um em especial. Conseguir anular o grande trunfo colorado em 2011, Leandro Damião, é significativo dentro da história do clássico 388. Trabalho árduo para a dupla de zagueiros Saimon e Vilson que, com Mário na direita e o estreante Julio César na esquerda, consolidaram a boa atuação do sistema defensivo gremista. No 4-2-3-1 de Celso Roth, sem G.Silva, com Fernando jogando ao lado de Rochemback, com Douglas, Marquinhos e Escudeiro fazendo uma linha de três armadores e André Lima trombando com a zaga colorada, o Grêmio fez uma partida segura, muito aplicado, se preocupando em anular o que o Inter tem de melhor e com a disposição de correr mais que o adversário.
Nem Oscar nem Andrezinho, Dellatorre - e depois Jô - também não, muito menos Damião. A virtude colorada que conseguiu furar o bloqueio tricolor foi o letal zagueiro Índio, empatando o jogo 10 minutos depois que Marquinhos abriu o placar no Olímpico.
Dorival Junior demorou a mexer no time. A substituição do intervalo, sacando o apagado Dellatorre e colocando um inexpressivo Jô, não mudou em nada a estrutura do time e nem o panorama do jogo. O Grêmio continuou controlando as ações no segundo tempo. Entretanto, como na primeira etapa, poucas chances de gol de ambos os lados. O gol da vitória gremista veio do pênalti bem cobrado por Douglas. Infração corretamente assinalada pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique.
O Inter e a continuidade do trabalho de Dorival não deve sofrer grande influencia dessa derrota no clássico. O Internacional continua no bolo que briga pela vaga na Libertadores, está em 8° lugar, com 27 pontos. Para o Grêmio, é uma vitória que vale muito. Em termos de tabela, os meso três pontos de qualquer outra vitória, que leva o tricolor aos 21 pontos, continua há três da zona do rebaixamento, na 15° posição, mas que agrega muito na questão anímica do grupo. Como para Victor, de retrospecto negativo em clássicos, como para Escudeiro, um dos melhores em campo e que ainda encontra dificuldades para se afirmar no Grêmio, o mesmo vale para Marquinhos, autor de um dos gols.
 

domingo, 14 de agosto de 2011

Grêmio e a necessidade da vitória

É tão óbvio dizer que um time precisa vencer, que precisa fazer gols. Afinal de contas, não há outro jeito de galgar posições melhores e disputar qualquer coisa dentro de um campeonato. Mas às vezes uma vitória pode significar mais que os três pontos, e é o caso da vitória de 2 a 1 do Grêmio contra o Fluminense.
O time de Celso Roth tinha a necessidade eminente de vencer em conta da sua situação na tabela, muito próximo da zona do rebaixamento. Mesmo com a vitória, no fechamento desta rodada do BR-11, o Grêmio ocupa a 14° posição, a perigosos 3 pontos (tem 18) do primeiro rebaixado, CAP, que hoje tem 15. Entretanto, acompanhado da vitória, vem uma dose de confiança que há muito esse time do Grêmio não tinha, e que precisa demais. Sobretudo um jogador como Marquinhos, ainda pouco à vontade no Olímpico, sem a simpatia da torcida. Seus dois gols podem significar um recomeço para esse jogador dentro do Grêmio.
O Tricolor jogou num 4-3-1-2, com muita aplicação mas em péssima jornada técnica. A não ser em bolas paradas e na jogada do primeiro gol de Marquinhos, pouco fez o Grêmio para ameaçar Diego Cavallieri. Mas nem sempre é preciso jogar bem, isso vem com o tempo, porém as vitórias tem de ser imediatas. Esse é um mérito que Celso Roth conseguiu em dois jogos.
Victor vinha de um bom jogo contra o Palmeiras, mas voltou a falhar no gol do Fluminense, depois do cruzamento de Carlinhos, quando saiu e não achou nada, deixando o gol livra para Fred. Não é o maior, mas é um problema que o Grêmio tem, a má fase de Victor. Acontece um relação mútua de insegurança, pois o goleiro não tem confiança na zaga e sai em todas as bolas aéreas, até nas que não precisa, da mesma forma que os zagueiros não confiam nas saídas de Victor. É preciso chegar a um acordo, Victor tem de sair menos, ficar mais embaixo das traves, onde é incontestável.
O Fluminense é um bom adversário, jogou no campo do Grêmio e teve posse de bola, só não conseguiu furar a marcação do Tricolor, mas rondou a área gremista o jogo inteiro. Entretanto, não deve ameaçar um campeonato que tem cada vez mais Corinthians e Flamengo como favoritos. Esta é uma vitória que pode dar novo fôlego ao Grêmio.

domingo, 17 de abril de 2011

Que sufoco!

É, o Grêmio está na semi-final da Taça Farroupilha e enfrenta a sensação do campeonato, o Cruzeiro, em local e data ainda indefinidos pela Confederação Gaúcha e pela RBS. É, mas poderia muito bem ter sido o Ypiranga a passar de fase. O time de Erechim, jogando em casa, empatou em 1 a 1 com o Grêmio e só vendeu a eliminação nos pênaltis.
Jogo bom de assistir, não que tenha sido bem jogado - foi em raros momentos -, mas foi bem disputado. Jogo complicado de participar e jogar. Que o diga Grêmio, Ypiranga e o árbitro Leandro Vuaden. As duas equipes fizeram uma partida de muito contato, Vuaden teve de participar bastante, distribuir bastante cartões amarelos. Mais acertou que errou, porém não seria exagero se o Ypiranga tivesse acabo os 90 minutos com um a menos. O time de Erechim usou em demasia do recurso da falta, principalmente sobre o jovem Leandro. Recurso que, esse ano, os adversários da dupla grenal estão caprichando. No Grêmio, Douglas e Leandro são os visados. No Inter, D'Alessandro e Oscar.
Mas o fato é que de novo o Grêmio apresentou um futebol de se desconfiar, parecido com o que jogou na Bolívia, porém mais comprometido. No início, a equipe de Renato abusou da displicência defensiva, Gabriel, Neuton, Adilson e Rochemback avançavam juntos. Se o time conseguisse manter a posse de bola, tudo ok. Mas não é o caso. Ao Grêmio de 2011, o que mais falta é sincronia nos movimentos defensivos. Muito mais uma questão de posicionamento que qualidade.
Ainda no primeiro tempo, passados 20 minutos de jogo, por orientação de Renato, Neuton e Gabriel guardaram mais posição e o Ypiranga, que jogou num 4-4-2 e insistia muito pelos lados, ficou de certa forma neutralizado. Assim o Grêmio conseguiu presença no campo de ataque, Leandro cresceu, passou a ser o destaque do jogo, pecando, porém, sempre no toque final. Contudo, quem brilhou foi Douglas, com um golaço de fora da área.
A saída de Douglas e Leandro, no segundo tempo, até então os dois melhores gremistas e campo, aconteceram no memento de apagão tricolor. O meia saiu porque não teve mais condição física, deu lugar a Carlos Alberto, que ainda demonstra muito mais vontade que futebol. Lenadro deixou o campo por opção discutível do treinador. Entrou Lins, que jogou bem, mas menos que Leandro.
A certa altura da segunda etapa o Ypiranga entrava na área gremista por todos os lados e tomou o gol de empate num chute vindo  da entrada da áera, na zona de cobertura do Gabriel. Foi falha de Victor? Foi, falha técnica, pois foi no canto dele. Mas longe de ser daquelas escandalosas, ainda mais para um goleiro que fez a boa partida que fez e que, na hora H, buscou mais um pênalti.
O Grêmio tem o mérito de ter bons batedores de pênalti, que dificilmente erram, como nesse domingo errou Lúcio. Mas muito bem acertaram Borges, Carlos Alberto, Rochemback e Gabriel. O goleiro Luiz Carlos também fez boa partida, também defendeu uma penalidade, entretanto não foi o suficiente para a evitar a classificação do Grêmio.
Renato está vendo que a equipe está jogando pouco. Já é um começo. Agora, quem tem o poder de mudar isso é ele. No seu 4-4-2, que é um 4-3-1-2, quem tem a função de apoiar e defender está mais atacando que combatendo. Nessa semana vazia, que antecede os jogos decisivos do Gauchão e da Libertadores, é preciso reencontrar o equilibro dentro do time. E esse equilíbrio passa, principalmente, pelas funções que desempenham os dois laterais e os três volantes.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Grêmio vence na Libertadores

O Grêmio venceu por 2 a 0 o León de Huánuco no Olímpico mas passou longe de um futebol brilhante. E nem sempre dá para jogar um futebol brilhante na Libertadores e mesmo assim se vai longe, até mesmo ao título. Pelo menos até o dia 8 de março, quando o Junior (6 pontos e 2 jogos) enfrenta o Oriente Petrolero (0 pontos e 2 jogos), o Grêmio é o líder do grupo 2, somando 6 pontos nos três jogos disputados até agora.

Mais uma vez sem poder contar com Lúcio no meio-campo, ainda por problemas clínicos, Renato escalou Carlos Alberto e montou seu time num 4-4-2 com meio em quadrado. Foi o tradicional e brasileiríssimo 4-2-2-2, com Carlos Alberto na meia-esquerda e Douglas na direita. Mesmo com os dois volantes Adilson e Rochemback, esse Grêmio é um time ofensivo, pois conta com dois laterais que se mandam à frente, e durante o jogo todo eles tentaram se madar.
O Grêmio teve a iniciativa, a posse de bola, a paciência, mas teve pouca penetração e poucas finalizações. Isso porque o time peruano veio jogar pelo empate, e está no seu direito. O León do técnico Franco Navarro se armou defensivamente em duas linhas de quatro, contando ainda com o recuo dos dois atacantes que vinham marcar no círculo central. Até tomar o segundo gol, aos 9min do segundo tempo, os laterais peruanos não tinham subido uma unica vez. O ferrolho de Franco Navarro impôs seríssimas dificuldades ao Tricolor
Diante da dificuldade de romper a marcação adversária, Carlos Alberto seria o homem da jogada individual. Mas de novo o camisa 22 do Grêmio não jogou tudo que pode e sabe, embora não tenha lhe faltado empenho. Não jogou mal, só não jogou o que joga. Diferente de Rochemback, que continua atuando em alto nível, marcando, comandando e iniciando tudo quanto é jogada.
Como todo time que se propõem a marcar muito, o León de Huánuco cometeu muitas faltas. Por essas infrações a equipe peruana perdeu o jogo, pois deu a uma equipe que tem na bola parada um ponto forte, a possibilidade de usufruir dessa característica. Foi assim no primeiro gol, depois de cobrança de Douglas e a finalização de cabeça de André Lima no final do primeiro tempo, e no início do segundo, com mais uma ótima cobrança de pênalti de Borges. A dupla não está funcionando plenamente na bola, mas se sustenta nos gols e nos números.
Não fosse a arbitragem do chileno Enrique Osses, talvez o jogo tivesse o dobro de faltas assinaladas e o dobro de cartões mostrados. Na ânsia de deixar o jogo correr, como muitos fazem, o árbitro deixou de marcar faltas existentes. E no lance do pênalti, marcou um puxão na área que sempre acontece e ninguém nunca marca. Aí, o chileno acertou.
Jogo duríssimo, em todos os sentidos, numa Libertadores que nunca é fácil. Vitória e um futebol razoável que, agora sem Paulão na zaga, vai se acertando com Rafa Marques ao lado de Rodolfo, com um quadrado no meio e com Lúcio, quem sabe, de volta à lateral já na quarta-feira de cinzas, quando o Grêmio decide o 1° turno do Gaúcho com o Caxias, no Olímpico.
 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Grêmio vai à final

ATUALIZADO 20h56: Grêmio e Caxias se enfrentam na quarta-feira, dia 9 de março, decidindo no Olímpico a final da Taça Piratini. Nos final do post, os gols de Grêmio e Cruzeiro de Porto Alegre.

Estaria orgulhoso o escritor Moacyr Scliar, falecido à 1h desse domingo, caso estivesse junto aos 15 mil torcedores que estiveram no Olímpico e viram um Cruzeiro organizado, jogando bem, e dificultando e muito a classificação do Grêmio. Scliar, aos 73 anos, fazia parte dos poucos que têm o Cruzeiro de Porto Alegre como primeiro clube do coração.
O Grêmio entrou completinho em campo, o mesmo time que enfrentou o Junior Barranquilla na quinta-feira pela Libertadoes, na Colômbia. A principal diferença do time de quinta pra esse de domingo foi o posicionamento do meio-campo. O losango foi desconfigurado, Carlos Alberto, que mesmo assim não fez boa partida, jogou ao lado de Douglas, atuando preferencialmente pela esquerda. Adilson jogou mais próximo de Rochemback e variou de posição com o capitão gremista.
Num jogo complicado, uma vitória de 4 a 2, tem como Borges, autor de três gols, não ser o destaque? Difícil, o centroavante tem todos os méritos. Mas não passa em branco as ótimas atuações de Rochemback, Gabriel - autor de um dos gols - e Douglas. Mesmo com este último perdendo dois gols feitos no final do jogo, quando já atuava de atacante, ao lado de Borges (e depois Viçosa). O camisa 10, quando quis jogo, jogou demais, apesar das muitas faltas que sofreu no primeiro tempo.

O Grêmio estava cansado, e esse é um dos preços que se paga por ser clube grande e ter muitos compromissos dentro de uma agenda apertada. O Cruzeiro do técnico Leocir Dall'Astra não tem culpa, imprimiu um ritmo de marcação muito forte, que dificultou demais para o Grêmio enquanto estava 0 a 0. O Cruzeirinho poderia, inclusive, ter saído na frente não fosse a boa defesa de Victor.
O azarão da Taça Piratini, que desclassificou o Internacional (plantel B), jogou num 4-4-2, bem compactado, com todo mundo muito próximo. Chegou aos dois gols no segundo tempo, se aproveitando de uma dificuldade que o Grêmio vem apresentando na bola aérea defensiva. No primeiro gol, o baixinho Jô, segundo atacante de bom futebol, venceu no pulo o lateral Gabriel e deixou o jogo num tenso 2 a 1. Mais tarde, quando Borges já havia feito seu terceiro gol, o grandalhão zagueiro Léo venceu Gilson e Victor, fazendo um bonito gol de cabeça.
Renato mudou o time para voltar a ter mais tranquilidade. Voltou a usar o Bruno Collaço no meio campo em alternativa a Carlos Alberto, desenhando de novo um losango no meio-campo gremista. Na frente, apesar da assistência para o segundo tento do goleador da tarde, André Lima repetiu atuação apagada, deu lugar a Escudeiro. O argentino fez o papel de ponta de lança no meio campo, empurrando um Douglas cansado para o ataque. Embora tenha jogado pouco tempo, entrou bem o Escudero.
O próximo compromisso do Grêmio é pela Libertadores, contra o Léon do Peru, às 20h15 no Olímpico. A dúvida fica quanto a volta do Lúcio. A tendência talvez seja a saída de Adilson e um Grêmio no 4-1-3-2. Na quinta vai dar certo, mas o Tricolor tem problemas lá atrás, principalmente por onde jogam Gilson e Paulão. O adversário da final da Copa Piratini, até o fechamento deste post, ainda é indefinido.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Junior Barranquilla 2x1 Grêmio

Jogo duríssimo na Colômbia. Comandado por um camisa 10 inspirado, Junior fez por merecer a virada sobre o Grêmio. Já deu para perceber que o 4-4-2 com meio-campo em losango, sem a figura do Lúcio pelo flanco esquerdo não funciona como deveria.

E, devido ao avançado da hora, falo mais com menos sono a qualquer hora dessa sexta-feira.

ATUALIZADO 16h40

Renato tentou repetir o losango do meio-campo sem o Lúcio, com Carlos Alberto pela direita e Adilson pela esquerda. Não funcionou, Gilson, lá na lateral-esquerda, voltou a jogar mal, mostrando muito carência na hora de defender. Carlos Alberto não sabe jogar de volante-apoiador, se esforçou, é verdade, mas exagerou nas faltas e não conseguia se aproximar da área. Renato reconheceu o erro e o tirou de campo ainda no primeiro tempo, pondo Bruno Collaço, lateral de origem, para jogar junto de Gilson, lá na esquerda.

O Grêmio saiu ganhando com um gol cedo, de Borges, depois de excelente passe de Douglas. E foi quando esse Grêmio avançou suas linhas é que foi melhor que o Junior Barranquilla. Quando baixou o ritmo, apareceram os problemas defensivos na esquerda e no setor de marcação de Carlos Alberto. O Junior empatou e melhorou no jogo, e o Grêmio só voltou a jogar quando Bruno entrou no time.

É bom time o Junior Barranquilla, pode incomodar ainda nessa Libertadores. Principalmente se os adversário não marcarem seu camisa 10, Hernandez. O meia de 34 anos jogou muito. Jogou o que faltou jogarem Gabriel e Douglas por parte do Grêmio, num segundo tempo que o Tricolor teve posse de bola, teve pênalti não marcado, teve o azar de tomar o gol da virada na única jogada dos colombianos na segunda etapa, não teve penetração na hora de atacar e não teve alternativa na hora de mexer e tirar um André Lima que mais cornetou a arbitragem que jogou futebol. Viçosa não é Jonas.

Contudo, a derrota não deve trazer maiores problemas à classificação gremista nessa primeira fase. O que pode trazer problemas são alguns erros que ainda tem o Grêmio de 2011. Ainda assim, duvido muito. Já para uma segunda fase, bom, aí é outra história.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sem chance para o azar

No sábado, Inter e Fluminense foram eliminados nos estaduais jogando contra times menores. No domingo, Renato Portaluppi não quis dar chance ao azar nem para a zebra no Olímpico. Contra o Ypiranga de Erechim, pelas quartas de finais da Taça Piratini, força máxima, passeio em campo, muito calor e goleada de 5 a 0.
Carlos Alberto e Escudero foram vetados pelo departamento médico, que achou pertinente preservar esses jogadores. Assim, o Grêmio voltou ao 4-4-2 com meio-campo em losango, com Adilson novamente na equipe. Nem o 3-5-2 do Ypiranga, com um zagueiro na sobra e Pansera grudado em Douglas, foi suficiente para evitar a goleada. A diferença técnica entre as duas equipes foi quase constrangedora. Fez correto o Grêmio em imprimir bom ritmo, principalmente no 1° tempo, jogar um futebol sério e comprometido e, assim, presentear os 11 mil que foram ao Olímpico com uma apresentação de luxo.
Talvez o que tenha deixado o técnico Renato mais feliz com a vitória tenha sido os dois gols de André Lima e o gol de Borges. Ele vem apostando nessa dupla de ataque e recebendo críticas negativas. Estreando "marca" nova, a camiseta 99, André Lima fez sua melhor partida ao lado de Borges, tendo exito ao sair da área e, por vezes, fazer o papel de um segundo atacante, e tendo a competência de também aparecer de centroavante e anotar dois. De qualquer forma, é uma dupla que ainda não me convence, que tira potencial de dinâmica de jogo da equipe. Mas isso só os próximos jogos dirão.
Na lateral-esquerda, Gilson mostrou mais confiança que outrora. Jogou solto, leve, como o fez depois de ter marcado seu gol contra o Oriente Petrolero. É um jovem, quem sabe só precisa de respaldo. Renato parece que já está dando, só falta a torcida. Outro jovem que entrou bem foi o Leandro, no segundo tempo, meia de 17 anos, franzino e um tanto tímido, fez um feijão-com-arroz e ainda apareceu para fechar a goleada no final.

Quinta-feira o Grêmio enfrenta, na Colômbia, o Junior Barranquilla pela Libertadores. O time que vai à campo ainda é dúvida. Só duvido que seja aquele do 4-1-3-2 que enfrentou o Oriente Petrolero. Para o retorno - se retornar - de Carlos Alberto, André Lima e Gilson são candidatos a saírem. Caso saia o atacante, se configura o 4-2-3-1. Se o escolhido for Gilson, se mantém o 4-4-2 e Lúcio retorna à lateral esquerda. Especulações minhas. Não sei.
Próximo domingo, pela semifinal da Taça Piratini, o Grêmio recebe o Cruzeiro.
   

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Com o pé esquerdo

A grande curiosidade da noite, na estreia do Grêmio na Libertadores contra o Oriente Petrolero, era ver a equipe bastante ofensiva que Renato bancou que jogaria. E jogou. No papel, um 4-4-2 desdobrado em 4-1-3-2, com Rochemback como único volante, uma linha de três meias com Lúcio, Douglas e C.Alberto mais dois centroavantes à frente, Borges e André Lima.

No primeiro tempo não foi essa maravilha toda, mesmo contra um modesto adversário. Modesto, longe de ser um time sofrível. O Oriente Petrolero tem seis jogadores que são titulares da seleção boliviana, entre eles o bom segundo atacante Mauricio Saucedo. Os bolivianos do técnico Ariel Russo impuseram dificuldades ao Grêmio jogando num rigoroso 4-4-2 em duas linhas próximas e recuadas, com as boas saídas de contra-ataques. Mas isso, apenas no primeiro tempo.
Dificuldades o Grêmio teve também com o próprio Grêmio. Novamente André Lima e Borges não fizeram boa dupla de ataque. No meio-campo, o que era para ser um time com facilidade de atacar pelos lados, pois era para ter Lúcio e a passagem do Gilson na esquerda e Carlos Alberto e a passagem de Gabriel na direita. Não aconteceu como deveria. Douglas e Carlos Alberto muitas vezes ocuparam o mesmo espaço na faixa central, insistiram muito pelo meio e pouco fizeram. O camisa 22 por vezes recuava demais, ficando ao lado de Rochemback e configurando um 4-2-2-2 burocrático.
O pênalti que abriu os caminhos tricolores na LA'11 veio só aos 43min do primeiro tempo. O árbitro Líber Prudente viu mão do jogador boliviano dentro da área. Viu errado, a bola bateu no rosto, embora o jogador tenha se atirado como um Higuita na bola. Do pé esquerdo do camisa 10 Douglas para o canto direito de Hugo Suárez.
No segundo tempo, sem o peso de precisar abrir o placar, o Grêmio voltou mais leve e, importante, melhor posicionado. Carlos Alberto e Douglas não bateram mais cabeça. O primeiro foi para o flanco direito enquanto o outro centralizou. O jogo fluiu, os laterais passaram e, numa dessas, recém aos 2min, o contestado Gilson entrou área a dentro e anotou com sua perna esquerda o segundo gol tricolor da noite.
A equipe do Oriente Petrolero não esboçou nenhum tipo de reação e o Grêmio tomou conta do jogo, muito pelos pés do imenso Fábio Rochemback, que jogou bem desde o início e viu seus companheiros gastarem o fino da bola só no segundo tempo. O terceiro gol saiu ao natural, mais um do pé esquerdo de Douglas.
Paulão e Rodolfo fizeram boa partida, seguros e sem inventar. Renato confia muito em Paulão, embora eu ache Vilson melhor opção. Depois entrou Adilson, Maylson e Escudero. Um dos atacantes saiu de campo e o Grêmio ficou num equilibrado (e tendência daqui pra frente) 4-2-3-1. Não se viu muito do argentino, entrou num momento em que o jogo estava morto, mas parece que Lúcio continuará no meio-campo e Gilson na lateral esquerda-esquerda.
Com a vitória o Grêmio é líder do grupo 2, tem os mesmo 3 pontos do Junio Barranquilla, mas tem vantagem de saldo de gols. O Tricolor agora pensa no Ypiranga, jogo que acontece no Domingo, pelas quartas de final da Taça Piratini, e viaja no meio da semana para enfrentar o próprio Junior Barranquilla, na Colômbia.
  

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

São Luiz 0x1 Grêmio

O primeiro tempo até deu para engolir. Teve até gol. Mas o segundo tempo "jogado" no Estádio 19 de Outubro, em Ijuí, foi inclassificável. No intervalo, só as equipes voltaram do vestiário, o futebol ficou pra trás. O time de reservas do Grêmio não é fraco para um Gauchão, tem bons valores, jovens buscando espaço. Já o São Luiz, faz jus à lanterna do grupo 1.

Reserva ou misto? Na realidade, só o tempo vai responder se Rafa Marques, Paulão e Adilson jogaram como titulares ou como reservas nessa quarta-feira. Com as chegada de reforços no Olímpico e o bom começo de temporada de alguns jogadores como o zagueiro/volante Vilson, estes três citados são sérios candidatos a perderem vaga no time já para a estreia na Libertadores, quinta-feira da próxima semana.

A volta do Borges é importante O centroavente jogou os 90 minutos e movimentou-se bem, não demostrou nenhum tipo de trauma físico ou psicológico depois do longo tempo parado graças à lesão. Ainda não foi o Borges que vai ajudar muito o Grêmio em 2011 ainda, mas só vai o ser jogando.

O São Luiz levou um gol cedo, aos 8min, depois da boa jogada de Mário Fernandes, dos (poucos) melhores em campo, e da dupla finalização de Maylson. A equipe de Ijuí tentou marcar com seu 3-5-2, mas pecou pelo excesso de faltas. Na frente, pecou pela falta de futebol, mesmo com a presença de Sharlei, um dos goleadores do campeonato, seguido de perto por Paulão o jogo inteiro.

Tivesse campeonato de gramados, o Estádio 19 de Outubro seria candidato ao rebaixamento. Como não há, o própio São Luiz encarrega-se de ser candidato ao rebaixamento. Por ou lado o Grêmio continua invicto, líder do grupo 1, com a melhor campanha do campeonato.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A força dos gaúchos na Libertadores 2011

Por Thiago S. de Souza*
Grêmio e Inter se reforçaram bem para a Libertadores da América 2011. Explico. 
Do lado azul, Rodolfo, Escudero e Carlos Alberto qualificam a equipe que chegou em quarto lugar no Brasileirão 2010.
Neste começo de temporada, a equipe de Renato apresentou carência no setor de defesa. Rodolfo vem para assumir o papel de xerife da zaga. Ao meu ver, deve ter Mário Fernandes como companheiro.
Escudero, jogador habilidoso e com ótimo chute de longa distância, é ótima opção para fazer o papel que Lúcio vem desempenhando no meio, liberando o jogador para voltar a sua posição de origem, a lateral esquerda.
Carlos Alberto, emprestado pelo Vasco até o final do ano, é uma aposta da direção e de Renato. É bom jogador, mas tem uma imagem desgastada por problemas extra-campo. Cabe a Portaluppi colocá-lo no eixo. Aí, é ótima alternativa para o meio.
O Tricolor ainda conta com uma boa surpresa: Vinícius Pacheco, que anotou dois gols importantes contra o Liverpool-URU, no Olímpico, garantindo o Grêmio na fase de grupos da competição continental.
Do lado vermelho, o badalado Cavenaghi chega para vestir a 9, que pertencia ao criticado e insustentável Alecsandro. É o artilheiro que a torcida reinvindicava.
O novo centroavante colorado é apresentado no estádio Beira-Rio
Outro grande nome que chega ao Beira-rio é Bollati, volante argentino de grande qualidade, que vem para ser titular. Enfim, um substituto para Sandro.
Zé Roberto é caso semelhante ao de Carlos Alberto, do Grêmio. Um mistério, contratado para compensar a venda de Giuliano.
Rodrigo, ex-Grêmio, deve lutar por seu espaço na zaga. Bolívar e Índio fizeram péssimo Campeonato Mundial, abrindo concorrência.
Roth também precisa encontrar posição para Rafael Sóbis. Jogá-lo para a função que já foi de Taison, não deu certo. Sóbis é atacante, precisa jogar na frente. Aliás, o técnico colorado precisa mostrar serviço, após o desgaste provocado pela derrota para o Mazembe.
A América considera o Inter como o "time dos sonhos". É o atual campeão da Libertadores, portanto, o time a ser batido.
Os representantes gaúchos em busca do título mais importante do continente entram na competição como favoritos. É grande a probabilidade da taça permanecer em Porto Alegre.

*Thiago é estudante de jornalismo, twitteiro e blogueiro