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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Filme de Segunda 173

Foxcatcher - Uma História Que Chocou O Mundo


É difícil mensurar o tamanho das atuações de Steve Carel, Mark Ruffalo e Channing Tatum em Foxcatcher. Não são trabalhos que primam pela virtuose mas, assim como o filme, primam pela frieza, pela introspecção e pela complexidade. Não à toa, das cinco indicações que recebeu ao Oscar de 2015, uma é de melhor ator (Carel) e outra de ator coadjuvante (Ruffalo). Uma indicação para Tatum também não seria exagero.

O drama dirigido por Bennet Miller (Capote e O Homem Que Mudou O Jogo) narra a história verdadeira que tem seu fim trágico em 1996, nos Estados Unidos. O milionário John du Pont (Carel), um milionário excêntrico, frustrado por não conquistar a admiração da mãe, convida os irmãos Mark Schultz (Channing Tatum) e Dave Schultz (Mark Ruffalo), ambos medalistas olímpicos em luta greco-romana, para integrar um centro de treinamento supercapacitado da modalidade dentro de sua mansão-fazenda Foxcatcher. Os irmãos passam a trabalhar ao lado de du Pont em meio a preparação para as Olimpíadas de 1988.

Tatum, à esquerda, contracena com Carel.

Por se tratar de uma história real, amplamente documentada pela imprensa norte-americana, o climax de Foxcatcher perde muito de sua força. Um sinal que, acertadamente, tanto o diretor quanto os roteiristas E. Max Frye e Dan Futterman não encheram a história de confetes.

Ruffalo, à direita, indicado ao Oscar de melhor ator 
coadjuvante
A narrativa não deixa de ser sombria. Há sempre um clima estranho pairando no ar, e não sabemos nunca ao certo do que se trata. Mas, basicamente, o que conduz esse ar de estranhamento é a relação entre os três protagonistas. Há um du Pont nacionalista, que não mede esforços nem recursos financeiros para conquistar glórias para si, para o país e para o orgulho de sua distante mãe, que considera o a luta greco-romana um esporte menor. Há também um Mark Schultz no auge de sua forma física, mas visivelmente perturbado, desde as primeiras cenas ao lado do irmão Dave, de todos o mais equilibrado, conseguindo manter a vida pessoal e a profissional em aparente harmonia.  

Foxcatcher é muito competente quando consegue deixar evidente toda uma aura de inquietação ao redor dos personagens, permitindo aos atores uma linha de atuação sem exageros e de muita correção. Não é apenas um ótimo trabalho de roteiro e direção, mas também de fotografia, direção de arte e montagem.

Gênero: Drama
Duração: 130 min.
Origem: EUA
Direção: Bennet Miller
Roteiro: E. Max Frye e Dan Futterman
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 12 anos
Ano: 2014


Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Filme de Segunda 166

Ilha do Medo


Exatamente há 72 anos, no dia 17 de novembro, em Nova York, nascia Martin Scorsese, um dos maiores cineastas da história. Aproveito a data para falar sobre um dos seus trabalhos recentes, de 2010, que acabei não comentando aqui no Filme de Segunda. Estou me referindo a Ilha do Medo, estralado por Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley.

O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Dennis Lehane que, com a ajuda de Laeta Kalogridis, também roteirizou o longa. A trama se passa em 1954, quando o detetive Teddy Daniels (DiCaprio), acompanhado do agente Chuck Aule (Ruffalo), investiga o desaparecimento de uma paciente perigosa, que fugiu do hospital psiquiátrico na remota Ilha Shutter, um lúgar inóspito, misterioso e de difícil acesso.


Scorsese, como de praxe, filma a partir de referências, autorreferências e homenagens. A neblina do início, lembra o seu Taxi Driver, de 1976. Depois, Ilha do Medo propõem um desfile de estilos, todos encaixados a cada momento da trama. Primeiro, com a chegada dos dois agentes na ilha, um clima de investigação policial, detetive clássico, com direito a frases, cortes e planos clichês. Depois, suspense e um leve toque de terror. Para então, na reta final, o filme se tornar um drama psicológico, capaz de desconstruir toda a narrativa.

Como sempre, o cineasta apresenta filmes tecnicamente quase perfeitos. É o caso de Ilha do Medo, que tem trilha sonora fundamental, direção de arte muito competente, fotografia adequada e uma série de interpretações corretas, todas dentro do tom necessário. Porém, falta aquele algo a mais para que o longa se torne um dos grandes na cinebiografia de Scorsese. É até difícil explicar o que seria esse algo a mais sem chegar muito perto de dar spoiler. Porém, talvez fosse mais vantajoso ao que se propõe Ilha do Medo que o diretor colocasse mais cedo a pulga atrás da orelha do espectador.

Gênero: Drama
Duração: 148 min.
Origem: EUA
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Dennis Lehane, Laeta Kalogridis
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Censura: 14 anos
Ano: 2009
Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Filme de Segunda 160

Mesmo se nada der certo


É bom sair do cinema se sentindo bem. Este é, sem dúvida, um mérito de Mesmo se nada der certo. O filme estabelece uma crítica sensível à industria musical, mas sem deixar de apresentar uma visão otimista, sem muita pretensão de propor qualquer coisa nova ou revolucionária, seja no cinema ou na música. É quase um estado de bem estar.

Diretor e roteirista, John Carney - que também é músico - usa mais uma vez a música como temática base de seu trabalho. Em Apenas uma vez, de 2006, um filme mais cru que este hollywoodiano Mesmo se nada der certo, faturou o Oscar de melhor canção.  Aqui o cineasta, com Keira Knightley, Mark Ruffalo, Adam Levine e See Lo Green, mais a parceria de Gregg Alexander nas composições, apresenta novamente uma compilação de boas músicas.

Gretta (Knightley) é namorada e parceira musical de um astro pop em ascensão. Os dois vão para Nova York e a carreira do rapaz deslancha enquanto o relacionamento deles termina. Decepcionada e prestes à deixar a cidade, vai tocar em um barzinho a convite de um amigo e acaba sendo descoberta por Dan (Ruffalo), um produtor em total crise emocional e financeira, que acabara de ser demitido da gravadora que ajudou a fundar.


Mesmo se nada der certo é quase uma comédia romântica, apenas não é porque não existe um casal protagonista. A trama é sobre uma jornada: Dan tem uma ideia genial para gravar um álbum de Gretta de forma independente. Tudo transcorre como uma espécie de recomeço, em todos os níveis de relação entre os personagens.

Nos 104 minutos de filme, entretanto, o roteiro é preguiçoso. Traz muitas coisas interessantes, como os vários pontos de vista da primeira cena, que se repete umas três vezes, e os flashbacks, sempre iniciados após Gretta dar play em algum vídeo gravado no celular ou em seu notebook. Contudo, alguns aspectos se desenvolvem sem maior explicação, como a busca pelos músicos para gravar o álbum e a própria protagonista se convencendo a ingressar no projeto, sendo que ela sempre passa uma impressão que não pretende ser uma artista profissional. E mais, em nenhum momento mostra Gretta contando sua história com o personagem de Adam Levine.

São aspectos que limitam um pouco Mesmo se nada der certo, mas não diminui sua boa música e seu estado de bem estar, tal como a notável capacidade de estabelecer uma grande empatia com o púbico.

Gênero: Drama
Duração: 104 min.
Origem: EUA
Direção: John Carney
Roteiro:  John Carney
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2014


Classificação PoA Geral 
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Filme de Segunda

Minhas mães e meu pai
Esse filme faço questão de falar onde assisti. Foi em uma das três salas da Casa de Cultura Mário Quintana, uma salinha pequena, querida, onde se escuta o barulho do projetor. O preço é bom e os filmes que lá passam às vezes até já saíram de cartaz dos principais cinemas de Porto Alegre. Minhas mães e meu pai só tem lá, deve ficar pelo menos até o fim dessa semana. É legal, antes de passar lá, acessar o site da Casa de Cultura Mário Quintana e conferir a agenda.
Vamos ao filme. Faz uma comédia gostosinha a cineasta Lisa Cholodenko escrevendo e dirigindo Minhas mães e meu pai. Homossexual assumida, Cholodenko transita com facilidade, naturalidade e leveza pelo universo que trás Minhas mães..., um universo que cada vez mais (ainda bem!) vai deixando de ser um universo estranho para ser um universo de todos.
O título, embora não seja dos melhores, diz tudo e quase que dispensa a sinopse. Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening) são duas mulheres que beiram seus 50 anos, casadas há 20 (ou mais) e com dois filhos adolescentes. A menina Joni, de 18 anos, e o Laser, de 15 anos, são frutos de inseminação artificial, cada um nasceu de uma das mães, que usaram o sêmen do mesmo doador.
O conflito que leva o filme adiante começa quando os dois filhos do casal resolvem conhecer o pai. As mãe, que até então mantinham em ordem uma típica família de classe média americana, vêem a coisa começar a degringolar com a chagada de um estranho, porém pai.
Nas mãos de outro diretor, com certeza seria um drama mais pesado, tratando com crueza da questão da união cívil gay, da questão da inseminação artificial, a questão do preconceito, o contato com as drogas. Mas, fundamentalmente, Minhas mães e meu pai fala de crescimento. Joni e Laser estão crescendo, têm dúvidas, uma rebeldia natural e a vontade de conhecer o pai. Do outro lado, Jules e Nic se deparam com seu casamento em crise tentando lidar com a situação nova. O pai, o solteirão e quarentão Paul (Mark Ruffalo), acaba seduzido pela ideia de ter uma família e se joga.
O elenco é um grande chamativo para Minhas mães..., a dobradinha de Julianne Moore e Annette Bening deu muito certo. As duas estão muito charmosas e, o melhor, muito críveis em seus papéis. E o que falar de Mark Ruffalo? Talvez a maioria das pessoas não tenham nada a dizer. É um ator que gosto muito, acho de uma simpatia tremenda que, vá lá, nem é um grande ator, mas sempre faz com muito gosto seus trabalhos. A filmografia de Ruffalo é um eletrocardiograma, tem muito coisa boa, legal, mas também tem bastante abacaxi. Mesmo assim, tendo o cara, a chance de eu gostar do filme é eminente.
Minhas mães e meu pai tem um clima legal, um bacana Mark Ruffalo, tem duas lésbicas quarentonas charmosas (atenção homens!), dois adolescentes descobrindo o mundo e se descobrindo, tem um humor bem legal, tem um drama que não é pesado. Tem ares de bom filme! Tem ares de novidade, de família 2.0 que dá muito certo e muito errado como qualquer família.
Classificação PoA Geral
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável