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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Em série de reportagens, DCM investiga sonegação de impostos da Rede Globo

Em seu terceiro projeto financiado por colaboradores através de crowdfunding, o Diário do Centro do Mundo começou a publicar em 15 de novembro a série de reportagens sobre o processo de investigação de sonegação de impostos da Globo. Em 2007 o processo, referente a compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002, desapareceu dos arquivos da Receita Federal e hoje circula no submundo.

A campanha de financiamento colaborativo no Catarse alcançou o valor de 48,2 mil reais. O repórter Joaquim de Carvalho é quem está apurando os fatos e, inclusive, já teve acesso ao processo original. No final da série de reportagens, o DCM também vai lançar um material em audiovisual, tal qual o documentário sobre o "Helicoca".

No portal, já é possível acessar a primeira matéria, assim como a segunda reportagem da série, publicada dia 25. 

Reportagem traz imagem do processo original. Foto: DCM


Nova campanha

O DCM já está em nova campanha para angariar fundos para uma grande reportagem sobre a crise da água em São Paulo. O portal, através de crowdfunding no Catarse busca a quantia de 25 mil reais até o final do mês de dezembro.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Considerações sobre a boa convocação de Dunga

CBF/ Divulgação
O novo (velho) técnico da Seleção Brasileira chamou 22 jogadores para os amistosos de setembro contra Colômbia e Equador. Na média, é uma boa convocação. A discussão entre três ou quatro nomes é sempre natural, uma lista nunca é unânime. Dunga lembrou de dez atletas remanescentes da Copa do Mundo, chamou outras 12 novidades. Como bem ressaltou, é apenas o início do trabalho e muitos ainda receberão oportunidade, até mesmo outros jogadores que disputaram o mundial do Brasil.

Das novidades, Filipe Luís, agora no Chelsea, e Miranda, do Atlético de Madrid, já mereciam, inclusive, estar na lista final de Felipão. Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro, do Cruzeiro, e Philippe Coutinho, do Liverpool, são lembranças justíssimas. Os dois laterais do Porto, Danilo e Alex Sandro, também são dois jovens que merecem oportunidade.

Dos que discordo, dois são da confiança de Dunga e, possivelmente, serão titulares: o lateral Maicon e o volante Ramires. Na zaga, Gil, do Corinthians, deve dar lugar ao lesionado Thiago Silva na sequencia do trabalho. Diego Tardelli, do Galo, é bom jogador, mas talvez já tenha passado seu momento de Seleção.

Jogadores que não descartaria para iniciar esse novo ciclo até a próxima Copa do Mundo são o goleiro Victor, os laterais  Dani Alves e Marcelo e ainda o volante Paulinho. Não acredito que Dunga pense da mesma forma.

Baseado em seus trabalhos no Inter e na própria Seleção canarinho, projeto um primeiro time no esquema 4-2-3-1, de futebol pragmático e, muitas vezes, priorizando o contra-ataque. O time deve ter: Jefferson; Maicon, David Luiz, Miranda e Filipe Luis; Fernandinho e Elias; Ramires, Oscar e Neymar; Diego Tardelli.

Ramires será o que foram Elano no Brasil e Fred no Inter, meias abertos por um dos lados, porém mais contidos, deixando a maior parte das infiltrações a cargo do outro meia extremo. No caso do retrospecto de Dunga, já fizeram esse papel Forlán e Robinho.

Sobre essa projeção de time, não é a que eu escalaria em um primeiro momento, mas fica evidente que o técnico da Seleção precisa lidar com problemas como a falta de um atacante mais de área confiável e um volante extraclasse.    

A LISTA

GOLEIROS
Jéfferson (Botafogo)
Rafael Cabral (Napoli)

LATERAIS
Maicon (Roma)
Danilo (Porto)
Filipe Luís (Chelsea)
Alex Sandro (Porto)

ZAGUEIROS
David Luiz (PSG)
Marquinhos (PSG)
Gil (Corinthians)
Miranda (Atlético de Madrid)

VOLANTES
Luiz Gustavo (Wolfsburg)
Elias (Corinthians)
Fernandinho (Manchester City)
Ramires (Chelsea)

MEIAS
Éverton Ribeiro (Cruzeiro)
Oscar (Chelsea)
Willian (Chelsea)
Philippe Coutinho (Liverpool)

ATACANTES
Hulk (Zenit)
Ricardo Goulart (Cruzeiro) - Também pode ser meia
Neymar (Barcelona)
Diego Tardelli (Atlético Mineiro)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Renovação X Reestruturação

Após toda a Copa do Mundo em que o Brasil não vence surge o mesmo papo: renovação. Afinal, é preciso renovar, buscar novos jogadores e resgatar o espírito brasileiro de jogar futebol convocando atletas que tenham orgulho de defender seu país.

Um belíssimo papo furado. Este é um dos erros crassos da nossa maneira de fazer futebol. Buscar a renovação a cada quatro anos sacrifica boas gerações e dificulta a criação de uma equipe propriamente dita, que tenha sentido coletivo e mescle experiência e juventude. Portando, Dunga, Gilmar Rinaldi e CBF erram quando falam apenas em renovação. Erra também quem cobra isso deles. A Seleção não precisa de renovação, ela precisa de continuidade e ajustes.

A palavra correta é reestruturação. Mas aí em uma esfera muito maior, que não se detém apenas no que é gerir uma seleção de futebol de um país. A Confederação Brasileira de Futebol precisa oxigenar suas práticas. Buscar a profissionalização nos mais variados setores, como o da arbitragem, por exemplo. Precisa abrir os cofres e investir de forma razoável na organização de campeonatos menores que permitam a boa saúde dos clubes de pequeno porte, auxiliar na manutenção e estruturação da base e promover cursos preparatórios com real estofo e valor técnico. Ouvir o Bom Senso FC, aderir ao fair play financeiro e repensar o calendário do futebol nacional.

Aos clubes grandes, é preciso cobrar da mesma forma. Essas agremiações poderosas precisam também se reestruturar. Além de profissionalizar a maneira de gerir o clube, é de suma importância que saibam atuar juntos fora do gramado, o que implicaria na criação de uma liga independente, nos moldes do falecido Clube dos 13. Uma liga para negociar, sobretudo, uma divisão mais equilibrada das verbas de televisão e que busque se desgarrar dos braços da Rede Globo e das Federações, defendendo o interesse dos clubes não de forma individual, mas visando o bem comum das instituições.

Isso vai muito além de uma renovação na Seleção Brasileira.


Aliás, Dunga como treinador e Gilmar Rinaldi como coordenador pouco difere do que vimos na última comissão técnica que tinha Felipão de técnico e Parreira um cargo acima - ainda que não parecesse. Por que escolher Dunga?

Não que tivesse feito mal trabalho em termos de resultado de campo na sua passagem, de 2006 a 2010. Mas o fato é que o novo (velho) técnico não deixou legado nenhum durante sua passagem pela Seleção Brasileira. Convocou pensando irrestritamente naquele momento, ignorando que em 2014 jogaríamos uma Copa do Mundo em casa e precisaríamos de uma equipe mais experiente. A culpa não é toda dele, evidente que faltou planejamento de instâncias maiores. Algo que esperamos que Gilmar Rinaldi seja capaz de comandar durante sua gestão.

Renovação
Da Copa de 2010 para a de 2014, cinco jogadores seguiram na Seleção: Julio Cesar, Thiago Silva, Maicon, Daniel Alves e Ramires. É um número baixo, ainda mais se considerarmos que nomes como Marcelo, Hernanes, Neymar e Victor poderiam estar no grupo. Outros nomes, naquele momento, também poderiam ser lembrados e, quem sabe, teriam uma trajetória diferente na carreira. Alexandre Pato e Paulo Henrique Ganso, sobretudo.

Mesmo após a catástrofe do 7 a 1 para a Alemanha na semifinal e a derrota de 3 a 0 para a Holanda na decisão de terceiro lugar, não é a hora de começar uma equipe do zero. Dos 23 convocados de Luiz Felipe Scolari para disputar o mundial no Brasil, pelo menos 12 podem servir de base para o novo trabalho do técnico Dunga. Da defesa ao ataque, são eles: Victor, Daniel Alves, Marcelo, Thiago Silva, David Luiz, Luis Gustavo, Fernandinho, Paulinho, Oscar, Willian, Neymar e Bernard.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Eles mereceram?

Eles mereceram, os alemães. Mereceram fazer sete, até oito, até mais. Jogaram infinitamente mais que o Brasil, nesta triste terça-feira. Não que, em uma análise fria e sóbria, a seleção alemã seja tão superior assim. O resultado é atípico, é irreal (embora real), e não ilustra o tamanho do Brasil no futebol e na capacidade de enfrentamento que poderia ter nessa semifinal. Mas é inegável que o resultado é simbólico, escancara problemas além do campo. Escancara problemas estruturais similares àqueles que a própria Alemanha começou a corrigir em 2006, ano em que perdeu uma Copa do Mundo em casa, coincidentemente.

Eles não mereceram, os jogadores brasileiros. É uma boa geração, que demonstrou amor e vontade de jogar pela Seleção como poucas tiveram. Que carregou o fardo da responsabilidade de ter que ganhar uma Copa em casa. Que tentou lidar com isso e teve muitas dificuldades. Evidente que teve, ora. Afinal, nossas principais referências técnicas são jovens. E outras nem tão jovens, não atravessavam grande momento individual. Eles não mereciam ser os protagonistas desse vexame. Eram apenas 11 bons jogadores mau orientados contra 11 bons jogadores preparados e sabendo exatamente o que fazer a cada centímetro do gramado.

Agora, eles mereceram! A CBF e a comissão técnica da seleção como símbolos da administração do futebol brasileiro. Esses sim mereceram cada gol alemão. Uma administração que pensa futebol como se pensava há 20 anos. Isso quando pensa. E podemos fechar aqui um arco simbólico que fechou quatro anos de observação e, quem sabe, aprendizado. Esse ciclo começa com a derrota de 2010, com o Dunga e uma equipe isolada na história - que pouco resgatou do passado e nada deixou para o futuro da seleção -, passa pelas derrotas do Santos para o Barcelona por 4 e 8 a zero e termina agora, com este acachapante 7 a 1 para a Alemanha. Mais que se reinventar é preciso se reestruturar, pensar, planejar e profissionalizar o futebol no país do futebol.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Descontos a uma Seleção que suou, mas mereceu vencer

Não marcaria o pênalti sobre Fred. O centroavante canarinho forçou e o juiz caiu - não literalmente, como de fato fez o atacante. Mas é do jogo, e sempre foi. Tenho a nítida impressão, aliás, que o Brasil chegaria à virada naturalmente, mesmo com todas as dificuldades impostas pela boa seleção croata.

E Copa do Mundo não é Copa das Confederações. O peso é outro, a responsabilidade é o dobro, o triplo, o hexa. O time de Felipão estava tenso, não por menos: jogar em casa é complexo. Se tem o apoio da torcida, fator absolutamente positivo; porém, se ganha uma obrigatoriedade desumana de conquistar a vitória. E mais que a vitória, é preciso dar show.

Se for, não vai ser dando show. Vai ser basicamente assim, pro gasto, como contra a Croácia. Com Neymar mais protagonista que galã de novela das nove, e protagonista porque sabe ser, tem bola pra ser. E foi, de novo. Mas tivemos Oscar roubando a cena, fazendo um partidão e um belíssimo gol.

Há de se fazer descontos. Foi o primeiro jogo, é tudo mais difícil. Foi a primeira Copa, para a maioria. E o primeiro gol, contra, ajuda a desestabilizar. Não é de se descartar mudanças sensíveis, principalmente de posicionamento. Na estreia, Felipão jogou basicamente no 4-4-2, com Neymar mais solto, na condição de segundo atacante, e na linha de meio-campistas a Seleção teve Oscar na direita e Hulk, apagadíssimo, na esquerda. Talvez o 4-2-3-1, variando para o 4-3-3, realmente seja o esquema mais adequado.

terça-feira, 15 de abril de 2014

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Como deve jogar Internacional treinado por Dunga

Definitivamente começou o ano de 2013 para o Inter. Se essa temporada terminou mais cedo, a nova demorou a iniciar. Houve um significativo hiato entre a saída de Fernandão até o acerto com Dunga, uma negociação arrastada, cheia de nunces e desencontros. No final das contas, o colorado anunciou uma comissão de futebol competente, capaz de fazer com que 2013 seja melhor que um azedo 2012.

Para fazer aqui um exercício de projeção, só podemos utilizar o único trabalho de Dunga como técnico: os quatro anos à frente da Seleção Brasileira. Sem dúvida um trabalho competente, baseado na coerência, com bons resultados. Porém, um futebol pragmático, pouco plástico, o que criou certa antipatia com o torcedor brasileiro.

A base titular, que foi à Copa de 2010 jogava num 4-2-3-1. Tinha Júlio César no gol, Maicon na lateral-direita, Michel Bastos na esquerda, a dupla de zaga era Lúcio e Juan, protegidos pelos volantes Gilberto Silva e Felipe Mello. Na linha de três meias, Elano na direta, um pouco mais recuado, Kaká no centro e Robinho na esquerda, entrando na diagonal. Na frente, o atacante era Luis Fabiano. É um time experiente, com pouco espaço para novos valores.

Se Dunga seguir a mesma tendência, as mudanças no grupo de jogadores não serão tão drásticas, e as contratações seguirão o mesmo perfil, apostando em nomes rodados como Forlán, Dátolo, Dagoberto e Juan. O que deve mudar é a atitude de vestiário, a maneira de cobrar rendimento, o modo de gerir os atletas. Dunga é disciplinador, e gosta de ter aliados em campo. Na sua Seleção, a maioria era de sua confiança, bruxos.

Hoje, Dunga tem D'Alessandro. É no argentino que o novo técnico aposta como um aliado dentro de campo. Será o capitão. Num provável 4-2-3-1, o camisa 10 segue sendo o centro do time, centralizado na linha de três meias, uma concepção parecida com a de Kaká na Seleção, puxando contra-ataques e retendo a bola.

O homem da infiltração, que se desloca na diagonal, pode ser tanto Forlán quanto Dagoberto. Eles que se aproximariam mais de Damião no ataque. Dunga até pode utilizar os dois juntos, mas nenhum faria o papel que Elano exercia. Um meia mais recuado, aberto na direita, marcando o lateral adversário e combinando jogadas com seu próprio lateral. O Inter pode ir ao mercado buscar esse jogador.

Assim como um segundo volante. Guinãzu sai pro jogo, marca na frente, só que tem dificuldades no passe curto e na conclusão à gol. No seu time, Dunga tinha um Felipe Mello igualmente combativo, mas que entrava na área e gostava de arriscar chutes e conclusões. Esse jogador pode muito bem ser o Fred, fazendo dupla com Ygor ou com o próprio Guiñazu.

Nas laterais, o Inter precisa contratar, principalmente na direita. Kléber renovou, e já foi jogador de Dunga na Seleção. Talvez continue com a 6 colorada. Na zaga, a mesma coisa acontece com Juan, jogador já conhecido pelo técnico. Deve ganhar mais espaço em 2013.

Um provável time, no 4-2-3-1: Muriel, Contratação, Moledo (Contratação), Juan, Kléber; Ygor (Guiñazu), Fred; Forlán, D'Alessandro, Dagoberto; Leandro Damião.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cartolaço da CBF é um equívoco

A informação pegou too mundo de surpresa. Mano Menezes não é mais o técnico da Seleção Brasileira. O anuncio de sua demissão foi na tarde desta sexta-feira . Um verdadeiro cartolaço dos dirigentes José Maria Marin, Andrés Sanchez e Marco Polo Del Nero. Quinta-feia à noite, alguns dos jornalistas mais bem informados do Brasil receberam a informação, porém não conseguiram nenhuma confirmação. Até hoje de manhã, Mano não sabia. Os três cartolas da Confederação Brasileira de Futebol tomaram a decisão após reunião.

É um equívoco. Mano já viveu momentos em que cogitar uma demissão não era nenhum absurdo. Agora, é burrice. O trabalho do técnico não é incontestável, porém, está longe de ser tão ruim quanto as pessoas pintam por aí. Fundamentalmente a imprensa de Rio e São Paulo. Até então, o grande erro de Mano Menezes era a demora para definir um time base para trabalhar, coisa que se resolveu nos últimos seis meses. Os testes diminuíram, a filosofia de jogo estava clara e a equipe principal praticamente definida. O trabalho estava, finalmente, dando frutos, o Brasil estava encorpando. Não era o momento para mudanças.

O pior de tudo é que as mudanças podem ser profundas, quando cogita-se Felipão e Muricy. Nem tanto pelo nome ideal, que agora seria Tite. Os dois primeiros seguem uma linha mais agregadora, de montar equipes mais competitivas e menos tática, mais experiente e pesada, menos leve e jovial. Tudo que o Brasil não precisa.

Os convocáveis de hoje são, essencialmente, jovens. Que precisam de maturação tática, entrosamento e confiança. Não de uma mudança de rumo.

Não sabemos se Mano seria Campeão do Mundo - nem estou afirmando isso aqui. Mas realizava um perfil de trabalho que está alinhado com o futebol moderno, praticado nas grandes equipes do mundo. Quem mais, no Brasil, poderia fazer coisa parecida? Tite.

Posso errar tudo e daqui a um ano e meio a Seleção estar levantando a taça sob o comando de Felipão ou Muricy. E o ônus de dar opinião.

sábado, 6 de outubro de 2012

Considerações sobre a polêmica derrubada do tatu

Sem dúvida nenhuma foi um ato de estupidez aquele que aconteceu na noite de quinta-feira, no centro de Porto Alegre, que acabou na derrubada do tatu-bola inflável, mascote da Copa do Mundo de 14, patrocinado pela Coca-Cola. E foi estupidez de ambas as partes: BM e manifestantes. Desde já esclareço minha posição favorável às manifestações e, acho que sim, seria legal e até certo ponto significativo furar o Tatu. Porém, não da forma que foi feito.

As imagens são claras. Houve excesso da Brigada Militar. Foi uma reação descabida sobre quem protestava contra a privatização do espaço público promovida pela administração Fortunati. É ridículo o modo como a BM escoltou o mascote, que pertence à coca-cola e estava cercado, portanto, é um bem privado, não justificando o número de efetivo dos funcionários do Estado. Também causa espanto o modo completamente alucinado com a BM reagiu contra o grupo de manifestantes. As imagens não deixam dúvida.


Por outro lado, é preciso registrar a falta de prudencia dos manifestantes. Desde o final da tarde do mesmo dia, já rolava nas redes sociais o boato que tentariam derrubar o mascote de Copa. O ato no Araújo Vianna, na noite anterior, durante e depois do show do Tom Zé, também era um sintoma. Evidentemente, não era esse o momento ideal para uma ação como esta de quinta-feira à noite.

É preciso colocar na balança o valor das coisas. Algumas pessoas (segundo relatos, menos que dez) decidiram enfrentar o Brigada e investir contra o tatu. Era preciso lembrar que é só um tau-bola inflável, e um objeto de plástico não pode valer a integridade física de tantas pessoas (essa última frase também serve para a BM).

Em Porto Alegre, o Largo Glênio Peres tem um significado popular valioso para a cidade. Sempre foi palco para manifestações púbicas, comícios políticos, artistas de rua e feiras populares. É natural que se queira resgatar e revitalizar esse espaço, que fica em frente ao Mercado Público. Mas entregá-lo nas mãos da Vonpar/Coca-cola não pode ser a única alternativa.

Entretanto, mesmo levando em consideração todo o contexto do Largo Glênio Peres, os manifestantes assumiram um risco muito maior do que era necessário.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Prestes a ser destruído, Centro Cenotécnico mobiliza artistas de Porto Alegre


O Centro Cenotécnico do Rio Grande do Sul está com os dias contados. Em função da Copa do Mundo de 2014, o tradicional espaço que dá guarida a artistas de Porto Alegre e do interior do Estado terá que ser destruído e as autoridades públicas ainda não encontraram uma solução.

O estabelecimento fica localizado na avenida Voluntários da Pátria, 1370. Como a via será duplicada pela prefeitura da Capital em função da Copa, cerca de 100 imóveis da região precisarão ser desapropriados.

São cerca de 1.300 metros divididos em galpões com salas para depósito de materiais artísticos e cenográficos de diversas peças. Qualquer grupo de dança, de teatro, de circo, de cinema ou de quaisquer manifestações artísticas e culturais pode utilizar o espaço para ensaiar e realizar suas produções.

O complexo possui três salas fechadas para ensaios e reuniões, sendo que a maior delas é adaptada para atividades circenses, com um pé direito de 10 metros de altura, ideal para trapezistas. Além disso, esse mesmo espaço possui uma marcação de palco idêntica à do Teatro São Pedro.

O trecho onde fica o Centro Cenotécnico corresponde à primeira fase da obra, cujo contrato foi selado pela prefeitura no dia 25 de maio. A licitação foi concluída no dia 18 de janeiro de 2012, mas os artistas só ficaram sabendo que o local seria destruído há apenas três semanas. Não receberam um aviso da prefeitura, que desapropriará a área, nem do governo do Estado, que administra o espaço.

Foi por mero acaso que a comunidade artística ficou sabendo que um dos principais espaços públicos da categoria precisaria ser demolido. Uma arquiteta da prefeitura estava fazendo medições no local, catalogando árvores que serão arrancadas e foi interpelada por um servidor do Centro Cenotécnico ao entrar no estabelecimento.
Artistas armazenam e confeccionam materiais para espetáculos no local | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21 

terça-feira, 6 de março de 2012

Você viu? #16

Brasil: Instituto Herzog emite Nota de Repúdio a fala de general da reserva
Jornal Sul21, 5 de março

Blog do PVC, 3 de março

Blog Somos Andando, 2 de março

Estratégia e Análise, 2 de março

Blog do Sakomoto, 1° de março

Milton Ribeiro, 29 de fevereiro

Deslize do pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, na semana passada, em entrevista a Boris Casoy:

sexta-feira, 2 de março de 2012

Impasse das obras para a Copa de 2014 em Porto Alegre

Fabio Fialho Martins*

Um assunto muito polêmico que tomou o estado nas últimas semanas tem sido o impasse que surgiu nas reformas do Beira-Rio para a Copa de 2014. Com as obras paradas há mais de 250 dias, a ameaça de Porto Alegre perder a Copa do Mundo aumenta cada vez mais.

A falta de garantias da AG (Andrade Gutierrez) com relação ao pagamento das obras do estádio é uma ameaça para qualquer banco público ou privado para o financiamento da reforma. Agora, após a nota da empresa nos jornais, o Banrisul fechou as portas para a AG e não vai mais fazer negócio com a construtora. O maior problema agora é que, provavelmente, o Inter e a AG terão de procurar outro banco ou investidor master para que a obra volte a andar.

Uma possível solução começou a aparecer quando, de acordo com o repórter Túlio Milmman, apareceram empresas para tomar a frente das reformas. De acordo com o repórter, as empresas Capa Engenharia, Lomano Aita, EGL e DHZ, pertencentes ao Nex Group, estão capitaneando a iniciativa de assumir as obras.

Em uma opinião pessoal, acabo acreditando que a Copa de 2014 tem uma grande chance de não acontecer em Porto Alegre. Praticamente voltamos a estaca zero nas obras do Beira-Rio, e como o Ministro Aldo Rebelo descartou todas as hipóteses de a Arena do Grêmio receber os jogos, creio que Porto Alegre acabará ficando fora da Copa.

Atualização: Tarso diz que presidente da AG apresentará garantias para obra no Beira-Rio

*Estudante de jornalismo

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A renuncia de Ricardo Teixeira mudaria os rumos do futebol nacional?

Quinta-feira acabou, a sexta está iniciando e não aconteceu o anuncio da renuncia de Ricardo Teixeira à presidência da CBF. Pelo menos até o fechamento deste post. Especula-se desde quarta-feira (15) que o atual comandante da Confederação Brasileira de Futebol cederia à pressão e deixaria o cargo que ocupa desde  16 de janeiro de 1989.

Nos bastidores, o rumor corre desde novembro passado, dizem os dirigentes das confederações estaduais. A maioria deles aliados e muito próximos a Ricardo. E justamente por estar cercado de aliados políticos é que quase nada mudaria na gestão da CBF, pois provavelmente um desses aliados assumiria o cargo. Pelo estatuto da instituição, em caso de renuncia, assume o cargo o vice-presidente mais idoso, que no caso se tarata de José Maria Marín, de 79 anos.
Outra possibilidade é a de trazer a eleição de 2015 para os próximos meses desse ano. Esta é uma alternativa levantada pelo Noveletto, presidente da Federação Gaúcha. Porém, ele sabe que precisaria de manobras políticas de grandes proporções para que eleições sejam convocadas nesse momento. E se fosse, os nomes mais concorridos e com maiores chances também são da turma de Teixeira, como Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians.

Segundo informações do jornalista da ESPN Paulo Vinício Coelho, Ricardo Teixeira está isolado, sem conversar com quase ninguém. Estaria deprimido, constrangido ao ponto em que chegou a situação. Muito mais pelo que ouvem seus filhos na escola do que qualquer outra atitude que possa lhe pesar a consciência. Os dirigentes mais próximo dizem que até sábado o ainda presidente se pronunciará oficialmente.

Outro forte indicio de que nada mudaria é a conivência dos grandes clubes brasileiros perante a CBF e a Rede Globo. Na polêmica disputa dos direitos de transmissão dos próximos três anos do campeonato brasileiro, a atitude mais promissora a ser tomada era formar uma liga aos mesmos moldes do Clube dos 13 (ou até mesmo fortalecer a instituição hoje desvalorizada) com o único e exclusivo interesse de valorizar o Campeonato, beneficiando todo mundo, inclusive o torcedor, e dividindo o dinheiro dos direitos televisos de forma mais racional e igualitária. Os presidentes dos clubes foram na contra-mão acontece nos grandes campeonatos do mundo. Se aliaram com CBF (que nada tem a ver com o C13) e Globo para negociarem os direitos individualmente, utilizando apenas o poder de barganha que cada instituição tem: o valor de sua marca, o número de torcedores e o potencial de audiência. Esta desunião dos clubes e uma total falta de visão corporativista é muito prejudicial ao futebol brasileiro nesse momento.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Um metrô para Porto Alegre

Por Alves Rodrigues
No mundo ideal existe lugar para todos. O mundo, porém, apesar de ser único, é, na verdade, múltiplo. Existem, dentro do único mundo que existe, vários outros mundos. Existe o mundo dos ricos e existe um outro, o dos pobres. Existe o mundo do crime, por onde vagam desde o mais desprestigiado marginal até algumas personalidades influentes. No mundo das drogas também encontramos representantes de todas as classes sociais, doutores, professores, políticos, desempregados, atletas, enfim, tem de tudo neste mundo. O mundo das artes é habitado pelos gênios loucos, gente que tem muito a dizer, mas geralmente não é compreendida. Existe também o mundo da fantasia, é lá que vivem os alienados e os ignorantes, felizes, alheios aos males e às mazelas que os cercam. Recentemente tomamos ciência da existência do mundo virtual, um novo mundo que nos encanta por suas possibilidades, embora ainda não tenhamos tido tempo de avaliar todas as consequências que sua existência pode ocasionar. Enfim, existem diversos mundos dentro do único mundo que existe: o real. Na verdade, e para nosso imenso infortúnio, o único mundo que não existe é o mundo ideal.
O mundo dos pobres é repleto de sonhos. Compreensível, afinal, para quem pouco ou nada tem, tudo não passa de um sonho, ou melhor, tudo passa a ser sonho. Sonhos modestos tipo uma casa pra viver, comida pra comer, esse tipo de coisa que, normalmente, os pobres não costumam ter. Uma rua limpa pra morar. Uma rua onde as crianças pudessem brincar e crescer longe dos perigos. Os perigos da violência, do tráfico e do trânsito. Longe do perigo dos carros. Os carros matam. A grande maioria dos pobres – dos realmente pobres – não tem carro. Então, os pobres não matam no trânsito, no trânsito, os pobres – os realmente pobres – apenas morrem.
Um sonho muito corriqueiro do mundo dos pobres (que têm emprego) é ver diminuído o sacrifício necessário para conseguir chegar ao seu local de trabalho, geralmente distante dos bairros periféricos onde se exilam os trabalhadores. Transporte coletivo digno, um sonho. Ir e vir é direito de todo cidadão brasileiro, direito assegurado na Constituição Federal. Ir e vir, porém, de ônibus, em qualquer região metropolitana desta pátria verde e amarela, já não pode mais ser chamado direito, mas penitência.
O mundo dos ricos, a mim parece, não deixa espaço para muitos sonhos. O que faltaria a quem já tem tudo ou quase tudo? Mais uma mansão com quadra de tênis e piscina? Mais um carro na garagem? O homem rico, creio eu, não é um ser ruim por nascimento. Porém, uma boa parte dos ricos e poderosos empresários, políticos, enfim, as pessoas que, por alguma razão, compõem a elite econômica deste país, por certo tem horror a pobres. Juro que tenho a impressão de que os ricos – quase todos eles - só gostam dos pobres em duas situações: quando estão trabalhando e gerando mais riqueza ainda para aqueles que já têm muito mais do que precisam e merecem, ou quando estão mortos e enterrados, pois então já não necessitam mais que governos socialmente menos injustos - o de Lula, por exemplo, não este que Dilma está começando a propor – invistam dinheiro em políticas públicas, dinheiro de impostos, impostos que os empresários vivem reclamando que pagam, mas que na verdade não o fazem, pois tudo é descontado no Imposto de Renda de seus balanços, vez ou outra maquiados. No mundo ideal dos ricos os pobres não existiriam, ou melhor, existiriam sim, mas só durante o dia, período em que trabalhariam horas a fio por salários indignos e insuficientes, à noite, convenientemente, eles desapareceriam debaixo da terra para, como mágica, ressuscitarem no dia seguinte e seguirem trabalhando por seus salários miseráveis.
O PAC da Copa encheu de água a boca de políticos e empreiteiros aqui em Porto Alegre. Num papo-furado como nunca antes na história deste país falou-se em um tal metrô que ligaria o Centro à Zona Norte, não sem antes passar pelo (hoje em ruínas) estádio da beira do rio. Ir do Centro à Zona Norte passando primeiro pela Pe. Cacique não é apenas burrice, é pura sacanagem mesmo. O metrô não entrou no PAC da Copa, menos mal. Porém, agora surgiu a mais 'nova novidade' do momento: o metrô de Porto Alegre está incluso no PAC da Mobilidade. Por mobilidade entenda-se a facilitação da vida dos carros, não necessariamente a das pessoas.
É claro que a implantação de um metrô na Capital gaúcha tende a ser um avanço no sistema de transporte público. Tende. Tudo ainda vai depender bastante de questões como traçado, tarifa, acessibilidade para os moradores das periferias, horário de funcionamento e algumas outras coisas que eu que, como tudo na vida, sou apenas passageiro, não tenho condições de avaliar.
No entanto, um metrô em Porto Alegre seria mesmo algo bem interessante. O encontro de dois mundos. O sonho daqueles que vivem no mundo dos pobres, de ter a possibilidade de contar com um transportes público rápido, limpo, eficiente e barato, parece bem possível quando se imagina um trem elétrico rodando em boa velocidade pelos subterrâneos da Capital. Claro que, na prática, a gente tinha que procurar conhecer a opinião de trabalhadores brasileiros de outras metrópoles que já contam com esse tipo de transporte. Por outro lado, o sonho que se sonha lá no mundo dos ricos estaria bem próximo de sua realização. Que coisa linda – para os bem aquinhoados - aquele bando de pobres emergindo da terra pela manhã, cumprindo sua jornada de trabalho (nem sempre respeitada pelo empregador), fazendo jus ao seu parco soldo (nem sempre pago correta e assiduamente), produzindo a riqueza que engordará as contas dos patrões, os bolsos dos banqueiros e os cofres do Estado, para depois, ao cair da noite, outra vez desaparecer pelos buracos cavados pela iniciativa privada e financiados pelo poder público, e só retornar no dia seguinte para gerar mais riqueza. Menos ônibus nas ruas, menos pobres na superfície da cidade, mais espaço para os carros de quem pode ter carro. Que maravilha.

Vem aí o metrô de Porto Alegre.
Será que vem?

*Alves Rodrigues mantém o blog Somos Todos Torcedores e o twitter @lvesrodrigues