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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Filme de Segunda 154

Bom Dia, Vietnã


Há uma semana perdíamos um dos atores mais competentes de Hollywood. É justo que o Filme de Segunda dê uma folga aos lançamentos e utilize este espaço para celebrar um dos grandes trabalhos da carreira de Robin Williams. Lançado no ano de 1987, Bom Dia, Vietnã projetou a carreira do comediante no cinema. Antes disso, Williams iniciara sua trajetória na TV e nos palcos, principalmente fazendo números de stand up comedy.

O filme, como obviamente sugere o título, se passa em 1965 em meio a Guerra do Vietnã. Sob a direção de Barry Levinson, o discurso do longa se coloca em tom de crítica ao conflito, que na época mobilizou boa parte da juventude americana também contra a guerra. Bom Dia, Vietnã é baseado na história do radialista Adrian Cronauer, recrutado para trabalhar na rádio da base das forças armadas americanas no campo de batalha.


Poucas vezes a mistura de comédia e drama é feita com tanta competência no cinema hollywoodiano, ainda mais se tratando de um trabalho crítico à cultura de guerra dos Estados Unidos. Contudo, grande parte do sucesso de Bom Dia, Vietnã vem do talento de Robin Williams. O rebelde DJ vai pro ar e cativa com facilidade os soldados contando piadas, fazendo imitações e tocando muito rock'n'roll, o que na época significava confrontar os costumes.  Não há dúvida que o comportamento contestador de Adrian Cronauer chama a atenção e causa um descontentamento junto ao alto escalão do exército americano.

Williams atua como um verdadeiro showman, mostrando toda sua capacidade como comediante. O personagem é extremamente cativante e, inteligente, passa a enxergar uma guerra diferente daquela que é obrigado a noticiar no rádio.  Bom Dia, Vietnã é um daqueles filmes essenciais para quem gosta de cinema, gosta de um boa comédia e de um drama real e bem fundamentado.

Gênero: Drama, Comédia
Duração: 121 min.
Origem:EUA
Direção: Barry Levinson
Roteiro: Mitch Markowitz
Distribuidora: -
Censura: 12 anos
Ano: 1987
Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Filme de Segunda 140

Ela


O ser humano relaciona-se. Em qualquer época, em qualquer lugar, com quem for, da forma que for. É algo inerente ao homem como espécie, determinante para sua evolução tal qual como se deu. E dentro da gama infinita de tipos de relação que um ser humano por ter com o(s) outro(s), há aquilo que por convenção se chama de amor (romântico/erótico). Esse é, sem dúvida nenhuma, o tema mais rico e inspirador para autores de todas as épocas. Spike Jonze e o tocante Ela que o diga.

O filme em que o personagem de Joaquin Phoenix (Theodore) se apaixona pela voz (Scarlett Johansson) de um novo sistema operacional com inteligência artificial, é uma joia muito bem lapidada pelo cineasta estadunidense. Adjetivos também não faltam para classificar o longa de cinco indicações ao Oscar 2014. Ela é um romance dramático, com uma pegada indie e estética retrô-futurista, muito bem embasada por uma fotografia delicada e correta, dentro de um universo que não parece muito distante em termos de avanços tecnológicos.


Jonze filma em uma Los Angeles em que não se sabe ao certo o ano, mesmo se tendo a nítida impressão de estar algumas décadas na frente de 2013 - ano em que foi rodado. Contudo, chama atenção o figurino setentista, sempre dando destaque ao vermelho. Nesse universo que nos é apresentado, as pessoas vivem distantes umas das outras, compenetradas em seus fones, ouvindo músicas, notícias e a leitura de seus e-mails, tudo acionado por comando de voz. De cara, nos deparamos com um personagem em depressão, saindo de um processo de divórcio que o derrubou emocionalmente. É Theodore, um escritor habilidoso que trabalha em uma agência que escreve cartas manuscritas encomendadas.

Ela, além de ser um filme tocante por si só, levanta questionamentos sobre o estado emocional da sociedade moderna, de como se dão os relacionamentos e que tipo de relacionamento é, de fato, real. O personagem de Phoenix adquire um sistema operacional para suas máquinas que é revolucionário. Munido de inteligência artificial, o SO cria uma personalidade com capacidade evolutiva, capaz de absorver experiências e conversar com seu "dono" naturalmente, como se fosse um amigo ou caso amoroso. Samantha é a identidade do SO de Theodore, vivida pela voz rouca e sedutora de Scarlett Johansson. Praticamente um golpe baixo, quase impossível de não se apaixonar.

Com o passar do tempo, dentro do filme, percebe-se que as pessoas simplesmente só interagem com seus SOs. O que, claro, traz à luz de forma mais contundente o que Spike Jonze quer dizer e questionar. O que há de real e não-artificial no relacionamento com algo que não se vê, não se toca, não se tem certeza quanto a veracidade dos sentimentos. O que há de real? É possível que dentro de alguns anos possamos interagir com equipamentos de inteligência artificial, capazes de processar e agir conforme a infinidade de situações diferentes que criamos e a que estamos expostos?

Spike Jonze pode não ter feito o melhor filme entre os indicados aos melhores do ano no Oscar de 2014. Mas é possivelmente aquele trabalho mais pertinente à nossa época. O que constrange e assusta pela proximidade de um futuro melancólico, de relações cada vez menos humanas. Com tudo isso, ainda sim, Jonze faz um lindo trabalho, que tem em suas virtudes também a capacidade de emocionar e mais um vez, como milhares de vezes no cinema, falar de amor.

Gênero: Drama, Romance
Duração: 126 min.
Origem: EUA
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 14 anos
Ano: 2013


Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Filme de Segunda 130

Capitão Phillips

Há algum tempo não assistia aos filmes de Tom Hanks no cinema. Talvez porque seus últimos trabalhos não tenham me chamado tanto a atenção. Contudo, sem dúvida nenhuma, é um ator especial, de excelentes serviços prestados ao cinema desde o final da década de 1980 pra cá. Em Capitão Phillips, Hanks volta a grande forma e já desponta para uma possível terceira premiação de Oscar.

A começar pelo trabalho de Tom Hanks, uma grande atuação já é um primeiro atrativo - e suficiente - para tornar uma história atrativa ao público. Porém, Capitão Phillips é mais que apenas um bom trabalho do ator californiano. É, além disso, mais um competente acerto do diretor Paul Greengrass, o mesmo de Zona Verde (2010), O Ultimato Bourne (2007) e A Supremacia Bourne (2004). A adaptação do livro Captain's Duty, escrito pelo Capitão Richard Phillips, que em 2009 teve seu cargueiro sequestrado por piratas somalis, também tem a mão e o roteiro de Billy Ray.

O filme coloca em contraste a realidade completamente oposta de pessoas que vivem do mar. Primeiro, a grandiosidade, o profissionalismo, a tecnologia e as grandes cifras que envolvem a viagem de um cargueiro da magnitude daquele comandado pelo Capitão Phillips. Em confronto, a realidade dos piratas somalis, que vivem na costa africana, numa relação entre empregador e empregado completamente afetada, em que a lei que fala fala alto é a lei da pólvora. Com embarcações pequenas, em péssimo estado de conservação, eles saem em grupos de quatro ou cinco, armados, para saquear embarcações milionárias que passam a algumas milhas dali.

Capitão Phillips se propõe a trabalhar com estes contrastes, e o faz muito bem. Desde o início opta por um clima de tenção, o que dá o tom da história até o último minuto. As cenas iniciais são de uma tranquilidade disfarçada. É possível notar apreensão em Phillips desde quando arruma suas malas até a conversa com sua esposa, no deslocamento de casa para o local de embarque.

Passada a aparente tranquilidade, já em auto mar, o encontro com os piratas, chefiados pelo excelente ator Barkhad Abdi, é de tirar o fôlego. A partir de então o que era um longa monótono até certo ponto, se transforma. As sequências de ação, aliadas à trilha sonora e a habilidade do diretor, colocam Capitão Phillips em um patamar interessante. É uma grande história real, e muito bem contada.

Gênero: Drama
Duração: 134 min.
Origem: EUA
Direção: Paul Greengray
Roteiro: Billy Ray
Distribuidora: Sony Pictures
Censura: 14 anos
Ano: 2013

Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Filme de Segunda 94

Entre o Amor e a Paixão

A canadense Sarah Polley parece estar despontando como uma das grandes cineasta de uma geração que está surgindo. Ela tem apenas 33 anos e já assina seu segundo filme. São trabalhos autorais, de muita personalidade. Em 2006, Longe Dela, o primeiro. O segundo, Entre o Amor e a Paixão, é do ano passado, mas só agora entra em cartaz no Brasil.

Dirigido e roteirizado por Sarah, Entre o Amor e a Paixão é um romance indie, milimetricamente pensado a cada cena, a cada objeto posicionado, em cada cor ou música. Tudo nos leva a sentir aquilo que Polley nos que fazer sentir.

O nome em português é muito claro. Michelle Williams é Margot, uma jovem escritora, casada há cinco anos, que vive no subúrbio de Toronto. Em uma viajem ela conhece Daniel (Luke Kirby), que por coincidência é seu vizinho. Rola uma química muito forte entre os dois e surge daí uma paixão. Margot entra num dilema ético, pois é casada, ama seu marido, ao mesmo tempo que está completamente atraída por Daniel.

Entre o Amor e a Paixão não tem frases de efeito. A maioria das coisas ficam subentendidas através do olhar, de uma gaguejada, de um gesto, de uma trilha sonora e até mesmo na fotografia do filme. Há cenas muito poéticas, de um cuidado primoroso de Sarah e sua equipe, sempre repleto de cenários bem coloridos, porém com tons desbotados, sempre com muitos objetos.

O sentimento é o de Margot. Indecisão, angustia, atração física e apego ao que já está constituído e aparentemente dá certo. Entre o Amor e a Paixão  inspira certo ar de melancolia. É imediatamente chato, principalmente pela melosidade da protagonista. Mas o filme persiste, sabe o que quer e tem saldo positivo. Me ganhou só após a sessão, horas depois.

Seth Rogen é Lou, marido de Margot. Um dos pontos fortes do filme. Talvez o personagem mais simpático do trio de protagonistas. Contudo, Michelle Williams e Luke Kirby também estão muito convincentes, fazendo ótimos trabalhos sob o comando de Sarah Polley. Com esses três, Entre o Amor e a Paixão abre um leque imenso de possibilidades, sentimentos e interrelações. Apesar de se tratar de um roteiro amarrado principalmente por coincidências, estão ali situações possíveis, que em dado momento nos colocam com a mesma angustia de Margot. 

Gênero: Drama
Duração: 116 min.
Origem: Canadá
Direção: Sarah Polley
Roteiro: Sarah Polley
Distribuidora: Califórnia Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2011
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Filme de Segunda 91

Biutiful

Biutiful é o quarto filme da carreira de Alejandro González Iñarritu, este cineasta mexicano de muito talento, que já conquistou o respeito do público e da crítica abordando as mazelas do cotidiano urbano das grandes metrópoles. E não pensem que estou enganado, o termo americano que dá título ao longa é assim mesmo, com a grafia errada. O motivo, entendemos durante a trama.

Uxbal (Javier Barden), é um anti-herói. Ele é o personagem central do filme. É o cara que se vira como pode. Está longe de ser rico, mas nunca lhe falta dinheiro. Numa caótica Barcelona, Uxbal agencía imigrantes africanos que trabalham como camelôs, além de um grupo de iligais coreanos que atuam na indústria têxtil e na construção civil. Uma espécie de cafetão.
Na vida pessoal, Uxbal tem um relacionamento pouco afetuoso com o irmão, uma ex-esposa bipolar, com sérios problemas para tocar a vida sozinha, além de dois filhos. Uma característica incomum do personagem é sua mediunidade. Assim, Biutiful tem dois motores que fazem a trama andar: a descoberta de um câncer incurável, que matará Uxbal, e seus filhos.

O personagem de Barden quer a redenção, de alguma forma perdoar e ser perdoado, deixar algum legado a seus filhos. Ou pelo menos que se lembrem dele. Uxbal não se lembra do seu. Ele vive a dicotomia de ser um agente ilegal, explorador de mão-de-obra barata e estrangeira que, por outro lado, tenta fazer aquilo da melhor forma possível para aquelas pessoas.

Iñarritu monta uma rede de relacionamentos complexa e problemática, com um peso que já é habitual em seus trabalhos. Biutiful não é digerido com facilidade, e o diretor faz de tudo para que isso seja proposital. Desde à fotografia cinza e urbana até os personagens pouco carismáticos. Ninguém está em cena pelo glamour, mas sim pelo caos.

Javier Barden é um monstro impressionante, que toma conta do filme. É um ator habituado a grandes papéis, e Uxbal não é um personagem fácil. Barden o faz de forma magnífica. Sem dúvida, o ponto alto de um filme que tem o sofrimento como argumento predominante.

Gênero: Drama
Duração: 147 min.
Origem: EUA
Direção: Alejandro González Iñárritu
Roteiro: Alejandro González Iñarritu, Armando Bo e Nicolás Giacobone
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 16 anos
Ano: 2010

Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Filme de Segunda 64

 A Arte da Conquista
Jackeline de Moraes

Um daqueles que te ganha cena a cena, assim é A Arte da Conquista. O longa conta com doçura e sensibilidade para ganhar o telespectador. E juro que funciona, mesmo sendo completamente contra os filminhos auto-ajuda, A Arte da Conquista me ganhou com a triste história do George. A trama propõe reflexões de forma tão sutil que quando percebemos estamos nos vendo nas crises adolescentes do garoto.

George é um jovem no final do ensino médio nada preocupado com a vida. Ele é um rebelde peculiar, não aqueles que extravasam, bebem e se drogam. Mas um rebelde deprimido, que não vê sentido na vida, já que no final ela nos leva sempre ao mesmo lugar, a morte. Seus dias de aluno indisciplinado se veem com os dias contados quando ele conhece Sally. Uma garota normal, que encara seus problemas de outra forma e, apesar de o achar estranho, convida o novo amigo para novas descobertas. As novidades trazem amigos, paixão, uma vida normal e a utilização da suas habilidades artísticas.

O filme é tão simpático, que pode ser chamado de fofo. Os detalhes de fotografia e figurino foram os que me chamaram atenção, este último reflete bem a personalidade de cada personagem. Inclusive, percebam que o casaco de George faz com que ele pareça carregar o mundo nas costas.

A trama é toda bem desenrolada e chega à arrancar algumas risadas. Gostei principalmente da proposta, o rebelde diferente, o rebelde quase emo, mas sem rótulos. O cara que não encontra lugar no mundo. As reflexões são proporcionais a sensibilidade do espectador, mas asseguro que são muitas. Enfim, filme bem pensado e com trato impressionante sobre o que e fazer com a nossa vida.

Gênero: Drama
Duração: 83 min.
Origem: EUA
Direção: Gavin Wiesen
Roteiro: Gavin Wiesen
Distribuidora: Vinny Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2011
Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)
- Obra
X Baita Filme
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Filme de Segunda 57

J.Edgar
De Jackeline Moraes

O novo longa de Clint Eastwood (Gran Torino e Invictus) é intrigante e longo, mas acabou me conquistando. A história cronologicamente confusa conta com a narração como guia e nos trilha quase que inteiramente pela vida pessoal do diretor mais importante do FBI. 

John Edgar Hoover é protagonizado por Leonardo Di Caprio que, por vezes, aparece caricato de tanta maquiagem. J.Edgar conta a história de um dos indivíduos que mais contribuiu para segurança dos EUA. Sua vida é basicamente servir a seu país, estando por 48 anos à frente das investigações do FBI. Contribuiu para o desenvolvimento tecnológico da segurança, introduziu peritos criminais e métodos científicos para solucionar os casos, ajudou na captura de grandes criminosos dos anos 30, perseguiu comunistas, deportou estrangeiros durante a Segunda Guerra, caçou direitos civis de negros e subornou grandes autarquias para se beneficiar.

O filme não decepciona quanto à missão de retratar a vida de John Edgar Hoover, porém importantes questões são relatadas de forma sutil e dão mais espaço para vida pessoal do diretor que, particularmente, pouco interessa. Não que eu esperasse sangue, tiros e mortes, fui preparada para assistir à uma cinebiografia e esperava ver os feitos, as intervenções, as posições políticas, as tramas, os podres e não a opção sexual de J.Edgar.

Clint Eastwood é conhecido por sua posição declaradamente republicana e, talvez por isso, sua mão posou leve sobre as cearas dos bastidores políticos que envolveram J. Edgar. Tudo é mostrado de forma leve e há muitos elementos subentendidos. 

As idas e vindas no tempo também prejudicam, mas o resultado final é bom. A atuação de Leonardo Di Caprio é ótima. Já tenho uma queda por filmes protagonizados por ele, e J.Edgar é levado com tanto êxito que eu quase esqueci meu lado apreciadora de filmes, não de atores. 

Enfim, o filme me ganhou pelo contexto, pelo final, pela atuação do Di Caprio. Certamente um filme que deve ser valorizado, principalmente pelos apreciadores das produções policiais, apesar da “falta” de pólvora.

Gênero: Biografia e Drama
Duração: 137 min.
Origem: Estados Unidos
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Dustin Lance Black
Distribuidora: Warner Bros 
Censura: 12 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Filme de Segunda 54

Os descendentes
Estamos numa boa época de ir ao cinema. É a época em que chaga ao circuito comercial brasileiro os filmes indicados e ganhadores de alguns dos principais festivais de cinema do mundo. Este é o caso de  Os descendentes, ganhador de dois Globos de Ouro (melhor filme e melhor ator dramático) e indicado à cinco categorias no Oscar.

Os descendentes é um drama familiar, com uma história pesada, daquelas de embrulhar o estômago e nos fazer pensar: e se fosse comigo? Porém, apesar de um drama pesado, a direção de Alexander Payne e a atuação de George Clooney deixam a história menos complicada de ser digerida pelo público.

Matt King, personagem de Clooney, é advogado, casado, pais de dois filhos, nascido no Havaí e responsável por gerir o espólio da família, herdeira de uma valiosa quantidade de terra da antiga realiza havaiana. Além das negociações milionárias que analisa, discute com os primos e que definirão o futuro econômico da família como um tudo, Matt ainda se depara com uma situação chave de sua vida, o coma da sua esposa e a responsabilidade até então nova para ele de cuidar das duas filhas, uma de 10 e outra de 17.

O grande mote da trama é que a certa altura Matt descobre que sua esposa, que está em coma e prestes à morrer, tinha um amante e este amante é um dos caras que mais vai lucrar com suas negociações do espólio de família.

Em Os descendentes ninguém é vilão, embora facilmente esta ideia possa ser empregada a qualquer um dos personagens. Alexander Payne tenta ao máximo esvaziar a figura do vilão, e tem méritos. A história toca o espectador, mas não ao ponto de revoltar. Mas talvez comover, entender e que perdoar vai de cada um, mas seguir em frente é essencial.

Clooney está demais. Merece o Globo de Ouro e a indicação ao Oscar. Não exagera em nenhum momento, não faz caricatura de nada. George Clooney é um dos caras legais de Hollywood! Faz cinema porque gosta, não porque quer ser galã. Está sempre metido em projetos legais, que ele faz pra se divertir e pra atuar.

Os descendentes vale pelo trabalho de George Clooney, vale pelas das atrizes mirins que são muito simpáticas, pela trilha toda com música havaiana, maravilhosa, e pelo diretor, que sempre faz filmes muito bons, e este é mais um.

Gênero: Drama
Duração: 117 min.
Origem: Estados Unidos
Direção: Alexander Payne
Roteiro:  Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash, baseados na obra de Kaui Hart Hemmings
Distribuidora: Fox Film
Censura: 14 anos
Ano: 2011




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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Filme de Segunda

A última estrada da praia

De trilha sonora espetacular, com roteiro de Fabiano Souza e Vicente Moreno, inspirado no livro O louco do Cati de Dyonélio Machado, com a direção do próprio Fabiano Souza, o filme A última estrada da praia é uma bonita realização nacional passada no litoral gaúcho. O longa é como se fosse uma flor desabrochando, só que ao contrário. Tudo começa bem, alegre e divertido, entretanto a história vai se fechando, ficando tensa e introspectiva. Não é um filme fácil.
A principio, Norberto, Léo e Paula são amigos comuns que apenas querem fazer uma viajem para a praia sem muitas pretensões. Norberto é o tipo do cara pilhado pra qualquer coisa, que fala gritando e faz piadas imbecis. Ele e a trilha sonora são os grandes responsáveis por fisgarem o espectador na primeira meia hora de filme. Contudo, desde o início é perceptível algo de estranho naquela relação entre os três. No mínimo, um certo ciúmes de Norberto quanto a Paula e Léo. Pra completar o quarteto, um estranho, que não fala, não tem nome nem paradeiro, mas topa com Norberto no armazém e é carregado junto pra viajem ao litoral.
A última estrada da praia é, basicamente, um mistério. Tudo é mistério. O filme vai se aproximando do fim e o espectador se toca que cada vez sabe menos sobre a história daqueles quatro. É possível até questionar se realmente são amigos. O que começa como uma divertida viajem de descoberta, torna-se um drama perturbador. E perturba pelas dúvidas, pelo mistério sem suspense, pelo silêncio do "louco" e pelo monólogo do Norberto.  
Dos aspectos fundamentais de A última... estão os quatro atores principais do drama Rafael Sieg, Marcos Contreras, Miriã Possani e Marcelo Adams. Está a fotografia, algo como a estética do frio do Vitor Ramil, que capta o litoral gaúcho no final (ou no começo) do inverno, aquele vazio cinzento que fica lindíssimo na tela. Destaque também pra uma cena de sexo que tem uma beleza plástica muito marcante e muito corajosa. Fundamental como a música Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, de Wander Wildner, que serve de trilha em várias cenas e diz tudo sobre esse bom trabalho de Fabiano Souza.
A última estrada da praia está em cartaz nos cinemas de Porto Alegre. Não em todos, mas no melhores. Procure, pois além de tudo, é sempre bom se reconhecer na tela, através das ruas, das gírias, das lendas etc.




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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Filme de Segunda

Larry Crowne, o Amor está de volta
De Jackeline Moraes, cinéfila e estudante de jornalismo (escreve para o blog a cada 14 dias) 

Não sou muito fã de dramas, mas neste final de semana me livrei dos preconceitos e fui assistir ao recém lançado Larry Crowne, o Amor está de volta. Além do elenco, que de cara já salta aos olhos, roteiro e direção são do próprio protagonista, Tom Hanks. 
Tudo começa quando o funcionário exemplar Larry Crowne (Tom Hanks) perde seu emprego em uma loja de departamentos por não ter ensino superior. O doce quarentão em meio a crise do desemprego ainda corre risco de perder a casa por conta de dividas com o banco. Larry, em meio a tantas dúvidas, se matricula na faculdade, faz amigos e ainda é convidado pra entrar numa gangue de scooters.
Esse filme apesar de receber várias críticas ácidas, ganhou minha simpatia. Um filme leve, sem grandes conflitos. Na realidade, há apenas um conflito, a demissão, o resto é tudo um conto de fadas. As coisas acontecem naturalmente, tão naturalmente que até cansa em determinada hora. Mas se a proposta do filme era divertir, ele conseguiu. Com diálogos bem engraçados, e Tom Hanks em personagem atrapalhado sensacional. Julia Roberts, em seu papel de mulher fria e mal humorada, convenceu mas, sem dúvida, as atenções e os confetes são do Tom. Creio que se não fosse a atuação dos gigantes, esse seria mais um filme de lição de vida “água com açúcar”. 
Larry Crowne é um filme que me chamou bastante atenção pela fotografia. Há bons enquadramentos que revelam com sutileza os detalhes dos personagens. Desde os créditos iniciais já é possível notar o bom gosto e a delicadeza com que o filme foi feito. 
Um filme que não pesa a mão no “arrancar de lágrimas” e proporciona uma série de sorrisos. Gostei, trama fofa, divertida, pra assistir com a família toda.
 (Nota do editor: tenho a impressão que o trailler entrega demais o filme.)
Classificação PoA Geral (Por Jackeline Morais)


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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Filme de Segunda

Amor sem escalas
Esse é para buscar na locadora ou baixar. Amor sem escalas é filme de 2009, dirigido e roteirizado pelo jovem e promissor cineasta Jeason Reitman, o mesmo de Obrigado por fumar (2006) e Juno (2007), grandes filmes. À primeira vista, dá para classificar Amor sem escalas como uma comédia romântica. Mas só à primeira vista. A leveza do filme nos engana, a simpatia do elenco nos cativa. Ao melhor estilo Woody Allen, o que parece ser engraçado e bonitinho, na verdade diz muito de comportamento humano e trás muito drama, coisas pesadas, que incomodam de certa forma. Amor... é adaptação de um livro homônimo, de 2001.

Ryan Bingham, personagem de George Clooney, é um cara de meia idade, solteiro, de pouco contato com a família, que passa mais tempo em aeroportos e aviões que em seu próprio apartamento. Bingham trabalha para uma empresa que terceiriza demissões, ou seja, faz o serviço sujo de quem não quer sujar as mãos. Ele viaja todos os Estado Unidos comunicando pessoas que a empresa em que elas trabalham não precisam mais delas. As reações dos demitidos são das mais diversas, do cômico ao triste.

Bingham tem um hobby que é quase uma obsessão, acumular milhas pela sua companhia aérea preferida. De comportamento frio e praticamente vivendo no piloto automático, de repente ele se vê obrigado a tratar de assunto muito mais complicados que demitir pessoas que ele nem conhece. O assunto é sua própria vida, que sai do piloto automático quando três mulheres cruzam, ao mesmo tempo, seu caminho. Uma delas é Alex Goran (Vera Farmiga), uma versão feminina de Ryan Bingham, que ele encontra em diversos lugares por onde desembarca e acaba virando sua amante. A segunda é Natalie Keener (Anna Kendrick), uma jovem recém saída da faculdade, metida a nerd, contratada pela empresa para implantar um novo sistema de videoconfrência e acabar com as viagens. A terceira mulher é sua irmã, a qual ele não tem a mínima intimidade, mas é convidado para o casamento e ainda recebe a missão de "levar" e fotografar o casal para os mais variados pontos turísticos do mundo (imagem abaixo), o que rende boas cenas!
Em Amor sem escalas tem um George Clooney com um charme invejável, trabalhando muito bem como sempre, sabendo fazer rir, sabendo emocionar. Tem a bonitinha da Anna Kendrick, que está muito bacana no papel de novata certinha e CDF. Tem a Vera Farmiga, que eu não conhecia, mas é grata surpresa, fazendo a versão feminina de Clooney, também com muito charme.

Acho que dá pra dizer que Amor sem escalas é um filme charmoso, que facilmente conquista. O protagonista tem tudo para não ser simpático e, verão, ao final do filme estarão torcendo por ele. Ou torcendo para que o filme não termine ali, que continue nos contando a história da vida de Ryan Bingham.
 
Classificação PoA Geral

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Filme de Segunda

As confissões de Schmitd
A verdade é que não estou conseguindo assistir filmes novos, quanto mais semi-novos. Resta comentar aqui o que já foi visto por mim e, talvez, não tenha sido ainda visto por você. Vou praticando a dica Luiza Brunet, que é velha mas é boa. As confissões de Schmidt é filme de 2002, um amigo meu nem achou tão velho assim. Óbvio que não é tão velho e óbvio que essa discussão não interessa ao texto, mesmo que já tenha ocupado um parágrafo.
Característica interessante de As confissões de Schmidt vem do seu diretor e co-roteirista Alexander Payne, americano nascido na cidade de Omaha, Nebraska (onde se passa o filme), que já dirigiu outros ótimos  títulos como Paris, te amo e Sideways - Entre uma e outras. Todos filmes que conseguem penetrar no grande circuito hollywoodiano mas que não parecem filme americanos. Em As confissões de Schmidt, certos momentos parecem muito com cinema argentino, aquele clima extremamente particular a todos nós, que é legal e ao mesmo tempo angustiante.
As confissões de Schmidt sabe ser angustiante, drama que é, baseado no romance de Louis Begley. Ainda que drama, não deixa de ser uma sátira da vida real, com um tipo de humor presente em todos os trabalhos de Payne.
Warren Schmidt é magistralmente interpretado por Jack Nicholson. Um cara com seus 60 e poucos anos, que acaba de se aposentar e se depara com cotidiano chato e sem sentido ao lado de sua esposa, com quem é casado há 42 anos, e longe de sua filha, uma mulher adulta, que mora em outro estado e está prestes a se casar com um sujeito que ele considera panaca. Num desses dias chatos depois da aposentadoria, Schmidt assiste na tv a um apelo da organização Childreach (que existe): "por 22 dólares mensais, você pode sustentar um órfão da Tanzânia". Ele decide participar e se corresponder com o pequeno Ndugu, de 6 anos, seu novo afilhado. Através dessas cartas a Ndugo, Warren Schmidt narra o filme e sua vida monótona.
A esposa de Shmidt morre de repente no início do filme. A partir daí o personagem se depara com algo que pode ser pior que a monotonia dos seus dias: a solidão. As confissões de Schmidt é de uma sensibilidade tocante, sem fazer exageros sobre nenhum aspecto em especial que se sobressaia a cada personagem. Todos no filme são pessoas críveis, que poderiam ser nossos vizinhos sem problema nenhum.
Scmidt embarca em seu motor home numa viagem até a cidade em que sua filha vai se casar, mas também em fuga da solidão e em busca de respostas que ele começa a se fazer sobre sua própria vida. Jack Nicholson dá show, sem ser o louco extravagante que seguidamente é em outros filmes, interpretação que valeu indicação ao Oscar e lhe deu o prêmio de melhor ator no Globo de Ouro. As confissões de Schmidt outras indicações e prêmios, como para atriz coadjuvante Kathy Bates, que faz a sogra de Jeannie, filha de Warren.
Sou fã do Nicholson. Filmes em que ele atua é quase certo que vou gostar, e como é bom ver ele num personagem mais comedido, que carrega dentro de si uma carga pesada, num quadro de quase depressão, mas que também explodi, quer fugir da solidão, que quer fazer alguma coisa pela sua vida. Grande atuação, brindada por uma cena final esplêndida.
 A história não é uma invenção mirabolante de Hollywood, e também por isso As confissões de Schmidt poderiam ser as confissões de qualquer um de nós, contando uma vivência diferente, ao mesmo tempo comum a tantos, cheia de momentos felizes e reflexões que incomodam. A obra de Alexander Payne é um belo olhar sobre todos nós.
Classificação PoA Geral

- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável


DICA EXTRA
Sugestão enviada por do Mário Sinhorelli >> @msinhorelli


- Morte por encomenda - "Trata-se de um filme de ação, com variáveis de diversos estilos, que aborda vários conceitos relacionados a diversos assuntos enigmáticos. O filme relaciona alguns temas que dificilmente seriam vistos juntos num filme, como metafísica, amor e a máfia. E, com todos esses ingredientes, o filme torna-se cativante e com um desenrolar surpreendente."
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