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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Prefeitura de Taquari explica retirada de busto que homenageava ditador

Sob o governo do gaúcho Costa e Silva
foi promulgado o AI-5, período mais
crítico da ditadura militar no Brasil
Por meio de uma nota oficial, a administração do prefeito Emanuel Hassen de Jesus (PT), de Taquari, explicou os motivos de ter retirado de praça pública o busto em homenagem a Artur da Costa e Silva, presidente do Brasil entre os anos de 1967 e 1969, período que se deu durante o regime militar.

Além de ser um ato simbólico, em um ano simbólico, que "descomemoramos" os 50 anos do golpe de 64, é acima de tudo uma correção histórica. Não há motivos para homenagear quem ficou à frente do Brasil em um dos períodos mais obscuros da nossa história. A nota da prefeitura de Taquari, que reproduzo a seguir, justifica muito bem a atitude tomada pelo Município.

Nota Oficial - Retirada Busto Costa e Silva

 Em face da polêmica gerada pela retirada do busto existente junto à Lagoa Armênia, na cidade de Taquari - RS, a Prefeitura Municipal de Taquari informa que:

1. O busto em questão foi instalado no ano de 1976, em homenagem a Arthur da Costa e Silva, porque “nesta Lagoa Armênia, na infância, organizou seu primeiro pelotão de meninos. Em hora difícil, presidente da República, comandou com altruísmo o Brasil e o povo Brasileiro.”

2. Com a divulgação do Relatório da Comissão Nacional da Verdade, restaram comprovadas as atrocidades cometidas no período da ditadura militar, especialmente naquele período conduzido por Costa e Silva.

3. Portanto, a administração municipal de Taquari entendeu que não havia razão para manter uma homenagem no maior ponto turístico da cidade, espaço de demonstrações culturais, justamente a quem promoveu um período nebuloso na história do país. Cidadãos de Taquari, inclusive, sofreram as mazelas daquele período.

4. O busto, portanto, foi retirado e já está junto ao Museu Costa e Silva, existente no município e mantido pela Prefeitura Municipal. Junto com ele, também estará à disposição uma cópia do relatório da Comissão Nacional da Verdade, para que a história seja conhecida na totalidade em que foi possível escrevê-la.

5. A Lagoa Armênia continuará sendo, e cada vez mais será, um espaço para a livre manifestação cultural no município de Taquari.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A direita gaúcha sem disfarces: “quilombolas, índios, gays e lésbicas são tudo que não presta”

Texto publicado 12 de fevereiro na coluna de Marco Weissheimar no Jornal Sul21

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) pode se sentir em casa ao visitar seu partido no Rio Grande do Sul. Sua visão de mundo tem entusiasmados parceiros aqui nos Pampas. Sem nenhum tipo de constrangimento. Pelo contrário. Bolsonaro quer presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Seu colega gaúcho ilustra sem disfarces o que seria essa comissão sob o comando dessa visão.

“Quando o governo diz: ‘nós queremos crescimento, desenvolvimento. Tem de ter fumo, tem de ter soja, tem de ter boi, tem de ter leite, tem de ter tudo, produção’. Ok! Financiamento. Estão cumprimentando os produtores: R$ 150 bilhões de financiamento. Agora, eu quero dizer para vocês: o mesmo governo, seu Gilberto Carvalho, também é ministro da presidenta Dilma. É ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas. Tudo o que não presta ali está aninhado. E eles têm a direção e o comando do governo”. As declarações foram feitas pelo deputado federal do PP gaúcho, Luiz Carlos Heinze, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, durante uma audiência pública com produtores rurais em Vicente Dutra (RS), no dia 29 de novembro de 2013. O vídeo com o discurso de Heinze foi publicado no blog da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (ver abaixo).


Além de dizer que índios, gays, lésbicas e quilombolas são “tudo que não presta”, o deputado do PP sugeriu aos agricultores presentes na audiência pública que contratassem seguranças armados privados para resolver seus “problemas com os índios”. Ele citou o caso do Pará como exemplo a ser seguido:

“O que estão fazendo os produtores do Pará? No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no Pará, porque a brigada militar não lhes dá guarida lá e eles têm de fazer a defesa das suas propriedades”, diz o parlamentar. “Por isso, pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como o Pará está fazendo. Façam a defesa como o Mato Grosso do Sul está fazendo. Os índios invadiram uma propriedade. Foram corridos da propriedade. Isso aconteceu lá”.

Promovida por outro integrante da bancada ruralista, o deputado federal Vilson Covatti, também do PP gaúcho, a audiência pública teve como tema o conflito dos produtores rurais da região com os indígenas do povo Kaingang, que vivem na Terra Indígena Rio dos Índios, de 715 hectares.

Heinze contou com o apoio entusiasmado do deputado Alceu Moreira, do PMDB gaúcho, que também atacou o secretário geral da Presidência da República, chamando-o de “chefe dessa vigarice orquestrada”:

“Por que será que de uma hora pra outra tem que demarcar terras de índios e de quilombolas? O chefe dessa vigarice orquestrada está na antessala da presidência da República e o nome dele é Gilberto Carvalho. Por trás dessa baderna, dessa vigarice, está o Cimi, uma organização cristã, que de cristã não tem nada. Está a serviço da inteligência norteamericana e europeia para não permitir a expansão das fronteiras agrícolas no Brasil”.

Alceu Moreira diz que os parlamentares não vão incitar a guerra e, logo em seguida, passa a incitar a guerra:

“Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra, mas lhes digo: se fartem de guerreiros e não deixem um vigarista desses dar um passo na sua propriedade. Nenhum! Nenhum! Usem todo o tipo de rede. Todo mundo tem telefone. Liguem um para o outro imediatamente. Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário. A própria baderna, a desordem, a guerra é melhor do que a injustiça”.

Luiz Carlos Heinze e Alceu Moreira poderiam pertencer ao mesmo partido. Não é assim por contingências da política. Mas, na verdade, pertencem a uma mesma bancada, uma das maiores do país, a bancada ruralista, um partido informal com muito poder, preconceito e autoritarismo. Vem do berço político. O DNA golpista e autoritário da antiga Arena aparece em todo seu esplendor nas manifestações dos deputados em Vicente Dutra.

Essa ideologia truculenta terá como candidata ao governo do Estado no Rio Grande do Sul, a senadora Ana Amélia Lemos que, se por um lado, não adota esse discurso odioso publicamente, por outro tampouco o condena. A julgar pelas manifestações acima, no dia em que o PP e seus aliados governarem o Rio Grande do Sul, índios, gays, lésbicas, quilombolas e outras categorias dos que não prestam terão que se mudar de Estado. Neste dia, só ficarão morando no “Rio Grande” os homens de bem e os que prestam, aqueles que querem “expandir a fronteira agrícola” e não deixar “nenhum vigarista entrar em suas terras”. E há quem ache que o fascismo é algo distante de nós.

Quando ainda estava na Assembleia Legislativa, Flavio Koutzii escreveu um artigo intitulado “A extrema-direita brasileira mora nos Pampas”. O vídeo acima fornece uma didática ilustração disso.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Prestes a ser destruído, Centro Cenotécnico mobiliza artistas de Porto Alegre


O Centro Cenotécnico do Rio Grande do Sul está com os dias contados. Em função da Copa do Mundo de 2014, o tradicional espaço que dá guarida a artistas de Porto Alegre e do interior do Estado terá que ser destruído e as autoridades públicas ainda não encontraram uma solução.

O estabelecimento fica localizado na avenida Voluntários da Pátria, 1370. Como a via será duplicada pela prefeitura da Capital em função da Copa, cerca de 100 imóveis da região precisarão ser desapropriados.

São cerca de 1.300 metros divididos em galpões com salas para depósito de materiais artísticos e cenográficos de diversas peças. Qualquer grupo de dança, de teatro, de circo, de cinema ou de quaisquer manifestações artísticas e culturais pode utilizar o espaço para ensaiar e realizar suas produções.

O complexo possui três salas fechadas para ensaios e reuniões, sendo que a maior delas é adaptada para atividades circenses, com um pé direito de 10 metros de altura, ideal para trapezistas. Além disso, esse mesmo espaço possui uma marcação de palco idêntica à do Teatro São Pedro.

O trecho onde fica o Centro Cenotécnico corresponde à primeira fase da obra, cujo contrato foi selado pela prefeitura no dia 25 de maio. A licitação foi concluída no dia 18 de janeiro de 2012, mas os artistas só ficaram sabendo que o local seria destruído há apenas três semanas. Não receberam um aviso da prefeitura, que desapropriará a área, nem do governo do Estado, que administra o espaço.

Foi por mero acaso que a comunidade artística ficou sabendo que um dos principais espaços públicos da categoria precisaria ser demolido. Uma arquiteta da prefeitura estava fazendo medições no local, catalogando árvores que serão arrancadas e foi interpelada por um servidor do Centro Cenotécnico ao entrar no estabelecimento.
Artistas armazenam e confeccionam materiais para espetáculos no local | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21 

sábado, 14 de abril de 2012

Tarso fala com o RS Urgente e responde a David de Coimbra

Reproduzo a seguir, na íntegra, texto de Marco Weissheimer, publicado neste sexta-feira no blog RS Urgente. O jornalista encaminhou três perguntas ao governador Tarso Genro repercutindo a coluna do jornalista da RBS, publicada nesta sexta 13, no jornal Zero Hora:


Tarso convida colunista da RBS a também ter vergonha pela situação do Presídio Central
O jornalista David Coimbra perguntou hoje ao governador Tarso Genro, em coluna publicada no jornal Zero Hora, se ele não tinha vergonha da situação do Presídio Central. Para externar sua indignação com a situação dos detentos do presídio gaúcho, o colunista de ZH critica, entre outras coisas, os defensores dos animais e as manifestações a favor das bicicletas. “E os homens martirizados do Presídio Central? Ninguém se importa com eles? Onde está a solidariedade da espécie?” – pergunta Coimbra, que propõe como solução para o problema a privatização dos presídios.

O RS Urgente encaminhou ao governador Tarso Genro três perguntas sobre o tema. Eis as perguntas e a respostas do chefe do Executivo gaúcho:


Governador, qual a reação do senhor ao ver o estado atual do Presídio Central?


Acho que todos os gaúchos estão envergonhados com a situação do Presídio Central. Mas eu, particularmente, sinto-me, além de envergonhado, contente por estar orientando o governo, desde o início da gestão, para incidir fortemente sobre aquela vergonha nacional. Comecei este trabalho na época em que era ministro da Justiça, quando passei vultosos recursos para a reforma do presídio Anibal Bruno, de Pernambuco, que era tão vergonhoso como o Presídio Central. Não consegui mandar recursos para o Rio Grande do Sul porque, naquela época, as autoridades locais não preencheram os requisitos necessários para receber o dinheiro, por razões técnicas ou políticas que desconheço.


Na edição de Zero Hora desta sexta-feira, o colunista David Coimbra pergunta se o senhor “não tem vergonha” da situação. Qual a sua resposta a essa indagação?


Convido o jornalista que escreveu o isento artigo a ter vergonha comigo. Mais vergonha, talvez, porque, afinal, os dois governos que nos precederam foram eleitos com o apoio ostensivo das editorias da rede de comunicação onde ele trabalha. Os últimos oito anos de total descaso com o Presídio Central é que resultaram esta situação dramática que, paulatinamente, vamos corrigir. Ou alguém pensa que drama do presídio é resultado dos últimos 15 meses? Portanto, em oito anos de governos que foram eleitos com o ostensivo apoio dos “formadores de opinião” do jornal ao qual o referido jornalista presta o seu serviço, pouco ou nada foi feito em relação ao Presídio Central.

É bom a gente socializar a vergonha, senão parece que a imprensa é uma estrutura de poder “neutra”, composta só por pessoas puras e dotadas de incrível senso de responsabilidade pública, que não tem nenhuma responsabilidade com o que ocorre na esfera da política e nas decisões de Estado. Eu gostei do artigo. Achei muito bom o texto. Mas como represento uma instituição -o Executivo Estadual- e um projeto político -da Unidade Popular Pelo Rio Grande- convido-o a refletir sobre a herança que recebemos, cuja construção não teve o nosso apoio nem a nossa cumplicidade política, para que todos nos envergonhemos. E para que passemos a trabalhar juntos para construir um novo Rio Grande.


Na sua avaliação, a privatização é uma solução para o problema dos presídios?


Não vamos diminuir ou abdicar das nossas funções, como ocorrido em gestões anteriores. Esta é uma questão constitucional: a custódia dos detentos é responsabilidade do Estado. Qualquer empresa que entra em um negócio visa o lucro e o sistema prisional não serve para isso. Quero deixar claro que não somos contrários às PPPs. Pelo contrário, estamos encaminhando algumas. Mas elas não podem ser feitas no sistema prisional.

Em um passado recente, era de bom tom neoliberal reduzir as funções públicas do Estado, fazer promoções para demissões voluntárias, como ocorreu no governo Britto (referência para alguns como “modelo de gestão”), aplicar brutais arrochos salariais em todos os servidores, principalmente da Susepe, policiais civis e militares, terceirizar serviços e dar isenções fiscais concentradas exclusivamente em grandes empresas, deixando a base produtiva histórica do estado a ver navios. E mais, ainda restam 50 mil ações da Lei Britto para pagar, presente herdado por todos os governos que sucederam o governador Britto, ponto culminante da arrogância neoliberal no nosso estado.

sábado, 10 de março de 2012

A alteração dos critérios de promoção de oficiais na BM

Fabio Fialho Martins*

Foi aprovado na Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (06/03), um estranho projeto de lei, que foi enviado pelo governador do estado do RS, Tarso Genro, que tem a intenção de partidarizar a Brigada Militar do estado.

Os grandes cargos da BM (Major e Tenente-Coronel) eram nomeados conforme sua antiguidade na casa, seus cursos e suas condecorações como oficial da BM. Conforme seus méritos, eles iam acumulando pontos para uma futura promoção. Outro fator que ajuda para essa promoção, é uma nota subjetiva (leia-se: Nota Política) que faz com que pessoas do governo deem pontos para os policiais, mas a pontuação era muito baixa, ainda valia mais à pena estudar para conseguir uma promoção.

Com a PL 448 enviada, estranhamente em regime de urgência, e aprovada SOMENTE pela base aliada do estado, a brigada militar passará a perder seus méritos honrosos e passará a ser uma brigada política, pois a lei prevê um aumento de 450% de aumento no peso da nota subjetiva.

Como o projeto foi enviado com regime de urgência, nem os deputados aliados ao governador, nem a oposição, tiveram tempo hábil para conversar com os policiais e cidadãos para ver se esse projeto é ou não aceitável pela própria classe.

Estranho como um projeto que não é nem discutido com a própria base aliada do governo é aprovado, mesmo com a própria brigada militar sendo contra essa Lei.

Você tem o direito de fazer o bem de todos, escolha bem seus candidatos nas próximas eleições, você nunca sabe quando será afetado por eles.

*Estudante de jornalismo

*Este artigo, especificamente, não representa a opinião do blog

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Você viu? #12

Agressão a estudantes da USP começou na 5°-feira - Blog da Cidadania, 9 de janeiro.
O que move o partido-imprensa e seus colunistas - Escrivinhador, 9 de Janeiro.

Querida, vão encolher o Rio Grande! - Marcelo Carneiro da Cunha, 4 de janeiro.


Do RS URGENTE, A ordem Criminosa do mundo

"Em novembro de 2008, a TVE (Espanha) exibiu um documentário intitulado “A ordem criminosa do mundo”. Nele, Eduardo Galeano, Jean Ziegler e outras personalidades mundiais falam sobre a transformação da ordem capitalista mundial em um esquema mortífero e criminoso para milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de três anos depois, o documentário permanece mais atual do que nunca, com alguns traços antecipatórios da crise que viria atingir em cheio também a Europa."

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O inexplicável muro

O texto que reproduzo a seguir é do músico e jornalista gaúcho Arthur de Faria, originalmente publicado no portal Álbum Itaú Cultural.

Pra mim é quase uma neurose obsessiva a grande pergunta que faço, todos os dias, antes de escovar os dentes. Todas as noites, antes de tentar apagar vendo a vida das marmotas do Báltico no National Geographic. A pergunta que faço pra amigos paulistas, pernambucanos, mineiros… A pergunta que me fazem amigos uruguaios e argentinos. A pergunta que me faço com meus amigos gaúchos: “Cadê o furo?”.
Onde é que tá o buraco que impede que, um dia, se derrube o inexplicável muro de via única erguido entre o Brasil e a América Hispânica?
Via única porque a recíproca não é, nunca foi, e provavelmente jamais será, verdadeira. Argentinos e uruguaios – e provavelmente chilenos e paraguaios, mas não poderia afirmar – têm uma imensa curiosidade pela cultura e um grande carinho por seus irmãos latinos de fala portuguesa. E, baseados em sua própria fé, não cansam de manifestar o pasmo pela falta de reciprocidade. Pela ignorância brasileira com relação ao que, para eles, é até politicamente muito claro: somos uma coisa só. Uma única América. E uma verdade óbvia e ululante. Ao menos para uruguaios e argentinos. Mas – e isso é tristemente real – uma questão ignorada e/ou raramente formulada por quase todos os Brasis.
Quase porque, ainda que de forma distante do que seria o ideal (ou o lógico), o Rio Grande do Sul, tão sectário em algumas questões, já evoluiu um tanto nessa. Somos, inequivocamente, mais platinos, mais sureños que a média dos brasileiros. Afinal, tem até a velha piada – glosada por gaúchos e brasileiros de outros estados, com enfoques diferentes – de que somos argentinos que falam português. Ou quase português.
Última fronteira viva do Brasil, enquanto a corte bailava e os ciclos econômicos se sucediam, os gaúchos atrasam o desenvolvimento de suas cidades porque não paravam de ter castelhanos pra matar. O que, pela lógica, não daria em nenhuma vontade de integração. Pelo contrário. É como diz um amigo uruguaio: peleávamos tanto que nem tempo pra aprender a falar espanhol direito tivemos. Ficou esse gauchês arremedo de portunhol.
Mas o fato é que o Rio Grande sempre bailou tango, sempre fez poesia gauchesca, sempre se sentiu parte desse oceano unificador chamado pampa. E enquanto Francisco Canaro vinha a Porto Alegre gravar na Casa Electrica e usava músicos locais pra tocar seu tango sem sotaque, representantes sulistas das gravadoras nacionais mandavam cartas para o Rio de Janeiro dizendo que nem adiantava enviar discos de samba e maxixe que os gaúchos não compravam mesmo.
Esse foi sempre um sentimento latente. Menos do que uma latinidad, uma consciência de fazer parte de um sul mais espiritual até do que geográfico. E aceitar o fato de que esse era mesmo nosso destino, que o “Brasil” não tinha nada a ver com isso. Como os portugueses que, quando viajam à França, dizem: “Vamos à Europa?”.
Só que, de umas poucas décadas pra cá, a coisa foi ficando mais concreta. Graças (não só, mas bastante) a iniciativas individuais de produtores culturais de lá e de cá, às vezes dentro, às vezes fora dos governos, começamos, os gaúchos, a testar a efetiva realidade de nossa pertença a ser sul.
Um exemplo: durante uma década, Buenos Aires recebia, casa cheia e braços abertos – e também Montevidéu, em várias ocasiões –, o festival Porto Alegre em Buenos Aires (ou Porto Alegre em Montevidéu). E nós nos espantávamos de ver tantos argentinos indo nos ver não porque éramos gaúchos, mas, sim, porque éramos brasileiros. Nunca nos sentimos tão brasileiros (pare e pense na maluquice disso, amigo leitor).
Desde então, muito se construiu. Um muito que é muito pouco, mas mais que o que o resto do Brasil tem de intercâmbio com o Prata. E é isso que, cada vez mais, me pasma: nossas fronteiras culturais são falsas, e isso é óbvio. Gaúchos e argentinos. Mato-grossenses e paraguaios. Nordestinos e nortistas. As fronteiras não são linguísticas. Não são políticas. São demarcadas por proximidade de culturas. E nem assim são concretas.
Gaúchos fazem samba, gaúchos fazem zambas. Nossa pátria é a do choro, mas também é a do chamané, que, por sua vez, também pertence àquele país chamado Pantanal. O roqueiro argentino Fito Paez é um artista tão conhecido do público médio gaúcho quanto, que se yo, o Pato Fu. E, na média, os gaúchos entendem tanto de espanhol quanto de mineirês.
Pode ser o futebol? Pode. Mas convenhamos que reduzir as possibilidades de aproximação entre duas culturas a uma polêmica Pelé-Maradona é menos do que somos capazes de realizar nessa vida… (E, pra piorar, nem uruguaios nem argentinos, que levam o futebol tão a sério quanto nós, misturam essas coisas.)
Então, taí. Taí o Jorge Borges, o maior escritor gaúcho, as milongas frias do Vitor Ramil, as culturas italiana e judaica que também unificam os povos do sul. Taí o fato de que, sem jamais ter feito um show no Rio de Janeiro, a banda a que pertenço, Arthur & Seu Conjunto, toca sistematicamente em Buenos Aires, da mesma forma que Tom Zé ou Elza Soares, e nos mesmos festivais. Afinal, somos artistas brasileiros. Temos os cursos de história da MPB que eu e meu parceiro Luis Augusto Fischer ministramos todo ano por lá, para plateias atentas, sim, repletas,sim, e, mais que tudo, tremendamente informadas sobre a nossa cultura. Pense no inverso: um curso de música argentina em qualquer cidade brasileira.
E aí a gente pega um táxi pra ir pro hotel e o argentino tá ouvindo uma fita do Sivuca.
Cê já pegou um táxi brasileiro e tava tocando Sivuca?

domingo, 3 de julho de 2011

Arthur de Faria sobre os CTGs: "E isso tudo aqui no estado existe em nome de preservar uma coisa, mas acaba engessando."

Arthur de Faria é músico e compositor de carreira invejável, indispensável no atual cenário cultural de Porto Alegre, radialista da Pop Rock FM e jornalista. Arthur é uma cabeça pensante e atuante dentro das principais discussões dentro do mercado cultural, principalmente fonográfico. Faz parte da corrente de músicos que veem o Movimento Tradicionalista Gaúcho com sérias restrições , e explica o por quê. É um dos assuntos abordados na entrevista publicada nesse domingo, 3, no Jornal Sul 21, concedida ao jornalista Felipe Prestes.
Reproduzo a seguir alguns trechos. A entrevista completa, que vale muito a leitura, está no link http://sul21.com.br/jornal/2011/07/arthur-de-faria-careta-e-nao-poder-viver-de-musica/

Sul21 – Tu não achas que nós voltamos as costas para o Brasil? Até por uma presunção de superioridade?
Arthur de Faria - Essa é uma outra questão. Eu me constranjo e tenho vontade às vezes de dizer que não sou gaúcho, sou rio-grandense. Eu acho que na Catalunha tem isso e outros poucos lugares. Tem uma coisa que tu vê no RS que me deixa aterrorizado. Por exemplo, um cara com um automóvel. Daí ele tem a bandeira do RS e a bandeira do país de onde é sua etnia, a bandeira da Itália, da Alemanha, e o cara não tem a bandeira brasileira. O cara se sente em primeiro lugar gaúcho, em segundo lugar italiano, alemão, e nem se sente brasileiro. Isso me dá uma vergonha, cara, porque isso é ignorância, porque quando tu sais do Brasil, te dás conta de quão brasileiro tu és, mesmo aqui nos países vizinhos a gente chega e se sente em casa, é muito parecido com a gente, mas tu sente que és brasileiro. Tu sentes como isso é forte. O Nico Nikolaievsky, por exemplo, quando foi para o Rio de Janeiro começou a tomar chimarrão.
Sul21 – E até a questão musical, a gente tem semelhança inegável com o Uruguai. As milongas, etc, mas também
Arthur de Faria – Tem uma coisa que me preocupa muito. É um raciocínio do Jorge Luis Borges. Ele chama atenção para o fato de que não tem camelo no Alcorão, porque é um negócio tão cotidiano que tu não precisa falar nisso, não precisa ter cor local. Ou a poesia gauchesca, quando ele analisa o Martín Fierro, quando ele dá voz para o pajador e o cara vai falar, ele usa um português normal, não abusa da coisa gauchista. Essa coisa de forçar o gauchismo mais do que ele próprio existe, essa fantasia criada a partir da cidade, a reconstrução de heróis imaginários de um passado que talvez nunca tenha existido da forma como se pensa que existiu. Afinal, ele nem estava na gênese da história, nem era a ideia original do Paixão (Côrtes) e do Barbosa Lessa. O Paixão é muito crítico em relação a isso. Ele diz que era um movimento tradicionalista e hoje é tudo menos um movimento. Quando teve a grande explosão dos CTGs e do movimento tradicionalista, nas décadas de 60 e 70, foi muito em regiões de imigração italiana e alemã, que precisavam se sentir como pertencendo a alguma coisa. Daí tem essa adesão cega a uma fantasia construída que nem é questionada porque não é a tradição da própria pessoa. Isso explica que tenha CTG em tudo que é lugar do mundo, até na Rússia tem um CTG. Tem um livro do Eric Hobsbawn que é A Invenção da Tradição. Ele não fala exatamente do Rio Grande do Sul, fala da Escócia, da Irlanda, mas se tu trocares uma ou duas palavras parece que está falando da gente. Tu podes argumentar que toda a tradição é em alguma medida inventada, mas o que acontece aqui é que fica sendo pensado como se todo o passado fosse melhor. Eu estive várias vezes em noite de Maracatu no interior de Pernambuco, os caras ficam ali improvisando aquele maracatu de baque solto que é uma forma musical que certamente é muito antiga, e eles estão falando do que está acontecendo agora. Hoje eles devem estar falando dos hackers que invadiram os sites do governo. Não é uma coisa engessada, é uma tradição que está viva; não é folclore, não existem temas sobre os quais se pode ou não falar. E daí eu me pergunto como um negócio tão bem organizado como o CTG, como isso poderia ajudar para espalhar a cultura do Rio Grande do Sul como um todo? Eu não estou nem falando no Júpiter Maçã, ainda que eu ache que ele seja 100% gaúcho, porto-alegrense. Mas, imagine, o Vitor Ramil não entra num CTG, o Quartchêto não entra – uma vez até tocou num CTG, mas depois fizeram uma reunião para saber aquele tipo de música poderia ser tocado em CTG e eles foram proibidos de tocar novamente. Eu acabo de lançar um disco que, das 13 faixas, 11 são milongas, ritmos do RS, da pampa, mas não tem essa reverência ao passado. Porque eu não acho que isso seja passado, acho que isso seja presente, isso os argentinos têm muito bem resolvido.
[...]
Sul21 – Há outros nomes, né? Borghetinho, Luiz Carlos Borges…
Arthur de Faria – Que não tocam em CTG. O Borges é um gênio dentro da tradição, é um cara que aponta algumas coisas pra fora, mas é um músico tão extraordinário que abole essa coisa de ser tradicional ou inovador. Tem coisas do Borges que eu gosto muito, tem outras que eu não gosto nada, mas ele é tão grande que isso não importa, ele é transcendente por sua grandeza como músico. Mas os caras que realmente propõem coisas novas, como o Borghetti, o Bebeto Alves, o Vitor Ramil, o Quartchêto ou eu, são exceções. E nada disso é visto como música regional gaúcha e pôxa…. Esses dois discos do Vitor de milonga (Délibab e Ramilonga)… O cara faz um disco inteiro de milonga e não é sequer registrado no movimento tradicionalista. Nem o Bebeto, que é um milongueiro nato. Isso é uma coisa que me deixa assombrado. E a resposta dos caras é a mesma sempre: “ninguém é obrigado a participar”; mas veja o que isso causa no nosso estado comparado com a efervescência musical do Recife, por exemplo, onde também há caras que defendem a tradição como o Suassuna. Só que ele não está lá pra dizer o que pode e o que não pode, ele é um cara respeitado como sábio. É até mais conservador que o Paixão aqui. O Paixão aprova muitas dessas coisas que são desaprovadas por CTGs. E quando tu tentas explicar para alguém de fora, ninguém consegue entender. Aí tem um congresso no MTG pra decidir se um gaúcho pode dançar de brinco ou não. Então ele pode entrar de brinco no local, mas não pode dançar. (risos)
Sul21 – O jovem gaúcho vê a musica gaúcha como um troço caricato. Ele acaba não descobrindo as coisas boas.
Arthur de Faria - Ou tu tens uma adesão cega ao negócio, e aí é religioso, a verdade anterior ao mundo, ou tu tens uma visão crítica, muito diferente de um cara do Recife, que pode estar tocando num maracatu de baque solto lá pelas ruas do Recife, tocando numa banda de rock, em uma rave, e exercer todas essas coisas ao mesmo tempo. E isso tudo aqui no estado existe em nome de preservar uma coisa, mas acaba engessando.

*Foto de Ramiro Furquim/Sul21

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Há uma semana acontecia o 1° #BlogProgRS

Foram três dias de reuniões com painéis, oficinas, palestras, discussões e troca de ideias. O primeiro encontro de Blogueiros e Twitteiros do Rio Grande do Sul foi realizado nos dias 27, 28 e 29 de maio em Porto Alegre, na Câmara Municipal da cidade.
Não fui, nem assisti a transmissão feita ao vivo na rede, mas gostei. Ainda mais quando me deparo com os números trazidos pelo Lucio Oberdan em seu blog Relatividade. Mais de 200 blogueiros participaram do encontro. No strieming ao vivo, estímasse que mais de 3000 pessoas assistiram. No Twitter, #BlogProgRS teve coisa parecida com 6 mil citações nos três dias. Contudo, me apego a marca de mais de 200 participantes presenciais. É um número muito interessante, ainda mais se pensarmos que 50 a 70% (100% CHUTE meu) desse pessoal, talvez até mais, esteja produzindo conteúdo aqui da nossa - muitas vezes provinciana - Porto Alegre. E se não está produzindo conteúdo, ao menos está pensando em discutir e aprimorar a maneira de se fazer comunicação social no Brasil.
Para ter um panorama maior do que foi o encontro, é legal de ler as impressões da Cris Rodrigues, do importante blog Somos Andando. É de suma importância ler o texto do Alexandre Haubrich, com a essencial veia crítica do Jornalismo B. O jornal Sul 21 fez boa cobertura do primeiro dia do #BlogProgRS, dá pra ler AQUI. Teve o ótimo texto do Marco Weissheimer sobre Políticas Públicas para Comunicação, publicado também em seu blog, RS URGENTE. E para seguir os movimentos desse movimento, o portal http://blogprogrs.com.br/

Fruto do 1° #BlogProgRS:

Carta compromisso do 1º Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do RS

(Câmara Municipal de Porto Alegre – 29 de maio de 2011)

O 1º Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do Rio Grande do Sul se constitui baseado na convicção de que a comunicação é um direito universal. No Brasil, no entanto, ela é tratada como um produto, de acordo com a lógica de mercado, que transforma direitos em privilégios de uma pequena parcela da população, tornando-se, assim, uma ferramenta de opressão e marginalização. Para que todos e todas tenham acesso não apenas a uma informação qualificada e plural, mas à produção de conteúdo, defendemos a participação de toda a sociedade no debate da comunicação que queremos. É nesse contexto que se inserem os meios digitais, como uma alternativa democrática e acessível para ampliar as vozes e tornar a comunicação efetivamente um direito de todos os setores da sociedade.
Para que seja garantido o acesso e a pluralidade da comunicação, defendemos:
1. Discussão com a sociedade civil organizada para a criação do Conselho Estadual de Comunicação, discutindo a execução de políticas públicas para democratizar a comunicação digital, garantindo a ampliação do acesso aos meios de expressão.
2. Políticas públicas para a comunicação e os comunicadores e as comunicadoras digitais, que levem em consideração a necessidade de capacitação e investimentos, para viabilizar e qualificar a produção de conteúdo web, e a democratização das verbas de publicidade.
3. Políticas de empreendedorismo, fomento e formalização, de forma que os comunicadores e as comunicadoras digitais possam cumprir as necessidades legais para a plena prestação de serviço.
4. Capacitação, organização e articulação coletiva e permanente da rede #BlogProgRS, por regiões do estado e temas de intervenção, além da interação com os movimentos sociais.
5. Um serviço público de banda larga para acesso domiciliar e em espaços públicos, que garanta a ampla transmissão e recepção de conteúdos multimídias, como um direito universal para todos e todas.
6. Inclusão digital com políticas públicas de acesso, em espaços com conteúdo e projeto pedagógico, quando possível, em articulação com a educação popular e formal, para qualificação e formação continuada de comunicadores e comunicadoras digitais.
7. Garantia da liberdade de expressão e livre circulação da informação, pelo bem da democracia e do livre debate, contra iniciativas de cerceamento na internet, como o AI5 Digital, a censura exercida pela mídia tradicional sobre a Blogosfera e a criminalização dos blogueir@s.
8. Manutenção da neutralidade na rede, pela igualdade de condições de acesso a todas as informações disponíveis na internet.
9. Revisão da Lei de Direito Autoral para a ampliação da produção, do compartilhamento e da distribuição de conteúdo.
10. Uma Lei de Meios para regulamentar a comunicação, que combata os monopólios e garanta programação regionalizada, diversificada e qualificada.

terça-feira, 24 de maio de 2011

1º Encontro de Blogueiros e Tuiteiros do RS

Discutir e entender esse momento de transição na história da comunicação, no qual os blogs representam uma forma de contraponto à imprensa tradicional. Transições, mudanças, inovações, democratização, ações das quais fazemos parte diretamente, comunicando das mais variadas formas possíveis com as inúmeras ferramentas hoje disponíveis.
Encontros regionais como este vêm acontecendo em diversas regiões do país. O encontro gaúcho deve contar com transmissão ao vivo pela internet, para que possa ser acompanhado em todo o país e no interior do estado.

Datas: 27, 28 e 29 de maio
Local: Câmara Municipal de Porto Alegre
Endereço: Av. Loureiro da Silva, 255; Porto Alegre-RS

Informações sobre inscrição e agenda no site http://blogprogrs.com.br/

A seguir, vídeo de convocação do Sr. Cloaca, do blog Cloaca News:

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Governo do RS lançará Gabinete Digital

O lançamento do Gabinete Digital e do site deste novo espaço de comunicação entre Estado e cidadão está marcado para às 17 horas do dia 24, no Palácio Piratini. O evento será transmitido ao vivo pelo site do Gabinete Digital.
Segundo os  idealizadores do projeto e as informações do blog RS URGENTE, a ideia é inspirada em iniciativas como o e-Sergipe, do governador Marcelo Deda, as audiências digitais promovidas pelo governador Cid Gomes, no Ceará, e as experiências de Barack Obama, nos Estados Unidos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tarso Genro concede entrevista à mídia blogueira

Matéria do Jornal Sul 21, assinada por Milton Ribeiro


Hoje pela manhã (05), o governador Tarso Genro concedeu entrevista a um grupo de blogueiros no Palácio Piratini. Segundo o governador, este gênero de encontro deverá repetir-se em seu governo como forma de reconhecer e valorizar este meio de comunicação já não tão alternativo.
Os blogueiros sorteados fizeram questionamentos sobre os mais variados assuntos. Destacamos as principais respostas do governador.
Sobre a importância dos blogs e redes sociais: “Finalmente está ocorrendo a democratização da comunicação. Os blogs e redes sociais vão no sentido inverso da deslegitimacao da atividade politica e dos politicos, tal como tem tentado fazer a chamada grande imprensa, onde ocorre uma comunicação unilateral, sem liberdade ou livre trânsito de conceitos. É a palavra do dono do jornal ou, pior, a interpretação da mesma. Os meios agora disponíveis funcionam como oxigênio para a informação”.
Sobre o MST: “Temos procurado estabelecer diálogo permanente com o MST. É nosso interesse. Buscamos sempre o apoio do governo federal para realizar rapidamente os assentamentos. Curiosamente, a constituição brasileira é hostil à reforma agrária. Ele não permite uma rápida emissão da posse. Permite que o ex-dono fique na posse da terra até o ultimo dia da demanda judicial. Há casos de terras que ainda estão sob judice desde o governo Olivio. A reforma agrária no Brasil é uma equação complicada; não obstante, o RS deseja manter o destaque da agricultura familiar. Não pode abrir mão deste padrão no estado. A importância da agricultura familiar na organização da sociedade é fundamental”.
Sobre o déficit zero divulgado pelo governo Yeda Crusius: “Não houve déficit zero nem em termos nominais nem em termos estruturais. O governo anterior deixou de fazer alguns gastos e cortou investimentos. A situação fiscal do Rio Grande do Sul hoje é mais ou menos a mesma do governo Rigotto. Não adianta nada anunciar medidas anticrise espetaculares que só rendem belas manchetes. Já vimos desde o PDV (Programa de Demissão Voluntária) do governo de Antonio Britto que isso não resolve nada. Nunca achamos, por outro lado, que o Estado estava saneado e tampouco pensamos que a situação é ingovernável”.
Sobre a pequena participação das mulheres no Conselhão: “A participação menor das mulheres não é deliberada. Elas são em menor número na política, infelizmente. Temos sempre dificuldades para cumprir a lei que exige que as listas partidárias eleitorais tenha cotas de 30% para as mulheres. No governo federal e estadual há um necessário processo de discriminacao às avessas, que visa a colocação das mulheres e das minorias nas estruturas de comando e de mão-de-obra”.
Sobre a Comissão da Verdade: “Vejam as Mães a as Abuelas da Praça de Maio: a Argentina tem organizações de direitos humanos muito mais fortes do que as nossas. Lá houve punições e investigações sérias. A criação da nossa Comissão da Verdade deve ser apoiada sem restrições. As vitimas da ditadura e seus descendentes, se houve, assim como a sociedade, devem ser atendidos. Precisamos nos livrar da vergonha do encobrimento dos crimes do período militar".


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Outras coberturas e textos relacionados:
Sem dúvida, do ponto de vista da comunicação social, a iniciativa do governador do estado de conceder entrevista coletiva para a imprensa blogueira, pela segunda vez quatro meses de mandato, é uma excelente notícia e perspectiva. A notícia, pela notícia, pelo fato novo, que já não é tão novo nem menos expressivo. A perspectiva, a melhor possível, para um jornalismo mais plural, com mais possibilidades e menos monopólio.

sábado, 12 de março de 2011

Ajude as vítimas da enxurrada em São Lorenço do Sul

A Defesa Civil do Rios Grande do Sul instalou um posto de arrecadamento de donativos no Armazém A7, no Cais do Porto, centro de Porto Alegre. Estão recebendo alimentos não perecíveis, água potável e material de higiene. Roupas não serão recolhidas.
Grêmio e Internacional também estão recebendo doações. No Beira-Rio, na central de atendimento ao sócio, o Inter está recebendo doações de água potável e alimentos não perecíveis, exceto sal, das 9 às 19h. O Grêmio está está com diversos postos de arrecadamento no Olímpico e, segundo a assessoria do Grêmio, estão aceitando doação de roupas também.
A prefeitura de São Lorenço do Sul disponibilizou duas contas bancárias, caso a preferência seja por doar quantias em dinheiro:

Banrisul:
Conta Corrente Prefeitura Municipal - Doações Enchentes 
AG: 0870 
C/C 04.029179.0-7
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Caixa Econômica Federal (CEF) 
AG: 0512 
C/C : 006.269-3  

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Blogueiros entrevistam Tarso Genro

A entrevista acontece nessa sexta-feira. A exemplo do Presidente Lula, que concedeu uma entrevista coletiva de duas horas para um grupo de blogueiros mês passado, o governador eleito do RS Tarso Genro reconhece a importância de veículos de internet independentes e fala à blogsfera gaúcha.
Participarão 16 blogs, dentre eles o RS URGENTE, Diário Gauche e Cloaca News. A coletiva ocorrerá no centro de Treinamentos da Procergs, às 15h30 e será transmitido pelo site da transição de governo e pelo twitter.
É a primeira iniciativa de um governo que na sua campanha enfatizou bastante as novas tendências de comunicação e a inclusão digital. “Essas inovações trazidas pelas novas tecnologias colocam a democracia em um outro patamar, e esse grupo social que representa milhares e milhares gaúchos é a grande novidade no processo de formação de opinião e de interferência no processo político democrático aqui no Estado”, diz Tarso Genro.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Qualquer semelhança...

Do jornal Sul 21:

Jovens criam movimento contra imigrantes franceses
Jorge Seadi

Cresce na França um movimento da extrema direita contra os imigrantes pobres, principalmente os mulçumanos e negros que vivem nas periferias das cidades.
Enquanto Marine Le Pen, filha do lendário líder de extrema direita francesa, está adotando um discurso menos racista e xenófobo contra os imigrantes asiáticos e negros, surge um grupo jovem e radical que vai às ruas de Paris pedindo a expulsão destas pessoas.
Em suas primeiras manifestações públicas, eles se apresentam como “líderes carismáticos”, comunicando-se e organizando-se através das redes sociais. Enquanto a extrema direita representada pela família Le Pen modera sua linguagem, este movimento usa uma linguagem forte e xenófoba contra imigrantes, negros e mulçumanos, classificados como “gentinha”.
Ao mesmo tempo, o movimento é nacionalista, posicionando-se contra a globalização. São contra o capitalismo, contra o cosmopolita e a favor das “coisas locais”.
Na primeira manifestação pública, em Paris, gritavam “Revolução Nacional” , “O Poder aos jovens” e a “França para os franceses”.

Com informações do ABC.es

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Pergunte a um gaúcho o que ele acha de nordestinos. Pergunte sobre homossexuais, se conhece, se tem amizade com algum, se tem parentes que são, pergunte sobre união legal entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais gays. Pergunte o que ele acha de separar o RS do Brasil.
Tenho certeza que um número expressivo de pessoas responderão de forma xenófoba, preconceituosa e ostentando um sentimento separatista burro, sem nenhum fundamento ou argumento. Não sei em números o quanto essas pessoas representam da sociedade riograndense, mas ainda que sejam 20 ou 30%, é bastante.
Muito disso vem da supervalorização da cultura gaúcha que se mistura com um certo complexo de inferioridade, de uma cultura que se fecha, não busca se expandir, não aceita novidades porém, ao mesmo tempo, reclama de não ser aceita e também discriminada no eixo RJ-SP quando, na verdade, é ela mesma quem discrimina.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Jornalismo, família Rigotto e escândalo da CEEE

- - A fraude da CEEE, uma história explosiva que a imprensa não investiga - -
Por Luiz Cláudio Cunha, em sua coluna ao Sul 21
"Quando o mal é mais audacioso, o bem precisa ser mais corajoso." (Pierre Chesnelong, 1820-1894, político francês)

Agosto, mês de cachorro louco, marcou o décimo ano da mais longa e infame ação na Justiça brasileira contra a liberdade de expressão.
É movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, 60 anos, agora candidato ao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua mãe, dona Julieta, hoje com 89 anos. A família atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio daquele ano em um pequeno mensário (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o JÁ, que jogava luzes sobre a maior fraude da história gaúcha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão de Germano.
Uma ação, cível, cobrava indenização da editora por dano moral. A outra, por injúria, calúnia e difamação, punia o editor do JÁ e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa, hoje com 66 anos. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, apesar dos recursos da família Rigotto, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil. Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa. O JÁ ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois – Bones e Patrícia Marini, sua companheira. Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora.
Até que, na semana passada, no maldito agosto de 2010, a família de Germano Rigotto saboreou mais um giro no inacreditável garrote judicial que asfixia o jornal e seu editor desde o início do Século 21: o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, autorizou o bloqueio online das contas bancárias pessoais de Elmar Bones e seu sócio minoritário, o também jornalista Kenny Braga. Assim, depois do cerco judicial que está matando a editora, a família Rigotto assume o risco deliberado de submeter dois dos jornalistas mais conhecidos do Rio Grande ao vexame da inanição, privados dos recursos essenciais à subsistência de qualquer ser humano.
[...]
Germano Rigotto, o líder governista que emplacou o filho de dona Julieta na máquina estatal, é hoje o candidato do maior partido gaúcho ao Senado Federal. A ex-secretária Dilma Rousseff, que ficou estarrecida com o que leu sobre as fraudes de Lindomar Rigotto na CEEE, é apontada pelas pesquisas como a futura presidente do Brasil, numa vitória classificada pelo renomado jornal inglês Financial Times como "retumbante". Tarso Genro, o ex-comandante supremo da Polícia Federal, que executou as maiores operações contra corruptos da máquina pública, lidera a corrida ao governo gaúcho e, certamente, tem os instrumentos para saber hoje o que Dilma sabe desde 1990. O primo Pepe Vargas, que mostrou isenção e coragem no relatório da CPI sobre a maior fraude da história do Rio Grande, é candidato à reeleição, assim como o deputado federal que inventou a CPI, Vieira da Cunha.
[...]
[Leia na íntegra o texto de Luiz Cláudio Cunha aqui. Excepcional]