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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Filme de Segunda 166

Ilha do Medo


Exatamente há 72 anos, no dia 17 de novembro, em Nova York, nascia Martin Scorsese, um dos maiores cineastas da história. Aproveito a data para falar sobre um dos seus trabalhos recentes, de 2010, que acabei não comentando aqui no Filme de Segunda. Estou me referindo a Ilha do Medo, estralado por Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley.

O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Dennis Lehane que, com a ajuda de Laeta Kalogridis, também roteirizou o longa. A trama se passa em 1954, quando o detetive Teddy Daniels (DiCaprio), acompanhado do agente Chuck Aule (Ruffalo), investiga o desaparecimento de uma paciente perigosa, que fugiu do hospital psiquiátrico na remota Ilha Shutter, um lúgar inóspito, misterioso e de difícil acesso.


Scorsese, como de praxe, filma a partir de referências, autorreferências e homenagens. A neblina do início, lembra o seu Taxi Driver, de 1976. Depois, Ilha do Medo propõem um desfile de estilos, todos encaixados a cada momento da trama. Primeiro, com a chegada dos dois agentes na ilha, um clima de investigação policial, detetive clássico, com direito a frases, cortes e planos clichês. Depois, suspense e um leve toque de terror. Para então, na reta final, o filme se tornar um drama psicológico, capaz de desconstruir toda a narrativa.

Como sempre, o cineasta apresenta filmes tecnicamente quase perfeitos. É o caso de Ilha do Medo, que tem trilha sonora fundamental, direção de arte muito competente, fotografia adequada e uma série de interpretações corretas, todas dentro do tom necessário. Porém, falta aquele algo a mais para que o longa se torne um dos grandes na cinebiografia de Scorsese. É até difícil explicar o que seria esse algo a mais sem chegar muito perto de dar spoiler. Porém, talvez fosse mais vantajoso ao que se propõe Ilha do Medo que o diretor colocasse mais cedo a pulga atrás da orelha do espectador.

Gênero: Drama
Duração: 148 min.
Origem: EUA
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Dennis Lehane, Laeta Kalogridis
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Censura: 14 anos
Ano: 2009
Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Filme de Segunda 136

O Lobo de Wall Street


Prepare-se para um legítimo filme de Martin Scorsese: bom roteiro, bons personagens e basicamente três horas de filmagens - caso seja mais recente, DiCaprio como protagonista. Ainda dentro da mística Scorsese, temos uma espécie de trama muito similar a outros trabalhos do excelente diretor, abordando um universo em que circula muito dinheiro sujo, com personagens excêntricos e pouco preocupados com possíveis consequências. O Lobo de Wall Street remete imediatamente a Bons Companheiros (1990) e Cassino (1995)

Aqui o cineasta e seu roteirista Terence Winter adaptam o livro de memórias de Jordan Belfort, corretor da bolsa de valores que fez fortuna no final dos anos 90. Sujeito dotado de um enorme poder de convencimento, ambicioso, carismático e que usa de todo seu conhecimento para comandar operações imorais, ilegais e multimilionárias dentro do mercado especulativo americano. Belfort é um fanfarrão inteligentíssimo que, mesmo depois de condenado e cumprir sua pena, seguiu ganhando muito dinheiro dando palestras motivacionais e ensinando técnicas de venda.

O Lobo Belfort e vivido de forma incorrigível por Leonardo DiCaprio. Desde seu ingresso ao meio especulativo, passando pelo seu auge até sua derrocada. O astro de Hollywood faz um dos seus melhores trabalhos e se coloca como candidato forte ao Oscar de melhor ator. O magnata Jordan Belfort vive de excessos, passa praticamente o dia drogado e promove frequentes bacanais até mesmo dentro do imenso escritório de sua empresa.


Em O Lobo de Wall Street Scorsese não poupa seus espectadores. O filme tem um ritmo completamente alucinante, com uma narrativa que acompanha a ordem cronológica dos fatos, mas faz uso de flashbacks para contar situações importantes para o andamento da trama. Tudo isso regado a muito humor e direito a DiCaprio quebrando a quarta parede e conversando com o público. Belfort é quem narra sua própria trajetória.

O filme reúne algumas sequências que, sem dúvida, entram no grupo das grandes cenas da história do cinema. Um delas dura quase 10 minutos. É um verdadeiro show de Leonardo DiCaprio e Jonah Hill, ambos completamente transtornados e descontrolados depois de uma dose excessiva de comprimidos. Hill é outro nome de destaque em O Lobo de Wall Street, recebendo indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante.

Seus 179 minutos podem ser cansativos para maior parte do público, mas quem se propor a encarar as três horas em frente à telona do cinema, sem dúvida terá um entretenimento de primeiríssimo nível.O Lobo de Wall Street tem indicações ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro adaptado. Imperdível. 

Gênero: Drama
Duração: 179 min.
Origem: EUA
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Terence Winter
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 18 anos
Ano: 2013


Classificação PoA Geral 
- Obra
X Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo