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quarta-feira, 18 de março de 2015

Você viu? #128

Hoje no Você Viu vou priorizar uma assunto que ainda está muito forte: as manifestações do dia 15 de março. Como de costume, vou fugir das notícias e interpretações da grande mídia e buscar visões e opiniões mais à esquerda. Entendo como um exercício necessário para tentar fugir do lugar comum.






Blog do Sakamoto, 15 de março

Bruno Lima Rocha para o IHU, 15 de março

Jornalistas Livres, 15 de março

Sul 21, 15 de março

Eliane Brum, 16 de março

Pragmatismo Político, 17 de março

Carta Capital, 17 de março

El País, 17 de março

Revista Fórum, 18 de março

Imagens dos protestos em Novo Hamburgo, região metropolitana. Foto: Joel Vargas

segunda-feira, 16 de março de 2015

Respeito, mas está longe de me representar

Todo respeito ao povo que saiu às ruas neste domingo, 15 de março, em todo o Brasil. Um número realmente significativo de pessoas foram manifestar-se contra o PT e a presidente Dilma Rousseff, pedindo o impeachment da mandatária e o fim da corrupção. Faz parte do jogo democrático. 

Entendo que engana-se quem generaliza dizendo que apenas a elite branca foi para as ruas. Pelo que tenho observado e lido nesses últimos meses, este é um movimento forjado pela elites e comprado por uma parcela significativa dos brasileiros médios, que não são necessariamente privilegiados pelos programas assistenciais do governo, tampouco pelo capital das grandes potências empresariais. Esse brasileiro médio, alardeado por postagens terroristas nas redes sociais e uma cobertura do país negativa e insistente por parte da grande mídia, foi para as ruas convicto que o Partido dos Trabalhadores e a presidente são os maiores problemas do Brasil.

Terrorismo desse tipo tomou conta das redes sociais, levando 
muitas pessoas a crerem nessas informações.
Eles tem o direito de pensarem assim. Ainda bem que vivemos em uma democracia e isso pode acontecer. Contudo, as pautas defendidas pelas principais lideranças que convocaram esse movimento do dia 15 de março, não me representam. E digo mais: não representam para o país um caminho salutar em sua democracia ainda jovem.

Primeiro que não acho que os últimos anos da administração do PT tenham sido uma maravilha. Dilma, Lula e o PT cometeram os mesmo erros e fizeram as mesmas alianças que qualquer partido da oposição faria sem corar as bochechas. Reconheço, porém, os inúmeros avanços e conquistas importantes de uma parcela da população proporcionadas pelo governo do PT, no qual sempre votei em segundo turno (optando primeiramente pelos candidatos do PSOL).

Dito isto, não posso nunca me aliar a um movimento que tem, entre seus simpatizantes e principais incentivadores, nomes como Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e grupos que apoiam a intervenção militar. Além, claro, do desespero completo que é, neste momento, acreditar no impeachment da presidente Dilma.

Casal protesta em Porto Alegre. Foto: Guilherme Santos / Sul21

Estes surgem da mesma vertente que defende a redução da maioridade penal, criminaliza o aborto, criminaliza os movimentos sociais e diz amém para absolutamente tudo que a grande mídia publica. É um movimento que se diz contra a corrupção e grita palavras de ordem contra o governo que mais investigou corrupção na história desse país.

Me alio aos movimentos que não negam suas bandeiras históricas, que muito levaram pau da polícia, bala de borracha, gás lacrimogênio, para que hoje desfrutemos de direitos essenciais, como férias remuneradas, décimo terceiro, licença maternidade, valorização do salário mínimo, carteira assinada. Movimentos que entendem a importância da Petrobrás, que também querem o fim da corrupção, mas não que isso signifique o enfraquecimento das instituições em nome de um jogo político sujo, forjado e mal interpretado.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Você viu? #127

A partir desta semana, o Você Viu passa a ser postado sempre nas quarta-feiras, e não mais nas terças como já era habitual. O motivo é mais operacional, visando facilitar a produção desta coluna por este blogueiro que vos tecla.

Havana Connection #3


Gente: Os trabalhadores diante da Operação Lava Jato
Carta Capital, 11 de março

Carta Capital, 10 de março

Jornalismo B, 9 de março

Estratégia & Análise, 7 de março

Projac: A mucama de Angélica
Diário do Centro do Mundo, 9 de março

Revista Fórum, 10 de março

Agência Pública, 3 de março




terça-feira, 3 de março de 2015

Você Viu? #126

Diário do Centro do Mundo


Ponte
Vista aérea de Brasiléia no ápice da cheia. Foto: Secom/AC

Drogas: Por que louvamos o álcool e punimos a maconha?
Blog do Sakamoto, 3 de março

Escuridão: Parque da Redenção perde o encanto quando o sol se põe
Sul 21, 3 de março

HSBC: Receita Federal investiga brasileiros suspeitos
Carta Capital, 3 de março

Guido Mantega: A boçalidade do mal
Eliane Brum, 2 de março

Mujica: 10 frases marcantes do ex-presidente do Uruguai
BBC Brasil, 1° de março

Água: Presidente da CPI da Sabesp fala ao DCM
Diário do Centro do Mundo, 1° de março

Crise: Líder socialista espanhol busca em Lula uma inspiração contra a crise
El País, 28 de fevereiro

Porto Alegre: COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA CÂMARA INDICA QUE AGRESSORES DA OCUPAÇÃO MAIS BELA VISTA PODEM SER DO 4º BOE
Jornalismo B, 27 de fevereiro

Amazônia: Grilagem e desmatamento contam a história do Jari
Agência Pública, 26 de fevereiro

Violência: Brasil aparece em 2º lugar em lista dos destinos mais inseguros para mulheres viajarem sozinhas no mundo
Brasil Post, 24 de fevereiro

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Orgulho hétero do presidente da Câmara e o beijo gay

Até parece roteiro de filme, em que as coisas acontecem com a coincidência conveniente para o arco dramático da narrativa. Noticiou-se na quarta, 11, que a Câmara dos Deputados desarquivou vários projetos do seu atual presidente, Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Dois deles, soariam como piada de bar, mas não passam de projetos esdrúxulos, que vão na contramão das lutas sociais por igualdade de direito e tratamento: um institui o dia do orgulho heterossexual; o outro visa tornar crime a discriminação contra heterossexuais. 

Já na madrugada desta quinta-feira vem de Pernambuco a notícia de que um casal de rapazes foi agredido por policiais e levados à delegacia após beijarem-se na cidade de Olinda. Não é difícil imaginar que no mesmo evento cultural estavam presentes inúmeros casais heterossexuais, é razoável supor que a maioria deles também trocou gestos de afeto assim como é provável que nenhum deles tenha sofrido com qualquer violência, física ou moral, motivada pela orientação sexual.

Há um ano, levantamento divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) contabilizou em 2013 o total 312 assassinatos, mortes e suicídios de gays, travestis, lésbicas e transexuais brasileiros vítimas de homofobia e transfobia. Na média, uma morte a cada 28 horas. Curiosamente o estado do Pernambuco foi apontado como o mais homofóbico, alcançando 34 mortes.

FOTO: Reprodução Facebook
De ficha extensa, Eduardo Cunha é acusado de falsificação de documentos e sonegação de impostos no Superior Tribunal Federal. Nome destacado da bancada evangélica, além de ser radicalmente contra os projetos de ampliação dos direitos da comunidade LGBT, recentemente declarou em entrevista que votação sobre aborto só por cima de seu cadáver. 

Entendo que qualquer pessoa que realmente ache que seja justo os heterossexuais pleitearem mais direitos e reconhecimento jundo à sociedade, está, no mínimo, com uma percepção de mundo completamente distorcida. O que me leva a crer que nosso presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é um sujeito atrasado e preconceituoso.

Tenho absoluta certeza que os dois projetos do peemedebista nunca serão aprovados. Mas é triste que ao menos existam, sejam pauta em algum momento e representem o pensamento tacanho de parcela da sociedade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Você Viu? #121

O atentado da semana passada aos funcionários da publicação francesa Charlie Hebdo ainda é um assunto que se impõe. Por conta disto, a edição desta terça-feira reúne bastante conteúdo sobre o ocorrido. O contexto é mais complexo do que parece, portanto nem todas as vozes que selecionei expressam a mesma opinião, mesmo sendo visões com posicionamentos sempre mais à esquerda.

Charlie


EXAME, 12 de janeiro

Portal Fórum, 12 de janeiro

Intervozes, 11 de janeiro

Carta Maior. 11 de janeiro

Coluna do Veríssimo, 11 de janeiro

DCM, 10 de janeiro

Eu não sou: Je ne suis pas Charlie
Leonardo Boff, 10 de janeiro

Blog do Morris, 9 de janeiro

El País, 13 de janeiro

Outros temas


Arthur de Faria, 13 de janeiro

Sul 21, 12 de janeiro

Blog do Sakamoto, 12 de janeiro

Eliane Brum, 10 de janeiro

Feminismo: Gentili e seu modo mascu de standu up Bullying
Escreva Lola, Escreva, 7 de janeiro

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Você viu? #120

Já é de praxe aqui no PoA Geral todas as terças-feiras essa curadoria de conteúdo, reunindo algo do mais interessante que foi pra rede nos últimos dias. Com a edição 120, começamos o ano. Aproveitem que tem muita coisa boa pra consumir nos links indicados.

POA: Fortunati poderá vetar projeto que cria feriado para Dia da Consciência Negra em Porto Alegre
Sul 21, 6 de janeiro

Futebol: Neymar a Messi após gol sofrido pelo Barça: 'Aquece'
ESPN, 6 de janeiro



Kátia Abreu: Ministra diz que “não existe mais latifúndio”. Adoraria viver no país dela
Blog do Sakamoto, 5 de janeiro

Ministra:  O Brasil tem latifúndios: 70 mil deles
Carta Capital, 6 de janeiro

Política: Análise preditiva para o cenário político nacional em 2015
Estratégia & Análise, 5 de janeiro

Segurança: O estranho caso das promoções e demissões do coronel que fazia propaganda nazista
DCM, 5 de janeiro

Coronel Fabio de Souza em entrevista para Luciano Huck
















Mídia: Como a Veja foi atacada por seus próprios leitores numa matéria sobre o nazismo na PM
DCM, 5 de janeiro

Cristo: 10 versões hereges para Jesus: liberdade de pensamento e a neo-inquisição virtual
Socialista Morena, 5 de janeiro

Chile: Após série de ofensas racistas, jogador de futebol venezuelano pede para sair de time
Opera Mundi, 1° de janeiro

Sant'Ana:  Zero Hora, dezembro de 2014: A promoção do racismo
Jornalismo B, 30 de dezembro/14

Insegurança: O Natal das mães que perderam seus filhos para o Estado
Ponte, 28 de dezembro

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Prefeitura de Taquari explica retirada de busto que homenageava ditador

Sob o governo do gaúcho Costa e Silva
foi promulgado o AI-5, período mais
crítico da ditadura militar no Brasil
Por meio de uma nota oficial, a administração do prefeito Emanuel Hassen de Jesus (PT), de Taquari, explicou os motivos de ter retirado de praça pública o busto em homenagem a Artur da Costa e Silva, presidente do Brasil entre os anos de 1967 e 1969, período que se deu durante o regime militar.

Além de ser um ato simbólico, em um ano simbólico, que "descomemoramos" os 50 anos do golpe de 64, é acima de tudo uma correção histórica. Não há motivos para homenagear quem ficou à frente do Brasil em um dos períodos mais obscuros da nossa história. A nota da prefeitura de Taquari, que reproduzo a seguir, justifica muito bem a atitude tomada pelo Município.

Nota Oficial - Retirada Busto Costa e Silva

 Em face da polêmica gerada pela retirada do busto existente junto à Lagoa Armênia, na cidade de Taquari - RS, a Prefeitura Municipal de Taquari informa que:

1. O busto em questão foi instalado no ano de 1976, em homenagem a Arthur da Costa e Silva, porque “nesta Lagoa Armênia, na infância, organizou seu primeiro pelotão de meninos. Em hora difícil, presidente da República, comandou com altruísmo o Brasil e o povo Brasileiro.”

2. Com a divulgação do Relatório da Comissão Nacional da Verdade, restaram comprovadas as atrocidades cometidas no período da ditadura militar, especialmente naquele período conduzido por Costa e Silva.

3. Portanto, a administração municipal de Taquari entendeu que não havia razão para manter uma homenagem no maior ponto turístico da cidade, espaço de demonstrações culturais, justamente a quem promoveu um período nebuloso na história do país. Cidadãos de Taquari, inclusive, sofreram as mazelas daquele período.

4. O busto, portanto, foi retirado e já está junto ao Museu Costa e Silva, existente no município e mantido pela Prefeitura Municipal. Junto com ele, também estará à disposição uma cópia do relatório da Comissão Nacional da Verdade, para que a história seja conhecida na totalidade em que foi possível escrevê-la.

5. A Lagoa Armênia continuará sendo, e cada vez mais será, um espaço para a livre manifestação cultural no município de Taquari.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Você Viu? #118

Ideologia: Manifesto sobre a esquerda-caviar
Carta Capital, 15 de dezembro

Comportamento: Selfies em sequestro de Sydney revoltam internautas
BBC Brasil, 15 de dezembro













CNV: O choro de Dilma na Comissão da Verdade: um depoimento
Diário do Centro do Mundo, 15 de dezembro



História: Jornalista lança 'biografia' do DOI-Codi. Com ex-agente do Dops na plateia
Rede Brasil Atual, 14 de dezembro

Política: PSDB e PT estão mais similares, diz Luciana Genro
Diário do Pará, 14 de dezembro

MTST: Líder dos sem-teto reúne ricos e pobres em ‘aula pública’ no centro de SP
Ponte, 12 de dezembro

Sonegação: como a Globo conseguiu renovar a concessão apesar de dever ao Fisco
Diário do Centro do Mundo, 10 de dezembro

Repercussão caso Jair Bolsonaro (PP)



EBC, 15 de dezembro

Portal Imprensa, 15 de dezembro
 
Portal Fórum, 14 de dezembro

Zero Hora, 12 de dezembro

Revista Exame, 11 de dezembro

Portal Imprensa, 10 de dezembro

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Você Viu? #116

Saúde: Quatro pessoas que vivem com Aids contam suas histórias
Sul 21, 2 de dezembro

Sonegação: A história da funcionária da Receita que sumiu com o processo de sonegação da Globo
Diário do Centro do Mundo, 1° de dezembro

HQ: Uma história real sobre o tráfico de trabalhadores estrangeiros para a indústria high-tech dos Estados Unidos
Agência Pública, 1° de dezembro

Violência: Mãe acredita que filho de 13 anos foi morto pela PM por vingança
Ponte, 1° de dezembro

Política: Armando Monteiro é nomeado novo ministro do Desenvolvimento
Carta Capital, 1° de dezembro

Saúde: Brasil e Aids: o que mudou após três décadas do primeiro diagnóstico?
Brasil de Fato, 1° de dezembro

Renner: Fiscalização flagra trabalho análogo ao escravo na produção para a Renner
Blog do Sakamoto, 28 de novembro

Chespirito: SBT bate Globo e Record durante oito horas com maratona de Chaves
Notícias da TV, 29 de novembro












Chespirito: São Paulo recebe exposição em homenagem a Roberto Bolaños, o eterno Chaves
Hypness

Denúncia: Famílias com até dois mínimos arcam com 48,9% dos impostos
Vi o Mundo, 28 de novembro

Mídia: O que o termo “petrolão” diz sobre a imprensa
Carta Capital, 25 de novembro


terça-feira, 25 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Você Viu? #113

Ditadura: Dopinha é tema de documentário e deve ser adquirido pelo governo do Estado até dezembro
Sul 21, 11 de novembro

Mídia: Crônica da baixaria entre Santana e Kenny Braga
Juremir Machado da Silva, 11 de novembro


Violência: Em 7 meses, 6 funkeiros são assassinados em bailes de SP
Ponte, 10 de novembro

Eleições: O ‘nordestino’ Diogo Mainardi
Diário do Centro do Mundo, 10 de novembro

Intercâmbio: MST defende acordo de cooperação assinado com ministro venezuelano
Agência Brasil, 10 de novembro

Veja: O “odiojornalismo” não pode ser patrocinado pelo dinheiro público
Diário do Centro do Mundo, 10 de novembro

Infeliz: Silvio Santos ironiza cabelo de criança negra e recebe críticas na internet
Carta Capital, 10 de novembro

Meninas: A rebelião de Jô Soares
Tijolaço, 9 de novembro


Política: Deputado tucano exige que site anti-PT que atacou jornalistas seja punido
Blog do Sakamoto, 8 de novembro

Esquerda: Polemizando com dois editoriais da Carta Maior, 29 de outubro e 06 de novembro de 2014
Estratégia & Análise, 8 de novembro

Auxílio-moradia: Trabalhadores e jovens de mais de dez entidades protestam contra auxílio moradia para juízes
Jornalismo B, 7 de novembro
FOTO: Alexandre Haubrich / Jornalismo B















quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Declaração de voto

O ato de votar, em um segundo turno, é quase um exercício de rejeição. Pois, na teoria, ficam frente a frente concepções diferentes de ideia de governo. Ao eleitor, cabe escolher entre um ou outro. Entre esquerda ou direita. Entre PSDB ou PT. Entre mais corrupto ou menos corrupto. Entre simpático e antipático. São inúmeras as dicotomias, sendo elas verdadeiras ou não. Em segundo turno de eleição, colocado o natural crescimento nas emoções e convicções de cada indivíduo, a torcida para que o outro lado não ganhe acaba sendo mais intensa do que pela vitória do seu próprio lado. 


Por acreditar que não fará bem ao Brasil e ao Rio Grande do Sul eleger Aécio presidente e Sartori governador é que voto, no próximo dia 26, em Dilma Rousseff e Tarso Genro. Entendo as candidaturas do PSDB em âmbito nacional, e a do PMDB em escala regional, como um retrocesso à direita, possivelmente valorizando a política neoliberal, privilegiando o capital financeiro e enfraquecendo o Estado e suas ações afirmativas.

Não é, contudo, um voto às cegas. Apesar do profundo respeito pela história do Partido dos Trabalhadores, e da imensa admiração pela trajetória pessoal de lutas e conquistas tanto de Tarso quanto da atual presidente Dilma, é extremamente necessário que se faça críticas aos governos do PT, sobretudo pelo viés das pautas históricas defendidas pelo partido.

Os 12 anos de mandato Lula e Dilma, e os quatro de Tarso Genro aqui no RS, representam avanços sociais históricos para o Brasil, disso não há dúvida. O combate à miséria e à pobreza foi notável, o aumento do poder de compra da classe média foi importantíssimo para o crescimento da economia do país, a ampliação das vagas ao ensino superior e técnico, mais os programas de inclusão como ProUni, FIES, política de cotas e Pronatec garantem acesso de uma parcela da população que nunca imaginou se formar e ter um diploma. Estamos vendo inúmeros casos de jovens se formando e constituindo uma primeira geração de graduados dentro das famílias menos abastadas, e isso é muito significativo. Assim como o Mais Médicos, programa que conseguiu levar saúde básica aos rincões onde médicos brasileiros não demonstravam interesse em prestar atendimento. Fora outros avanços, talvez menos importantes.

Deixo manifesto aqui, por coerência às minhas convicções, as ressalvas quanto ao projeto do PT que, através do voto, escolho para que continue por mais quatro anos. Pouco se fez quanto a reforma política, reforma agrária e reforma no sistema de comunicação social. É furtivo também o registro negativo sobre as alianças feitas em nome da governabilidade. Alianças essas que, sem dúvida, atrasam alguns avanços necessários e, infelizmente, ainda não dão sinais de enfraquecimento.

Entendendo, porém, que o processo eleitoral de 2014 elegeu uma gama de senadores e deputados com tendências gerais mais conservadoras, vejo ainda mais necessário que permaneça à frente do país um projeto político, ao menos, com a tendência de centro-esquerda demostrada pelo Partido dos Trabalhadores. Colocado o novo congresso a partir de 2015, aliado a uma possível candidatura de Aécio Neves, pautas como a criminalização da homofobia, regulamentação da maconha, do aborto e demarcação de terras indígenas e quilombolas voltarão ao fundo do baú. Ao mesmo tempo em que ganharia força a redução da maioridade penal, a privatização de presídios e o combate cada vez mais ostensivo (sanguinário e ineficaz) ao tráfico de drogas.

Colocado estes pontos, mais as sérias restrições de ordem ética e moral que tenho pela trajetória pessoal e política do candidato do PSDB, Aécio Neves, apoiado aqui no RS por José Ivo Sartori, do PMDB, é que neste segundo turno vou de Dilma Rousseff e Tarso Genro para Presidente e Governador.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Eleições presidenciais e reformas estruturais

A seguir, editorial da edição 596 do Jornal Brasil de Fato, que basicamente reflete a opinião deste blogueiro que vos tecla.

As manifestações de junho de 2013, exigindo mais cidadania políti­ca e social, assim como a instrumen­talização da Ação Penal 470 (conhe­cida como mensalão) pelas forças ne­oliberais para destruir o Partido dos Trabalhadores (PT) e desgastar os governos Lula e Dilma, transforma­ram as eleições de 2014 numa bata­lha decisiva. Nesse sentido, os pro­testos de junho do ano passado colo­caram na ordem do dia a necessidade de aprofundar as mudanças no Bra­sil. Ao mesmo tempo, a politização da AP 470 reafirmou que a classe do­minante brasileira não tolera a me­lhoria de qualidade de vida do povo e que é impossível avançar nas con­quistas populares sem o acirramento da luta de classes.

Para responder aos anseios po­pulares de mais cidadania política e social, é necessário colocar as re­formas estruturais na agenda políti­ca brasileira. Não por acaso, a pre­sidenta Dilma, no lançamento de sua candidatura à reeleição, pautou o Plano de Transformação Nacional como uma diretriz fundamental de seu programa de governo. Trata-se do compromisso com quatro refor­mas: a política; a federativa; a urba­na e dos serviços públicos.

Para a reforma política, Dilma tem concordância com a necessida­de de um plebiscito oficial que con­sulte o povo brasileiro sobre a ne­cessidade de convocar uma Assem­bleia Constituinte exclusiva para mudar o sistema político. Por trás da reforma federativa está certa­mente uma reforma tributária pa­ra corrigir as distorções que penali­zam a renda da classe trabalhadora e que prejudicam os setores produ­tivos da economia brasileira. A re­forma urbana se pautará certamen­te para combater o déficit habita­cional, melhorar consideravelmente a mobilidade urbana, avançar num amplo programa de saneamento básico e redefinir a segurança pú­blica no Brasil. A melhoria dos ser­viços públicos é uma medida fun­damental e de impacto imediato na população pobre.

Até agora, esse compromisso da candidatura da presidenta Dilma com estas quatro reformas é a gran­de novidade das eleições presiden­ciais de 2014. Entretanto existem al­gumas pedras no meio do caminho. O compromisso do PT e da presi­denta Dilma com estas reformas en­frenta alguns gargalos. O primeiro é o caráter conservador de sua coali­zão eleitoral, particularmente o PM­DB. Ou seja, conseguirá a presiden­ta Dilma, durante a campanha pro­pagandear estas reformas sem sofrer dissidências ou ameaças dos pró­prios aliados?

O segundo gargalo é que mesmo que a presidenta consiga propagan­dear estas propostas e seja reeleita compromissada com elas, encontra­rá dificuldades de aceitação no Con­gresso Nacional hegemonizado por empresários, ruralistas e todo tipo de pensamento conservador. Ou seja, encontrará um obstáculo num siste­ma político pautado pelo poder eco­nômico.

Não é possível colocar as reformas estruturais na agenda sem combinar luta de massas com a luta pela cons­tituinte exclusiva do sistema políti­co. Para viabilizar esta agenda políti­ca, torna-se urgente a construção de uma nova maioria social que tenha como base uma força social de mas­sas formada fundamentalmente pela jovem classe trabalhadora que se re­novou nestes últimos 12 anos.

Se a presidenta Dilma não pautar as reformas estruturais, não conse­guirá dar respostas às demandas de junho de 2013. Além disso, corre o risco de abrir um abismo entre o PT e os anseios por mudanças que os ma­nifestantes de junho pautaram. Mas não somente isso. Poderá perder as eleições e abrir espaço para uma pos­sível restauração neoliberal no Brasil com consequências para toda a Amé­rica Latina.

Pautar estas quatro reformas seria um bom ponto de partida para rom­per com a pobreza de debate pro­gramático tão comum nas eleições. Além disso, também seria o primei­ro passo para pautar outras refor­mas fundamentais, como a agrária, solenemente ignorada nestes últi­mos 12 anos.

São novas tarefas e novas forças sociais que abrem a possibilidade de gestarmos um novo ciclo histórico para refundar o Brasil. Quais candi­daturas presidenciais acumulam for­ças para um projeto de mudanças es­truturais?

A candidatura da presidenta Dil­ma, com todos os seus limites, não representa retrocessos e tem sinali­zado com a necessidade de assumir o compromisso com o aprofundamen­to das mudanças políticas e sociais.