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quinta-feira, 31 de março de 2011

Programa A Liga toca na ferida

No programa A Liga, que foi ao ar na Band, na última terça-feira, 29, o jornalístico abordou a relação dos jovens e a bebida alcoólica. Rafinha Bastos, Débora Villalba, Thaide e Sophia Reis levaram a reportagem à diversas situações em que esses dois focos específicos, jovem e álcool, sempre são os protagonistas, quais as causas e as consequências de atitudes muitas vezes impensadas.
A imensa maioria das pessoas, e aí não incluo só os jovens, bebem por inércia. Ou seja, simplismente ligam o piloto automático e bebem por beber. Não porque gostam do sabor ou porque querem matar a sede, mas porque encheram seu copo ou ofereceram. Nesse contexto volta a figura do jovem, que sai pra balada de turma e é aliciado a experimentar e usar os mais variados tipos de drogas, começando pelo álcool. A pressão para aceitar o que oferecem é grande. Sei como é isso, pois não bebo e, numa festa qualquer, dou incontáveis "nãos".
A Liga trás à tona números que refletem a intensidade com que a bebida álcoólica está presente em nossa sociedade. Segundo o Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas), 80% dos alcoólatras deram o primeiro gole antes dos 18 anos. Mais: nos depoimentos recolhidos pela reportagem da Band, a maioria dos jovens diz ter bebido primeiramente com os pais. Nesse ponto A Liga toca na ferida mais aberta e exposta da sociedade, a educação e o exemplo dos mais velhos, que, não raro, reclamam como se a juventude fosse o grande problema do mundo - a juventude educada por eles. 
Em dado momento, uma universitária é perguntada sobre a frequência com que consome bebida alcoólica. Sentada em meio a uma roda de bar, com a mesa repleta de garrafas de cerveja, ela responde "Ah, tem a faculdade, né... bebo todos os dias". Um dado da Secretaria Nacional Antidrogas diz que 22% dos universitários estão sob risco de desenvolver um quadro de alcoolismo. Estima-se que 15% dos brasileiros são alcoólatras.
Mesmo quando ainda não chegou-se ao extremo de ser um dependente, o fator de risco em beber é o exagero, a intensidade e a violência com que o jovem acha que as coisas tem de acontecer. Muitos não respeitam o limite que seu corpo aguenta, e esse é o grande problema. Afinal, beber para se divertir e socializar não é crime nenhum, tem como fazer sem submeter a riscos maiores ou a situações constrangedoras, como normalmente se vê em finais de festas, é só saber a hora de parar. E outra, não é lei que é preciso estar bêbado para se divertir, ora!
Porém, o fator mais preocupante dessa relação com o álcool ainda é quando se mistura bebida x direção. Em acidentes de trânsito com vítimas fatais, o álcool está presente em 75% dos casos. Perceba que número absurdo.
Muitas vezes somos irresponsáveis de forma indireta, corremos o risco mas passamos a responsabilidade para o outro. Nunca dirigi alcoolizado, sempre evito (e evitarei) que isto aconteça. Porém, já peguei carona com motorista bêbado e, segundo o Denatran, isso é comum para 55% dos jovens. É dever nosso, como cidadão responsável, não embarcar numa dessas, saber dizer não e até constranger o motorista que irá guiar embriagado, se possível convence-lo de pegar um taxi. Já decidi que esse tipo de carona não pego mais.

A seguir, a primeira parte do programa. Na íntegra, dá para assistir no site do programa.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Qualquer semelhança...

Do jornal Sul 21:

Jovens criam movimento contra imigrantes franceses
Jorge Seadi

Cresce na França um movimento da extrema direita contra os imigrantes pobres, principalmente os mulçumanos e negros que vivem nas periferias das cidades.
Enquanto Marine Le Pen, filha do lendário líder de extrema direita francesa, está adotando um discurso menos racista e xenófobo contra os imigrantes asiáticos e negros, surge um grupo jovem e radical que vai às ruas de Paris pedindo a expulsão destas pessoas.
Em suas primeiras manifestações públicas, eles se apresentam como “líderes carismáticos”, comunicando-se e organizando-se através das redes sociais. Enquanto a extrema direita representada pela família Le Pen modera sua linguagem, este movimento usa uma linguagem forte e xenófoba contra imigrantes, negros e mulçumanos, classificados como “gentinha”.
Ao mesmo tempo, o movimento é nacionalista, posicionando-se contra a globalização. São contra o capitalismo, contra o cosmopolita e a favor das “coisas locais”.
Na primeira manifestação pública, em Paris, gritavam “Revolução Nacional” , “O Poder aos jovens” e a “França para os franceses”.

Com informações do ABC.es

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Pergunte a um gaúcho o que ele acha de nordestinos. Pergunte sobre homossexuais, se conhece, se tem amizade com algum, se tem parentes que são, pergunte sobre união legal entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais gays. Pergunte o que ele acha de separar o RS do Brasil.
Tenho certeza que um número expressivo de pessoas responderão de forma xenófoba, preconceituosa e ostentando um sentimento separatista burro, sem nenhum fundamento ou argumento. Não sei em números o quanto essas pessoas representam da sociedade riograndense, mas ainda que sejam 20 ou 30%, é bastante.
Muito disso vem da supervalorização da cultura gaúcha que se mistura com um certo complexo de inferioridade, de uma cultura que se fecha, não busca se expandir, não aceita novidades porém, ao mesmo tempo, reclama de não ser aceita e também discriminada no eixo RJ-SP quando, na verdade, é ela mesma quem discrimina.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fumar um narguilé

Tenho a impressão que desde a novela Caminhos das Índias o tal do narguilé se popularizou, mais especificamente entre o público jovem. O cara não fuma cigarro, não fuma maconha, mas às vezes se reuni com os amigos para beber "um pouco" e jogar conversa fora durante uma sessão de narguilé, afinal não há problema, pois as impurezas da fumaça são filtradas pela água aquecida dentro do objeto e ainda tem aroma de maçã, pêssego ou hortelã.
Tudo ilusão.
Ouvi na última quinta-feira a notícia que o narguilé faz mais mal do que se imagina. Foi noticiado na Voz do Brasil que, por sinal, é muito bom de se ouvir, um excelente noticiário. Fui atrás da informação e encontrei um estudo de janeiro de 2009, da Universidade de Brasília (UnB), que apresenta dados impressionantes.
Em uma sessão de Narguilé de, em média, 80 minutos, o usuário fuma o equivalente a 100 cigarros. Apenas 5% das substâncias, na verdade, são filtradas pela água aquecida. E a informação de que não causa vício é falsa, devido a alta concentração de nicotina. O cachimbo d'água, por exemplo, tem concentrações de nicotina que giram em torno de 4%, já o cigarro tem em média 2% da substância.
Não raro menores de idade fazem uso do narguilé, talvez até com certa inocência. Inocência, inclusive, que não têm para outras drogas, as quais consomem sabendo seu potencial destrutivo e viciante. Há um forte engano quanto ao uso do narguilé, que precisa definitivamente cair por terra.

Mais sobre o assunto em http://www.destaquesp.com/index.php/Saude/Prevencao/os-perigos-do-narguile.html

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O "problema" juventude

Tenho a nítida impressão que as pessoas com mais de 40 anos acham os jovens o principal problema do mundo. Talvez todos nós achemos o mais jovem sempre um problema. Achamos aquela nova banda sempre pior que aquela velha banda, achamos aquela nova tribo sempre mais idiota que a outra tribo, que faziamos parte quando tinhamos 15 anos. Pois não se faz mais filmes como antigamente, não se é mais romântico como antigamente, não faz mais políticos, política ou se discute política como antigamente.

Existe uma glamurização cega do "antigamente". Há coisas boas ontem e hoje, assim como coisas ruins, também ontem e também hoje.

Ouvi numa mesa-redonda da rádio Guaíba comentarem sobre a transmissão que alguns jogadores do Santos fizeram na twittcam no Domingo, após vitória sobre o Grêmio Prudente. Os jovens jogadores entraram em conflito com alguns torcedores, numa dessas o goleiro Felipe se dirigiu de forma infeliz a internauta que o chamou de mão-de-alface: "Aí fera, o que eu gasto com o meu cachorro de ração é o teu salário por mês."

O jogadores ainda falaram alguns palavrões e também trocaram pequenas rusgas com o Robinho. No programa da Guaíba, hoje ao meio-dia, um dos debatedores, o reporter Hernani Campelo afirmou serem "esses garotos irresponsáveis o retrato da juventude atual".

Aliado a isso, vejo notícias que dão conta que em algumas cidades do interior de São Paulo, como Fernandópolis, há toque de recolher para menores de idade. Dependo da cidade, a norma vaia um pouco, mas em suma, depois das 23h menores de 18 anos não podem andar desacompanhados. As prefeituras alegam tentativa de diminuir a violência.

Parece que a culpa da violência urbana é do adolescente. E me parece óbvio um aspecto: qual infrator, seja menor de idade ou não, vai respeitar toque de recolher e ficar em casa vendo novela? O fora-da-lei sai de casa de qualquer jeito.

Experimentem ler, especialmente ler, o jornalista reacionário (e humorista por tabela) Luiz Carlos Prates. Seguidamente condena os "bermudões cheios de bolsos". É uma implicância impressionante. Olha esse post, publicado hoje no blog de Prates, com o título de Safados

"Agora é assim, ninguém pode reagir diante dos blefes de “crianças” e adolescentes. Vale tudo, podem fazer tudo, têm todas as proteções. Negativo, safados são safados, tenham a idade que tiverem, têm que ser “corrigidos”, à moda antiga, sem dó nem pedagogias do amor. E estamos conversados, safados!"

Tem ainda os que defendem baixar a maioridade penal. Que é um tema polêmico e complexo, e não vou entrar no mérito da questão agora. O fato é que me incomoda muito a maneira como se condena o jovem apenas por ele ser jovem e agir como tal. Esquecem que uma geração é filha da outra e que aprendemos tudo através de exemplos vindos dos nossos pais. Esquecem, e isso é o pior, que também já foram jovens e que em qualquer tempo, o jovem tem, teve e terá o mesmo tipo de comportamento.



[Conhece a Turma jovem do Estado de Alagoas? Reativaram essa semana o movimento "Fora Collor". Leia a matéria do Sul 21 aqui.]