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domingo, 10 de agosto de 2014

Inter impõe superioridade em clássico equilibrado

Se algo de bom é possível o Grêmio tirar de mais uma derrota em Gre-Nal é a oportunidade de pisar os pés no chão, acabando com a ilusão que o simples retorno de Felipão traria de volta o time multicampeão dos anos 90.  O técnico até tentou mudar a fotografia da equipe: escalou Ramiro na lateral direita, Pará na esquerda, promoveu o retorno de Werley na zaga e Rodriguinho no meio e ainda as estreias dos volantes Felipe Bastos e Walace, de 19 anos.

O clássico, contudo, foi equilibrado a maior parte do tempo. Abel Braga optou pelo 4-2-3-1, sacando Alan Patrick e colocando Aranguiz na linha de três meias, mantendo Willians e Wellington como dupla de volantes. Do outro lado, o Grêmio atuou no 4-1-4-1, tendo o jovem Walace como jogador posicionado à frente da linha defensiva. O estreante foi apenas discreto, e talvez o tricolor precisasse mais do que um jogador discreto.

O Grêmio começou o jogo cometendo muitas faltas e se preocupando em não deixar o Inter articular. A partir dos 20 minutos do jogo o time de Felipão parecia ter acertado seu jogo, conseguindo trocar a bola e assustar o rival através de investidas e chutes de média distância. O sensível predomínio do Grêmio, entretanto, durou até os 16 minutos da segunda etapa, quando o Internacional fez boa trama pela esquerda e abriu o placar com gol de cabeça do chileno Aranguiz. Era a primeira chance de gol colorada.

Diego Guichard/GloboEsporte.com

O Inter tomou conta do Gre-Nal 402 a partir de então. O Grêmio faliu animicamente e não se acertou mais. O segundo gol foi consequência. A partida é uma espécie de retrato do futebol gaúcho nos últimos dez anos. Enquanto o time do Beira-Rio se agiganta em jogos decisivos, sobretudo contra o rival, a equipe tricolor perde confiança ano após ano e escancara uma dificuldade tremenda em vencer partidas fundamentais.

Jogadores inteligentes dentro e fora de campo, como D'Alessandro e Alex, além da qualidade técnica, possuem uma compreensão tática diferenciada, e um espírito de liderança dentro das quatro linhas que acabam ajudando o Internacional a se impor nos clássicos diante do Grêmio. Foi o que aconteceu neste domingo, no primeiro Gre-Nal do Beira-Rio remodelado. 

A vitória credencia o Internacional a buscar o líder Cruzeiro. O time de Abel Braga tem capacidade. Ao Grêmio, resta trabalhar, tentar mudar cada vez menos e buscar resgatar a confiança do grupo de jogadores.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O confronto de características do Gre-Nal 402

O Inter de Abel Braga tem uma vantagem valiosa sobre a equipe gremista do recém chegado Luiz Felipe Scolari: o colorado tem uma maneira de jogar, tem uma característica, uma identidade desde o início da temporada. Coisa que o Grêmio passa longe de ter. Embora possamos questionar a falta de velocidade do Internacional, é preciso reconhecer que a cadência e a qualidade técnica individual para trocar a bola no setor ofensivo é uma característica que tem levado o colorado a resultados razoavelmente satisfatórios: venceu o Campeonato Gaúcho, vem passando de fase na Copa do Brasil e é o terceiro colocado no BR-14, com a mesma pontuação que o vice-líder e quatro pontos atrás do Cruzeiro. Além, é claro, de ter vencido os dois clássicos do ano.

Com o retorno do chileno Aranguiz, o técnico Abel Braga não deve fugir muito do 4-2-3-1, com a opção de variar para o 4-1-4-1 . A dúvida ainda é: quem sai para a volta do chileno? Os meias Alex e Alan Patrick mais o volante Wellington são os mais cotados. Pouca coisa muda seja qualquer um deles a deixar a equipe. O posicionamento segue similar. Contudo, a volta de Aranguiz representa uma válvula de escape interessante, pois se trata de um jogador leve, com fôlego para entrar na área quantas vezes for preciso e ainda recompor o posicionamento na hora de defender. É um jogador que destoa do toque cadenciado e acelera a mecânica colorada.

Montagem PoA Geral. Fotos: Fernando Gomes e Felix Zucco/Agência RBS

Por outro lado, o Grêmio é uma incógnita. Apesar de um grupo de jogadores qualificado para disputar campeonatos nacionais, a montagem da equipe sofre muito pela falta de continuidade. Uma derrota qualquer no contexto tricolor tem pesado muito, obrigando diretoria e comissão técnica a cederem invariavelmente à pressão externa, protagonizando frequentes mudanças. O Grêmio não tem um rosto, não tem uma característica, se mostra uma equipe mutante, diferente a cada jogo.

É, sem dúvida, uma desvantagem que tem Felipão para o clássico. Qualquer escalação parte de uma desconfiança completa. O Grêmio de hoje precisa provar a todos que é bom time, e esse tipo de sentimento afeta o rendimento do grupo. O maior exemplo disso é desempenho do clube nos clássicos da última década, em que o tricolor geralmente perdia e tinha sérias dificuldade de vencer mesmo quando a qualidade entre Inter e Grêmio era equivalente.

O Gre-Nal 402 tem, como sempre, uma importância maior que apenas os três pontos. Não creio que uma derrota normal signifique algo de negativo na continuidade dos trabalhos de Abel e Felipão. O primeiro por já estar consolidado, e o segundo por estar iniciando uma jornada. Entretanto, uma vitória do Inter pode significar uma guinada interessante, enchendo o time de confiança na perseguição ao Cruzeiro. Enquanto no Grêmio, a vitória auxilia na remontagem da equipe, trazendo a simpatia da torcida novamente para junto ao grupo e respaldando uma escalação que finalmente poderá ganhar sequência. 

sábado, 12 de abril de 2014

Mudanças táticas para o Gre-Nal e para a temporada

Grêmio
Acho improvável que o técnico Enderson Moreira mude sua equipe para o clássico decisivo, mesmo o Grêmio estando em desvantagem no placar agregado. Contudo, há um certo mistério cercando a escalação gremista. Edinho estaria deixando a equipe para o ingresso de mais um meia. Maxi Rodrigues e Jean Deretti disputariam a vaga. No lugar do lesionado Luan, Alan Ruiz já me parece praticamente escalado. Quem corre por fora é Zé Roberto, jogador que possivelmente seja utilizado na segunda etapa, já que está voltando de um tempo considerável sem jogar.

O Grêmio tem alternativas. Porém, não é o momento de mudar. A saída de Luan já impões uma mudança natural. A partir do ingresso de Dudu, o Grêmio passou a jogar num 4-4-2 quase que ortodoxo. A linha de quatro meio campistas começa com Riveros na direita, Ramiro e Edinho centralizados e Dudu na esquerda. Na frente, Barcos e Luan. Com a saída do promissor atacante e o ingresso de Alan Ruiz, Enderson volta ao 4-3-2-1, centralizando mais as ações na cadência do meia argentino.

Lucas Uebel / Grêmio FBPA
Entretanto, não é errado pensar que num futuro próximo o volantão Edinho possa deixar a equipe tricolor. Em algumas semanas o técnico gremistas terá pelo menos quatro boas opções para formar a linha de três meias atrás de Barcos, deixando Riveros e Ramiro mais contidos na marcação, porém com maior qualidade na saída de bola. Na frente, Enderson poderá escolher entre Alan Ruiz, Luan, Zé Roberto e Dudu, com Maxi Rodrigues, Deretti e Everton correndo por fora. Há, sem dúvida, boas ferramentas para um equilibrado 4-2-3-1, com boa capacidade de marcação e agilidade na saída para o ataque. Mas insisto, não é o momento. Os testes que o treinador vem fazendo tenho a nítida impressão que são para uma eventual mudança durante o clássico.

Inter
Da mesma forma, Abel Braga não deve mudar para o clássico Gre-Nal. Especulou a entrada de Igor para jogar ao lado de Willians e aumentar o poder de marcação na equipe colorada. O discurso da comissão técnica e dos jogadores, porém, não deram a entender que haverá mudança. E acerta o técnico Abel Braga. Não é hora de mudar.

Em sua formação habitual, o Inter varia naturalmente do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, dependendo do posicionamento de Aranguiz. Geralmente o colorado tem Willians à frente da zaga, D'Alessandro aberto na direita, Alex e Aranguiz centralizados e agora Alan Patrick na esquerda. Rafael Moura é a referência no ataque. É um time naturalmente ofensivo, não necessariamente faceiro. Basta que todos cumpram suas funções. Futebol é ocupação correta do espaço, e é possível fazer isso com jogadores de qualquer posição, desde que estejam dispostos e bem orientados.

Acredito que o chileno comece o clássico decisivo mais amarrado a Willians, deixando o setor ofensivo se posicionar com três meias e um centroavante. O contexto diz que o Inter pode ser cauteloso, não medroso. E duvido que seja. Não tenho dúvida que o Inter vai jogar como se tivesse 0 a 0, privilegiando a posse da bola e a alta capacidade técnica e visão de jogo de seus jogadores de meio-campo.

Olhando mais pra frente, ainda vejo a necessidade de colocar mais velocidade na equipe colorada. Seja com a saída de Alex e o ingresso de Otávio ou até mesmo a troca de Moura por Wellington Paulista, jogador notadamente mais ágil e veloz. Contudo, para a finalíssima de domingo, o que melhora Abel faz é manter a equipe que, no segundo tempo, na Arena, promoveu uma virada imponente no resultado.

domingo, 30 de março de 2014

O 2º tempo que mudou a história do Gre-Nal 400

Bruno Alencastro / Agencia RBS
Abel Braga mudou o time e o jogo no intervalo. Até porque viu o Grêmio dominar a primeira etapa e vencer por 1 a 0. A equipe de Enderson Moreira começou como se esperava, da maneira que vinha atuando nos últimos jogos. No 4-4-2, com Ramiro e Edinho por dentro, Riveros aberto pela direita e Dudu na esquerda, na frente Luan e Barcos. Embora já tivéssemos duas chances de gol para cada lado aos 15 minutos de partida, o time da casa era melhor em campo, tinha a posse da bola e buscava mais as jogadas ofensivas. Não à toa abriu o placar com Barcos, em jogada pela intermediária direita após cruzamento de Pará.

O Inter começou a partida modificado, Abel não posicionou a equipe como ela vinha jogando. Ao invés do 4-1-4-1, o Colorado voltou para o 4-2-3-1. Willians e Aranguiz foram os dois volantes posicionados, atrás do centroavante Rafael Moura o Inter teve Jorge Henrique pela direita, D'Alessandro centralizado e Alex mais à esquerda. E foram justamente estes três meias o grande problema do técnico colorado - mal posicionados pelo próprio Abel.

Centralizado, D'Alessandro ficou submetido à marcação de Edinho e não fazia bom jogo. Na direita de ataque, Jorge Henrique tampouco conseguiu jogar nas costas de Wendell quanto conseguiu acompanhar o lateral gremista na marcação. Do outro lado, sem o cacoete de jogar pelo lado, Alex centralizava, encontrava a marcação de Ramiro e trancava a passagem do chileno Aranguiz. Passou pelos desajustados três meias colorados a vitória do Grêmio no primeiro tempo.

No intervalo, Abel Braga tirou o apagado Jorge Henrique e colocou Alan Patrick. Além da mudança de jogador, talvez o mais importante tenha sido a mudança tática. Alex foi para o centro, onde se sente melhor. D'Alessandro foi para a direita, bater de frente com Wendell e fugir da marcação pesada do camisa 5 gremista. Enderson foi obrigado se viu  inverter Riveros e Dudu, prejudicando a mecânica natural do jogo do Grêmio. E pra fechar as mudanças que determinaram a vitória do Inter, pela direita o colorado teve Alan Patrick, mais interessado, vivendo uma belíssima fase tecnicamente e brigando por uma vaga entre os 11 titulares.

Bruno Alencastro / Agência RBS

O Grêmio sentiu muito o primeiro gol de Rafale Moura e partir de então o Inter cresceu ainda mais. O jogadores sentiram que o jogo colorado encaixou. Da mesma forma, o Grêmio percebeu que o adversário estava melhor posicionado. Do banco, Enderson talvez tenha feito uma leitura errada da partida e trocou um meia de velocidade por um jogador cadenciador. No momento parecia muito mais razoável contar com os dois em campo e optar pela saída de um dos volantes - Ramiro, que fazia partida apagada.

Visto que há saldo qualificado e o próximo jogo tem mando do Internacional, a vantagem do colorado é significativa. Resultados muito prováveis de um Gre-Naal beneficiam o time de Abel: Grêmio 1 a 0, 0 a 0 ou qualquer outro resultado de empate. Sem dúvida, foi um passo inestimável, fora de casa, para que o Inter possa ser Tetra Campeão Gaúcho.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Equilíbrio marca um clássico precoce na Arena

O jogo
O resultado de 1 a 1, de certa forma, traduz bem o que foi o Gre-Nal 399, o segundo disputado na Arena gremista. Embora, é verdade, o Inter tenha obtido uma sensível vitória técnica e tática sobre o Grêmio - não o suficiente para sair vencedor. São duas equipes em formação. Não com muitos, mas com alguns jogadores novos e isso faz diferença, com dois técnicos iniciando um trabalho e isso faz muita diferença.

RICARDO DUARTE / AGÊNCIA RBS

O clássico teve o retrato de muitos outros disputados nas últimas temporadas, principalmente aqueles embates precoces nas rodadas iniciais de um campeonato estadual cada vez mais desvalorizado, de estádios vazios e temperaturas desencorajadoras. Grêmio e Internacional se preocupam mais em não perder e por isso abdicam de algumas situações dentro do campo de jogo que poderiam deixar o Gre-Nal mais aberto, mais bonito, com um vencedor - sem necessariamente ser menos aguerrido, com cara de clássico.

O lance do pênalti: no campo talvez marcasse; com o recurso da imagem, não há dúvida que o zagueiro Paulão toca com o braço na bola, porém a intenção do jogador, como prevê a regra, é absolutamente discutível. Não seria crime nenhum não marcar, contudo, cabe sim a interpretação de Leandro Vuaden.

O Grêmio
Em tão pouco tempo de trabalho fica difícil apontar o que seria ou não seria a escalação ideal de qualquer uma das duas equipes. Porém, enxergo um equívoco na escalação e no modo de jogar do Grêmio. Enderson Moreira não pôde contar com Kléber e por opção deixou Maxi Rodrigues no banco. A equipe foi à campo no 4-2-3-1, mesmo tendo três volantes de origem no meio-campo. Riveros jogou centralizado na linha de meias, um pouco mais contido, Zé Roberto atuou pela direita e o jovem Luan fez o lado esquerdo no lugar de Kléber. Com a função de combate, Edinho e Ramiro.

A opção por Luan foi acertada. O meia inclusive fez bom jogo, mas sentiu as dificuldades de jogar em uma equipe pesada, que joga numa formatação que exige velocidade e intensidade, duas coisas que o Grêmio não tem há muito tempo. Enderson errou quando não sacrificou um dos seus volantes de origem (volto a frisar que Riveros atuou como meia boa parte do jogo) para escalar Maxi Rodrigues, ainda que esse jogador viva uma fase técnica discutível.

Embora não tenha feito um péssimo jogo, o Grêmio de Enderson Moreira corre o risco de sofrer na sequencia do seu processo de montagem, justamente pela falta de confiança que ainda inspira em seu torcedor e pela proximidade da estreia da Libertadores. Enderson precisa fazer o que Luxemburgo vez no início de 2012, quando reconheceu e identificou a característica do seu grupo e montou um time pragmático e que até a chegada de Zé Roberto e Elano o próprio treinador classificava como time pesado.

O Inter 
RICARDO DUARTE / AGÊNCIA RBS
Discordo da leitura que alguns colegas fazem ao analisar o colorado no 4-2-3-1. Enxergo o time de Abel Braga postado da mesma maneira em que era posicionado por Clemer: 4-1-4-1. A única diferença é que há mais mobilidade do meio pra frente. Willians joga posicionado à frente da zaga, adiante tem D'Alessandro pela direita, Aranguiz e Alex por dentro e Jorge Henrique pela esquerda. É um meio-campo técnico e experiente, que vem demostrando obediência tática para fechar os espaços sem a bola, mesmo que a amostragem até agora seja pouca.

O Inter está invicto no Gauchão, já venceu com a equipe titular, com a sub-23 e com o time misto. O grupo adquire assim um confiança fundamental para o processo de montagem da equipe. No Gre-Nal deste domingo, exceto os primeiros minutos, o Inter foi sempre mais racional, sempre mais consciente daquilo que tava acontecendo no jogo. Tanto na hora de atacar quanto na hora de defender.

Ainda é cedo para qualquer diagnóstico, mas é possível ser otimista com o Internacional. Ao que tudo indica, será um time técnico, que privilegia a posse de bola e a troca de posição de seus homens de meia-cancha.   

domingo, 4 de agosto de 2013

Equilíbrio marca primeiro Gre-Nal da Arena

O lance mais definitivo do Gre-Nal 397, o primeiro da história da nova Arena gremista, foi construído aos 21 minutos do primeiro tempo, por Willians. O volante colorado disparou pelo flanco direito, venceu dois ou três marcadores e cruzou para Leandro Damião, de pé esquerdo, marcar seu sexto gol em clássico. Cerca de 5 minutos atrás o mesmo Willians derruba Kléber na área, cometendo assim o pênalti que oportuniza a Barcos converter e abrir o placar do jogo. Mas o gol de Damião foi mais decisivo para o jogo, justamente por ter representado uma rápida resposta a um Grêmio que até então era melhor em campo, porém não teve tempo para crescer a tomar conta do clássico a partir do gol marcado.


Caso o empate colorado não tivesse ocorrido de forma tão rápida, pelo cenário inicial de jogo, entendo que o Grêmio conseguiria administrar o resultado e, talvez, ampliá-lo. O surpreendente 3-5-2 de Rento Portaluppi deu certo. Alex Telles e Pará conseguiram segurar os laterais colorados, fazendo com que a saída de bola do adversário fosse prejudicada. Os dois alas gremistas chegaram à linha de fundo algumas vezes e inverteram bolas de um lado a outro, algo fundamental para abrir a defesa do Inter.

O Grêmio também contou com boas atuações individuais, contudo ainda peca no momento da articulação mais decisiva. Devido a forte marcação proposta por Renato, a maior parte do tempo no campo do Inter, o Tricolor roubou algumas bolas importantes, mas não soube dar prosseguimento.

Do lado colorado, Dunga não conseguiu avançar sua equipe e se desvencilhar do esquema gremista. O treinador tinha peças para isso, e tinha em seus 11 iniciais. Assim como Adriano marcava individualmente D'Alessandro, os três zagueiros gremistas tinham que receber marcação homem a homem dos três, em tese, atacantes colorados, terminando com a sobra feita por Rhodolfo e obrigando os alas Pará e Telles a recuarem para compor a linha defensiva. Por opção do treinador em deixar Forlán e Jorge Henrique mais recuados, e pela imposição física e tática do Grêmio, essa foi uma medida não utilizada pelo Inter. Acredito que era viável.

O time de Renato foi levemente melhor, mas é inegável o baixo nível técnico do Gre-Nal desse domingo e um equilíbrio que acabou prevalecendo. O resultado não é tão ruim para o Inter quanto é, em termos de tabela, para o Grêmio. A equipe colorada segue seu caminho no BR-13 sem muitas alterações, continua vislumbrando a liderança, ainda mais com os acréscimos de Alex o Scocco. Por outro lado o Grêmio, mesmo fazendo um bom jogo, continua desencontrado, sem passar confiança ou dar perspectiva do que realmente é seu papel no campeonato.

Após o jogo a tônica acabou sendo discurso da ambos os clubes contra a arbitragem de Fabrício Neves Corrêa. Algo que, sinceramente, é exagerado por parte de Grêmio e Internacional. Os mesmos equívocos, dentro de um jogo normal, não causariam tanto barulho.

terça-feira, 30 de julho de 2013

As derrotas de um Gre-Nal de torcida única

O Ministério Público acatou o pedido da Brigada Militar: o clássico 397 terá presente apenas a torcida do Grêmio. A BM avaliou que não teria condições de dar segurança ao torcedor colorado no deslocamento do Beira-Rio até a Arena. A decisão implica, necessariamente, em duas derrotas doloridas para todos nós.

A primeira, e mais urgente, é a desistência do poder público quanto a inibição do torcedor violento. A tabela do BR-13 é conhecida desde o início do ano, portanto sabe-se a data e o local do clássico há bons meses. Se nesse tempo todo a BM não achou maneira de viabilizar um Gre-Nal na Arena, qual é a perspectiva de que isso aconteça nos próximos anos? Temo que o próximo domingo marque o início de uma era triste: a dos clássicos de torcida única.

A Brigada Militar, dessa forma, admite publicamente que o torcedor violento está vencendo e, aos poucos, se tornando em um monstro incontrolável e absoluto dentro dos estádios de Inter e Grêmio. Essa sensação de impotência da BM e de eminente tensão nos campos de futebol, absolutamente em nada corresponde com a verdade. A violência dentro do estádio existe, mas infelizmente o terrorismo que se faz em torno de focos isolados - identificados e identificáveis - a torna um artificio para que o torcedor bom abandone os jogos.

Ao contrário do que parece, o torcedor ruim não tem força para enfrentar o poder público. Basta, contudo, que esse poder em questão faça-se presente. Não batendo, nem jogando spray de pimenta ou caindo em provocação barata, mas sim identificando, prendendo, cadastrado e inibindo a presença do malfeitor no estádio. Se por um lado é ousadia, e desacato à autoridade, chamar o policial pra briga e xingá-lo de tudo quanto é forma, do outro lado é completamente besta e antiprofissional corresponder da mesma forma. Me preocupa que o policial aja como um torcedor irracional e descontrolado. Ele precisa ser íntegro, calmo e assertivo, mesmo não deixando de ser rígido, por mais que isso pareça impossível, é o papel da policia, e precisa ser cumprido.

A segunda derrota é a nossa quanto sociedade civilizada. É inadmissível que tenhamos que ser escoltados por policiais militares para que não entremos em confronto corporal com torcedores de times rivais. Por um esporte. Por uma camiseta vermelha ou azul. Por um gol, um título a mais, uma taça a menos. Por bobagens simbólicas nos matamos, e só não o faremos porque estamos sendo vigiados, filmados ou policiados. É uma pena. 

Que o poder público não vire as costas e aposte em políticas severas de punição para que possamos todos ser mais civilizados. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Inter assimila favoritismo e vence mais um clássico

O Grêmio tem seus motivos para não priorizar o Gauchão e jogar com reservas, mesmo que seja um clássico Gre-Nal decisivo, valendo vaga para uma semi-final de turno. Do outro lado, o Inter não tem absolutamente nada com isso. Tem no momento, e todos sabemos disso, apenas o campeonato regional para se preocupar.

Porthus Junior/Agencia RBS
Assim como no clássico de Erechim, há algumas semanas, nada mais natural que uma vitória colorada. Se por um aspecto o Inter não enfrenta um Grêmio com força máxima e, porventura, não testa seu elenco numa partida mais forte, o time do técnico Dunga assimila de forma positiva a responsabilidade de entrar em campo como favorito. São dois Gre-Nais como franco favorito, e duas vitórias. Sem dúvida é uma qualidade que se destaca no Internacional desde início de 2013.

Luxa acertou com seu 3-5-2. Fez um primeiro tempo razoável, apesar de ir para o intervalo perdendo por 1 a 0. O técnico gremista optou pelos três zagueiros muito em função de Tony, que tem sérias dificuldades de defender. No meio, destaque para Matheus Biteco, que mesmo depois do pênalti sobre Forlán, conseguiu manter o bom nível durante o jogo. Contudo, faltou ao Grêmio força ofensiva.

O Inter por sua vez jogou da forma como todos esperavam, um 4-4-2 com uma formatação de meio-campo que lembrava, em muitos momentos, um losango. Isto porque Fred se posicionava mais à esquerda, recuado, na mesma linha de Josimar. Ygor fez boa partida pelo centro, em frente à área, enquanto D'Alessandro fechava o meio centralizado no setor ofensivo. Esse posicionamento acabou se desmanchando na segunda etapa, junto com a mudanças do Grêmio, o que fez do Inter um time mais perigoso em campo.

Luxemburgo errou quando abandonou o 3-5-2 e partiu para o tradicional 4-4-2. Assim o Grêmio teve Tony e Alex Telles recuando para a linha de defensores. Dessa forma, Gabriel e Fabrício tiveram mais campo para jogar, e cresceram no jogo junto com Inter. Apesar do Grêmio ter descontado na segunda etapa, o time de Dunga  dominou a partida de forma mais evidente, e poderia ter ampliado.

De forma justa, continua na competição aquele que está mais preocupado com o Gauchão. Vitória nada mais que natural do Inter.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Olímpico Monumental: o último capítulo

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Porto Alegre, Domingo. Dia 2 de Dezembro de 2012. Gre-Nal n° 394.

O time do Grêmio talvez até merecesse um final assim, um terceiro lugar, vaga na pré-Libertadores, sendo que tudo estava encaminhado para um vice-campeonato e a vaga direta. Em 2012, o Grêmio fracassou em todos os momentos em que podia pleitear coisa melhor. O  Olímpico não merecia. Não o Olímpico. Um 0 a 0 como este, de um jogo mais brigado que jogado. Nem que fosse uma vitória do Inter, como foi da primeira vez, em 54. O Olímpico merecia gols, não socos.

Ousadia faltou dos dois lados. Aliás, dos três. Pois a arbitragem precisava, ao menos, dar cinco minutos de acréscimo no segundo tempo de muitas paralisações, de muita atitude infeliz e impensada. Os poucos segundos de Heber Roberto, no final, foram poucos pro muito de história que já viu aquele Estádio - e quem ali esteve, torceu, sorriu e chorou.

Loss e Luxemburgo. Parece que combinaram. Muita cautela, marcação, com times praticamente espelhados. O Grêmio teve apenas André Lima no ataque, teve Ze Roberto lá na direita, Elano mais à esquerda. Logo atrás, o trio de volantes. Fernando centralizado, Souza saindo pela direita e Gogo pelo outro lado.

O Internacional era basicamente igual, com uma sensível diferença. Osmar Loss tentou usar uma espécie de 4-2-3-1, mas com Guiñazu centralizado na linha de meias, pouco mais recuado. D'Alessando sempre aberto  na direita, gesticulando e comandando todas as ações da equipe. Na esquerda Fred, apagado e pouco participativo. O centroavante foi Damião e os dois volantes Ygor e Josimar.

A posse de bola sempre esteve com o Grêmio, mas com Zé Roberto e Elano em tarde pouco inspirada, quase nada de perigo levou ao gol defendido por Muriel. As jogadas acirradas, as faltas com carga excessiva de força, como tem em qualquer Gre-Nal, estiveram lá, mas com o adicional de ser o último dos últimos da Era Olímpico. No jogo em que ninguém queria perder, ninguém ganhou.

Heber só errou ao não dar os acréscimos corretos no segundo tempo. Acertou na expulsão de Muriel, Damião, Saimon, Osmars Loss e Luxemburgo. Embora, talvez pudesse ter usado de bom senso com o técnico gremista, que entrou em campo para tirar seu jogador da confusão. Mas cumpriu a regra, à risca. Está certo.

Maiores erros cometeram as duas equipes. Exceto Modelo, que fez um grande clássico. Fernando também. Naldo. Índio. Destaques de dois sistemas defensivos que não vazaram.

Com dois a menos em campo grande parte da segunda etapa, o Inter fez duas linhas de quatro jogadores em frente a área. Dificultou ao máximo as ações gremistas. Se o Colorado se defendeu bem - o que é inegável -, é bem verdade faltou bala na agulha tricolor. Ter vantagem de dois homens em campo é muita coisa.

O Grêmio tentou com Marquinhos e Leandro, Pará mais solto, Léo Gago de lateral. Todos esbarraram em Renan, goleiro que substituiu Muriel, fez ótimas intervenções naquele que foi seu primeiro jogo no BR-12.

Foi muito mais que água no chopp. O Inter comemorou como título no final. Como faria o Grêmio. Como tanto fizeram no Olímpico, monumental como a torcida azul, preta e branca. E vermelha, que faz parte da história.

Isso pertence ao futebol. Frase tantas vezes ditas pelo técnico gremista na temporada. Uma maneira de proteger seus jogadores, claro. Mas uma verdade. Agora, 58 anos depois, com o dever cumprido, o Olímpico não pertence mais ao Grêmio. Pertence à história do futebol.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O que vale mais no Gre-Nal: objetivo ou simbolismo?

Um certo simbolismo, históricamente, toma conta do futebol do Rio Grande do Sul. No Campeonato Brasileiro, vive-se em eterno Gauchão. Quando os principais objetivos, como título e vaga na Libertadores, não são alcançados, torcedores e dirigentes exageradamente apaixonados e sanguíneos, contentam-se com a corneta de terminar no Brasileirão na frente do rival.

É um aspecto bairrista, típico do gaúcho. Uma característica que acaba apequenando tudo, de certa forma. Limitando o que é daqui a uma esfera que não ultrapassa as fronteiras do estado. O futebol, e todos que o envolvem, acabam incorporando isso. Acho ruim, nocivo aos nossos clubes, que muitas vezes não se portam como se tivessem a dimensão que de fato têm e adquiriam através de suas biografias centenárias.

Chegamos ao último Gre-Nal da história do Estádio Olímpico. Ao Inter, só resta o simbolismo de vencer o último clássico disputado na casa do Grêmio. Ao Tricolor Gaúcho, ainda falta alcançar um objetivo, que é a vaga direta na Libertadores, o que significa ser segundo colocado no BR-12. De qualquer forma, o simbolismo de fechar o Olímpico vencendo o Internacional também está intrínseco ao objetivo gremista.
Mas há um adendo. Mesmo perdendo, o Grêmio pode conquistar a segunda colocação e a vaga direta. Só depende de um resultado positivo entre Galo e Cruzeiro. E aí a questão: só conquistar o direito de disputar a Copa Libertadores a partir da fase de grupo, sem precisar passar por um jogo eliminatório, basta ao Grêmio?

No caso específico desse Gre-Nal, fico com a importância do simbolismo. Não será completa a glória Tricolor caso o Inter vença - como já o fez no primeiro clássico do Olímpico, um expressivo 6 a 2. Vaga direta ou indireta para Libertadores se disputa todo ano, assim como clássicos decisivos. O Gre-Nal do próximo domingo, fecha um Estádio com 58 anos de história, um templo emblemático do futebol mundial. É, sim, significativo uma vitória, por quem quer que seja.

Os objetivos reiais do campeonato, colocação e pontuação final, dessa vez, estão em segundo plano. Vale o que fica pra história, o que enriquece o ego do torcedor. Qualquer outro prêmio - que não um título - é lucro no domingo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

E o Inter, hein?

Estive no Beira-Rio ontem e acompenhei a derrota por 2 a 0 para a Portuguesa. Foi umas das piores atuações do ano. O chamado fato novo, que foi a demissão do técnico Fernandão, não surtiu nenhum efeito. Impressão que ficou é a de que o time correu menos. O Inter foi completamente submisso à marcação da equipe que ainda briga para não cair, e sofreu com os contra-golpes puxados pelo atacante Ananias - ele que também desmanchou o Grêmio, no Olímpico, no 1° turno.

Curioso que com essa estrutura de time, com Forlán e Damião no ataque e um losango no meio, com Ygor, Guiñazu na esquerda, Fred na direita e D'Alessandro na articulação, há alguns jogos o Inter conquistou bons resultados e até conseguiu duas vitórias seguidas.

O Inter agora divide atenções na contratação de um novo treinador - deve ser o Dunga - e na preparação para o Gre-Nal. É o jogo do ano, não só para o Inter.

domingo, 26 de agosto de 2012

Vitória gremista no Gre-Nal e as dúvidas de Fernandão

A vitória de 1 a 0 no clássico 393 é muito importante na trajetória gremista rumo a Libertadores 2013. O Grêmio passou o Vasco, é o terceiro colocado no BR-12, tem 37 pontos e está com seis de vantagem em relação ao quinto e ao sexto colocado (São Paulo e Inter, respectivamente). Isso que dizer que o Grêmio precisa de, pelo menos, duas rodadas ruins para sair da zona de classificação. É uma boa vantagem.

Vantagem adquirida não pelo brilho individual dos atacantes, mas sim pela solidez defensiva e pelas atuações seguras e decisivas de Marcelo Grohe e Gilberto Silva. O Grêmio fez o gol cedo, ao 7 minutos, quando tinha Elano, autor do gol, que saiu lesionado antes dos 15 minutos de jogo. Com o meia, o Grêmio era melhor em campo, parecia mais tranquilo, jogava com mais naturalidade contra um Inter que ainda não encaixou.

Fernando Gomes/ClicRBS
As duas equipes estavam completamente espelhadas, atuando taticamente de forma similar, um 4-4-2 com meio-campo em quadrado. No embate individual, dois laterais para dois laterais, dois atacantes para dois zagueiros e dois meias para dois volantes. Não teve nenhum tipo de nó tático. O gol cedo e o fato de o Grêmio estar pronto, em boa fase - ao contrário do Inter -, determinou o cenário do jogo até os minutos finais.

Fernandão surpreendeu ao escalar Kléber no meio-campo, pela esquerda. A ideia era forçar uma parceria com o lateral Fabrício e com Forlán, que também atuou por ali. Não deu muito certo. O grande jogador do Inter na partida estava pelo outro lado. Fred atuou pela direita, deu muito trabalho a Fernando e a Souza e, muitas vezes, faltou parceria.

Esperando o Inter, o Grêmio jogou de forma tranquila, administrou o 1 a 0 sabendo que o colorado não vive sua melhor fase. Zé Roberto foi a grande válvula de escape gremista. Quando Marcelo e Gilberto Silva aliviavam lá atrás, a equipe procurava a perna esquerda do camisa 10, que baixava o ritmo do jogo e segurava a bola.

As mudanças do Inter no segundo tempo desorganizaram o time. Precisando buscar o resultado, o Inter teve pressa, excesso de jogadores ofensivos e jogou menos que na primeira etapa. Fernandão tirou Igor e Forlán e montou uma espécie de 4-1-3-2, com Moura e Damião na frente e Dátolo, Dagoberto e Fred tentando armar. Jogando assim, o Colorado não conseguiu se organizar.

Os próximos jogos do Inter servirão para o técnico colorado matar suas dúvidas quanto ao time titular. O Inter precisa definir uma dupla de zagueiros, um formato de meio campo e uma dupla de ataque.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Gre-Nal aparentemente sem crise

Ditado comum na aldeia do futebol gaúcho é que Gre-Nal tira da crise e põe na crise. Ou seja, ganhar o clássico significa sempre um gás a mais, uma luz no final do túnel de quem não vive bom momento. Perdê-lo é exatamente o contrário, é a luz enfraquecendo, o sintoma que as coisas não vão bem. Gre-Nal faz técnico balançar.

Curiosamente, o clássico de número 393 deste domingo, válido pela última rodada do primeiro turno do BR-12, não tem essa característica. Me parece que os dois vestiários estão muito bem blindados para uma possível crise pós-grenal. Não acontecendo uma goleada de proporções históricas, ou algum fato muito inusitado, nem Fernandão, nem Luxemburgo balançam caso sejam derrotados.

Guilherme Becker/Agência RBS
Fernandão porque está iniciando um trabalho, tem a simpatia da direção, do grupo de jogadores e da torcida. Não faz má campanha, tem apenas uma derrota em oito jogos, soma 31 pontos estando na 5° colocação. Tem três pontos a mais que o sexto colocado (São Paulo) e três pontos a menos que o quarto (Grêmio).

É fato que Fernandão passou a contar com seus melhores atletas apenas agora, questão de uma ou duas semanas. Antes disso trabalhava com um grupo esfacelado, repleto de desfalques. É um aspecto que pesa na avaliação de qualquer trabalho, e soma-se aos outros motivos que garantem um ambiente longe de crises no Internacional.

Do lado do Grêmio, a primeira vacina anti-crise é a classificação do BR-12. Mesmo perdendo, o Tricolor não perde posição, segue na quarta colocação, podendo ser alcançado em número de pontos apenas pelo próprio Inter, mas ganha do rival nos critérios de desempate.

Bons resultados recentes, como o 2 a 1 contra o São Paulo, o 4 a 0 sobre o Figueirense, e a classificação para as oitavas de final da Copa Sul-Americana, engrandecem o aspecto psicológico da equipe gremista. Com um plantel de jogadores experientes e uma comissão técnica que tem confiado muito no planejamento do clube, o Grêmio saberá avaliar o real peso que seria uma derrota no clássico. Não há o mínimo motivo para crise. Sinto no Grêmio um vestiário também blindado, com plenas condições de lidar com qualquer situação, sem alarde, sem perder os rumos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O que mais pesou na vitória gremista?

Fica difícil mensurar qual, dos últimos acontecimentos no Estádio Olímpico, foi mais determinante para que o Grêmio jogasse bem e vencesse o Internacional dentro do Beira-Rio. Um grenal precoce, muito mais pela condição de tabela do Grêmio na fase classificatória do qualquer outra coisa. Perder um dos grandes ainda na fase de quarta de final não é bom para o campeonato, com todo o respeito que merecem os clubes menores e que, exalte-se, fizeram muito por merecer chegar aonde chegaram, com reais chances de ganhar o 1° turno do Gauchão. O Grêmio, aliás, apenas se classificou por que o Cruzeiro de PoA perdeu seis pontos (discutíveis) no tribunal.

Subsequente a isso, a classificação gremista sobre o Inter veio na bola, apesar da arbitragem insegura de Fabrício Neves Corrêa. E quem jogou mais bola foi Kléber, que infernizou o sistema defensivo colorado e ainda fez o segundo gol do 2 a 1 gremista. De uma forma geral, o Grêmio conseguiu fazer, coletivamente, sua melhor partida no ano. Coincidência ou não, logo após a saída do técnico Caio Junior. Muitos consideram este o principal fator de melhora da equipe. Este blogueiro discorda, mas não desconsidera, afinal de contas o trabalho de Caio percorria caminhos confusos. Caso permanecesse, tenho quase convicção que escalaria o mesmo time que venceu o Inter. Se venceria ou não, não tem como saber, mas o Grêmio que venceu nesta quarta é o mais lógico a ser escalado nas condições atuais do elenco (contando com a ausência de M. Fenandes, lesionado).

O Grêmio jogou num 4-4-2 com meio-campo em losango (4-3-1-2). O técnico interino Roger, acostumado a vencer grenais na década de 90, contou com a experiência de G.Silva na zaga, ao lado de Naldo. Teve o retorno de Julio César na esquerda, fazendo boa dobradinha com Léo Gago, que jogou como volante/apoiador por aquele lado, muitas vezes espetando o lateral colorado Élton, um dos mais fracos do clássico. Do lado direito do meio-campo a boa nova Tricolor, o volante Souza, de muito boa atuação. Centralizados estiveram Fernando, à frente da zaga, e Marco Antônio, enganche atrás do atacantes. Com Moreno e Kléber na frente, este é um time que sabe marcar e jogar em velocidade, e foi jogando assim que venceu o Inter.
No seu habitual 4-2-3-1, com Oscar e D'Alessando pouco inspirados, foi justamente a marcação forte e avançada do Grêmio a principal dificuldade encontrada pelo colorado. O Inter não conseguiu manter a posse de bola e nem trocar passes com tranquilidade. O gol de Damião, no primeiro tempo, foi fruto de um contra-ataque puxado por Dagoberto. Na segunda etapa, depois de algumas mudanças de Dorival, o Inter tentou um abafa, fazendo um 4-1-3-2, mas parou nas mãos de Victor.

Improvável que a simples chegada de Luxenburgo já tenha sido determinante na atuação do Grêmio no clássico. Assim como a simples saída de Caio Junior também não foi essencial. A vitória passa pelo esquema proposto pelo Roger (que seguiu a linha do antigo treinador) e pela motivação pessoal de alguns jogadores, como Kléber.

O que se sabe é que agora o ano no estádio Olímpico começa de novo, com alguns reforços à disposição. jogadores voltando de lesão e, provavelmente, uma paciência para trabalhar que o antigo treinador não teve.

Foto Diego Vara/ClicRBS

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O bom empate para o Inter no Grenal

O Internacional resolveu poupar todos os seu titulares, menos o goleiro Muriel. Para o primeiro Grenal do Gauchão 2012, prematuramente na quinta rodada do campeonato, um Inter com um time todo formado por reservas, preservando seus principais jogadores para a Libertadores da América, que já tem jogo na quarta-feira. O empate de 2 a 2 é muito bom resultado para a equipe de Dorival Junior.
Do outro lado, para o Grêmio o resultado é desastroso. Mais pelo andamento do trabalho do que pela posição do Tricolor na tabela. Para uma equipe em formação, que ainda busca sua melhor forma tática e técnica, uma vitória no clássico seria dose de tranquilidade muito salutar para Caio Junior e seus jogadores. Ainda mais porque o Grêmio jogou melhor que o Colorado, e o resultado de empate fica muito amargo.

Pela escalação, a mesma da vitória sobre o São Luiz, imaginei um Grêmio no 4-4-2 com duas linhas de quatro posicionadas. Não foi o que aconteceu. O Grêmio variou do 4-3-3 para o 4-3-1-2. O meio começou com Fernando, muito bem no jogo, Marquinhos mais à esquerda e Marco Antônio mais à direita. Este último novamente não fazendo um bom jogo. Na frente, ora Kléber recuava e fazia o papel de pota-de-lança no meio do campo, ora o Gladiador se posicionava pelo lado, junto à Leandro e Moreno. Kléber não foi bem, diferente de Marcelo Moreno, um dos destaques do clássico.

O Grêmio sentiu a perda dos seus laterais ainda no primeiro tempo. Julio César e Mário Fernandes saíram lesionados, eles que era as grandes jogadas do Tricolor na partida. Além de perdê-los, Caio Junior foi obrigado a queimar duas substituições. O que pode fazer falta num segundo tempo de um jogo de alto nível de competição, como acabou acontecendo.

O time reserva do Inter tem bons nomes, mas não forma uma equipe. Apesar de ter saído na frente no placar, foi um amontoado, principalmente no primeiro tempo.A estreia do meia argentino Dátolo foi interessante, afinal marcar em Grenal nunca é ruim. O argentino começou bem, mas foi decaindo conforme o andamento da partida. A dupla de ataque colorada jogou pouco, mas o suficiente para criar alguns problemas para a insegura zaga tricolor.

O Grêmio precisa contratar e, talvez, repetir esse time para que, ao menos, uma ideia de coletividade e repetição seja fixada.

Já o Inter. O Inter não é esse, essas são as peças de reposição. Importante que estejam com a confiança nas alturas, ainda vão jogar mais pelo Gauchão. O Inter de 2012, por enquanto, é o bom time que passou pelo Once Caldas na pré-Libertadores.

*Foto Marcelo Oliveira/ClicRBS    

domingo, 4 de dezembro de 2011

Em Grenal equilibrado Inter fica no G5

Foi ali, em cima do laço. Foi na sorte de contar com os resultados paralelos. Foi, também - e sobretudo - na vitória no clássico, sobre um Grêmio sem nada a perder, sem nada a ganhar, mas com a motivação de tirar o Inter da Libertadores de 2012. A motivação gremista durou até os 16 minutos do segundo tempo, quando Oscar foi derrubado na área por Rochemback e D'Alessandro teve a chance de vencer Victor mais uma vez, de novo em cobrança de pênalti. 1 a 0 colorado. Depois do gol, o Grêmio baixou a guarda e o Inter, junto com o Beira-Rio, cresceu. Damião e Gilberto perderam a chance de ampliar o placar. 
As duas equipes iniciaram o jogo sem surpresas. A surpresa foi um Inter pouco perigoso, ameaçando em raras oportunidade o goleiro Victor, de boa atuação. Não que o Grêmio tivesse ameaçado o Inter. Não ocorreu, mas visto a motivação de ambas as equipes, teve o Tricolor maior felicidade no primeiro tempo. Com 4-2-3-1 de Celso Roth, os laterais colorados não conseguiram jogar, pouco fizeram ao serem acompanhados por Marquinhos e Escudero. Porém, aos dois meias gremistas, faltou a contribuição ofensiva. Outro destaque negativo do lado gremista foi Rochemback, sem o mesmo brilho de outros jogos. De bom, o Grêmio teve a dupla de zaga formada por Vilson e o promissor Saimon, e o volante Fernando.
Dorival Junior manteve os dois atacantes e os dois meias. Um 4-4-2 bem brasileiro, que teria tudo para dar mais certo caso Damião tivesse um parceiro mais adequado. Gilberto não é mau jogador, mas Zé Roberto (que entrou no final), em forma, seria o jogador certo do elenco atual.
O torcedor colorado tem o que comemorar. Não poderia ser de outra forma, não poderia ser em outro campeonato. No BR-11 de emoções e definições na última rodada, ficou para os últimos minutos a pressão do Grêmio, num 4-3-3 com Leandro, Miralles e  André Lima, com Victor na área tentando finalizar, com Celso Roth indo embora, entregando o chapéu, mas não entregando o ouro. Que na verdade é prata, pois a vaga na Libertadores não é direta, só é melhor que nada.

domingo, 27 de novembro de 2011

Tudo na última, colorado (corintiano, vascaíno etc...)

Mais uma vez a rodada conspirou a favor do Internacional e o Internacional não conspirou a seu próprio favor.  Não que o Inter não tenha mais chance, ainda tem, claro. Mas agora depende não só da vitória no Grenal da última rodada, mas precisa torcer pro Coritiba não vencer CAP, no clássico paranaense que pode também livrar o Atlético do rebaixamento.
A derrota do Inter saiu dos pés de Ronaldinho Gaúcho, após uma infelicidade de Rodrigo Moledo na frente da área do Muriel. O empate e a virada, nada improvável visto o volume de jogo colorado, não saiu dos pés nem da da cabeça de nenhum colorado, mas parou nas mãos de Felipe, o goleiro rubro negro de excelente participação no jogo.
Moledo falhou jogando de zagueiro pela esquerda, por onde tanto falhou Bolivar, que neste jogo voltou para a sua posição, na direita, e foi bem. Bem como quase todo o Internacional, que soube segurar um Flamengo sem brilho, mas com vontade de vencer e chegar a mais uma Libertadores.
E quem arrisca o que para a última rodada? Dos 20 clubes que entram em campo, apenas o América-MG entra totalmente de sangue doce, os outros 19 clubes ou estão envolvidos com clássicos regionais ou disputam título, Libertadores, Sul Americana e rebaixamento.

sábado, 19 de novembro de 2011

O Grêmio largou, mas ainda tem um problema

Não só o jogo deste sábado, de 3 a 1 para o (semi-rebaixado) Ceará, em pleno Olímpico, mas os últimos resultados da equipe e o tom das entrevistas deixam claros que o Grêmio já se despediu de 2011. Ou quase. Pois ainda há um fator que prende Grêmio e torcida ao BR-11, o Grenal do último jogo. Seria um alívio para todos na Azenha se não fosse justamente um clássico o último jogo. 
Que fosse o Coritiba com sua décima colocação, e às favas com uma derrota, um empate ou uma derrota, afinal o ano acabou mesmo quando o Grêmio venceu o Flamengo de Ronaldinho no Olímpico e está tudo bem, tudo certo. Espera o Kléber, espera o Carlos Eduardo, a Arena, e que venha 2012. Mas não está tudo bem. Ainda tem mais um jogo em que a equipe de Celso Roth vai jogar com a motivação de uma tartaruga e com o futebol de um neozelandês. Ainda tem mais um Grenal em que o Inter pode entrar em campo decidindo vaga na Libertadores. Assim como o Grêmio, o gremista quase deixou 2011 pra trás. Só não consegue fazer isso por completo em decorrência do clássico.
Não deixa de ser compreensivo que o jogadores não tenham motivação para jogar valendo absolutamente nada, com o estádio vazio e com o adversário jogando a vida. O fraco Ceará fez o que a lei da selva recomenta: atacar, garantir o seu e tentar fugir da degola.
O Grêmio melancólico e de incertezas desse final de temporada só não judia mais do torcedor porque este sabe que o final do ano vem chegando e que dessa laranja não tem como sair mais suco.
  

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um novo velho Grêmio para o Grenal?

Depois de sair de Porto Alegre para dois jogos fora pelo BR-11, o Tricolor volta com duas derrotas amargas, sintomáticas. Primeiro contra o Ceará, na quarta-feira passada, quando levou três e poderia ter levado mais. Depois, no domingo, contra o Atlético-GO, num jogo em que o Grêmio jogou partida razoável em alguns momentos, porém sofreu pela falta de poder ofensivo, pela displicência de Rafael Marques ao ser expulso depois de operar o adversário ainda no meio-campo, pelas seguidas falhas defensivas em momentos importantes. O Grêmio desses dois jogos fora de casa é o retrato do Grêmio de 2011.
Para o Grenal do próximo domingo, o Grêmio vai buscar sua difícil recuperação contra um Inter em nova fase e, para isso, Celso Roth mudará muito sua equipe. Mudará como já mudou o Grêmio algumas vezes desde o início da temporada. A dupla de zagueiros deve ter Mário Fernandes voltando de lesão e o estreante Edcarlos. Na esquerda, Bruno Collaço deve dar lugar ao recém chegado e mais experiente Julio César. No meio-campo, o suspenso Adilson dá lugar ao volante da Seleção sub-20 Fernando, ou, quem sabe, Marquinhos comece o jogo ao lado de Douglas. No ataque, Miralles volta ao banco e Leandro faz dupla com Brandão.
No papel, é um Grêmio diferente. Em termos de qualidade, o sistema defensivo tem uma sensível melhora. No ataque, Brandão ainda não fez uma boa partida com a camisa gremista e o garoto Leandro passa por uma fase conturbada. Esses dois jogadores precisam contar com o apoio dos dois laterais e com o Douglas.
O que resta saber é se o Grêmio vai mudar de novo e, de novo, não vai encaixar uma equipe. Talvez agora que Celso Roth já sabe que só resta ao Tricolor fugir das últimas posições, fique mais fácil definir um time e o fazer jogar (um pouco melhor, que seja).
O Inter que visita o Grêmio no Olímpico chega com aquele perigoso status de favorito. O que não quer dizer nada depois que o juiz apita, mas quer dizer que o Colorado tem mais time. Dorival Junior antes de pensar no clássico tem a decisão da Recopa que, em caso de vitória com dois gols de diferença sobre o Independiente no Beira-Rio, dá uma moral espetacular para um Inter que vem entrando nos trilhos e na briga pelas primeiras posições no BR-11 com os últimos resultados conquistados.