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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Filme de Segunda 164

Como resolvi inverter os papéis graças à eleição de domingo, postando na segunda-feira o Você Viu?, deixei para hoje o Filme de Segunda, desta vez a edição número 164. Confira: 

Relatos Selvagens


O cinema argentino sempre nos reserva boas experiências. Relatos Selvagens é sucesso de público e crítica em seu país, e chega ao Brasil com o competente Ricardo Darín posando como protagonista no cartaz de divulgação. Já adianto que isso é uma manobra de publicidade. O longa do emergente Damián Szifron é uma colagem de seis histórias diferentes. Darín participa apenas de um desses contos.

Através de humor negro e de uma ironia sádica, o diretor e roteirista apresenta ao telespectador seis histórias independentes que, se narrativamente não se encontram em nenhum momento, se costuram pela temática da barbárie cotidiana. Relatos Selvagens tem personagens em situações banais mas que, por algum motivo, saem de sua zona de conforto e se submetem ou enfrentam situações de extremo estresse.

As situações transcorrem dentro de nosso cotidiano comum, este sempre um grande mérito do cinema argentino. Um avião, uma briga de trânsito, uma lancheria em beira de estrada, um pai de família azarado, um atropelamento ou uma festa de casamento.


Em Relatos Selvagens todos estes pequenos contos se sustentam muito bem, com início, meio e climaz muito bem delineados. Nesse sentido, Szifron tem um trabalho corretíssimo, conseguindo fazer com que o espectador se sinta desconfortável em algum momento e ria já na cena seguinte, tamanha é a tragicomédia da situação. Dos seis relatos, destaco a que Darín participa, como um engenheiro que se revolta contra o sistema e também o último conto, uma festa de casamento destruída por constrangimento e traição. 

Gênero: Comédia
Duração: 122 min.
Origem: Argentina, Espanha
Direção: Damián Szifron
Roteiro: Damiám Szifron
Distribuidora: Warner Bros
Censura: 14 anos
Ano: 2014


Classificação PoA Geral
- Obra (10)
- Baita Filme (9)
X Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Filme de Segunda 119

Tese sobre um Homicídio


Cinema argentino é sempre muito bom, intimista, com roteiro bem elaborado e atuações muito seguras e aplicadas. Não é diferente com Tese sobre um Homicídio. Assim como não é diferente também o seu protagonista: Ricardo Darín. Sempre ele, sem dúvida nenhuma o maior astro do cinema argentino e um dos grandes do cinema latino. Darín está longe de ser problema, obviamente ele não faz parte do elenco de todos os filmes produzidos na Argentina, mas sem de 99% dos filmes hermanos que chagam ao mercado brasileiro. Isso é ruim, emburrece o público e desgasta o artista.

Entretanto, por incrível que pareça, Darín não se torna repetitivo. O excelente ator sempre consegue executar ótimos trabalhos e contribuir com a publicidade de grandes películas. Ricardo Darín chama bilheteria, não a um nível hollywoodiano, mas chama. Por isso, o cinema argentino só chega ao circuito nacional dessa forma. É uma pena, deveria vir por outros meios também.

Tese sobre um Homicídio é um thriller policial com um certo suspense. É dos mesmos produtores do excelente O Segredo de Seus Olhos, porém está um degrau abaixo no nível de execução e qualidade de trama. Contudo, é um bom filme, que segura e envolve o espectador.


Roberto, personagem de Darím é um respeitado advogado criminalista, que há muito tempo apenas dá aula e escreve livros. E uma de suas novas turmas acaba conhecendo Gonzalo, aluno inteligente e provocador, filho de um antigo amigo. Enquanto Gonzalo tem uma postura de idolatria e ao esmo tempo contestação, Roberto nutri um espírito investigador e, ao mesmo tempo, descrente no sistema.

Em uma das aulas, uma moça é assassinada no pátio da universidade. O crime acaba chamando muito a atenção dos dois personagens. O professor o que desvendar, já o aluno pretende escrever seu trabalho de conclusão de curso sobre o crime em questão.

Em Tese sobre um Homicídio o diretor Hernán Goldfrid faz um trabalho muito interessante, conseguindo amarrar muito bem as situações e chamando o espectador para dentro do ministério. Assim como o professor Roberto, também passamos a desconfiar de Gonzalo como o autor do homicídio. O final realmente fica devendo visto o restante do filme, todavia não podemos desmerecer todo um trabalho bem executado que, infelizmente, não obteve um fechamento condizente.

Gênero: Suspense
Duração: 106 min.
Origem: Argentina, Espanha
Direção: Hermán Goldfrid
Roteiro: Patricio Vaga
Distribuidora: Califórnia Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Filme de Segunda

Um conto chinês
No circuito comercial de cinema, às vezes temos boas alternativas para fugir do volumoso número de filmes americanos. Não querendo entrar no mérito de classificar como bons ou ruins aqueles que vêm de Hollywood, mas não se pode negar que a maioria é enlatado, que segue uma linha padrão de roteiro. O que muitas vezes cansa o espectador mais seletivo. A boa opção da vez é o argentino Um conto chinês, escrito e dirigido por Sebastián Borensztein e estrelado pelo astro internacional do cinema hermano Ricardo Darín.
Um conto chinês é uma comédia dramática que tem muitos méritos, praticamente dividido em duas párticas. Do início à metade do filme, é basicamente uma comédia sutil, pouco exagerada, que conquista o público. Da metade pro fim, o drama toma conta e vai crescendo na tela, explorando os confltos pessoais de Ricardo, o rabugento personagem de Darin.
Ricardo é dono de uma ferragem de médio porte, mora sozinho e tem sua personalidade completamente afetada pela perda precoce de seus pais e pela Guerra das Malvinas. É um homem metódico, que dorme sempre no mesmo horário e se presta a contar se nas caixas de 350 parafusos realmente tem 350 parafusos, entre outras coisas. Este cara se depara com um chinês que não fala uma palavra de espanhol, que chegou na Argentina de navio à procura de um tio, foi assaltado e largado numa rua qualquer de Buenos Aires, coinscidentemente próximo de onde Roberto lanchava e observava o pouso dos aviões, sentado numa caidera de praia ao lado de seu carro.
O filme mostra como Roberto ajuda o chinês Jun, como é a engraçada convivência de duas pessoas que não sabem absolutamente nada uma da outra, sequer falam a mesma lingua, mas tem de enfrentar essa situação incomum. Do amor ao ódio, da comédia ao drama, Um conto chinês tem uma inacreditável história real muito bem roteirizada e dirigida por Borensztein. Filme muito simpático, que sabe conquistar o público.
Dos aspectos nem tão positivos assim, destaco o momento em que o filme cai de ritmo, fica uns 10 ou 15 minutos de vazio, sem humor e sem drama. É um momento de transição dentro da história, que poderia ser melhor explorada.
O legal disso tudo é o chamativo de público que já é o Ricardo Darín, ator que estrelou, entre outros, O segredo dos seus olhos (2005), Clube da Lua (2004) e o Filho da Noiva (2005). O público brasileiro já conhece Darín se sabe que dali sempre vem boa coisa. Um conto chinês talvez até seja um filme menor na carreira de Darin, mas é uma excelente pedida para o feriado. 

Classificação PoA Geral
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável