segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Filme de Segunda

A última estrada da praia

De trilha sonora espetacular, com roteiro de Fabiano Souza e Vicente Moreno, inspirado no livro O louco do Cati de Dyonélio Machado, com a direção do próprio Fabiano Souza, o filme A última estrada da praia é uma bonita realização nacional passada no litoral gaúcho. O longa é como se fosse uma flor desabrochando, só que ao contrário. Tudo começa bem, alegre e divertido, entretanto a história vai se fechando, ficando tensa e introspectiva. Não é um filme fácil.
A principio, Norberto, Léo e Paula são amigos comuns que apenas querem fazer uma viajem para a praia sem muitas pretensões. Norberto é o tipo do cara pilhado pra qualquer coisa, que fala gritando e faz piadas imbecis. Ele e a trilha sonora são os grandes responsáveis por fisgarem o espectador na primeira meia hora de filme. Contudo, desde o início é perceptível algo de estranho naquela relação entre os três. No mínimo, um certo ciúmes de Norberto quanto a Paula e Léo. Pra completar o quarteto, um estranho, que não fala, não tem nome nem paradeiro, mas topa com Norberto no armazém e é carregado junto pra viajem ao litoral.
A última estrada da praia é, basicamente, um mistério. Tudo é mistério. O filme vai se aproximando do fim e o espectador se toca que cada vez sabe menos sobre a história daqueles quatro. É possível até questionar se realmente são amigos. O que começa como uma divertida viajem de descoberta, torna-se um drama perturbador. E perturba pelas dúvidas, pelo mistério sem suspense, pelo silêncio do "louco" e pelo monólogo do Norberto.  
Dos aspectos fundamentais de A última... estão os quatro atores principais do drama Rafael Sieg, Marcos Contreras, Miriã Possani e Marcelo Adams. Está a fotografia, algo como a estética do frio do Vitor Ramil, que capta o litoral gaúcho no final (ou no começo) do inverno, aquele vazio cinzento que fica lindíssimo na tela. Destaque também pra uma cena de sexo que tem uma beleza plástica muito marcante e muito corajosa. Fundamental como a música Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, de Wander Wildner, que serve de trilha em várias cenas e diz tudo sobre esse bom trabalho de Fabiano Souza.
A última estrada da praia está em cartaz nos cinemas de Porto Alegre. Não em todos, mas no melhores. Procure, pois além de tudo, é sempre bom se reconhecer na tela, através das ruas, das gírias, das lendas etc.




Classificação PoA Geral
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X Bem Bacana
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