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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Você Viu? #121

O atentado da semana passada aos funcionários da publicação francesa Charlie Hebdo ainda é um assunto que se impõe. Por conta disto, a edição desta terça-feira reúne bastante conteúdo sobre o ocorrido. O contexto é mais complexo do que parece, portanto nem todas as vozes que selecionei expressam a mesma opinião, mesmo sendo visões com posicionamentos sempre mais à esquerda.

Charlie


EXAME, 12 de janeiro

Portal Fórum, 12 de janeiro

Intervozes, 11 de janeiro

Carta Maior. 11 de janeiro

Coluna do Veríssimo, 11 de janeiro

DCM, 10 de janeiro

Eu não sou: Je ne suis pas Charlie
Leonardo Boff, 10 de janeiro

Blog do Morris, 9 de janeiro

El País, 13 de janeiro

Outros temas


Arthur de Faria, 13 de janeiro

Sul 21, 12 de janeiro

Blog do Sakamoto, 12 de janeiro

Eliane Brum, 10 de janeiro

Feminismo: Gentili e seu modo mascu de standu up Bullying
Escreva Lola, Escreva, 7 de janeiro

sábado, 25 de outubro de 2014

A técnica do antijornalismo e a resposta da Presidente Dilma

Em Vi O Mundo, o pesquisador que estudou o maior fenômeno de antijornalismo do Brasil. Artigo interessante para entender um pouco da prática jornalística da revista Veja. Já o portal de notícias Pragmatismo Político destaca: Tribunal Superior Eleitoral afirma que capa da revista Veja é propaganda eleitoral irregular e está claramente “a favor de uma candidatura em detrimento de outra”.



Indico ainda o texto do editor do Diário do Centro do Mundo. A seguir, na íntegra:

Uma discussão estritamente jornalística sobre o caso Veja

Paulo Nogueira para o DCM, em 25 de iutubro

Capa da mais recente edição de Veja, que teve
seu lançamento antecipado em dois dias 
Vou falar estritamente sobre a técnica jornalística utilizada pela Veja na última edição.

Percebi que é necessário, uma vez que mesmo jornalistas experientes como Ricardo Noblat não compreendem exatamente onde está o problema.

Citei Noblat porque, em sua conta no Twitter, além de em determinada altura do debate de ontem ele informar seus seguidores de que a bateria do celular acabara, ele fez a seguinte indagação.

“Que prova Dilma da reportagem da Veja? Uma gravação? Diria que é falsa. Uma entrevista do doleiro preso?”

Uma das missões do jornalismo é jogar luzes sobre sombras. Noblat jogou ainda mais sombras sobre as sombras já existentes.

Prova é prova. Prova são evidências consideradas irrefutáveis pela Justiça depois de um processo em que as partes defendem sua posição.

Prova não é a palavra de ninguém – gravada, escrita ou dita em público. Porque o ser humano pode dizer qualquer coisa que imagine que vá beneficiá-lo ou prejudicar um opositor.

Imagine que alguém queira destruir moralmente você. Ele afirma que você é pedófilo, por exemplo. Grava um vídeo e coloca no YouTube.

O fato de ele haver falado que você é pedófilo não prova nada, evidentemente. Você o processa. A Justiça vai pedir provas. Se o difamador não as tiver, estará diante de uma encrenca considerável.

O raciocínio acima não vale, infelizmente, para o jornalismo, dada a influência que as empresas de mídia exercem sobre a Justiça no Brasil.

Mas vale em sociedades mais avançadas. O caso clássico, neste capítulo, é o de Paulo Francis.

Acusou diretores da Petrobras de terem contas no exterior. Como as acusações foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, os acusados puderam processá-lo nos Estados Unidos.

A Justiça americana pediu provas a Francis. Ele nada tinha. Na iminência de uma indenização à altura das calúnias, Francis se atormentou e morreu do coração.

Na Justiça brasileira, ele certamente se sairia facilmente de um processo. E ainda seria glorificado como mártir da liberdade da expressão.

Ainda que, para voltar à frase de Noblat, uma fita fosse apresentada, isto não valeria rigorosamente nada. De novo: nada.

Imagine, apenas a título de exercício mental, que alguém tivesse prometido ao doleiro preso vantagens no caso de uma vitória de Aécio: dinheiro, pena branda, cobertura discreta em jornais, revistas, telejornais.

Imagine, além disso, que o doleiro de fato acreditasse que uma simples declaração sua daria a presidência a Aécio.

Ele falaria o que quisessem que ele falasse, naturalmente.

No Brasil, situações como a que descrevi podem acontecer.

Nos Estados Unidos, e volto a Paulo Francis, não. Sem provas, não apenas o acusador estaria frito. Também jornais e revistas que reproduzissem suas acusações enfrentariam problemas colossais.

A sociedade tem que ser protegida.

Em meus dias de Abril, meus amigos se lembram, sempre disse que seria simplesmente inimaginável um jornal publicar – sem provas – uma entrevista em que um irmão do presidente fizesse acusações destruidoras.

Esse irmão poderia estar mentindo, por ódio ou motivações pecuniárias. Inventando coisas. Aumentando outras.

Onde muitas pessoas viram um triunfo da Veja, enxerguei desde o princípio uma demonstração da miséria do jornalismo nacional. E da Justiça, porque se ela agisse como deveria ninguém destruiria a reputação de ninguém sem provas.

Tantos anos depois deste caso a que me refiro, nem o jornalismo brasileiro e nem a Justiça evoluíram.

As trapaças estão até nos detalhes. O jornalismo digno manda que você tome cuidados básicos ao publicar acusações. O acusador disse isso ou aquilo. Afirmou. Para manipular leitores, a Veja utiliza outro verbo: revelou. É, jornalisticamente, uma canalhice e um crime.

A Veja sabe que pode publicar o que bem entender porque a Justiça não vai cobrar provas. Como opera em solo brasileiro, e não americano, ainda poderá se declarar mártir da liberdade da expressão, caso seja mesmo processada por Dilma.

Era o que aconteceria com Paulo Francis se não tivesse sido julgado pelas leis americanas.

Nos Estados Unidos, de onde emigrou há 60 anos a então modesta família Civita para fazer fama e fortuna no Brasil, a Veja estaria morta há muito tempo com o tipo de jornalismo que faz.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A elite branca que sofre, David?

Em sua coluna, publicada no jornal Zero Hora de terça-feira, 14, o jornalista David Coimbra foi infeliz ao fazer uma leitura do cenário nacional e classificar a luta pela ampliação de direitos civis como um embate entre "Elite Branca versus Negros e Pobres". Segundo a interpretação do colunista, a chamada elite branca "sofre" no Brasil, ainda mais por ser taxada de forma pejorativa por pensadores. Ele ainda estabelece outras lutas entre "o bem e o mal", tais como Racistas x Negros discriminados, Homofóbicos x Homossexuais, Misóginos x Feministas, entre outras categorias.

Com todo respeito ao jornalista da RBS, e ao seu legítimo posicionamento, discordo veementemente do texto. Não desmerecendo sua carreira, tampouco sua experiência de vida. David, na referida crônica, lembra aos leitores: "Então eu, que sempre trabalhei, que trabalhei e muito, o dia todo, todos os dias, que ganho salário, que sou filho de professora e neto de sapateiro, que sempre estudei em colégio público e nunca ocupei cargo público, eu sou da Elite Branca". Por aí começo a entender o posicionamento de alguém que, presumo, anda à margem da real situação da população brasileira, sobretudo a polução de negros e pardos.

Vamos aos dados.

Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, publicada em janeiro deste ano, um trabalhador negro no Brasil ganha 57,4% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Em números, uma média salarial de R$ 1.374,79 para os trabalhadores negros contrastando com R$ 2.396,74 mensais para brancos. Na educação, outro estudo do IBGE, de 2012, aponta que 35,8% dos jovens negros ou pardos brasileiros estão no ensino superior. Esse número mais que triplicou desde 2001. Mesmo assim, o percentual ainda está muito aquém da proporção de 65,7% apresentada pelos jovens brancos. Será que é apenas demérito?

Em média, 100 a cada 100 mil jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012. É o que mostra o Mapa da Violência 2014, estudo que visa compreender o panorama da evolução da violência dirigida contra os jovens no período entre 1980 e 2012. O estudo mostra que morreram, proporcionalmente, 146,5% mais negros do que brancos no país, em 2012. É considerada morte violenta a resultante de homicídios, suicídios ou acidentes de transporte. Entre 2002 e 2012, por exemplo, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências, em matéria da EBC, afirma que essa seletividade foi construída por diversos mecanismos, como o desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento à violência em áreas de maior população branca do que negra, bem como o acesso, por parte da "Elite Branca", à segurança privada.

Também chama atenção a lista dos 513 deputados federais eleitos no último dia 5 de outubro. Com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral, são autodeclarados brancos 79,9%, autodeclarados pardos 15,5%, os pretos representam 4,2% e apenas 0,4% são de origem indígena. No senado, 81,5% dos eleitos são brancos. Ao contrário do que entende David Coimbra, sua trôpega "Elite Branca" me parece ter bastante representatividade para lutar pelos direitos (que sempre tiveram).

O Relatório de Sustentatibilidade de 2012 da RBS, empresa de comunicação para qual trabalha o jornalista, revela o ambiente em que David está acostumado a passar boa parte do seu tempo, afinal ele diz que trabalha o tempo inteiro. Num universo que tem por volta de 6,5 mil funcionários, a empresa aponta ser 96% deles brancos, e apenas 4% negros. Na página 34, em um dos quadros informativos, uma nota faz questão de ressaltar: "100% dos cargos de diretoria são ocupados por brancos”.

Por essa variedade de dados, e mais outros referentes aos demais movimentos sociais - que preferi não citar para não estender ainda mais o texto -, é que discordo do referido colunista de ZH, ainda mais quando encerra sua explanação de forma irônica: 
- No Brasil, a Elite Branca sofre.

sábado, 23 de março de 2013

“Em uma empresa de comunicação, questionar não é permitido”

20 de março, por Cris Rodrigues no SOMOS ANDANDO

Tive hoje a oportunidade de ler uma carta escrita, como disse um amigo, com o fígado, não com as mãos. Trata-se de um agora ex-funcionário do Diário Catarinense, jornal do Grupo RBS em Santa Catarina, que colocou no papel toda a frustração por ter que sair de um emprego de muito tempo por absoluta falta de condições de trabalho. Sua demissão, como ele conta na carta, foi acertada com o jornal, depois de 25 anos de RBS. Ali ele fala em “prepotência”, em “opressão”, em “tirania” por parte da administração atual. Pra quem critica a RBS desde a adolescência pela má qualidade do jornalismo praticado, é um agravante e tanto um cara que estava ali dentro há duas décadas e meia, que parecia realmente gostar da empresa, não aguentar mais. E na carta ele ainda cita mais 17 outros nomes que teriam saído pelos mesmos motivos, além de outros que continuam no grupo insatisfeitos.

Quando eu vejo uma carta assim, fico com emoções divididas. Por um lado, acho ótimo que as coisas estejam aparecendo e que as pessoas percam o medo de se manifestar contra esse tipo de situação. Por outro, a cada coisa dessas, fico triste por constatar, de novo, a situação do jornalismo no Brasil. Fico triste de ver que o grupo que detém o monopólio da comunicação no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina consegue ser cada dia pior e ainda assim manter esse monopólio.

Mas não deixa de ser engraçada a contradição desse pessoal. Vale atentar para uma passagem da carta do ex-funcionário do Grupo RBS, já lá no final:

Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido.

Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido.

Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido.

Vende a diversidade de opiniões… Pois é, uma empresa que treme ao ouvir falar em Conselhos de Comunicação, que brada contra marco regulatório, que acusa qualquer tipo de regulamentação de censura. Regulamentação, vale dizer, que o Reino Unido – que se enquadra naquele grupo de países que sempre são exemplo de civilização para a mídia brasileira – está fazendo neste momento. Regulamentação – se quiserem, eu desenho – serve pra colocar em prática o que diz a Constituição e garantir a pluralidade da comunicação no Brasil, coisa que não acontece quando bem poucos grupos dominam todo o mercado, impondo apenas uma visão a toda a sociedade. Duzentos milhões de pessoas são obrigadas a ler, ouvir e ver o que pensa uma única família, por pura falta de opção.

E aí a ironia vem, quando aparece uma carta dessas. A ironia de uma empresa que diz prezar pela liberdade de expressão – e pega em foice pra defendê-la – e cerceia seus próprios funcionários.

O jornalismo do Brasil é triste.


A publicação da carta – de alforria – foi permitida pelo autor. Segue a íntegra:


ACABOU!!! Hoje, depois de mais de 25 anos de RBS, fui demitido da empresa. Se, por um lado, é um momento de alegria, de júbilo, por ter sido aceito opedido que fiz para ser mandado embora (mesmo que por conveniência de que o fez, como a justificar a ação), por outro, é de profundo pesar pela situação que me levou a formular tão drástica solicitação – é muito grave e difícil não se ver outra saída que não a de abrir mão do trabalho do qual se gosta e ao qual se dedicou a maior parte da vida.

E é esta mesma postura crítica que me levou à situação extrema de pedir para ser desligado e que marcou minha atuação profissional nesses anos todos que me leva a fazer algumas considerações sobre o ambiente insalubre que tomou conta da redação do Diário Catarinense – mais do que em qualquer época em um quarto de século – nos últimos meses.
Inúmeras gestões se sucederam à frente do DC (redação). A cada editor-chefe – agora diretor – que assumiu seguiram-se momentos de tensão e, às vezes, ruptura, naturais no início de um novo trabalho, de um modo diferente de ver e conduzir as coisas. Até aí, tudo aceitável e dentro do esperado. Mas como o ser humano é imperfeito e o apelo para satisfazer o ego é imenso, muitos que detêm o poder ultrapassam, algumas vezes, o limite e agem com prepotência, idiotia – os sem-poder, como eu, também não estão livres. Tudo dentro da normalidade, desde que seja exceção. Mas quando vira regra, como agora, é abuso.
Aí está a grande diferença desta para administrações pretéritas: a prepotência tornou-se sistêmica, a opressão é o modus operandi. E se em situações um pouco mais estressantes vividas anteriormente se chegou a cogitar solução como a de agora – sair ou ser “saído” da empresa –, o trabalho (não o cargo) sempre garantiu a permanência, sempre foi um refúgio. Agora, no entanto, esta tábua de salvação não mais existe, pois a tirania, a opressão, age justamente aí: não deixa espaço para ninguém, para nenhuma ação e forma de pensamento que não a do tirano. Sem ter o que fazer, a não ser dizer amém, por que continuar? Como continuar?
Se alguém, como bom jornalista, contra-argumentar, levantando a hipótese de que talvez eu tenha uma visão equivocada, seja algo pessoal ou, quem sabe, que o modo de agir que eu esteja condenando seja o meu próprio, lembro que não estou só, que a lista dos que capitularam (foram demitidos, foram compelidos a pedir demissão e aceitaram qualquer emprego fora para se livrar ou mesmo resolveram ir para outro veículo dentro da RBS) fala por si – fala, não, grita. Aí vai uma parte do “obituário”: Guarany Pacheco, Eduardo Kormives, Roberto Azevedo, Márcia Feijó, Renê Müller, Mariju de Lima, Simone Kafruni, Tarcísio Poglia, Marcelo Oliveira, Gisiela Klein, Marcelo Becker, Ângela Muniz, Natália Viana, Larissa Guerra, Valéria Rivoire, Fernando Ferrary, Celso Bevilacqua – sem esquecer da Ceoli e da Jussara, da secretaria de redação, substituídas por um time de futsal de terceira divisão. Não lembro de todos os nomes, não citei os que foram para outros cantos da RBS e nem, é claro, os muitos outros que seguem no baile por absoluta falta de opção.
Em resumo:
Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido.
Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido.
Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido.

Por fim, entendo que atualmente, na redação do DC, somente há lugar para a frustração ou para quem se dispõe, por afinidade, disposição ou interesse, a ser um “clone” do chefe da vez. Portanto, não há lugar para jornalistas no que verdadeiramente esta palavra, esta profissão significa – talvez haja lugar para marqueteiros, especialização da casa nos tempos mais recentes.
Lamento muito que o modo de pensar e agir de um só se sobreponha ao de tantos outros por força única e exclusivamente de um cargo ao qual, ao que parece, foi guindado erroneamente, sem de fato ser merecedor, o que não é tão incomum assim no meio jornalístico e dentro da RBS.

Chega!!!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Abaixo-assinado em apoio ao processo de democratização da comunicação na América Latina

Assine em clicando AQUI

07/12/2012

7D - Manifesto de comunicadores do Rio Grande do Sul


1 – O presente manifesto tem por objetivo declarar o apoio ao processo de democratização da comunicação que a América Latina, e em específico a Argentina, vive nos últimos anos. Consideramos que a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, conhecida como Ley de Medios, promulgada no dia 10 de outubro de 2009, é, assim como leis similares na Bolívia, no Equador e na Venezuela, fundamental para que possamos construir, através da mídia, o respeito à diversidade, à democracia e ao direito à comunicação resguardado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

2 – Consideramos importante pronunciar nossa posição favorável à lei – principalmente hoje, no dia 7 de Dezembro – o 7D – data simbólica e limite para adequação dos meios à nova norma – dada a superficialidade e o maniqueísmo das notícias que circulam na mídia hegemônica sobre o assunto. Os ataques dessa mídia, historicamente aliada às oligarquias nacionais e internacionais, têm por objetivo o controle da informação em defesa de seus interesses monopólicos no Brasil, em detrimento da verdadeira liberdade de expressão, informação e opinião.

3 – O direito à comunicação na Argentina é prejudicado pelo histórico monopólio do Grupo Clarín, da mesma forma com que no Brasil sofremos com a vocação monopolítica dos grandes conglomerados empresariais, cujas principais representações, atualmente, são a Rede Globo, no Brasil, e, no Rio Grande do Sul, o Grupo RBS.

4 – A Ley de Medios é formada por 166 artigos e foi construída em conjunto com diversos setores da sociedade argentina. Gostaríamos de destacar alguns pontos: a criação do Conselho Federal de Comunicação Audivisual; do Conselho Assessor da Comunicação Audiovisual e da Infância e da Defensoria do Público de Serviços de Comunicação Audiovisual; a garantia do direito de acesso universal a conteúdos informativos de interesse relevante e de acontecimentos esportivos; e o artigo 45, que limita a quantidade de concessões a cada empresa, atuando para horizontalizar e tornar mais plural e competitivo o espaço de mídia veiculado em concessões públicas – ou seja, de propriedade da sociedade e não de empresas privadas.

5 – A Ley de Medios argentina é bastante avançada, mas é muito semelhante ao que seria uma regulamentação do que determina a Constituição Brasileira. No Brasil, porém, a pauta não consegue avançar, por mais que seja discutida pelos setores organizados da sociedade. Como está sendo feito na Argentina, na Bolívia, na Venezuela e no Equador, precisamos de uma nova Lei de Mídia, de um novo marco regulatório para as comunicações, para que o direito à voz deixe de ser um privilégio submetido ao poder econômico. O Estado deve regular e criar as condições necessárias para a pluralidade de vozes que ecoam na mídia, barrando o domínio das onze famílias brasileiras proprietárias da maior parte das empresas de comunicação do país.

6 – Não queremos, com esse manifesto, endossar quaisquer outras políticas do governo Cristina Kirchner, mas defender, sim, a soberania argentina e uma lei que aponta para a real democratização das comunicações naquele país, com o ataque ao monopólio do Grupo Clarín e a distribuição equitativa do espectro de rádio e televisão entre espaços privados, públicos e estatais. As acusações que rotulam a nova norma como “censura” ou uma forma de calar os opositores são completamente irracionais e inaceitáveis.

7 – Entendemos que as especificidades brasileiras exigem também especificidades na lei que deveremos construir em nosso país, mas a Ley de Medios argentina, como as demais em processo de consolidação na América Latina, podem e devem servir como exemplo e como base para o que podemos e devemos construir aqui. O debate na construção dessa regulamentação deve ser popular, envolvendo todos os setores da sociedade e tendo como referência a Confecom, que, em 2009, tirou mais de 600 propostas para o setor, amplamente debatidas em etapas estaduais e jamais levadas a cabo pelo governo federal.

8 – A mudança no eixo do Estado é uma necessidade, e ela passa também pela democratização da comunicação, pelo empoderamento discursivo dos trabalhadores e dos movimentos sociais, pelo fim dos monopólios e pelo fortalecimento da mídia alternativa, comunitária e popular.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Justiça quer censurar mais um blog

Cresce, junto à credibilidade de blogs jornalísticos, as ações judiciais que buscam inibir o trabalho de blogueiros independentes. Infelizmente, a maior parte das tentativas de censura parte dos grandes meios de comunicações, infinitamente mais influentes e poderosos economicamente. Não é o caso agora, mas vale o registro.

A seguir, texto publicado ontem, no Blog do Sakomoto.


Juíza quer censurar este blog por relatar decisão em caso de libertação de escravos

Estou sendo processado pela juíza Marli Lopes da Costa de Goes Nogueira, da Justiça do Trabalho do Distrito Federal, por conta de um post publicado aqui neste blog.

O texto tratava de uma decisão da magistrada, atendendo a um pedido de liminar em mandado de segurança movido pela empresa Infinity Agrícola. Sua decisão suspendeu um resgate de trabalhadores que foram considerados em condição análoga à de escravos pelo Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho. As vítimas estavam em uma fazenda de cana no município de Naviraí, Estado do Mato Grosso do Sul e, entre eles, trabalhadores das etnias Guarani Kaiowá, Guarani Nhandeva e Terena. Posteriormente, o Tribunal Regional do Trabalho da 10a Região revisou a decisão da juíza, permitindo que as ações relacionadas à fiscalização continuassem.

Na ação, que envolveu também o portal UOL, ela solicitou – liminarmente – que a matéria e os comentários dos leitores fossem retirados do ar. E que eu não divulgasse mais nada relativo à sua reputação sob pena de multa de R$ 10 mil/dia. Quanto ao mérito da ação, pediu indenização por danos morais que teriam sido causados pela matéria e pelos comentários. O valor, a ser estipulado pela Justiça, deve ser o suficiente para que “desmotive de praticar ilícitos semelhantes em sua atividade de blogueiro e formador de opinião na internet”. Também solicitou que “diante da natureza dos fatos alegados”, o processo corresse em segredo de justiça.

O processo já corre há um tempo e esperei para ver o que acontecia. Decidi publicar agora sobre ele uma vez que acabei de ser intimado para prestar depoimento em Brasília.

Sei quais as consequências de retratar as dificuldades para a efetividade dos direitos humanos. Ainda mais no Brasil. Então, até aí, nenhuma novidade. Já fui ameaçado por senadora, fazendeiro, empresário, enfim, pegue uma senha e entre na fila. Reafirmo tudo o que foi apurado com minhas fontes e escrito e não vou retirar nada deste blog voluntariamente. E, se tiver que pagar uma indenização, pedirei a ajuda de vocês para uma campanha “Sakamoto Esperança” porque, como sabem, sou uma pessoa de posses. Contudo, posso dizer que estou sendo muito bem defendido.

Um último comentário: na decisão sobre a liminar, o juiz Carlos Frederico Maroja de Medeiros afirmou que: “Decisões judiciais não são infensas a críticas, e críticas não são o mesmo que ofensas. Não cabe aqui discutir o mérito da decisão ou da crítica feita pelo réu (até porque este juízo não é instância revisora do que decide a autora em sua atividade jurisdicional), mas apenas analisar se houve excesso no direito de informar e criticar. Mas o fato é que, ao menos neste juízo de prelibação, não se enxerga, na veiculação da notícia, o ânimo de ofender a autora por qualquer modo, mas apenas o de informar e expor sua crítica, para o que tem o jornalista não apenas o direito, mas o dever de fazer”.

“Dever de fazer.” Não é a decisão sobre o mérito, que ainda vai demorar. Mas não deixa de ser uma pequena aula vinda do Judiciário sobre liberdade de expressão e um alento para quem resolve amassar o barro diariamente.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Você viu? #36

Seguimos a semana com a edição número 36 do Você viu?. Hoje trazemos um número mais enxuto de links, comparado com algumas outras edições. Em contraponto, o que também não é habitual, teremos dois vídeos. O primeiro, o importante discurso do Julian Assange, e o segundo um lamentável registro de racismo no futebol. Adiante!

Assange: Por que o Equador ofereceu asilo a Assange
Jornal Sul21, 20 de agosto

Assange 2: Discurso de Julian Assange na Embaixada do Equador em Londres
Brasil de Fato, 20 de agosto


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Racismo: Africano sofre racismo de torcedores e de seguranças do próprio clube
Blog do Trivela, 20 de agosto


Bairrismo: Gramado monta um santuário do gauchismo de espetáculo
Diário Gauche, 18 de agosto

Bairrismo 2: Recebo mensagem do santuário gaucheiro
Diário Gauche, 20 de agosto

Greve: Zero Hora volta à tona com velhas estratégias contra movimentos grevistas
Jornalismo B, 17 de agosto

Free Pussy Riot:  Ativistas falam sobre força da campanha online Free Pussy Riot
Revista Noize, 17 de agosto

Análise e Estratégia, 15 de agosto

terça-feira, 17 de julho de 2012

Você viu? #31

Como já é tradicional, nas terças-feiras o PoA Geral traz um apanhado de links com alguns dos principais assuntos do últimos sete dias. Nesta 31° edição, inclusive, tem o discurso de Collor na CPI de Cachoeira que desencadeou na "vingança" da Globo: a entrevista de Rosane Collor no Fantástico.

Instituto Humanitas Unisinos, 16 de julho

Comunicações: Telefonia móvel: oligopólio e desrespeito ao consumidor
Jornal Sul21, 16 de julho

Eleições SP: Candidato, ex-chefe da Rota incita violência no Facebook
Brasil de Fato, 16 de julho

Collor: "A editora Abril se transformou num coito de bandidos..."
Blog Diário Gauche, 16 de julho


Collor 2: Minhas impressões sobre Rosane Collor no Fantástico
Blog Escreva Lola, Escreva, 15 de julho

Direitos Humanos 2: Rio Grande do Sul terá Comissão Estadual da Verdade
Blog RS Urgente, 15 de julho

Corrupção no futebol: A boa sugestão de mudar o nome do Engenhão: estádio João Saldanha
Blog do PVC, 13 de julho

Mídia: TV Globo chama “suborno” de “comissão” para defender Ricardo Teixeira
Jornalismo B, 12 de julho


terça-feira, 3 de julho de 2012

Você viu? #29

Pela vigésima nona vez este blog se dispõe a escolher alguns links, com alguns artigos e reportagens interessantes. Não são exatamente manchetes nacionais, porém não deixam de ser importantes. Vale a pena dar uma conferida. Qualquer dica, deixe nos comentários.

Futebol: Inter joga no Beira-Rio. Justiça libera arquibancada superior
Blog do Mário Marcos, 2 de julho

Cinema: Fantaspoa Revisitado apresenta filmes premiados
Blog do Renato Martins, 2 de julho

Comunicação RS: Conselho de Comunicação do RS: tudo pronto para o debate público
Jornal Sul21, 2 de julho

Comissão da Verdade: Para especialistas, Brasil precisa responsabilizar torturadores
Jornal Sul21, 2 de julho

Privatização: Privatização da água vira caso de polícia
Blog RS Urgente, 2 de julho

Futebol: O significado de Seedorf para o Botafogo e para o futebol brasileiro
Blog do PVC, 1° de julho

Movimentos Sociais: Corpos de pescadores artesanais são encontrados com sinais de execução
Brasil de Fato, 29 de junho

Violência contra a mulher: Dois projetos sobre violência contra a mulher são aprovados por Comissão do Senado
Agência Patrícia Galvão, 28 de junho

Direitos Humanos: “NÃO VAI FALAR, VAGABUNDA?”, DIZIA O TORTURADOR
Agência Pública, 28 de junho

"Policiais torturam para forçar confissões, agentes penitenciários torturam para castigar os presos. Há centenas de denúncias todos os anos mas poucos agentes do Estado são punidos."

sábado, 28 de abril de 2012

Desinformação e preconceito no cotidiano

Preconceitos surgem pela falta de informação e educação. Às vezes são coisas simples, do cotiano. Muitas vezes não percebemos e/ou até cometemos, afinal todos temos nossos preconceitos. Alguns mais graves, outros muito bestas, de explicação pífia e completamente particular. Um exemplo: não gostar da Xuxa por achar que ela tem um pacto com o diabo. Ora. Vamos aos fatos. Mas não que eu goste de Xuxa, pelo contrário. Só que certas coisas não tem como deixar passar.

Aqui na rua de casa, na esquina, tem daqueles mini-mercados que quebram o galho durante a semana. Como tem em quase qualquer rua. Ali trabalham uma senhora e seu filho, uma rapaz que tem por volta de 30 anos. Ambos são gente finíssima, simpáticos, trabalhadores. Tocam bem o negócio. São religiosos, não sei exatamente se católicos ou evangélicos (hum... preconceito e desinformação da minha parte?).

No final da tarde, invariavelmente, algumas carinhas carimbadas aqui do entorno param ali para bater papo, tomar café da tarde e conversar com a senhora e seu filho. Todos, pelo que percebo, da mesma religião. Na tarde deste sábado passei ali para comprar uma ou outra coisa e pesquei a conversa. Falavam da Xuxa: "Vi na internet um vídeo da Xuxa cantando uma música de louvor e fazendo o sinal do capeta no fanal", disse o primeiro, em tom indignado. O outro, de trás do caixa, enquanto me atendia, respondeu surpreso "Sério? Mas será que não é montagem?". A resposta foi taxativa: "Não sei, não parece. Tu sabe que a Xuxa tem pacto com o demo, né?", "É, dizem que ela tem um pacto com o demo..."

Fui embora, ouvi até ali. A cena descrita não me era estranha, o sinal também não. O google ajudou a minha memória e a confirmar minha tese. A Xuxa apenas está dizendo "amo você" na linguagem de libras. Simples, e nada satânico.

terça-feira, 27 de março de 2012

Você viu? #17

Mais uma semana e chagamos à décima sétima edição do Você Viu?, uma reunião de links que o PoA Geral considera pertinentes aos seus leitores. São notícias que podem passar desapercebidas durante a semana, mas que você tem uma segunda chance aqui.

Terras indígenas: “Proposta que redefine terras indígenas no Brasil é retrocesso histórico vergonhoso”
Instituto Humanitas Unisinos, 26 de março

Mídia e Futebol: Técnico do Fluminense desabafa e culpa Rede Globo por jogos em campos ruins
Portal Imprensa, 26 de março

Comunicação: Pela expansão da luta em defesa da mídia independente
Jornalismo B, 26 de março

Música: Review | Roger Waters no Beira Rio, em Porto Alegre
Revista NOIZE, 26 de março

MST: Liderança do MST é assassinada em Pernambuco
Vi o Mundo, 26 de março


Política: Há 90 anos, nascia o partido que aglutinou a esquerda e as lutas de trabalhadores no Brasil
Jornal Sul21, 25 de março

MST: Três sem terra são mortos em MG

Domingo, 25 de março, programa Domingo Espetacular na Rede Record, reportagem sobre Renato Rocha, ex-baixaista da Legião Urbana, que hoje vive como mendigo nas ruas do Rio de Janeiro:

terça-feira, 6 de março de 2012

Você viu? #16

Brasil: Instituto Herzog emite Nota de Repúdio a fala de general da reserva
Jornal Sul21, 5 de março

Blog do PVC, 3 de março

Blog Somos Andando, 2 de março

Estratégia e Análise, 2 de março

Blog do Sakomoto, 1° de março

Milton Ribeiro, 29 de fevereiro

Deslize do pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, na semana passada, em entrevista a Boris Casoy:

sábado, 3 de março de 2012

Esclarecimento sobre a campanha da Sky junto aos seus clientes

Não sou assinante da Sky. Um amigo que é cliente recebeu esse e-mail na semana passada e me repassou. A operadora de TV por assinatura se coloca contra a lei 12.485 de 2011, uma lei que visa melhorar a qualidade do serviço de televisão paga no Brasil.
Como se não bastasse, pede para seu cliente se informar sobre a lei nas revistas Veja, Insto É Dinheiro e Época. Publicações que, como a Sky, não têm nenhum interesse numa comunicação mais democrática.

Segue abaixo o texto publicado nesta sexta no blog Jornalismo B, que desmonta todos os argumentos da operadora:








Nota do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação em repúdio à campanha da Sky


Contra o obscurantismo da Sky, em defesa da diversidade de conteúdo nacional
A Sky iniciou uma forte campanha em que mobiliza seus usuários contra a lei 12.485, sancionada em setembro de 2011 e que deve ser regulamentada até este mês de março. A empresa combina argumentos mentirosos com falácias numa defesa oportunista da liberdade de escolha do usuário. Na campanha, a empresa reúne atletas dos clubes de vôlei e basquete que ela patrocina para apontar uma série de supostas ameças trazidas pela lei e conclamar o usuário a se manifestar no STF e diretamente na Ancine. A empresa usa a boa fé do usuário da TV por assinatura e de atletas de renome do esporte nacional para defender disfarçadamente seus próprios interesses comerciais. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação rechaça essa estratégia desonesta e chama atenção dos usuários da Sky para que não sejam ludibriados pela propaganda enganosa da empresa.
Surpreendentemente, nenhuma das sete afirmações principais feitas pela empresa na propaganda exibida se sustenta. Frente ao grande número de acusações infundadas, é fundamental enfrentar cada um dos argumentos.
Você é a favor da liberdade na TV por assinatura? – A frase que abre a campanha da Sky sugere duas coisas: primeiro, que há hoje liberdade na TV por assinatura. Segundo, que essa liberdade está ameaçada. As duas premissas são falsas. Hoje, o usuário não tem liberdade de contratar os canais aleatórios de forma avulsa, nem construir seus próprios pacotes e nem comprar canais que a operadora não quiser lhe oferecer. Exemplo recente e oportuno é a dificuldade do usuário em ter acesso à Fox Sports, que transmite a Libertadores da América, porque as operadoras (como a Sky) não querem oferecê-lo. Além disso, a lei não fere em nada a liberdade do usuário. Ao contrário, ela busca ampliar a oferta, com a entrada de novos canais e de mais concorrentes entre as operadoras, e assim gerar mais diversidade e opções.
Uma lei poderá mudar toda sua programação de TV por assinatura – a lei 12.485 altera pouco da programação para o usuário comum. Por meio de cotas de conteúdo brasileiro e independente, que somam 3h30 por semana (!) e no máximo doze entre as dezenas de canais disponíveis, ela busca ampliar a oferta de conteúdo brasileiro e dar espaço para as produtoras independentes que hoje não têm espaço e liberdade de veiculação de sua produção. A cota incide apenas nos canais que transmitem majoritariamente, em seu horário nobre, filmes, séries, documentários, animações e reality shows.
A lei não considera esporte e jornalismo como conteúdo nacional – Não é verdade. A lei considera sim esses conteúdos como nacionais, mas não impõe cotas de veiculação de esportes. Os canais de esportes não entram na conta das cotas, não têm obrigações de cotas e continuam sendo ofertados normalmente sem qualquer alteração.
Haverá menos esporte na programação – não faz nenhum sentido afirmar que haverá menos esporte na programação. Os canais esportivos não são impactados em nada pela lei. Se a empresa quiser ofertar um pacote só de canais esportivos pode fazer isso à vontade, e não tem de abrir nenhum minuto de cotas de conteúdo brasileiro e independente. A lei não interfere em nada na quantidade de conteúdo esportivo na programação.
Esta é uma grave intervenção nos meios de comunicação – as regras estabelecidas na nova lei estão longe de ser uma grave intervenção. Na verdade, regras como essas existem em todas as democracias avançadas no mundo. Todos esses países constroem instrumentos de regulação para garantir mais pluralismo e diversidade de conteúdo, e para fazer com que a liberdade de expressão seja ampla, e não valha apenas para os donos de meios de comunicação.
Agência reguladora terá poderes para controlar o conteúdo da TV paga – a Ancine não terá poder para controlar o conteúdo, apenas irá zelar pelo cumprimento das regras definidas democraticamente pela lei. Problema seria se houvesse uma lei sem nenhum órgão responsável pela sua fiscalização.
A lei vai gerar impacto no preço da assinatura e na liberdade de escolha – como já foi dito, a liberdade de escolha do usuário, hoje pequena, só aumenta, não diminui. Em relação ao preço da assinatura, a tendência é justamente a contrária. A lei amplia a concorrência e deve fazer com que, em médio prazo, o usuário pague menos pelos pacotes.
É preciso ficar claro que a campanha da Sky não defende o interesse do usuário nem do esporte nacional. O problema para a empresa é que, ao permitir a entrada das empresas de telecomunicações no mercado de TV a cabo, a lei cria concorrência em vários locais em que a Sky é hoje a única opção do usuário. O que está em jogo, portanto, são os interesses comerciais da empresa.
A lei já foi aprovada e sancionada em setembro, e a Sky está apoiando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que tenta derrubá-la no Supremo Tribunal Federal. O momento atual é de definição da regulamentação da lei, e o mais importante é justamente garantir que os objetivos de ampliação da diversidade e da pluralidade sejam materializados. Para isso, qualquer iniciativa de debate democrático é bem-vinda. Só não valem propagandas obscurantistas e falaciosas como essa da Sky.
*Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC
(Coordenação Executiva: CUT – Central Única dos Trabalhadores, Abraço – Ass. Brasileira de Radiodifusão Comunitária, Aneate – Ass. Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões, Arpub – Ass. das Rádios Públicas do Brasil, Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, CFP – Conselho Federal de Psicologia, Fitert – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão, Fittel – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Brincadeira legal e as manchetes do mundo inteiro

O Newseum é um grande museu americano, interativo e especializado em jornalismo. Descobri há pouco tempo o site desse museu, que tem, entre outras coisas, uma função muito interessante e divertida. 

Acessando o http://www.newseum.org e clicando no tópico today's front pages, na barra lateral à direita, você tem à disposição as capas daquele dia dos jornais mais importantes do mundo. E pra ficar mais divertido, as capas de uma grande parte dos jornais menos importantes estão lá também.

É um passa-tempo de curioso, bem interessante, e que ainda deixa você por dentro daquilo que os jornalões estão dando destaque.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012