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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Orgulho hétero do presidente da Câmara e o beijo gay

Até parece roteiro de filme, em que as coisas acontecem com a coincidência conveniente para o arco dramático da narrativa. Noticiou-se na quarta, 11, que a Câmara dos Deputados desarquivou vários projetos do seu atual presidente, Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Dois deles, soariam como piada de bar, mas não passam de projetos esdrúxulos, que vão na contramão das lutas sociais por igualdade de direito e tratamento: um institui o dia do orgulho heterossexual; o outro visa tornar crime a discriminação contra heterossexuais. 

Já na madrugada desta quinta-feira vem de Pernambuco a notícia de que um casal de rapazes foi agredido por policiais e levados à delegacia após beijarem-se na cidade de Olinda. Não é difícil imaginar que no mesmo evento cultural estavam presentes inúmeros casais heterossexuais, é razoável supor que a maioria deles também trocou gestos de afeto assim como é provável que nenhum deles tenha sofrido com qualquer violência, física ou moral, motivada pela orientação sexual.

Há um ano, levantamento divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) contabilizou em 2013 o total 312 assassinatos, mortes e suicídios de gays, travestis, lésbicas e transexuais brasileiros vítimas de homofobia e transfobia. Na média, uma morte a cada 28 horas. Curiosamente o estado do Pernambuco foi apontado como o mais homofóbico, alcançando 34 mortes.

FOTO: Reprodução Facebook
De ficha extensa, Eduardo Cunha é acusado de falsificação de documentos e sonegação de impostos no Superior Tribunal Federal. Nome destacado da bancada evangélica, além de ser radicalmente contra os projetos de ampliação dos direitos da comunidade LGBT, recentemente declarou em entrevista que votação sobre aborto só por cima de seu cadáver

Entendo que qualquer pessoa que realmente ache que seja justo os heterossexuais pleitearem mais direitos e reconhecimento jundo à sociedade, está, no mínimo, com uma percepção de mundo completamente distorcida. O que me leva a crer que nosso presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é um sujeito atrasado e preconceituoso.

Tenho absoluta certeza que os dois projetos do peemedebista nunca serão aprovados. Mas é triste que ao menos existam, sejam pauta em algum momento e representem o pensamento tacanho de parcela da sociedade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A elite branca que sofre, David?

Em sua coluna, publicada no jornal Zero Hora de terça-feira, 14, o jornalista David Coimbra foi infeliz ao fazer uma leitura do cenário nacional e classificar a luta pela ampliação de direitos civis como um embate entre "Elite Branca versus Negros e Pobres". Segundo a interpretação do colunista, a chamada elite branca "sofre" no Brasil, ainda mais por ser taxada de forma pejorativa por pensadores. Ele ainda estabelece outras lutas entre "o bem e o mal", tais como Racistas x Negros discriminados, Homofóbicos x Homossexuais, Misóginos x Feministas, entre outras categorias.

Com todo respeito ao jornalista da RBS, e ao seu legítimo posicionamento, discordo veementemente do texto. Não desmerecendo sua carreira, tampouco sua experiência de vida. David, na referida crônica, lembra aos leitores: "Então eu, que sempre trabalhei, que trabalhei e muito, o dia todo, todos os dias, que ganho salário, que sou filho de professora e neto de sapateiro, que sempre estudei em colégio público e nunca ocupei cargo público, eu sou da Elite Branca". Por aí começo a entender o posicionamento de alguém que, presumo, anda à margem da real situação da população brasileira, sobretudo a polução de negros e pardos.

Vamos aos dados.

Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, publicada em janeiro deste ano, um trabalhador negro no Brasil ganha 57,4% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Em números, uma média salarial de R$ 1.374,79 para os trabalhadores negros contrastando com R$ 2.396,74 mensais para brancos. Na educação, outro estudo do IBGE, de 2012, aponta que 35,8% dos jovens negros ou pardos brasileiros estão no ensino superior. Esse número mais que triplicou desde 2001. Mesmo assim, o percentual ainda está muito aquém da proporção de 65,7% apresentada pelos jovens brancos. Será que é apenas demérito?

Em média, 100 a cada 100 mil jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012. É o que mostra o Mapa da Violência 2014, estudo que visa compreender o panorama da evolução da violência dirigida contra os jovens no período entre 1980 e 2012. O estudo mostra que morreram, proporcionalmente, 146,5% mais negros do que brancos no país, em 2012. É considerada morte violenta a resultante de homicídios, suicídios ou acidentes de transporte. Entre 2002 e 2012, por exemplo, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências, em matéria da EBC, afirma que essa seletividade foi construída por diversos mecanismos, como o desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento à violência em áreas de maior população branca do que negra, bem como o acesso, por parte da "Elite Branca", à segurança privada.

Também chama atenção a lista dos 513 deputados federais eleitos no último dia 5 de outubro. Com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral, são autodeclarados brancos 79,9%, autodeclarados pardos 15,5%, os pretos representam 4,2% e apenas 0,4% são de origem indígena. No senado, 81,5% dos eleitos são brancos. Ao contrário do que entende David Coimbra, sua trôpega "Elite Branca" me parece ter bastante representatividade para lutar pelos direitos (que sempre tiveram).

O Relatório de Sustentatibilidade de 2012 da RBS, empresa de comunicação para qual trabalha o jornalista, revela o ambiente em que David está acostumado a passar boa parte do seu tempo, afinal ele diz que trabalha o tempo inteiro. Num universo que tem por volta de 6,5 mil funcionários, a empresa aponta ser 96% deles brancos, e apenas 4% negros. Na página 34, em um dos quadros informativos, uma nota faz questão de ressaltar: "100% dos cargos de diretoria são ocupados por brancos”.

Por essa variedade de dados, e mais outros referentes aos demais movimentos sociais - que preferi não citar para não estender ainda mais o texto -, é que discordo do referido colunista de ZH, ainda mais quando encerra sua explanação de forma irônica: 
- No Brasil, a Elite Branca sofre.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Filme de Segunda 109

Tomboy


Talvez o nome do filme seja  fator mais explícito desse trabalho delicado e cuidadoso da francesa Céline Sciamma. A tradução literal do termo Tomboy é menina moleque. É assim que conhecemos Laure, uma menina que tem  por volta de 10 anos de idade, cabelos curtos, corpo esguio e que usa roupas nada femininas.

Em época de combate ativo contra a homofobia, a cineasta prefere não chocar. Opta por um trabalho intimista, guiado pela leveza e inocência de crianças descobrindo a vida. Laure, seu pai, sua mãe e sua irmã mais nova se mudam para um novo conjunto habitacional. Rodeado por uma enorme área verde, as crianças do condomínio se dão bem e passam parte do dia na rua, brincando.

Pensando que seria aceita pelo novo grupo com mais facilidade, Laure assume a identidade de Michael e se apresenta como menino. A jovem parece já ter a consciência de que não encontrará na rua a mesma compreensão que tem dos pais, que não a contestam ou pressionam para que seja mais feminina.

Tomboy transcorre de forma suave, dividindo o filme em três etapas. Primeiro, a aceitação no grupo. Depois, a criação de laços de amizade e o surgimento de uma paixão pré-adolescente por Lisa, a única menina do grupo. Essa atração de "Michael" acaba sendo correspondida. A última e terceira etapa é a mais traumática, ainda que Céline Sciamma não pese a mão em nenhum momento. É quando Laure, por intervenção da mãe, precisa deixar de ser Michael e, para todos então, será Laure.

Céline monta um cenário interessante, de uma família aparentemente sem problemas para discutir ou aceitar a sexualidade de um dos filhos. É uma sugestão importante. A responsabilidade de qualquer discussão mais profunda e preconceituosa fica a cargo das crianças que apresentam certa dose de maturidade. Tomboy acaba sendo um belíssimo trabalho sobre crescimento e descobrimento.

Gênero: Drama
Duração: 82 min.
Origem: França
Direção: Céline Sciamma
Roteiro: Céline Sciamma
Distribuidora: Pandora Filmes
Censura: 10 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Você viu? #34

O assunto que toma conta das manchetes na última semana é o mensalão. Pois bem, o Você Viu? desta terça também traz dois textos sobre o assunto, e como de praxe são duas visões que fogem do ponto de vista convencional dos jornalões. Além disso, como não comentei a rodada da dupla grenal, também aproveito para linkar dois textos do blog Carta na Manga.

Cão Uivador, 6 de agosto

Carta Capital, 6 de agosto

Análise e Estratégia, 6 de agosto

Jornal Sul21 / Blog do Ralf, 6 de agosto

Brasil de Fato, 6 de agosto

Jornal Sul21, 6 de agosto
Rodrigo Bragaglia
















Blog Somos Andando, 6 de agosto

Carta na Manga, 5 de agosto

Carta na Manga, 5 de agosto

Jornalismo B, 2 de agosto

terça-feira, 26 de junho de 2012

Você viu? #28

Início de semana dos mais difíceis e complicados. Não deu pra escrever nada sobre as duas boas vitórias de Grêmio e Inter no domingo nem publicamos o Filme de Segunda, ontem. Por esses mesmos motivos o post de hoje não é dos mais elaborados. Espero que entendam. Logo voltaremos ao ritmo normal.

Mídia: Eleições 2012: centímetro por centímetro, quem ganhou destaque em Zero Hora na última semana (3)
Jornalismo B, 25 de junmho

Paraguai: GOLPE ERA PLANEJADO DESDE 2009
Blog da Maria Frô, 25 de junho

Universidades: Professores da UFRGS decidem entrar em greve por tempo indeterminado
Jornal Sul21, 25 de junho

Paraguai 2: Saiba por que países do Sul e do Norte divergem sobre Paraguai
Blog da Cidadania, 24 de junho

Sexualidade: “Boleiros podem mudar cultura homofóbica”, diz psicólogo especialista em sexualidade

sábado, 31 de março de 2012

Bancada religiosa do Acre censura curta metragem

A notícia é velha, de junho de 2011, e o curta metragem em questão é do ano anterior, foi lançado em 2010. Eu não quero voltar sozinho estava dentro do programa Cine Educação, que disponibiliza filmes para escola públicas passarem em sala de aula e debaterem com os alunos. A trama concilia dois tabus, e se passa numa escola, com jovens do ensino médio: a diversidade sexual e deficiência visual.

O filme do diretor e roteirista Daniel Ribeiro é impecável, delicado e sutil. Eu não quero voltar sozinho é muito bem executado em todos os sentidos, e não é por outro motivo que o curta passou vitorioso por diversos festivas.

No Acre, o filme foi passado para uma turma de alunos, no ano passado. Alguns jovens pensaram se tratar do tal kit-homofobia e procuraram os líderes religiosos do local, que por sua vez foram até os políticos protestar. Acabou que o filme foi retirado do programa e o Cine Educação foi vetado no Acre.

Fora a notícia velha, e a velha mania do poder religioso se intrometer nas diversas instâncias do Estado laico, na internet o belo Eu não quero voltar sozinho continua cumprindo seu papel como arte e como quebra de paradigmas.


06/2011 - Carta aberta dos realizadores de Eu não quero voltar sozinho
Queridos amigos e colegas,

No início da semana recebemos a notícia de que a exibição do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, como parte do programa Cine Educação, havia sido censurada no Acre.

O programa Cine Educação, uma parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, tem como objetivo "a formação do cidadão a partir da utilização do cinema no processo pedagógico interdisciplinar" e disponibiliza diversos filmes cujos temas englobem os direitos humanos, de modo que professores escolham quais são mais adequados para serem trabalhados em aula.

Na semana passada, no estado do Acre, uma professora escolheu o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho e exibiu-o para seus alunos. Para aqueles que não conhecem, a trama narra a história de Leonardo, um adolescente cego que, ao longo do filme, vai se descobrindo apaixonado por um novo colega de sala.

Alunos presentes na exibição confundiram o curta metragem com o "kit anti-homofobia" e levaram a questão aos líderes religiosos, que mobilizaram políticos da região com o intuíto de proibir o projeto Cine Educação como um todo. Nenhum desses representantes públicos deu-se ao trabalho de ir atrás da verdade e descobrir que se tratava de um programa pedagógico com o intuito de levar o debate sobre direitos humanos para a sala de aula. Mais uma vez no Brasil, a educação perde a batalha contra o poder assustador das bancadas religiosas e conservadoras.

Neste momento, o programa Cine Educação está paralisado. Enquanto isso, os secretários de Educação e de Direitos Humanos do Acre estão articulando com o governador a possibilidade de garantir sua continuidade, enquanto os líderes evangélicos forçam o cancelamento definitivo do programa. Pelo que sabemos, mesmo que o programa seja reativado, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho será excluído do catálogo e não mais ficará disponível para que professores o utilizem no debate de questões que envolvem algo tão elementar quanto a sexualidade humana e tão importante quanto a deficiência visual. 

De forma arbitrária, em uma república federativa cuja Constituição atesta um Estado laico, a sociedade está sendo privada de promover debates. Como pretendemos que adolescentes consigam respeitar a diversidade e formem-se cidadãos lúcidos, pensantes e ativos se informação, arte e cultura (sem qualquer caráter doutrinário) lhes são negadas?

Eu Não Quero Voltar Sozinho não é um filme proselitista, tampouco ergue bandeiras de nenhuma natureza. É apenas uma obra de ficção amplamente premiada em festivais de cinema no Brasil e no exterior, cujos predicados artísticos e humanos transcendem qualquer crença. Ademais, se assuntos referentes à orientação sexual dos indivíduos e seus respectivos direitos civis estão na pauta do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, por que não debatê-los em sala de aula? Que combate sombrio é esse, que reacende a memória de um obscurantismo Inquisidor?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Preguiça de questionar o mundo

No curso de jornalismo, cadeira Mídia e Cultura, o que se discute são as representações que a grande mídia faz dos vários rostos de uma sociedade plural como a brasileira e latino-americana. Se discute qual o poder de influência da mídia e qual, portanto, é a origem dessas representações culturais, qual a o significado daquilo que consumimos como entretenimento e informação.
Se discute. Ponto. Mas nem sempre se pensa
Noto uma preguiça de pensar diferente. Uma incapacidade de se indignar com aquilo que não é bom, não é certo, é preconceituoso, é malicioso. Me bate um desgosto de saber que esses são fundamentalmente alunos da comunicação social. E das duas uma: ou eles estão muito satisfeitos com o tipo de mercado que a comunicação e o jornalismo - principalmente - estão submetidos e querem, de verdade, ingressar nessa fábrica de entretenimento em massa; ou acontece ali uma preguiça intelectual que lhes impede, de fato, que percebam o tanto de conteúdo equivocado, de péssima intenção, que circula todos os dias nos grandes meios de comunicação.
É preciso entender que informação é poder. E mais poderoso que aquele que é bem informado, é aquele que tem a possibilidade de escolher o que é notícia. Por isso é fundamental o questionamento, a reflexão, um olhar crítico. Ainda mais dentro de uma faculdade, o espaço ideal para que se discuta quaisquer assunto de interesse social, empírica e cientificamente   
Como muitos acham, não é exagero nenhum da parte dos movimentos negros que reivindiquem um maior espaço de representação na mídia tradicional, ou que defendam as cotas para o ingresso no ensino superior. Não é exagero do movimento LGBT que exija o uso correto de termos como transsexual, homossexual e bissexual em reportagens ou em produções de ficção. Afinal de contas a informação correta e a presença corriqueira desses grupos significativos da sociedade ajuda a diminuir o preconceito que infelizmente ainda sofrem.
Comunicação democrática é aquela em que todos tenham as mesmas possibilidades de comunicar. Diferente desta selva sem lei que é o mercado da informação e do entretenimento. Selva que dá a muitos jornalistas o sentimento de estar acima da lei, e que faz que uma revista como a Veja seja a mais vendida do Brasil. 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os Bolsonaros

Por Alves Rodrigues
Ainda repercutem as declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) no programinha de humor (duvidoso) da Band, CQC. Bolsonaro é uma figura triste. Um homem racista, elitista, homofóbico, reacionário. Um homem centenas de anos atrás de seu próprio tempo. Um ser patético, que depois de ter dito o que disse, ainda declara se achar no direito de ter dito tais absurdos.
Para Bolsonaro, um saudoso dos tempos de Geisel e Médici, o amor inter-racial é promiscuidade, fruto de má educação ou influência de um meio carente de "bons princípios".
Uma pena que o povo brasileiro ainda seja capaz de eleger pessoas assim. Mas muito mais lamentável ainda é que haja tantos indivíduos dispostos a "entendê-lo" e atuando na mídia oficial brasileira – tão contaminada pela ideologia reacionária da direita elitista. A começar pelo próprio líder do humorístico(?) da Band, Marcelo Tass,o Pequenino Príncipe, que parece não ter nada na cabeça, nem por dentro, nem por fora.
É triste e enojante já ter ouvido tantas argumentações esdrúxulas em favor do desprezível deputado carioca. Coisas como:
- Vivemos numa democracia. Todos têm o direito à livre expressão.
- Foi com esse pensamento que ele foi eleito, temos que respeitar.
- Bolsonaro é um homem sincero e honesto (honesto?). Muitos pensam como ele, apenas não têm coragem de declarar.
Lamentável. Manifestações de racismo são prática criminosa. Desde quando externar pensamentos criminosos é exercício do livre direito de expressão?
No fundo, não dá para estranhar o comportamento destes senhores da mídia, afinal, todos eles foram tão ágeis em comprar – e ajudar a vender – a ideia de que o regime de cotas nas Universidade Federais era o reconhecimento oficial do racismo no Brasil. Tudo bem, até concordo com isso. Era mesmo o reconhecimento oficial do racismo. Reconhecimento, aliás, bastante tardio e necessário. A ressaltar, porém, que das tantas práticas racistas existentes neste país predominantemente mestiço, a única em que os negros e mestiços eram beneficiados era exatamente o regime de cotas. Pois foi esta, exatamente esta, a que incomodou tanto aos nossos senhores – brancos e "democratas" – da mídia oficial do Brasil.
O Brasil está repleto de outros Bolsonaros, seres (des)humanos impregnados do sentimento de Pátria ensinado pelos ditadores de outras décadas, a Pátria amada, Brasil. O Brasil "limpo", livre dos comunistas subversivos, onde os negros sabem o seu lugar e os homossexuais simplesmente não existem. E, tristemente, a mãe gentil está repleta, também, de jornalistas isentos e livres de qualquer ideologia – pois ideologia, para eles, é coisa que só a esquerda tem –, todos eles dispostos a "compreender" tão absurdas declarações, todos eles dispostos a usar os mais estapafúrdios argumentos para tentar justificar as injustificáveis palavras do deputado criminoso.
Gente assim, com a ajuda de jornalistas assim, ainda pode acabar se elegendo no futuro. Cabe a nós cuidar para que isso não aconteça.

*Alves Rodrigues mantém o blog Somos Todos Torcedores e o twitter @lvesrodrigues

*As opiniões sobre o programa CQC, da Bandeirantes, e seu apresentador, Marcelo Tas, não são compartilhadas pelo editor deste blog.

*Quarta, 13, Jair Bolsonaro entregou sua defesa nas representações que pedem sua investigação por quebra de decoro parlamentar na Corregedoria da Câmara. O pepista é acusado de racismo e homofobia por conta de suas declarações. Bolsonaro disse, porém, que está sendo perseguido pelo “fascismo das minorias”. (Informações do Sul 21)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

#homofobianao

A tag #homofobianao alcançou o topo dos treding topics Brasil, no noite desta quarta, no Twitter. Importante, legal, positivo! Que esse tipo de atitude consiga sair do twitter e aparecer de forma mais consistente na sociedade.
No post Jovens conservadores: alguma coisa está foa do lugar, a jornalista Cris Rodrigues, do blog Somos Andando, aborta muitíssimo bem o assunto, e de forma abrangente. Inclusive trás um pedaço do filme Porque a  Bíblia me diz assim. O documentário é muito pertinente. Reproduzo aqui o tal trecho: