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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A falta de continuidade que atrapalha a dupla Gre-Nal

Sem dúvida nenhuma, dos últimos presidentes do Internacional, Giovanni Luigi é o mais contestado pela torcida. Seu mandato começou em 2011. Celso Roth era o técnico, recém havia renovado o contrato. O Inter vinha do Mundial de Clubes de 2010, ainda sob a presidência de Vitório Piffero. Em poucos meses, Luigi demitiu Roth. Veio Falcão, e o ídolo colorado ficou mais três meses e também foi pra rua. Depois de alguns jogos com Osmar Loss de interino, chega então Dorival Junior. Este último consegue transpassar 2011 e vai até boa parte de 2012, quando é demitido para que Fernandão assuma o comando técnico da equipe. E o Capitão da América em 2006 foi outro que não conseguiu ter sequência. Em 2013, início do segundo mandato de Luigi, Dunga começa um trabalho promissor. Uma série de fatores e resultados ruins também resultaram na queda do Capitão do Tetra. É então que o Colorado termina o ano com Clemer sendo o treinador.

Giovanne Luigi se encaminha para seu quarto e derradeiro ano de presidência. Foram, até agora, sete treinadores. Basicamente, o Inter troca o comandante a cada seis meses. É muita coisa. Se formos contabilizar o número de dirigentes que passaram pelo departamento de futebol, também é uma enormidade. Nesta terça o Luis César Souto de Moura, então diretor de futebol, anunciou sua saída. Ou seja, no Beira-Rio, em 2014, o Inter segue com o mesmo presidente mas novamente terá um departamento de futebol e uma comissão técnica iniciando um trabalho.

Não há planejamento que resita. Os jogadores não sentem a mínima confiança na direção e a certa altura já não respeitam mais aqueles a quem deveriam ser subordinados. E isto vem acontecendo muito claramente dentro do vestiário colorado nas últimas temporadas.

No Grêmio, com todo respeito ao Fábio Koff - o maior dirigente da história do Grêmio, cartola dos mais importantes e de grande influência política no futebol sul-americano -, as informações deste resto de ano dão conta que não são boas as chances de renovação com Renato Portaluppi. A não ser que o treinador peça um absurdo impagável de salário para o próximo ano, a troca do comando técnico do Grêmio é um equívoco para 2014.

Renato já conhece o grupo, tem a simpatia dos jogadores e fez uma campanha que o credencia a ter o respaldo da direção gremista. 

Se a decisão for realmente mudar de treinador, Koff inicia seu segundo ano de mandato com o terceiro técnico. É muita mudança! Se há o mérito na manutenção do diretor executivo Rui Costa e do Assessor de Futebol Marcos Chitolina, o Grêmio tem tudo para começar um ano promissor mantendo a comissão técnica e fazendo contratações pontuais num grupo que é vice-campeão brasileiro.

É preciso ter convicção.

sábado, 7 de dezembro de 2013

O constrangimento colorado e a desconfiança gremista

O Internacional não vai ser rebaixado. Passaria por uma conta e uma combinação de resultados muito improváveis. Contudo, já é de enorme constrangimento para o colorado chegar na última rodada com uma possibilidade matemática de cair para a série B do Campeonato Brasileiro. Não sou daqueles  que acham que o Inter passa a máquina nesse domingo, lava a alma sobre a Ponte Preta. Esperamos algo parecido há três ou quatro rodadas, e nada acontece, nada de o Inter finalmente pontuar o suficiente para se livrar do fantasma da segunda divisão. Duvido que desencante diante da Macaca, mesmo sendo o time de Campinas uma equipe de baixíssimo nível.

O fato é que o Inter decepcionou. Teve uma administração equivocada do futebol, e uma gestão de vestiário, ao que tudo indica, mais uma vez ineficiente. O fator Beira-Rio tem muito peso, é verdade. Seria realmente muito difícil conquistar algo grande sem o grande templo colorado, mas o Internacional tinha condições de fazer melhor temporada, podendo ser um dos cinco ou seis melhores times do BR-13.

Já o Grêmio tem boas chances de ser o segundo colocado do Brasileirão. Basta empatar com a Portuguesa e o time de Renato Portaluppi consolida a posição de vice-campeão nacional. Algo simbólico, não para ser comemorado como título, mas para ser exaltado como campanha. Campanha pior apenas que a do Cruzeiro e melhor que outras 18 equipes, tendo como prêmio uma boa bonificação financeira e uma vaga direta na Libertadores. Mesmo que essa condição ainda precise ser confirmada na última rodada, é uma condição privilegiada.

De alguma forma, é infundada muito da desconfiança que se tem com a equipe gremista há alguns meses. É hora do torcedor esquecer algumas declarações equivocadas de Renato, é o momento de compreender e perdoar alguns problemas de rendimento ao longo da competição. É a oportunidade correta em que a direção tem de respaldar seu profissional, apostar na continuidade da comissão técnica e do grupo de jogadores. Não é hora de contratar novo técnico, muito menos um time novo. O Grêmio, há uma década, precisa de manutenção, respaldo e planejamento. O atual elenco é razoavelmente bom, necessitando ser reforçado de forma pontual, em três ou quatro posições para titularidade e mais três ou quatro reforços para grupo. 

domingo, 10 de novembro de 2013

Seis jogos sem marcar. Tem explicação?

Tem explicação. Não é exata, afinal se trata de futebol. Mas vai muito além da falta de sorte protestada por Renato, após a derrota de 3 a 0 para o Cruzeiro, em pleno Mineirão lotado. Primeiro o jogo: o Grêmio não jogou para levar três. No retorno do 3-5-2, o time de Renato Portaluppi defendeu-se bem até meados da segunda etapa, concedeu poucos espaços ao bom time de Marcelo Oliveira, que sendo o bom time que é, virtual campeão brasileiro, aproveitou cirurgicamente o que teve de oportunidade. Na frente, o Grêmio teve um Kléber e um Barcos mai próximos, tentandodo ser uma dupla de fato. Contudo, os atacantes gremistas voltaram a falhar nas finalizações. 

Dentre as milhares de variáveis dentro de uma partida de futebol, destaco sempre três fatores como os mais importantes para definir se uma equipe vence ou não um jogo. Quase que inventarialmente são eles: posse de bola, intensidade e ocupação de espaço. No Mineirão, o Cruzeiro teve 64% da posse da bola (Footstats), teve equilíbrio quando imprimiu intensidade para abrir o placar na primeira etapa e depois quando usou essa intensidade para marcar o Grêmio na segunda etapa e chegar ao segundo gol apenas aos 33 do segundo tempo, matando o time gaúcho animicamente e liquidando a partida aos 40 minutos, com a marcação do terceiro gol. Em contrapartida, o Grêmio não teve essa intensidade nem quando resolveu atacar, nem mesmo quando queria marcar o adversário, fundamentalmente a partir da metade do segundo tempo.

Ramon Bittencourt / Lancepress!

Porém, o que essa equipe do Grêmio mais carece no atual momento é de ocupação de espaço. Apesar dos três gols dese domingo, tem ocupado razoavelmente bem os espaços defensivamente. É na transição da defesa para o ataque que a equipe tem falhado feio nos últimos jogos. Dificilmente alguém diferente dos atacantes gremistas perdem gols. Falhas individuais? Certamente. Questão de fase ruim e incompetência: a bola não está entrando. Mas há uma falha coletiva, pois uma equipe é formada de 11 jogadores, e precisa que aconteça um certo rodízio nas micro-regiões do campo. Um exemplo básico é como joga o Barcos, saindo bastante da área. 

Não é difícil ver a área de ataque gremista desabitada. Se o Barcos está fora dela, cumprindo uma função tática muitas vezes determinada por seu treinador, é preciso que alguém, no mínimo, ocupe aquele espaço vazio. Seja um volante, um ala ou um segundo atacante. Isso é ocupação de espaço, compensação tática. É um quesito em que o Grêmio parece ter regredido nos últimos meses.

Portanto, não é só culpa da sorte, do Barcos, do Kléber, do Vargas e do Mamute. É um conjunto de situações, e só pode ser corrigido pelo Renato Portaluppi. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Grêmio: nem tanto ao céu, nem tanto a terra

É difícil ser sensato em um momento de eliminação, como o do Grêmio. Ainda mais quando essa eliminação está inserida em um contexto de uma sequência ruim de resultados, como é o caso do Grêmio. Contudo, é necessário ser equilibrado Ao contrário do muito que li, assisti e ouvi, o trabalho realizado por Renato Portaluppi, tal qual seu grupo jogadores, não são ruins. Não eram à época da vice-liderança, cerca de dois meses atrás. Não passam a ser agora.

Da mesma forma, o trabalho e o grupo de jogadores não são intocáveis, como prega a cada entrevista coletiva o treinador gremista. Obviamente há acidentes de percurso na caminhada tricolor nesses últimos meses de comando de Renato. Acidentes que são resultado de equívocos das mais variadas vertentes. A maior parte deles oriundo das decisões do comando técnico.

A escalação de Zé Roberto é um equívoco  não porque não deu certo efetivamente, mas sim pelo fato de ser um jogador que não vinha sendo utilizado. Estava desentrosado, sem ritmo de jogo e fora do contexto de equipe que o Grêmio adquiriu ao logo do trabalho. Mais coerente seria Elano. Mais correto seria Vargas. Mais lógico seria Elano e Zé acionados com mais frequência nos últimos quatro meses, não como titulares necessariamente, mas como opções valiosas certamente.

Lucas Uebel / Grêmio FPA

O primeiro tempo do jogo contra o Atlético-PR, na Arena, foi ruim. O Grêmio foi medroso, atacou pensando em não levar gol quando deveria pensar muito mais em fazê-lo. O Furacão foi inteligente, se fechou e aproveitou da evidente dificuldade gremista em converter as escassas oportunidades que cria.

Na segunda etapa, a necessidade fez do Grêmio um time mais impetuoso, sem medo de passar a bola pra frente, evitando o passe de lado. A fase não ajuda. O Grêmio correu mais que o adversário, criou muito mais e, de novo, foi infeliz na conclusão. Mesmo apressado e eliminado, foi um segundo tempo de razoável apresentação. Se faltou a sorte na hora do gol, sobrou competência ao goleiro Weverton - na mesma medida em que o tricolor foi incompetente nas jogadas de bola parada.

Prefiro o Renato da convicção do 3-5-2 e do 4-3-3 ao Renato que cede à pressão por Zé Roberto. Todos nós preferíamos um Renato menos arrogante em todas as situações, mais claro e menos repetitivo em suas entrevistas. Também prefiro que o treinador continue seu bom trabalho por mais de quatro meses. Que siga com o Grêmio de G4 por mais de meio campeonato, com uma equipe que segue com boas chances de ser vice-campeã. Que tem seus problemas, mas que também já teve - e segue tendo - boas e surpreendentes soluções.

Não está tudo certo no Grêmio. Mas, no futebol, por algumas poucas coisas erradas se perde um campeonato. Em reta final de temporada, com o Grêmio ainda muito vivo no objetivo de conquistar o direito a disputar a Libertadores de 2014, tudo o que o tricolor não precisa é de um clima de crise ou terra arrasada. Da direção para a comissão técnica, precisa sobrar respaldo e convicção. O mesmo vale da comissão técnica para os jogadores.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A culpa não foi de Elano e Zé Roberto

Fernando Gomes / Agência RBS
O Grêmio perdeu nesta última quarta-feira para o fraco Criciúma, dentro da Arena. Curiosamente, no retorno de Elano e Zé Roberto ao time titular. Se antes, os dois passaram a ser descartáveis para o técnico Renato Portaluppi, agora, do dia pra noite, passam a ser também para crônica e torcida. Os dois principais jogadores do Grêmio em 2012. O Zé Roberto, de um primeiro semestre inclusive cotado para Seleção Brasileira. Os dois, após uma derrota, jogadores ultrapassados.

Ora, eles não tem culpa na derrota de ontem? Claro, a mesma culpa de Renato Portaluppi e dos outros nove jogadores em campo. 

No futebol, uma variável infinita de fatores determina se uma equipe vai ganhar, perder ou empatar. Pior que a dupla Elano e Zé, contra o Criciúma, foi o técnico Renato. Mais letal que o próprio Criciúma, foi o próprio acaso a que qualquer equipe está sujeita em uma partida de 90 minutos. A história do jogo seria outra se o camisa 10 do Grêmio encobre o Gallato - como fez, depois de lançamento preciso de Elano - e coloca mais meia fração de força na bola chutada. Mais tarde, ainda zero a zero, se o juiz tivesse marcado pênalti sobre o mesmo Zé Roberto que perdera um gol imperdível minutos antes. O Grêmio fez bom primeiro tempo. Não fez o gol, e deu o azar (e teve sim a incompetência) de levar gol do 18° colocado do BR-13. O que não invalida a bela companha que vem fazendo a equipe de Renato Portaluppi nesse campeonato.

O técnico gremista cometeu dois grandes erros. O primeiro deles foi não ser político. Não sendo Zé Roberto e Elano titulares, precisam eles serem boas opções de banco. Precisam ser utilizados, ganhar ritmo, sentirem-se úteis e se habituarem a maneira de jogar que levou o Grêmio à vice-liderança. Renato tinha que ser político, e não utilizá-los apenas quando não há outra alternativa. É complicado depender de quem você não está prestigiando.

O outro erro foi a mudança abrupta de postura. A equipe vinha atando no 3-5-2 ou no 4-3-3. Em ambos os esquemas a estratégia era exatamente a mesma: defender, marcar intensamente no campo do adversário e aproveitar as poucas oportunidade criadas. Contra o Criciúma, não tendo Riveros, Ramiro e Kléber, jogadores fundamentais na maneira de jogar do Grêmio vice-líder, Portaluppi colocou ao lado de Souza um volante marcador para proteger os então dois zagueiros e na frente escalou uma linha de três meias muito técnicos e pouco marcadores.

Por característica, o Grêmio de ontem precisava ser o mandante de fato do jogo, valorizar a posse da bola e abrir espaço com paciência e inteligência. Apesar do bom primeiro tempo, faltou intensidade, paciência e tranquilidade para fazer aquilo que desde janeiro Luxemburgo tentou fazer no Grêmio em 2013: ser um time técnico e cadenciado. O Grêmio de Renato não vem sendo assim, e ontem, quando fugiu disso, teve muitas dificuldades. Principalmente em um segundo tempo que precisava buscar o resultado. Não deu certo.

O BR-13 segue e o Grêmio segue, sem muito se abalar por uma derrota circunstancial. Muito pior seria ter perdido para o Botafogo, por exemplo, concorrente direto na tabela. O que é possível lamentar, talvez, é que jogadores da qualidade de Elano e Zé Roberto percam espaço por um erro de avaliação da comissão técnica e por conta de uma derrota em casa completamente pontual e isolada.

Não esqueçamos que o Grêmio ainda é vice-líder. 

domingo, 29 de setembro de 2013

Inter e Grêmio em caminhos opostos

São Paulo 0 x 1 Grêmio
O time de Renato Portaluppi repetiu com 3 atacantes a mesma eficiência tática e entrega do esquema com 3 zagueiros. Se a disposição tática é diferente, a estratégia é a mesma: marcar o máximo e errar o mínimo no momento de finalizar. Contra o Corinthians, pela Copa do Brasil, eficiência zero e placar em branco. Neste domingo, diante do São Paulo, no Morumbi, o Grêmio aproveitou, com Vargas, umas das raríssimas situações de gol que criou. Estrategicamente, perfeito. Contudo, há ressalvas.

Marcelo Pereira / Terra
O bom time do São Paulo - apesar da posição na tabela - conseguiu envolver o Grêmio. Isso porque teve três meias ofensivos que exigiram a atenção dos três volantes gremistas e como homem surpresa a boa partida do volante Wellington, que sobrava quando invariavelmente não era marcado. Não à toa o time de Renato teve em Dida a grande figura da partida. O goleiro foi responsável por três defesas decisivas, que brecaram o time do técnico Muricy Ramalho.

A filosofia de futebol adotada pelo Grêmio ainda carece de estágios de evolução. Se é quase impossível reclamar da análise fria dos números, afinal de contas o Tricolor é vice-líder do BR-13 e Renato pela primeira vez fala em disputar o título, trazendo a análise para o campo de jogo, é quase displicente a maneira como o Grêmio erra passe na transição de bola no meio de campo. Isso quando há uma transição, e não apenas chutões buscando o combate de Kléber e Barcos com os marcadores, e torcendo por uma segunda bola conquistada por Vargas.

Para um time que busca jogar no contra-ataque, é preciso contra-atacar muito melhor. Contudo, a convicção de Renato em uma maneira de jogar é um passo rumo a evolução e a consolidação de uma equipe.

Inter 1 x 2 Cruzeiro
Perder para o melhor time da competição não é motivo de desespero. Ainda mais para um Inter que não é essencialmente confiável em 2013. Foi quase um mais do mesmo. Só não foi porque há na cabeça do técnico Dunga um principio de mudança. Primeiro, a colocação de Forlán e Damião no banco de reservas. Segundo, a ideia de um time com mais vitalidade e velocidade.
Fernando Gomes / Agência RBS
Assim, como no segundo tempo de Inter 1 x 1 Atlético-PR, o Colorado entrou em campo contra o líder ostentando uma equipe mais leve, com uma maneira de jogar similar a do Cruzeiro: usando o 4-2-3-1. Dessa forma, Caio era o "um" do ataque. Atrás dele, Alan Patrick mais centralizado, Otávio pela direita e Jorge Henrique pela esquerda. Todos fazendo um bom primeiro tempo.

O problema é que o bom não tem sido suficiente para o Inter. De moral completamente esfacelada, o time de Dunga não se dá o direito de errar. Erros com facilidade colocam a torcida contra a equipe e tiram dos jogadores a tranquilidade de uma finalização decisiva ou de um passe comum no meio-campo. Do outro lado uma equipe na sua plena forma física e tática, que evidentemente soube aproveitar o momento negativo do Inter e jogar no erro do colorado.

O Inter sentiu muito o gol no início do segundo tempo, mais do que deveria. Não se achou mais no jogo. Mas se Dunga procurar, pode achar no primeiro tempo uma nova ideia de time, que dê mais vitalidade a uma equipe que precisa correr mais e se preocupar menos com a pressão que vem de fora. O BR-13 ainda apresenta situações que podem levar o Inter ao G-4.

domingo, 25 de agosto de 2013

A vitória da convicção

Da derrota para o Santos, na última quarta-feira, pela Copa do Brasil, não ficou apenas o resultado negativo e a desvantagem para o jogo de volta. Ficou a boa postura tática. Renato entendeu que aquela havia sido a melhor apresentação do Grêmio no 3-5-2 e compreendeu que esquema bom não é o que ganha, mas sim o que dá consistência, ocupação de espaço e perspectiva de crescimento. Por isso manteve os três zagueiros, os cinco meio-campistas e os dois atacantes. Exatamente os mesmos 11, postados da mesma maneira. E com um pouco mais de aplicação e efetividade, venceram o Flamengo, fora de casa, chegando a quatro vitórias consecutivas no BR-13.


Se o Flamengo está mal colocado na competição, se teve o desfalque importante de Elias, se jogou sem o apoio massivo de sua imensa torcida, se pensa mais na Copa do Brasil, nada disse interessa ao Grêmio. O fraco time carioca, mesmo no 4-3-3 armado por Mano Menezes, conseguiu deixar Marcelo Moreno solitário na frente.

O Grêmio marcou bem. Acima de tudo marcou, pois esta é a característica da equipe de Renato Portaluppi. A marcação começa com Kléber e Barcos e intensifica-se quando o adversário chega na linha do meio-campo, com Alex Telles, Riveros, Ramiro e Pará dando o combate, Souza posicionado alguns metros atrás, na sobra, e os três zagueiros ligados, rebatendo o que passar pela forte marcação dos cinco meio-campistas.

Assim, marcando forte, o adversário erra e é nesse erro que o tricolor tem ganhado seus jogos. Se as situações de gols foram poucas, as do Flamengo quase inexistiram. O Grêmio foi efetivo como não foi contra o Santos. Mas ainda pode ser mais, se defender e ganhar com mais tranquilidade, como havia se desenhado no primeiro tempo da importante vitória de 1 a 0 sobre o Flamengo.

O Grêmio vence e passa, aos poucos, a convencer. Coisa que, sinceramente, já não esperava dessa equipe em 2013.

MIL POSTAGENS!
Não é fácil manter um blog, ainda mais quando ele passa a ser a terceira ou quarta atividade do dia. Claro que gostaria de atualizar com muito mais frequência o PoA Geral, mas tenho conseguido, em média, postar três ou quatro textos por semana nos últimos anos. E dessa forma, muito feliz, chego ao número expressivo de mil postagens.

Obrigado a todos que leem, ajudam e já ajudaram. Rumo aos dois mil textos!  

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Grêmio não aproveitou o erro do adversário

Miguel Schincariol / Estadão Conteúdo
Essa derrota para o Santos, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, está longe de ser definitiva. O Grêmio segue vivo e favorito a passar de fase. Portaluppi não tem uma equipe pronta, ainda está em formação, porém está um estágio acima da equipe em transição de Claudnei Oliveira. Portanto, mesmo com a vantagem mínima conquistada, não enxergo o Peixe com grande possibilidade de classificar-se dentro da Arena, na próxima semana.

Ironicamente foi a melhor apresentação do 3-5-2 de Renato. Uma proposta muita mais clara em campo, bem definida, com o jogadores conscientes das funções que precisavam exercer. O esquema, que foi de necessidade a convicção após o Gre-Nal, parecia ter entrado em seu estágio de maturação. O Tricolor fazia bom jogo até levar o gol aos 36 do segundo tempo, porém cometeu o erro de não ser letal.

Nas últimas partidas o Grêmio se defendia, se protegia, corria riscos mínimos e especulava no erro do adversário. Pouca coisa diferente disso aconteceu nessa quarta, na Vila Belmiro. Em alguns momentos a equipe de Renato até teve a posse de bola e propôs o jogo. Vive um momento anímico mais tranquilo que a jovem equipe santista, e disso o Grêmio poderia tirar mais proveito.

Diferente dos últimos três jogos em que marcou 9 gols, desta vez o Tricolor desperdiçou. O Santos errou como o Renato queria. Claudnei escondeu Montillo grande parte do jogo, tentando que o argentino fosse um falso-nove, entre os zagueiros gremistas. Não deu muito certo. O que deu certo foi a movimentação do meia, que na segunda etapa foi recuado e, vindo de trás, construiu toda a jogada do gol santista. Momento raro.

O Grêmio teve o erro do adversário a seu favor. Barcos e Kléber fizeram boa partida, mas erraram gols que atacantes do nível de ambos não podem perder. E quem perde é o Grêmio, pagando o preço do desperdício, justamente na melhor partida do esquema que deu as três últimas vitórias ao time gaúcho. Entretanto - e posso queimar a língua -, em Porto Alegre, dá Grêmio. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Grêmio não tem identidade

Não é difícil diagnosticar o problema do Grêmio em 2013. O Tricolor é um time que não tem identidade. E quando falo isso não me refiro a uma identidade histórica, de garra, raça, entrega e outras tantas coisas muitas vezes protestadas pela torcida gremista. O Grêmio de hoje não tem, sequer, uma identidade recente, fator fundamental para o insucesso da equipe.

O Grêmio oscilou muito. Teve poucos momentos bons, alguns momentos razoáveis e outros momentos ruins. Essa oscilação passa invariavelmente pela falta de um filosofia de futebol bem aplicada. Luxemburgo tentou, mas acabou frustrado com seu 4-4-2 com meio em quadrado e um centroavante que saia da área para articular o jogo. O técnico tentou, em meio ano não conseguiu que a equipe funcionasse de forma confiável e foi demitido.

Agora é a vez de Renato Portaluppi. O novo treinador, em sete jogos, passa por problemas similares. Renato monta a equipe, traça uma estratégia e o time não a executa da melhor maneira. E não executa porque as ideias de Portaluppi estão se mostrando equivocadas e de pouca convicção. Nas poucas partidas que teve, não repetiu o time e variou muito de esquema.


O seu preferido 4-3-1-2 é carente de um meia-articulador. Elano não é esse jogador e tampouco vem conseguindo "quebrar um galho". Mais atrás, quando Zé Roberto é colocado na ponta esquerda da trinca de volantes, como volante apoiador, o corredor para que ele consiga ser um jogador útil e agudo no ataque fica muito longo, sacrificando demais um jogador de quase 40 anos. Para o vértice direito do losango, o Grêmio não tem um outro jogador que possa atacar e defender com a eficiência que a função exige. Desse forma o 4-4-2 com meio em losango - apesar de ter sido utilizado nas duas vitórias do Renato - não tem se mostrado a melhor opção visto o grupo de jogadores.

Quando o 3-5-2, surpreendentemente, tinha surgido como boa opção no Gre-Nal, o técnico gremista resolve não dar sequência e mudar novamente contra o Coritiba, utilizando três volantes fundamentalmente marcadores - Adriano, Souza e Riveros.

O Grêmio levou um gol cedo, e obviamente teve imensas dificuldades de buscar o resultado contra uma equipe organizada e com uma estratégia bem traçada na partida. O time de Renato foi só abafa, em um momento em que precisaria de experiência e calma.

Não é absurdo dizer, analisando a tabela, que o Grêmio não chega ao G4 do BR-13. É preciso calma e tempo para arrumar a casa. Renato pode sim fazer isso, mas é necessário que perceba algumas situações e oxigene o time titular, sacando algumas caras tarimbadas e as tornando opção. 

É hora de pensar em um time modesto e competitivo para, ao menos, passar de fase na Copa do Brasil e reconquistar a torcida.    

domingo, 4 de agosto de 2013

Equilíbrio marca primeiro Gre-Nal da Arena

O lance mais definitivo do Gre-Nal 397, o primeiro da história da nova Arena gremista, foi construído aos 21 minutos do primeiro tempo, por Willians. O volante colorado disparou pelo flanco direito, venceu dois ou três marcadores e cruzou para Leandro Damião, de pé esquerdo, marcar seu sexto gol em clássico. Cerca de 5 minutos atrás o mesmo Willians derruba Kléber na área, cometendo assim o pênalti que oportuniza a Barcos converter e abrir o placar do jogo. Mas o gol de Damião foi mais decisivo para o jogo, justamente por ter representado uma rápida resposta a um Grêmio que até então era melhor em campo, porém não teve tempo para crescer a tomar conta do clássico a partir do gol marcado.


Caso o empate colorado não tivesse ocorrido de forma tão rápida, pelo cenário inicial de jogo, entendo que o Grêmio conseguiria administrar o resultado e, talvez, ampliá-lo. O surpreendente 3-5-2 de Rento Portaluppi deu certo. Alex Telles e Pará conseguiram segurar os laterais colorados, fazendo com que a saída de bola do adversário fosse prejudicada. Os dois alas gremistas chegaram à linha de fundo algumas vezes e inverteram bolas de um lado a outro, algo fundamental para abrir a defesa do Inter.

O Grêmio também contou com boas atuações individuais, contudo ainda peca no momento da articulação mais decisiva. Devido a forte marcação proposta por Renato, a maior parte do tempo no campo do Inter, o Tricolor roubou algumas bolas importantes, mas não soube dar prosseguimento.

Do lado colorado, Dunga não conseguiu avançar sua equipe e se desvencilhar do esquema gremista. O treinador tinha peças para isso, e tinha em seus 11 iniciais. Assim como Adriano marcava individualmente D'Alessandro, os três zagueiros gremistas tinham que receber marcação homem a homem dos três, em tese, atacantes colorados, terminando com a sobra feita por Rhodolfo e obrigando os alas Pará e Telles a recuarem para compor a linha defensiva. Por opção do treinador em deixar Forlán e Jorge Henrique mais recuados, e pela imposição física e tática do Grêmio, essa foi uma medida não utilizada pelo Inter. Acredito que era viável.

O time de Renato foi levemente melhor, mas é inegável o baixo nível técnico do Gre-Nal desse domingo e um equilíbrio que acabou prevalecendo. O resultado não é tão ruim para o Inter quanto é, em termos de tabela, para o Grêmio. A equipe colorada segue seu caminho no BR-13 sem muitas alterações, continua vislumbrando a liderança, ainda mais com os acréscimos de Alex o Scocco. Por outro lado o Grêmio, mesmo fazendo um bom jogo, continua desencontrado, sem passar confiança ou dar perspectiva do que realmente é seu papel no campeonato.

Após o jogo a tônica acabou sendo discurso da ambos os clubes contra a arbitragem de Fabrício Neves Corrêa. Algo que, sinceramente, é exagerado por parte de Grêmio e Internacional. Os mesmos equívocos, dentro de um jogo normal, não causariam tanto barulho.

domingo, 21 de julho de 2013

Inter ganha; Grêmio perde

Inter 1 x 0 Flamengo

Não imaginava o Flamengo de Mano Menezes impondo tamanha dificuldade para o Colorado. Foi um bom jogo de futebol disputado na tarde fria de Caxias do Sul nesse domingo. Mano, parece, está acertando a mão, e o time carioca. Num 4-4-2, com duas linhas marcando e tentando atacar, tendo Carlos Eduardo mais à frente, caindo pela esquerda, e Marcelo Moreno bem, buscando segurar a zaga do Inter, o Flamengo fez uma boa partida fora de casa e quase arranca um empate importante para uma equipe que, por enquanto, não busca título na competição.

Marcelo Oliveira / Agência RBS
Importante mesmo é a vitória do Inter, mesmo com improvisações, como Fabrício no meio-campo e Forlán como centroavante. Ainda que improvisações, trazendo ao time de Dunga vitórias essenciais na véspera de receber reforços que qualificam e quantificam o grupo de jogadores.

Jorge Henrique mais uma vez se apresentou bem. Fabrício atuou de forma segura tanto no meio quanto na lateral, após a saída de um Kléber que parece jogar próximo daquilo que sabemos que joga na esquerda. D'Alessandro manteve a boa média, dessa vez sem gol. Contudo, o destaque maior é o zagueiro Juan, soberano na área colorada e letal ao 46 minutos do segundo tempo.

Criciúma 2 x 1 Grêmio

Era a chance do Grêmio se consolidar no pelotão de cima. Não faltou raça nem determinação ao tricolor gaúcho de 9 homens em campo. Faltou bola, e o pouco que era jogado após o empate gremista, aos 37 do segundo tempo, já com Biteco expuslo, era o suficiente para vencer o dominado time de Criciúma. Mas Vargas achou que estava na pré-escola, brigou como um menino de 6 anos e foi expulso. Com dois a menos, com a torcida contra, o gramado pesado da chuva que castigava Santa Catarina, fica praticamente impossível.

Era possível no início do jogo, se o losango de Renato não escondesse Elano em meio a dois volantes, se não exigisse de Zé Roberto uma espichada mais longa para chegar na área ou se por motivo de estratégia - ou de um aquecimento mal feito - o Grêmio não demorasse tanto para entender que era jogo para ele propor, assumir a responsabilidade de equipe grande e deixar o contra-ataque como uma opção ao time da casa e não a ele próprio, Grêmio.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quinta-feira de mudanças no Olímpico

Empatar dentro do Estádio Olímpico, contra um Avaí que é lanterna do campeonato, e da maneira como transcorreu o jogo, tendo Grêmio um jogador a mais por quase um tempo inteiro, é façanha das grandes. Um empate que veio nos últimos segundos de jogo, normalmente teria gostinho de vitória, mas dentro do contesto gremista é tão melancólico quanto perder de goleada. Melancólica que foi a atuação do trio de arbitragem, que errou para os dois lados, em mais de um lance decisivo.
Mesmo que Miralles, que entrou no segundo tempo, tenha estreado bem individualmente, faltou um algo a mais a um time que teve os retornos de pelo menos três jogadores que ainda não estão 100%. E o próprio Miraalles, que ainda não se encontra nas melhores condições, inclusive de entrosamento com o grupo.

Uma hora depois do final do jogo, falaram o diretor de futebol Antônio Vicente Martins e o técnico Renato. Após a entrevista coletiva dos dois, um contido, cansado, frustrado e convicto Presidente Paulo Odone. Disse o presidente que nenhuma decisão seria tomada antes das reuniões dessa quinta-feira. Disse, porém, como quem deixa claro que já tomou as decisões. Podemos todos nós que fizemos a leitura que fizemos das palavras do Odone estarmos totalmente enganados, mas ficou subentendido que o Grêmio trocará seu departamento de futebol e sua comissão técnica.
Caso seja isso mesmo, tem motivos Paulo Odone para mudar a ideia de futebol no Grêmio. A passagem de Portaluppi como treinador do Grêmio em 2010 foi espetacular. Ele achou o esquema, encaixou o time, fez com que os jogadores rendessem, foi campeão do 2° turno de BR-10 e conquistou uma vaga na Taça Libertadores. Por outro lado, o Grêmio de 2011 deu certo em campo pouquíssimas vezes. E, sem dúvida, Renato tem grande parcela de culpa no mal funcionamento da equipe nessa temporada. A grande parcela de culpa também carrega o departamento de futebol, é verdade. Reforços demoraram a chegar, alguns nem chegaram e outros que infelizmente aí estão, não deram certo. Não é exagero dizer que o primeiro semestre da atual gestão gremista é uma bagunça.
Contudo, nem a qualidade do grupo de jogadores nem a capacidade profissional de Renato Portaluppi condizem com a campanha do Grêmio em 2011. Se tira mais suco dessa laranja. E se, na base da conversa e da auto-crítica, o Grêmio decidir "mudar sem mudar", o pessoal no Olímpico vai ter de ter primeiramente a capacidade de lidar com uma pressão incrível, que vem da torcida, da imprensa e até mesmo de dentro do clube.
Perguntado se é difícil demitir um ídolo, Paulo Odone respondeu com a boca cheia, sem pestanejar, é difícil. Não tenha dúvida que vaiar um ídolo também é muito difícil. Ninguém quer, como também não se quer torcer para um time que não funciona e tem problemas. O que realmente vai acontecer com o Grêmio daqui pra frente? Quinta-feira.

domingo, 19 de junho de 2011

Sob chuva, Grêmio e Vasco empatam no Olímpico

O Grêmio fez um jogo correto táticamente. Renato voltou ao 4-3-1-2, único esquema que deu certo desde a sua chegada ao Tricolor. Pecou pelo excesso de erros de passes, isso em todos os setores do campo, mas principalmente na hora de finalizar as jogadas de ataque. A opção de Willian Magrão na vaga de Fernando para dar mais força ofensiva ao time, surtiu pouco efeito prático. E a zaga formada pelos jovens Saimon e Mário jogou mais do que a dupla dos experientes Rodolfo e Rafael Marques.
Diante de um Olímpico esvaziado e impaciente, muito por causa de uma derrota supervalorizada frente ao bom São Paulo no Morumbi, contra o Vasco o Grêmio alternou bons e maus momentos. No primeiro tempo, não fosse a grande atuação de Fernando Prass, que pegou um pênalti - de marcação muito discutível - certamente o Tricolor teria aberto o placar.
Pouco fez ofensivamente um Vasco que se mostrou organizado, que joga num esquema similar ao do Grêmio, com um losângo na meio-campo, tendo em Diego Souza a figura mais aguda do setor, e Felipe mais aberto à esquerda. Estes dois citados, as principais referências técnicas do time de Ricardo Gomes, não estavam em tarde inspirada. Foram substituídos na segunda etapa, e um dos jogadores que entrarou foi o jovem e muito bom meia Bernardo, que em uma das suas primeiras jogadas acertou um cruzamento quase chute a gol (ou ao contrário) e surpreendeu o goleiro Victor.
O Grêmio teve um Douglas muito participativo, que errou bastante é verdade, mas chamou o jogo e acertou bastante também, mas não teve companhia. Lúcio não fez bom jogo e foi substituído por um Escudeiro que jogou bem os minutos iniciais dos 45 que participou. Lá na frente, Lins e Viçosa fizeram péssima partida, e demostram a urgência com que o Grêmio espera Miralles, André Lima e Leandro.
Roberson entrou para finalizar da maneira que o Grêmio mais tem oferecido risco aos adversários, de cabeça, depois da cobrança de escanteio de Rochemback. O time de Renato poderia ter conseguido a virada no abafa final. Ou até mesmo se tivesse errado menos enquanto conseguiu controlar o Vasco.
Muito claro fica é que esse elenco jogo assim, no 4-4-2 com meio-campo em losango. Fica claro que na hora do aperto ainda falta farinha no saco, mas não era para faltar tanto quanto tem faltado.Renato que reze para contar logo com os reforços, caso contrário, não vai passar muito disso que a torcida viu e vaiou.
  

domingo, 5 de junho de 2011

Grêmio faz bom jogo e vence o Bahia

Parace que está voltando aos trilhos o time do Grêmio, depois daquele momento de intensa turbulência, de eliminação na Libertadores, de muitos desfalques e lesões, de perda do Campeonato Gaúcho, de três derrotas seguidas no Olímpico, de estreia com derrota em casa no BR-11 para o Corinthinas. O bom primeiro tempo contra o CAP, e a vitória de 1 a 0 na semana passada dão a sustentação para uma equipe que se mantém - a excessão de Victor, na Seleção, e Lúcio, no DM - e vence com autoridade o Bahia, dentro do Estádio Olímpico.
Vilson, Gabriel e Leandro estiveram à disposição de Renato mas ficaram no banco. Saimon, Mário Fernandes e Lins permaneceram no time. No lugar de Lúcio, Escudero. A estrutura do time foi a mesma, a preferida do treinador, o 4-4-2 com meio em losango. O Grêmio simplificou, pôs a bola no chão, chamou Rochemback e Douglas para o jogo e através de muitas triagulações e marcação meia-pressão, dominou a equipe de René Simões quase que a totalidade do tempo. O Tricolor Gaúcho abriu o placar cedo, dois de Viçosa, em duas jogadas de bola bem trabalhada pelo meio-campo, lembrando os bons momentos de 2010.
O Bahia é uma equipe montada por alguns bons refugos, como Lulinha, Jobson, Tite e Danny Morais. Faz um 4-2-2-2 feijão com arroz. Vive da iniciativa pessoal de Jobson e do bom lateral esquerdo Ávine, que deram trabalho à defesa gremista. Caso não sofra com lesões e desfalques em demasia, pode brigar por Sul Americana nesse BR-11.
No Grêmio, teve a estreia discreta de Marquinhos, que entrou nos 15 min finais do segundo tempo, para jogar na meia-esquerda, com Gabriel na meia-direita, com Leandro e Douglas no ataque. O garoto Leandro entrou no lugar de um Lins em tarde infeliz, que só acertou o passe para o segundo gol e deve ceder lugar ao jovem atacante já no próximo jogo.
O Grêmio já soma 6 pontos, duas vitórias e a manutenção de uma mesma equipe pode dar a moral e a segurança para esse grupo de jogadores. Moral e segurança que também precisa o técnico Renato para remontar a equipe de 2011 depois da chegada de bons reforços.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dupla Grenal decepciona na Libertadores

Para Grêmio e Inter a Libertadores acabou na última quarta, dia 5 de maio, a noite trágica do futebol brasileiro na competição continental. Fluminense e Cruzeiro subiram no mesmo salto, usaram da mesma arrogância e foram eliminados cometetendo erros similares, técnicos e táticos, estratégicos e de planejamento. Prejudicados, ressalva-se, por uma curta pré-temporada e por um calendário inchado pelos estaduais. Tem tudo isso, mas também quando se é campeão, exemplo recente do Inter em 2010, se tem igual. Coisas do futebol.
A decepção que causa o Grêmio é um contexto inteiro, um 2011 não mais que razoável, de uma ou duas boas partidas, um turno de estadual conquistado, é verdade, mas de um time que não ganhou padrão e de poucos nomes que se afirmaram como titulares. Não é absurda a eliminação para a boa equipe do Universidad Católica. Decepção pela derrota no Olímpico? Pode ser. Mas longe de ser igual decepção a derrota no Chile, com um Grêmio esfacelado, sem meio time titular, com uma equipe fraca em campo.
Uma sucessão de erros, que começam pela diretoria do clube, responsável pelo grupo de jogadores, passam por Renato Portaluppi e culminam nos jogadores, que são os menos culpados nisso tudo, entretanto são eles que vão a campo e tentam executar aquilo que lhes é pedido fora dele. Fosse um time mais qualificado, com a mesma calma - incomum - que teve o Grêmio grande parte do jogo contra a Católica, no Chile, talvez tivessem melhor sorte (melhor futebol, com certeza) os tricolores. Para fechar a Libertadores gremista com chave de "ouro", o gol de cabeça de Mirosevic, da maneira que o Grêmio mais tomou gol em 2011.
O que aconteceu com Inter é pontual. A decepção está exatamente no jogo de volta, noite de 5 de maio, Beira-Rio tomado, mais especificamente aos 7 minutos do segundo tempo, quando o centroavante Oliveira fazia, de cabeça, o segundo gol do Peñarol e garantia a classificação dos uruguaios à fase de quartas de final da Libertadores.
Toda a bola, e toda a calma de controlar a bola, que o Inter teve no bom primeiro tempo que jogou e venceu por 1 a 0, faltou no segundo tempo em que o Colorado despertou com o placar já adverso, 2 a 1 para o Peñarol, e precisando marcar duas vezes para pensar em classificação. O Inter não pensou, começando por Falcão que, se pensou, pensou errado. Sacou Oscar e Andrezinho, desmontou o 4-2-3-1 e tentou um 4-3-3 com D'Alessandro na direita, Damião no centro e Ricardo Goulart na esqurda. Oscar não precisava sair, Sobis talvez precisasse entrar mais cedo, mas não no lugar de Nei, tirando assim o ótimo Bolatti do meio-campo e o jogando para a lateral.
Faltou começar o segundo tempo mais ligado, como começou Oscar, fazendo gol no primeiro minuto de jogo, não como o Inter que tomou o empate aos 30 segundos de segunda etapa e a virada aos 7. Jogo jogado não era, mas o bom resultado de 1 a 1 em Montevidéu dava muita confiança aos colorados. Pelo time e pela história recente, confiança justificada. Pela camisa e pelo sangue uruguaio, confiança venenosa.
Falcão está começando o trabalho, assumiu o cargo num momento decisivo do semestre e é natural que eventualidade aconteçam. Mas a direção já pode pensar que alguns jogadores podem estar encerrando sua participação no Inter. Dá para trazer algumas peças. E dá para agradecer os serviços prestados ao clube, e liberar alguns profissionais a darem prosseguimento na carreira.
O Grêmio pode reunir todo mundo, sentar numa sala de reuniões e pensar o resto do ano do clube. Chegar a um acordo se Renato quer realmente ficar, dispensar alguns jogadores abaixo da média e, trazer cinco ou seis reforços. Só assim o Grêmio pode sonhar com Libertadores 2012.

sexta-feira, 18 de março de 2011

León e Grêmio fazem jogo ruim e não passam do 1 a 1

Difícil saber se era mais ruim o jogo ou a geração de imagens da tevê peruana. Léon e Grêmio fizeram um primeiro tempo frio, que só teve o gol achado do Carlos Elias, aos 43min. No segundo tempo, um jogo mais morno, que teve mais faltas, confusões e o gol do Carlos Alberto, o primeiro com a camisa do Grêmio. A tevê peruana não filmou nenhuma alteração, errou replays e perdeu o foco do jogo umas três vezes, filmando apenas o meio campo enquanto a bola andava de lado a lado.
O curiosidade da tarde era saber onde jogaria Carlos Alberto, se seria meia ou atacante, 4-5-1 ou 4-4-2. Renato optou pelo esquema que mais deu certo no seu Grêmio, 4-4-2 com meio-campo em losango. Dessa vez com Lúcio e Fernando como volantes/apoiadores pelos lados e C.Alberto junto à Borges, mais à frente. Mas faltou bastante coisa ao futebol do Grêmio no primeiro tempo, não fluiu, foi lento, esteve mal posicionado defensivamente, não contou com a subida dos laterais. Ninguém correu como vinha correndo. Nem Rochemback se destacou.
Do outro lado, um León se defendendo bem, dentro daquilo que o Grêmio (pouco) exigiu. Jogando no mesmo 4-4-2 que jogou em Porto Alegre, com duas linhas bem ortodoxas, a prioridade foi atacar pela direita, com o bom Orejuela, que fez uma festa pra cima do Gilson.
Não sei se o fato de os jogadores correrem pouco no primeiro tempo, a ponto de levar puxão de orelha do presidente Odone, tem a ver com as declarações de Renato Portaluppi quanto suas possibilidades de trocar o Grêmio pelo Fluminense. Um recado, talvez? Só sei que o Grêmio voltou melhor para o segundo tempo, já perdendo de 1 a 0 e, mais uma vez, já mexido. Pois ainda na primeira etapa, Renato sacou o volante Fernando, bem na Seleção e nas categorias de base, mas pouco eficiente no profissional do Grêmio até agora, e pôs o atacante Viçosa. Tentou manter o losango, recuando Carlos Alberto, mas não deu certo.
Deu certo que no segundo tempo o Grêmio voltou do intervalo com Viçosa posicionado à direita do ataque, Borges centralizado, Carlos Alberto na meia-esquerda, Douglas puxando da direita para o centro e Lúcio recuando para jogar ao lado de Rochemback, configurando o desenho de um quadrado no meio-campo tricolor. Com todo mundo correndo um pouco mais, Douglas e Carlos Alberto mais ligados no jogo, o Grêmio tomou conta no início e logo chegou ao empate, na jogada dos dois meias. Dava pra ter virado, não fosse a tarde pouca inspirada de Borges, que perdeu dois gols na cara do goleiro.
O técnico do León a certa altura modificou seu time, jogou seu melhor homem lá para esquerda e equilibrou as ações. Renato mexeu também, mas surtiu pouco efeito. Pouco fizeram Bruno Collaço e Clementino. Como pouco fizeram, aliás, todos os outros jogadores. Talvez quem tenha feito mais tenha sido Carlos Alberto mesmo, que jogou pouco a primeira etapa mas esbravejou muito e reclamou demais, e na segunda etapa fez gol e comemoração de Kidiaba. Mais uma pimenta para o próximo Geranal que, sem dúvida, vai pegar fogo.
Renato parece estar com muitas dúvidas na cabeça quanto ao time titular do Grêmio. Time que não pode ter Gilson e precisa ter proteção mais eficiente à Rafa Marques e Rodolfo. Time que dificilmente se verá no domingo, quando o Grêmio entra em campo pelo Gauchão, enfrenta o Porto Alegre no estádio Passo d'Areia e deve ter como principla atração do time misto o meia argentino Escudero.
  

sábado, 12 de março de 2011

Grêmio poupa titulares e é derrotado no Olímpico

Depois de ganhar o primeiro turno do Gauchão e garantir vaga na final, o Grêmio, no discurso, encara a Taça Farroupilha (2° turno) com mais relaxamento. Tanto que usou um time totalmente reserva para enfrentar o Cruzeirinho na abertura do turno, e acabou perdendo por 2 a 0.
O bom Cruzeiro de Porto Alegre jogou como se tivesse em casa, foi melhor quase sempre dentro do jogo e o Grêmio, repleto de guris, e com um Carlos Alberto inconstante de capitão e centro do time, não deu liga. As vais ao final do jogo, embora seja uma partida pouco importante na caminhada gremista, foram merecidas.
O Grêmio não tem grupo para montar duas equipes competitivas. O time que entrou em campo nesse sábado tem bom valores, que não comprometem como peças de reposição de um time pronto, mas juntos, difícil que façam bom papel num segundo turno que o Inter vai disputar valendo. As expulsões de Carlos Alberto e Renato Portaluppi foram descabidas, não por parte da arbitragem, que agiu corretamente, mas sim pelos profissionais do Grêmio, que deixaram o time em situação pior quando ainda perdia por 1 a 0.
Fica do jogo um Cruzeiro que de novo chegará à fase final da competição. Da parte do Grêmio, em meio a várias atuações péssimas, destaque para o goleiro Mathues, que não teve culpa alguma nos gols e salvou o Grêmio de tomar mais. A decepção da tarde fica por conta da dupla de zaga, os promissores M.Fernandes e Neuton tiveram atuação fraquíssima. 
O Grêmio volta a entrar em campo na terça-feira, pela Libertadores. Viaja até o Perú para enfrentar o León de Huánuco, às 17h, horário de Brasília.
  

quinta-feira, 10 de março de 2011

Grêmio vence a Taça Piratini

Por onde começar um texto sobre um jogão de bola como foi Grêmio e Caxias? Jogo que teve de tudo. Teve campeão de muitos erros e defeitos. Teve um perdedor de se aplaudir em pé, com garra e futebol de vencedor. Teve quatro gols com a bola andando - ainda que andasse menos que deveria no segundo tempo. Teve os oito minutos de acréscimos no final, para compensar o jogo que, em certos momentos, foi mais brigado e encenado que jogado. Teve a decisão por pênaltis, que sempre reserva boas emoções ao torcedor e quase sempre daí sai o herói da noite. No confronto Victor x Sangalli na hora das cobranças, brilhou a estrela do tricolor, duas vezes.
Uma das armas de um time tecnicamente em desvantagem, tem que ser a surpresa. Também é fundamental a obediência tática. Foi justamente o que teve o Caxias do técnico Lisca no início da decisão da Taça Piratini, dentro do Olímpico. O Caxias surpreendeu atacando um Grêmio que não esperava se defender logo de cara, um Grêmio formatado à atacar. Com a bola, 4-4-2 com meio-campo em losango, time leve, ligeiro, com facilidade de entrar jogando pelos flancos. Sem a bola, um Caxias posicionado num 4-1-4-1, esquema que protege bem a linha defensiva e dá rápidas alternativas de contra-ataques. O calor foi tanto que, antes dos 10 minutos de jogo, Renato mandou os reservas do Grêmio aquecerem.
Aos 26, já perdendo de 1 a 0, depois da bela cobrança de falta do garoto Itaqui (19min), o técnico do Grêmio desistiu mais uma vez do seu quadrado no meio-campo, dessa vez formado por Rochemback, Willian Magrão, C.Alberto e Douglas. Não deu liga nem mecânica ao time. Como virou praxe no Olímpico, saiu C.Alberto e entrou Bruno Collaço para fazer as vezes de Lúcio, no lado esquerdo do agora losângo gremista no meio-campo. Lúcio estava no banco, há de se ressaltar, mas até aquele momento ainda era preservado, entrou no desespero gremista do segundo tempo e foi bem, parece estar curado da lesão.
Se por um lado o Grêmio não iniciou bem, o Caxias iniciou ótimo! Fez um baita primeiro tempo, dentro do campo do Grêmio, tocando a bola com autoridade, com o atacante Éverton (ex-Grêmio e Inter, como muitos nesse Caxias) em noite iluminada. O segundo gol do Caxias saiu no momento em que o tricolor começava a se encontrar no jogo, aos 39min e com ajudinha do Victor. Pareceu um golpe fatal. Mas não para Willian Magrão, que não marcou lá atrás o quanto deveria, é verdade, mas marcou lá na frente, aos 43, gol que reacendeu a chama do Imortal Tricolor no jogo.

Aliás, se não foi a grande partida dos defensores do Grêmio em suas funções, acabaram compensando com gols. Pois, no finzinho de um segundo tempo quase unilateral, que quase só deu Grêmio jogando, errando gol e Sangalli defendendo, deu também pros dois zagueiros do Tricolor virarem atacantes e aí sobrar uma bola para o Rafael Marques empatar um dramático jogo aos 50 minutos da segunda etapa e levar tudo para os pênatils.

Nos pênaltis, consagração gremista: duas cobranças defendidas, quatro convertidas, volta olímpica e um título que ganha proporções maiores pelo jeito que foi conquistado, não pelo peso histórico. O título TÍTULO que o grupo de jogadores e a comissão técnica tanto fala, não pode ser esse. Título mesmo é ganhar o Gauchão completo e/ou Libertadores.

Dá para comemorar, sim. Mas dá para pôr muitos questionamentos ao Grêmio 2011. Deve melhorar, ora, se almeja algo maior que a Taça Piratini. Com todo respeito ao Caxias, que é bom time, fez um partidão, esticou a corda ao máximo, valorizou a vitória gremista, mas é um clube que disputa a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, não pode ser obstáculo tão duro na vida de quem quer ser campeão da América.
Mas a história contada e escrita é outra. O Caxias foi o obstáculo que o técnico Lisca prometeu às vésperas do confronto. Por detalhe não saiu vitorioso. Não seria injustiça. E há justiça no futebol?

  

domingo, 13 de fevereiro de 2011

NH vence um Grêmio em testes

O Grêmio que perdeu para o Novo Hamburgo de Julinho Camargo foi um time que não funcionou. Defendendo a invencibilidade no campeonato, o Grêmio foi ao Estádio do Vale, jogou mal e perdeu merecidamente por 2 a 0, mas mesmo com a derrota fechou a fase classificatória com a melhor campanha, com 17 pontos, e garantiu decidir no Olímpico os jogos decisivos do turno.
Doutro lado, o Nóia funcionou muito bem, dentro da suas possibilidades. Julinho Camargo usou um 4-3-1-2, com Rodrigo Mentes como ponta de lança e Michel mais o bom garoto Juba de atacantes. Com Márcio Hahn vindo como volante apoiador pela direita, combinando jogadas com Michel, Mendes e o lateral Bosco, foi por esse lado que o NH complicou a vida do Grêmio, embora os gols só tenham saído no segundo tempo, primeiro de pênalti e em seguida em jogada pelo meio, no momento que o time da capital ainda não assimilara o primeiro golpe.
Renato Portaluppi escalou um 4-4-2, com meio-campo mais tradicional, em quadrado. E não funcionou por quê? Porque Paulão não vem bem e continua errando, porque Gilson de novo mostrou que não tem condições de ser o lateral esquerdo do Grêmio, porque Willian Magrão marcou mal e não teve o ímpeto de que precisa um 2° volante, porque Carlos Alberto começou muito bem, decaiu um pouco e não teve para quem lançar nem com quem tabelar na frente, até porque a dupla de ataque foi formada por dois centroavantes. André Lima e Borges se esforçaram, mas não conseguiram render. Revezaram no posicionamento, ora com André saindo da área, ora com Borges, mesmo assim o time sente a falta de um jogador que saiba flutuar ao redor da área.
Já perdendo, no segundo tempo, Portaluppi fez loucura, coisa que não se faz. Duvido que esperasse resultado. Montou um 4-2-4, só com Adilson e Carlos Alberto jogando no meio, com Viçosa e Clementino se juntando aos dois centroavantes. Isso contra um Nóia que já vencia por 2 a 0, tinha um jogador a menos e  mesmo assim se defendia bem.
O Grêmio fez testes. Já se sabe que a melhor alternativa talvez seja mesmo o 4-5-1, com Borges e Lima disputando vaga. No meio, a dúvida é no flanco esquerdo, quanto a Lúcio voltar à lateral e ceder lugar a Escudero ou continuar na posição, deixando o argentino como opção no banco. Na zaga, Rodolfo deve ganhar uma vaga naturalmente, ao seu lado Vilson ou Rafa Marques - continuar apostando em Paulão seria um erro.
É o que se percebe olhando de fora. Se Portalppi também acha isso, é outra história.
Na quinta o Grêmio estreia na Libertadores contra o Oriente Petrolero, no Olímpico. Na sequência, no Domingo, o Grêmio recebe o Ypiranga pelas quartas de final da Taça Piratini.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Grêmio 2010

O ano para o Grêmio não bom nem ruim, ficou na média dos anos desta década que se acaba. Nenhum título de expressão, nada além do Gauchão e uma vaguinha suada para a Copa Libertadores do próximo ano. Muito mais que isso o Grêmio não fez de 2002 pra cá, teve dois vices, da Libertadores-07 e do BR-08. Mas como em 2003, 2004, 2005, 2008 e 2009, mais uma vez o Tricolor não acabou o ano com o mesmo treinador de janeiro.
O algo diferente de 2010 com certeza é o retorno de Renato Portaluppi ao estádio Olímpico. O maior ídolo da história do Grêmio pegou uma barca furada e afundando, quando assumiu o time estava na 18° posição, tinha apenas duas vitórias, seis empates e cinco derrotas no BR-10, fora os problemas de vestiário. Herança de Silas.

Quando o diretor de futebol Luis Onofre Meira e o presidente Duda Kroeff anunciaram que Silas seria o treinador do Grêmio em 2010, torcida e imprensa torceram o nariz e duvidaram da capacidade do treinador. Mas Silas aos poucos foi ganhando a confiança, depois de alguns testes, depois da chegada de alguns reforços como o zagueiro Rodrigo e do meia Douglas e depois da derrota no Grenal. Depois do clássico, o Grêmio encabeçou uma sequência de 16 jogos sem derrota.

O time base do Silas era escalado no 4-4-2 à brasileira, com dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois meias e dois atacantes. Os grandes trunfos do Grêmio que venceu o 1° turno e depois o Gauchão e foi semifinalista da Copa do Brasil era a segurança de Rodrigo na zaga mais a eficiência tática e os gols de Maylson, Jonas e Borges. O time base era: Victor, Edilson, M.Fernandes, Rodrigo, F.Santos; Ferdinando (Adilson), Rochemback (W.Magrão), Maylson, Douglas; Jonas, Borges.

Depois de dois jogaços contra o Santos, pela semi-final da Copa do Brasil, a eliminação da competição, as seguidas lesões, as equivocadas declarações de Silas e certo atrito com alguns jogadores, os resultados não apareceram mais. O Grêmio não conseguiu recuperar aquilo que perdera enquanto priorizara a Copa do Brasil. A parada da Copa do Mundo parecia a solução, mas depois as coisas só pioraram. O Grêmio voltou diferente, Silas tentou o 3-5-2 mas não conseguiu vencer. Depois de uma sequência de derrotas e empates, perder para o Fluminense dentro do Olímpico e permanecer na zona do rebaixamento foi a gota d'água.

Silas e o responsável pelo departamento de futebol, o Meira, caíram. Veio Portaluppi, sem muita demora, sem muita expectativa, mas com um imenso apelo à torcida. Com pinta de messias tricolor para os gremistas, Renato maneirou no discurso e foi realista. Disse que a situação era complicada e que o campeonato do Grêmio era não ser rebaixado.

Mas com muito papo, conversa de boleiro para boleiro, Renato deu jeito no no vestiário bagunçado do Olímpico. Não foi fácil, porém, achar sua equipe. Portaluppi perdeu alguns jogos e foi eliminado da Sul Americana até começar a ganhar o segundo turno do BR-10.

Vieram alguns modestos reforços, que no campo deram resultado, como Vilson, Paulão, Viçosa e Clementino. Veio também o excelente lateral direito Gabriel. Por necessidade, num jogo contra o São Paulo, Renato encaixou o time num 4-4-2 com meio em losango, liberando Douglas para articular e apostando em dois volantes apoiadores nos lados do losango. Foi aí que Lúcio cresceu, improvisado no meio, pelo lado esquerdo. Não tendo Borges até o final do ano, por conta de lesão, André Lima fez dupla com Jonas, e fez muitíssimo bem ao 7 goleador.

Foi o ano dos camisas 7 no Grêmio. Imortalizada e endiabrada por Renato em 1983, a 7 de Jonas foi o terror dos sistemas defensivos do BR-10. A atacante gremista chegou aos 23 gols e foi o goleador isolado do campeonato. Os conselhos de Renato ao pé do ouvido de Jonas surtiram efeito.

No 2° turno do BR-10 só deu Grêmio. O tricolor acabou como líder do returno e na quarta colocação da classificação geral, resultado premiado com a vaga na Libertadores de 2011 só depois do término do Brasileirão.

Não deixa de ser um ano razoável, que mais uma vez poderia ser bem melhor. E vem aí um ano que promete, tento o Grêmio uma direção nova, um time base forte e pronto e a eminência de receber reforços pontuais. A possível vinda de Ronaldinho ainda não passa de possível. Mas é um possível bom negócio, que dificilmente naufragará no campo dos negócios, mas pouco adiantará se R10 não jogar futebol.