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domingo, 3 de abril de 2011

Eleições do Conselho Tutelar de Porto Alegre

Reproduzo a seguir o texto do meu amigo, estudante de jornalismo da UFRGS, Jônatha Bittencourt, sobre a atuação da comunidade portoalegrense na escolha das equipes de atuação do Conselho Tutelar da cidade. Votação que acontece no dia 10 de abril. Em seu blog, Jônatha traz todas as informações sobre o pleito mais uma entrevista exclusiva com o prefeito José Fortunati.

Conselho Tutelar: o futuro desde já
Em busca de uma definição objetiva, podemos conferir no Estatuto da Criança e do Adolescente - popularmente conhecido pela sua sigla (ECA) -, que “o Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente” (artigo 131 da Lei Federal n.º 8069/90). Ele atende aos mais diversos casos de maus tratos físicos e psicológicos, discriminação, negligência e opressão às crianças e adolescentes.
Com base nessa definição, podemos relacionar o acompanhamento prestado pelo Conselho Tutelar à assistência dos cidadãos a sua nação.
Um povo que não tem o mínimo interesse pelas circunstâncias nas quais o seu país se encontra, não deve esperar um futuro promissor. Constata-se uma massa de mentes envoltas em ideias, raciocínios, ideologias, porém desinteressadas pela política - é claro, por muitos motivos e, talvez, razões “nobres” em si. No entanto, essa mesma gente pode ser encontrada fazendo as mais relevantes críticas e observações negativas quanto à fases de declive nacional. E encontrada desfrutando das boas fases de seu país.
Qual a visão da sociedade em relação às crianças e adolescentes dos nossos dias? É a melhor possível? Alguma projeção para o futuro? Algo necessita ser ajustado? A resposta para essas perguntas não se encontra no desinteresse. Da mesma forma que o futuro não se encontra bem nas mãos de indiferentes, não pode ser bem encaminhado por imediatistas – por mais importantes que sejam na execução dos planos.
A nossa sociedade é como um organismo, os órgãos trabalham em conjunto, cada um com uma função específica, cada qual com sua relevância. O Conselho Tutelar é responsável pela renovação e preservação constantes, mas não pode trabalhar sozinho. A população faz parte desse corpo que é permeado de complexidades, ela tem grande importância nisso. E são em momentos de liberdade, como nas eleições para o Conselho Tutelar, cujos votos não são obrigatórios, que o real interesse de progresso pode ser expresso por cada cidadão.
As crianças e adolescentes já estão caminhando no futuro [por nós construído].

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Ditadura brasileira ainda viva – a cidadania torturada

Por Alexandre Haubrich, jornalista, editor do blog Jornalismo B (http://jornalismob.wordpress.com / http://twitter.com/jornalismob / http://twitter.com/alexhaubrich)

Aos quatro anos de idade, Edson Teles entrou em um prédio na Rua Tutóia, no bairro do Paraíso, em São Paulo para encontrar os pais, que não via há alguns dias. Simpáticos nomes o da rua e o do bairro. Edson ouviu a voz da mãe chamando seu nome, mas, quando se virou, não reconheceu o rosto e o corpo que portavam aquela voz. Em seguida, encontrou o pai, em outra sala, sentado em uma cadeira aparentemente normal para uma criança. Mas havia cintas de couro nos braços da cadeira. Era 1972, e Edson visitava os pais no DOI-CODI, centro da repressão da Ditadura Militar brasileira. “Meu filho perguntou 'por que o pai é verde?' e minha filha perguntou por que eu estava azul”, contou anos atrás a mãe de Edson, Maria Amélia de Almeida Teles.
Na última semana, em um seminário em Porto Alegre, Edson desabafou: “me envergonho de ser brasileiro. Oferecemos o Brasil para ser paraíso dos torturadores. Se torturarem em nome do Estado, aqui são anistiados”. E Edson e sua irmã Janaína não são um caso raro. Muitas crianças viram seus pais serem torturados pelo Estado brasileiro que, entre 1964 e 1985, impôs a seus cidadãos o fim da cidadania e de qualquer possibilidade de dignidade. Socos e pontapés eram carinhos. A violência vinha através de choques elétricos por todo o corpo, afogamentos, fuzilamentos simulados. Homens e mulheres, muitas vezes nus, eram pendurados em paus-de-arara, humilhados de todas as formas, reduzidos a nada. E se Edson e Janaína não são um caso raro, e tampouco a tortura a que foram submetidos seus pais foi um caso raro, também não foi a tortura a única forma pela qual cidadãos brasileiros foram agredidos por seu próprio Estado.
Assassinatos e sequestros também eram comuns. Sim, hoje ainda são. Mas, naqueles anos, quem cometia esses crimes era o Estado, e os cometia como Estado, não apenas através de indivíduos que corrompiam as instituições. O Estado e seus agentes eram os criminosos, os assassinos, sequestradores, torturadores. Brasil nunca mais. Muitos cidadãos brasileiros foram obrigados a fugir do país. Deixaram para trás seu lugar e seus familiares, amigos, colegas. Deixaram para trás toda uma vida para começarem a construir outra longe daqui. 
O silêncio, para os militares e civis que referendaram o Golpe de 1964, era a causa pela qual lutavam. Gritos? Permitidos apenas nas salas de tortura, e apenas gritos de dor. Parte significativa da imprensa apoiou a Ditadura de seu início até as portas de seu fim, quando percebeu que, ou abandonava o moribundo, ou morreria junto. A outra parte da imprensa, porém, a parte séria, viu muitos de seus representantes torturados, desaparecidos ou acuados. O fetiche do silêncio. 
Derrubada a democracia que se aprofundava no governo João Goulart, os golpistas não queriam mais saber de política, apenas de poder. Um professor falando sobre política em aula poderia ser denunciado por um aluno como terrorista. A mesma coisa em conversas de bar ou de qualquer lugar. O risco de tortura, assassinato ou “desaparecimento” sempre iminente. Se antes a política já era afastada do povo, em 64 o Estado tirou do povo o direito de se aproximar da política. 
Com a chamada “abertura democrática” da década de 1980, não acabou-se verdadeiramente com a Ditadura. Até hoje suas sobras contaminam a vida dos brasileiros. A herança da Idade das Trevas tupiniquim está no autoritarismo e na violência policial, na despolitização popular, na agressividade da direita, na ignorância, no conservadorismo moral preconceituoso, racista, machista e homofóbico. Esses resquícios sobrevivem também no imaginário demente de alguns políticos e alguns militares que anseiam pela reinstitucionalização de todos esses absurdos. 
Continuam dominando importantes setores do país as pessoas que financiaram e apoiaram de diversas formas a Ditadura Militar. Grandes empresários, destacados políticos, graduados militares. Os donos da comunicação brasileira também entram nesse bolo. É por tudo isso que, enquanto nossos países vizinhos agem para limpar a sujeira deixada por suas respectivas ditaduras – sem varrer essa sujeira para baixo do tapete –, aqui o silêncio segue imposto.
 É para punir os responsáveis pelo massacre da cidadania brasileira que é necessário revisar a Lei da Anistia, assinada em 1979, que, ao mesmo tempo em que beneficiou quem lutava por um Estado democrático, absolveu automaticamente as pessoas que, em nome do Estado brasileiro, cometeram todos os tipos de crime. A tortura e o assassinato em nome do Estado foram permitidos, o que configura uma arbitrariedade e um desrespeito aos brasileiros representados por esse Estado. Os cidadãos que lutaram contra a Ditadura Militar já foram fortemente punidos das mais diversas formas ainda durante aquele período. Os representantes dessa Ditadura, não. Além disso, a Lei da Anistia foi aprovada pelos opositores ao regime com uma arma na cabeça. Da mesma forma que obtinham confissões através da tortura, os governantes de então impuseram sua própria imunidade como condição para deixarem o povo brasileiro ser re-empoderado minimamente. 
A abertura imediata de todos os arquivos da Ditadura Militar e a ampla divulgação de seu conteúdo, assim como o trabalho de resgate histórico do que vivemos, é outra obrigação do Estado brasileiro. Os cidadãos têm o direito de conhecer sua própria história, a história de seu país. Se o Estado é uma instituição da sociedade, e esta é formada pelo conjunto dos indivíduos, o Estado somos nós, e nós temos o direito de conhecer a verdade e o dever de lutar por esse direito. Para que não corramos o risco de retornar àquela situação de terror precisamos saber detalhadamente o que nos levou a ela o que a manteve por tanto tempo. Só assim, com a punição dos gerentes da nossa Idade das Trevas e com o direito à verdade, poderemos realmente encarar de frente as heranças daquele tempo que ainda nos assombram.

domingo, 27 de março de 2011

Inter 0x0 São Luiz

Como no sábado e boa parte do domingo não pude atualizar o blog, posto agora o texto de Bianca Molina sobre o empate do Internacional na tarde de sábado - jogo que, inclusive, não assisti.

Sem presente, Capital
No dia que em que a capital gaúcha completa 239 anos, um dos maiores representantes do futebol daqui foi a campo e não fez questão de presenteá-la com um jogo no mínimo decente. Em um sábado chuvoso, uma tarde sonolenta e um jogo nada empolgante, Inter e São Luiz ficaram os noventa minutos do tempo regulamentar e mais os cinco minutos de acréscimo, sem balançar as redes do Beira-Rio.
Nos primeiros 45 minutos de jogo o time de Ijuí obteve as melhores oportunidades e o Inter não chegou. Tudo indicou uma forte dependência do atacante que está na seleção brasileira. Sem Damião que vive uma excelente fase, o Inter não efetuou jogadas contundentes na área do São Luiz e o pouco que chegou perto pelos pés de Cavenaghi, o argentino - pra variar - não conseguiu concluir. Já são oito jogos, quatro como titular, que Cavenaghi segue em jejum de gols. Um jogador se destacou, mais uma vez, mas não conseguiu efetivar suas jogadas. Oscar está pedindo passagem, jogando demais, porém ele cansou logo no início do segundo tempo.
Não adianta culpar o técnico, dizer que o prazo de Roth já se esgotou, ou coisas do gênero. O professor fez o possível, dentro do possível (com o perdão da infeliz redundância), para escalar a melhor equipe. Inclusive as alterações já no segundo tempo foram muito bem feitas. O que acontece, se vê claramente que no atual elenco do Inter alguns jogadores já não desenvolvem, não sanam as necessidades do time. Caso, por exemplo, dos laterais: Kleber não apareceu no jogo, não acertou um passe, um cruzamento, enquanto Nei, do outro lado, parecia extremamente cansado, ou para quem preferir, sem vontade. Aí talvez estivesse o maior erro do técnico que apesar de contar com laterais fraquíssimos, tentava fazer com que o Inter chegasse ao gol exatamente pelos lados, tentativas essas que foram todas frustrantes.
Do meio pra frente teve uma dupla também que não surtiu efeito: Zé Roberto e Wilson Matias não apresentaram um bom futebol e saíram muito vaiados no intervalo do primeiro tempo. No retorno ao gramado, já com uma superioridade numérica por parte do Inter (São Luiz teve Daril expulso aos 40min do 1°T), Andrézinho, que quando começa jogando não se destaca, foi substituído pelo, muito ovacionado, D'alessandro e Zé Roberto por Rafael Sóbis. A torcida aplaudiu e parecia estar aí a solução do jogo para os colorados. Não aconteceu, a dulpla SóbisxCavenaghi não fluiu e o ataque seguiu contrariando o último retrospecto, onde em quatro jogos com três volantes o inter fez 15 gols. No esquema 4-2-2-2 do tempo complementar, com Sóbis e Cavenaghi na frente o inter chegava muito mais e aí mais um grande problema: perdia muito mais gols. Com a troca de Wilson Matias pelo garoto Alex o time deu uma reagida e ainda sim viam-se gols demais desperdiçados. Pela lógica quem tenta mais, tem mais chances de errar, porém errar gols assim contra um time tecnicamente muito inferior, não dá.
Com cinco mil colorados vaiando o time ao final do jogo, o inter saiu de campo e as críticas começaram a cair todas em cima do técnico Celso Roth e do "quase gol" Cavenaghi. A liderança do Grupo 1 ficou ameaçada, caso o Caxias vença hoje por dois gols de diferença (não venceu) ou se amanhã o Lajeadense ganhar do Ypiranga (não ganhou), o Inter perde a ponta do grupo.
Agora o colorado se prepara para receber o Jorge Wilstermann dia 30/03 às 21h50min, levar os três pontos e manter a liderança do grupo 6 da Libertadores. São quatro dias e alguns ajustes para fazer. Mas com um diferencial: Damião estará de volta.

terça-feira, 1 de março de 2011

Os defensores do Grêmio querem atenção

Paulão, homem de confiança de Renato

Por Thiago S. de Souza
A ofensividade de Renato Portallupi é motivo de orgulho dos gremistas. Desperta admiração dos colorados - fatigados com os três volantes de Celso Roth.
Quando desfilava pelos gramados, Renato era assim: ousado, sem medo de arriscar. Sua fama com as mulheres confirma estas características suas. Assim, virou mito no Olímpico.
Acontece que não vem dando certo neste ano. Sejamos francos. Não que o Grêmio não marque gols, longe disso. Marca - e muitos. Mas vem tomando muitos também. Seria desatenção do técnico-ídolo com sua defesa?
As dúvidas que permeiam a cabeça de Renato costumam ser estas: tirar o Adilson, que é volante, para a entrada de mais um meia, o Carlos Alberto? Jogar com dois centroavantes, o Borges e o André Lima, juntos?
Enfim. Não vemos contestadas as fracas atuações de Paulão. Nem sombra do provável ingresso de Mário Fernandes na zaga. Gilson, então, não sai do time nem que a vaca tussa.
Os defensores do Grêmio querem atenção. Estão com falta de. É isso que grita a rede da goleira de Victor, quando balançada por um adversário.
*Thiago é estudante de jornalismo, twitteiro e blogueiro

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Eu não sei o que esses ciclistas têm na cabeça

Por Alves Rodrigues
Tem um maluco solto na cidade. Quer dizer, um só não, tem um monte deles. Mas me refiro a um psicopata em especial. Um que foi visto na noite da última sexta-feira (25), armado de um Golf preto e tentando assassinar o maior número possível de ciclistas participantes do Massa Crítica (movimento gaúcho pela valorização da bicicleta como meio de transporte).
Eu não sei o que esses ciclistas têm na cabeça. Não sei de onde eles tiraram a ideia de que têm o direito de usarem as rua de Porto Alegre sem o prévio consentimento da EPTC. Ora, onde já se viu? Desaforados. Esses caras estão pensando o quê? Que vão mudar o mundo? Não respeitam o sagrado direito de ir e vir (de carro, é claro). As ruas de Porto Alegre e da região metropolitana são para os carros, não são para pedestres, ciclistas, carroceiros, catadores de lixo reciclável e seus carrinhos que dificultam a "mobilidade urbana". Lugar de ciclista é nos parques. (Na ciclovia transformada em estacionamento é que não pode ser.) Pelo menos é isso que parece pensar o sr. Vanderlei Capellari, diretor da EPTC, que alega que a empresa não foi informada sobre a intenção do grupo de pedalar pelas ruas da Capital. Isso não me parece fazer sentido, e por dois motivos: o primeiro é que o Massa Crítica se reúne toda última sexta-feira do mês já há bastante tempo, fico surpreso com o desconhecimento do senhor diretor; e o segundo é que se essas mesmas pessoas resolvesse se encontrar no mesmo lugar em que se encontraram na sexta-feira, no mesmo horário e percorrerem as mesmas ruas, de carro e não de bicicleta, não precisariam "pedir" nada para a EPTC. Bicicleta não é meio de transporte, não é veículo? Ciclista não é um personagem do trânsito como outro qualquer?
Atropelamento intencional, acreditem, não é tentativa de homicídio, é "lesão corporal". Ao menos é o que acredita o delegado Gilberto Almeida Montenegro, diretor da Divisão de Crimes de Trânsito de Porto Alegre. Eu juro que pensava que se eu tivesse um carro e o usasse para passar deliberadamente sobre um grande grupo de pessoas, ia acabar me incomodando. Estava enganado. Isso não me causaria problema se essas pessoas estivessem desrespeitando o indiscutível direito de ir e vir dos egoístas mauricinhos de classe média em seus carros financiados a longo prazo. "Aqui não é a Líbia", disse o delegado, "aqui todos têm liberdade de manifestação, desde que avisem as autoridades". Quer dizer que é assim? Se as autoridades permitirem eu posso ser livre? Oba, viva a liberdade.
Não deveríamos estar tão surpresos com as declarações destes representantes do Estado. Lembram do jardineiro de Brasília? Se não lembram vou contar. Vou contar aquela história de um ministro (por ironia, Ministro dos Transportes) que voltava, na companhia de seu filho, de um churrasco regado a bebida alcoólica lá na Capital Federal. Dizem que quem dirigia era o filho do ministro, dizem que não tinha bebido. Não sei. Sei apenas que um jardineiro, um trabalhador, foi atropelado e abandonado caído no asfalto. Ficou lá, não teve assistência dos atropeladores. Julgados, pai e filho foram inocentados da acusação de omissão de socorro. A Justiça (cega) concluiu que por estar a vítima já morta, não havia mal nenhum na atitude dos atropeladores de irem para casa e de lá ligarem para a polícia. Ninguém foi preso, mas, magnânima, a Justiça "condenou" o réu, o filho do ministro, ao pagamento de algumas cestas básicas. Eu sei que a Justiça tem de ser cega, mas não acho que devesse levar a coisa tão ao pé da letra.
O caso do atropelamento em massa aqui de Porto Alegre parece que seguirá pelo mesmo caminho. Mesmo antes da identificação do atropelador, Polícia Civil e EPTC já encontraram alguém para culpar: as vítimas.
Parecia bobagem a figura que eu fiz no post anterior, aquele sobre o metrô de Porto Alegre, mas podem acreditar que assim mesmo que pensam as autoridades quando falam de mobilidade urbana. Em suas mentes, a imagem de ruas repletas de carros circulando sem serem atrapalhados por pedestres ou outras formas de transporte é a imagem da cidade ideal, moderna, desenvolvida. Quem sabe, quando construírem o tal metrô, não construam também, paralelo aos trilhos, uma ciclovia? Ficaria perfeito. Lugar de ciclista, nas modernas metrópoles capitalistas do Brasil do terceiro milênio, é junto com os trabalhadores: debaixo da terra. O cara do Golf preto só quis ganhar tempo e mandar os ciclistas pra lá de uma vez, não teve paciência de esperar o metrô ficar pronto.

*Alves Rodrigues mantém o blog Somos Todos Torcedores e o twitter @lvesrodrigues

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Um metrô para Porto Alegre

Por Alves Rodrigues
No mundo ideal existe lugar para todos. O mundo, porém, apesar de ser único, é, na verdade, múltiplo. Existem, dentro do único mundo que existe, vários outros mundos. Existe o mundo dos ricos e existe um outro, o dos pobres. Existe o mundo do crime, por onde vagam desde o mais desprestigiado marginal até algumas personalidades influentes. No mundo das drogas também encontramos representantes de todas as classes sociais, doutores, professores, políticos, desempregados, atletas, enfim, tem de tudo neste mundo. O mundo das artes é habitado pelos gênios loucos, gente que tem muito a dizer, mas geralmente não é compreendida. Existe também o mundo da fantasia, é lá que vivem os alienados e os ignorantes, felizes, alheios aos males e às mazelas que os cercam. Recentemente tomamos ciência da existência do mundo virtual, um novo mundo que nos encanta por suas possibilidades, embora ainda não tenhamos tido tempo de avaliar todas as consequências que sua existência pode ocasionar. Enfim, existem diversos mundos dentro do único mundo que existe: o real. Na verdade, e para nosso imenso infortúnio, o único mundo que não existe é o mundo ideal.
O mundo dos pobres é repleto de sonhos. Compreensível, afinal, para quem pouco ou nada tem, tudo não passa de um sonho, ou melhor, tudo passa a ser sonho. Sonhos modestos tipo uma casa pra viver, comida pra comer, esse tipo de coisa que, normalmente, os pobres não costumam ter. Uma rua limpa pra morar. Uma rua onde as crianças pudessem brincar e crescer longe dos perigos. Os perigos da violência, do tráfico e do trânsito. Longe do perigo dos carros. Os carros matam. A grande maioria dos pobres – dos realmente pobres – não tem carro. Então, os pobres não matam no trânsito, no trânsito, os pobres – os realmente pobres – apenas morrem.
Um sonho muito corriqueiro do mundo dos pobres (que têm emprego) é ver diminuído o sacrifício necessário para conseguir chegar ao seu local de trabalho, geralmente distante dos bairros periféricos onde se exilam os trabalhadores. Transporte coletivo digno, um sonho. Ir e vir é direito de todo cidadão brasileiro, direito assegurado na Constituição Federal. Ir e vir, porém, de ônibus, em qualquer região metropolitana desta pátria verde e amarela, já não pode mais ser chamado direito, mas penitência.
O mundo dos ricos, a mim parece, não deixa espaço para muitos sonhos. O que faltaria a quem já tem tudo ou quase tudo? Mais uma mansão com quadra de tênis e piscina? Mais um carro na garagem? O homem rico, creio eu, não é um ser ruim por nascimento. Porém, uma boa parte dos ricos e poderosos empresários, políticos, enfim, as pessoas que, por alguma razão, compõem a elite econômica deste país, por certo tem horror a pobres. Juro que tenho a impressão de que os ricos – quase todos eles - só gostam dos pobres em duas situações: quando estão trabalhando e gerando mais riqueza ainda para aqueles que já têm muito mais do que precisam e merecem, ou quando estão mortos e enterrados, pois então já não necessitam mais que governos socialmente menos injustos - o de Lula, por exemplo, não este que Dilma está começando a propor – invistam dinheiro em políticas públicas, dinheiro de impostos, impostos que os empresários vivem reclamando que pagam, mas que na verdade não o fazem, pois tudo é descontado no Imposto de Renda de seus balanços, vez ou outra maquiados. No mundo ideal dos ricos os pobres não existiriam, ou melhor, existiriam sim, mas só durante o dia, período em que trabalhariam horas a fio por salários indignos e insuficientes, à noite, convenientemente, eles desapareceriam debaixo da terra para, como mágica, ressuscitarem no dia seguinte e seguirem trabalhando por seus salários miseráveis.
O PAC da Copa encheu de água a boca de políticos e empreiteiros aqui em Porto Alegre. Num papo-furado como nunca antes na história deste país falou-se em um tal metrô que ligaria o Centro à Zona Norte, não sem antes passar pelo (hoje em ruínas) estádio da beira do rio. Ir do Centro à Zona Norte passando primeiro pela Pe. Cacique não é apenas burrice, é pura sacanagem mesmo. O metrô não entrou no PAC da Copa, menos mal. Porém, agora surgiu a mais 'nova novidade' do momento: o metrô de Porto Alegre está incluso no PAC da Mobilidade. Por mobilidade entenda-se a facilitação da vida dos carros, não necessariamente a das pessoas.
É claro que a implantação de um metrô na Capital gaúcha tende a ser um avanço no sistema de transporte público. Tende. Tudo ainda vai depender bastante de questões como traçado, tarifa, acessibilidade para os moradores das periferias, horário de funcionamento e algumas outras coisas que eu que, como tudo na vida, sou apenas passageiro, não tenho condições de avaliar.
No entanto, um metrô em Porto Alegre seria mesmo algo bem interessante. O encontro de dois mundos. O sonho daqueles que vivem no mundo dos pobres, de ter a possibilidade de contar com um transportes público rápido, limpo, eficiente e barato, parece bem possível quando se imagina um trem elétrico rodando em boa velocidade pelos subterrâneos da Capital. Claro que, na prática, a gente tinha que procurar conhecer a opinião de trabalhadores brasileiros de outras metrópoles que já contam com esse tipo de transporte. Por outro lado, o sonho que se sonha lá no mundo dos ricos estaria bem próximo de sua realização. Que coisa linda – para os bem aquinhoados - aquele bando de pobres emergindo da terra pela manhã, cumprindo sua jornada de trabalho (nem sempre respeitada pelo empregador), fazendo jus ao seu parco soldo (nem sempre pago correta e assiduamente), produzindo a riqueza que engordará as contas dos patrões, os bolsos dos banqueiros e os cofres do Estado, para depois, ao cair da noite, outra vez desaparecer pelos buracos cavados pela iniciativa privada e financiados pelo poder público, e só retornar no dia seguinte para gerar mais riqueza. Menos ônibus nas ruas, menos pobres na superfície da cidade, mais espaço para os carros de quem pode ter carro. Que maravilha.

Vem aí o metrô de Porto Alegre.
Será que vem?

*Alves Rodrigues mantém o blog Somos Todos Torcedores e o twitter @lvesrodrigues

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dizem por aí que "lugar de bandido é na cadeia". E de mendigo? É na rua?

Por Jônatha Bittencourt
Olhamos para a situação de centenas de moradores de rua e indagamos a respeito das possíveis causas para tal fenômeno. Afinal de contas, sabemos que as pessoas que necessitam de recursos financeiros e de amparo social deveriam ser consideradas dignas de apoio popular, o que de fato não é constatado.
Em pesquisas realizadas por um conjunto de pesquisadores de Porto Alegre, pôde-se concluir o estudo Cadastro de Crianças, Adolescentes e Adultos em Situação de Rua e Estudo do Mundo da População Adulta em Situação de Rua de Porto Alegre/RS, que apresenta dados recolhidos no ano de 2007, abordando desde a situação atual dos moradores de rua, até mesmo a sua formação antropológica – apontando dados étnicos, socioeconômicos e culturais, estratégias de trabalho e geração de renda, formas de sociabilidade, identidade e representações sociais, formas de relação com instituições e demandas para as políticas públicas.
Não são raras as afirmações, até mesmo preconceituosas, declaradas com impetuosidade a respeito das condições em que os moradores de rua se encontram. Mas focando principalmente os dados coletados pelas pesquisas citadas anteriormente, verificamos as reais causas para a permanente manutenção das pessoas nas ruas da cidade de Porto Alegre.
Ocupando o primeiro lugar dentre os motivos da saída de seus lares, como resposta de 41,1% dos entrevistados, estão as rupturas familiares - por maus tratos, desavenças, rejeições, falta de apoio, ameaças, abandono, por separação ou morte. 22,8% dos moradores de rua afirmam que a falta de recursos materiais e financeiros – relacionados, normalmente, à perda de emprego, à busca de trabalho e à perda de moradia – são as principais causas que os levaram à sarjeta.
Tendo em vista os dados apresentados, o mais surpreendente é que a dependência química e a debilidade mental não correspondem à principal justificativa. O consumo de bebida alcoólica e de drogas corresponde a apenas 12,1% das causas.
Podemos compreender claramente que os dados apontados nos indicam um “perfil” por parte dos moradores de rua. Os estigmas preconceituosos de que são apenas “bêbados e loucos” devem ser julgados diante de tais apontamentos. Humanos como nós (bêbados ou sóbrios, loucos ou não), os habitantes de rua da cidade de Porto Alegre necessitam do auxílio popular, da consideração e do apreço por parte dos seus semelhantes, para que dentro ou fora de uma casa possam viver com dignidade.

*Jônatha é estudante de jornalismo, estágiário da prefeitura de Porto Alegre, blogueiro e twitteiro

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A força dos gaúchos na Libertadores 2011

Por Thiago S. de Souza*
Grêmio e Inter se reforçaram bem para a Libertadores da América 2011. Explico. 
Do lado azul, Rodolfo, Escudero e Carlos Alberto qualificam a equipe que chegou em quarto lugar no Brasileirão 2010.
Neste começo de temporada, a equipe de Renato apresentou carência no setor de defesa. Rodolfo vem para assumir o papel de xerife da zaga. Ao meu ver, deve ter Mário Fernandes como companheiro.
Escudero, jogador habilidoso e com ótimo chute de longa distância, é ótima opção para fazer o papel que Lúcio vem desempenhando no meio, liberando o jogador para voltar a sua posição de origem, a lateral esquerda.
Carlos Alberto, emprestado pelo Vasco até o final do ano, é uma aposta da direção e de Renato. É bom jogador, mas tem uma imagem desgastada por problemas extra-campo. Cabe a Portaluppi colocá-lo no eixo. Aí, é ótima alternativa para o meio.
O Tricolor ainda conta com uma boa surpresa: Vinícius Pacheco, que anotou dois gols importantes contra o Liverpool-URU, no Olímpico, garantindo o Grêmio na fase de grupos da competição continental.
Do lado vermelho, o badalado Cavenaghi chega para vestir a 9, que pertencia ao criticado e insustentável Alecsandro. É o artilheiro que a torcida reinvindicava.
O novo centroavante colorado é apresentado no estádio Beira-Rio
Outro grande nome que chega ao Beira-rio é Bollati, volante argentino de grande qualidade, que vem para ser titular. Enfim, um substituto para Sandro.
Zé Roberto é caso semelhante ao de Carlos Alberto, do Grêmio. Um mistério, contratado para compensar a venda de Giuliano.
Rodrigo, ex-Grêmio, deve lutar por seu espaço na zaga. Bolívar e Índio fizeram péssimo Campeonato Mundial, abrindo concorrência.
Roth também precisa encontrar posição para Rafael Sóbis. Jogá-lo para a função que já foi de Taison, não deu certo. Sóbis é atacante, precisa jogar na frente. Aliás, o técnico colorado precisa mostrar serviço, após o desgaste provocado pela derrota para o Mazembe.
A América considera o Inter como o "time dos sonhos". É o atual campeão da Libertadores, portanto, o time a ser batido.
Os representantes gaúchos em busca do título mais importante do continente entram na competição como favoritos. É grande a probabilidade da taça permanecer em Porto Alegre.

*Thiago é estudante de jornalismo, twitteiro e blogueiro

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Renato Godá em Porto Alegre

Domingo passado, dia primeiro de agosto, foi dia de grenal e de Renato Godá na capital gaúcha. A blogueira Karen Waleria, do Rocks Blog, foi no show do cara. Ela não conhecia, passou a conhecer e gostou muito.






[...] Renato Godá se apresentou no Santander Cultural em Porto Alegre nesse domingo e cativou o público que compareceu ao seu primeiro show na cidade desde a primeira música.


Tem uma presença cênica ímpar que casa perfeitamente com as músicas executadas,interpretadas com total maestria. Ele conseguiu fazer a platéia se tele-transportar aos legítimos cabarés parisienses.
Ele faz um mix de chanson francesa,mistura doses generosas de jazz,folk,mpb,um pouco de brega,um pouco de chic.
E voilá: 
Identidade é teu nome é Godá!!
Renato é um cantor/intérprete/compositor/ator.
Ele é completo. [...]