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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

As dificuldades de escalar o Grêmio em 2015

Se com o grupo completo, escalar o Grêmio não é fácil, imagine para esse primeiro momento do Gauchão, que começa já no sábado, às 17h, contra o União Frederiquense na Arena. Por agora, Felipão ainda não conta com Geromel, Ramiro e Giuliano, que recuperam-se de lesão, e Wallace, volante que serve à Seleção Brasileira sub-20. 

O grande problema do Grêmio são as incertezas e, claro, as características dos jogadores. Há muito mais dúvidas que afirmações. Mesmo que a direção afirme que o time tenha uma base pronta do ano passado - e tem -, também é verdade que jogadores fundamentais para o desempenho da equipe gremista em seu melhor momento dentro BR-14 deixaram o grupo. Para Scolari, é difícil repetir este ano o 4-4-2 que facilmente variava para o 4-3-3, tendo como destaque a parceria entre Dudu e Zé Roberto na esquerda e Luan como segundo atacante. Comentei sobre essa formatação aqui no PoA Geral. 

Os jovens Erik e Evérton são o que mais próximo o Grêmio tem do velocista Dudu. Mas que resposta esses jogadores realmente podem dar? Na lateral-direita, Galhardo e Matías Rodrigues podem ser mais regulares que o competitivo Pará? E na esquerda, a capacidade física e de recomposição de Marcelo Oliveira podem suprir a técnica de Zé Roberto?

Contudo, o maior pepino para Felipão pode estar no lugar em que, aparentemente, estaria a solução. A trinca Douglas, Barcos e Moreno. Bons jogadores, mas que juntos deixam a equipe pesada, sem a mobilidade necessária para a montagem de uma equipe veloz e competitiva.

Qual o esquema melhor se adapta ao grupo gremista? A falta de velocidade e de estatura dos principais jogadores são uma preocupação, além da incógnita que representam ainda alguns jogadores promissores, como o próprio meia Lincoln, tratado pelo clube como jogador acima da média.

No treino de quarta-feira, 28, o técnico gremista sinalizou uma formação sem a presença dos dois centroavantes, no esquema 4-2-3-1, valendo-se de algumas improvisações.

Nessa projeção testada pelo Felipão, Galhardo e Luan seriam os meias abertos, enquanto Marcelo
Oliveira faz dupla com Rhodolfo durante a ausência de Geromel. Moreno seria reserva de Barcos,
porém a presença de ambos na equipe que inicia o Gauchão não está descartada.  

Time Ideal?

Se eu tivesse a difícil missão de definir uma equipe ideal para o Grêmio, usando todos os jogadores do elenco, eu também optaria pelo 4-2-3-1. Apostaria minhas fichas no Giuliano recuperado, na velocidade do jovem Éverton e arriscaria uma dupla de volantes baixos, com Ramiro e Felipe Bastos,  para tentar ter a posse da bola a maior parte do tempo. À primeira vista, não é time para disputar a ponta de cima da tabela do Campeonato Brasileiro, mas encaixado pode, perfeitamente, ser postulante na Copa do Brasil.

Gremio 2015 - Football tactics and formations



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Regularidade é um dos méritos do Grêmio de Scolari

O Grêmio fez bom jogo contra o Fluminense, no Maracanã, na noite de quarta-feira, 24. Mesmo que não tenha vencido, ou que Marcelo Grohe tenha que ter feito algumas boas defesas. O fato é que mais uma vez a equipe não sentiu o fato de estar jogando fora de casa, soube agredir o adversário e manteve-se como a defesa menos vazada do BR-14. O Grêmio do técnico Luiz Felipe Scolari adquiriu corpo, ganhou cara e estilo e, sobretudo, está mantendo a regularidade.

É justamente essa regularidade que faz com que o time seja um dos postulantes a vaga na Libertadores. São pequenos direitos que as equipes vão ganhando ao longo da competição. Há três ou quatro rodadas o Grêmio conquistou esse direito de ser um dos que disputam a ponta de cima. Na classificação de momento, antes do final da rodada, nesta noite de quinta-feira, o Tricolor é o quarto, tem 40 pontos. Mas pode ainda ser ultrapassado pelo Atlético-MG, no entanto não se distancia do G4.

Felipão tem como base o 4-3-3 e, a partir deste sistema, executa pequenas variações dentro das partidas. Contudo, a estratégia é basicamente a mesma em qualquer circunstância. A marcação é quase que prioridade, não à toa tem a melhor defesa, tendo tomado apenas 14 gols, mas um dos piores ataques, com 19 gols. O líder Cruzeiro já marcou 49, o vice Internacional 31 e o terceiro São Paulo tem 42 gols. Time base:

 Gremio - Football tactics and formations

As variações táticas passam por mudanças de posicionamento de alguns jogadores. Para se defender, por exemplo, o Grêmio se recolhe em um 4-1-4-1, geralmente quando Giuliano está no time. Contra o Fluminense, Felipão se defendeu em um 4-4-2, deixando Luan como companheiro de Barcos, criando uma opção mais razoável de contra-ataque. Veja o posicionamento defensivo no Maracanã: 

Gremio - Football tactics and formations

Apesar de ter valorizado a posse de bola em alguns momentos contra o Fluminense, tentando não desperdiçar o controle das ações enquanto o adversário não dava espaço, esta não é uma característica latente da equipe de Felipão. Geralmente o Grêmio opta pela objetividade, se aproveitando da verticalidade de Dudu, Luan e da boa capacidade de Barcos reter a bola e esperar a infiltração de quem vem de trás. É uma mecânica de jogo pragmática e eficiente, similar àquela implementada por Renato Portaluppi na campanha de vice-campeão brasileiro do ano passado.

Já são oito jogos seguidos sem perder, sendo cinco vitórias e três empates. A última derrota foi para o Cruzeiro, no Mineirão, dia 21 de agosto. Naquela oportunidade, apesar do resultado negativo, o Grêmio teve boa atuação, deixando o líder marcar apenas nos minutos finais.

Se não é postulante ao título, nem tem como certo a vaga na Libertadores, é ao menos regular o time de Felipão. Fator que já o credencia a ficar no bolo de cima pelas próximas rodadas e brigar por uma vaga no G4. Entendo que o BR-14 tenha no atual cenário seis equipes (do 2° Inter ao 7° Atlético-MG) lutando por três vagas.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Grêmio não transforma bom desempenho em vantagem

O Grêmio é definitivamente um caso a ser estudado. Pois no século XXI, o Grêmio parece fadado ao fracasso, sem aptidão de decidir grandes jogos e, tampouco, ganhar títulos, mesmo tendo bons times e fazendo boas campanhas. Venho batendo muito nessa tecla há bastante tempo, e essa espécie de falência anímica voltou a aparecer na Arena, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, na noite desta quinta-feira. É possível jogar bem e perder por 2 a 0? Talvez seja.

O time de Felipão iniciou apresentando uma mecânica de jogo consistente, marcando e atacando com tranquilidade, valorizando a posse de bola e usando do artifício de variações táticas. Sem a bola, um 4-4-2 em duas linhas, com Dudu fechando o meio pela esquerda, Giuliano na direita enquanto Ramiro e Walace atuaram por dentro. Com a bola, um 4-3-3 muito bem definido, com Giuliano se postando quase ao lado de Ramiro e o jovem Walace recuando, geralmente cobrindo as excelente subidas de Zé Roberto. Esse é sim um Grêmio promissor. Que teve seus pecados, e o maior deles foi, sem dúvida, não fazer gols.

Divulgação Grêmio FBPA

O gol do bom time do Santos mudou a postura das equipes. O time gaúcho sentiu, e a equipe de Oswaldo de Oliveira soube se aproveitar do momento de vacilo gremista para ampliar ainda no primeiro tempo. Quase que em duas situações isoladas. O Santos soube decidir. O Grêmio, mais uma vez não conseguiu ser decisivo. É um problema, e se paga por isso.

O Peixe começou a partida no 4-3-3, tendo na frente Thiago Ribeiro na esquerda, Gabriel na direita e Robinho atuando de forma inteligente como "falso 9", flutuando pelo centro, buscando atuar no vácuo entre as linhas gremistas. É um movimento que naturalmente abriria espaço para a penetração em diagonal dos dois pontas, coisa que pouco aconteceu.

Na segunda etapa, duas modificações: Biteco no lugar de Walace e Alan Ruiz no lugar de Luan. O posicionamento permaneceu basicamente o mesmo, com as mesmas variações. O Grêmio imprimiu mais uma vez um bom ritmo, sempre rondou a área santista, porém insistiu muito pela esquerda, com Dudu, que fez boa partida, mas era preciso explorar o outro lado do campo também, tentar abrir a defesa santista. A certa altura entrou o lateral Mattias Rodrigues na direita, jogador de características ofensivas. Ele não foi acionado nenhuma vez.

É quase certo que o Grêmio não classifica, é muito difícil que reverta esse resultado na Vila Belmiro, por mais que faça uma boa partida. Agora, é preciso ter frieza na avaliação interna visando a continuidade do trabalho. Felipão parece ter encontrado uma maneira equilibrada de jogar, e seria um equivoco recuar e buscar uma mudança de equipe, por mais que isso soe contraditório após uma derrota de 2 a 0. Com um pouco mais de competência é possível buscar coisas melhores no Brasileirão.

Racismo
Está mais do que na hora da instituição Grêmio combater com mais ênfase a questão das manifestações racistas de alguns setores da torcida. É um problema histórico e não se pode mais negar esse grave problema. É preciso banir esse tipo de criminoso dos estádios, e se faz necessário que o torcedor gremista de bom senso também passe a combater o racismo. O episódio ocorrido durante o jogo, com torcedores (identificáveis) agredindo o goleiro Aranha com ofensas racistas foi triste e revoltante.

A reação de irritação e desconformidade do goleiro santista é correta. É preciso escancarar, denunciar, buscar que a justiça atuem sobre essas pessoas que são burras, atrasadas e criminosas.  

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Enderson Moreira pensou corretamente, mas agiu errado

A avaliação estratégica do técnico gremista sobre a partida contra o San Lorenzo foi correta. O Grêmio precisava buscar um resultado adverso, precisava de presença no campo ofensivo, era necessário amassar o adversário e mesmo assim não descuidar lá atrás. Não haveria de ser uma tarefa fácil, embora tivesse o Grêmio uma Arena lotada a seu favor e, mais importante, um time mais qualificado que seu oponente. Mas o fato é que jogos eliminatórios são compostos por requisitos únicos, fatores emocionais, anímicos, técnicos e táticos que mudam da água pro vinho a cada minuto que se passa e o resultado não aparece. E o que vemos nos últimos 10 anos é um Grêmio com sérias dificuldades de superar cada uma dessas adversidades próprias da hora decisiva.

Enderson fez certo ao sacar Ramiro do time e escalar no equilibrado 4-2-3-1, com Edinho e Riveros protegendo a zaga e apostando na desenvoltura dos três meias Dudu, Zé Roberto e Luan para tramarem com Barcos as oportunidades que levariam o Grêmio ao sucesso. Mas o Grêmio teve problemas de posicionamento e conflito de característica. Falta ao excelente Luan vitalidade e verticalidade para ser o meia-atacante aberto pela direita. Tanto para atacar quanto para auxiliar Pará na marcação e saída de bola. O Grêmio sofreu muito por aquele lado. Luan rende mais como segundo atacante, próximo da área, sem se desprender muito do centravante.

Zé Roberto, centralizado, não tem a característica do armador, tampouco do ponta-de-lança que vai ingressar na área e aparecer como finalizador. O camisa 10 rende melhor quando cai por uma das beiradas do campo. A inversão de posição com Luan, sobretudo no primeiro tempo, quando a equipe poderia sofrer menos com afobação, traria um acréscimo importante na dinâmica de jogo do Tricolor.

Na média, o Grêmio não fez um jogo ruim. Seja como for, e em jogo eliminatório situações adversas somam-se à história da partida a cada instante, o time de Enderson Moreira buscou o gol, amassou o adversário quando pôde, desperdiçou chances. Mas novamente, como acontece há uma década, faltou o algo a mais.

Diego Vara / Agencia RBS
Nos melhores momentos da segunda etapa o Grêmio teve aquilo que não teve com a escalação inicial: boa ocupação de espaço e intensidade. A equipe ganhou nesses dois aspectos com as entradas de Rodriguinho e Maxi Rodrigues, jogadores que podem não ser mais qualificados tecnicamente que Zé e Luan, mas naquele momento atendiam à necessidade estratégica que o treinador precisava: velocidade, imposição física, insistência na jogada e pressão na saída de bola.

No 4-4-2, sempre mantendo dois homens preocupando o sistema defensivo gremista, o San Lorenzo demostrou suas fragilidades. Por pouco não vazou mais de uma vez. Contudo fez o jogo correto e teve chances de matar a partida no contra-ataque - o que acabou fazendo depois, nos pênaltis, com frieza. Tendo a capacidade de decidir que há muito não se vê em boas equipes montada pelo Grêmio.

E o detalhe é esse. Boa equipe do Grêmio, em processo de construção, com um treinador que tem lá seus equívocos, mas vai fazendo um trabalho razoavelmente bom. Que infelizmente ainda não se traduziu em título e acaba sendo subestimado devido à sapatada no Gre-Nal. A instituição Grêmio precisa mostrar força, convicção no trabalho e respaldo aos profissionais que se empenharam ao máximo para tentar passar de fase na Libertadores. Se o Presidente Koff decidir que precisa trocar de técnico pela terceira vez em menos de dois anos, fica evidente que o problema não é o comandante.

domingo, 20 de abril de 2014

Sistema ofensivo gremista falha na estreia do BR-14

É estranho afirmar que o Grêmio jogou bem contra o Atlético-PR. Não foi exatamente uma boa partida, mas a verdade é que a derrota no Gre-Nal multiplica o peso de qualquer resultado que não seja a vitória. É preciso analisar a estreia no BR-14 de forma isolada. O time de Enderson não foi pior que a equipe paranaense, foi um jogo equilibrado, com um domínio mais acentuado para a equipe gaúcha, porém quem aproveitou a chance que teve foi o zagueiro Dráuzio, destaque na finalização fundamental e também na boa marcação individual a Barcos.

O gol saiu de uma falha do sistema defensivo, um conjunto que envolveu a marcação falha de Geromel e a saída imprecisa do goleiro Busatto. Contudo, a defesa gremista - que teve apenas Pará de titular - se portou bem. Teve outras poucas falhas durante o jogo, nenhuma delas grave ao ponto de permitir ao CAP ampliar o placar. Diferente do sistema ofensivo que, com a bola no pé, desperdiçou três ou quatro chances claras e foi inoperante em arremates de média distância, bolas paradas e escanteios. O Grêmio teve volume de jogo, não perdeu a cabeça quando tomou o gol, conseguiu trancar os contra-ataques do adversário, contudo teve um aproveitamento ofensivo irrisório.

Charles Guerra / Agência RBS
O retorno de Zé Roberto é importante, porém esse jogador carece de ritmo de jogo. Dudu mais uma vez se destacou individualmente, mas não conseguiu transformar isso em efetividade. Barcos foi bem marcado. Os jogadores que entraram, Rodriguinho e Éverton, também não conseguiram contribuir em termos de criação e finalização. O Grêmio sente falta de Luan, é o jogador que vinha fazendo o importante papel de segundo atacante, flutuando atrás do centroavante e tendo a chegada de Dudu, na diagonal pelo lado esquerdo. Além, claro, da chegada de Wendell por aquele lado, jogador que foi poupado.

Enderson manteve o sistema tático, um 4-4-2 com duas linhas bem definidas. Zé Roberto jogou mais perto de Barcos. Contudo, com o decorrer do jogo, houve variações. O Grêmio passou pelo 4-2-3-1 e terminou o jogo num frustrado 4-3-3 que acabou sendo engolido pelo 4-5-1 do CAP.

Não consigo perceber abatimento anímico nessa equipe do Grêmio. Foram duas derrotas seguidas, porém jogos e motivos completamente distintos. Não é hora de desconfiar do bom trabalho que vem sendo feito. Libertadores é outra competição, e nela o Tricolor está bem e confiante. E precisa entrar em campo na próxima quarta-feira, contra o San Lorenzo, tendo respaldo e apoio da torcida e da direção, jogando como legítimo segundo melhor time da competição.

domingo, 30 de março de 2014

O 2º tempo que mudou a história do Gre-Nal 400

Bruno Alencastro / Agencia RBS
Abel Braga mudou o time e o jogo no intervalo. Até porque viu o Grêmio dominar a primeira etapa e vencer por 1 a 0. A equipe de Enderson Moreira começou como se esperava, da maneira que vinha atuando nos últimos jogos. No 4-4-2, com Ramiro e Edinho por dentro, Riveros aberto pela direita e Dudu na esquerda, na frente Luan e Barcos. Embora já tivéssemos duas chances de gol para cada lado aos 15 minutos de partida, o time da casa era melhor em campo, tinha a posse da bola e buscava mais as jogadas ofensivas. Não à toa abriu o placar com Barcos, em jogada pela intermediária direita após cruzamento de Pará.

O Inter começou a partida modificado, Abel não posicionou a equipe como ela vinha jogando. Ao invés do 4-1-4-1, o Colorado voltou para o 4-2-3-1. Willians e Aranguiz foram os dois volantes posicionados, atrás do centroavante Rafael Moura o Inter teve Jorge Henrique pela direita, D'Alessandro centralizado e Alex mais à esquerda. E foram justamente estes três meias o grande problema do técnico colorado - mal posicionados pelo próprio Abel.

Centralizado, D'Alessandro ficou submetido à marcação de Edinho e não fazia bom jogo. Na direita de ataque, Jorge Henrique tampouco conseguiu jogar nas costas de Wendell quanto conseguiu acompanhar o lateral gremista na marcação. Do outro lado, sem o cacoete de jogar pelo lado, Alex centralizava, encontrava a marcação de Ramiro e trancava a passagem do chileno Aranguiz. Passou pelos desajustados três meias colorados a vitória do Grêmio no primeiro tempo.

No intervalo, Abel Braga tirou o apagado Jorge Henrique e colocou Alan Patrick. Além da mudança de jogador, talvez o mais importante tenha sido a mudança tática. Alex foi para o centro, onde se sente melhor. D'Alessandro foi para a direita, bater de frente com Wendell e fugir da marcação pesada do camisa 5 gremista. Enderson foi obrigado se viu  inverter Riveros e Dudu, prejudicando a mecânica natural do jogo do Grêmio. E pra fechar as mudanças que determinaram a vitória do Inter, pela direita o colorado teve Alan Patrick, mais interessado, vivendo uma belíssima fase tecnicamente e brigando por uma vaga entre os 11 titulares.

Bruno Alencastro / Agência RBS

O Grêmio sentiu muito o primeiro gol de Rafale Moura e partir de então o Inter cresceu ainda mais. O jogadores sentiram que o jogo colorado encaixou. Da mesma forma, o Grêmio percebeu que o adversário estava melhor posicionado. Do banco, Enderson talvez tenha feito uma leitura errada da partida e trocou um meia de velocidade por um jogador cadenciador. No momento parecia muito mais razoável contar com os dois em campo e optar pela saída de um dos volantes - Ramiro, que fazia partida apagada.

Visto que há saldo qualificado e o próximo jogo tem mando do Internacional, a vantagem do colorado é significativa. Resultados muito prováveis de um Gre-Naal beneficiam o time de Abel: Grêmio 1 a 0, 0 a 0 ou qualquer outro resultado de empate. Sem dúvida, foi um passo inestimável, fora de casa, para que o Inter possa ser Tetra Campeão Gaúcho.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O que mudou na dupla Gre-Nal de 2013 pra cá

Apesar da amostragem ser pequena e o nível de exigência do Gauchão ser dos mais baixos, é possível sim tirar algumas conclusões sobre Inter e Grêmio para 2014. Possivelmente uma ou outra análise pode soar precoce - e de fato é -, mas tanto Enderson quanto Abel estão apostando e trabalhando com uma filosofia de futebol que deve perdurar durante a temporada.

Grêmio tem mais opções ofensivas
Do time de Renato Portaluppi, vice-campeão brasileiro, para esse que inicia a temporada, houve duas perdas técnicas significativas: Souza e Vargas. Cada um por suas circunstâncias particulares. Porém, das poucas contratações que o Grêmio fez, nenhuma representa individualmente uma melhora significativa na qualidade do elenco. O fato é que o Grêmio ganhou em outras frentes, e um dos principais responsáveis por esse acréscimo é o estilo de jogo adotado pelo técnico Enderson Moreira.

Adriana Franciosi /Agência RBS
O Grêmio da temporada passada era pragmático, marcador, pouco vaidoso e nada virtuoso. Assim, conseguiu ser o segundo melhor time do Campeonato Brasileiro, com Kléber e Barcos comprometidos em marcar, e se desgastando por isso, pelo bem maior da equipe. Da mesma forma os volantes, invariavelmente três, sempre de muita entrega e transpiração.

O Tricolor desse ano achou alternativas e mudou a proposta de jogo. Luan veio da base e está dando conta do recado, Zé Roberto voltou à beirada do campo, sem a cobrança de ser o articulador central da equipe, Maxi Rodrigues é boa opção de banco, assim como Alan Ruiz. Jogadores mais agudos, Enderson ainda tem Kléber, Dudu e Éverton. Como titular, Barcos está correspondendo a uma mecânica de jogo que o aciona mais. O Grêmio de ontem, que venceu o Caxias por 3 a 2, a maior parte do tempo atuou numa espécie de 4-3-3, com Luan e Zé Roberto atuando pelos lados e conseguindo movimentação interessante na frente. 

O time de Enderson gosta de ter a bola no pé, diferente da equipe de Renato. Se terá resultado melhor, só o tempo dirá.

Inter tem transição no meio campo
No início da temporada o técnico Abel Braga perdeu três atacantes de alto nível: Forlán, Scocco e Leandro Damião. Mesmo com a contratação de Wellington Paulista, não podemos considerar que houve reposição à altura. Mas o fato é que o Inter tem o time de melhor rendimento do Gauchão 2014, sobrando em relação aos adversários e apresentando um futebol vistoso. Diferente do Grêmio, não há mudança significativa na postura e na proposta de jogo para essa temporada. Clemer e Dunga, assim como Abel, variavam do esquema 4-1-4-1 para o 4-2-3-1, sempre privilegiando a posse de bola e jogadores mais técnicos.

Porém, o atual treinador ganhou algumas soluções caseiras e um reforço estrangeiro importantíssimo. Primeiro os reforços caseiros: Alex, Alan Patrick, Fabrício e Rafael Moura voltaram a apresentam um futebol mais respeitável e hoje são peças fundamentais na campanha colorada. Principalmente o lateral-esquerdo, que praticamente não tem reserva, e o meia Alex, de condição física prejudicada na temporada passada.

No entanto, o nome fundamental é Charles Aranguiz, o volante chileno que consegue dividir ações com D'Alessandro na armação da equipe. Aranquiz chega para substituir Fred, o meia/volante que ano passado foi vendido e descompensou o até então arrumado time de Dunga. O chileno, assim como o brasileiro, tem vitalidade, desarme, bom passe e bom arremate. É o tipo de jogador que é chamado de "motorzinho do time", com a capacidade de fazer a transição da defesa para o setor ofensivo, jogando por dentro, na segunda linha de meio no 4-1-4-1 utilizado até agora por Abel Braga. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Equilíbrio marca um clássico precoce na Arena

O jogo
O resultado de 1 a 1, de certa forma, traduz bem o que foi o Gre-Nal 399, o segundo disputado na Arena gremista. Embora, é verdade, o Inter tenha obtido uma sensível vitória técnica e tática sobre o Grêmio - não o suficiente para sair vencedor. São duas equipes em formação. Não com muitos, mas com alguns jogadores novos e isso faz diferença, com dois técnicos iniciando um trabalho e isso faz muita diferença.

RICARDO DUARTE / AGÊNCIA RBS

O clássico teve o retrato de muitos outros disputados nas últimas temporadas, principalmente aqueles embates precoces nas rodadas iniciais de um campeonato estadual cada vez mais desvalorizado, de estádios vazios e temperaturas desencorajadoras. Grêmio e Internacional se preocupam mais em não perder e por isso abdicam de algumas situações dentro do campo de jogo que poderiam deixar o Gre-Nal mais aberto, mais bonito, com um vencedor - sem necessariamente ser menos aguerrido, com cara de clássico.

O lance do pênalti: no campo talvez marcasse; com o recurso da imagem, não há dúvida que o zagueiro Paulão toca com o braço na bola, porém a intenção do jogador, como prevê a regra, é absolutamente discutível. Não seria crime nenhum não marcar, contudo, cabe sim a interpretação de Leandro Vuaden.

O Grêmio
Em tão pouco tempo de trabalho fica difícil apontar o que seria ou não seria a escalação ideal de qualquer uma das duas equipes. Porém, enxergo um equívoco na escalação e no modo de jogar do Grêmio. Enderson Moreira não pôde contar com Kléber e por opção deixou Maxi Rodrigues no banco. A equipe foi à campo no 4-2-3-1, mesmo tendo três volantes de origem no meio-campo. Riveros jogou centralizado na linha de meias, um pouco mais contido, Zé Roberto atuou pela direita e o jovem Luan fez o lado esquerdo no lugar de Kléber. Com a função de combate, Edinho e Ramiro.

A opção por Luan foi acertada. O meia inclusive fez bom jogo, mas sentiu as dificuldades de jogar em uma equipe pesada, que joga numa formatação que exige velocidade e intensidade, duas coisas que o Grêmio não tem há muito tempo. Enderson errou quando não sacrificou um dos seus volantes de origem (volto a frisar que Riveros atuou como meia boa parte do jogo) para escalar Maxi Rodrigues, ainda que esse jogador viva uma fase técnica discutível.

Embora não tenha feito um péssimo jogo, o Grêmio de Enderson Moreira corre o risco de sofrer na sequencia do seu processo de montagem, justamente pela falta de confiança que ainda inspira em seu torcedor e pela proximidade da estreia da Libertadores. Enderson precisa fazer o que Luxemburgo vez no início de 2012, quando reconheceu e identificou a característica do seu grupo e montou um time pragmático e que até a chegada de Zé Roberto e Elano o próprio treinador classificava como time pesado.

O Inter 
RICARDO DUARTE / AGÊNCIA RBS
Discordo da leitura que alguns colegas fazem ao analisar o colorado no 4-2-3-1. Enxergo o time de Abel Braga postado da mesma maneira em que era posicionado por Clemer: 4-1-4-1. A única diferença é que há mais mobilidade do meio pra frente. Willians joga posicionado à frente da zaga, adiante tem D'Alessandro pela direita, Aranguiz e Alex por dentro e Jorge Henrique pela esquerda. É um meio-campo técnico e experiente, que vem demostrando obediência tática para fechar os espaços sem a bola, mesmo que a amostragem até agora seja pouca.

O Inter está invicto no Gauchão, já venceu com a equipe titular, com a sub-23 e com o time misto. O grupo adquire assim um confiança fundamental para o processo de montagem da equipe. No Gre-Nal deste domingo, exceto os primeiros minutos, o Inter foi sempre mais racional, sempre mais consciente daquilo que tava acontecendo no jogo. Tanto na hora de atacar quanto na hora de defender.

Ainda é cedo para qualquer diagnóstico, mas é possível ser otimista com o Internacional. Ao que tudo indica, será um time técnico, que privilegia a posse de bola e a troca de posição de seus homens de meia-cancha.   

domingo, 10 de novembro de 2013

Seis jogos sem marcar. Tem explicação?

Tem explicação. Não é exata, afinal se trata de futebol. Mas vai muito além da falta de sorte protestada por Renato, após a derrota de 3 a 0 para o Cruzeiro, em pleno Mineirão lotado. Primeiro o jogo: o Grêmio não jogou para levar três. No retorno do 3-5-2, o time de Renato Portaluppi defendeu-se bem até meados da segunda etapa, concedeu poucos espaços ao bom time de Marcelo Oliveira, que sendo o bom time que é, virtual campeão brasileiro, aproveitou cirurgicamente o que teve de oportunidade. Na frente, o Grêmio teve um Kléber e um Barcos mai próximos, tentandodo ser uma dupla de fato. Contudo, os atacantes gremistas voltaram a falhar nas finalizações. 

Dentre as milhares de variáveis dentro de uma partida de futebol, destaco sempre três fatores como os mais importantes para definir se uma equipe vence ou não um jogo. Quase que inventarialmente são eles: posse de bola, intensidade e ocupação de espaço. No Mineirão, o Cruzeiro teve 64% da posse da bola (Footstats), teve equilíbrio quando imprimiu intensidade para abrir o placar na primeira etapa e depois quando usou essa intensidade para marcar o Grêmio na segunda etapa e chegar ao segundo gol apenas aos 33 do segundo tempo, matando o time gaúcho animicamente e liquidando a partida aos 40 minutos, com a marcação do terceiro gol. Em contrapartida, o Grêmio não teve essa intensidade nem quando resolveu atacar, nem mesmo quando queria marcar o adversário, fundamentalmente a partir da metade do segundo tempo.

Ramon Bittencourt / Lancepress!

Porém, o que essa equipe do Grêmio mais carece no atual momento é de ocupação de espaço. Apesar dos três gols dese domingo, tem ocupado razoavelmente bem os espaços defensivamente. É na transição da defesa para o ataque que a equipe tem falhado feio nos últimos jogos. Dificilmente alguém diferente dos atacantes gremistas perdem gols. Falhas individuais? Certamente. Questão de fase ruim e incompetência: a bola não está entrando. Mas há uma falha coletiva, pois uma equipe é formada de 11 jogadores, e precisa que aconteça um certo rodízio nas micro-regiões do campo. Um exemplo básico é como joga o Barcos, saindo bastante da área. 

Não é difícil ver a área de ataque gremista desabitada. Se o Barcos está fora dela, cumprindo uma função tática muitas vezes determinada por seu treinador, é preciso que alguém, no mínimo, ocupe aquele espaço vazio. Seja um volante, um ala ou um segundo atacante. Isso é ocupação de espaço, compensação tática. É um quesito em que o Grêmio parece ter regredido nos últimos meses.

Portanto, não é só culpa da sorte, do Barcos, do Kléber, do Vargas e do Mamute. É um conjunto de situações, e só pode ser corrigido pelo Renato Portaluppi. 

domingo, 25 de agosto de 2013

A vitória da convicção

Da derrota para o Santos, na última quarta-feira, pela Copa do Brasil, não ficou apenas o resultado negativo e a desvantagem para o jogo de volta. Ficou a boa postura tática. Renato entendeu que aquela havia sido a melhor apresentação do Grêmio no 3-5-2 e compreendeu que esquema bom não é o que ganha, mas sim o que dá consistência, ocupação de espaço e perspectiva de crescimento. Por isso manteve os três zagueiros, os cinco meio-campistas e os dois atacantes. Exatamente os mesmos 11, postados da mesma maneira. E com um pouco mais de aplicação e efetividade, venceram o Flamengo, fora de casa, chegando a quatro vitórias consecutivas no BR-13.


Se o Flamengo está mal colocado na competição, se teve o desfalque importante de Elias, se jogou sem o apoio massivo de sua imensa torcida, se pensa mais na Copa do Brasil, nada disse interessa ao Grêmio. O fraco time carioca, mesmo no 4-3-3 armado por Mano Menezes, conseguiu deixar Marcelo Moreno solitário na frente.

O Grêmio marcou bem. Acima de tudo marcou, pois esta é a característica da equipe de Renato Portaluppi. A marcação começa com Kléber e Barcos e intensifica-se quando o adversário chega na linha do meio-campo, com Alex Telles, Riveros, Ramiro e Pará dando o combate, Souza posicionado alguns metros atrás, na sobra, e os três zagueiros ligados, rebatendo o que passar pela forte marcação dos cinco meio-campistas.

Assim, marcando forte, o adversário erra e é nesse erro que o tricolor tem ganhado seus jogos. Se as situações de gols foram poucas, as do Flamengo quase inexistiram. O Grêmio foi efetivo como não foi contra o Santos. Mas ainda pode ser mais, se defender e ganhar com mais tranquilidade, como havia se desenhado no primeiro tempo da importante vitória de 1 a 0 sobre o Flamengo.

O Grêmio vence e passa, aos poucos, a convencer. Coisa que, sinceramente, já não esperava dessa equipe em 2013.

MIL POSTAGENS!
Não é fácil manter um blog, ainda mais quando ele passa a ser a terceira ou quarta atividade do dia. Claro que gostaria de atualizar com muito mais frequência o PoA Geral, mas tenho conseguido, em média, postar três ou quatro textos por semana nos últimos anos. E dessa forma, muito feliz, chego ao número expressivo de mil postagens.

Obrigado a todos que leem, ajudam e já ajudaram. Rumo aos dois mil textos!  

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Grêmio não aproveitou o erro do adversário

Miguel Schincariol / Estadão Conteúdo
Essa derrota para o Santos, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, está longe de ser definitiva. O Grêmio segue vivo e favorito a passar de fase. Portaluppi não tem uma equipe pronta, ainda está em formação, porém está um estágio acima da equipe em transição de Claudnei Oliveira. Portanto, mesmo com a vantagem mínima conquistada, não enxergo o Peixe com grande possibilidade de classificar-se dentro da Arena, na próxima semana.

Ironicamente foi a melhor apresentação do 3-5-2 de Renato. Uma proposta muita mais clara em campo, bem definida, com o jogadores conscientes das funções que precisavam exercer. O esquema, que foi de necessidade a convicção após o Gre-Nal, parecia ter entrado em seu estágio de maturação. O Tricolor fazia bom jogo até levar o gol aos 36 do segundo tempo, porém cometeu o erro de não ser letal.

Nas últimas partidas o Grêmio se defendia, se protegia, corria riscos mínimos e especulava no erro do adversário. Pouca coisa diferente disso aconteceu nessa quarta, na Vila Belmiro. Em alguns momentos a equipe de Renato até teve a posse de bola e propôs o jogo. Vive um momento anímico mais tranquilo que a jovem equipe santista, e disso o Grêmio poderia tirar mais proveito.

Diferente dos últimos três jogos em que marcou 9 gols, desta vez o Tricolor desperdiçou. O Santos errou como o Renato queria. Claudnei escondeu Montillo grande parte do jogo, tentando que o argentino fosse um falso-nove, entre os zagueiros gremistas. Não deu muito certo. O que deu certo foi a movimentação do meia, que na segunda etapa foi recuado e, vindo de trás, construiu toda a jogada do gol santista. Momento raro.

O Grêmio teve o erro do adversário a seu favor. Barcos e Kléber fizeram boa partida, mas erraram gols que atacantes do nível de ambos não podem perder. E quem perde é o Grêmio, pagando o preço do desperdício, justamente na melhor partida do esquema que deu as três últimas vitórias ao time gaúcho. Entretanto - e posso queimar a língua -, em Porto Alegre, dá Grêmio. 

domingo, 4 de agosto de 2013

Equilíbrio marca primeiro Gre-Nal da Arena

O lance mais definitivo do Gre-Nal 397, o primeiro da história da nova Arena gremista, foi construído aos 21 minutos do primeiro tempo, por Willians. O volante colorado disparou pelo flanco direito, venceu dois ou três marcadores e cruzou para Leandro Damião, de pé esquerdo, marcar seu sexto gol em clássico. Cerca de 5 minutos atrás o mesmo Willians derruba Kléber na área, cometendo assim o pênalti que oportuniza a Barcos converter e abrir o placar do jogo. Mas o gol de Damião foi mais decisivo para o jogo, justamente por ter representado uma rápida resposta a um Grêmio que até então era melhor em campo, porém não teve tempo para crescer a tomar conta do clássico a partir do gol marcado.


Caso o empate colorado não tivesse ocorrido de forma tão rápida, pelo cenário inicial de jogo, entendo que o Grêmio conseguiria administrar o resultado e, talvez, ampliá-lo. O surpreendente 3-5-2 de Rento Portaluppi deu certo. Alex Telles e Pará conseguiram segurar os laterais colorados, fazendo com que a saída de bola do adversário fosse prejudicada. Os dois alas gremistas chegaram à linha de fundo algumas vezes e inverteram bolas de um lado a outro, algo fundamental para abrir a defesa do Inter.

O Grêmio também contou com boas atuações individuais, contudo ainda peca no momento da articulação mais decisiva. Devido a forte marcação proposta por Renato, a maior parte do tempo no campo do Inter, o Tricolor roubou algumas bolas importantes, mas não soube dar prosseguimento.

Do lado colorado, Dunga não conseguiu avançar sua equipe e se desvencilhar do esquema gremista. O treinador tinha peças para isso, e tinha em seus 11 iniciais. Assim como Adriano marcava individualmente D'Alessandro, os três zagueiros gremistas tinham que receber marcação homem a homem dos três, em tese, atacantes colorados, terminando com a sobra feita por Rhodolfo e obrigando os alas Pará e Telles a recuarem para compor a linha defensiva. Por opção do treinador em deixar Forlán e Jorge Henrique mais recuados, e pela imposição física e tática do Grêmio, essa foi uma medida não utilizada pelo Inter. Acredito que era viável.

O time de Renato foi levemente melhor, mas é inegável o baixo nível técnico do Gre-Nal desse domingo e um equilíbrio que acabou prevalecendo. O resultado não é tão ruim para o Inter quanto é, em termos de tabela, para o Grêmio. A equipe colorada segue seu caminho no BR-13 sem muitas alterações, continua vislumbrando a liderança, ainda mais com os acréscimos de Alex o Scocco. Por outro lado o Grêmio, mesmo fazendo um bom jogo, continua desencontrado, sem passar confiança ou dar perspectiva do que realmente é seu papel no campeonato.

Após o jogo a tônica acabou sendo discurso da ambos os clubes contra a arbitragem de Fabrício Neves Corrêa. Algo que, sinceramente, é exagerado por parte de Grêmio e Internacional. Os mesmos equívocos, dentro de um jogo normal, não causariam tanto barulho.

sábado, 13 de abril de 2013

O Grêmio que empatou com o Flu não apresentou evolução

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
O resultado de 0 a 0 entre Grêmio e Fluminense acaba não sendo ruim para nenhum dos dois. O único resultado que seria definitivo nesse jogo seria uma vitória carioca, que já garantiria a classificação antecipada do time de Abel Braga. Fora isso, uma derrota para qualquer um dos lados não representaria a eliminação do perdedor. Fica tudo para a última rodada. Para o Grêmio, ficaria de qualquer forma. 

Jogar duas contra o Fluminense, atual campeão brasileiro, e fazer 4 pontos, não é ruim. O ruim é perder em casa para o Huachipato. Mas o pior é não apresentar evolução depois de um mês se preparando para um jogo. O time de Luxa se reparou muito para o enfrentamento que teve com o Flu, na quarta. 

Pouco se viu de avanço em um time que ainda é novo, foi montado com a competição em andamento e precisa ainda adquirir maior sentido de equipe e mecânica de jogo. No papel, o Grêmio tem jogadores inteligentes e capacitados técnicamente para já terem assimilado algumas situações. 

O Grêmio que empatou com o Fluminense desfacelado, diante de uma Arena lotada, jogando junto, foi menos do que se esperava. Muito pelo desfalque de Elano, muito pela dor que prejudicou Barcos, muito pela noite infeliz de Cris ou pouco inspirada de Vargas. Mas ainda assim, o coletivo tinha que apresentar mais. 

Pelo que o Grêmio pode vir a ser, na quarta se viu pouco. Friamente, o resultado não foi ruim. No campo, percebe-se um Grêmio ainda despreparado para ser Campeão da Libertadores. Em processo de montagem, o time de Luxemburgo terá que ter muitas sorte e muita garra para seguir na competição enquanto ainda não estiver pronto.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Rodada de tropeços e reflexão para a dupla Gre-Nal

São José 0 x 0 Internacional

Na quarta-feira o Inter não passou do 0 a 0 com o São José, jogando no Passo D'Areia, na grama sintética molhada da chuva caiu sobre Porto Alegre naquela noite. Aliado a isso, Dunga não contou com cinco jogadores: Forlán, D'Alessandro, Fred, Ygor, Moledo e Juan. Alguns destes, é verdade, foram apenas preservados, enquanto outros estavam vetados pelo DM ou servindo sua seleção - caso de Forlán.

Se colocarmos na lista o Willians, o número sobre para seis. É mais da metade de um time. Em condição incomum de gramado, passa a ser compreensível a brutal queda de rendimento do Inter. Sinal que o grupo é fraco ou precisa de reforços? Não é fraco, mas como qualquer clube grande, boas contratações nunca são dispensáveis. 

Direção e comissão técnica sabem que nenhum time no mundo mantém o mesmo rendimento quando troca cinco titulares por cinco reservas. Assim como sabem que contra o São José, dava pra jogar um pouco mais. Não como Josimar, que dessa vez tentou jogar mais do que sabe, e fez muito menos do que vinha fazendo. 

O diretor de futebol, Luis César Souto de Moura, após o jogo, disse que só Atlético-MG e Corinthians no Brasil podem e estão rendendo mais que o Internacional. Ele não está muito errado, e quando falou que as críticas ao time existem e são feitas de forma interna, deu a entender que o Colorado sabe que o grupo de jogadores ainda precisa de algumas peças.


Grêmio 1 x 2 Cruzeiro

Fernando Gomes/Agência RBS
O resultado diz. O Grêmio fracassou, dentro da Arena. Perdeu para um Cruzeiro que ainda não tinha vencido na Taça Farroupilha. O pior para o time de Luxemburgo é que essa derrota vai além do Gauchão e acaba tendo reflexo na Libertadores. Afinal de contas, a equipe que entrou em campo, sem Elano e com três atacantes, era até então a mais provável formação para enfrentar o Fluminense, no dia 10.

É sempre muito complicado de sustentar uma ideia se baseando em derrotas ou atuações ruins. A vitória, com qualquer esquema, dá confiança, moral e consistência a um time. O ideal é que o Grêmio chegue para o confronto pela Libertadores dessa forma: confiante, com moral elevada e consistência. Por este aspecto, o 4-3-3 parece se tornar inviável.

Contudo, sigo com a ideia de ser a melhor opção para o Grêmio, considerando o acréscimo de Vargas no lugar de Kléber ou Welliton. Concordo com Luxemburgo quando diz que não devemos creditar a derrota exclusivamente ao esquema. O Grêmio já perdeu no 4-4-2, e perdeu bastante, inclusive.

Muitos fatores acabam determinando uma derrota ou uma vitória. O que mais pesa é a aplicação correta de um plano de jogo bem traçado. E este plano de jogo pode ser executado em qualquer esquema. Em qualquer formatação é preciso aplicação, intensidade e repetição. Pela coletiva pós jogo do treinador, faltou os dois primeiros. Pelo que declararam os jogadores na saída de campo, falta ainda repetição.

O que eram seis jogos pelo Gauchão para preparar o time, agora são apenas dois. Sinceramente, não sei mais se Luxemburgo banca o 4-3-3 contra o Fluminense.

quinta-feira, 21 de março de 2013

As opções de Luxa na vitória sobre o Pelotas

Ricardo Duarte/ClicRBS
O Grêmio venceu o Pelotas naturalmente, por 3 a 1 . Segunda vitória consecutiva na Taça Farroupilha, resultado que já garante certa tranquilidade no segundo turno do Gauchão. Contudo, o que chamou a atenção na partida desta quarta, na Boca do Loco, foram as opções do técnico gremista.

Luxemburgo deixou Elano no banco de reservas. Iniciou com Marco Antônio ao lado de Zé Roberto. Na segunda etapa, Zé deixou o time para a entrada de Elano. Foram 45 minutos pra cada, uma preservação compreensível e necessária. Não é preciso esticar a corda.

Quanto a presença de Marco Antônio, o treinador já começa a observar as opções para o jogo contra o Fluminense, pela Libertadores. Se diante do Lajeadense, Luxemburgo testou o 4-3-3, dessa vez o técnico optou por uma formação mais conservadora . O meia não fez uma partida destacada, como de fato não é seu perfil.

Na segunda etapa. Kléber novamente entrou. O atacante que volta de lesão fez bom jogo. Vai se credenciando como forte opção para enfrentar o Fluminense. Na minha ótica, disputa posição com Welliton, que ontem finalmente marcou seu primeiro gol com a camisa do Grêmio.

Continuo achando o esquema com três atacantes de origem - que obviamente voltam para recompor e ajudar no primeiro combate - a melhor opção para o Grêmio enfrentar o Fluminense, na Arena.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sob o comando de Barcos, Grêmio começa a ter cara de time

O atacante argentino, que não treinava desde sábado, devido a um problema familiar, foi o maior responsável pela mecânica de jogo que acabou no 3 a 0 sobre o Fluminense. Um resultado vital para um Grêmio que tinha perdido a primeira em casa e corria o risco, na pior das hipóteses dessa rodada, de ficar com zero pontos, enquanto Huachipato e Fluminense chagariam a 6. Com a vitória, e com o resultado favorável ao Caracas, no Chile, todos do grupo ficaram com 3 pontos. O time gaúcho agora é o líder pelo saldo de gols.

Abel surpreendeu e largou com Deco e Thiago Neves no banco. No campo, um 4-2-3-1, com Sobis e Nem pelas pontas, Wagner centralizado. No ataque, um Fred muito bem marcado por Cris. Pelo lado direito, Wellington Nem foi o jogador mais agudo, explorando as costas de André Santos. A falta de parceria e a boa atuação do lateral gremista, bem assessorado por Zé Roberto e Fernando, atrapalharam o atacante do Fluminense.

No 4-4-2 gremista, além da tradicional linha de quatro defensores, mais à frente Elano fechava pela direita, Zé Roberto na esquerda, enquanto Souza e Fernando combatiam e ajudavam a contra-atacar pelo centro. Jogando no espaço deixado às costas dos volantes, obrigando a zaga carioca a avançar para marcá-lo, o Grêmio teve Barcos. O homem de jogo.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Barcos participou diretamente dos três gols gremistas. O centroavante, além de marcar presença na área, soube jogar muito bem fora dela. É da sua característica. Mais de uma vez o argentino lançou Vargas em profundidade. Em uma delas, com o Fluminense já completamente desorganizado devido as mudanças de Abel Braga, o atacante chileno recebeu em velocidade matou o jogo.

O Grêmio começa a ter cara de time. Não é a atuação que define que o Tricolor está pronto. Ao contrário do Fluminense, que está pronto, e dessa vez foi mal, o Grêmio está em formação, buscando um padrão de jogo. Nessa busca, o time de Luxa fez uma bela partida, que dá indícios do potencial técnico desse elenco montado para 2013.

O Grêmio volta a entrar nos trilhos. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Derrota gremista passa por erros de Luxa e falta de entrosamento

Jogadores como o volante Adriano, o lateral André Santos e o atacante Barcos, chegaram há pouco mais (ou pouco menos) de uma semana em Porto Alegre. Welliton, que entrou no segundo tempo, também. O zagueiro Cris, faz recém sua segunda partida na temporada. Vargas, a terceira. E o Grêmio sabia de tudo isso, sobretudo Luxemburgo, treinador experiente, que sabe dos perigos que poderia correr ao escalar um time completamente novo. 

Ele assumiu o risco planejando ser o Huachipato do Chile um adversário mais fraco. Pode até ser, tecnicamente. Porém, estratégica e taticamente o clube visitante teve todos os méritos na construção da vitória, chegando a abrir dois gols de vantagem.

O Grêmio não perdeu simplesmente porque Fernando foi sacado do time e Adriano foi alçado à condição de titular ao lado de Souza no meio-campo. O Tricolor perdeu pelo insucesso na execução do plano de jogo. Obviamente, fica mais difícil executar qualquer filosofia de futebol tendo uma equipe desentrosada. Da mesma forma que é mais fácil marcar e envolver um time que ainda não se conhece. O Huachipato soube se aproveitar de todos os fatores que teve a seu favor. Inclusive da má atuação do sistema defensivo gremista.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Promover a estreia de André Santos faz sentido, afinal a lateral-esquerda era um dos setores carentes do time. A estreia de Hernán Barcos poderia ter acontecido apenas no segundo tempo, apesar de não ter ido mal no jogo. No final das contas, o que mais pesa é a questão do primeiro volante. Luxemburgo abriu mão do quarteto de meio-campo que joga junto desde a temporada passada, enfraquecendo o setor e contribuindo com a falta de entrosamento da equipe.

Na volta do intervalo, já perdendo por 1 a 0, o treinador tirou Adriano e colocou Marcelo Moreno ao lado de Barcos. O Grêmio ficou num 4-3-3 com dois centroavantes de área, e Vargas (de atuação ruim) flutuando em volta da área. Quando o mais lógico era apostar nesse mesmo sistema, porém com mais um atacante de lado de campo, que seria o Welliton (que entrou mais tarde no lugar de Vargas).

O Tricolor tomou o segundo gol logo aos cinco minutos do segundo tempo, antes mesmo que a modificação de Luxemburgo pudesse surtir qualquer efeito. Com o Huachipato naturalmente mais fechado devido a vantagem de 2 a 0, ficou muito mais difícil correr atrás do resultado. Barcos acabou descontando em cobrança de pênalti. De resto, o Grêmio atacou com pouco organização e teve até chances para empatar. Mas não foram muitas, e muito menos seria um empate merecido.

O Grêmio de 2013 ainda não tem cara, nem espírito de Libertadores. Vai precisar adquirir em meio à competição. Material humano para que isso aconteça, Luxemburgo tem. Caso o treinador não volte a tropeçar nos próprios equívocos, a tendência é que seja uma grande equipe.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O bom grupo gremista ainda precisa de um meia

Ao que tudo indica, o Grêmio fechou o grupo de jogadores para a disputa da Liberadores da América, ao menos nesse primeiro semestre. Com as chegadas de Welliton, Adriano, Barcos e André Santos, todos nessa última semana, o Tricolor qualifica seu plantel e se coloca como um dos favoritos a qualquer título em 2013.

Lucas Uebel/GRÊMIO FBPA
Numa projeção inicial, o Grêmio de Luxemburgo, no 4-4-2, seria  seguinte: Grohe/Dida, Pará, Werley, Cris e André Santos; Fernando, Souza, Elano e Zé Roberto; Vargas e Barcos. No papel, é muito bom time. Como peças de reposição, o Grêmio tem Saimon e Bressan pra zaga, Tony e Alex Telles nas laterais, Adriano, Misael e Marco Antônio como volantes, Jean Deretti e Bertoglio nas meias e, na frente, Welliton, Kléber Gladiador, Marcelo Moreno e Willian José. O lateral/meia Fábio Aurélio ainda retorna de lesão, mas será boa opção mais adiante.

Ao bom grupo Tricolor, só está faltando uma boa reposição para Elano e Zé Roberto, visto que Deretti ainda é um jovem a se afirmar e Facundo Bertoglio é muito mais um meia-atacante de velocidade ou até mesmo um segundo atacante, fugindo das características dos dois titulares.

Para o ano de 2013, o Grêmio investe alto, e aposta em títulos. Pelo menos, está montando time para poder sonhar.

Juventude 2 x 1 Grêmio
Mais uma derrota do time reserva. O Grêmio mais uma vez aparece fora da zona de classificação. Visto que ainda há duas partidas pra fechar essa primeira fase de grupos e que, em pelo menos um desses jogos, o Grêmio jogará com time reserva, não é absurdo cogitar que o Tricolor não participe da fase decisiva da Taça Piratini. É um risco calculado. Para o Grêmio, não há nenhum problema em não disputar o título desse primeiro turno. Faz sentido, é compreensível.

Desse tipo de jogo, sempre se tira aspectos positivos. Claro, também há os negativos. Nesse sábado, mais uma vez acabou sendo Willian José. O jovem centroavante que veio do São Paulo não acertou nenhum lance, e vai ficando pra trás na forte concorrência que o Grêmio passa a ter no setor ofensivo.

O jogo melhorou no segundo tempo, coincidentemente depois da saída de Willian José. Com a entrada de Facundo Bertoglio, Mamute (estes dois uns dos bons destaques) passou a ser o homem da referência e o Grêmio se posicionou num 4-2-3-1. O  Tricolor abriu o placar e dominou grande parte da segunda etapa. Porém, depois da algumas mudanças, a equipe se fragilizou e não teve força para segurar a grande pressão do Juventude.

Não deveria, mas acabou sedendo a virada. Méritos do Juventude do técnico Lisca, que mexeu bem na equipe e soube inflamar seus jogadores rumo a um resultado importantíssimo para o time da serra praticamente garantir sua classificação entre o quatro primeiros do grupo B.

domingo, 2 de setembro de 2012

Grêmio conquista empate importante

Luxemburgo não gosta de empatar. Na sua conta, e está correta, correr riscos e buscar a vitória dá muito mais lucro que administrar um empate e ganhar penas um ponto. Contra o Palmeiras, no Pacaembu, pela segunda vez no BR-12 o Grêmio empata uma partida. Portanto, são as 13 vitórias no campeonato que qualificam a campanha gremista. É o mesmo número de vitórias que o líder, Atlético-MG.

O Grêmio perdeu Kléber aos 18 minutos do primeiro tempo. O atacante foi expulso depois de deixar o braço no rosto do volante Henrique numa disputa de bola. Jogar com um homem a menos desde tão cedo, aumentou muito o grau de dificuldade da partida. Fator que valoriza o empate, entendendo que, pelas circunstância, era muito mais provável uma vitória do Verdão que uma do Grêmio.
Tom Dib/Lancepress
Com a corda no pescoço, na zona do rebaixamento e com alguns desfalques importantes, o time do Palmeiras entrou comendo grama. Num 4-4-2 parecido com o do Grêmio, portanto duas equipes espelhadas, com a marcação encaixada. Por isso, jogo de muito contato físico e intensa movimentação.

Interessante de perceber é que não era apenas os jogadores do Palmeiras que estavam comendo grama. O time do Grêmio mostrou muito comprometimento tático e entrega física. Depois da expulsão de Kléber, Luxmburgo posicionou duas linhas de 4, com Zé Roberto fechando a meia esquerda e Marco Antônio pelo outro lado. Mais à frente, Marcelo Moreno.

O que correram Moreno, Zé Roberto, Souza, Anderson Pico, foi uma enormidade. O camisa 10 gremista ainda jogou o segundo tempo como único atacante. Deu cada pique como se ainda tivesse 23, não 38 anos. No Palmeiras, algumas boas jogadas foram criadas, principalmente quando Barcos conseguia fugir da boa marcação dos zagueiros, mas o time de Felipão esbarrou em Marcelo Grohe.

O Grêmio ainda teve a sorte de contar com o empate do Fluminense em 2 a 2 com o Figueirense. Assim, o time gaúcho segue com os três pontos de distância do Tricolor Carioca. Tendo em vista que na próxima rodada o Grêmio recebe o Atlético-GO e o Flu pega o Santos, o zero a zero desse sábado pode se converter em vice-liderança no meio da semana.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vantagem do Palmeiras é desproporcional, vitória não

O jogo não foi bom no Olímpico. Os 45 mil torcedores que lotaram o estádio assistiram a dois times pesados, de características parecidas, marcando muito e criando pouco. No décimo segundo jogo de Luxemburgo no Olímpico, a primeira derrota depois de uma série de 11 vitórias. Um retrospecto positivo que dava ao Grêmio certa dose de favoritismo.

Mas favoritismo nunca foi garantia de nada. A vitória do Palmeiras foi merecida, teve a cara de Felipão e fez-se graças ao exito da estratégia do treinador. Entretanto, o tamanho da vantagem adquirida pelo Verdão é desproporcional à sua campanha, à campanha do Grêmio (até então invicto na competição), e ao momento das duas equipes. Copa tem dessas coisas, nem sempre a melhor campanha é a do campeão. Isoladamente, o 2 a 0 para o Palmeiras é normal. Mas o peso desses dois gols no Olímpico vira de lado o favoritismo e coloca o melhor time da competição até agora em uma situação quase irreversível.

Praticamente toda vitória e toda derrota passa pelas opções e convicções do treinador. Isto vale para Luxemburgo, que faz um bom trabalho no Tricolor, mas que ontem não foi bem, e vale para Felipão, que está há um ano e meio aos trancos e barrancos no Palmeiras, só que acertou a mão e o time nesse primeiro confronto da semifinal da Copa do Brasil.

A grande surpresa do Grêmio foi a escalação de Kléber no ataque, junto a Miralles. Não acho que Luxa tenha errado aí. Inflamou o estádio com a presença do Gladiador e escalou dois atacantes que conseguem prender a bola no ataque. Mesmo com Kléber não estando com total ritmo de jogo, ao menos 45 ele aguentava. E aguentou muita porrada. De resto, um Grêmio igual, no 4-3-1-2, mas com um Marco Antônio muito escondido, bem marcado por Henrique. Se pelo lado direito do meio-campo Souza fez ótima partida, faltou a parceria com Gabriel, que jogou um futebol preguiçoso, fora do ritmo da decisão.

A estratégia do Palmeiras era marcar. Principalmente no 1° tempo. Segurar o Grêmio, amornar a torcida e sair mais no segundo tempo. Se o 0 a 0 era lucro, imagine o 2 a 0. Felipão montou um 3-5-2 híbrido, que tinha um zagueiro (Henrique) de primeiro volante, e um lateral como terceiro zagueiro (Arthur, pela direita). Na marcação de Kléber, sempre dois jogadores. Conforme a situações de jogo, esse Palmeiras virava facilmente um 4-2-3-1, sempre com Barcos lá na frente. João Victor, que no 3-5-2 era ala pela direita, avançava e ficava em linha com Daniel Carvalho e Luan, ficando os três na retaguarda do centravante.

A marcação do Palmeiras estava encaixada, funcionante completamente. As chances de gols são raras na partida, embora tenha no primeiro tempo o Grêmio um bom volume de jogo, mas sem praticamente nada de infiltração.

O jogo foi decidido depois das principais substituições do segundo tempo. Vanderlei Luxemburgo abriu mão do jogo de paciência, abriu mão da posse de bola no ataque. Sacou Miralles e Kléber e colocou Moreno e André Lima, dois centroavantes para receber bola alçada de tudo quanto é parte do jogo. Facilitou a marcação palmeirense. O ataque do Grêmio parecia uma parede, a bola batia e voltava.

Do outro lado, Felipão, que já via um Palmeiras mais à vontade em campo, menos nervoso que o time da casa, dotou sua equipe com mais velocidade. O zagueiro lateral Arthur saiu para entrar o lateral Cicinho, que tem mais recursos técnicos e que continuou cumprindo a mesma função do companheiro. No meio, o descompromissado Daniel Carvalho foi substituído pelo jovem e rápido Mazinho. Aos 41, Cicinho puxou o contra-ataque fulminante que acabou no gol de Mazinho. O segundo gol veio quatro minutos depois, de forma natural, com um Palmeiras cheio de confiança e um Grêmio totalmente atordoado depois do gol.

A grande vitória palmeirense passa por uma série de erros e acertos, de ambas as partes. Um jogo não define um ano, mas um jogo e uma vantagem desproporcional podem decidir uma Copa. É o que está acontecendo com o Grêmio. A não ser que na próxima semana aconteça a improvável virada tricolor. Impossível não é.

*Foto Fernando Gomes/ClicRBS