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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O que vale mais no Gre-Nal: objetivo ou simbolismo?

Um certo simbolismo, históricamente, toma conta do futebol do Rio Grande do Sul. No Campeonato Brasileiro, vive-se em eterno Gauchão. Quando os principais objetivos, como título e vaga na Libertadores, não são alcançados, torcedores e dirigentes exageradamente apaixonados e sanguíneos, contentam-se com a corneta de terminar no Brasileirão na frente do rival.

É um aspecto bairrista, típico do gaúcho. Uma característica que acaba apequenando tudo, de certa forma. Limitando o que é daqui a uma esfera que não ultrapassa as fronteiras do estado. O futebol, e todos que o envolvem, acabam incorporando isso. Acho ruim, nocivo aos nossos clubes, que muitas vezes não se portam como se tivessem a dimensão que de fato têm e adquiriam através de suas biografias centenárias.

Chegamos ao último Gre-Nal da história do Estádio Olímpico. Ao Inter, só resta o simbolismo de vencer o último clássico disputado na casa do Grêmio. Ao Tricolor Gaúcho, ainda falta alcançar um objetivo, que é a vaga direta na Libertadores, o que significa ser segundo colocado no BR-12. De qualquer forma, o simbolismo de fechar o Olímpico vencendo o Internacional também está intrínseco ao objetivo gremista.
Mas há um adendo. Mesmo perdendo, o Grêmio pode conquistar a segunda colocação e a vaga direta. Só depende de um resultado positivo entre Galo e Cruzeiro. E aí a questão: só conquistar o direito de disputar a Copa Libertadores a partir da fase de grupo, sem precisar passar por um jogo eliminatório, basta ao Grêmio?

No caso específico desse Gre-Nal, fico com a importância do simbolismo. Não será completa a glória Tricolor caso o Inter vença - como já o fez no primeiro clássico do Olímpico, um expressivo 6 a 2. Vaga direta ou indireta para Libertadores se disputa todo ano, assim como clássicos decisivos. O Gre-Nal do próximo domingo, fecha um Estádio com 58 anos de história, um templo emblemático do futebol mundial. É, sim, significativo uma vitória, por quem quer que seja.

Os objetivos reiais do campeonato, colocação e pontuação final, dessa vez, estão em segundo plano. Vale o que fica pra história, o que enriquece o ego do torcedor. Qualquer outro prêmio - que não um título - é lucro no domingo.

domingo, 26 de agosto de 2012

Vitória gremista no Gre-Nal e as dúvidas de Fernandão

A vitória de 1 a 0 no clássico 393 é muito importante na trajetória gremista rumo a Libertadores 2013. O Grêmio passou o Vasco, é o terceiro colocado no BR-12, tem 37 pontos e está com seis de vantagem em relação ao quinto e ao sexto colocado (São Paulo e Inter, respectivamente). Isso que dizer que o Grêmio precisa de, pelo menos, duas rodadas ruins para sair da zona de classificação. É uma boa vantagem.

Vantagem adquirida não pelo brilho individual dos atacantes, mas sim pela solidez defensiva e pelas atuações seguras e decisivas de Marcelo Grohe e Gilberto Silva. O Grêmio fez o gol cedo, ao 7 minutos, quando tinha Elano, autor do gol, que saiu lesionado antes dos 15 minutos de jogo. Com o meia, o Grêmio era melhor em campo, parecia mais tranquilo, jogava com mais naturalidade contra um Inter que ainda não encaixou.

Fernando Gomes/ClicRBS
As duas equipes estavam completamente espelhadas, atuando taticamente de forma similar, um 4-4-2 com meio-campo em quadrado. No embate individual, dois laterais para dois laterais, dois atacantes para dois zagueiros e dois meias para dois volantes. Não teve nenhum tipo de nó tático. O gol cedo e o fato de o Grêmio estar pronto, em boa fase - ao contrário do Inter -, determinou o cenário do jogo até os minutos finais.

Fernandão surpreendeu ao escalar Kléber no meio-campo, pela esquerda. A ideia era forçar uma parceria com o lateral Fabrício e com Forlán, que também atuou por ali. Não deu muito certo. O grande jogador do Inter na partida estava pelo outro lado. Fred atuou pela direita, deu muito trabalho a Fernando e a Souza e, muitas vezes, faltou parceria.

Esperando o Inter, o Grêmio jogou de forma tranquila, administrou o 1 a 0 sabendo que o colorado não vive sua melhor fase. Zé Roberto foi a grande válvula de escape gremista. Quando Marcelo e Gilberto Silva aliviavam lá atrás, a equipe procurava a perna esquerda do camisa 10, que baixava o ritmo do jogo e segurava a bola.

As mudanças do Inter no segundo tempo desorganizaram o time. Precisando buscar o resultado, o Inter teve pressa, excesso de jogadores ofensivos e jogou menos que na primeira etapa. Fernandão tirou Igor e Forlán e montou uma espécie de 4-1-3-2, com Moura e Damião na frente e Dátolo, Dagoberto e Fred tentando armar. Jogando assim, o Colorado não conseguiu se organizar.

Os próximos jogos do Inter servirão para o técnico colorado matar suas dúvidas quanto ao time titular. O Inter precisa definir uma dupla de zagueiros, um formato de meio campo e uma dupla de ataque.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Gre-Nal aparentemente sem crise

Ditado comum na aldeia do futebol gaúcho é que Gre-Nal tira da crise e põe na crise. Ou seja, ganhar o clássico significa sempre um gás a mais, uma luz no final do túnel de quem não vive bom momento. Perdê-lo é exatamente o contrário, é a luz enfraquecendo, o sintoma que as coisas não vão bem. Gre-Nal faz técnico balançar.

Curiosamente, o clássico de número 393 deste domingo, válido pela última rodada do primeiro turno do BR-12, não tem essa característica. Me parece que os dois vestiários estão muito bem blindados para uma possível crise pós-grenal. Não acontecendo uma goleada de proporções históricas, ou algum fato muito inusitado, nem Fernandão, nem Luxemburgo balançam caso sejam derrotados.

Guilherme Becker/Agência RBS
Fernandão porque está iniciando um trabalho, tem a simpatia da direção, do grupo de jogadores e da torcida. Não faz má campanha, tem apenas uma derrota em oito jogos, soma 31 pontos estando na 5° colocação. Tem três pontos a mais que o sexto colocado (São Paulo) e três pontos a menos que o quarto (Grêmio).

É fato que Fernandão passou a contar com seus melhores atletas apenas agora, questão de uma ou duas semanas. Antes disso trabalhava com um grupo esfacelado, repleto de desfalques. É um aspecto que pesa na avaliação de qualquer trabalho, e soma-se aos outros motivos que garantem um ambiente longe de crises no Internacional.

Do lado do Grêmio, a primeira vacina anti-crise é a classificação do BR-12. Mesmo perdendo, o Tricolor não perde posição, segue na quarta colocação, podendo ser alcançado em número de pontos apenas pelo próprio Inter, mas ganha do rival nos critérios de desempate.

Bons resultados recentes, como o 2 a 1 contra o São Paulo, o 4 a 0 sobre o Figueirense, e a classificação para as oitavas de final da Copa Sul-Americana, engrandecem o aspecto psicológico da equipe gremista. Com um plantel de jogadores experientes e uma comissão técnica que tem confiado muito no planejamento do clube, o Grêmio saberá avaliar o real peso que seria uma derrota no clássico. Não há o mínimo motivo para crise. Sinto no Grêmio um vestiário também blindado, com plenas condições de lidar com qualquer situação, sem alarde, sem perder os rumos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Como podem jogar Elano e Forlán

Edu Andrade/Gazeta Esportiva
Sem dúvida nenhuma a contratação do uruguaio Forlán pelo Inter tem um peso diferenciado. É um jogador de talento reconhecido internacionalmente, com passagem vitoriosa pela Europa, foi o craque da Copa de 2010 e é ídolo na seleção uruguaia. Além de ser um grande jogador de futebol, Forlán também é uma bela jogada de marketing do Internacional. A não ser que dê muito errado com a bola rolando, a contratação do uruguaio é o grande acerto do Inter em 2012.

Lucas Uebel/Grêmio
Elano é de outra turma, não tem a mesma qualidade nem o mesmo prestigio. Não é aquela contratação de lotar aeroporto, mas pode ser aquela que ajeita o time. Elano é bom jogador, voluntarioso, sabe carregar o piano mas, quando precisa, pode afinar o instrumento também. É jogador experiente, com passagens exitosas no Santos e na Seleção brasileira. Elano tem como fazer diferença no atual grupo de jogadores do Grêmio.

Mas como atuariam taticamente na dupla grenal esses dois jogadores? Ambos são polivalentes e podem, com qualidade, exercer mais de uma função em campo.

No Grêmio, sem alteração de esquema, Elano entra na equipe atuando pelo lado direito do meio-campo, no habitual 4-3-1-2 de Luxemburgo. Pela má fase, mesmo sendo canhoto, Léo Gago perderia a vaga, Souza mudaria de lado para dar lugar ao novo contratado, Fernando seguiria na primeira função do losango e Zé Roberto fecha o meio como ponta-de-lança. Assim o time ganha mais experiência, mais qualidade técnica e uma chagada de trás mais qualificada.

Há outras alternativas, só que menos prováveis. Luxemburgo pode adiantar Elano e deslocar Zé Roberto mais para o lado esquerdo, montando assim um quadrado no meio, com Fernando e Souza sendo os volantes do 4-2-2-2. Não descarto ainda que o treinador cogite fazer o que fez Dunga quando treinou o jogador, utilizando Elano como meia aberto na direita no 4-2-3-1. A única dúvida é se Kléber seria o único atacante ou seria deslocado para o lado esquerdo do campo.

No Internacional, as incógnitas podem ser maiores. Afinal o grupo esta completamente em aberto. Ainda não se sabe se Ganso e Nilmar chegam e se Oscar e Damião serão vendidos. Contudo, Dorival já adiantou como pretende usar Forlán. O técnico colorado quer que o craque atue como no Uruguai de 2010, pela faixa central do campo, como segundo atacante, como ponta-de-lança ou centroavante. Na Copa em que foi o melhor jogador, variou entre essas três posições.

Ponta-de-lança está praticamente descartado no Inter, Dorival não vai modificar o esquema a ponto de centralizar a criação do time em apenas um jogador. E no grupo atual, não tem jogadores para fazer um losango no meio. A tendência é que continue o 4-2-3-1 no Beira-Rio.

É difícil supor o Internacional que terminará jogando o BR-12, mas atualmente, Forlán seria o homem centralizado do trio de meias, com D'Alessandro de um lado, Dagoberto ou Oscar de outro. Na frente, Damião ou Nilmar. Caso o Inter não conte mais nem com Damião, nem com Nilmar, o uruguaio joga como atacante mais avançado sem problema nenhum. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um novo velho Grêmio para o Grenal?

Depois de sair de Porto Alegre para dois jogos fora pelo BR-11, o Tricolor volta com duas derrotas amargas, sintomáticas. Primeiro contra o Ceará, na quarta-feira passada, quando levou três e poderia ter levado mais. Depois, no domingo, contra o Atlético-GO, num jogo em que o Grêmio jogou partida razoável em alguns momentos, porém sofreu pela falta de poder ofensivo, pela displicência de Rafael Marques ao ser expulso depois de operar o adversário ainda no meio-campo, pelas seguidas falhas defensivas em momentos importantes. O Grêmio desses dois jogos fora de casa é o retrato do Grêmio de 2011.
Para o Grenal do próximo domingo, o Grêmio vai buscar sua difícil recuperação contra um Inter em nova fase e, para isso, Celso Roth mudará muito sua equipe. Mudará como já mudou o Grêmio algumas vezes desde o início da temporada. A dupla de zagueiros deve ter Mário Fernandes voltando de lesão e o estreante Edcarlos. Na esquerda, Bruno Collaço deve dar lugar ao recém chegado e mais experiente Julio César. No meio-campo, o suspenso Adilson dá lugar ao volante da Seleção sub-20 Fernando, ou, quem sabe, Marquinhos comece o jogo ao lado de Douglas. No ataque, Miralles volta ao banco e Leandro faz dupla com Brandão.
No papel, é um Grêmio diferente. Em termos de qualidade, o sistema defensivo tem uma sensível melhora. No ataque, Brandão ainda não fez uma boa partida com a camisa gremista e o garoto Leandro passa por uma fase conturbada. Esses dois jogadores precisam contar com o apoio dos dois laterais e com o Douglas.
O que resta saber é se o Grêmio vai mudar de novo e, de novo, não vai encaixar uma equipe. Talvez agora que Celso Roth já sabe que só resta ao Tricolor fugir das últimas posições, fique mais fácil definir um time e o fazer jogar (um pouco melhor, que seja).
O Inter que visita o Grêmio no Olímpico chega com aquele perigoso status de favorito. O que não quer dizer nada depois que o juiz apita, mas quer dizer que o Colorado tem mais time. Dorival Junior antes de pensar no clássico tem a decisão da Recopa que, em caso de vitória com dois gols de diferença sobre o Independiente no Beira-Rio, dá uma moral espetacular para um Inter que vem entrando nos trilhos e na briga pelas primeiras posições no BR-11 com os últimos resultados conquistados.

domingo, 1 de maio de 2011

Inter campeão da Taça Farroupilha

No duelo mais esperado entre Grêmio e Inter desde o Grenal do centenário, em 2009, deu Colorado. No duelo dos ídolos treinadores, deu Falcão, e com vantagem - ainda que o placar não expresse essa vantagem. Com o 1 a 1 no tempo normal e um 4 a 2 na decisão por pênaltis, o Inter provoca mais dois clássicos que definirão o Campeão Gaúcho de 2011.
Foi Grenal de várias alternativas táticas. Cada treinador usou três esquemas diferentes durante os noventa minutos, ambos surpreenderam nas escalações. Renato montou um 3-6-1 difícil de engolir e de jogar, pois seu time pouco jogou. O zagueiro Vilson voltou depois de meses sem jogar para ser o zagueiro do lado direito, Rafael Marques fez a sobra e Rodolfo o lado esquerdo. Nas alas, Gilson na esquerda e Gabriel na direita. No meio, o losango com Rochemback, Magrão, Adilson e Douglas. Na frente, Borges.
O Grêmio foi escalado para inicialmente marcar e depois contra-atacar. Renato tentou encaixar a marcação promovendo embates diretos entre os jogadores, já que o Inter de Falcão jogou no 4-2-3-1, sem Sobis e com Oscar na linha de três aberto na direita, D'Alessandro por dentro e Andrezinho fazendo ótima partida pela esquerda. No ataque, um Damião com fome de gol.
O clássico acabou sendo de muita marcação e poucas chances de gol. Grenal cheio de faltas, a maioria cometidas por um Grêmio desorientado, que via seus alas perderem no embate individual com os dois meias extremos do Inter, via D'Alessandro saindo do meio e fugindo da marcação, via Douglas vencido pela marcação de Guiñazu e Tinga.
O Inter controlou as ações do primeiro tempo. Abriu o placar em jogada iniciada por Andrezinho e finalizada por Damião. Sempre Damião! Ainda que seja discutível o lance. Teria o atacante colorado cometido a falta no zagueiro gremista, a chamada cama-de-gato? Discussão pra vida toda. Eu apitaria a falta. Contudo, nada a que possa se abraçar um Grêmio que não joga nada há muito tempo. Dentro do clássico, há ainda outros lances polêmicos na arbitragem de Márcio Chagas da Silva, como a acertada expulsão de Guiñazu, na metade do segundo tempo. Márcio Chagas sai com saldo positivo.
Ainda no primeiro tempo, Renato substituiu W.Magrão, mal no jogo, e pôs Leandro na frente. Vilson passou a ser meio-campista e o Grêmio voltou ao seu habitual 4-3-1-2. A coisa melhorou, agora Kléber tinha com o que se preocupar e Douglas tinha com quem jogar. Mesmo assim, pouco jogou o 10 tricolor. Quem jogou com desenvoltura foi Andrezinho, ganhando muitas jogadas de Vilson e Gabriel. André foi mais discreto quando passou à meia-direita, quando Falcão perdeu um jogador, tirou Oscar, pôs Wilson Matias e remontou o Inter num 4-4-1. Quem cresceu foi D'Alessandro, jogando agora pelo flanco esquerdo.
O Grêmio só foi o que deveria ser quando teve a vantagem numérica em campo. Renato armou um 4-3-3 com Viçosa, Borges e Leandro na frente. E só assim esse time parece conseguir jogar, no abafa, correndo atrás do prejuízo. Foi assim contra o Caxias, na decisão do primeiro turno. Foi assim nesse Grenal que decidiu o segundo turno. Viçosa marcou o gol de empate em jogada de escanteio, depois de uma blitz tricolor. De outra forma seria difícil de acontecer.
Durante o jogo, Falcão teve apenas um pecado, e para sorte do Inter, o treinador não foi punido pela bola. Nos últimos minutos, com o Grêmio controlando a bola mas ameaçando pouco, saiu Andrezinho para entrar o zagueiro Juan. O Inter foi demasiadamente para trás e chamou o Grêmio pro seu campo. Poderia ter dado zebra, mas não deu. A noite era colorada, prova disso foi o quase-golaço de Leandro Damião, já descontado fisicamente, batendo quatro defensores gremistas. Não fosse a belíssima intervenção de Marcelo Grohe, o Inter venceria no tempo normal.
Mais prova da noite colorada que os pênaltis? O Inter converteu as quatro cobranças que fez, enquanto o Grêmio desperdiçou duas de quatro. Renan, em tarde inspirada, fez boa partida e ainda catou o pênalti de Fernando. Borges, em fase crítica no Grêmio, cobrou a la Roberto Baggio.
No embate de equipes em momentos distintos, a que está na ascendente saiu vitoriosa. O Grêmio, que vê seu rendimento cair a cada jogo, saiu mais esfacelado do Beira-Rio. Não se tem nenhuma perspectiva de que time vai entrar o campo na quarta, no Chile, para tentar reverter o 1 a 2 do Olímpico e seguir na Libertadores. O Inter de Falcão vive estado de graça, tem tudo para vencer o Peñarol e ganha status de favorito nos dois próximos clássico decisivos, mesmo que o último jogo seja em campo rival.
Fora de campo, a palhaçada de dirigentes da dupla em plena festa colorada, é de se lamentar e não pode se repetir nos próximos domingo.

 

domingo, 24 de abril de 2011

Clássico Grenal decide a Taça Farroupilha

No sábado o Grêmio venceu por 3 a 2 o bom Cruzeiro do técnico Leocir Dall'Astra que, junto com sua equipe, é dos destaques desse Gauchão 2011, chegando às semifinais dos dois turnos. Num sábado chuvoso, ainda bem que o gramado sintético do Estádio Passo D'Areia não foi tão protagonista quanto foi durante toda a semana que antecedeu o confronto decisivo. A bola correu mais, sim. O jogadores sentiram, também. Mas o jogo, de cinco gols e com clima de decisão, não sofreu prejuízo maior pelo tipo de gramado.
Ainda que o Grêmio tenha o que comemorar, pois fez três gols e está na final, há bastante o que se lamentar. Outra vez tomou gol de bola aérea, dois. Além de perder o goleiro Victor por um mês e o meia/lateral Lúcio por 15 dias. Contudo, fez boa partida o Grêmio. Daqui pra frente, com os desfalques, é provável que a estrutura do time siga a mesma, o 4-4-2 (4-3-1-2) com meio-campo em losango, mas agora com o lado forte de ataque sendo o direito, por onde vai chegar W. Magrão, Gabriel e Leandro. Do lado esquerdo, Adilson passa a ser o volante apoiador e a lateral fica entre Gilson e Neuton.
Confronto que decidiu o segundo finalista da Taça Farroupilha foi Juventude e Internacional, nesse domingo no Alfredo Jaconi. A vitória do Colorado, por 2 a 1, foi conquistada a duras penas. Embora o Inter tenha sido sempre melhor, até depois que Bolatti foi bem expulso aos 20 e poucos do segundo tempo, o Juventude fez um confronto equilibradíssimo e podia ter complicado mais do que já complicou.
O mesmo Bolatti que deixou o Inter na mão foi o autor do golaço que abriu o placar do jogo, ainda no primeiro tempo. Não menos bonito foi o gol do zagueiro juventudista Fred, minutos depois, numa cobrança de falta perfeita, que a bola morreu no ângulo esquerdo de Renan. O 4-4-2 de Falcão sentiu a ausência de D'Alessandro, e com Andrezinho e Oscar muitas vezes centralizando, muitas vezes notou-se um 4-2-2-2. Mas não era a tarde da articulação colorada, ninguém conseguiu fazer Damião e Sobis jogarem, nem Oscar e suas inúmeras vitórias pessoais.
O Inter perdeu um jogador quando o jogo ainda estava empatado e ao contrário do que se esperava, o Juventude não conseguiu crescer no jogo. Cresceu é a estrela de Falcão, que tirou Sobis para recompor o meio com Tinga. Cresceu a estrela de Damião, que numa de suas poucos jogadas, deu uma lambreta sensacional em Fred, e quase sem espaço nenhum conseguiu cruzar para Tinga. Outra estrela que brilhou, a de Tinga, que num bolo de jogadores dentro da área do Ju, conseguiu cabecear pro gol.
E mesmo agora, nem tudo é Grenal. Antes do clássico que decide o returno e pode decidir o campeonato para o Grêmio, a dupla inicia durante a semana a fase de oitavas de final da Libertadores. O Internacional na quinta, em Montevidéu, contra o Peñarol. Na terça, o Grêmio recebe o Universidad Católica no Olímpico.
Haja fôlego para o torcedor e haja grupo de jogadores para os clubes! 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Filme de Segunda

Cem anos de Grenal
No ano de 2009 colorados celebraram o centenário do Internacional, consequentemente também chegou-se ao centenário do clássico grenal. Ainda em 2009 a G7 Cinema começou a trabalhar em dois documentários que contariam a história do clássico. Um pela ótica gremista, outro pela colorada. A G7 Cinemas tem se especializado nesse nicho de mercado: filmes sobre clubes de futebol com forte apelo ao torcedor.

O filme tricolor, Grêm10x0 (título que faz alusão ao primeiro grenal disputado), tema a direção de Beto Souza, o cara é filho de ex-presidente do Grêmio, já dirigiu títulos como o premiado Netto perde sua alma e, há alguns anos, o filme que deu início a essa febre que tem levado grandes clubes ao cinema, o Inacreditável, que conta o jogo entre Náutico e Grêmio, final da série B de 2005. No roteiro, Eduardo Bueno, o Peninha, e o Fernando Mantelli.

Do lado colorado da história, o craque Luis Augusto Fischer assina o roteiro do Supremacia Vermelha. Professor, escritoir, intelectual respeitado no RS, grande colorado, que tem escrito muita coisa para o Internacional nos últimos anos. Muita coisa mesmo! A direção é de Fabiano de Souza, professor do curso de comunicação da PUC-RS, diretor e roteiristas de vários curtas-metragens e especiais da RBS.

Assisti aos dois filmes numa sentada! Um seguido do outro e a impressão que dá é de que contam histórias totalmente diferentes. E essa é a propostas dos filmes. Um é de gremistas para gremistas e mais ninguém. Outro é de colorados para colorados e mais ninguém. Ambos os filmes esbanjam clubismo, flauta e certa arrogância.

Vale para entreter, saber um pouco da história, se arrepiar, mas são produções de pouco valor cinematográfico dentro do gênero documentário. Os cem anos do clássico grenal, o maior do Brasil, merece um filme sério e comprometido com a história desses dois gigantes e imortais do futebol mundial. Não desvalorizando as obras da G7, mas Supremacia Vermelha e Grêm10x0 são aperitivo para torcedor, não para cinéfilo.

Com a palavra, a colorada Daniela Ribas (@Dany_Yoda), que assistiu aos dois filmes comigo:
"Na tarde deste domingo, por insistência da minha parte, na verdade mais por curiosidade minha de ver o filme dos Tricolores, sabia que a chacota seria intensa, mas vamos lá, quero ouvir deles a versão dessa história que para os colorados já foi muito bem narrada, várias e várias vezes.
No filme deles, o ponto mais alto são os grenais importantes que eles embolsaram, com aquele pé nos 10x0, coisa que até hoje não entendo o porquê de tamanha felicidade pelo escore no ano de fundação do maior rival, que anos depois o passaria em saldo de gols, vitórias e em títulos regionais, mas tudo bem, eles insistem em falar de tal placar elástico de 1909.
Ambos os filmes são de extremo fanatismo. O que para o gremista é motivo de orgulho, para o colorado é motivo de chacota, e vice e versa. As narrativas tem por base momentos históricos e marcantes da dupla GreNal. Do lado Azul, os grenais decisivos. Do lado Vermelho, os 8 maiores momentos de supremacia vermelha, Supremacia Vermelha esta que intitula o DVD colorado. Dentre os melhores momentos, 8 casas visitadas em homenagem ao octacampeonato colorado, momentos como os 6x0 na inauguração da Bandeira Gremista, jogo o qual 5 gols foram anulados pelo juíz, alegando que era gol demais para um grenal. Também do lado alvi-rubro é narrada a inauguração do "salão de festas colorado" o estádio Olímpico, com outro placar elástico da equipe vermelha.
São bons filmes, para esse seleto grupo de espectadores, cada um na sua, e ninguém se mete na história do outro, até por que pra quem não conhece, nem parece a mesma história, e nem é, cada um vai puxar para o seu lado, enaltecendo seu clube. Arrogância, petulância e prepotência são presentes nas duas narrativas, e convenhamos, fanatismo a parte, o que seria de um sem o outro?
De que adiantaria apenas um grande no Rio Grande do Sul, se não tivesse o maior rival para poder gozar depois? A grandeza de um sugere a busca pela grandeza do outro e assim se faz o maior clássico do Brasil."

Mais informações sobre os filmes, no site http://www.filmegrenal.com.br/

Classificação PoA Geral
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
X Legal
- Meia-boca
- Ruinzinho
- Péssimo
- Inclassificável

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Deselegância perigosa

Tudo bem a flauta do torcedor que, mesmo do torcedor, precisa ter certa elegância. Tem gente que extrapola, não sabe brincar, só quer falar e nunca ouvir. A bola da vez é o Inter e o colorado sabe disso, a derrota para o Mazembe na semi-final do Mundial foi enorme e a flauta vem em tamanho proporcional. Vídeos, fotos e piadas se espalham rapidamente pela internet e pelo boca-a-boca do torcedor na rua.

Mas o deboche não pode tomar conta do alto escalão de um clube de futebol tal qual a mesa de um bar. Na noite de quarta-feira, 15, aconteceu no Olímpico a cerimônia de posse do novo presidente do Grêmio, Paulo Odone. Num evento que devia privilegiar e projetar o futuro do Grêmio, se falou demais do Internacional. Se falou demais no Mazembe. Coisas do tipo: "A cena do goleiro batendo com as nádegas no chão jamais será esquecida pelos gremistas", falou em tom de deboche o novo presidente.

O presidente em exercício também alfinetou o rival, dizendo que "Temos que ganhar a Libertadores no ano que vem para ir ao Mundial. Porque se nós, Grêmio, formos ao Mundial, jamais vamos fazer um fiasco como se viu ontem em Abu Dhabi". Alguns dirigentes ainda usavam o broches com os dizeres "Fiasco FiFa". E, convenhamos, corneta há de ser feita ao Tricolor, que ultimamente comemora tudo, menos título.
Postei essa semana aqui no blog, reportagem sobre as torcidas organizadas da dupla grenal e como a violência faz parte do cotidiano destes torcedores. Tenho certeza que atitudes descabidas como as dos dirigentes gremistas contribuem ainda mais com o clima de guerra entre a torcidas. É de cima que precisa vir o discurso diferenciado. Infelizmente, não foi a primeira nem vai ser a última vez que isso acontece nas direções de Grêmio e Inter.