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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Grêmio pragmático volta a vencer

É difícil mensurar o peso da vitória gremista sobre o Passo Fundo, por 2 a 0. Da mesma forma as duas derrotas consecutivas na Arena. A equipe que venceu ontem à noite, no interior do estado, terá sequência? Everaldo e Pedro Rocha formarão a dupla de ataque daqui pra frente? E o esquema com três volantes, será mantido?

Para efeito de momento, mesmo que não signifique muito, voltar a vencer já é um alívio. Se quisermos ainda ser um pouquinho mais otimistas, é possível destacar três aspectos (promissores?): o Grêmio não tomou gol; finalmente uma jogada de escanteio resultou em gol a favor; o time não dependeu apenas dos gols dos atacantes para vencer.

Postura defensiva


Além de uma injeção de ânimo nos jogadores, que correram mais, transpiraram mais, Felipão resolveu proteger mais o sistema defensivo, escalando a equipe no 4-3-1-2. Formando o losango do meio-campo o Grêmio teve Marcelo Oliveira à frente da zaga, Felipe Bastos na direita, Araújo na esquerda e Douglas mais avançado, na armação.














Postura Ofensiva


Com a posse da bola, o Grêmio foi igualmente pragmático, fez nada além do básico. Felipe Bastos teve liberdade para avançar e jogar praticamente ao lado de Douglas. Sempre muito próximo do camisa 10, de boa jornada, o volante arriscou arremates perigosos.

Pela esquerda, o lateral Junior mais uma vez se destacou, se mostrando sempre uma boa opção ofensiva, além de capacidade física de recompor a linha de defesa sempre que preciso. Na frente, Pedro Rocha, autor de um gol, demonstrou muita iniciativa e velocidade na condução da bola. Contudo, não dá pinta de quem vai conquistar a posição com todo elenco disponível.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Que dizer após duas derrotas na Arena?

É preciso ter muita frieza para analisar a atual situação do Grêmio. Não só no Gauchão, após duas derrotas seguidas dentro de casa, mas também toda a sua perspectiva de restante de temporada. Um ano em que o tricolor gaúcho resolveu que tinha que estancar os gastos, diminuir despesas e formar uma equipe mais barata. Qual o real preço dessa política? Do ponto de vista do futebol, não é promissora, embora seja cedo para qualquer diagnóstico catastrófico. Do ponto de vista econômico, tem tudo para deixar o clube mais saudável financeiramente em médio e longo prazo.

As derrotas

Com todo o respeito ao Brasil de Pelotas e ao Veranópolis, mas nenhum deles, tecnicamente, tem equipe para vencer o Grêmio na Arena. Mesmo esse enfraquecido Grêmio de 2015. Contudo, futebol não é só técnica - é, sobretudo, tática. Em comparação aos últimos dois anos, o tricolor não tem apenas menos qualidade no seu elenco. Em campo, tem também menos organização, e isso tem sido fundamental para o desempenho pífio neste começo de temporada.

Felipão parece não ter ideia da escalação, tampouco do esquema tático ideal para jogar. Pior ainda, ele não demostra ter confiança nos jogadores, e isso parece ter um impacto decisivo no grupo de trabalho.
Foto: Ricardo Duarte / Agência RBS

A escalação do Grêmio ainda é uma incógnita. Não sabemos se Marcelo Oliveira, por exemplo, vai ser zagueiro, lateral-esquerdo ou volante. Sabemos é que, mau ou bem, não sai do time. O mesmo com Galhardo, ora lateral-direito, ora meio-campista. No comando de ataque, é prudente apostar em Everaldo e Lucas Coelho depois das saídas de Barcos e Moreno? Não sabemos. Scolari também não sabe. No setor ofensivo do meio, Douglas tem cadeira cativa, mesmo com um futebol cada vez menos competitivo. Em contrapartida, quem poderia executar a função com mais intensidade, Lincoln tem apenas 16 anos.

O mais importante, fundamentalmente, é que as peças estão mal colocadas em campo. O Grêmio corre errado, ocupa mal os espaços e não consegue tramar jogadas ofensivas. Embora o elenco gremista não seja qualificado o suficiente para imaginarmos disputando a ponta de cima no Brasileirão, também não é desqualificado ao ponto de passar por dificuldades no modesto Gauchão.

Não prego a saída do Felipão. Sempre prefiro apostar na continuidade. Mas é bem possível organizar de forma mais compacta e coerente a equipe gremista, fazendo um time muito mais competitivo que esse derrotado duas vezes seguidas dentro da Arena.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

As dificuldades de escalar o Grêmio em 2015

Se com o grupo completo, escalar o Grêmio não é fácil, imagine para esse primeiro momento do Gauchão, que começa já no sábado, às 17h, contra o União Frederiquense na Arena. Por agora, Felipão ainda não conta com Geromel, Ramiro e Giuliano, que recuperam-se de lesão, e Wallace, volante que serve à Seleção Brasileira sub-20. 

O grande problema do Grêmio são as incertezas e, claro, as características dos jogadores. Há muito mais dúvidas que afirmações. Mesmo que a direção afirme que o time tenha uma base pronta do ano passado - e tem -, também é verdade que jogadores fundamentais para o desempenho da equipe gremista em seu melhor momento dentro BR-14 deixaram o grupo. Para Scolari, é difícil repetir este ano o 4-4-2 que facilmente variava para o 4-3-3, tendo como destaque a parceria entre Dudu e Zé Roberto na esquerda e Luan como segundo atacante. Comentei sobre essa formatação aqui no PoA Geral. 

Os jovens Erik e Evérton são o que mais próximo o Grêmio tem do velocista Dudu. Mas que resposta esses jogadores realmente podem dar? Na lateral-direita, Galhardo e Matías Rodrigues podem ser mais regulares que o competitivo Pará? E na esquerda, a capacidade física e de recomposição de Marcelo Oliveira podem suprir a técnica de Zé Roberto?

Contudo, o maior pepino para Felipão pode estar no lugar em que, aparentemente, estaria a solução. A trinca Douglas, Barcos e Moreno. Bons jogadores, mas que juntos deixam a equipe pesada, sem a mobilidade necessária para a montagem de uma equipe veloz e competitiva.

Qual o esquema melhor se adapta ao grupo gremista? A falta de velocidade e de estatura dos principais jogadores são uma preocupação, além da incógnita que representam ainda alguns jogadores promissores, como o próprio meia Lincoln, tratado pelo clube como jogador acima da média.

No treino de quarta-feira, 28, o técnico gremista sinalizou uma formação sem a presença dos dois centroavantes, no esquema 4-2-3-1, valendo-se de algumas improvisações.

Nessa projeção testada pelo Felipão, Galhardo e Luan seriam os meias abertos, enquanto Marcelo
Oliveira faz dupla com Rhodolfo durante a ausência de Geromel. Moreno seria reserva de Barcos,
porém a presença de ambos na equipe que inicia o Gauchão não está descartada.  

Time Ideal?

Se eu tivesse a difícil missão de definir uma equipe ideal para o Grêmio, usando todos os jogadores do elenco, eu também optaria pelo 4-2-3-1. Apostaria minhas fichas no Giuliano recuperado, na velocidade do jovem Éverton e arriscaria uma dupla de volantes baixos, com Ramiro e Felipe Bastos,  para tentar ter a posse da bola a maior parte do tempo. À primeira vista, não é time para disputar a ponta de cima da tabela do Campeonato Brasileiro, mas encaixado pode, perfeitamente, ser postulante na Copa do Brasil.

Gremio 2015 - Football tactics and formations



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Gestão sóbria deve fazer bem o Grêmio

O Grêmio vem de duas gestões irresponsáveis financeiramente. Primeiro com o presidente Odone em 2011/12 e depois com o presidente Koff em 2013/14. Os dois mandatários, e suas respectivas diretorias, contrataram uma infinidade de técnicos e jogadores caros e, mesmo assim, não levantaram sequer a taça do campeonato estadual. Foram investimentos milionários, em atletas e treinadores que não valiam tanto assim,  e que acabaram dando um retorno nada rentável, muito menos glorioso.

Nesse Grêmio, que passou pela transição Olímpico/Arena, criou-se a responsabilidade de montar um grande time, capaz de vencer títulos na nova casa. Para isso, foi instaurada a megalomania das contratações, dentro de um mercado que, sabemos, exige oferta muito boa para seduzir jogadores badalados a deixarem Rio/São Paulo e virem jogar no Sul. O Grêmio entrou nesse leilão ingrato, e apostou suas fichas nos supervalorizados Barcos, Kléber Gladiador, André Santos, Elano, Fernandinho, entre outros.

A verdade é que o Grêmio montou boas equipes, competitivas, mas muito caras para apenas competirem e viverem de boas campanhas. O tricolor gaúcho teve boas campanhas. Foi vice-campeão brasileiro, terceiro colocado em outra oportunidade, semi-finalista da Copa do Brasil duas vezes e, entre 2011 e 2014 esteve em três Copas Libertadores. Não é pouco mas, historicamente, não representa nada. Quase não empolga um torcedor machucado pela falta de títulos.

Zé Roberto queria permanecer, mas seu salário foi
considerado caro pela nova diretoria

As primeiras semanas de gestão do presidente Romildo Bolzan Jr. são de muita discrição, de passos calculados dentro do mercado da bola. O Grêmio finalmente se deu conta que precisa fechar a torneira, precisa buscar o equilíbrio nas finanças e encontrar uma forma que, à médio prazo, torne o clube autossustentável. 

Isso resultará em títulos? Sinceramente, em 2015, acho improvável. Mas diferente de outras tempos, agora o Grêmio tem um técnico que tem o direito de errar, coisa que Enderson Moreira, por exemplo, não tinha. Era questionado e pediam sua cabeça a cada derrota. A não ser que faça uma campanha excepcionalmente ruim, coisa de brigar para não cair no BR-15, Felipão não será demitido.

Ou seja, terá uma sequência de trabalho, e isso, de fato, pode render frutos ao Grêmio. Com a espinha dorsal de time que fica para a nova temporada, é improvável que se coloque como um dos postulantes às primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Mas é possível montar um time competitivo suficiente para vencer o estatual e a Copa do Brasil.

Não estou dizendo que vai vencer. Contudo, o torcedor não precisa fazer terra arrasada desde então, pensando que time barato não ganha título. É possível sonhar. Mais que isso, é preciso ser responsável e não endividar ainda mais o clube. É hora de evitar o passo maior que a perna. Privilegiar o que já tem em casa e o que vem surgindo da base. Se os dirigentes mantiverem a coerência e não cederem à pressão após a primeira sequência de resultados negativos, o Grêmio, com a Arena e ao lado da torcida, pode fazer a partir de 2015 uma reestruturação financeira importantíssima em sua história. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Projeção, que nada!

Lá no dia 22 de novembro postei aqui no PoA Geral duas projeções de final de tabela do BR-14. Uma com o Inter se classificando na Libertadores, em quarto lugar, com 67 pontos. Na outra, era o Grêmio que se classificava em quarto, também com 67. Imaginando os dois classificados, a única condição que coloquei como possível seria o Cruzeiro campeão da Copa do Brasil, já que sempre achei improvável que o Atlético-MG (campeão da CB) acabasse no G4. Disse ainda que as vagas seriam definidas apenas na última rodada.

Final de semana que se avizinha com a tal última rodada do BR-14 não será tão movimentado na ponta de cima quanto eu projetava. Os classificados para a Libertadores estão definidos, resta saber quem, de Inter e Corinthians, fica com a vaga direta. Acreditava também que Grêmio e Fluminense estariam vivos ainda na rodada derradeira. Diferente do que imaginei, o time de Felipão perdeu para o Coringão de Mano e o Colorado fez seis pontos nos dois jogos em casa contra Galo e Palmeiras. A possibilidade do Inter fazer nove pontos, e não apenas sete, aumentou consideravelmente.

Montagem: PoA Geral - FOTOS: Facebook Inter Oficial / Grêmio Oficial

Por outro lado, o Grêmio tem um final de temporada melancólico, de muitos vacilos e três derrotas seguidas inconcebíveis. Não sou do time que acha o plantel gremista fraco, e vejo muitas virtudes no trabalho feito por Scolari (embora não tivesse concordado com sua contratação), por isso acreditava no Grêmio com fôlego até a última rodada.

Da mesma forma, não considero o ano do Inter tão péssimo quanto pintam. O que o time de Abel tem é dois momentos quem chamam muito a atenção e acabam manchando: as eliminações ridículas na Copa do Brasil e Copa Sul Americana. Fora isto, superando alguns problemas do plantel, o Inter teve um ano razoável, e não será nenhum absurdo uma renovação com o técnico.

E para falar sobre o próximo ano ou até mesmo sobre a última rodada, vou esperar mais um pouco. 

sábado, 22 de novembro de 2014

Dobradinha Gre-Nal na Libertadores é muito difícil

Sobre essa reta final de BR-14, tenho duas convicções. A primeira delas é que a definição do G4 sai apenas com as combinações dos resultados da última rodada. A segunda é que a única chance de Inter e Grêmio irem juntos para a Libertadores é o Cruzeiro sendo Campeão da Copa do Brasil e possibilitando que o quinto colocado também se classifique.

São três rodadas em que tudo pode acontecer. Mas fico com minhas projeções, e entendo que seja improvável que tanto o time de Felipão quanto o time de Abel Braga façam mais de 7 pontos nas próximas partidas. Para isso, sou otimista com o Tricolor e acho que o Grêmio não perde pontos para o Corinthians. Porém para o Inter, estou com o sentimento que em um dos dois jogos em casa (Atlético-MG e Palmeiras), o colorado perde pontos.

Usei o simulador do Globoesporte.com para chegar nas duas possibilidades de tabela que posto logo abaixo. Todos os resultados utilizados foram de 1 a 0 ou 1 a 1 e no item "Últimos Jogos", verde significa vitória, cinza é empate e vermelho é derrota.

Inter Classificado

Nesse cenário o Inter faz o mesmo número de pontos que o Grêmio, mas termina o BR-14 com uma vitória a mais que o rival, ficando na quarta posição. Aqui, coloquei o time do Abelão empatando com o Palmeiras, dentro do Beira-Rio. Se no meio do semana o Cruzeiro conseguir virar sobre o Galo e vencer a Copa do Brasil, com essa tabela o Tricolor Gaúcho também se classificaria.











Grêmio classificado

Aqui, para o time de Luis Felipe Scolari conseguir sua classificação é fundamental não perder pontos para o Corinthians. A partida deste domingo é fundamental. Uma derrota não impossibilitaria matematicamente, mas seria um golpe muito forte para o Grêmio e a combinação de resultados nas duas partidas restantes seria improvável. Na tabela abaixo, para o Tricolor ficar em quarto, o Inter precisaria somar apenas 66 pontos.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Gre-Nal encaminha, mas não define

Não há dúvida que o clássico de domingo é importantíssimo. Até porque quem vencer na Arena fica na frente do rival e, com uma ajudinha de resultados paralelos, também fica muito bem posicionado na tabela. Dois pontos separam o Internacional, terceiro colocado com 56, do Grêmio, sexto colocado com 54 pontos. Portando, quem conquistar os três pontos dá um passo fundamental na briga por uma classificação para a Copa Libertadores.

Contudo, o equilíbrio do BR-14 é tão grande entre aqueles que disputam uma vaga no G4, que perder não significa estar fora da disputa. Do segundo colocado para o sétimo, são cinco pontos de diferença, sendo que ainda ocorrerão alguns confrontos diretos. Atrás do líder e virtual campeão Cruzeiro temos:

2° São Paulo ------ 59 pontos
3° Internacional - 56 pontos
4° Fluminense --- 54 pontos
5° Atlético-MG -- 54 pontos
6° Grêmio -------- 54 pontos
7° Corinthians --- 54 pontos

A tabela nos mostra que há três times, bons times, fora da zona de classificação que, mesmo assim, possuem pontuação para estarem dentro do G4, ficando de fora apenas pelos critérios de desempate. Se estas equipes mantiverem a média de aproveitamento, variando pouca coisa pra cima ou pra baixo, tenho absoluta certeza que a disputa vai até a última rodada. Independente do resultado do Gre-Nal de domingo.

Agora, clássico é um jogo à parte. Quase um campeonato separado, e numa análise de contexto mais ampla que o simples efeito de tabela, o Gre-Nal vale mais que três pontos. Vale a confiança de determinados jogadores para a reta final de campeonato, vale a estabilidade da comissão e do grupo de jogadores para seguir trabalhando com tranquilidade e buscar os objetivos, e vale o apoio e a auto-estima da torcida, que pode inflar com uma vitória sobre o rival.

Os times

Se tivesse que apostar, apostaria que Felipão e Abel Braga não promovem nenhuma surpresa. Escalam dentro daquilo que vem sendo suas equipes dentro das últimas rodadas. O Inter muito provavelmente em um 4-2-3-1, segurando bastante o Aranguiz ao lado de Willians para tentar proteger a zaga formada por jogadores razoavelmente jovens. Se Alex estiver em boas condições, haverá muita troca de posição com o volante chileno, fazendo com que D'Alessandro procure movimentar-se para o meio, abrindo espaço para que Charles Aranguiz se infiltre pela direita. Tal qual foi o primeiro gol contra o Santos, na Vila Belmiro, no final de semana.

Já o Grêmio deve usar três volantes de origem, como vem sendo. Esses nomes podem variar, afinal não há nenhum muito melhor que o outro. Contudo, Scolari optará em posicionar a equipe em um tradicional 4-4-2, fazendo no meio-campo a linha de quatro jogadores que lhe dá a segurança defensiva da equipe menos vazada no BR-14 e a opção de contra-ataque com Dudu e Zé Roberto pela esquerda. Luan deve ficar mais livre, atuando como segundo atacante e Ramiro novamente atuará pelo flanco direito, auxiliando Pará tanto no campo defensivo quanto no campo de ataque.

Se há um favorito, a balança pende mais para o lado colorado. É o time de melhor campanha, sempre esteve à frente do Grêmio e tem um retrospecto recente em clássicos que credencia. A questão anímica pode pesar para o tricolor, estar quase sempre inferiorizando no confronto direto nos últimos anos é sim capaz de afetar o emocional dos jogadores. Ainda mais que o elenco do Inter possui mais jogadores com perfil de decisão, que já demonstraram ser capazes de fazer a diferença em algum momento.

Agora, é importante ressaltar que as duas equipes se equivalem. Vivem momentos similares tecnicamente. A motivação gremista em finalmente vencer seu primeiro Gre-Nal na Arena é relevante e coloca um ingrediente a mais no clássico. Só resta torcer que seja um clássico jogado essencialmente na bola, sem polêmicas nem picuinhas, só com bola na rede.


Gremio vs Internacional - Campeonato Brasileiro - 9th November 2014 - Football tactics and formations
Inter no 4-2-3-1, apostando na variação entre Alex e Aranguiz para confundir a marcação do tricolor.
Já o Grêmio no 4-4-2 que permite variação para o 4-3-3, avançando Dudu e segurando Ramiro. Mas Felipão pensa, primeiramente, em proteger seus sistema defensivo.

domingo, 5 de outubro de 2014

Dupla Gre-Nal e o balde de água fria

Grêmio 0 x 1 São Paulo

O Grêmio perdeu a chance de entrar no G4. Só dependia dele, e isso tem sido um problema para o clube nos últimos anos. O tricolor gaúcho tem sérias dificuldades em vencer jogos realmente decisivos, mesmo tendo bom time. Bom time, aliás, que é esse São Paulo de Kaká, Pato, Ganso e Kardec.

A equipe de Felipão parou em seu pragmatismo, em sua incapacidade de surpreender o adversário. Diferente do adversário paulista, que conta com um quarteto ofensivo entrosado, que ocupou bem os espaços no gramado e usou da técnica e do improviso para envolver a boa marcação gremista a maior parte das vezes. Do outro lado, Luan, Dudu e Barcos não conseguiram o mesmo, e quando tiveram chance, pararam em Rogério Ceni.

Embora seja um balde de água fria na excelente sequência de jogos sem perder que o Grêmio vinha tendo, o tricolor segue no bolo de cima, segue candidato a uma vaga para a Libertadores. Dentro de suas possibilidades, o Grêmio de Felipão segue bem.

Agora, é curioso reparar nos cinco maiores públicos recebidos na Arena: Grêmio 1 x 0 San Lorenzo (30/04/2014 - Libertadores - 47.244 mil); Grêmio 0 x 1 São Paulo (04/10/2014 - Brasileiro - 46.441 mil); Grêmio 0 x 0 Atlético-PR (06/11/2013 - Copa do Brasil - 43.899 mil); Grêmio 0 x 0 Newell's (14/03/2013 - Libertadores - 43.628 mil); Grêmio 1 x 0 LDU (30/01/2013 - Libertadores - 41.461 mil). Ou seja, em três jogos eliminatórios, o Grêmio foi eliminado duas vezes (contra CAP e San Lorenzo) e nas duas partidas valendo pontos, somou apenas um (empate com o Newell's).

Cruzeiro 2 x 1 Internacional

Bruno Alencastro / Agência RBS
O colorado até equilibrou o jogo no segundo tempo, sobretudo após o Cruzeiro perder um pênalti quando já vencia por 2 a 0. Depois disso, o Inter logo fez o seu gol, com Alex chutando de longe. O meia ficou no banco por opção de Abel Braga e entrou no segundo tempo para ser o melhor jogador do time gaúcho na partida.

O técnico se equivocou na escolha da estratégia. Buscando uma escalação mais equilibrada e capaz de marcar melhor o líder Cruzeiro, desfalcado do destaque dos último jogos Eduardo Sasha, Abelão optou por colocar dois volantes na frente da zaga, Willians e Welington, e apostar na velocidade de Valdívia ao invés da cadência de Alex. O treinador trocou o eficaz 4-1-4-1 por um contido 4-2-3-1, que tem sempre como grande defeito o chileno Aranguiz na linha de três meias.

No segundo tempo, o chileno recuou após a saída de Wellington para a entrada de Alex. O Inter ganhou agilidade na transição e maior capacidade de retenção no meio. Mas foi pouco. O Cruzeiro dominou a maior parte do jogo, assumindo sua condição de líder e melhor time do BR-14, cada vez mais próximo do título.

Agora, um Inter tem tido problemas nos confrontos diretos. Contra Cruzeiro, São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Corinthians, até agora, forma 18 pontos disputados e apenas 3 conquistados. Um aproveitamento de 16,6% contra os rivais da ponta de cima. Ganhar apenas do Grêmio é pouco para quem almeja (e tem condições para) ser campeão.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Regularidade é um dos méritos do Grêmio de Scolari

O Grêmio fez bom jogo contra o Fluminense, no Maracanã, na noite de quarta-feira, 24. Mesmo que não tenha vencido, ou que Marcelo Grohe tenha que ter feito algumas boas defesas. O fato é que mais uma vez a equipe não sentiu o fato de estar jogando fora de casa, soube agredir o adversário e manteve-se como a defesa menos vazada do BR-14. O Grêmio do técnico Luiz Felipe Scolari adquiriu corpo, ganhou cara e estilo e, sobretudo, está mantendo a regularidade.

É justamente essa regularidade que faz com que o time seja um dos postulantes a vaga na Libertadores. São pequenos direitos que as equipes vão ganhando ao longo da competição. Há três ou quatro rodadas o Grêmio conquistou esse direito de ser um dos que disputam a ponta de cima. Na classificação de momento, antes do final da rodada, nesta noite de quinta-feira, o Tricolor é o quarto, tem 40 pontos. Mas pode ainda ser ultrapassado pelo Atlético-MG, no entanto não se distancia do G4.

Felipão tem como base o 4-3-3 e, a partir deste sistema, executa pequenas variações dentro das partidas. Contudo, a estratégia é basicamente a mesma em qualquer circunstância. A marcação é quase que prioridade, não à toa tem a melhor defesa, tendo tomado apenas 14 gols, mas um dos piores ataques, com 19 gols. O líder Cruzeiro já marcou 49, o vice Internacional 31 e o terceiro São Paulo tem 42 gols. Time base:

 Gremio - Football tactics and formations

As variações táticas passam por mudanças de posicionamento de alguns jogadores. Para se defender, por exemplo, o Grêmio se recolhe em um 4-1-4-1, geralmente quando Giuliano está no time. Contra o Fluminense, Felipão se defendeu em um 4-4-2, deixando Luan como companheiro de Barcos, criando uma opção mais razoável de contra-ataque. Veja o posicionamento defensivo no Maracanã: 

Gremio - Football tactics and formations

Apesar de ter valorizado a posse de bola em alguns momentos contra o Fluminense, tentando não desperdiçar o controle das ações enquanto o adversário não dava espaço, esta não é uma característica latente da equipe de Felipão. Geralmente o Grêmio opta pela objetividade, se aproveitando da verticalidade de Dudu, Luan e da boa capacidade de Barcos reter a bola e esperar a infiltração de quem vem de trás. É uma mecânica de jogo pragmática e eficiente, similar àquela implementada por Renato Portaluppi na campanha de vice-campeão brasileiro do ano passado.

Já são oito jogos seguidos sem perder, sendo cinco vitórias e três empates. A última derrota foi para o Cruzeiro, no Mineirão, dia 21 de agosto. Naquela oportunidade, apesar do resultado negativo, o Grêmio teve boa atuação, deixando o líder marcar apenas nos minutos finais.

Se não é postulante ao título, nem tem como certo a vaga na Libertadores, é ao menos regular o time de Felipão. Fator que já o credencia a ficar no bolo de cima pelas próximas rodadas e brigar por uma vaga no G4. Entendo que o BR-14 tenha no atual cenário seis equipes (do 2° Inter ao 7° Atlético-MG) lutando por três vagas.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Grêmio não transforma bom desempenho em vantagem

O Grêmio é definitivamente um caso a ser estudado. Pois no século XXI, o Grêmio parece fadado ao fracasso, sem aptidão de decidir grandes jogos e, tampouco, ganhar títulos, mesmo tendo bons times e fazendo boas campanhas. Venho batendo muito nessa tecla há bastante tempo, e essa espécie de falência anímica voltou a aparecer na Arena, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, na noite desta quinta-feira. É possível jogar bem e perder por 2 a 0? Talvez seja.

O time de Felipão iniciou apresentando uma mecânica de jogo consistente, marcando e atacando com tranquilidade, valorizando a posse de bola e usando do artifício de variações táticas. Sem a bola, um 4-4-2 em duas linhas, com Dudu fechando o meio pela esquerda, Giuliano na direita enquanto Ramiro e Walace atuaram por dentro. Com a bola, um 4-3-3 muito bem definido, com Giuliano se postando quase ao lado de Ramiro e o jovem Walace recuando, geralmente cobrindo as excelente subidas de Zé Roberto. Esse é sim um Grêmio promissor. Que teve seus pecados, e o maior deles foi, sem dúvida, não fazer gols.

Divulgação Grêmio FBPA

O gol do bom time do Santos mudou a postura das equipes. O time gaúcho sentiu, e a equipe de Oswaldo de Oliveira soube se aproveitar do momento de vacilo gremista para ampliar ainda no primeiro tempo. Quase que em duas situações isoladas. O Santos soube decidir. O Grêmio, mais uma vez não conseguiu ser decisivo. É um problema, e se paga por isso.

O Peixe começou a partida no 4-3-3, tendo na frente Thiago Ribeiro na esquerda, Gabriel na direita e Robinho atuando de forma inteligente como "falso 9", flutuando pelo centro, buscando atuar no vácuo entre as linhas gremistas. É um movimento que naturalmente abriria espaço para a penetração em diagonal dos dois pontas, coisa que pouco aconteceu.

Na segunda etapa, duas modificações: Biteco no lugar de Walace e Alan Ruiz no lugar de Luan. O posicionamento permaneceu basicamente o mesmo, com as mesmas variações. O Grêmio imprimiu mais uma vez um bom ritmo, sempre rondou a área santista, porém insistiu muito pela esquerda, com Dudu, que fez boa partida, mas era preciso explorar o outro lado do campo também, tentar abrir a defesa santista. A certa altura entrou o lateral Mattias Rodrigues na direita, jogador de características ofensivas. Ele não foi acionado nenhuma vez.

É quase certo que o Grêmio não classifica, é muito difícil que reverta esse resultado na Vila Belmiro, por mais que faça uma boa partida. Agora, é preciso ter frieza na avaliação interna visando a continuidade do trabalho. Felipão parece ter encontrado uma maneira equilibrada de jogar, e seria um equivoco recuar e buscar uma mudança de equipe, por mais que isso soe contraditório após uma derrota de 2 a 0. Com um pouco mais de competência é possível buscar coisas melhores no Brasileirão.

Racismo
Está mais do que na hora da instituição Grêmio combater com mais ênfase a questão das manifestações racistas de alguns setores da torcida. É um problema histórico e não se pode mais negar esse grave problema. É preciso banir esse tipo de criminoso dos estádios, e se faz necessário que o torcedor gremista de bom senso também passe a combater o racismo. O episódio ocorrido durante o jogo, com torcedores (identificáveis) agredindo o goleiro Aranha com ofensas racistas foi triste e revoltante.

A reação de irritação e desconformidade do goleiro santista é correta. É preciso escancarar, denunciar, buscar que a justiça atuem sobre essas pessoas que são burras, atrasadas e criminosas.  

domingo, 17 de agosto de 2014

Grêmio de Felipão segue sendo uma incógnita

O tricolor gaúcho teve uma atuação razoável para conseguir vencer o Criciúma na tarde deste domingo, na Arena. A vitória de 2 a 0 ficou de bom tamanho. Scolari, a exemplo do que fez para o Gre-Nal, modificou consideravelmente a equipe. Não podendo contar com Pará e Barcos, o Grêmio foi à campo no 4-3-3, com Zé Roberto fazendo boa partida na lateral esquerda, Matías Rodrigues muito discreto na direita, Ramiro, Riveros e Felipe Bastos como meio-campistas e, na frente, Dudu, Lucas Coelho e Luan. O meia Giuliano ficou na reserva, primeiro por estar com dores e segundo por uma opção do técnico em tem uma equipe mais combativa.

Mauro Vieira / Agencia RBS

O ideia do 4-3-3 é interessante e, acredito, plausível de ser aplicada com esse grupo de jogadores. Mas, talvez não com esses 11 que venceram o Criciúma, equipe notadamente pouco qualificada deste BR-14. Pelo rendimento de Matias Rodrigues, o retorno de Pará é inevitável. O atacante Barcos, apesar de tudo, é mais jogador de Lucas Coelho e tem lugar na equipe. Na lateral esquerda Zé Roberto foi muito bem, aguentou os 90 minutos, mas pode ter problemas com uma sequência mais pesada. Na trinca de meio-campistas, Felipe Bastos parece ter conquistado a confiança de Felipão. Mais uma vez fez boa partida. Quanto a Giuliano, tem muita qualidade e pode, se estiver inteiro, ser um dos jogadores do meio.

Mas em sua coletiva após o jogo Felipão deu a entender que haverá mais mudanças para enfrentar o Cruzeiro no Mineirão e deixou claro uma intenção de ter um time que muda a cada rodada, conforme a necessidade do adversário. Ou seja, tão cedo não saberemos que cara terá o Grêmio. Pode até funcionar, mantendo uma espinha dorsal e modificando sensivelmente o esquema: do 4-3-3 para o 4-2-3-1, por exemplo.

Contudo, um aspecto me preocupou da entrevista do técnico gremista. Segundo ele, Ramiro não precisava jogar, precisava apenas marcar e não deixar Paulo Baier ter liberdade. O Criciúma tem uma dos piores times da competição, o meia em questão tem 40 anos, se movimenta pouquíssimo e mereceu marcação individual por parte do Grêmio. E contra um Cruzeiro, Felipão vai marcar individualmente todo o time da Raposa? O futebol moderno não admite mais esse tipo de estratégia, sobretudo em um time de certa qualificação como é o do Grêmio, com total condição de exercer marcação por zona, roubada de bola no campo do adversário e posse de bola. Quando você se propõe a marcar individualmente você se desgasta mais, corre mais atrás da bola e possivelmente cometerá mais faltas. Acho este um conceito preocupante caso passe a ser usado com mais frequência. Sobre o rodízio, é mais provável que funcione.

domingo, 10 de agosto de 2014

Inter impõe superioridade em clássico equilibrado

Se algo de bom é possível o Grêmio tirar de mais uma derrota em Gre-Nal é a oportunidade de pisar os pés no chão, acabando com a ilusão que o simples retorno de Felipão traria de volta o time multicampeão dos anos 90.  O técnico até tentou mudar a fotografia da equipe: escalou Ramiro na lateral direita, Pará na esquerda, promoveu o retorno de Werley na zaga e Rodriguinho no meio e ainda as estreias dos volantes Felipe Bastos e Walace, de 19 anos.

O clássico, contudo, foi equilibrado a maior parte do tempo. Abel Braga optou pelo 4-2-3-1, sacando Alan Patrick e colocando Aranguiz na linha de três meias, mantendo Willians e Wellington como dupla de volantes. Do outro lado, o Grêmio atuou no 4-1-4-1, tendo o jovem Walace como jogador posicionado à frente da linha defensiva. O estreante foi apenas discreto, e talvez o tricolor precisasse mais do que um jogador discreto.

O Grêmio começou o jogo cometendo muitas faltas e se preocupando em não deixar o Inter articular. A partir dos 20 minutos do jogo o time de Felipão parecia ter acertado seu jogo, conseguindo trocar a bola e assustar o rival através de investidas e chutes de média distância. O sensível predomínio do Grêmio, entretanto, durou até os 16 minutos da segunda etapa, quando o Internacional fez boa trama pela esquerda e abriu o placar com gol de cabeça do chileno Aranguiz. Era a primeira chance de gol colorada.

Diego Guichard/GloboEsporte.com

O Inter tomou conta do Gre-Nal 402 a partir de então. O Grêmio faliu animicamente e não se acertou mais. O segundo gol foi consequência. A partida é uma espécie de retrato do futebol gaúcho nos últimos dez anos. Enquanto o time do Beira-Rio se agiganta em jogos decisivos, sobretudo contra o rival, a equipe tricolor perde confiança ano após ano e escancara uma dificuldade tremenda em vencer partidas fundamentais.

Jogadores inteligentes dentro e fora de campo, como D'Alessandro e Alex, além da qualidade técnica, possuem uma compreensão tática diferenciada, e um espírito de liderança dentro das quatro linhas que acabam ajudando o Internacional a se impor nos clássicos diante do Grêmio. Foi o que aconteceu neste domingo, no primeiro Gre-Nal do Beira-Rio remodelado. 

A vitória credencia o Internacional a buscar o líder Cruzeiro. O time de Abel Braga tem capacidade. Ao Grêmio, resta trabalhar, tentar mudar cada vez menos e buscar resgatar a confiança do grupo de jogadores.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O confronto de características do Gre-Nal 402

O Inter de Abel Braga tem uma vantagem valiosa sobre a equipe gremista do recém chegado Luiz Felipe Scolari: o colorado tem uma maneira de jogar, tem uma característica, uma identidade desde o início da temporada. Coisa que o Grêmio passa longe de ter. Embora possamos questionar a falta de velocidade do Internacional, é preciso reconhecer que a cadência e a qualidade técnica individual para trocar a bola no setor ofensivo é uma característica que tem levado o colorado a resultados razoavelmente satisfatórios: venceu o Campeonato Gaúcho, vem passando de fase na Copa do Brasil e é o terceiro colocado no BR-14, com a mesma pontuação que o vice-líder e quatro pontos atrás do Cruzeiro. Além, é claro, de ter vencido os dois clássicos do ano.

Com o retorno do chileno Aranguiz, o técnico Abel Braga não deve fugir muito do 4-2-3-1, com a opção de variar para o 4-1-4-1 . A dúvida ainda é: quem sai para a volta do chileno? Os meias Alex e Alan Patrick mais o volante Wellington são os mais cotados. Pouca coisa muda seja qualquer um deles a deixar a equipe. O posicionamento segue similar. Contudo, a volta de Aranguiz representa uma válvula de escape interessante, pois se trata de um jogador leve, com fôlego para entrar na área quantas vezes for preciso e ainda recompor o posicionamento na hora de defender. É um jogador que destoa do toque cadenciado e acelera a mecânica colorada.

Montagem PoA Geral. Fotos: Fernando Gomes e Felix Zucco/Agência RBS

Por outro lado, o Grêmio é uma incógnita. Apesar de um grupo de jogadores qualificado para disputar campeonatos nacionais, a montagem da equipe sofre muito pela falta de continuidade. Uma derrota qualquer no contexto tricolor tem pesado muito, obrigando diretoria e comissão técnica a cederem invariavelmente à pressão externa, protagonizando frequentes mudanças. O Grêmio não tem um rosto, não tem uma característica, se mostra uma equipe mutante, diferente a cada jogo.

É, sem dúvida, uma desvantagem que tem Felipão para o clássico. Qualquer escalação parte de uma desconfiança completa. O Grêmio de hoje precisa provar a todos que é bom time, e esse tipo de sentimento afeta o rendimento do grupo. O maior exemplo disso é desempenho do clube nos clássicos da última década, em que o tricolor geralmente perdia e tinha sérias dificuldade de vencer mesmo quando a qualidade entre Inter e Grêmio era equivalente.

O Gre-Nal 402 tem, como sempre, uma importância maior que apenas os três pontos. Não creio que uma derrota normal signifique algo de negativo na continuidade dos trabalhos de Abel e Felipão. O primeiro por já estar consolidado, e o segundo por estar iniciando uma jornada. Entretanto, uma vitória do Inter pode significar uma guinada interessante, enchendo o time de confiança na perseguição ao Cruzeiro. Enquanto no Grêmio, a vitória auxilia na remontagem da equipe, trazendo a simpatia da torcida novamente para junto ao grupo e respaldando uma escalação que finalmente poderá ganhar sequência. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Grêmio da falta de convicção e do pensamento mágico

O primeiro pensamento mágico da atual gestão do Grêmio é ela mesmo. Apostou-se que Fábio Koff voltaria à presidência do clube para reconquistar os títulos que há mais de década o tricolor não ganha. Apesar de uma razoável administração fora do campo, dentro dele foram prometidas metas que não passaram perto de serem cumpridas. A não ser que vença o improvável BR-14 ou a possível, porém complicada, Copa do Brasil. As fórmulas que deram certo nos anos 80 e 90 não funcionam mais em 2014. Por mais competente que seja - e Fábio Koff é -, é demasiado imaginar que uma pessoa seja capaz de descer ao vestiário, impor respeito a comissão técnica e jogadores, motivar, contratar, atuar politicamente nos bastidores e levar nas costas um clube de futebol à conquistas.

O segundo pensamento mágico foi a contratação de Renato Portaluppi ano passado, após a saída de Vanderlei Luxemburgo. O maior jogador da história do Grêmio voltava para reatar a parceria vitoriosa com o presidente em 83 e, principalmente, servir como atrativo para o torcedor comparecer em maior número na Arena.

Antes de fechar os dois anos da atual gestão, o Grêmio parte para mais um pensamento mágico na tentativa de voltar às suas maiores glórias. Depois da demissão de Enderson Moreira, Koff foi a São Paulo buscar Luiz Felipe Scolari. O treinador multi-campeão pelo tricolor gaúcho retorna depois de 18 anos e, assim como Portaluppi, tentará repetir a pareceria vitoriosa da metade dos anos 90.

Convicção
Ao final de 2014, a gestão Koff completará 24 meses no comando do Grêmio e quatro treinadores contratados. Na média, uma troca a cada seis meses. A partir desse ponto, é possível constatar alguns aspectos. Primeiro, e mais fundamental: não há convicção. No início de 2013 o departamento de futebol acertou a renovação com Luxemburgo a contragosto. Não era o nome preferido da diretoria. Na sequência, Renato Portaluppi foi segundo colocado no Brasileirão e descartado, sem receber uma merecida valorização por parte do clube. Então aparece Enderson Moreira, que é mantido mesmo após os fracassos no Gauchão e na Libertadores. Faz um Campeonato Brasileiro razoável e quando recebe peças de qualidade é dispensado na primeira derrota. E se vencesse, seguiria? Com que respaldo?

Aliás, os profissionais que vem atuar pelo Grêmio, sentem-se respaldados pela diretoria? Falo de jogadores, preparadores físicos, auxiliares, técnicos etc. Ninguém trabalha tranquilo sabendo que pode ser demitido a cada rodada ou execrado a cada gol perdido.

Felipão
O novo treinador gremista é um vencedor inquestionável, de carreira gloriosa, de muito mais acertos que erros. Ficou marcado pela última passagem na Seleção, após uma péssima Copa do Mundo. O que não significa que fará um péssimo trabalho no Grêmio, assim como seu passado também não é garantia de glória no presente. 

Com todo respeito que merece, pois não acho que seja ex-técnico, apesar de entender que seja sim defasado para assumir uma Seleção Brasileira, Scolari volta ao Grêmio para ganhar um salário astronômico e fazer pouco mais, talvez, do que Enderson. E ter menos tempo para trabalhar, e menos possibilidade de ganhar um título.

Acredito que não seja saudável para os cofres do Grêmio, tampouco para a imagem vencedora de dois ícones da história do clube como Koff e Felipão, que se arriscam agora a uma trajetória que tem tudo para ser mais uma razoavelmente boa, mas sem títulos - como tem sido os últimos anos do tricolor gaúcho.

Tomara que eu morda a língua.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Renovação X Reestruturação

Após toda a Copa do Mundo em que o Brasil não vence surge o mesmo papo: renovação. Afinal, é preciso renovar, buscar novos jogadores e resgatar o espírito brasileiro de jogar futebol convocando atletas que tenham orgulho de defender seu país.

Um belíssimo papo furado. Este é um dos erros crassos da nossa maneira de fazer futebol. Buscar a renovação a cada quatro anos sacrifica boas gerações e dificulta a criação de uma equipe propriamente dita, que tenha sentido coletivo e mescle experiência e juventude. Portando, Dunga, Gilmar Rinaldi e CBF erram quando falam apenas em renovação. Erra também quem cobra isso deles. A Seleção não precisa de renovação, ela precisa de continuidade e ajustes.

A palavra correta é reestruturação. Mas aí em uma esfera muito maior, que não se detém apenas no que é gerir uma seleção de futebol de um país. A Confederação Brasileira de Futebol precisa oxigenar suas práticas. Buscar a profissionalização nos mais variados setores, como o da arbitragem, por exemplo. Precisa abrir os cofres e investir de forma razoável na organização de campeonatos menores que permitam a boa saúde dos clubes de pequeno porte, auxiliar na manutenção e estruturação da base e promover cursos preparatórios com real estofo e valor técnico. Ouvir o Bom Senso FC, aderir ao fair play financeiro e repensar o calendário do futebol nacional.

Aos clubes grandes, é preciso cobrar da mesma forma. Essas agremiações poderosas precisam também se reestruturar. Além de profissionalizar a maneira de gerir o clube, é de suma importância que saibam atuar juntos fora do gramado, o que implicaria na criação de uma liga independente, nos moldes do falecido Clube dos 13. Uma liga para negociar, sobretudo, uma divisão mais equilibrada das verbas de televisão e que busque se desgarrar dos braços da Rede Globo e das Federações, defendendo o interesse dos clubes não de forma individual, mas visando o bem comum das instituições.

Isso vai muito além de uma renovação na Seleção Brasileira.


Aliás, Dunga como treinador e Gilmar Rinaldi como coordenador pouco difere do que vimos na última comissão técnica que tinha Felipão de técnico e Parreira um cargo acima - ainda que não parecesse. Por que escolher Dunga?

Não que tivesse feito mal trabalho em termos de resultado de campo na sua passagem, de 2006 a 2010. Mas o fato é que o novo (velho) técnico não deixou legado nenhum durante sua passagem pela Seleção Brasileira. Convocou pensando irrestritamente naquele momento, ignorando que em 2014 jogaríamos uma Copa do Mundo em casa e precisaríamos de uma equipe mais experiente. A culpa não é toda dele, evidente que faltou planejamento de instâncias maiores. Algo que esperamos que Gilmar Rinaldi seja capaz de comandar durante sua gestão.

Renovação
Da Copa de 2010 para a de 2014, cinco jogadores seguiram na Seleção: Julio Cesar, Thiago Silva, Maicon, Daniel Alves e Ramires. É um número baixo, ainda mais se considerarmos que nomes como Marcelo, Hernanes, Neymar e Victor poderiam estar no grupo. Outros nomes, naquele momento, também poderiam ser lembrados e, quem sabe, teriam uma trajetória diferente na carreira. Alexandre Pato e Paulo Henrique Ganso, sobretudo.

Mesmo após a catástrofe do 7 a 1 para a Alemanha na semifinal e a derrota de 3 a 0 para a Holanda na decisão de terceiro lugar, não é a hora de começar uma equipe do zero. Dos 23 convocados de Luiz Felipe Scolari para disputar o mundial no Brasil, pelo menos 12 podem servir de base para o novo trabalho do técnico Dunga. Da defesa ao ataque, são eles: Victor, Daniel Alves, Marcelo, Thiago Silva, David Luiz, Luis Gustavo, Fernandinho, Paulinho, Oscar, Willian, Neymar e Bernard.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Em nova derrota da Seleção, os problemas são os mesmos

Inglaterra 1 x 2 Brasil

Geralmente se faz uma avaliação equivocada desta nova Seleção, desde que Mano Menezes assumiu, e agora com Felipão no comando. Não faltam Rivaldos, Ronaldos ou Romários, os ditos diferenciados, aqueles que façam a diferença e decidam. Enquanto a nossa cultura de futebol pensar assim, continuaremos acumulando resultados ruins. Não faltam bom jogadores à safra atual. Falta trabalho coletivo, sentido de equipe, mecânica de jogo, ideia tática, aplicação, posse de bola e ocupação de espaços no campo. Só isso (ainda que seja muito).

O Brasil perdeu para uma Inglaterra que não é espetacular, mas é bem organizada, tem mecânica de jogo e atletas que cumprem com afinco suas funções. No 4-1-4-1, Gerrard é o volante que fica entre as duas linhas de quatro, fazendo a sobra da marcação dos laterais e meio-campistas e iniciado todos os movimentos de ataque. Quando Rooney sai da área, os dois wingers entram em diagonal, principalmente Walcott, pela direita. Foi praticamente desta forma que aconteceram os dois gols ingleses  O Brasil não teve nada parecido. Ainda não tem.

Adrian Dennis/AFP
No primeiro tempo, com um meio-campo em quadrado, a Seleção se dividia em dois blocos. O primeiro tinha os quatro defensores e os dois volantes, e o segundo tinha Ronaldinho, Oscar, Neymar e Luis Fabiano. Estes últimos deveriam ser os responsáveis por dificultar o jogo de Gerrard. Não o fizeram.

A coisa melhorou um pouco na segunda etapa, com a saída de Ronaldinho, a entrada de Lucas e a adoção do esquema 4-2-3-1, que contou com maior participação dos laterais. Ainda sim, o Brasil não soube abrir o jogo. Sempre centralizou muito a jogadas, facilitando a marcação inglesa. O time de Felipão até chegou ao empate, mas a Inglaterra sempre foi melhor em campo.

E foi melhor porque pensa melhor o jogo. Não fica esperando que jogadas individuais resolvam as partidas.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cartolaço da CBF é um equívoco

A informação pegou too mundo de surpresa. Mano Menezes não é mais o técnico da Seleção Brasileira. O anuncio de sua demissão foi na tarde desta sexta-feira . Um verdadeiro cartolaço dos dirigentes José Maria Marin, Andrés Sanchez e Marco Polo Del Nero. Quinta-feia à noite, alguns dos jornalistas mais bem informados do Brasil receberam a informação, porém não conseguiram nenhuma confirmação. Até hoje de manhã, Mano não sabia. Os três cartolas da Confederação Brasileira de Futebol tomaram a decisão após reunião.

É um equívoco. Mano já viveu momentos em que cogitar uma demissão não era nenhum absurdo. Agora, é burrice. O trabalho do técnico não é incontestável, porém, está longe de ser tão ruim quanto as pessoas pintam por aí. Fundamentalmente a imprensa de Rio e São Paulo. Até então, o grande erro de Mano Menezes era a demora para definir um time base para trabalhar, coisa que se resolveu nos últimos seis meses. Os testes diminuíram, a filosofia de jogo estava clara e a equipe principal praticamente definida. O trabalho estava, finalmente, dando frutos, o Brasil estava encorpando. Não era o momento para mudanças.

O pior de tudo é que as mudanças podem ser profundas, quando cogita-se Felipão e Muricy. Nem tanto pelo nome ideal, que agora seria Tite. Os dois primeiros seguem uma linha mais agregadora, de montar equipes mais competitivas e menos tática, mais experiente e pesada, menos leve e jovial. Tudo que o Brasil não precisa.

Os convocáveis de hoje são, essencialmente, jovens. Que precisam de maturação tática, entrosamento e confiança. Não de uma mudança de rumo.

Não sabemos se Mano seria Campeão do Mundo - nem estou afirmando isso aqui. Mas realizava um perfil de trabalho que está alinhado com o futebol moderno, praticado nas grandes equipes do mundo. Quem mais, no Brasil, poderia fazer coisa parecida? Tite.

Posso errar tudo e daqui a um ano e meio a Seleção estar levantando a taça sob o comando de Felipão ou Muricy. E o ônus de dar opinião.

domingo, 2 de setembro de 2012

Grêmio conquista empate importante

Luxemburgo não gosta de empatar. Na sua conta, e está correta, correr riscos e buscar a vitória dá muito mais lucro que administrar um empate e ganhar penas um ponto. Contra o Palmeiras, no Pacaembu, pela segunda vez no BR-12 o Grêmio empata uma partida. Portanto, são as 13 vitórias no campeonato que qualificam a campanha gremista. É o mesmo número de vitórias que o líder, Atlético-MG.

O Grêmio perdeu Kléber aos 18 minutos do primeiro tempo. O atacante foi expulso depois de deixar o braço no rosto do volante Henrique numa disputa de bola. Jogar com um homem a menos desde tão cedo, aumentou muito o grau de dificuldade da partida. Fator que valoriza o empate, entendendo que, pelas circunstância, era muito mais provável uma vitória do Verdão que uma do Grêmio.
Tom Dib/Lancepress
Com a corda no pescoço, na zona do rebaixamento e com alguns desfalques importantes, o time do Palmeiras entrou comendo grama. Num 4-4-2 parecido com o do Grêmio, portanto duas equipes espelhadas, com a marcação encaixada. Por isso, jogo de muito contato físico e intensa movimentação.

Interessante de perceber é que não era apenas os jogadores do Palmeiras que estavam comendo grama. O time do Grêmio mostrou muito comprometimento tático e entrega física. Depois da expulsão de Kléber, Luxmburgo posicionou duas linhas de 4, com Zé Roberto fechando a meia esquerda e Marco Antônio pelo outro lado. Mais à frente, Marcelo Moreno.

O que correram Moreno, Zé Roberto, Souza, Anderson Pico, foi uma enormidade. O camisa 10 gremista ainda jogou o segundo tempo como único atacante. Deu cada pique como se ainda tivesse 23, não 38 anos. No Palmeiras, algumas boas jogadas foram criadas, principalmente quando Barcos conseguia fugir da boa marcação dos zagueiros, mas o time de Felipão esbarrou em Marcelo Grohe.

O Grêmio ainda teve a sorte de contar com o empate do Fluminense em 2 a 2 com o Figueirense. Assim, o time gaúcho segue com os três pontos de distância do Tricolor Carioca. Tendo em vista que na próxima rodada o Grêmio recebe o Atlético-GO e o Flu pega o Santos, o zero a zero desse sábado pode se converter em vice-liderança no meio da semana.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Grêmio não soube jogar depois do 1° gol

Não há dúvida nenhuma, muito menos novidade, em afirmar que o Grêmio perdeu a classificação no Olímpico, depois dos 40 minutos do segundo tempo, quando o jogo já se encaminhava para o 0 a 0. Este empate com um gol para cada lado na Arena Barueri classificaria a equipe gaúcha. Com o resultado casado, 3 a 1 Palmeiras.

Tanto Felipão quanto Luxemburgo mostram prudência e convicção para iniciarem a partida. Os dois times estavam praticamente iguais aos que começaram o jogo do Olímpico. A diferença era que, ao invés de Miralles, Marcelo Moreno fez dupla com Kléber e, na lateral, Edilson jogou no lugar de Gabriel. No Palmeiras, os dois desfalques foram Luan e Marcos Assunção. Mazinho e Márcio Araújo cumpriram as mesmas funções e o Verdão repetiu o mesmo 3-5-2 de Porto Alegre.

O Grêmio não deu sorte com o tempo em Barueri. Muita chuva, o dia inteiro e durante todo o jogo. A certa altura do primeiro tempo o campo já estava em condições muito ruins para quem precisa colocar a bola não chão, trocar passes, organizar jogadas e abrir a defesa adversária. Naquela condição de jogo é muito mais fácil destruir do que construir jogadas. A possibilidade de erro aumenta muito, e isso não é bom para quem precisa errar quase nada defensivamente e fazer de dois e três gols de diferença.

No bom e disputado jogo que fizeram Grêmio e Palmeiras, o cenário parecido com o de Porto Alegre só mudou quando os treinadores resolveram mexer. Luxemburgo leu de forma correta a partida, apostou na bola aérea e no embate físico. Chegou ao gol aos 21 do segundo tempo, quando Moreno e André Lima seguravam os zagueiros do Palmeiras na área, Kléber consegui jogar com apenas um na marcação e Léo Gago e Fernando conseguiam lançar e articular certas jogadas, sempre com Pará e Edilson chegando pelos lados e Rondinelly aplicando boa movimentação.

O Grêmio fez o gol no seu melhor momento no jogo. Era melhor que o Palmeiras e conseguia achar algum espaço. Mas a equipe de Luxa não soube jogar depois do gol, e o próprio treinador mexeu mal. Quando já vencia, tirou o centroavante Moreno e colocou Miralles aberto na direita. Essa manobra, aliada a empolgação gremista, deu espaço para que Valdívia brilhasse e desmontasse o Grêmio 6 minutos depois do gol tricolor.

Depois do empate palmeirense os jogadores gremistas perderam a cabeça. Houve duas expulsões justas, Edilson e Rondinelly. No mesmo lance, Henrique, do Palmeiras, também foi expulso. Mas o momento era todo palmeirense, e a perturbação estava toda do lado gremista.

A equipe de Luxemburgo não fez má partida. Kléber mostrou melhor forma, assim como Moreno. Faltou um algo a mais, talvez um pouco mais de calma e algum deslize palmeirense, coisa rara nos dois jogos. Contudo. o treinador continua convicto na estrutura de time e confiante para o BR-12 e para a Sul Americana, e isto tem sua dose de importância.

*Foto Wagner Carmo/Vipcomm

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vantagem do Palmeiras é desproporcional, vitória não

O jogo não foi bom no Olímpico. Os 45 mil torcedores que lotaram o estádio assistiram a dois times pesados, de características parecidas, marcando muito e criando pouco. No décimo segundo jogo de Luxemburgo no Olímpico, a primeira derrota depois de uma série de 11 vitórias. Um retrospecto positivo que dava ao Grêmio certa dose de favoritismo.

Mas favoritismo nunca foi garantia de nada. A vitória do Palmeiras foi merecida, teve a cara de Felipão e fez-se graças ao exito da estratégia do treinador. Entretanto, o tamanho da vantagem adquirida pelo Verdão é desproporcional à sua campanha, à campanha do Grêmio (até então invicto na competição), e ao momento das duas equipes. Copa tem dessas coisas, nem sempre a melhor campanha é a do campeão. Isoladamente, o 2 a 0 para o Palmeiras é normal. Mas o peso desses dois gols no Olímpico vira de lado o favoritismo e coloca o melhor time da competição até agora em uma situação quase irreversível.

Praticamente toda vitória e toda derrota passa pelas opções e convicções do treinador. Isto vale para Luxemburgo, que faz um bom trabalho no Tricolor, mas que ontem não foi bem, e vale para Felipão, que está há um ano e meio aos trancos e barrancos no Palmeiras, só que acertou a mão e o time nesse primeiro confronto da semifinal da Copa do Brasil.

A grande surpresa do Grêmio foi a escalação de Kléber no ataque, junto a Miralles. Não acho que Luxa tenha errado aí. Inflamou o estádio com a presença do Gladiador e escalou dois atacantes que conseguem prender a bola no ataque. Mesmo com Kléber não estando com total ritmo de jogo, ao menos 45 ele aguentava. E aguentou muita porrada. De resto, um Grêmio igual, no 4-3-1-2, mas com um Marco Antônio muito escondido, bem marcado por Henrique. Se pelo lado direito do meio-campo Souza fez ótima partida, faltou a parceria com Gabriel, que jogou um futebol preguiçoso, fora do ritmo da decisão.

A estratégia do Palmeiras era marcar. Principalmente no 1° tempo. Segurar o Grêmio, amornar a torcida e sair mais no segundo tempo. Se o 0 a 0 era lucro, imagine o 2 a 0. Felipão montou um 3-5-2 híbrido, que tinha um zagueiro (Henrique) de primeiro volante, e um lateral como terceiro zagueiro (Arthur, pela direita). Na marcação de Kléber, sempre dois jogadores. Conforme a situações de jogo, esse Palmeiras virava facilmente um 4-2-3-1, sempre com Barcos lá na frente. João Victor, que no 3-5-2 era ala pela direita, avançava e ficava em linha com Daniel Carvalho e Luan, ficando os três na retaguarda do centravante.

A marcação do Palmeiras estava encaixada, funcionante completamente. As chances de gols são raras na partida, embora tenha no primeiro tempo o Grêmio um bom volume de jogo, mas sem praticamente nada de infiltração.

O jogo foi decidido depois das principais substituições do segundo tempo. Vanderlei Luxemburgo abriu mão do jogo de paciência, abriu mão da posse de bola no ataque. Sacou Miralles e Kléber e colocou Moreno e André Lima, dois centroavantes para receber bola alçada de tudo quanto é parte do jogo. Facilitou a marcação palmeirense. O ataque do Grêmio parecia uma parede, a bola batia e voltava.

Do outro lado, Felipão, que já via um Palmeiras mais à vontade em campo, menos nervoso que o time da casa, dotou sua equipe com mais velocidade. O zagueiro lateral Arthur saiu para entrar o lateral Cicinho, que tem mais recursos técnicos e que continuou cumprindo a mesma função do companheiro. No meio, o descompromissado Daniel Carvalho foi substituído pelo jovem e rápido Mazinho. Aos 41, Cicinho puxou o contra-ataque fulminante que acabou no gol de Mazinho. O segundo gol veio quatro minutos depois, de forma natural, com um Palmeiras cheio de confiança e um Grêmio totalmente atordoado depois do gol.

A grande vitória palmeirense passa por uma série de erros e acertos, de ambas as partes. Um jogo não define um ano, mas um jogo e uma vantagem desproporcional podem decidir uma Copa. É o que está acontecendo com o Grêmio. A não ser que na próxima semana aconteça a improvável virada tricolor. Impossível não é.

*Foto Fernando Gomes/ClicRBS