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domingo, 20 de abril de 2014

Sistema ofensivo gremista falha na estreia do BR-14

É estranho afirmar que o Grêmio jogou bem contra o Atlético-PR. Não foi exatamente uma boa partida, mas a verdade é que a derrota no Gre-Nal multiplica o peso de qualquer resultado que não seja a vitória. É preciso analisar a estreia no BR-14 de forma isolada. O time de Enderson não foi pior que a equipe paranaense, foi um jogo equilibrado, com um domínio mais acentuado para a equipe gaúcha, porém quem aproveitou a chance que teve foi o zagueiro Dráuzio, destaque na finalização fundamental e também na boa marcação individual a Barcos.

O gol saiu de uma falha do sistema defensivo, um conjunto que envolveu a marcação falha de Geromel e a saída imprecisa do goleiro Busatto. Contudo, a defesa gremista - que teve apenas Pará de titular - se portou bem. Teve outras poucas falhas durante o jogo, nenhuma delas grave ao ponto de permitir ao CAP ampliar o placar. Diferente do sistema ofensivo que, com a bola no pé, desperdiçou três ou quatro chances claras e foi inoperante em arremates de média distância, bolas paradas e escanteios. O Grêmio teve volume de jogo, não perdeu a cabeça quando tomou o gol, conseguiu trancar os contra-ataques do adversário, contudo teve um aproveitamento ofensivo irrisório.

Charles Guerra / Agência RBS
O retorno de Zé Roberto é importante, porém esse jogador carece de ritmo de jogo. Dudu mais uma vez se destacou individualmente, mas não conseguiu transformar isso em efetividade. Barcos foi bem marcado. Os jogadores que entraram, Rodriguinho e Éverton, também não conseguiram contribuir em termos de criação e finalização. O Grêmio sente falta de Luan, é o jogador que vinha fazendo o importante papel de segundo atacante, flutuando atrás do centroavante e tendo a chegada de Dudu, na diagonal pelo lado esquerdo. Além, claro, da chegada de Wendell por aquele lado, jogador que foi poupado.

Enderson manteve o sistema tático, um 4-4-2 com duas linhas bem definidas. Zé Roberto jogou mais perto de Barcos. Contudo, com o decorrer do jogo, houve variações. O Grêmio passou pelo 4-2-3-1 e terminou o jogo num frustrado 4-3-3 que acabou sendo engolido pelo 4-5-1 do CAP.

Não consigo perceber abatimento anímico nessa equipe do Grêmio. Foram duas derrotas seguidas, porém jogos e motivos completamente distintos. Não é hora de desconfiar do bom trabalho que vem sendo feito. Libertadores é outra competição, e nela o Tricolor está bem e confiante. E precisa entrar em campo na próxima quarta-feira, contra o San Lorenzo, tendo respaldo e apoio da torcida e da direção, jogando como legítimo segundo melhor time da competição.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Substituições mudaram a cara do Grêmio no segundo tempo

Em termos de tabela e projeção, o empate de 0 a 0, em casa, com o Newell's Old Boys, não é resultado ruim. O Grêmio segue como líder do grupo e com a classificação bem encaminhada. Contudo, a partida na noite desta quinta-feira, na Arena, deixa mais que um ponto para o time gaúcho. Deixa também a sensação - como nos jogos anteriores da Libertadores - que a equipe de Enderson Moreira está no caminho certo quanto a sua formatação, e goza de um grupo de jogadores com boas opções para mudar o panorama de um jogo.

Diego Vara / Agência RBS
O time argentino foi uma parada duríssima, jogando um primeiro tempo de muito respeito, privilegiando a posse de bola e conseguindo certa imposição diante de uma Arena lotada. No 4-3-3, com a bola passando por Banega, Max Rodrigues e Figueroa, faltou ao NOB verticalidade. Mesmo no bom primeiro tempo que fez, como no segundo tempo mais cauteloso, a equipe do técnico Alfedro Berti não exigiu do goleiro Marcelo Grohe a realização de nenhuma defesa com qualquer grau de dificuldade. Fruto, também, da boa postura da linha de quatro defensores do Grêmio mais o auxílio dos três volantes.

Mas o que chamou atenção foi a mudança gremista do primeiro do segundo tempo. De um time mais passivo, tentando especular contra-ataques, o Grêmio se tornou um time insinuante, que buscou o gol e fez do goleiro Guzmán o principal nome da partida. Do 4-3-2-1, com Zé Roberto e Luan especialmente atuando por dentro, caindo pouco pelos flancos, com Riveros e Ramiro pouco inspirados tecnicamente, o Tricolor passou para o 4-2-3-1. Detalhe é que os três bons meias que compuseram a linha atrás de Barcos saíram do banco de reservas: Dudu, Alan Ruiz e Maxi Rodrigues.

O Grêmio acaba, na média, fazendo um bom jogo de futebol, construindo várias oportunidades na segunda etapa para que pudesse liquidar o adversário. E sem dúvida é um diagnóstico importante constatar que parcela considerável da mudança de postura do Grêmio veio do banco. É sinal que o Grêmio tem grupo razoavelmente qualificado para seguir crescendo na competição. Ainda que o uruguaio Maxi Rodruiguez pareça abaixo daquilo que foi em 2013, o conjunto em si prevalece, e me parece melhor com relação ao ano passado. 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O que mudou na dupla Gre-Nal de 2013 pra cá

Apesar da amostragem ser pequena e o nível de exigência do Gauchão ser dos mais baixos, é possível sim tirar algumas conclusões sobre Inter e Grêmio para 2014. Possivelmente uma ou outra análise pode soar precoce - e de fato é -, mas tanto Enderson quanto Abel estão apostando e trabalhando com uma filosofia de futebol que deve perdurar durante a temporada.

Grêmio tem mais opções ofensivas
Do time de Renato Portaluppi, vice-campeão brasileiro, para esse que inicia a temporada, houve duas perdas técnicas significativas: Souza e Vargas. Cada um por suas circunstâncias particulares. Porém, das poucas contratações que o Grêmio fez, nenhuma representa individualmente uma melhora significativa na qualidade do elenco. O fato é que o Grêmio ganhou em outras frentes, e um dos principais responsáveis por esse acréscimo é o estilo de jogo adotado pelo técnico Enderson Moreira.

Adriana Franciosi /Agência RBS
O Grêmio da temporada passada era pragmático, marcador, pouco vaidoso e nada virtuoso. Assim, conseguiu ser o segundo melhor time do Campeonato Brasileiro, com Kléber e Barcos comprometidos em marcar, e se desgastando por isso, pelo bem maior da equipe. Da mesma forma os volantes, invariavelmente três, sempre de muita entrega e transpiração.

O Tricolor desse ano achou alternativas e mudou a proposta de jogo. Luan veio da base e está dando conta do recado, Zé Roberto voltou à beirada do campo, sem a cobrança de ser o articulador central da equipe, Maxi Rodrigues é boa opção de banco, assim como Alan Ruiz. Jogadores mais agudos, Enderson ainda tem Kléber, Dudu e Éverton. Como titular, Barcos está correspondendo a uma mecânica de jogo que o aciona mais. O Grêmio de ontem, que venceu o Caxias por 3 a 2, a maior parte do tempo atuou numa espécie de 4-3-3, com Luan e Zé Roberto atuando pelos lados e conseguindo movimentação interessante na frente. 

O time de Enderson gosta de ter a bola no pé, diferente da equipe de Renato. Se terá resultado melhor, só o tempo dirá.

Inter tem transição no meio campo
No início da temporada o técnico Abel Braga perdeu três atacantes de alto nível: Forlán, Scocco e Leandro Damião. Mesmo com a contratação de Wellington Paulista, não podemos considerar que houve reposição à altura. Mas o fato é que o Inter tem o time de melhor rendimento do Gauchão 2014, sobrando em relação aos adversários e apresentando um futebol vistoso. Diferente do Grêmio, não há mudança significativa na postura e na proposta de jogo para essa temporada. Clemer e Dunga, assim como Abel, variavam do esquema 4-1-4-1 para o 4-2-3-1, sempre privilegiando a posse de bola e jogadores mais técnicos.

Porém, o atual treinador ganhou algumas soluções caseiras e um reforço estrangeiro importantíssimo. Primeiro os reforços caseiros: Alex, Alan Patrick, Fabrício e Rafael Moura voltaram a apresentam um futebol mais respeitável e hoje são peças fundamentais na campanha colorada. Principalmente o lateral-esquerdo, que praticamente não tem reserva, e o meia Alex, de condição física prejudicada na temporada passada.

No entanto, o nome fundamental é Charles Aranguiz, o volante chileno que consegue dividir ações com D'Alessandro na armação da equipe. Aranquiz chega para substituir Fred, o meia/volante que ano passado foi vendido e descompensou o até então arrumado time de Dunga. O chileno, assim como o brasileiro, tem vitalidade, desarme, bom passe e bom arremate. É o tipo de jogador que é chamado de "motorzinho do time", com a capacidade de fazer a transição da defesa para o setor ofensivo, jogando por dentro, na segunda linha de meio no 4-1-4-1 utilizado até agora por Abel Braga. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Grêmio: nem tanto ao céu, nem tanto a terra

É difícil ser sensato em um momento de eliminação, como o do Grêmio. Ainda mais quando essa eliminação está inserida em um contexto de uma sequência ruim de resultados, como é o caso do Grêmio. Contudo, é necessário ser equilibrado Ao contrário do muito que li, assisti e ouvi, o trabalho realizado por Renato Portaluppi, tal qual seu grupo jogadores, não são ruins. Não eram à época da vice-liderança, cerca de dois meses atrás. Não passam a ser agora.

Da mesma forma, o trabalho e o grupo de jogadores não são intocáveis, como prega a cada entrevista coletiva o treinador gremista. Obviamente há acidentes de percurso na caminhada tricolor nesses últimos meses de comando de Renato. Acidentes que são resultado de equívocos das mais variadas vertentes. A maior parte deles oriundo das decisões do comando técnico.

A escalação de Zé Roberto é um equívoco  não porque não deu certo efetivamente, mas sim pelo fato de ser um jogador que não vinha sendo utilizado. Estava desentrosado, sem ritmo de jogo e fora do contexto de equipe que o Grêmio adquiriu ao logo do trabalho. Mais coerente seria Elano. Mais correto seria Vargas. Mais lógico seria Elano e Zé acionados com mais frequência nos últimos quatro meses, não como titulares necessariamente, mas como opções valiosas certamente.

Lucas Uebel / Grêmio FPA

O primeiro tempo do jogo contra o Atlético-PR, na Arena, foi ruim. O Grêmio foi medroso, atacou pensando em não levar gol quando deveria pensar muito mais em fazê-lo. O Furacão foi inteligente, se fechou e aproveitou da evidente dificuldade gremista em converter as escassas oportunidades que cria.

Na segunda etapa, a necessidade fez do Grêmio um time mais impetuoso, sem medo de passar a bola pra frente, evitando o passe de lado. A fase não ajuda. O Grêmio correu mais que o adversário, criou muito mais e, de novo, foi infeliz na conclusão. Mesmo apressado e eliminado, foi um segundo tempo de razoável apresentação. Se faltou a sorte na hora do gol, sobrou competência ao goleiro Weverton - na mesma medida em que o tricolor foi incompetente nas jogadas de bola parada.

Prefiro o Renato da convicção do 3-5-2 e do 4-3-3 ao Renato que cede à pressão por Zé Roberto. Todos nós preferíamos um Renato menos arrogante em todas as situações, mais claro e menos repetitivo em suas entrevistas. Também prefiro que o treinador continue seu bom trabalho por mais de quatro meses. Que siga com o Grêmio de G4 por mais de meio campeonato, com uma equipe que segue com boas chances de ser vice-campeã. Que tem seus problemas, mas que também já teve - e segue tendo - boas e surpreendentes soluções.

Não está tudo certo no Grêmio. Mas, no futebol, por algumas poucas coisas erradas se perde um campeonato. Em reta final de temporada, com o Grêmio ainda muito vivo no objetivo de conquistar o direito a disputar a Libertadores de 2014, tudo o que o tricolor não precisa é de um clima de crise ou terra arrasada. Da direção para a comissão técnica, precisa sobrar respaldo e convicção. O mesmo vale da comissão técnica para os jogadores.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A culpa não foi de Elano e Zé Roberto

Fernando Gomes / Agência RBS
O Grêmio perdeu nesta última quarta-feira para o fraco Criciúma, dentro da Arena. Curiosamente, no retorno de Elano e Zé Roberto ao time titular. Se antes, os dois passaram a ser descartáveis para o técnico Renato Portaluppi, agora, do dia pra noite, passam a ser também para crônica e torcida. Os dois principais jogadores do Grêmio em 2012. O Zé Roberto, de um primeiro semestre inclusive cotado para Seleção Brasileira. Os dois, após uma derrota, jogadores ultrapassados.

Ora, eles não tem culpa na derrota de ontem? Claro, a mesma culpa de Renato Portaluppi e dos outros nove jogadores em campo. 

No futebol, uma variável infinita de fatores determina se uma equipe vai ganhar, perder ou empatar. Pior que a dupla Elano e Zé, contra o Criciúma, foi o técnico Renato. Mais letal que o próprio Criciúma, foi o próprio acaso a que qualquer equipe está sujeita em uma partida de 90 minutos. A história do jogo seria outra se o camisa 10 do Grêmio encobre o Gallato - como fez, depois de lançamento preciso de Elano - e coloca mais meia fração de força na bola chutada. Mais tarde, ainda zero a zero, se o juiz tivesse marcado pênalti sobre o mesmo Zé Roberto que perdera um gol imperdível minutos antes. O Grêmio fez bom primeiro tempo. Não fez o gol, e deu o azar (e teve sim a incompetência) de levar gol do 18° colocado do BR-13. O que não invalida a bela companha que vem fazendo a equipe de Renato Portaluppi nesse campeonato.

O técnico gremista cometeu dois grandes erros. O primeiro deles foi não ser político. Não sendo Zé Roberto e Elano titulares, precisam eles serem boas opções de banco. Precisam ser utilizados, ganhar ritmo, sentirem-se úteis e se habituarem a maneira de jogar que levou o Grêmio à vice-liderança. Renato tinha que ser político, e não utilizá-los apenas quando não há outra alternativa. É complicado depender de quem você não está prestigiando.

O outro erro foi a mudança abrupta de postura. A equipe vinha atando no 3-5-2 ou no 4-3-3. Em ambos os esquemas a estratégia era exatamente a mesma: defender, marcar intensamente no campo do adversário e aproveitar as poucas oportunidade criadas. Contra o Criciúma, não tendo Riveros, Ramiro e Kléber, jogadores fundamentais na maneira de jogar do Grêmio vice-líder, Portaluppi colocou ao lado de Souza um volante marcador para proteger os então dois zagueiros e na frente escalou uma linha de três meias muito técnicos e pouco marcadores.

Por característica, o Grêmio de ontem precisava ser o mandante de fato do jogo, valorizar a posse da bola e abrir espaço com paciência e inteligência. Apesar do bom primeiro tempo, faltou intensidade, paciência e tranquilidade para fazer aquilo que desde janeiro Luxemburgo tentou fazer no Grêmio em 2013: ser um time técnico e cadenciado. O Grêmio de Renato não vem sendo assim, e ontem, quando fugiu disso, teve muitas dificuldades. Principalmente em um segundo tempo que precisava buscar o resultado. Não deu certo.

O BR-13 segue e o Grêmio segue, sem muito se abalar por uma derrota circunstancial. Muito pior seria ter perdido para o Botafogo, por exemplo, concorrente direto na tabela. O que é possível lamentar, talvez, é que jogadores da qualidade de Elano e Zé Roberto percam espaço por um erro de avaliação da comissão técnica e por conta de uma derrota em casa completamente pontual e isolada.

Não esqueçamos que o Grêmio ainda é vice-líder. 

domingo, 21 de julho de 2013

Inter ganha; Grêmio perde

Inter 1 x 0 Flamengo

Não imaginava o Flamengo de Mano Menezes impondo tamanha dificuldade para o Colorado. Foi um bom jogo de futebol disputado na tarde fria de Caxias do Sul nesse domingo. Mano, parece, está acertando a mão, e o time carioca. Num 4-4-2, com duas linhas marcando e tentando atacar, tendo Carlos Eduardo mais à frente, caindo pela esquerda, e Marcelo Moreno bem, buscando segurar a zaga do Inter, o Flamengo fez uma boa partida fora de casa e quase arranca um empate importante para uma equipe que, por enquanto, não busca título na competição.

Marcelo Oliveira / Agência RBS
Importante mesmo é a vitória do Inter, mesmo com improvisações, como Fabrício no meio-campo e Forlán como centroavante. Ainda que improvisações, trazendo ao time de Dunga vitórias essenciais na véspera de receber reforços que qualificam e quantificam o grupo de jogadores.

Jorge Henrique mais uma vez se apresentou bem. Fabrício atuou de forma segura tanto no meio quanto na lateral, após a saída de um Kléber que parece jogar próximo daquilo que sabemos que joga na esquerda. D'Alessandro manteve a boa média, dessa vez sem gol. Contudo, o destaque maior é o zagueiro Juan, soberano na área colorada e letal ao 46 minutos do segundo tempo.

Criciúma 2 x 1 Grêmio

Era a chance do Grêmio se consolidar no pelotão de cima. Não faltou raça nem determinação ao tricolor gaúcho de 9 homens em campo. Faltou bola, e o pouco que era jogado após o empate gremista, aos 37 do segundo tempo, já com Biteco expuslo, era o suficiente para vencer o dominado time de Criciúma. Mas Vargas achou que estava na pré-escola, brigou como um menino de 6 anos e foi expulso. Com dois a menos, com a torcida contra, o gramado pesado da chuva que castigava Santa Catarina, fica praticamente impossível.

Era possível no início do jogo, se o losango de Renato não escondesse Elano em meio a dois volantes, se não exigisse de Zé Roberto uma espichada mais longa para chegar na área ou se por motivo de estratégia - ou de um aquecimento mal feito - o Grêmio não demorasse tanto para entender que era jogo para ele propor, assumir a responsabilidade de equipe grande e deixar o contra-ataque como uma opção ao time da casa e não a ele próprio, Grêmio.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sob o comando de Barcos, Grêmio começa a ter cara de time

O atacante argentino, que não treinava desde sábado, devido a um problema familiar, foi o maior responsável pela mecânica de jogo que acabou no 3 a 0 sobre o Fluminense. Um resultado vital para um Grêmio que tinha perdido a primeira em casa e corria o risco, na pior das hipóteses dessa rodada, de ficar com zero pontos, enquanto Huachipato e Fluminense chagariam a 6. Com a vitória, e com o resultado favorável ao Caracas, no Chile, todos do grupo ficaram com 3 pontos. O time gaúcho agora é o líder pelo saldo de gols.

Abel surpreendeu e largou com Deco e Thiago Neves no banco. No campo, um 4-2-3-1, com Sobis e Nem pelas pontas, Wagner centralizado. No ataque, um Fred muito bem marcado por Cris. Pelo lado direito, Wellington Nem foi o jogador mais agudo, explorando as costas de André Santos. A falta de parceria e a boa atuação do lateral gremista, bem assessorado por Zé Roberto e Fernando, atrapalharam o atacante do Fluminense.

No 4-4-2 gremista, além da tradicional linha de quatro defensores, mais à frente Elano fechava pela direita, Zé Roberto na esquerda, enquanto Souza e Fernando combatiam e ajudavam a contra-atacar pelo centro. Jogando no espaço deixado às costas dos volantes, obrigando a zaga carioca a avançar para marcá-lo, o Grêmio teve Barcos. O homem de jogo.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Barcos participou diretamente dos três gols gremistas. O centroavante, além de marcar presença na área, soube jogar muito bem fora dela. É da sua característica. Mais de uma vez o argentino lançou Vargas em profundidade. Em uma delas, com o Fluminense já completamente desorganizado devido as mudanças de Abel Braga, o atacante chileno recebeu em velocidade matou o jogo.

O Grêmio começa a ter cara de time. Não é a atuação que define que o Tricolor está pronto. Ao contrário do Fluminense, que está pronto, e dessa vez foi mal, o Grêmio está em formação, buscando um padrão de jogo. Nessa busca, o time de Luxa fez uma bela partida, que dá indícios do potencial técnico desse elenco montado para 2013.

O Grêmio volta a entrar nos trilhos. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cansaço e displicência tiram Grêmio da Sul America

Alertei aqui no PoA Geral que a displicência do Grêmio no primeiro jogo contra o Millonarios, no Olímpico, poderia complicar o jogo da volta, em Bogotá. Em ambas as partidas, o time de Luxembrugo foi superior quando quis jogar, evitou o balão, colocou a bola no pé trocou passes. Como no primeiro tempo na Colômbia, de Grêmio 1 a 0 e classificado com qualquer empate ou qualquer derrota por um gol de diferença. No segundo tempo, em 30 minutos, o time gaúcho tomou três gols e acabou eliminado, quase que de forma traumática, aos 48 da etapa final, com gol de pênalti, bem assinalado pelo árbitro.

No jogo derradeiro, o fator cansaço também pesou. O Grêmio abdicou de jogar futebol ainda quando tinha fôlego, na metade final do primeiro tempo. Depois, não conseguiu acompanhar o ímpeto de um time acostumado a jogar na altitude e emabaldo por 40 mil torcedores. O Grêmio provou do próprio veneno, sofreu o que muito já fez no Olímpico. Deveria saber o antídoto, que é não ser displicente, propor o jogo enquanto for possível.

Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
Vanderlei Luxemburgo começou a partida com duas linhas de quatro jogadores, Moreno como único atacante e Zé Roberto mais atrás, servindo de enganche entre meio e ataque. Bem protegido, com Pico e Pará de laterais base, sem desproteger a linha defensiva, com Marco Antônio na direita, Gago na esquerda e Souza e Fernando marcando e saindo pro jogo pelo meio, o Grêmio controlou o jogo na primeira etapa e saiu na frente no placar. Uma baita vantagem de 2 a 0, sendo um dos gols fora de casa (critério de desempate). Mas cometeu o erro de se apegar ao regulamento cedo demais.

Luxa ainda deu azar nas substituições. Tentou mais poder de fogo com Elano no lugar de Marco Atônio. O camisa 7 jogou menos que o meia que começou jogando. Para dar mais combatividade no ataque e tentar cavar faltas perto da área do adversário, Kléber entrou no lugar de Moreno. O Gladiador ficou três minutos em campo e sentiu o tornozelo, teve de ser substituído por André Lima. Talvez o Grêmio tivesse melhor sorte se tentasse dois atacantes no momento em que o Millonarios se jogou em busca do resultado. Não se sabe, só sabemos como foi. 

E não foi bom para o Grêmio, que acaba com qualquer possibilidade de título em 2012. O Olímpico não merecia um final em branco. Em contraponto, esse time talvez não merecesse as glórias de um título sul-americano. Fica de bom tamanho brigar por uma segunda colocação no BR-12. A vaga direta para a Libertadores 2013 é fator essencial para a preparação da equipe no início da próxima temporada.

domingo, 11 de novembro de 2012

O espetacular segundo tempo gremista

A tarde no Olímpico foi espetacular para o torcedor gremista. Foi um domingo muito bonito, de uma festa belíssima depois da vitória por 2 a 1, de virada, e a confirmação matemática na pré-Libertadores 2013. O Grêmio fecha a rodada na segunda colocação do BR-12. Faltam três jogos. Caso o Grêmio mantenha a vice-liderança, a vaga para a competição continental será direta.
Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
A vitória só veio depois de um baita segundo tempo gremista. Sem poder contar com Werley, G. Silva, Elano e Kléber, o Grêmio foi a campo com um time razoavelmente descaracterizado. Luxemburgo escalou uma equipe cautelosa que, como primeiro objetivo, pretendia parar um São Paulo embalado, em grande forma. Principalmente pelos três meias Lucas, Osvaldo e Jádson e pelo centroavante Luis Fabiano.

Com Léo Gago, Fernando e Souza à frente da zaga, e o zagueiro Naldo fazendo grande jogo, a maior parte do tempo o Grêmio conseguiu parar os quatro destaques do time paulista. Só que com a bola no pé, tendo Marcelo Moreno no ataque, Zé Roberto e Marco Antônio mais atrás, o Tricolor gaúcho não conseguiu transformar posse de bola em chances de gol.

Dois fatores essenciais possibilitaram a virada gremista no segundo tempo. Primeiro, a marcação pressão. O Grêmio diminuiu os espaços do São Paulo, adiantou o time e acuou o adversário. A frequente variação no lado esquerdo, entre Léo Gago e Pico, foi importante para que os movimentos de marcação e ataque funcionassem durante a etapa complementar.

O segundo fator foi a entrada de um segundo atacante. No caso, o André Lima, que fez o primeiro gol e, diferente de outras vezes, conseguiu jogar bem, contribuir para a evolução do Grêmio dentro da partida. Com um segundo atacante em campo, ficou mais fácil o surgimento de situações de gol. O Grêmio poderia ter feito mais que dois.

Até adicionaria, quem sabe, um terceiro fator aí: os 45 mil gremistas que foram ao penúltimo jogo no Estádio Olímpico. Lembrando que, caso o Grêmio passe de fase na Sul Americana, garante pelo menos mais um jogo na saudosa maloca.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Grêmio passa de fase na Sul Americana mas não joga bem

Tudo se encaminhava para o quarto empate consecutivo do Grêmio. Sendo que três deles, dentro do Olímpico. O gol de Zé Roberto, que deu ao time gaúcho a vitória sobre o Barcelona do Equador, 2 a 1, veio da linda cobrança de falta, criada por ele mesmo, depois dos 40 minutos do segundo tempo. O interminável Zé Roberto e o gol da vitória, pois a classificação já estava consolidada com o empate de 1 a 1.

Chega a ser preocupante em certo ponto. É uma fase ruim, de um Grêmio com um futebol menos eficiente do que dois ou três meses atrás. Mas a base do time continua a mesma, o pensamento de Luxemburgo continua o mesmo. Daqui a pouco é uma fase ruim que pode passar. E tenho a impressão que logo passa.

O Barcelona de Quayaquil não é mal time, pelo contrário. Contra o Grêmio, no Olímpico, o time equatoriano teve boa postura tática, um 3-5-2 nada afobado, que soube colocar a bola no chão e chegou ao gol no início do segundo tempo.

O grande problema do Grêmio foi não ter encaixado a marcação como deveria. Uma certa preguiça tática, que não apertou o Barcelona como deveria, como poderia. A vitória do tricolor é muito mais uma consequência da vitória pessoal de Zé Roberto que uma atuação coletiva competente da equipe. 

Faz parte. Coletivamente o Grêmio já teve ótimas atuações. Individualidade também é um ingrediente do futebol. 
Lucas Uebel/Grêmio Divulgação

domingo, 2 de setembro de 2012

Grêmio conquista empate importante

Luxemburgo não gosta de empatar. Na sua conta, e está correta, correr riscos e buscar a vitória dá muito mais lucro que administrar um empate e ganhar penas um ponto. Contra o Palmeiras, no Pacaembu, pela segunda vez no BR-12 o Grêmio empata uma partida. Portanto, são as 13 vitórias no campeonato que qualificam a campanha gremista. É o mesmo número de vitórias que o líder, Atlético-MG.

O Grêmio perdeu Kléber aos 18 minutos do primeiro tempo. O atacante foi expulso depois de deixar o braço no rosto do volante Henrique numa disputa de bola. Jogar com um homem a menos desde tão cedo, aumentou muito o grau de dificuldade da partida. Fator que valoriza o empate, entendendo que, pelas circunstância, era muito mais provável uma vitória do Verdão que uma do Grêmio.
Tom Dib/Lancepress
Com a corda no pescoço, na zona do rebaixamento e com alguns desfalques importantes, o time do Palmeiras entrou comendo grama. Num 4-4-2 parecido com o do Grêmio, portanto duas equipes espelhadas, com a marcação encaixada. Por isso, jogo de muito contato físico e intensa movimentação.

Interessante de perceber é que não era apenas os jogadores do Palmeiras que estavam comendo grama. O time do Grêmio mostrou muito comprometimento tático e entrega física. Depois da expulsão de Kléber, Luxmburgo posicionou duas linhas de 4, com Zé Roberto fechando a meia esquerda e Marco Antônio pelo outro lado. Mais à frente, Marcelo Moreno.

O que correram Moreno, Zé Roberto, Souza, Anderson Pico, foi uma enormidade. O camisa 10 gremista ainda jogou o segundo tempo como único atacante. Deu cada pique como se ainda tivesse 23, não 38 anos. No Palmeiras, algumas boas jogadas foram criadas, principalmente quando Barcos conseguia fugir da boa marcação dos zagueiros, mas o time de Felipão esbarrou em Marcelo Grohe.

O Grêmio ainda teve a sorte de contar com o empate do Fluminense em 2 a 2 com o Figueirense. Assim, o time gaúcho segue com os três pontos de distância do Tricolor Carioca. Tendo em vista que na próxima rodada o Grêmio recebe o Atlético-GO e o Flu pega o Santos, o zero a zero desse sábado pode se converter em vice-liderança no meio da semana.

domingo, 22 de julho de 2012

Vitória gremista na estreia de Seedorf

Foto: Wagner Meier, AGIF / Flickr Botafogo
Os quase 35 mil torcedores que foram ao Engenhão nesse domingo, foram para ver o primeiro jogo de Seedorf vestindo camisa botafoguense. Sem dúvida, um grande acerto do time carioca para o restante da temporada, o holandês é uma contratação incontestável à primeira vista. A festa antes de iniciar o jogo é completamente justificável e necessária. Agora, o jogo, é outra coisa.

O Grêmio sabia que o Botafogo ia pra cima desde o início e ia propor o jogo no Engenhão. Foi o que aconteceu. O time de Oswaldo de Oliveira abriu mão de Andrezinho, que ficou no banco, e apostou na velocidade pelos flancos. No 4-2-3-1 dos cariocas, Seedorf foi o meia centralizado, Vitor Junior jogou pela esquerda, e na direita Fellype Gabriel. Na frente, um Élkeson muito bem vigiado por Vilson e G. Silva.

Luxa manteve o 4-4-2 e, para marcar as investidas do adversário, deixou o meio-campo praticamente em linha, trancando as jogadas laterais do Botafogo. A marcação gremista forçava o erro do time de Seedorf, que aos poucos foi se soltando, mas não foi nada mais que razoável. Com mais uma boa atuação tática e técnica dos meio-campistas, o Grêmio soube desarmar e armar. Apostou na velocidade de Leandro nas costas do bom lateral-esquerdo Márcio Azevedo e na vitalidade de Souza, na precisão de Fernando e na cadência e visão de jogo de Elano e Zé Roberto, que no início do segundo tempo tabelaram e acharam Marcelo Moreno na grande área. O centroavante confirma a grande fase e marca seu quarto gol no BR-12, todos nos últimos três jogos.

Há duas questões fundamentais nas campanhas das equipes que venceram o campeonato ou se classificaram para a Libertadores: vencer fora de casa e vencer adversários diretos. Na vitória deste domingo, no Rio, o Grêmio juntou o útil ao necessário. Assim como os 3 a 1 contra o Cruzeiro, em Minas, este 1 a 0 sobre o Botafogo tem um peso importantíssimo para a boa campanha do time de Luxemburgo no BR-12.

O Grêmio fecha a rodada no G4, com 21 pontos, com time definido, confiante, respaldado por bons resultados. Na quarta-feira, outro confronto importante. O Tricolor recebe o Fluminense, no Olímpico. O time de Abel Braga é o terceiro colocado, vem logo acima do Grêmio, e tem 25 pontos.

domingo, 8 de julho de 2012

Falta inspiração técnica e trabalho tático ao Grêmio

A diferença entre as duas equipes não foi tão grande para que até os 32 minutos do segundo tempo o Grêmio ainda estivesse perdendo por 4 a 0. Aos 32, o gol de Vilson e aos 47 o gol de Marquinhos, que entrou bem na segunda etapa - ele que havia muitos jogos não atuava. O Santos não jogou tanto para que se desenhasse tal goleada na Vila Belmiro.

O problema do Grêmio parece estar no setor onde atuam as grandes estrelas desse elenco. Pelo menos é onde o Tricolor investiu mais dinheiro. O setor ofensivo comandado por Kléber, Marcelo Moreno e Zé Roberto não funciona conforme o esperado. É óbvio que a culpa não cai apenas sobre estes três jogadores, afinal o futebol é coletivo e o treinador tem muita responsabilidade sob qualquer aspecto da equipe.

Luxa escalou um Grêmio diferente, uma proposta de jogo que se desenhava num 3-6-1. Detalhadamente, o time começava com a linha de três zagueiros, os volantes Souza e Fernando à frente e, a seguir, uma linha de quatro jogadores que começava com o Tony na direita, o Marco Antônio e o Zé Roberto por dentro, e o Léo Gago na esquerda. O único atacante era o Kléber. 

O Grêmio não iniciou mal, marcava na frente e conseguia ficar com a bola e equilibrar forças com um Santos em processo de remontagem, que tinha Neymar no comando de ataque e no comando do time. Pelos lados Muricy escalou dois jovens, e fechou o meios campo com os bons volantes Arouca, Adriano e Henrique. Grande parte do jogo o Peixe atuou no 4-3-2-1, e teve dificuldades até se encontrar na partida.

Mesmo com as boas participações de Souza, Fernando e Zé Roberto, o time gaúcho não conseguiu fazer com que a bola chegasse a Kléber. Faltou mais participação de Marco Antônio e dos alas. Quando o Santos achou o gol, aos 27 do primeiro tempo, o Grêmio perdeu o gás e o Peixe de Neymar e, principalmente, Felipe Anderson, tomou conta do jogo.

Entretanto, com a bola rolando, a defesa gremista teve pouco trabalho e se portou bem. Os quatro gols sofridos são oriundos de bolas paradas. É um aspecto a ser analisado, afinal quatro gols é muita coisa.

Mas o grande problema do Grêmio ainda é com a bola no pé. Com as substituições do intervalo o Grêmio voltou no seu habitual 4-3-1-2, e voltou bem. Só que ainda não há uma mecânica de jogo que proporcione aos atacantes gremistas oportunidades de finalização. Não é questão de ter três, quatro ou cinco volantes, o problemas é mesmo mecânica de jogo, fluência, alternativas de jogadas e, em alguns casos, um ímpeto maior.

O segundo tempo foi quase todo do Grêmio, mas os gols só vieram no final, e só depois de tomar outros dois gols. Na segunda etapa o time de Luxa conseguiu trocar passes e entrar dentro da área do Santos, mas o time ainda peca por afobação. O grupe de jogadores, além de estar tendo dificuldades táticas, está sofrendo, e se reflete em campo, a pressão dos 11 anos sem títulos do clube.

O Grêmio tem o grandalhão Marcelo Moreno, e não cruza bolas na área. Tem Zé Roberto e Kléber, e não faz nenhuma tabela. Tem Léo Gago e Fernando, e o próprio e Zé, e não chute de longe.

Os problemas do Grêmio está lá na frente. Não falta qualidade, tem faltado inspiração técnica e trabalho tático. 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Chocolate colorado credencia ideias de Falcão

Se antes do jogo lá em Sete Lagoas o Atlético Mineiro vivia uma semi-crise, depois dos 4 a 0 do Inter o Galo afunda de vez o pé na crise e deve demitir seu treinador, o Dorival Junior - o que ainda não é oficial até o fechamento deste post, mas já causa alvoroço nos clubes que estão à procura de um treinador.
A partida do Inter foi excepcional, mesmo num primeiro tempo de 0 a 0. Falcão finalmente conseguiu que sua ideia de futebol desse certo, um 4-4-2 que se defende com duas linhas de quatro e ataca de modo brasileiro clássico, no 4-2-2-2. O treinador achou a dupla de zaga, é Bolivar e Juan, a dupla de volantes é Guina e Tinga, os meias são D'Alessandro e Oscar e na frente Zé Roberto e Damião. Nas laterais, Nei é o que tem e Kléber voltou a jogar bem, principalmente contra o Atlético.
O Galo de Dorival Junior atuou no 4-3-1-2, concentrou a criação num rechonchudo Daniel Carvalho, que não conseguiu fugir de Tinga e Guiñazu. Do outro lado, uma atuação de gala do quarteto ofensivo colorado, apoiado principalmente pela chegada do Kléber pela esquerda, que há muito tempo não dava dos seus cruzamentos certeiros na cabeça do atacante, que dessa vez resultou no gol de Zé Roberto, o segundo do Inter no jogo.
Uma vitória de 4 a 0 é incontestável. Não teve influencia da arbitragem nem sorte, teve futebol.
Para o próximo jogo o Inter terá desfalques. Juan e Oscar vão para a Seleção sub-20 e passam algumas rodadas fora. Tinga saiu machucado e D'Alessandro cumprirá suspensão pelo terceiro amarelo. Portanto, próxima quarta-feira contra o outro Atlético, o paranaense, é a chance de Falcão provar que o grupo de jogadores assimilou o seu 4-4-2, mudando nomes e mantendo o esquema.

domingo, 5 de junho de 2011

Inter conquista a primeira vitória

Depois de um empate fora, uma derrota em casa, e uma semana conturbada no Beira-Rio, finalmente o Inter de Falcão desencantou no BR-11. Duro é saber quem jogou mais, Oscar ou Zé Roberto. E que os colorados agradeçam ao técnico da seleção da Argentina, que convocou Bolatti, caso contrário Oscar seria banco e o Inter jogaria no 4-3-1-2.
Para jogar no Morenão, em Campo Grande (MS) - casa muito mais gaúcha que mineira -, Falcão escalou um 4-4-2 à brasileira, com Tinga e Guinãzu combatendo e revezando a saída no meio. Mais à frente, D'Alessandro e Oscar na articulação. Juan substituiu o machucado Kléber e Cavenaghi o Selecionado Damião.
Depois de um primeiro tempo arrasado do Internacional, que virou o tempo com um tranquilo 3 a 0, o Améica-MG esboçou reação, chegou a dois gols, mas não resistiu ao contra-ataque colorado, puxado de forma espetacular por Zé Roberto, lance que resultou no gol de Cavenaghi.
Já passava da hora de o Inter jogar assim, ou ao menos ser testado assim. Esse 4-4-2 pode ser melhor trabalhado, aprimorado e testado contra adversário mais fortes. Mais forte que deve ficar um Inter tranquilo, sem nenhum tipo de polêmica durante a semana. Sem nenhum tipo de invenção, sem nenhuma injustiça futibolistica, como deixar Oscar no banco.


domingo, 15 de maio de 2011

Internacional Campeão Gaúcho de 2011


Dois clássicos espetaculares decidiram o Campeonato Gaúcho. Grenais de cinco gols cada um, dez no total. Mais as cobranças de pênaltis da segunda partida, que resultou no título colorado. Depois da vantagem gremista, um 3 a 2 no Beira-Rio, resultado incomum em clássicos equilibrados, a principal dificuldade do Inter era desmanchar essa vantagem, sendo que qualquer resultado comum dava Grêmio (0x0, 1x1, 1x0, 2x1 e 2x2). O time de Falcão fugiu dos resultados pragmáticos, devolveu o 3 a 2 - em certo momento até vencia por 2 gols de diferença -, levou tudo para os pênatis e conquistou o título no duelo Victor x Renan. Duas defesas do goleiro gremista; três defesas e o caneco para o Inter de Renan.
Caso fosse outro o campeão, seria igualmente justo o título tricolor. Título decidido não apenas nos 180 minutos, que ficou tudo empatado, nem nas cinco cobranças de pênaltis, também empatadas. Foi nas cobranças alternadas, o último ato do espetáculo. Brilharam os patinhos feios do Beira-Rio: Renan atacou a cobrança do Adilson, na sequência o grande responsável em campo pela virada colorada, Zé Roberto, venceu Victor - que mais uma vez foi vencido em grenais.
Os 25 minutos iniciais do Grenal foram apavorantes para os colorados. O Grêmio amassou, fez um gol e poderia ter feito mais. O Inter mudado, escalado no 4-4-1-1, com a defesa formada por Bolivar e Índio, Juan jogando como lateral-esquerdo e vigiando Leandro, Kléber como um meia aberto na esquerda e Andrezinho e D'Alessandro se revezando entre a meia-direita e o enganche atrás de Damião. Falcão não foi feliz nas opções, o Inter não funcionou assim. Viu um Grêmio comandado por Douglas e Rochemback comandar o clássico e aumentar a vantagem gremista com o gol (legal, diga-se) de Lúcio.
Falcão mudou o Inter e a história do jogo ainda no primeiro tempo, quando retirou Juan, que já tinha cartão amarelo e estava dentro do rodízio de faltas que o Inter fazia no atacante Leandro, colocou o Zé Roberto, recuou Kléber para a lateral e montou um 4-2-2-2 para combater o até então eficiente 4-3-1-2 de Renato. O Colorado logo equilibrou o jogo, Zé Roberto entrou bem, fez a jogada do gol de empate do Damião. No final do primeiro tempo, a virada. Um golaço de Anderzinho, que não conseguiu jogar o segundo tempo devido a uma lesão e deu lugar a outro destaque do clássico, o garoto Oscar. Com esse time o Inter chegou ao 3 a 1 e jogou melhor futebol a grande parte do segundo tempo.
Precisando de um gol, rapidamente Renato fez suas três alterações. Não mudou o modo de jogar, mudou os dois atacantes e o lateral. Deu sangue novo, deu nova motivação ao Grêmio, que passou a correr como o algoz gremista das últimas decisões, Borges. O centroavante saiu do banco com fome de jogo, querendo refazer seu nome dentro do clube. Como fizera também o próprio Zé Roberto. Borges aproveitou da falha de Renan e fez o gol que levou a decisão para os pênaltis. Contudo, não conquistou a confiança necessária para ser escalado como um dos cobradores gremista nas penalidades.
É título sim. É o que restou para o Inter. Era o que restava para o Grêmio. Pior para quem perde, menos mal para quem conquista. É confiança para erguer a cabeça, acreditar numa ideia de time e, mesmo assim, não esquecer que o grupo precisa começar a ser reformulado, nem que seja gradativamente. Igualmente como tem de fazer o perdedor Grêmio: pensar em reforços para o BR-11, sem esquecer que o time que jogou os dois Grenais foi o que mais funcionou em 2011 e deve seguir jogando enquanto coisa melhor não chega.
  

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A força dos gaúchos na Libertadores 2011

Por Thiago S. de Souza*
Grêmio e Inter se reforçaram bem para a Libertadores da América 2011. Explico. 
Do lado azul, Rodolfo, Escudero e Carlos Alberto qualificam a equipe que chegou em quarto lugar no Brasileirão 2010.
Neste começo de temporada, a equipe de Renato apresentou carência no setor de defesa. Rodolfo vem para assumir o papel de xerife da zaga. Ao meu ver, deve ter Mário Fernandes como companheiro.
Escudero, jogador habilidoso e com ótimo chute de longa distância, é ótima opção para fazer o papel que Lúcio vem desempenhando no meio, liberando o jogador para voltar a sua posição de origem, a lateral esquerda.
Carlos Alberto, emprestado pelo Vasco até o final do ano, é uma aposta da direção e de Renato. É bom jogador, mas tem uma imagem desgastada por problemas extra-campo. Cabe a Portaluppi colocá-lo no eixo. Aí, é ótima alternativa para o meio.
O Tricolor ainda conta com uma boa surpresa: Vinícius Pacheco, que anotou dois gols importantes contra o Liverpool-URU, no Olímpico, garantindo o Grêmio na fase de grupos da competição continental.
Do lado vermelho, o badalado Cavenaghi chega para vestir a 9, que pertencia ao criticado e insustentável Alecsandro. É o artilheiro que a torcida reinvindicava.
O novo centroavante colorado é apresentado no estádio Beira-Rio
Outro grande nome que chega ao Beira-rio é Bollati, volante argentino de grande qualidade, que vem para ser titular. Enfim, um substituto para Sandro.
Zé Roberto é caso semelhante ao de Carlos Alberto, do Grêmio. Um mistério, contratado para compensar a venda de Giuliano.
Rodrigo, ex-Grêmio, deve lutar por seu espaço na zaga. Bolívar e Índio fizeram péssimo Campeonato Mundial, abrindo concorrência.
Roth também precisa encontrar posição para Rafael Sóbis. Jogá-lo para a função que já foi de Taison, não deu certo. Sóbis é atacante, precisa jogar na frente. Aliás, o técnico colorado precisa mostrar serviço, após o desgaste provocado pela derrota para o Mazembe.
A América considera o Inter como o "time dos sonhos". É o atual campeão da Libertadores, portanto, o time a ser batido.
Os representantes gaúchos em busca do título mais importante do continente entram na competição como favoritos. É grande a probabilidade da taça permanecer em Porto Alegre.

*Thiago é estudante de jornalismo, twitteiro e blogueiro