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domingo, 28 de outubro de 2012

O Inter de duas vitórias seguidas

Sequência de bons resultados é algo fundamental no Campeonato Brasileiro. Vencendo dois ou três jogos seguidos, é muito grande a chance de ganhar boas colocações, encostar em quem está na frente e injetar de ânimo torcida e grupo de jogadores. Até agora, no BR-12, isso só havia acontecido uma vez com o Internacional. Na estreia de Fernandão, dia 22 de julho, 11° rodada, o Inter venceu o Atlético-GO por 4 a 1 no Beira-Rio. Dia 25, na 12° rodada, a vitória foi contra o Figueirense, por 1 a 0, no Orlando Scarpelli.

A vitória contra o Vasco, fora de casa, no meio da semana, e o 2 a 1 sobre o Palmeiras, ontem, no Beira-Rio, ajudam a dar uma cara diferente para um Inter desacreditado e, aparentemente, afundado em uma grave crise de vestiário. Faltando cinco jogos para o final do campeonato, o Colorado aparece na 5° colocação, somando 51 pontos. Entretanto, ainda está há sete pontos do G4.

As duas vitórias do Inter têm similaridades. As duas foram de virada, com o adversário saindo na frente. Fator de demonstra um poder de reação interessante, até então impensável no atual elenco, visto a irregularidade dos últimos meses.

Entretanto, o aspecto mais importante foi a maneira de jogar. Fernandão adotou o 4-3-1-2, esquema com o qual já foi execrado pela crítica por causa dos "abomináveis" três volantes. A diferença agora é a qualidade de quem entra em campo e certa vergonha na cara de quem vesta a camisa vermelha.

Nessa nova configuração colorada, D'Alessandro volta a ser o centro do time. O gringo entendeu a função, chamou a responsabilidade e está fazendo o que pode. Não tirou o pé em nenhuma jogada. Ele é o enganche do losango de Fernandão. Na frente da zaga, Josimar (ontem) ou Ygor (titular, suspenso contra o Palmeiras) protegem o setor, guardam posição. Pelos lados, os apoiadores são Guiñazu pela esquerda e o ótimo Fred, pela direita. Estes, marcam e apoiam. Como atacantes, Forlán e mais outro. Contra o Vasco jogou Dagoberto, ontem Rafael Moura. Mas o titular é Damião.

O primeiro gol colorado na vitória de 2 a 1 sobre o Palmeiras é um retrato do que Fernandão espera do seu time. Guiñazu apareceu na linha de fundo, pela esquerda, cruzou e achou Fred, que finalizou, entrando pela ponta direita. Ou seja, os dois volantes de lado passam a linha do enganche e aparecem como opção, geralmente entrando em diagonal, fazendo um dois com o lateral ou até mesmo com o atacante. D'Ale geralmente recebe a bola de costas para a marcação e, quando gira, tem ao menos quatro opções de passe.

Alexandre Lops/Divulgação Inter

O técnico colorado já tentou jogar assim outras vezes, mas com três volantes mais pesados e Fred ou Forlán como enganche no losango. D'Alessandro faz essa função melhor que qualquer um no Beira-Rio, e os outros dois rendem mais nas posições em que atuaram nas duas últimas vitórias. Sem exagero nenhum: quando joga assim, Fred lembra demais o volante Tinga.

Entretanto, mesmo como essa nova perspectiva de rendimento, Libertadores 2013 ainda está distante para o Inter.

domingo, 2 de setembro de 2012

Grêmio conquista empate importante

Luxemburgo não gosta de empatar. Na sua conta, e está correta, correr riscos e buscar a vitória dá muito mais lucro que administrar um empate e ganhar penas um ponto. Contra o Palmeiras, no Pacaembu, pela segunda vez no BR-12 o Grêmio empata uma partida. Portanto, são as 13 vitórias no campeonato que qualificam a campanha gremista. É o mesmo número de vitórias que o líder, Atlético-MG.

O Grêmio perdeu Kléber aos 18 minutos do primeiro tempo. O atacante foi expulso depois de deixar o braço no rosto do volante Henrique numa disputa de bola. Jogar com um homem a menos desde tão cedo, aumentou muito o grau de dificuldade da partida. Fator que valoriza o empate, entendendo que, pelas circunstância, era muito mais provável uma vitória do Verdão que uma do Grêmio.
Tom Dib/Lancepress
Com a corda no pescoço, na zona do rebaixamento e com alguns desfalques importantes, o time do Palmeiras entrou comendo grama. Num 4-4-2 parecido com o do Grêmio, portanto duas equipes espelhadas, com a marcação encaixada. Por isso, jogo de muito contato físico e intensa movimentação.

Interessante de perceber é que não era apenas os jogadores do Palmeiras que estavam comendo grama. O time do Grêmio mostrou muito comprometimento tático e entrega física. Depois da expulsão de Kléber, Luxmburgo posicionou duas linhas de 4, com Zé Roberto fechando a meia esquerda e Marco Antônio pelo outro lado. Mais à frente, Marcelo Moreno.

O que correram Moreno, Zé Roberto, Souza, Anderson Pico, foi uma enormidade. O camisa 10 gremista ainda jogou o segundo tempo como único atacante. Deu cada pique como se ainda tivesse 23, não 38 anos. No Palmeiras, algumas boas jogadas foram criadas, principalmente quando Barcos conseguia fugir da boa marcação dos zagueiros, mas o time de Felipão esbarrou em Marcelo Grohe.

O Grêmio ainda teve a sorte de contar com o empate do Fluminense em 2 a 2 com o Figueirense. Assim, o time gaúcho segue com os três pontos de distância do Tricolor Carioca. Tendo em vista que na próxima rodada o Grêmio recebe o Atlético-GO e o Flu pega o Santos, o zero a zero desse sábado pode se converter em vice-liderança no meio da semana.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Grêmio não soube jogar depois do 1° gol

Não há dúvida nenhuma, muito menos novidade, em afirmar que o Grêmio perdeu a classificação no Olímpico, depois dos 40 minutos do segundo tempo, quando o jogo já se encaminhava para o 0 a 0. Este empate com um gol para cada lado na Arena Barueri classificaria a equipe gaúcha. Com o resultado casado, 3 a 1 Palmeiras.

Tanto Felipão quanto Luxemburgo mostram prudência e convicção para iniciarem a partida. Os dois times estavam praticamente iguais aos que começaram o jogo do Olímpico. A diferença era que, ao invés de Miralles, Marcelo Moreno fez dupla com Kléber e, na lateral, Edilson jogou no lugar de Gabriel. No Palmeiras, os dois desfalques foram Luan e Marcos Assunção. Mazinho e Márcio Araújo cumpriram as mesmas funções e o Verdão repetiu o mesmo 3-5-2 de Porto Alegre.

O Grêmio não deu sorte com o tempo em Barueri. Muita chuva, o dia inteiro e durante todo o jogo. A certa altura do primeiro tempo o campo já estava em condições muito ruins para quem precisa colocar a bola não chão, trocar passes, organizar jogadas e abrir a defesa adversária. Naquela condição de jogo é muito mais fácil destruir do que construir jogadas. A possibilidade de erro aumenta muito, e isso não é bom para quem precisa errar quase nada defensivamente e fazer de dois e três gols de diferença.

No bom e disputado jogo que fizeram Grêmio e Palmeiras, o cenário parecido com o de Porto Alegre só mudou quando os treinadores resolveram mexer. Luxemburgo leu de forma correta a partida, apostou na bola aérea e no embate físico. Chegou ao gol aos 21 do segundo tempo, quando Moreno e André Lima seguravam os zagueiros do Palmeiras na área, Kléber consegui jogar com apenas um na marcação e Léo Gago e Fernando conseguiam lançar e articular certas jogadas, sempre com Pará e Edilson chegando pelos lados e Rondinelly aplicando boa movimentação.

O Grêmio fez o gol no seu melhor momento no jogo. Era melhor que o Palmeiras e conseguia achar algum espaço. Mas a equipe de Luxa não soube jogar depois do gol, e o próprio treinador mexeu mal. Quando já vencia, tirou o centroavante Moreno e colocou Miralles aberto na direita. Essa manobra, aliada a empolgação gremista, deu espaço para que Valdívia brilhasse e desmontasse o Grêmio 6 minutos depois do gol tricolor.

Depois do empate palmeirense os jogadores gremistas perderam a cabeça. Houve duas expulsões justas, Edilson e Rondinelly. No mesmo lance, Henrique, do Palmeiras, também foi expulso. Mas o momento era todo palmeirense, e a perturbação estava toda do lado gremista.

A equipe de Luxemburgo não fez má partida. Kléber mostrou melhor forma, assim como Moreno. Faltou um algo a mais, talvez um pouco mais de calma e algum deslize palmeirense, coisa rara nos dois jogos. Contudo. o treinador continua convicto na estrutura de time e confiante para o BR-12 e para a Sul Americana, e isto tem sua dose de importância.

*Foto Wagner Carmo/Vipcomm

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vantagem do Palmeiras é desproporcional, vitória não

O jogo não foi bom no Olímpico. Os 45 mil torcedores que lotaram o estádio assistiram a dois times pesados, de características parecidas, marcando muito e criando pouco. No décimo segundo jogo de Luxemburgo no Olímpico, a primeira derrota depois de uma série de 11 vitórias. Um retrospecto positivo que dava ao Grêmio certa dose de favoritismo.

Mas favoritismo nunca foi garantia de nada. A vitória do Palmeiras foi merecida, teve a cara de Felipão e fez-se graças ao exito da estratégia do treinador. Entretanto, o tamanho da vantagem adquirida pelo Verdão é desproporcional à sua campanha, à campanha do Grêmio (até então invicto na competição), e ao momento das duas equipes. Copa tem dessas coisas, nem sempre a melhor campanha é a do campeão. Isoladamente, o 2 a 0 para o Palmeiras é normal. Mas o peso desses dois gols no Olímpico vira de lado o favoritismo e coloca o melhor time da competição até agora em uma situação quase irreversível.

Praticamente toda vitória e toda derrota passa pelas opções e convicções do treinador. Isto vale para Luxemburgo, que faz um bom trabalho no Tricolor, mas que ontem não foi bem, e vale para Felipão, que está há um ano e meio aos trancos e barrancos no Palmeiras, só que acertou a mão e o time nesse primeiro confronto da semifinal da Copa do Brasil.

A grande surpresa do Grêmio foi a escalação de Kléber no ataque, junto a Miralles. Não acho que Luxa tenha errado aí. Inflamou o estádio com a presença do Gladiador e escalou dois atacantes que conseguem prender a bola no ataque. Mesmo com Kléber não estando com total ritmo de jogo, ao menos 45 ele aguentava. E aguentou muita porrada. De resto, um Grêmio igual, no 4-3-1-2, mas com um Marco Antônio muito escondido, bem marcado por Henrique. Se pelo lado direito do meio-campo Souza fez ótima partida, faltou a parceria com Gabriel, que jogou um futebol preguiçoso, fora do ritmo da decisão.

A estratégia do Palmeiras era marcar. Principalmente no 1° tempo. Segurar o Grêmio, amornar a torcida e sair mais no segundo tempo. Se o 0 a 0 era lucro, imagine o 2 a 0. Felipão montou um 3-5-2 híbrido, que tinha um zagueiro (Henrique) de primeiro volante, e um lateral como terceiro zagueiro (Arthur, pela direita). Na marcação de Kléber, sempre dois jogadores. Conforme a situações de jogo, esse Palmeiras virava facilmente um 4-2-3-1, sempre com Barcos lá na frente. João Victor, que no 3-5-2 era ala pela direita, avançava e ficava em linha com Daniel Carvalho e Luan, ficando os três na retaguarda do centravante.

A marcação do Palmeiras estava encaixada, funcionante completamente. As chances de gols são raras na partida, embora tenha no primeiro tempo o Grêmio um bom volume de jogo, mas sem praticamente nada de infiltração.

O jogo foi decidido depois das principais substituições do segundo tempo. Vanderlei Luxemburgo abriu mão do jogo de paciência, abriu mão da posse de bola no ataque. Sacou Miralles e Kléber e colocou Moreno e André Lima, dois centroavantes para receber bola alçada de tudo quanto é parte do jogo. Facilitou a marcação palmeirense. O ataque do Grêmio parecia uma parede, a bola batia e voltava.

Do outro lado, Felipão, que já via um Palmeiras mais à vontade em campo, menos nervoso que o time da casa, dotou sua equipe com mais velocidade. O zagueiro lateral Arthur saiu para entrar o lateral Cicinho, que tem mais recursos técnicos e que continuou cumprindo a mesma função do companheiro. No meio, o descompromissado Daniel Carvalho foi substituído pelo jovem e rápido Mazinho. Aos 41, Cicinho puxou o contra-ataque fulminante que acabou no gol de Mazinho. O segundo gol veio quatro minutos depois, de forma natural, com um Palmeiras cheio de confiança e um Grêmio totalmente atordoado depois do gol.

A grande vitória palmeirense passa por uma série de erros e acertos, de ambas as partes. Um jogo não define um ano, mas um jogo e uma vantagem desproporcional podem decidir uma Copa. É o que está acontecendo com o Grêmio. A não ser que na próxima semana aconteça a improvável virada tricolor. Impossível não é.

*Foto Fernando Gomes/ClicRBS

domingo, 27 de maio de 2012

O que fica da prévia entre Grêmio e Palmeiras

Nas próximas semanas Grêmio e Palmeiras farão uma das duas semifinais da Copa do Brasil. Coincidentemente, grudada aos dois confrontos decisivos, a partida válida pela segunda rodada do BR-12 também colocou as duas equipes a medirem forças, desta vez no Olímpico.

O jogo entre o Grêmio de Luxemburgo e o Palmeiras de Felipão é, e foi, tratado com imensa expectativa. Afinal, as duas equipes estão na fila por um grande título há uma década, se encontram numa semifinal de Copa do Brasil e ainda têm seus grandes treinadores dos anos 90 em cargos invertidos.

Mas o que ficou deste 1 a 0 para o Tricolor Gaúcho?

A prévia valendo três pontos para o BR-12 não foi um primor técnico. As duas equipes abusaram dos passes errados. As chances de gols foram escassas. Mas as Grêmio e Palmeiras brigaram muito - no melhor sentido futebolístico -, se entregaram ao confronto. Só que nem sempre se entregar significa jogar bem. Foi mais ou menos o que aconteceu no Olímpico.

O Grêmio realmente foi melhor que o time de Felipão. Vive melhor momento na temporada, tem uma equipe e uma estrutura de jogo praticamente definida, embora também sofra com os seguidos desfalques. Não fosse o pênalti perdido por Léo Gago aos 23 do primeiro tempo, o Grêmio ganharia o jogo com mais facilidade. Era o momento em que a equipes de Luxemburgo estava melhor no jogo, conseguia usar bem os lados do campo, dominava o Verdão e precisava do gol. A partir daí o Grêmio perdeu Léo Gago, que se entregou, não soube reagir ao pênalti desperdiçado. O importante volante gremista passou a errar quase todas sias jogadas. O time perdeu o compasso.

O Palmeiras que iniciou o jogo não tinha Valdívia nem Maikon Leite. Sem eles, o Verdão perde quase todo o seu poder de criação. Tendo apenas o esforçado Luan pela esquerda de ataque e Marcos Asssunção vindo de trás, o centroavante Barcos foi facilmente controlado por Gilberto Silva. Quando chegou ao gol de Victor, o Palmeiras chegou através do contra-ataque e dos chutes de fora da área. Nem quando entraram Valdívia e Maikon, o Palmeiras conseguiu se desgarrar da boa marcação do Grêmio.

O time de Luxa se recuperou e buscou o gol depois da entrada do promissor Rondinelly, que entrou no lugar do apagado Marco Antônio. O treinador gremista tirou uma carta da manga, pois desmanchou o habitual esquema 4-3-1-2 e jogou o Léo Gago lá para a direita, o Rondinelly na para a esquerda e fez um 4-4-2 clássico. O Grêmio ganhou velocidade e voltou a dominar o jogo. O gol foi consequência.

Embora façamos algumas ressalvas. Pra mim, André Lima faz falta no defensor do Palmeiras antes de fazer o gol e nos últimos minutos, na área do Grêmio, Gilberto Silva comete pênalti no zagueiro Henrique. O juiz não marcou.

Fora isso, o cenário apresenta um Grêmio em melhor momento. Com mais alternativas técnicas, mais respaldo da torcida, mais confiança. Só não podemos ignorar o tamanho do confronto, que iguala tudo quando o juiz apita. O Palmeiras pode sim passar e ser um dos finalistas da Copa do Brasil, mas o Grêmio está mais preparado.

*Foto Ricardo Duarte/ClicRBS

domingo, 11 de setembro de 2011

Fator Damião

 Dos oito primeiros colocados do BR-11, apenas Internacional e Fluminense venceram nesse final de semana. O time carioca, inclusive, venceu o ainda líder Corinthians.
No Pacaembu, um 3 a 0 Colorado que fica todo na conta de Damião, que anotou os três, e Muriel, que catou várias. Não foi uma boa partida, nenhuma das equipes jogou bom futebol, embora o Palmeiras tenha conseguido mais volume de jogo, tenha criado mais oportunidaes. Entretanto, muito do volumne de jogo de Verdão vem dos pés de Marcos Assunção e a arma da sua bola parada, já que o Inter, além de contar com a fraca atuação da dupla de volantes Elton e Sandro Silva, cometeu muitas faltas em torno da área. Pela tarde ilumindada de Muriel e pela fase desastrosa palmeirense, o Inter, que só foi marcar o segundo aos 37 do segundo tempo, não sofreu com o empate.
Mas quem tem Damião, tem gol. O centroavante recebeu quatro bolas o jogo inteiro, o suficiente para que chegasse a marca de 40 gols no ano, 13 no BR-11. Nem a confusa paricipação da linha de três meias colorados atrapalhou o artilheiro. O fator Leandro Damião é decisivo em tudo que envolve o Internacional no ano de 2011, e se esse jogador manter a média até dezembro, o Colorado pode almejar algo bem melhor que a atual sétima colocação no BR-11.
No 4-2-3-1 de Dorival, Guiñazu fez falta, e a dificuldade de enfrentar o mesmo 4-2-3-1 do Palmeiras, mesmo sem Kléber, Valdívia e Maikon Leite, preocupa. Os setores do Inter estiveram distantes, a transição da bola ficou prejudicada. Efeitos da marcação da equpe de Felipão? Talvez. Mas o posicionamento de D'Alessandro e Andrezinho também pode ser revisado, quem centraliza e quem cai pela direita. Até mesmo se Ilsinho não renderia melhor na meia-direita.
São questões a serem revisadas. Inquetionável mesmo, só Damião.

sábado, 6 de agosto de 2011

Mais uma estreia de Celso Roth

E aconteceu de novo - como em alguns anos certamente vai acontecer no Beira-Rio -, Celso Juarez Roth está de volta ao Grêmio. Veio para assumir um pepino na forma de time de futebol, uma equipe que já teve dois treinadores e pouco evoluiu de janeiro pra cá. O Grêmio de 2011 ainda não deu certo, nem dentro nem fora de campo. A opção de trocar o departamento de futebol, a preparação física e o técnico é mais uma tentativa de Odone acertar alguma coisa fora de campo. Dentro de campo, agora a bronca é com Celso Roth.
Certamente é um desafio e tanto estrear fora de casa contra um Palmeiras bem colocado no BR-11, de um trabalho consistente do Felipão de um ano à frente de equipe, de um Palmeiras com bons jogadores como Kléber, Maikon Leite, Valdívia e Marcos Assunção. Por tudo isso, aliado a péssima fase tricolor, o ponto conquistado nesse empate de 0 a 0 contra o Verdão pode ser considerado um bom começo para Celso Roth.
Seria muito forte dizer que o Grêmio evoluiu de quinta à sábado, mas o Grêmio mudou sensivelmente. A mudança mais significativa talvez tenha sido o retorno de Lucio ao meio-campo e Bruno Collaço entrando como lateral-esquerdo. O Leandro atuando como meia-extremo pela direita não é novidade, Julinho Camargo já vinha utilizando o garoto por ali, e variando o esquema entre o 4-4-1-1 e o 4-2-3-1. Na linha de três meias, Celso preferiu Lúcio ao Escudeiro, que entrou só no segundo tempo, e não foi bem - Marquinhos da mesma forma.
Num jogo equilibrado, de um Palmeiras com mais tranquilidade para manter a posse de bola, principalmente porque Valdívia foi mais participativo que Douglas pelo Grêmio, o Tricolor se defendeu bem. Adilson de lateral-direito fez boa partida e Victor atuou com segurança e fez as defesas de se espera dele. Com a bola no pé, o time sentiu a partida abaixo da média de Rochemback, ainda necessita que Douglas saia do meio para encostar nos dois meias abertos e, sobretudo, é dependente demais da iniciativa pessoal de Leandro, que inclusive teve a bola do jogo quando tentou encobrir o Marcão. Mesmo com a bola do jogo a seu favor, o Palmeiras arriscou mais à gol e Victor teve mais trabalho que o arqueiro palmeirense.
O que pode servir de consolo para a torcida gremista, além de um ponto na bagagem, é a atuação razoável, segura defensivamente, sem levar gols, da qual se pode partir para um novo momento, de uma equipe mais equilibrada e confiável. É para isso que Celso Roth voltou.
  

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O caso R10

Ronaldinho desde o início queria jogar no Flamengo. O namoro com o Grêmio aconteceu por uma ocasião de mercado, de Assis querer botar seu atleta e irmão para jogar novamente e ir até o Olímpico abrir negociação. Da negociação com o Grêmio, ele sabia, para surgir outros interessados seria um pulo. Aí abriu-se o leilão. A informação que eu tenho é de que nesse bolo todo, quem ofereceu mais foi o Galaxy, time dos EUA: 60 milhões de reais ao Ronaldinho e 20 para o Milan. Assis e Ronaldinho bateram o pé e recusaram, mesmo sob pressão do Milan, o projeto era fazer o Gaúcho jogar no Brasil até a Copa do Mundo de 2014.

As propostas de Grêmio, Flamengo e Palmeiras eram muito parecidas. Em termo de valores, O tricolor e o rubro negro apresentaram praticamente as mesmas cifras. A diferença é que Assis cozinhou Grêmio e Palmeiras em banho maria, dizendo para ambos que estava tudo acertado, que Ronaldinho já era do Palmeiras, já era do Grêmio e que a multa reivindicada pelo time italiano, algo em torno de 10 milhões de reais, era com ele, Assis resolveria. Enquanto isso o Flamengo montava seu projeto, reunia o dinheiro, cercava-se de parceiros. O time carioca chegou com tudo pronto para o Milan, pagou o valor na bucha. Palmeiras e Grêmio cometeram o equívoco de não tratar com os italianos nenhuma vez, deixando essa tarefa à cargo de Assis.

Se Ronaldinho quisesse realmente voltar ao Grêmio e defender as cores e o clube que lhe deu tudo quando não tinha absolutamete nada, Ronaldinho voltaria. Era simples, a proposta do Grêmio era boa, consistente, tão quanto a flamenguista. A multa que era para ser paga ao Milan, estava "acertado", Assis bancaria e depois receberia essa quantia em parcelas, durante os quatro anos de contrato com o clube gaúcho. Esse contrato foi brindado dia 19 de dezembro, na casa do dirigente gremista Vantobel, em jantar entre cúpula tricolor e Assis. Palavra do presidente Odone, que em nenhum momento foi desmentida pelo empresário.

O brindado contrato entre Grêmio e Ronaldinho foi redigido e modificado sete vezes, sempre atendendo aos interesses da parte do atleta. O Grêmio foi paciente até o dia 7 de janeiro, quando o Flamengo cresceu na parada e Assis entrou novamente em contato com Odone requisitando mais mudanças no contrato, inclusive falando que agora o Grêmio teria de negociar com o Milan. No sábado, 8 de janeiro, os dirigentes gremistas anunciaram em entrevista coletiva que o Grêmio estava fora do negócio.


Como gremista apaixonado que sou, falo e afirmo: eu queria ver Ronaldo de Assis Moreira, um dos três maiores da década, um dos grandes de todos os tempo, o maior do RS, voltando a vestir a camisa do Grêmio. Era esse o momento de dar fim às mágoas do passado, não de aumentá-las em proporções estratosféricas.

Agora deleitem-se colorados: fica para o gremista e para o Grêmio um sentimento de dor-de-cotovelo. Obviamente. Era a oportunidade de retomar para nós um ídolo do futebol mundial que, por direito, era para ser um ídolo nosso, daqueles de calçada da fama, trapo no estádio e títulos e serviço prestado. Ronaldinho nunca chegou a tanto pelo Grêmio, poderia chegar agora.

Mas a vontade do jogador era de estar no Rio de Janeiro, de jogar no Mengão e treinar um turno. Seu gremismo fica exclusivamente na palavra, não se reflete nas atitudes. E quem leva a sério a palavra de Assis e Ronaldinho?

Usando o exagerado exemplo do Rei Pelé, que disse: "Se ele é gremista e quer jogar no Grêmio, tem que jogar de graça. Eu joguei um ano de graça no Santos".

O pior de tudo é que o Grêmio se perdeu na poeira nisso tudo. Renato já tinha um time pronto, mas devido à falta de atenção da direção, que só pensou em Ronaldo, o Fábio Santos foi embora e o Grêmio ficou sem lat. esquerdo, os contratos de Gabriel e Rochemback expiram nos próximos meses e precisam ser renegociados, Jonas tem propostas do exterior e pode assinar pré-contrato com qualquer clube já em junho.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Felipão que soprou a vela

Sabe aniversário de criança, com decoração do Batman, tias rabugentas e primos pentelhos? Nesse tipo de festa, o tal do primo, geralmente com a mesma idade do aniversáriante, sempre quer chamar atenção apagando a vela antes que o aniversáriante. Mais ou menos o que aconteceu no Olímpico, na noite em que o Grêmio e sua torcida festejavam o aniversário do clube. Teve bolo e parabéns antes do jogo, mas as velinhas dos 107 anos tricolor foram sopradas pelo Scolari e seu aguerrido Palmeiras.
Foi uma das piores partidas do Grêmio, Souza e Douglas de atuações quase constrangedoras - e não só eles. E do outro lado um Palmeiras, um tradicional rival, mas que veste verde, jogando o  quep oucas vezes jogou em 2010. O Verdão teve a sorte, e a competência de Marcos Assunção, de fazer um golaço de falta aos 14min de jogo. Um gol relativamente cedo, num momento em que nenhuma das equipes se mostrava superior a outra.
 O Grêmio sentiu o gol. Os jogadores ficaram visivelmente nervosos, não souberam reagir diante de um Olímpico abarrotado e preparado para a festa e para a vitória. Quem soube jogar foi o Palmeiras. Soube defender com muita competência e com muita gente. Teve Edinho, teve Márcio Araújo, teve Tinga e teve Marcos Assunção. Este último não só marcou como chutou, armou, fez gol e passe para outro. No meio desses todos, tiveram raras chances de manobras ofencivas os atacantes gremistas que, quando acertaram alguma coisa, já era 46min do segundo tempo.
Renato mexeu, lançou o time para frente e não teve o exito de Felipão, que jogou seu Palmeiras todo pra tráse ainda conseguiu encaixar alguns contra-ataques.
Mas não é noite para se esquecer. A atuação sim, esta sim pode ser esquecida. Mas os fatos históricos que envolveram Grêmio e Palmeiras são grandes. Aniversário de 107 anos do clube, milésimo jogo no Brasileirão e ainda dois dos maiores ídolos à beira do campo.
O Grêmio de novo dá aquela estacionada no BR-10, se mantém a 5 pontos da zona de risco e mais uma vez perde um jogador importante. Borges para por pelo menos um mês. André Lima continua no time e o Grêmio fica carente de atacantes.