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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Derrota gremista passa por erros de Luxa e falta de entrosamento

Jogadores como o volante Adriano, o lateral André Santos e o atacante Barcos, chegaram há pouco mais (ou pouco menos) de uma semana em Porto Alegre. Welliton, que entrou no segundo tempo, também. O zagueiro Cris, faz recém sua segunda partida na temporada. Vargas, a terceira. E o Grêmio sabia de tudo isso, sobretudo Luxemburgo, treinador experiente, que sabe dos perigos que poderia correr ao escalar um time completamente novo. 

Ele assumiu o risco planejando ser o Huachipato do Chile um adversário mais fraco. Pode até ser, tecnicamente. Porém, estratégica e taticamente o clube visitante teve todos os méritos na construção da vitória, chegando a abrir dois gols de vantagem.

O Grêmio não perdeu simplesmente porque Fernando foi sacado do time e Adriano foi alçado à condição de titular ao lado de Souza no meio-campo. O Tricolor perdeu pelo insucesso na execução do plano de jogo. Obviamente, fica mais difícil executar qualquer filosofia de futebol tendo uma equipe desentrosada. Da mesma forma que é mais fácil marcar e envolver um time que ainda não se conhece. O Huachipato soube se aproveitar de todos os fatores que teve a seu favor. Inclusive da má atuação do sistema defensivo gremista.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Promover a estreia de André Santos faz sentido, afinal a lateral-esquerda era um dos setores carentes do time. A estreia de Hernán Barcos poderia ter acontecido apenas no segundo tempo, apesar de não ter ido mal no jogo. No final das contas, o que mais pesa é a questão do primeiro volante. Luxemburgo abriu mão do quarteto de meio-campo que joga junto desde a temporada passada, enfraquecendo o setor e contribuindo com a falta de entrosamento da equipe.

Na volta do intervalo, já perdendo por 1 a 0, o treinador tirou Adriano e colocou Marcelo Moreno ao lado de Barcos. O Grêmio ficou num 4-3-3 com dois centroavantes de área, e Vargas (de atuação ruim) flutuando em volta da área. Quando o mais lógico era apostar nesse mesmo sistema, porém com mais um atacante de lado de campo, que seria o Welliton (que entrou mais tarde no lugar de Vargas).

O Tricolor tomou o segundo gol logo aos cinco minutos do segundo tempo, antes mesmo que a modificação de Luxemburgo pudesse surtir qualquer efeito. Com o Huachipato naturalmente mais fechado devido a vantagem de 2 a 0, ficou muito mais difícil correr atrás do resultado. Barcos acabou descontando em cobrança de pênalti. De resto, o Grêmio atacou com pouco organização e teve até chances para empatar. Mas não foram muitas, e muito menos seria um empate merecido.

O Grêmio de 2013 ainda não tem cara, nem espírito de Libertadores. Vai precisar adquirir em meio à competição. Material humano para que isso aconteça, Luxemburgo tem. Caso o treinador não volte a tropeçar nos próprios equívocos, a tendência é que seja uma grande equipe.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Mesmo não finalizada, Arena gremista é um espetáculo

Verdade seja dita, a Arena ainda não está 100%. A inauguração foi ontem, dia 8, porque Odone queria a inauguração ainda antes do fim de seu mandato. Está preparada para receber jogos, como de fato recebeu, mas ainda não é a condição ideal.

Lucas Uebel / Grêmio Divulgação
Fato inegável é a grandeza da nova casa Tricolor. É simplesmente espetacular, principalmente para quem ainda não tinha visitado as obras, visto apenas pelo lado de fora, passando de carro ou ônibus. A nova Arena é lindíssima, de um aspecto muito imponente, algo que pode ser decisivo para as pretensões do Grêmio a partir de 2013.

Logo que abriram os portões para o público, fui caminhar pelas dependências do estádio para perceber um pouco do sentimento do torcedor. Muito legal de ver as pessoas se deparando pela primeira vez como aquele monumento, novinho, com lugares marcados, próximo ao campo. As pessoas estavam deslumbradas, sorriso de orelha à orelha. Profissionais da imprensa também. Não teve um que não tirou uma foto para registar o momento. Sabe criança com brinquedo novo? Então.

A cerimônia de abertura, antes do jogo entre Grêmio e Hamburgo, foi impecável. Não à toa, o clube gastou por volta de 20 milhões para bancar a festa. Bem produzida e executada, a festa homenageou jogadores importantes da história do Grêmio, lembrou do Olímpico e da Baixada, fez referência a danças típicas do Rio Grande do Sul, teve show de fogos e luzes. Emocionou o público em vários momentos.

Sobre o jogo festivo não há muito o que se dizer. Grêmio e Hamburgo fizeram um jogo fraco, ríspido em algumas jogadas, com poucas chances de gol. Acabaram repetindo o placar de 29 anos atrás, de 2 a 1 para o Tricolor. E André Lima fica para a história como o autor do primeiro gol da nova era gremista (não sei se isso é um bom sinal).

Dois fatores não corresponderam ao tamanho da Arena e da festa. Primeiro, a confusão da Geral do Grêmio, na metade do primeiro tempo do jogo. São imagens que vão para o mundo todo, manchando a imagem do clube. A Geral estava muito bonita, fazendo seu papel, chamando a atenção dos jogadores do Hamburgo. Infelizmente estourou uma briga entre meia dúzia, o que acaba se espalhando ali, por quem está em volta. Por esses, a Geral pode perder seus espaço na Arena, e sem ela o estádio fica sem alma, perde o canto que põe um bafo na nuca do adversário.

O outro fator é a mobilidade. Muito ainda precisa ser feito para que se diminua pela metade os problemas de deslocamento depois do fim do evento. Fui conseguir taxi às 2h30 da madrugada, na rodoviária. É impossível que 60 mil pessoas que saiam do mesmo ponto não enfrentem nenhum tipo de incômodo, isso também precisa ser compreendido. Mas há maneiras de se diminuir os transtornos.

O resto, é história que virá.



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cansaço e displicência tiram Grêmio da Sul America

Alertei aqui no PoA Geral que a displicência do Grêmio no primeiro jogo contra o Millonarios, no Olímpico, poderia complicar o jogo da volta, em Bogotá. Em ambas as partidas, o time de Luxembrugo foi superior quando quis jogar, evitou o balão, colocou a bola no pé trocou passes. Como no primeiro tempo na Colômbia, de Grêmio 1 a 0 e classificado com qualquer empate ou qualquer derrota por um gol de diferença. No segundo tempo, em 30 minutos, o time gaúcho tomou três gols e acabou eliminado, quase que de forma traumática, aos 48 da etapa final, com gol de pênalti, bem assinalado pelo árbitro.

No jogo derradeiro, o fator cansaço também pesou. O Grêmio abdicou de jogar futebol ainda quando tinha fôlego, na metade final do primeiro tempo. Depois, não conseguiu acompanhar o ímpeto de um time acostumado a jogar na altitude e emabaldo por 40 mil torcedores. O Grêmio provou do próprio veneno, sofreu o que muito já fez no Olímpico. Deveria saber o antídoto, que é não ser displicente, propor o jogo enquanto for possível.

Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
Vanderlei Luxemburgo começou a partida com duas linhas de quatro jogadores, Moreno como único atacante e Zé Roberto mais atrás, servindo de enganche entre meio e ataque. Bem protegido, com Pico e Pará de laterais base, sem desproteger a linha defensiva, com Marco Antônio na direita, Gago na esquerda e Souza e Fernando marcando e saindo pro jogo pelo meio, o Grêmio controlou o jogo na primeira etapa e saiu na frente no placar. Uma baita vantagem de 2 a 0, sendo um dos gols fora de casa (critério de desempate). Mas cometeu o erro de se apegar ao regulamento cedo demais.

Luxa ainda deu azar nas substituições. Tentou mais poder de fogo com Elano no lugar de Marco Atônio. O camisa 7 jogou menos que o meia que começou jogando. Para dar mais combatividade no ataque e tentar cavar faltas perto da área do adversário, Kléber entrou no lugar de Moreno. O Gladiador ficou três minutos em campo e sentiu o tornozelo, teve de ser substituído por André Lima. Talvez o Grêmio tivesse melhor sorte se tentasse dois atacantes no momento em que o Millonarios se jogou em busca do resultado. Não se sabe, só sabemos como foi. 

E não foi bom para o Grêmio, que acaba com qualquer possibilidade de título em 2012. O Olímpico não merecia um final em branco. Em contraponto, esse time talvez não merecesse as glórias de um título sul-americano. Fica de bom tamanho brigar por uma segunda colocação no BR-12. A vaga direta para a Libertadores 2013 é fator essencial para a preparação da equipe no início da próxima temporada.

domingo, 11 de novembro de 2012

O espetacular segundo tempo gremista

A tarde no Olímpico foi espetacular para o torcedor gremista. Foi um domingo muito bonito, de uma festa belíssima depois da vitória por 2 a 1, de virada, e a confirmação matemática na pré-Libertadores 2013. O Grêmio fecha a rodada na segunda colocação do BR-12. Faltam três jogos. Caso o Grêmio mantenha a vice-liderança, a vaga para a competição continental será direta.
Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
A vitória só veio depois de um baita segundo tempo gremista. Sem poder contar com Werley, G. Silva, Elano e Kléber, o Grêmio foi a campo com um time razoavelmente descaracterizado. Luxemburgo escalou uma equipe cautelosa que, como primeiro objetivo, pretendia parar um São Paulo embalado, em grande forma. Principalmente pelos três meias Lucas, Osvaldo e Jádson e pelo centroavante Luis Fabiano.

Com Léo Gago, Fernando e Souza à frente da zaga, e o zagueiro Naldo fazendo grande jogo, a maior parte do tempo o Grêmio conseguiu parar os quatro destaques do time paulista. Só que com a bola no pé, tendo Marcelo Moreno no ataque, Zé Roberto e Marco Antônio mais atrás, o Tricolor gaúcho não conseguiu transformar posse de bola em chances de gol.

Dois fatores essenciais possibilitaram a virada gremista no segundo tempo. Primeiro, a marcação pressão. O Grêmio diminuiu os espaços do São Paulo, adiantou o time e acuou o adversário. A frequente variação no lado esquerdo, entre Léo Gago e Pico, foi importante para que os movimentos de marcação e ataque funcionassem durante a etapa complementar.

O segundo fator foi a entrada de um segundo atacante. No caso, o André Lima, que fez o primeiro gol e, diferente de outras vezes, conseguiu jogar bem, contribuir para a evolução do Grêmio dentro da partida. Com um segundo atacante em campo, ficou mais fácil o surgimento de situações de gol. O Grêmio poderia ter feito mais que dois.

Até adicionaria, quem sabe, um terceiro fator aí: os 45 mil gremistas que foram ao penúltimo jogo no Estádio Olímpico. Lembrando que, caso o Grêmio passe de fase na Sul Americana, garante pelo menos mais um jogo na saudosa maloca.

domingo, 21 de outubro de 2012

Novo empate e um novo (velho) Presidente

Ricardo Duarte/ClicRBS
No sábado, um empate horrível para o Grêmio, contra o Coritiba, no Olímpico. Um Olímpico de dias contados, que teve sua derradeira eleição nessa abafada tarde de domingo. Pleito que transcorreu na mais absoluta paz, diferente do que indicava as últimas semanas de campanhas acirradas - principalmente por parte de Fábio Koff, chapa 01, e Paulo Odone, chapa 04.

Deu Koff, com 57,5% dos votos dos 13.547 associados que participaram das eleições do clube. Fábio Koff volta depois de 16 anos, para presidir o Grêmio no biênio 2013/14. Justamente no início de uma nova era, quando o Grêmio troca de casa, vai para a nova Arena. É compreensível e legítimo que o torcedor gremista recorra ao maior símbolo do Grêmio vencedor dos anos 80 e 90 para retomar as conquistas que não aconteceram nos últimos 11 anos.

Voltemos à sábado. Grêmio e Coritiba, 0 a 0. Jogo ruim, de um Grêmio aparentemente preguiçoso, e declaradamente cansado. No seu retorno, Júlio César não deu a contribuição na esquerda que vem dando Anderson Pico. Assim como Bertoglio, que entrou no segundo tempo. Jogadores desembocados, sem ritmo, não tiveram a intensidade dos melhores momentos do Grêmio 2012. Que, aliás, não precisa ir muito longe. É só olharmos três dias antes, contra o Flu, no 2 a 2 do Engenhão, de uma bela partida gremista.

Moreno faz muita falta ao time. Assim como Kléber tem feito falta, mesmo jogando. O Gladiador não vive bom momento, e já demonstra estar ansioso com essa situação. Luxa optou em jogar sem a figura do centroavante, mas não compensou taticamente. Kléber e Leandro caiam demais para os lados, assim como Zé Roberto e Elano, que entraram pouco na área. A compensação tinha que ser de quem vinha de trás.

No 4-4-2 com meio campo em quadrado e com pouca infiltração na área, o Grêmio facilitou a boa marcação do Coxa, que tem o cobertor curto. Ou marca ou ataca. O pouco risco que o Tricolor correu na partida, é o retrato de um jogo chato de assistir, de um 0 a 0 mais que merecido.

Sorte do Grêmio que o São Paulo não venceu, deixou de encostar, continua quatro pontos atrás. Os mesmo quatro pontos que agora separa o Grêmio da segunda posição, depois da belíssima vitória do Galo sobre o Fluminense, nesse domingo. 

domingo, 7 de outubro de 2012

Grêmio abandona o habitual 4-4-2 para voltar a vencer

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Luxemburgo aproveitou que não vai poder contar com Fernando nos próximos três jogos (Seleção) para antecipar e testar uma nova maneira de jogar. Contra o Cruzeiro, ontem, o treinador deixou Fernando no banco de reservas e escalou Marco Antônio, mudando um pouco a característica do time e o modo de jogar.

Do 4-4-2 híbrido, que ora tem Zé Roberto e Elano bem abertos, fazendo linha com os volantes, e ora tem os dois meias mais centralizados, imediatamente à frente de Souza e Fernando, Luxemburgo optou pelo esquema 4-3-1-2, mas com aptidões ofensivas. Zé Roberto vinha de trás e apoiava pela esquerda, Marco Antônio fazia o mesmo papel pela direita. Centralizado no losango, Elano (depois Marquinhos). Dessa forma, o Grêmio tinha uma posse de bola mais agressiva, com maior qualidade de passe.

O Cruzeiro jogava exatamente da mesmo forma, mas com uma estratégia diferente, mais defensiva. No meio campo de Celso Roth, o losango contava com três volantes de ofício, e Montillo pouco mais à frente. Com a marcação das duas equipes completamente encaixada, e o Grêmio e jogando no campo do Cruzeiro, a estratégia da Raposa era lançar Anselmo Ramon e Borges para disputar bola no alto com a zaga gremista e apostar que Montillo pegasse o rebote. O Cruzeiro jogou assim até pouco antes dos 30 minutos de jogo, quando Anselmo Ramon conseguiu, em jogada individual, chutar da entada da área e fazer o gol. O Grêmio era melhor no jogo, e era o primeiro chute do time mineiro.

O Tricolor se perturbou. Demorou a voltar pro jogo. Ainda na primeira etapa, Luxa trocou Marquinhos e Zé Roberto de posições. Centralizado, o 10 gremista tentou articular a equipe, mas foi pouco efetivo. A grande mudança do Grêmio veio no intervalo, com mais uma alteração de esquema.

Leandro entrou no lugar de Zé Roberto para jogar aberto na esquerda. Com Kléber na direita, o Grêmio passou a atuar num 4-3-3 de muita dedicação tática. O Tricolor correu e marcou muito para sufocar o Cruzeiro até conseguir os dois gols. A entrada de Marcelo Moreno no lugar de André Lima foi essencial. O centroavante boliviano deu outra cara para o ataque gremista.

De uma forma geral, foi muito boa a atuação do Grêmio. Elano e Zé Roberto estão, visivelmente, sentindo a forte sequência de jogos.  Por isso acabou sendo muito importante as boas atuações de Marquinhos, Marco Antônio e Leandro. Certamente são jogadores que serão muito utilizados daqui pra frente. É essencial que estejam confiantes.

Entrevista do Presidente Paulo Odone após o jogo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Grêmio no limite físico e técnico?

Diego Vara/Agência RBS
O empate trágico em 1 a 1 no Olímpico contra o Santos, no último domingo, me parece ser um sinal do limite desse bom Grêmio de Vanderlei Luxemburgo. O time é esse, e não passa disso. E tem até possibilidades de passar, caso Atlético-MG e Fluminense vacilem muito mais que o time gaúcho nessa reta final. Não é a tendência.

No segundo tempo sem Neymar, e com o Peixe com 10 homens em campo,o Grêmio demostrou certa fadiga tática e física. Era o momento da guinada, de encostar no Galo e seguir o BR-12 (e o Flu) com o moral lá em cima. Mas o Grêmio não foi capaz de dar essa guinada, talvez porque essa terceira colocação seja mesmo o limite do plantel gremista.

Quando falo em fadiga tática, me refiro às opções e estratégias tentadas por Luxemburgo nos momentos desfavoráveis ao Grêmio. A entrada de Leandro no segundo tempo, no lugar de um volante,só deu certo contra times mais fracos. Leandro não tem rendido bem. Assim como Léo Gago, que entra eventualmente para fechar o lado do campo e tentar um arremate de fora da área. Pouco surte efeito. O mesmo vale para Marquinhos e Marco Antônio.

Não estou dizendo que estão mal ou que o Grêmio está mal. O Grêmio baixou o ritmo, o que é natural. Até porque os jogadores que fazem a engrenagem do time funcionar, Zé Roberto e Elano, principalmente, já ultrapassam a faixa dos 30 anos. A sequência do Tricolor nos últimos jogos tem Flamengo no Rio de Janeiro, Atlético em Minas, Barcelona numa viajem desgastante para Equador e agora o empate contra o Santos no Olímpico. É uma sequência de alta exigência técnica, física e anímica, sempre usando o time completo (com um ou dois desfalques).

O Grêmio tem, daqui pra frente, a possibilidade de dois fatores novos para ajudar a retomar o bom momento. Primeiro são os possíveis retorno de Bertoglio e Júlio Cesar, jogadores que encorpam o grupo e dão opções de velocidade ao time. Outro fator é construir uma vitória maiúscula sobre o Cruzeiro, no sábado, em casa.

domingo, 19 de agosto de 2012

Grêmio mostra grupo afinado e goleia lanterna

O melhor jogador da partida foi Marcelo Moreno. O centroavante gremista saiu da área para buscar jogo e foi bem, finalizou duas bolas na trave e ainda deu três assistência. Na goleada de 4 a 0 sobre o lanterna Figueirense, talvez tenha sido ele o jogador mais importante. Só que o Grêmio jogou bem como um tudo, o time funcionou e fez o que tem que fazer jogando em casa contra uma equipe mais fraca: empilhou chances de gol e fez um placar elástico.

O time catarinense veio com uma proposta suicida. No 4-3-1-2 de Hélio do Anjos, o meia ofensivo e os dois atacantes, Caio e Aloísio, ficavam completamente afastados do restante do time, e muitas vezes confrontavam cinco ou seis jogadores gremistas quando, eventualmente, alguma jogada de contra-ataque encaixava. Atrás da linha da bola, oito jogadores marcando muito mal, deixando um buraco no meio-campo, permitindo muito jogo a Fernando, Souza, Edilson e Pico. O Figueirense chamou o Grêmio pro seu campo e acabou levando quatro. Por pouco não deixa Porto Alegre com um resultado mais amargo.

Um dos destaques do Grêmio foi Anderson Pico, pela boa partida, pelo fator recuperação e porque atua numa posição que o grupo gremista tem carência. Esse jogador, se colocando à disposição de Luxemburgo, se comprometendo com sua própria carreira, pode assumir a posição que, até agora, tem sido de Pará.

Já Leandro é uma afirmação em termos de grupo. A dupla titular de ataque é Kléber e Marcelo Moreno, mas nem sempre se pode contar com esses jogadores. Neste sábado, Kléber estava suspenso, e seu substituto, justamente o Leandro, foi autor de dois gols. Isso é importante para fortalece o ânimo de quem é opção, e não titular absoluto. A mesma máxima se aplica a André Lima, que novamente entrou no segundo tempo e deixou o seu.
Diego Vara/ClicRBS
Um grupo fechado, sem problemas de vestiários, aumenta suas chances de sucesso. Nos dois primeiros gols, todos os jogadores de linha correram para se abraçarem, assim como absolutamente todos os reservas se abraçaram e comemoraram muito à beira do campo. E detalhe que foram gols solidários, Moreno podia finalizar nos três lances em que deu assistência, o que seria habitual para o centroavante, mas preferiu servir o companheiro. São sintomas de um grupo fechado e afinado.

domingo, 22 de julho de 2012

Vitória gremista na estreia de Seedorf

Foto: Wagner Meier, AGIF / Flickr Botafogo
Os quase 35 mil torcedores que foram ao Engenhão nesse domingo, foram para ver o primeiro jogo de Seedorf vestindo camisa botafoguense. Sem dúvida, um grande acerto do time carioca para o restante da temporada, o holandês é uma contratação incontestável à primeira vista. A festa antes de iniciar o jogo é completamente justificável e necessária. Agora, o jogo, é outra coisa.

O Grêmio sabia que o Botafogo ia pra cima desde o início e ia propor o jogo no Engenhão. Foi o que aconteceu. O time de Oswaldo de Oliveira abriu mão de Andrezinho, que ficou no banco, e apostou na velocidade pelos flancos. No 4-2-3-1 dos cariocas, Seedorf foi o meia centralizado, Vitor Junior jogou pela esquerda, e na direita Fellype Gabriel. Na frente, um Élkeson muito bem vigiado por Vilson e G. Silva.

Luxa manteve o 4-4-2 e, para marcar as investidas do adversário, deixou o meio-campo praticamente em linha, trancando as jogadas laterais do Botafogo. A marcação gremista forçava o erro do time de Seedorf, que aos poucos foi se soltando, mas não foi nada mais que razoável. Com mais uma boa atuação tática e técnica dos meio-campistas, o Grêmio soube desarmar e armar. Apostou na velocidade de Leandro nas costas do bom lateral-esquerdo Márcio Azevedo e na vitalidade de Souza, na precisão de Fernando e na cadência e visão de jogo de Elano e Zé Roberto, que no início do segundo tempo tabelaram e acharam Marcelo Moreno na grande área. O centroavante confirma a grande fase e marca seu quarto gol no BR-12, todos nos últimos três jogos.

Há duas questões fundamentais nas campanhas das equipes que venceram o campeonato ou se classificaram para a Libertadores: vencer fora de casa e vencer adversários diretos. Na vitória deste domingo, no Rio, o Grêmio juntou o útil ao necessário. Assim como os 3 a 1 contra o Cruzeiro, em Minas, este 1 a 0 sobre o Botafogo tem um peso importantíssimo para a boa campanha do time de Luxemburgo no BR-12.

O Grêmio fecha a rodada no G4, com 21 pontos, com time definido, confiante, respaldado por bons resultados. Na quarta-feira, outro confronto importante. O Tricolor recebe o Fluminense, no Olímpico. O time de Abel Braga é o terceiro colocado, vem logo acima do Grêmio, e tem 25 pontos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A excelente vitória gremista e a crise no Inter

Grêmio 3x1 Sport
As duas últimas vitórias do Grêmio foram por 3 a 1 e ambas significam bem mais que apenas um bom futebol. São duas vitórias construídas de formas diferentes, mas que fortalecem o moral do time não como em um jogo normal. Ganhar fora de casa, de um adversário que se imagina seja adversário direto na tabela, jogando 45 minutos com 10 homens em campo, com dois gols de um jogador que passava a ser criticado no Olímpico, tem a mesma relevância anímica que descer para o intervalo perdendo de 1 a 0 e voltar para o segundo tempo para dar um passeio no adversário e virar o jogo para 3 a 1. São duas vitórias que vão além do futebol jogado.

Elano foi o destaque do Grêmio. Luxemburgo parece ter acertado o meio-campo com o quadrado formado por Fernando, Souza, Elano e Zé Roberto. Na lateral, Tony é uma das grandes notícias do tricolor, foi responsável por inúmeras jogadas contra Cruzeiro e Sport. Na frente, o ritmo de jogo e o entrosamento entre Moreno e Kléber finalmente começa a fazer diferença.

O Grêmio ainda tem certa dificuldade contra equipes que se fecham e especulam no contra-ataque. Nesta quarta o time, agora mais experiente, demostrou mais paciência e triangulações, que são indispensáveis para furar sistemas defensivos muito fechados. 

O Tricolor fecha a décima rodada do BR-12 na boa 4° colocação, com 18 pontos.

Crise no Inter
A crise que se estabeleceu no Internacional depois da derrota de ontem, nada tem a ver com a derrota de ontem. Em Minas, aconteceu uma espécie de estopim ou, como preferirem, acendeu o sinal amarelo para Dorival Junior. Por toda a circunstância que envolvia o jogo, não há nada de anormal o Inter, desfalcado e com um jogador a menos, perder para um Galo que está embalado, é líder do campeonato, joga em casa, e tem um bom time de futebol.

O Inter poucas vezes agradou em 2012. Mesmo nas poucas vezes que teve todo mundo disponível. Afinal, Dorival reclama com razão quando alega as poucas oportunidades que teve de trabalhar com o grupo completo. Sem dúvida, lesões, suspensões e convocações prejudicaram o ano colorado. E são jogadores importantes, como Moledo, Kléber, D'Alessandro, Oscar, Dagoberto, Dátolo e Damião. Tinga e Sandro Silva, que já foram titulares a certa altura do ano, deixaram o clube. Dorival não conseguiu dar sequencia a uma ideia de time titular.

Outras questões que tomaram conta das manchetes coloradas durante o ano foram os casos de indisciplinas e desentendimentos de vestiário. Sintoma que não é de agora, e evidencia um grupo difícil de se trabalhar, que há anos passa pelas mãos de muitos treinadores.

Demitir Dorival seria entregar o futebol do Inter quase que exclusivamente ao bel prazer dos jogadores. Do contrário, os atletas também precisam sentir sua parcela de culpa na má fase do time. É cômodo para qualquer um no Beira-Rio deixar tudo recair nas costas do treinador.

Mais do que nunca Dorival precisa de respaldo da direção. O Inter precisa de trabalho técnico, tático e, importante agora, um pulso firme da direção dentro do vestiário. Trocar de técnico a toda hora relaxa o grupo, fragiliza o planejamento e demostra falta de convicção. Dorival é bom treinador e ainda tem lenha para queimar no Inter.

domingo, 15 de julho de 2012

Com Elano, Grêmio muda esquema e volta a ter cara de time

Na última quarta-feira, aqui no PoA Geral, especulei como jogariam Elano e Forlán na dupla grenal. Cravei que o jogador gremista seria utilizado como volante apoiador pela direita, no losango que Luxemburgo usa desde quando chegou ao Grêmio. Na excelente vitória contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, nesse domingo, Elano jogou como meia, ao lado de Zé Roberto. Opção que coloquei em segundo plano no mesmo texto.

O Grêmio de Luxemburgo atuou no 4-4-2 com dois volantes, dois meias avançados. e dois atacantes - o brasileiríssimo 4-2-2-2. E jogando dessa forma, o Tricolor voltou a ter cara de time, como já tinha no início do trabalho de Luxa, mas foi se perdendo conforme um pragmatismo cada vez mais fácil de ser marcado.

O time que vencia o Cruzeiro por 2 a 0 quando perdeu Werley, expulso aos 44 do primeiro tempo, teve maturidade incomum e um futebol inesperado depois de uma semana complicada, com muito falatório, vindo de dois resultados de derrota no BR-12. O Grêmio teve a partida sob controle quando estava 11 a 11 e mesmo no segundo tempo, com um jogador a menos, fazendo duas linhas de quatro atrás de Moreno e encaixando alguns bons contra-ataques até fazer o terceiro gol e matar a Raposa de Celso Roth.

O gol do Cruzeiro veio nos acréscimos, depois de um pênalti bem marcado pelo atrapalhado árbitro. Atrapalhado como o time de Roth, que se desmanchou no segundo tempo para ir pra cima do Grêmio, ficou sem nenhum lateral e criou muito pouco.

Gil Leonardi/Lancepress!
A equipe do Grêmio teve atuações incorrigíveis. Sem dúvida os maiores destaques são Marcelo Moreno, autor de dois gols, e o volante Souza, desta vez mais ao lado de Fernando, marcando muito e saindo pro jogo na hora certa, sem desproteger o sistema defensivo. Fez uma linda jogada no terceiro gol gremista.

Com Zé Roberto e Elano nas meias, o Grêmio pareceu mais encorpado e, naturalmente, mais experiente. Os dois jogadores conseguiram fazer a aproximação dos setores e qualificaram o toque de bola gremista. Não foi por acaso os dois primeiros gols saíram pelo lado direito. O primeiro, depois de uma enfiada do Kléber, a bola chega até Elano na linha de fundo, que faz o cruzamento perfeito para a cabeçada de Moreno. No segundo gol, o promissor Tony faz boa jogada individual, vai até o fundo e cruza rasteiro, a bola chega no Moreno que, num toque sutil para trás, encontra o Gladiador, que finaliza a jogada. 

Nos três gols, o Grêmio teve bola trabalhada, troca de passe, aproximação, vitória pessoal e calma. A calma que não vinha tendo e, ironicamente, só veio depois de uma semana muito conturbada.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Grêmio passa pelo Bahia e está na semifinal da Copa do Brasil

O Luxemburgo chamou o torcedor no começo da semana para o confronto com o Bahia e o torcedor correspondeu. Cerca de 35 mil gremista foram ao Olímpico e assistiram um bom jogo de futebol, com um Grêmio bem postado e comprometido em vencer, mesmo sabendo da vantagem já conquistada no primeiro jogo. Desde o início o Tricolor jogou sério, marcou bem e buscou o gol, sem brilhantismo como já é de praxe, mas vencendo.

O Bahia não é nenhum bobo. Falcão é bom treinador, é ousado, e tem nas mãos uma equipe formada por um punhado de refugos conhecidos e alguns outros jogadores menos cotados tecnicamente. No início do jogo o Bahia tentou jogar de igual para igual. Falcão montou o esquema conhecido pelo apelido de árvore de natal, um 4-5-1 que, distribuído em campo, fica um 4-3-2-1. Típico para explorar contra-ataque, porque tinha Fahel na frente da zaga, o bom Gabriel mais à direita, o ex-gremista Helder na esquerda, numa linha mais avançada o Lulinha ao lado do Magno e, na frente, o centroavante Ciro. Todos jogadores de velocidade.   

O problema do Bahia é que na hora de trocar passes e fazer o bola girar, além de faltar qualidade de quem trazia a bola de trás, sentia demais a marcação do Grêmio, que era muito boa. Fernando e Léo Gago foram impecáveis. Souza mais uma vez ficou aquém e Marco Antônio, no 4-3-1-2 gremista, foi nada mais que regular. A dupla formada por Miralles e Moreno deu boa resposta. O argentino é melhor alternativa que André Lima, que torna o ataque mais pesado e menos dinâmico.

Os dois gols do Grêmio saíram de boas trocas de passe. Jogadas trabalhadas em treino pelo Luxemburgo, um reflexo positivo no trabalho do treinador, que já tem oito jogos e oito vitórias na Copa do Brasil. É a melhor campanha na competição, o que não serve para muita coisa, já que é no sorteio que se decide onde será a segunda partida da semifinal contra o Palmeiras e pelo regulamente, o Grêmio pode ser eliminado com dois empates, caindo fora da competição estando invicto. Ou seja, a melhor campanha não tem nenhum valor prático, apenas anímico. A ideia de time que funciona, o respaldo dos bons resultados no Olímpico e a segurança de uma zaga que parece estar ajeitada - mesmo com o desfalque de Werley - são os grandes méritos do Grêmio na Copa do Brasil.

*Foto Marco Vieira/ClicRBS 

domingo, 20 de maio de 2012

A estreia da dupla Grenal no BR-12

No Beira-Rio, contra o Coritiba, o Inter fez seu primeiro gol cedo, aos 8 minutos. Desde então controlou o jogo, até fazer o segundo, aos 37, e liquidar a fatura ainda no primeiro tempo. Dorival já não conta mais com Tinga, que foi para o Cruzeiro, ainda não pode escalar D'Alessandro, em fase de recuperação, assim como o lateral Kléber - que talvez nem seja mais considerado titular - e Sandro Silva, que sofreu um corte no joelho. Portando, o que se viu nesse domingo é quase o time titular do Inter, com a ressalva de dois ou três jogadores.

Num 4-4-2, com Dagoberto mais solto, fazendo mais a função de segundo atacante, com Dátolo na meia-esquerda e Oscar atuando mais à direita. Assim deve ser o desenho tático do Colorado para o restante do BR-12, a não ser que reforços de muito peso cheguem ou que, ao invés de Dátolo, Dagoberto deixe a equipe para o retorno de D'Alessandro.

A partida do Inter não foi extraordinária. Apenas jogou melhor que o Coxa. Teve bons momentos, de jogadas muito bem tramadas, mas não conseguiu manter o ritmo nos 90 minutos, provavelmente porque o jogo já tenha se definido no início e o Coritiba pouco ameaçou. Sem dúvida o Inter pinta como um dos candidatos num campeonato que ainda não tem favoritos.

No Rio, o Grêmio deixou escapar uma oportunidade de ouro. Tivesse melhor sorte e competência, não arrancaria apenas um empate no São Januário, mas sim uma vitória. O Tricolor jogou melhor que o Vasco, mas acabou derrotado por 2 a 1.

As duas equipes pouparam jogadores. O Vasco mais, entrou em campo com muitos reservas. No Grêmio, Luxa preservou Léo Gago, G.Silva, Souza e Moreno, que ficou no banco e entrou no segundo tempo. A experiencia que o trinador queria fazer era escalar um losango com Marquinhos e Marco Antonio juntos, já que Gago não tem um reserva imediato e está pendurado na Copa do Brasil. Deu relativamente certo, porém, muito mais pelo desentrosamento vascaíno que qualquer outra coisa.

O Grêmio reclama de um gol anulado de Miralles, no segundo tempo, quando já estava 1 a 1. O lance pode ser discutido, se o juiz tivesse apitado a falta do André Lima antes do Miralles fazer o gol, não ia ter polêmica. Mas fica a dúvida se foi falta do centroavante antes do goleiro Prass se chocar com o zagueiro Rodolpho. No lance, também dá pra bancar o gol sem problema. O problema foi a demora e a interferência do árbitro auxiliar atrás do gol.

Mas não foi por isso que o Tricolor perdeu. Foi pela ineficiência de seus atacantes. Marcelo Moreno conseguiu entrar pior que o André Lima, contribuiu pouco e ainda desperdiçou um pênalti. E o argentino Miralles perdeu pelo menos dois gols.

Nesse BR-12, com os reforços que Luxemburgo vai receber em breve, o Grêmio está no bolo daqueles que são candidatos. Mas ainda não sabemos se o time vai encaixar. Vão entrar na equipe o lateral Julio César, o meia Zé Roberto, o atacante Kléber. E tem o Marcelo Moreno, que há tempos não está 100%.

*Foto Inter, divulgação

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Grêmio venceu porque se impôs quando tinha 11

Dentre os vários problemas que o Grêmio, enquanto clube de futebol, enfrenta na última década, um deles, inegavelmente, é a dificuldade que seus times têm para vencer fora de casa. Dentro de casa, quase todo mundo vence quase todas. Perde uma aqui e ali, empata outra, mas vence a maioria. O diferencial do time vencedor de uma competição é ser forte também fora do seu estádio. O Grêmio tem dois exemplos recentes: a Libertadores de 2007 e o BR-09. Em ambas as competições o Tricolor papou todo mundo em casa e perdeu tudo longe do Olímpico.

Na vitória desta quarta, o principal fator para os 2 a 0 sobre o Fortaleza foi a imposição do Grêmio sobre o modesto e empolgado time cearense. A partida foi no acanhado estádio Presidente Vargas, lotado de uma torcida confiante, que vê o Fortaleza fazendo boa campanha em 2012, com dois atacantes que estão marcando gols no estadual e com uma referência técnica vestindo a 10, o meia-atacante Geraldo, de 38 anos. Não é um ambiente fácil de se jogar, mesmo levando em conta que o Fortaleza está na 3° divisão do futebol brasileiro. Coloque ainda na conta do Grêmio a derrota no grenal e a eliminação no campeonato gaúcho.

Luxemburgo mudou o time. Uma mudança foi por necessidade, pois Naldo fez quarta zaga no lugar de G.Silva, suspenso. As outras duas foram opções do treinador. Gabriel merecidamente perdeu o lugar na lateral-direita para o participativo Edilson e, na frente, Bertoglio foi sacado do time para que o Grêmio tivesse um ataque com mais força física e poder aéreo, formado por André Lima e Marcelo Moreno. No restante do time, a forma mais habitual de jogar em 2012, o 4-4-2 com o desenho de losango no meio (4-3-1-2).

Desde o início o Grêmio marcou na frente, travou a empolgação da equipe cearense e encheu de nervosismo time treinado por Neido Xavier. O primeiro gol saiu aos 12 minutos, com Marcelo Moreno aproveitando a sobra dentro da área. O segundo gol foi uma pintura, um minuto depois do primeiro. O lateral Edilson cruzou para a entrada da área e, da meia-lua, como ela veio, Marco Antônio acertou com sua perna direita um daqueles chutes que se acerta poucas vezes na vida. Golaço para fechar uma bela vitória tricolor.
O Grêmio só correu riscos quando perdeu o lateral-esquerdo Pará, aos 17 do segundo tempo, expulso depois de receber dois cartões amarelos. O Fortaleza, que já fazia quase um 4-3-3 com Geraldo e Cléo jogando uma linha atrás do centroavante Jaílson, recheou ainda mais o time de atacantes. O problema é que justamente os dois melhores nomes do Fortaleza, Geraldo e Cléo, não estavam em noite inspirada. Quando conseguiram vencer a defesa tricolor, pararam em Victor - novamente em grande forma.

O retorno de Léo Gago parece ser um fator decisivo para o Grêmio atualmente. Foi assim na vitória de 2 a 0 desta quarta. Assim como são cada vez mais inspiradas as partidas do volante Fernando. Para o jogo da volta, no Olímpico, no próximo dia 9, é natural que Luxemburgo não precise mais de um time mais pesado, por isso é plausível que André seja banco e Bertoglio volte ao time. O que não pode mudar é a atitude que o Grêmio teve quando, principalmente, tinha 11 em campo.

Foto Jarbas Oliveira/AE

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Grêmio joga mal, mas vitória pode melhorar o clima

A vitória de 2 a 1 do Grêmio, em Erechim, sobre o Ypiranga, foi muito apertada. Mais do que deveria ser. O Ypiranga ainda não venceu nenhum jogo no Gauchão. A terceira vitória tricolor só veio aos 47 e tantos do segundo tempo, depois de passar a primeira etapa toda perdendo e buscar o empate e a virada num segundo tempo arrastado.

O Grêmio entrou em campo como entrou no Grenal, a única diferença eram os dois laterais, já que Julio César e Mário deixaram o clássico machucados. Caio Junior tentou repetir o esquema, um 4-3-3 que conta com o recuo de Leandro quando a equipe se defende, formando uma linha de quatro no meio-campo e, às vezes, conta com o recuo de Kléber, centralizado atrás de Leandro e Moreno. É uma mecânica de jogo que ainda os jogadores não conseguem assimilar e executar com eficiência.

Mesmo que o Grêmio, de certo modo e com dificuldade, controlasse o Ypiranga, a equipe de Erechim encaixou um bom contra-ataque, contou com o erro em sequencia dos dois zagueiros gremistas e abriu o placar. O gol tirou o Grêmio do plumo. É sempre mais difícil a reação para uma equipe que ainda não está pronta. Num 3-6-1 bem fechadinho, o Ypiranga conseguia proteger com eficiência a meta do bom goleiro Vizzoto, de fundamental participação no jogo.

Logo depois do gol Caio Junior mexeu no time e, ao que tudo indica, este deve ser o Grêmio dos próximos jogos. Leandro saiu para a entrada de G. Silva, o Grêmio estabilizou no 4-4-2 mais simplificado e passou a buscar muito o jogo com Marcelo Moreno, mais uma vez o destaque gremista.
 
No segundo tempo o empate veio através de um futebol melhor elaborado. O Grêmio conseguiu imprimir certo ritmo à partida, mas abusou dos cruzamentos na área. Ainda falta alternativas coletivas ao time de Caio Junior. A vitória não deu-se pelas mudanças do treinador. O final do jogo foi arrastado, as duas equipes estavam muito cansadas e qualquer jogada era na base da vontade. Assim que o Grêmio virou, e isto nada tem a ver com a sensível melhora da matade do primeiro tempo até a metade do segundo.

Pois, ainda que não tenha a ver, a vitória faz bem à qualquer ambiente e pode ajudar o Grêmio de Caio Junior a se firmar animicamente nos próximos jogos, mesmo que com resultados apertados. O resultado positivo dá confiança e faz com que os jogadores acreditem no treinador.

*Foto Ricardo Duarte/ClicRBS
 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O bom empate para o Inter no Grenal

O Internacional resolveu poupar todos os seu titulares, menos o goleiro Muriel. Para o primeiro Grenal do Gauchão 2012, prematuramente na quinta rodada do campeonato, um Inter com um time todo formado por reservas, preservando seus principais jogadores para a Libertadores da América, que já tem jogo na quarta-feira. O empate de 2 a 2 é muito bom resultado para a equipe de Dorival Junior.
Do outro lado, para o Grêmio o resultado é desastroso. Mais pelo andamento do trabalho do que pela posição do Tricolor na tabela. Para uma equipe em formação, que ainda busca sua melhor forma tática e técnica, uma vitória no clássico seria dose de tranquilidade muito salutar para Caio Junior e seus jogadores. Ainda mais porque o Grêmio jogou melhor que o Colorado, e o resultado de empate fica muito amargo.

Pela escalação, a mesma da vitória sobre o São Luiz, imaginei um Grêmio no 4-4-2 com duas linhas de quatro posicionadas. Não foi o que aconteceu. O Grêmio variou do 4-3-3 para o 4-3-1-2. O meio começou com Fernando, muito bem no jogo, Marquinhos mais à esquerda e Marco Antônio mais à direita. Este último novamente não fazendo um bom jogo. Na frente, ora Kléber recuava e fazia o papel de pota-de-lança no meio do campo, ora o Gladiador se posicionava pelo lado, junto à Leandro e Moreno. Kléber não foi bem, diferente de Marcelo Moreno, um dos destaques do clássico.

O Grêmio sentiu a perda dos seus laterais ainda no primeiro tempo. Julio César e Mário Fernandes saíram lesionados, eles que era as grandes jogadas do Tricolor na partida. Além de perdê-los, Caio Junior foi obrigado a queimar duas substituições. O que pode fazer falta num segundo tempo de um jogo de alto nível de competição, como acabou acontecendo.

O time reserva do Inter tem bons nomes, mas não forma uma equipe. Apesar de ter saído na frente no placar, foi um amontoado, principalmente no primeiro tempo.A estreia do meia argentino Dátolo foi interessante, afinal marcar em Grenal nunca é ruim. O argentino começou bem, mas foi decaindo conforme o andamento da partida. A dupla de ataque colorada jogou pouco, mas o suficiente para criar alguns problemas para a insegura zaga tricolor.

O Grêmio precisa contratar e, talvez, repetir esse time para que, ao menos, uma ideia de coletividade e repetição seja fixada.

Já o Inter. O Inter não é esse, essas são as peças de reposição. Importante que estejam com a confiança nas alturas, ainda vão jogar mais pelo Gauchão. O Inter de 2012, por enquanto, é o bom time que passou pelo Once Caldas na pré-Libertadores.

*Foto Marcelo Oliveira/ClicRBS    

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Grêmio: do grupo de jogadores fechado em dezembro a grupo enfraquecido em janeiro

O Grêmio terminou dezembro e iniciou a temporada com várias contratações, algumas dispensas e um grupo de jogadores praticamente fechado, contando ainda com a forte possibilidade de trazer Giuliano ou Carlos Eduardo. A projeção de 2012 era de uma equipe forte e competitiva, com reais chances de ganhar a Copa do Brasil e disputar as primeiras posições do BR-12.

Ainda é muito cedo para afirmar que nada disso pode acontecer, afinal de contas o novo Grêmio de Caio Junior não tem um mês de trabalho e apenas quatro partidas disputadas. Mas já não inspira a mesma confiança de 20 dias atrás. Depois de duas vitórias e duas derrotas, e um futebol nada convincente, o Grêmio parece não ter mais a mesma força que tinha antes de começar a jogar.

Nessas últimas semanas o Tricolor perdeu jogadores e enfraqueceu o grupo. Há alguns dias a projeção de time ideal era a seguinte: Victor; Mário, Saimon, Sorondo, Julio César; Fernando, Léo Gago (ou Rochemback), Giuliano (ou Carlos Eduardo), Douglas; Kléber e Marcelo Moreno. Sem dúvida uma equipe forte.

Desse time ideal, Rochemback foi vendido, Douglas forçou sua saída e também foi vendido, Sorondo lesiono-se ainda na pré-temporada e teve o contrato rescindido, Carlos Eduardo e Giuliano não vieram. Marco Antônio, meia contratado junto à Portuguesa, uma aposta do Grêmio - apesar da idade do jogador - não agradou e nem convenceu quando teve oportunidade. Do banco de reservas, Miralles era considerado um reserva de luxo. Mas acabou se queimando também com Caio Junior e está liberado para procurar outro clube. O contestado André Lima está de volta, foi reintegrado ao grupo e é opção para o treinador.

No meio, o Grêmio se desfez de Willian Magrão, Adilson e Rochemback. Contratou apenas Léo Gago e tem como reserva apenas G.Silva. Para as meias, Marco Antônio, Marquinhos, a jovem aposta Felipe Nunes e o garoto Leandro, que na vitória contra o São Luiz jogou como meia bem aberto na direita, no 4-4-2 com duas linha de quatro montado por Caio Junior.

Nesses poucos dias de 2012 o Grêmio conseguiu perder a qualidade que projetava, porém não conseguiu por em prática. O que serve de consolo é que, segundo Paulo Pelaipe, o Tricolor tem dinheiro para contratar e fazer investimentos. É a hora do mesmo Pelaipe voltar com força ao mercado e reestruturar o grupo gremista.   

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Foi a última, D'Ale?

Ao final da vitória de 1 a 0 sobre o Once Caldas, na estreia do Inter na Pré-Libertadores, na saída do gramado do Beira-Rio, D'Alessandro falou emocionado, ouvindo gritos de "Fica D'Alessandro". Ele que foi o nome do jogo, quem ditou o ritmo da partida, largou um merengue para Damião abrir o placar aos 11 e, aos 30, disparou um chute colocado da intermediária, quase encobriu o goleiro. Seria um golaço, mais um deles desde de 2008. Emocionado conversou com os repórteres, falou da família, da proposta milionária para jogar na China, justificou ser um profissional mas, com olhos marejados, não bateu o martelo. O argentino está comovido com a mobilização do torcedor colorado.

Não sei se foi sua última partida. Provavelmente ele também não saiba.

A vitória de 1 a 0 representa uma vantagem mínima ao Colorado, um resultado que não deixa o Inter de sangue doce para jogar na Colômbia, na próxima quarta-feira. Entretanto, enquanto teve mais fôlego que o Once Caldas, isso aconteceu nos 35 primeiros minutos de jogo, o Inter dominou completamente o jogo. Um placar com dois ou três gols vermelhos seria natural. No 4-2-3-1 de Dorival Jr. a movimentação do trio de meio-campistas ofensivos foi fundamental. D'Alessandro esteve quase sempre centralizado, já Dagoberto e Oscar trocavam de lado e alternavam infiltrações na área. O ímpeto e a inteligência de Damião também faz diferença, embora o centroavante tenha sido preciosista demais em alguns lances.

O Once Caldas viveu dois momentos no jogo, separados pelo intervalo. No primeiro tempo um 4-3-3 de linhas recuadas, marcando meia-pressão e esperando para atacar em velocidade. O sistema defensivo do Inter neutralizou muito bem a estratégia colombiana, fato que não se repetiu na segunda etapa. Num 4-4-2 em duas linhas, o Once Caldas ficou mais encorpado, ganhou referencia na área e buscou jogar mais com a bola no pé. O Internacional sentiu, baixou o ritmo e não teve força para se impor novamente, mesmo com as mudanças de Dorival, todas devido a condição física.


O 3-5-2 surge como alternativa no Grêmio
Foi apenas a segunda partida na temporada e o Grêmio já se sentia na obrigação de vencer e, se possível, convencer. O Grêmio venceu, mas não vai ser agora que vai convencer. Caio Junior já disse depois da derrota contra o Lajeadense que ainda está buscando o time e a formação ideal.

Contra o Canoas saiu Miralles e entrou Marcelo Moreno, de resto foi o mesmo time, porém com postura tática diferente. Caio usou um 4-4-2 com meio-de-campo em losango, com Douglas centralizado mais à frente, Fernando na frente dos zagueiros e Gago e Marco Antônio como volantes apoiadores pelos lados. Deu pouco certo, pois assim Caio Junior perdeu muito de Marco Antônio.

Depois de um primeiro tempo de 1 a 1, Caio voltou do intervalo com Gabriel no lugar do MA, segurou Mário na direita e avançou o lateral Julio César na esquerda. O Grêmio ficou num 3-5-2, com bastante participação dos alas e uma saída interessante do Mário pela direita. A equipe encaixou, não deu mais espaços ao Canoas e alcançou o 3 a 1.

Não deu show, porém não correu risco. Os primeiros gols de Moreno e Kléber jogando juntos é importante, o retorno de Gabriel, com muita vontade e marcando gol também é importante e mais: pode fazer Caio Junior repensar a ideia de time.

*FOTO Diego Vara/ClicRBS  

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O potencial de 2012 para a dupla Grenal

O ano que se inicia à 0 hora desse próximo domingo, há cerca de um mês já havia iniciado para Grêmio e Internacional. Isto porque, acertadamente, os dois clubes começaram o seus planejamentos  para a próxima temporada com antecedência. Principalmente o Grêmio, que só não pode dizer que está com o grupo fechado para começar janeiro por causa ou três questões: mais um zagueiro, mais um meio-campista e o acerto com o Douglas. De qualquer forma, a única questão fundamental aí é o acerto com o meia Douglas. Se o camisa 10 permanecer no Olímpico, outro jogador para a posição não seria tão emergencial. A questão de outro zagueiro também é relativa, pois muitos defendem que Saimon pode ser o companheiro de Sorondo em 2012.
O Inter não contratou tanto, pois a temporada começa muito cedo, em janeiro já tem o jogo pela pré Libertadores. Por isso o Inter optou em mudar pouco o grupo de jogadores. O time titular é o mesmo que acabou 2011, porém com o acréscimo de Dagoberto ao lado de Leandro Damião. Dagoberto representa um salto de qualidade significativo comparado aos outros jogadores da posição disponíveis para Dorival Junior.
Tanto Inter quanto Grêmio vivem a expectativa de duas novas casas em 2012. O Grêmio, uma nova casa de fato, pois a Arena deve ficar pronta em Outubro, um avanço que tem tudo para representar uma nova era para o futebol Tricolor. Já o Inter vai continuar no Beira-Rio, mas um Beira-Rio todo remodelado, reformado e modernizado. O estádio não deve ficar pronto em 2012, mas as obras recomeçam em janeiro.
Na bola, ninguém pode dizer que as intenções dos dirigentes são ruins. Tudo depende se as novas contratações vão encaixar. A missão do Inter é mais complicada, a Libertadores começa cedo, o clube tem pouco tempo de preparação. Mas a exigência sobre o Grêmio é maior, visto que nesse ano que chega ao fim o clube completou 10 temporadas sem um título de maior expressão.