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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Olímpico Monumental: o último capítulo

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Porto Alegre, Domingo. Dia 2 de Dezembro de 2012. Gre-Nal n° 394.

O time do Grêmio talvez até merecesse um final assim, um terceiro lugar, vaga na pré-Libertadores, sendo que tudo estava encaminhado para um vice-campeonato e a vaga direta. Em 2012, o Grêmio fracassou em todos os momentos em que podia pleitear coisa melhor. O  Olímpico não merecia. Não o Olímpico. Um 0 a 0 como este, de um jogo mais brigado que jogado. Nem que fosse uma vitória do Inter, como foi da primeira vez, em 54. O Olímpico merecia gols, não socos.

Ousadia faltou dos dois lados. Aliás, dos três. Pois a arbitragem precisava, ao menos, dar cinco minutos de acréscimo no segundo tempo de muitas paralisações, de muita atitude infeliz e impensada. Os poucos segundos de Heber Roberto, no final, foram poucos pro muito de história que já viu aquele Estádio - e quem ali esteve, torceu, sorriu e chorou.

Loss e Luxemburgo. Parece que combinaram. Muita cautela, marcação, com times praticamente espelhados. O Grêmio teve apenas André Lima no ataque, teve Ze Roberto lá na direita, Elano mais à esquerda. Logo atrás, o trio de volantes. Fernando centralizado, Souza saindo pela direita e Gogo pelo outro lado.

O Internacional era basicamente igual, com uma sensível diferença. Osmar Loss tentou usar uma espécie de 4-2-3-1, mas com Guiñazu centralizado na linha de meias, pouco mais recuado. D'Alessando sempre aberto  na direita, gesticulando e comandando todas as ações da equipe. Na esquerda Fred, apagado e pouco participativo. O centroavante foi Damião e os dois volantes Ygor e Josimar.

A posse de bola sempre esteve com o Grêmio, mas com Zé Roberto e Elano em tarde pouco inspirada, quase nada de perigo levou ao gol defendido por Muriel. As jogadas acirradas, as faltas com carga excessiva de força, como tem em qualquer Gre-Nal, estiveram lá, mas com o adicional de ser o último dos últimos da Era Olímpico. No jogo em que ninguém queria perder, ninguém ganhou.

Heber só errou ao não dar os acréscimos corretos no segundo tempo. Acertou na expulsão de Muriel, Damião, Saimon, Osmars Loss e Luxemburgo. Embora, talvez pudesse ter usado de bom senso com o técnico gremista, que entrou em campo para tirar seu jogador da confusão. Mas cumpriu a regra, à risca. Está certo.

Maiores erros cometeram as duas equipes. Exceto Modelo, que fez um grande clássico. Fernando também. Naldo. Índio. Destaques de dois sistemas defensivos que não vazaram.

Com dois a menos em campo grande parte da segunda etapa, o Inter fez duas linhas de quatro jogadores em frente a área. Dificultou ao máximo as ações gremistas. Se o Colorado se defendeu bem - o que é inegável -, é bem verdade faltou bala na agulha tricolor. Ter vantagem de dois homens em campo é muita coisa.

O Grêmio tentou com Marquinhos e Leandro, Pará mais solto, Léo Gago de lateral. Todos esbarraram em Renan, goleiro que substituiu Muriel, fez ótimas intervenções naquele que foi seu primeiro jogo no BR-12.

Foi muito mais que água no chopp. O Inter comemorou como título no final. Como faria o Grêmio. Como tanto fizeram no Olímpico, monumental como a torcida azul, preta e branca. E vermelha, que faz parte da história.

Isso pertence ao futebol. Frase tantas vezes ditas pelo técnico gremista na temporada. Uma maneira de proteger seus jogadores, claro. Mas uma verdade. Agora, 58 anos depois, com o dever cumprido, o Olímpico não pertence mais ao Grêmio. Pertence à história do futebol.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O que vale mais no Gre-Nal: objetivo ou simbolismo?

Um certo simbolismo, históricamente, toma conta do futebol do Rio Grande do Sul. No Campeonato Brasileiro, vive-se em eterno Gauchão. Quando os principais objetivos, como título e vaga na Libertadores, não são alcançados, torcedores e dirigentes exageradamente apaixonados e sanguíneos, contentam-se com a corneta de terminar no Brasileirão na frente do rival.

É um aspecto bairrista, típico do gaúcho. Uma característica que acaba apequenando tudo, de certa forma. Limitando o que é daqui a uma esfera que não ultrapassa as fronteiras do estado. O futebol, e todos que o envolvem, acabam incorporando isso. Acho ruim, nocivo aos nossos clubes, que muitas vezes não se portam como se tivessem a dimensão que de fato têm e adquiriam através de suas biografias centenárias.

Chegamos ao último Gre-Nal da história do Estádio Olímpico. Ao Inter, só resta o simbolismo de vencer o último clássico disputado na casa do Grêmio. Ao Tricolor Gaúcho, ainda falta alcançar um objetivo, que é a vaga direta na Libertadores, o que significa ser segundo colocado no BR-12. De qualquer forma, o simbolismo de fechar o Olímpico vencendo o Internacional também está intrínseco ao objetivo gremista.
Mas há um adendo. Mesmo perdendo, o Grêmio pode conquistar a segunda colocação e a vaga direta. Só depende de um resultado positivo entre Galo e Cruzeiro. E aí a questão: só conquistar o direito de disputar a Copa Libertadores a partir da fase de grupo, sem precisar passar por um jogo eliminatório, basta ao Grêmio?

No caso específico desse Gre-Nal, fico com a importância do simbolismo. Não será completa a glória Tricolor caso o Inter vença - como já o fez no primeiro clássico do Olímpico, um expressivo 6 a 2. Vaga direta ou indireta para Libertadores se disputa todo ano, assim como clássicos decisivos. O Gre-Nal do próximo domingo, fecha um Estádio com 58 anos de história, um templo emblemático do futebol mundial. É, sim, significativo uma vitória, por quem quer que seja.

Os objetivos reiais do campeonato, colocação e pontuação final, dessa vez, estão em segundo plano. Vale o que fica pra história, o que enriquece o ego do torcedor. Qualquer outro prêmio - que não um título - é lucro no domingo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

E o Inter, hein?

Estive no Beira-Rio ontem e acompenhei a derrota por 2 a 0 para a Portuguesa. Foi umas das piores atuações do ano. O chamado fato novo, que foi a demissão do técnico Fernandão, não surtiu nenhum efeito. Impressão que ficou é a de que o time correu menos. O Inter foi completamente submisso à marcação da equipe que ainda briga para não cair, e sofreu com os contra-golpes puxados pelo atacante Ananias - ele que também desmanchou o Grêmio, no Olímpico, no 1° turno.

Curioso que com essa estrutura de time, com Forlán e Damião no ataque e um losango no meio, com Ygor, Guiñazu na esquerda, Fred na direita e D'Alessandro na articulação, há alguns jogos o Inter conquistou bons resultados e até conseguiu duas vitórias seguidas.

O Inter agora divide atenções na contratação de um novo treinador - deve ser o Dunga - e na preparação para o Gre-Nal. É o jogo do ano, não só para o Inter.

domingo, 11 de novembro de 2012

O espetacular segundo tempo gremista

A tarde no Olímpico foi espetacular para o torcedor gremista. Foi um domingo muito bonito, de uma festa belíssima depois da vitória por 2 a 1, de virada, e a confirmação matemática na pré-Libertadores 2013. O Grêmio fecha a rodada na segunda colocação do BR-12. Faltam três jogos. Caso o Grêmio mantenha a vice-liderança, a vaga para a competição continental será direta.
Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
A vitória só veio depois de um baita segundo tempo gremista. Sem poder contar com Werley, G. Silva, Elano e Kléber, o Grêmio foi a campo com um time razoavelmente descaracterizado. Luxemburgo escalou uma equipe cautelosa que, como primeiro objetivo, pretendia parar um São Paulo embalado, em grande forma. Principalmente pelos três meias Lucas, Osvaldo e Jádson e pelo centroavante Luis Fabiano.

Com Léo Gago, Fernando e Souza à frente da zaga, e o zagueiro Naldo fazendo grande jogo, a maior parte do tempo o Grêmio conseguiu parar os quatro destaques do time paulista. Só que com a bola no pé, tendo Marcelo Moreno no ataque, Zé Roberto e Marco Antônio mais atrás, o Tricolor gaúcho não conseguiu transformar posse de bola em chances de gol.

Dois fatores essenciais possibilitaram a virada gremista no segundo tempo. Primeiro, a marcação pressão. O Grêmio diminuiu os espaços do São Paulo, adiantou o time e acuou o adversário. A frequente variação no lado esquerdo, entre Léo Gago e Pico, foi importante para que os movimentos de marcação e ataque funcionassem durante a etapa complementar.

O segundo fator foi a entrada de um segundo atacante. No caso, o André Lima, que fez o primeiro gol e, diferente de outras vezes, conseguiu jogar bem, contribuir para a evolução do Grêmio dentro da partida. Com um segundo atacante em campo, ficou mais fácil o surgimento de situações de gol. O Grêmio poderia ter feito mais que dois.

Até adicionaria, quem sabe, um terceiro fator aí: os 45 mil gremistas que foram ao penúltimo jogo no Estádio Olímpico. Lembrando que, caso o Grêmio passe de fase na Sul Americana, garante pelo menos mais um jogo na saudosa maloca.

domingo, 4 de novembro de 2012

Grêmio vence Ponte Preta sem criar nenhuma situação de gol

Foi uma das piores atuações do Grêmio em 2012, sobretudo ao comando de Vanderlei Luxemburgo. Tivesse a Ponte Preta um pouco mais de sorte ou qualidade técnica, teria vencido, sem dúvidas. Durante os 90 minutos, o mais próximo que o Tricolor chegou a uma oportunidade de marcar foi no início do jogo, duas vezes. As duas com Marcelo Moreno, mas finalizando mal, não obrigando o goleiro Roberto a sequer executar uma defesa. É muito pouco.

O Grêmio foi um time distante, com pouco sentido coletivo, pouca vitória pessoal, entregue à boa marcação do time de Guto Ferreira. Lá atrás, sofreu com os contra-ataques puxados por Nikão e Luan. Marcelo Grohe precisou trabalhar, e trabalhou bem. Teve boas intervenções e evitou que o resultado fosse trágico para um Olímpico com 40 mil torcedores.

Se por um lado o time está desgastado física e mentalmente, cansado com a maratona de jogos, o que prejudica na execução de tarefas básica dentro de uma partida de futebol - como preencher espaços, passar, inverter a bola, tomar decisões corretas -, por outro lado é uma equipe muito bem preparada fisicamente. O Grêmio pode até correr errado, errar em demasia, mas corre. Vai em busca do resultado nem que seja no abafa, sem organização e méritos táticos.

Lucas Uebel/Grêmio Divulgação
Foi o que aconteceu ontem, no Olímpico. Com um jogador a menos desde a metade do segundo tempo, o time de Luxa conseguiu empurrar a Ponte Preta para o seu campo. Continuou sem criar absolutamente nenhuma chance de gol, mas cavou escanteios e faltas na beira da área do adversário. Assim, num escanteio, aos 45 minutos da segunda etapa, foi que Zé Roberto achou André Lima, que trombou com zagueiro e goleiro para marcar o gol da vitória.

Faltando agora quatro rodadas para terminar o BR-12, tendo construído uma bela campanha e ainda com a possibilidade de subir uma colocação e ser vice-campeão, o Grêmio não precisa mais jogar bem. Precisa vencer, como fez ontem. Luxemburgo está administrando duas competições simultâneas, poupando um ou dois jogadores a cada partida, mas nunca descaracterizando a equipe. Esta reta final vai exigir muito dos atletas, e o melhor que podem esperar é que a torcida seja o centroavante do time, como foi e como muito bem observou Luxemburgo, após a vitória de sábado. Não é hora de pegar no pé.

domingo, 28 de outubro de 2012

O Inter de duas vitórias seguidas

Sequência de bons resultados é algo fundamental no Campeonato Brasileiro. Vencendo dois ou três jogos seguidos, é muito grande a chance de ganhar boas colocações, encostar em quem está na frente e injetar de ânimo torcida e grupo de jogadores. Até agora, no BR-12, isso só havia acontecido uma vez com o Internacional. Na estreia de Fernandão, dia 22 de julho, 11° rodada, o Inter venceu o Atlético-GO por 4 a 1 no Beira-Rio. Dia 25, na 12° rodada, a vitória foi contra o Figueirense, por 1 a 0, no Orlando Scarpelli.

A vitória contra o Vasco, fora de casa, no meio da semana, e o 2 a 1 sobre o Palmeiras, ontem, no Beira-Rio, ajudam a dar uma cara diferente para um Inter desacreditado e, aparentemente, afundado em uma grave crise de vestiário. Faltando cinco jogos para o final do campeonato, o Colorado aparece na 5° colocação, somando 51 pontos. Entretanto, ainda está há sete pontos do G4.

As duas vitórias do Inter têm similaridades. As duas foram de virada, com o adversário saindo na frente. Fator de demonstra um poder de reação interessante, até então impensável no atual elenco, visto a irregularidade dos últimos meses.

Entretanto, o aspecto mais importante foi a maneira de jogar. Fernandão adotou o 4-3-1-2, esquema com o qual já foi execrado pela crítica por causa dos "abomináveis" três volantes. A diferença agora é a qualidade de quem entra em campo e certa vergonha na cara de quem vesta a camisa vermelha.

Nessa nova configuração colorada, D'Alessandro volta a ser o centro do time. O gringo entendeu a função, chamou a responsabilidade e está fazendo o que pode. Não tirou o pé em nenhuma jogada. Ele é o enganche do losango de Fernandão. Na frente da zaga, Josimar (ontem) ou Ygor (titular, suspenso contra o Palmeiras) protegem o setor, guardam posição. Pelos lados, os apoiadores são Guiñazu pela esquerda e o ótimo Fred, pela direita. Estes, marcam e apoiam. Como atacantes, Forlán e mais outro. Contra o Vasco jogou Dagoberto, ontem Rafael Moura. Mas o titular é Damião.

O primeiro gol colorado na vitória de 2 a 1 sobre o Palmeiras é um retrato do que Fernandão espera do seu time. Guiñazu apareceu na linha de fundo, pela esquerda, cruzou e achou Fred, que finalizou, entrando pela ponta direita. Ou seja, os dois volantes de lado passam a linha do enganche e aparecem como opção, geralmente entrando em diagonal, fazendo um dois com o lateral ou até mesmo com o atacante. D'Ale geralmente recebe a bola de costas para a marcação e, quando gira, tem ao menos quatro opções de passe.

Alexandre Lops/Divulgação Inter

O técnico colorado já tentou jogar assim outras vezes, mas com três volantes mais pesados e Fred ou Forlán como enganche no losango. D'Alessandro faz essa função melhor que qualquer um no Beira-Rio, e os outros dois rendem mais nas posições em que atuaram nas duas últimas vitórias. Sem exagero nenhum: quando joga assim, Fred lembra demais o volante Tinga.

Entretanto, mesmo como essa nova perspectiva de rendimento, Libertadores 2013 ainda está distante para o Inter.

domingo, 21 de outubro de 2012

Novo empate e um novo (velho) Presidente

Ricardo Duarte/ClicRBS
No sábado, um empate horrível para o Grêmio, contra o Coritiba, no Olímpico. Um Olímpico de dias contados, que teve sua derradeira eleição nessa abafada tarde de domingo. Pleito que transcorreu na mais absoluta paz, diferente do que indicava as últimas semanas de campanhas acirradas - principalmente por parte de Fábio Koff, chapa 01, e Paulo Odone, chapa 04.

Deu Koff, com 57,5% dos votos dos 13.547 associados que participaram das eleições do clube. Fábio Koff volta depois de 16 anos, para presidir o Grêmio no biênio 2013/14. Justamente no início de uma nova era, quando o Grêmio troca de casa, vai para a nova Arena. É compreensível e legítimo que o torcedor gremista recorra ao maior símbolo do Grêmio vencedor dos anos 80 e 90 para retomar as conquistas que não aconteceram nos últimos 11 anos.

Voltemos à sábado. Grêmio e Coritiba, 0 a 0. Jogo ruim, de um Grêmio aparentemente preguiçoso, e declaradamente cansado. No seu retorno, Júlio César não deu a contribuição na esquerda que vem dando Anderson Pico. Assim como Bertoglio, que entrou no segundo tempo. Jogadores desembocados, sem ritmo, não tiveram a intensidade dos melhores momentos do Grêmio 2012. Que, aliás, não precisa ir muito longe. É só olharmos três dias antes, contra o Flu, no 2 a 2 do Engenhão, de uma bela partida gremista.

Moreno faz muita falta ao time. Assim como Kléber tem feito falta, mesmo jogando. O Gladiador não vive bom momento, e já demonstra estar ansioso com essa situação. Luxa optou em jogar sem a figura do centroavante, mas não compensou taticamente. Kléber e Leandro caiam demais para os lados, assim como Zé Roberto e Elano, que entraram pouco na área. A compensação tinha que ser de quem vinha de trás.

No 4-4-2 com meio campo em quadrado e com pouca infiltração na área, o Grêmio facilitou a boa marcação do Coxa, que tem o cobertor curto. Ou marca ou ataca. O pouco risco que o Tricolor correu na partida, é o retrato de um jogo chato de assistir, de um 0 a 0 mais que merecido.

Sorte do Grêmio que o São Paulo não venceu, deixou de encostar, continua quatro pontos atrás. Os mesmo quatro pontos que agora separa o Grêmio da segunda posição, depois da belíssima vitória do Galo sobre o Fluminense, nesse domingo. 

sábado, 13 de outubro de 2012

Alguns fatos do passado explicam o Inter de hoje

O problema do Inter não é treinador. Antes fosse. Aí seria fácil: manda um embora e contrata outro. Estaria resolvido. Não que Fernandão seja a oitava maravilha do mundo, não é. E tenho convicção que o Internacional se equivocou ao efetivá-lo como treinador. Analisando bem, até se entende, visto que o grupo colorado é de difícil manejo. A direção queria um amigo no comando. Não deu muito certo.

Se puxarmos fatos de alguns anos atrás, é possível compreender o atua momento do Inter. Em 2009, Tite foi demitido. Não fazia má companha, tinha conquistado a Sul Americana em 2008, o Gaucão-09 e passava por uma fase ruim naquele Brasileirão, sobretudo depois da venda de Nilmar. Dizem que teve problemas com alguns jogadores no vestiário.

Mário Sérgio assumiu naquele ano e acabou sendo vice-campeão. Mário diz que não escalou o time naquela reta final. A informação que se tem é que o treinador deixou na mão dos jogadores, fez uma espécie de acordo. Quase deu em título.

Mais recentemente, na saída de Paulo Roberto Falcão, o vestiário ficou exposto novamente. Os jogadores não gostavam dos métodos de Falcão. Ficou três meses. Na sua coletiva de despedida, falou mal da direção. Roberto Siegmann, diretor de futebol que deixou o cargo junto com o treinador, também não poupou críticas à gestão de Luigi.

Chegaram Dorival Junior para o cargo de treinador e Fernandão para cuidar do futebol. Um ano depois, Dorival é demitido e Fernandão, um cargo acima, assume como técnico. É uma situação, no mínimo, desconfortável. Sem contar os problemas que Dorival teve com alguns jogadores durante o ano de 2012.

Alexandre Lops/Divulgação Inter
Não é à toa que, com um plantel forte como este, ninguém consiga montar um time competitivo no Beira-Rio. A derrota de 3 a 1 para o lanterna do campeonato é um sinal mais que claro que, para 2013, o grupo precisa ser renovado. Coisa que já deveria ter sido feita no final do ano passado, mas a direção preferiu adiar por conta da Libertadores.

É improvável que justamente agora o Inter emplaque uma sequência de bons resultados. O panorama não vai mudar. O colorado vai vencer duas ou três, perder uma ou duas e empatar uma dúzia. Assim, não passa da sexta ou sétima posição. Tem jogado pra isso, embora tenha potencia para muito mais. Faltou pulso para lidar com alguns jogadores e remontar o grupo quando era preciso.


domingo, 7 de outubro de 2012

Grêmio abandona o habitual 4-4-2 para voltar a vencer

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Luxemburgo aproveitou que não vai poder contar com Fernando nos próximos três jogos (Seleção) para antecipar e testar uma nova maneira de jogar. Contra o Cruzeiro, ontem, o treinador deixou Fernando no banco de reservas e escalou Marco Antônio, mudando um pouco a característica do time e o modo de jogar.

Do 4-4-2 híbrido, que ora tem Zé Roberto e Elano bem abertos, fazendo linha com os volantes, e ora tem os dois meias mais centralizados, imediatamente à frente de Souza e Fernando, Luxemburgo optou pelo esquema 4-3-1-2, mas com aptidões ofensivas. Zé Roberto vinha de trás e apoiava pela esquerda, Marco Antônio fazia o mesmo papel pela direita. Centralizado no losango, Elano (depois Marquinhos). Dessa forma, o Grêmio tinha uma posse de bola mais agressiva, com maior qualidade de passe.

O Cruzeiro jogava exatamente da mesmo forma, mas com uma estratégia diferente, mais defensiva. No meio campo de Celso Roth, o losango contava com três volantes de ofício, e Montillo pouco mais à frente. Com a marcação das duas equipes completamente encaixada, e o Grêmio e jogando no campo do Cruzeiro, a estratégia da Raposa era lançar Anselmo Ramon e Borges para disputar bola no alto com a zaga gremista e apostar que Montillo pegasse o rebote. O Cruzeiro jogou assim até pouco antes dos 30 minutos de jogo, quando Anselmo Ramon conseguiu, em jogada individual, chutar da entada da área e fazer o gol. O Grêmio era melhor no jogo, e era o primeiro chute do time mineiro.

O Tricolor se perturbou. Demorou a voltar pro jogo. Ainda na primeira etapa, Luxa trocou Marquinhos e Zé Roberto de posições. Centralizado, o 10 gremista tentou articular a equipe, mas foi pouco efetivo. A grande mudança do Grêmio veio no intervalo, com mais uma alteração de esquema.

Leandro entrou no lugar de Zé Roberto para jogar aberto na esquerda. Com Kléber na direita, o Grêmio passou a atuar num 4-3-3 de muita dedicação tática. O Tricolor correu e marcou muito para sufocar o Cruzeiro até conseguir os dois gols. A entrada de Marcelo Moreno no lugar de André Lima foi essencial. O centroavante boliviano deu outra cara para o ataque gremista.

De uma forma geral, foi muito boa a atuação do Grêmio. Elano e Zé Roberto estão, visivelmente, sentindo a forte sequência de jogos.  Por isso acabou sendo muito importante as boas atuações de Marquinhos, Marco Antônio e Leandro. Certamente são jogadores que serão muito utilizados daqui pra frente. É essencial que estejam confiantes.

Entrevista do Presidente Paulo Odone após o jogo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Grêmio no limite físico e técnico?

Diego Vara/Agência RBS
O empate trágico em 1 a 1 no Olímpico contra o Santos, no último domingo, me parece ser um sinal do limite desse bom Grêmio de Vanderlei Luxemburgo. O time é esse, e não passa disso. E tem até possibilidades de passar, caso Atlético-MG e Fluminense vacilem muito mais que o time gaúcho nessa reta final. Não é a tendência.

No segundo tempo sem Neymar, e com o Peixe com 10 homens em campo,o Grêmio demostrou certa fadiga tática e física. Era o momento da guinada, de encostar no Galo e seguir o BR-12 (e o Flu) com o moral lá em cima. Mas o Grêmio não foi capaz de dar essa guinada, talvez porque essa terceira colocação seja mesmo o limite do plantel gremista.

Quando falo em fadiga tática, me refiro às opções e estratégias tentadas por Luxemburgo nos momentos desfavoráveis ao Grêmio. A entrada de Leandro no segundo tempo, no lugar de um volante,só deu certo contra times mais fracos. Leandro não tem rendido bem. Assim como Léo Gago, que entra eventualmente para fechar o lado do campo e tentar um arremate de fora da área. Pouco surte efeito. O mesmo vale para Marquinhos e Marco Antônio.

Não estou dizendo que estão mal ou que o Grêmio está mal. O Grêmio baixou o ritmo, o que é natural. Até porque os jogadores que fazem a engrenagem do time funcionar, Zé Roberto e Elano, principalmente, já ultrapassam a faixa dos 30 anos. A sequência do Tricolor nos últimos jogos tem Flamengo no Rio de Janeiro, Atlético em Minas, Barcelona numa viajem desgastante para Equador e agora o empate contra o Santos no Olímpico. É uma sequência de alta exigência técnica, física e anímica, sempre usando o time completo (com um ou dois desfalques).

O Grêmio tem, daqui pra frente, a possibilidade de dois fatores novos para ajudar a retomar o bom momento. Primeiro são os possíveis retorno de Bertoglio e Júlio Cesar, jogadores que encorpam o grupo e dão opções de velocidade ao time. Outro fator é construir uma vitória maiúscula sobre o Cruzeiro, no sábado, em casa.

domingo, 23 de setembro de 2012

Estratégia defensiva garante empate para o Grêmio

Sem dúvida nenhuma a vitória era o melhor negócio para o Grêmio, pois momentaneamente passaria a ser o vice-líder do BR-12. Para o Atlético-MG, obviamente que vencer em casa o Grêmio, e aumentar a vantagem para o terceiro colocado, seria excelente. Porém, o empate acaba não sendo tão ruim para nenhum dos dois. Só que é ótimo para o Fluminense, que venceu no sábado e abriu 4 pontos de vantagem sobre o Galo e 7 sobre o Tricolor (lembrando que o Atlético tem um jogo a menos e pode diminuir a distância para um ponto já na quarta-feira, contra o Flamengo).

Reinaldo Bitencourt/AE
A estratégia defensiva de Luxemburgo foi fundamental para o empate. O Grêmio amarrou muito bem o Atlético, e ainda teve duas chances muito claras de marcar. Uma com Souza, no primeiro tempo, e outra com Marcelo Moreno, já no segundo tempo. O Galo não teve mais situações de gol que o time gaúcho, prova da grande atuação do sistema defensivo do Grêmio

No 4-2-3-1 do técnico Cuca, Ronaldinho é o centro do time. Da linha de três meias, o Gaúcho recua para fugir dos volantes e carimbar todas as jogadas, e na maioria das vezes lançar o Bernard que entra na diagonal pela esquerda, ou lançar o Guilherme, que faz o mesmo pela direita. Luxemburgo jogou praticamente num 4-4-2 britânico, segurando os laterais Pará e Anderson Pico como zagueiros,marcando a jogada de flanco do Atlético.

Assumindo essa postura defensiva o Grêmio escolheu jogar no contra-ataque. E certamente Luxemburgo colocou isso na balança, pois ele sabe que, sem a chegada dos laterais, o seu time não tem velocidade para encaixar bons contra-ataques, a não ser que o adversário dê muita bobeira. E o Galo não deu. Cuca espetou seus laterais em cima de Zé Roberto e Elano, adiantando a marcação mineira. Quando o Grêmio roubava a bola, seus principais articuladores estavam no campo de defesa, o que deixava um buraco entre os dois atacantes e o restante do time.

Cuca tentou mudar, colocou Berola e Ronaldinho de atacantes, deixou Bernard na esquerda e abriu o veloz Escudeiro pelo outro lado. A essa altura Luxemburgo já tinha tirado Elano e Zé Roberto (lesão) para colocar Marquinhos e Léo Gago. Na frente, saiu Kleber para entrar André Lima. Ou seja, O Grêmio se fechou. E só pensava em atacar na na base do chutão.

Se um ponto não era o ideal para o Grêmio, a equipe tem seus motivos para comemorar. O sistema defensivo executou um trabalho tático complexo, de forma precisa, segurando um dos melhores times do BR-12. É verdade que faltou o algo a mais lá na frente. Mas Luxa sabe disso, tinha a velocidade de Leandro no banco e não quis usar. O Grêmio planejou o empate e sai satisfeito.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Inter estaciona e Grêmio segue na cola dos líderes

Alexandre Lops/Divulgação ClicRBS
O Internacional não fez má partida contra o Botafogo. Jogou melhor que o time carioca desde o início do jogo. Conseguiu abrir o placar no segundo tempo e depois acabou cedendo o empate. Contudo, ainda teve chances de chegar ao segundo gol.

Como Forlán não iniciou o jogo, Fernandão testou um ataque com Cassiano e Damião, é uma dupla pesada, de homens mais de área. Surpreendentemente funcionou de certo modo. O garoto Cassiano se posicionou mais à direita e conseguiu executar com razoável sucesso o papel de um segundo atacante. Mas no 4-4-2 de Fernandão, mais um vez quem se destacou foi Fred, o meio que jogou pela direita, ao lado de D'Alessandro, e é peça fundamental para os relapsos momentos de bom futebol no Internacional.

Contudo, o empate não é bom. O Inter não avança na tabela, pára na sétima posição com 36 pontos e deixa de diminuir a distância para o Botafogo, que tem 38 e está na quinta posição. O Colorado estacionou na tabela, e a tendência é que siga variando uma ou duas posições pra cima ou pra baixo. Está faltando o algo a mais para o time de Fernandão. A equipe ainda não deu liga e, convenhamos, está cada vez mais se esgotando o tempo para que de fato dê.

O Inter tem uma oportunidade de ouro nas próximas duas rodadas: dois jogos em casa. Nesse domingo o Colorado recebe o Sport, e no próximo, dia 23, quem vem a Porto Alegre é o time do Bahia. É a chance de somar seis pontos em sequência, o que faz uma imensa diferença nessa parte da tabela onde os times têm campanhas irregulares e 2 ou 3 pontos de diferença entre si.

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O Grêmio não teve jogo fácil contra o Náutico, no Olímpico. A vitória só veio no segundo tempo, e com o segundo gol apenas nos acréscimos. Para furar a retranca montada pelo técnico Gallo, que já é habitual dos times que vêm jogar no Olímpico, Luxemburgo usou o recuso que também há muito tempo já utiliza. Luxa desmonta o 4-4-2 tirando um dos volantes (no caso o Fernando) e colocando o atacante Leandro. O Grêmio fica no 4-3-3, com Kléber e Leandro atuando pelos flancos e recuando para recompor se necessário.

Deu mais certo que errado, na média. É a alternativa que o técnico gremista tem achado para tornar seu time mais ofensivo e, ao mesmo tempo, não perder capacidade de contenção. Sendo assim, o Grêmio segue na cola do líder Fluminense e do vice Atlético-MG. Mas esse "na cola" representa uma diferença de 6 pontos do líder e 4 do líder. Não é pouca coisa. O Grêmio precisa, ao menos, vencer duas rodadas e torcer para que os dois que estão acima   percam duas.

A tendência tricolor é realmente segurar a vaga na Libertadores na terceira posição.

domingo, 9 de setembro de 2012

Rodada de tropeços para Grêmio e Inter

Inter 0 x 1 Fluminense
A derrota no Beira-Rio, para o líder Fluminense, é daquelas que serve para desmotivar a equipe e a torcida na disputa por uma vaga na Libertadores ou até mesmo na busca pelo título. Ainda mais para um Inter que não conseguiu encaixar nenhuma sequencia boa de jogos no BR-12, e a medida que o campeonato vai se esgotando, a tendência é que o Colorado mantenha a média irregular.

Fernando Gome/ClicRBS
Fernandão sofreu por não contar com oito jogadores, é verdade. É muito desfalque, ainda mais contra um Fluminense embalado, com o goleador do campeonato, e com um Wellington Nem jogando um bolão, aberto pela direta no primeiro tempo, puxando contra-ataque pela esquerda no segundo tempo, no 4-3-2-1 de Abel Braga.

Ao Inter, que tomou o gol relativamente cedo, faltou penetração. O Inter não criou situações de gol, apesar de ter finalizado mais vezes que o time carioca. Dagoberto e Dátolo sucumbiram à marcação de Edinho, Diguinho e Jean. Pelo lado, às chegadas de Fabrício não tiveram parceria. Faltou bola para o time do Internacional ganhar do líder.

Corinthians 3 x 1 Grêmio
O Grêmio teve o azar de levar dois gols muito cedo. Aos 10 minutos de jogo, já estava 2 a 0, tendo o Corinthians atacado justamente duas vezes. É um aproveitamento incomum, e um resultado que derruba com qualquer planejamento que se faz para um enfrentamento. O Grêmio iniciou o jogo perdendo, praticamente. O que obrigou Luxemburgo a mexer no time muito cedo, colocando Marquinhos no lugar do volante Souza.

O Grêmio teve a posse de bola, buscou o jogo, mas faltou criação. Elano e Kléber não entraram no jogo, e a equipe sentiu. O Corinthians de Tite, de um sistema defensivo muito consistente, não permitiu ao Tricolor quase que nenhuma situação de gol. E isso fez diferença. A blitz gremista não ameaçou o gol de Julio Cesar.

Contudo, é um resultado normal. O Corinthians pós-Libertadores entrou no BR-12 tirando ponto de muito gente. O que o Grêmio precisa focar, a partir de agora, é na forte sequência de jogos que vem pela frente. Se despreocupar com os concorrentes, como fizera no início da boa campanha, e somar pontos, fundamentalmente vencendo em casa.

domingo, 2 de setembro de 2012

Inter mais à vontade com D'Alessandro

A goleada sobre o Flamengo pode ser marcante na trajetória do Inter no BR-12. Além de marcar o retorno de D'Alessandro, Forlán desencantou e marcou duas vezes, Moledo voltou a ser titular e a torcida fez as pazes com o time. Aliás, o clima era surpreendentemente bom entre time e torcida, mesmo depois do gol de Love, aos 14 minutos, em bobeada horrorosa de Muriel.
Mateus Bruxel/ClicRBS
Afinal, antes de tomar o gol, o Inter já era melhor em campo. Se não era tão melhor que o Flamengo, era melhor em relação ao próprio Inter. Fernandão esquematizou um velho conhecido do Beira-Rio no último dois anos, o 4-2-3-1, que trouxe o equilíbrio que faltava nas últimas partidas. O Inter não vencia há quatro jogos.

Com D'Alessandro distribuindo o jogo pelo meio, tendo a opção de procurar Forlán pela direita, acionar Fred na esquerda, e buscar Damião no comando de ataque, o Inter esteve à vontade em campo. Exceto um período de uns 10 minutos depois de sofrer o gol, até conseguir assimilar o golpe e a falha de Muriel.

Com Fred fazendo mais uma grande partida, com Forlán muito afim de jogo e com D'Alessandro aparentemente não sentindo a parada de mais de 30 dias, o Inter soube tocar a bola e avançar até a área flamenguista, com calma e rigor tático, com todos cumprindo (e bem) sua função. O Inter chegou à virada, com naturalidade, ainda no primeiro tempo.

Na segunda etapa, Dorival deu uma ajudinha ao seu ex-clube. O técnico do Flamengo mexeu mau. Tirou Negueba, o melhor rubro-negro em campo, que segurava Fabrício na esquerda e se movimentava na diagonal, confundindo a marcação colorada. Dorival colocou o meia Mathues, um cadenciador, que poderia jogar junto à Negueba. Outro que entrou, e não entrou bem, foi Bottinelli. O Flamengo perdeu velocidade, ao contrário do Inter, que ganhou Fabrício pela esquerda e, já embalado, dominou completamente as ações.

O Inter fez boas mudanças, ganhou em velocidade com Lucas Lima e Dagoberto. Chegou naturalmente ao 4 a 1, contra um Flamengo burocrático, que vive do esforço solitário de Vagner Love e de lampejos de Ibson e Léo Moura.

Para os próximos jogos, o Inter projeta um crescimento possível, mesmo sabendo dos desfalques. É que agora tem D'Alessandro.

Grêmio conquista empate importante

Luxemburgo não gosta de empatar. Na sua conta, e está correta, correr riscos e buscar a vitória dá muito mais lucro que administrar um empate e ganhar penas um ponto. Contra o Palmeiras, no Pacaembu, pela segunda vez no BR-12 o Grêmio empata uma partida. Portanto, são as 13 vitórias no campeonato que qualificam a campanha gremista. É o mesmo número de vitórias que o líder, Atlético-MG.

O Grêmio perdeu Kléber aos 18 minutos do primeiro tempo. O atacante foi expulso depois de deixar o braço no rosto do volante Henrique numa disputa de bola. Jogar com um homem a menos desde tão cedo, aumentou muito o grau de dificuldade da partida. Fator que valoriza o empate, entendendo que, pelas circunstância, era muito mais provável uma vitória do Verdão que uma do Grêmio.
Tom Dib/Lancepress
Com a corda no pescoço, na zona do rebaixamento e com alguns desfalques importantes, o time do Palmeiras entrou comendo grama. Num 4-4-2 parecido com o do Grêmio, portanto duas equipes espelhadas, com a marcação encaixada. Por isso, jogo de muito contato físico e intensa movimentação.

Interessante de perceber é que não era apenas os jogadores do Palmeiras que estavam comendo grama. O time do Grêmio mostrou muito comprometimento tático e entrega física. Depois da expulsão de Kléber, Luxmburgo posicionou duas linhas de 4, com Zé Roberto fechando a meia esquerda e Marco Antônio pelo outro lado. Mais à frente, Marcelo Moreno.

O que correram Moreno, Zé Roberto, Souza, Anderson Pico, foi uma enormidade. O camisa 10 gremista ainda jogou o segundo tempo como único atacante. Deu cada pique como se ainda tivesse 23, não 38 anos. No Palmeiras, algumas boas jogadas foram criadas, principalmente quando Barcos conseguia fugir da boa marcação dos zagueiros, mas o time de Felipão esbarrou em Marcelo Grohe.

O Grêmio ainda teve a sorte de contar com o empate do Fluminense em 2 a 2 com o Figueirense. Assim, o time gaúcho segue com os três pontos de distância do Tricolor Carioca. Tendo em vista que na próxima rodada o Grêmio recebe o Atlético-GO e o Flu pega o Santos, o zero a zero desse sábado pode se converter em vice-liderança no meio da semana.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Inter de Fernandão ainda é incógnita

Imaginava-se - e o próprio clube projetava isso - que a partir do clássico Gre-Nal o Inter passaria a ter uma ideia de que time jogaria o segundo turno do BR-12. No domingo, contra o Grêmio, apenas Élton e D'Alessandro não estavam disponíveis. Mesmo contando com Dátolo e Dagoberto, Fernandão resolvou surpreender e escalar o lateral Kléber no meio-campo, ao lado de Fred.

Por circustância do clássico e da "necessidade" do mistério, o treinador colorado adiou uma possível fotografia do Inter pro segundo turno. Kléber, definitvamente, não vai ser meia. Vai seguir na lateral, com Fabrício indo para o banco - o que já é discutível. Dátolo e Dagoberto, que iniciaram no banco e entraram no segundo tempo, podem ser titulares na sequencia do BR-12, mas ainda não vai ser hoje, contra o Coritiba. Dagobero voltou de lesão e já foi suspenso pelo terceiro amarelo. Dátolo também, voltou há três jogos, jogou meio tempo contra o Corinthians, cumpriu suspensão contra a Lusa e jogou mais meio tempo contra o Grêmio. Sentiu o pubis duramte os treinos e não joga as duas próximas rodadas.

Levando em consideração que D'Alessandro pode voltar no domingo, contra o Flamengo no Beira-Rio, quer dizer que o Inter vai ter de esperar mais duas rodadas para conhecer um esboço de time. Pelo menos do meio-campo pra frente, pois, ao que tudo indica, Bolívar e Juan seguirão como titulates e Ygor e Guiñazu serão os dois volantes. Ficam em aberto mais quatro vagas para: Fred, D'Alessandro, Dátolo, Dagoberto, Forlán, Damião e Rafael Moura. Setes nomes.

Inevitavelmente,algum medalhão vai ficar no banco, e esta é sempre uma situação complicada de lidar. Será que o jovem diretor de futebol colorado, Luciano David, e o jovem treinador Fernadão, saberão conduzir esse processo de definição dos titulares?

Forlán já começa a ter sua titularidade contestada pela torcida. Dagoberto ainda não deslanchou em 2012, assim como o próprio D'Alessandro. Na bola, Fred e Dátolo renderam mais nessa temporada. Será que conta?  Acho que Fernadão ainda tem espaço e argumento para tentar fazer sua equipe ideal jogar. O meu Inter ideal para o restante da temporada está escalado no 4-2-3-1: Muriel; Nei, Moledo, Juan, Fabrício; Élton, Guiñazu; D'Alessandro, Forlán, Dagoberto; Leandro Damião.

domingo, 19 de agosto de 2012

Grêmio mostra grupo afinado e goleia lanterna

O melhor jogador da partida foi Marcelo Moreno. O centroavante gremista saiu da área para buscar jogo e foi bem, finalizou duas bolas na trave e ainda deu três assistência. Na goleada de 4 a 0 sobre o lanterna Figueirense, talvez tenha sido ele o jogador mais importante. Só que o Grêmio jogou bem como um tudo, o time funcionou e fez o que tem que fazer jogando em casa contra uma equipe mais fraca: empilhou chances de gol e fez um placar elástico.

O time catarinense veio com uma proposta suicida. No 4-3-1-2 de Hélio do Anjos, o meia ofensivo e os dois atacantes, Caio e Aloísio, ficavam completamente afastados do restante do time, e muitas vezes confrontavam cinco ou seis jogadores gremistas quando, eventualmente, alguma jogada de contra-ataque encaixava. Atrás da linha da bola, oito jogadores marcando muito mal, deixando um buraco no meio-campo, permitindo muito jogo a Fernando, Souza, Edilson e Pico. O Figueirense chamou o Grêmio pro seu campo e acabou levando quatro. Por pouco não deixa Porto Alegre com um resultado mais amargo.

Um dos destaques do Grêmio foi Anderson Pico, pela boa partida, pelo fator recuperação e porque atua numa posição que o grupo gremista tem carência. Esse jogador, se colocando à disposição de Luxemburgo, se comprometendo com sua própria carreira, pode assumir a posição que, até agora, tem sido de Pará.

Já Leandro é uma afirmação em termos de grupo. A dupla titular de ataque é Kléber e Marcelo Moreno, mas nem sempre se pode contar com esses jogadores. Neste sábado, Kléber estava suspenso, e seu substituto, justamente o Leandro, foi autor de dois gols. Isso é importante para fortalece o ânimo de quem é opção, e não titular absoluto. A mesma máxima se aplica a André Lima, que novamente entrou no segundo tempo e deixou o seu.
Diego Vara/ClicRBS
Um grupo fechado, sem problemas de vestiários, aumenta suas chances de sucesso. Nos dois primeiros gols, todos os jogadores de linha correram para se abraçarem, assim como absolutamente todos os reservas se abraçaram e comemoraram muito à beira do campo. E detalhe que foram gols solidários, Moreno podia finalizar nos três lances em que deu assistência, o que seria habitual para o centroavante, mas preferiu servir o companheiro. São sintomas de um grupo fechado e afinado.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Inter que ainda precisa de afirmação

A campanha do Inter não é ruim. Hoje, o Colorado ocupa a 5° posição, tem 30 pontos, está nove pontos atrás do líder e apenas um ponto do Grêmio, que é o 4° colocado. O problema é que o Inter ainda não convenceu em 2012. Não engatou uma boa sequência de vitórias e ainda não conseguiu definir uma equipe titular. Se definiu, não colocou para jogar - como tanto reclamou Dorival antes de sua demissão, como ainda pouco reclama Fernandão depois de sete jogos.

O Inter precisa, antes de tudo, de auto-afirmação. A impressão que fica é de que o grande desconforto colorado, no momento, é ficar atrás do Grêmio no BR-12. O agravante é que o Inter já teve mais de uma chance de passar o Tricolor, se sempre fracassou.

Apesar da incômoda derrota para a Portuguesa, no Olímpico, o Grêmio se encontra num estágio mais avançado de formação de time que o Inter. Para um time que está conseguindo vencer fora de casa, tropeços em casa fazem parte do script. É um equilíbrio comum.  Incomum é vencer todas no Olímpico e não vencer nenhuma fora dele, como vem sendo nos anos anteriores.

A partir desse final de semana, Fernandão passará a contar com um grupo de jogadores menos esfacelado. Rafael Moura chegou e já jogou na quinta, na derrota para o Corinthians. Não deve seguir como titular. Quem fechará o ataque com Forlán, naturalmente, é Leandro Damião. Guiñazu também volta ao time, Kléber está disponível. Dátolo já pode jogar (mas cumpre suspensão contra a Lusa), e Dagoberto e D'Alessandro voltam aos treinamentos na próxima semana.

A partir daí Fernandão passa a ter outras perspectivas de equipe. Pode finalmente definir seu time e saber do real poder de fogo desse grupo de jogadores. Estamos na segunda quinzena de agosto e ainda não sabemos ao certo quem é o Inter 2012, e este é uma fator preocupante. Um sintoma que se reflete no campo.

Sorte do Inter que não se refletiu tanto na campanha. Se o time encaixar e conseguir padrão de jogo nas próximas rodadas, tem potencial para recuperar o perdido até agora.

O meu Inter ideal, no 4-2-3-1: Muriel; Nei, Moledo, Juan, Kléber; Élton, Guiñazu; D'Alessandro, Forlán, Dagoberto; Leandro Damião.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vitória que credencia

O Grêmio conquistou uma grande vitória no domingo, contra o São Paulo, no Morumbi. Vitória de 2 a 1, fora de casa, contra um clube grande que, embora não viva seu melhor momento, também anseia voos maiores no BR-12.

Essa vitória sobre o São Paulo pode ser simbólica. Estamos diante de um Grêmio pronto, maduro e qualificado o suficiente para disputar as primeiras posições e buscar o título? Em parte, entendo que sim. O time de Luxedmburgo está pronto, e o grupo está fechado. Não chega mais nenhum contratado, e quanto a equipe titular, o máximo que pode mudar são as laterais. Direita, Edilson é o mais titular, mas Tony corre por fora e tem chances. Na esquerda, Pará "quebra um galho" como titular desde que chegou ao Olímpico, junto com o treinador. Por ali, os da posição, Julio César e Marco Aurélio, não conseguem jogar devido às diversas lesões.

Pela partida que fez, se aproveitando de um São Paulo fragilizado, ainda em formação, e conseguindo virar um resultado de 1 a 0 para o 2 a 1, fora de casa, se valendo de opções do grupo como Marquinhos e André Lima, e também por outras partidas, como o Batafogo no Rio, o Fluminense no Olímpico, dão sinais que o time alcançou um grau importante de maturidade. Sobretudo após as entradas de Zé Roberto e Elano, somadas aos retornos de Kléber e Moreno, que finalmente conseguiram uma sequencia jogando juntos.

Luxemburgo achou uma maneira de jogar, fixou o 4-4-2 abrasileirado, com dois meias, dois volantes e dois atacantes. Tem alternativas, como o 4-3-3 que venceu o Sport por 3 a 1 ou até mesmo o 4-4-2 britânico, eficaz contra o Botafogo de Seedorf.

Projetar uma disputa de título ainda é inviável, pois no cenário atual de do BR-12, o Atlético Mineiro, o Fluminense e o Vasco estão um passo à frente dos demais. Principalmente o Galo. O Flu, ao que tudo indica, é quem pode alcançar o time mineiro. O Grêmio, por enquanto, é o time mais forte depois destes três , e tem possibilidades de se fixar no bloco dos ponteiros da tabela.

As duas próximas partidas são no Olímpico, contra equipes que, teoricamente, representariam maiores facilidades ao Grêmio. Se o Tricolor confirmar dois bons resultados, podem ser seis pontos essenciais para a sequencia da competição.

Hoje o Grêmio enfrenta a Portuguesa, às 19h30. No final de semana, recebe o Figueirense.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Inter perde dois pontos contra o Náutico

 O empate em 0 a 0 contra o Náutico, no Beira-Rio, pegou mal para o Inter. Foi, certamente, a pior atuação colorada ao comando de Fernandão. Ainda que a amostragem seja pequena, de apenas cinco jogos. É o tipo de resultado que expõe as carências do grupo colorado, carências que são percebidas mesmo nos resultados positivos.

Sem o volante Élton, destaque nos últimos jogos, Fernandão optou em manter o 4-3-1-2, mas como Bolatti à direita do losango de meio-campo, solto, chegando bastante na frente e achando Nei em algumas boas oportunidades. Só que o argentino não gosta de jogar assim, e Nei não conseguiu dar sequencia em nenhuma jogada. Pelo outro lado, equivocadamente, Guiñazu e Fabrício ficaram mais presos, preocupados com Rhayner e Souza, destaques do Náutico.

O Inter precisava arriscar. O 4-2-3-1 do Gallo encaixou a marcação. Souza, que iniciou a carreira como volante, fez bom jogo atuando por dentro no trio de meias, só que sensivelmente mais recuado - como Tinga em 2010, no esquema similar usado por Roth para vencer a Libertadores.

No segundo tempo Fernandão tentou deixar a equipe mais ofensiva com Marcos Aurélio e João Paulo. Pouco funcionou, pois faltou mecânica de jogo, faltou tabela e passagem pelos lados. Coisas que só se adquire com trabalho e com tempo.

Pelo outro lado, O Náutico estava fadado ao contra-ataque, mesmo que o Inter pouco ameaçasse. O time pernambucano pode reclamar de um gol mal anulado, marcado por Araújo, no segundo tempo. Assim como o colorado pode abrir a boca para um possível pênalti em Nei.

O Inter ainda sofre com os desfalques. Sofre com a falta de paciência da torcida. Mas os resultados não são tão ruins. O Inter não disputa o título, ainda, entretanto está na briga pela Libertadores. Poderá, quem sabe, galgar melhor sorte quando Fernandão contar com um grupo menos esfacelado.