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domingo, 10 de agosto de 2014

Inter impõe superioridade em clássico equilibrado

Se algo de bom é possível o Grêmio tirar de mais uma derrota em Gre-Nal é a oportunidade de pisar os pés no chão, acabando com a ilusão que o simples retorno de Felipão traria de volta o time multicampeão dos anos 90.  O técnico até tentou mudar a fotografia da equipe: escalou Ramiro na lateral direita, Pará na esquerda, promoveu o retorno de Werley na zaga e Rodriguinho no meio e ainda as estreias dos volantes Felipe Bastos e Walace, de 19 anos.

O clássico, contudo, foi equilibrado a maior parte do tempo. Abel Braga optou pelo 4-2-3-1, sacando Alan Patrick e colocando Aranguiz na linha de três meias, mantendo Willians e Wellington como dupla de volantes. Do outro lado, o Grêmio atuou no 4-1-4-1, tendo o jovem Walace como jogador posicionado à frente da linha defensiva. O estreante foi apenas discreto, e talvez o tricolor precisasse mais do que um jogador discreto.

O Grêmio começou o jogo cometendo muitas faltas e se preocupando em não deixar o Inter articular. A partir dos 20 minutos do jogo o time de Felipão parecia ter acertado seu jogo, conseguindo trocar a bola e assustar o rival através de investidas e chutes de média distância. O sensível predomínio do Grêmio, entretanto, durou até os 16 minutos da segunda etapa, quando o Internacional fez boa trama pela esquerda e abriu o placar com gol de cabeça do chileno Aranguiz. Era a primeira chance de gol colorada.

Diego Guichard/GloboEsporte.com

O Inter tomou conta do Gre-Nal 402 a partir de então. O Grêmio faliu animicamente e não se acertou mais. O segundo gol foi consequência. A partida é uma espécie de retrato do futebol gaúcho nos últimos dez anos. Enquanto o time do Beira-Rio se agiganta em jogos decisivos, sobretudo contra o rival, a equipe tricolor perde confiança ano após ano e escancara uma dificuldade tremenda em vencer partidas fundamentais.

Jogadores inteligentes dentro e fora de campo, como D'Alessandro e Alex, além da qualidade técnica, possuem uma compreensão tática diferenciada, e um espírito de liderança dentro das quatro linhas que acabam ajudando o Internacional a se impor nos clássicos diante do Grêmio. Foi o que aconteceu neste domingo, no primeiro Gre-Nal do Beira-Rio remodelado. 

A vitória credencia o Internacional a buscar o líder Cruzeiro. O time de Abel Braga tem capacidade. Ao Grêmio, resta trabalhar, tentar mudar cada vez menos e buscar resgatar a confiança do grupo de jogadores.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

E o Inter, hein?

Estive no Beira-Rio ontem e acompenhei a derrota por 2 a 0 para a Portuguesa. Foi umas das piores atuações do ano. O chamado fato novo, que foi a demissão do técnico Fernandão, não surtiu nenhum efeito. Impressão que ficou é a de que o time correu menos. O Inter foi completamente submisso à marcação da equipe que ainda briga para não cair, e sofreu com os contra-golpes puxados pelo atacante Ananias - ele que também desmanchou o Grêmio, no Olímpico, no 1° turno.

Curioso que com essa estrutura de time, com Forlán e Damião no ataque e um losango no meio, com Ygor, Guiñazu na esquerda, Fred na direita e D'Alessandro na articulação, há alguns jogos o Inter conquistou bons resultados e até conseguiu duas vitórias seguidas.

O Inter agora divide atenções na contratação de um novo treinador - deve ser o Dunga - e na preparação para o Gre-Nal. É o jogo do ano, não só para o Inter.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Gre-Nal aparentemente sem crise

Ditado comum na aldeia do futebol gaúcho é que Gre-Nal tira da crise e põe na crise. Ou seja, ganhar o clássico significa sempre um gás a mais, uma luz no final do túnel de quem não vive bom momento. Perdê-lo é exatamente o contrário, é a luz enfraquecendo, o sintoma que as coisas não vão bem. Gre-Nal faz técnico balançar.

Curiosamente, o clássico de número 393 deste domingo, válido pela última rodada do primeiro turno do BR-12, não tem essa característica. Me parece que os dois vestiários estão muito bem blindados para uma possível crise pós-grenal. Não acontecendo uma goleada de proporções históricas, ou algum fato muito inusitado, nem Fernandão, nem Luxemburgo balançam caso sejam derrotados.

Guilherme Becker/Agência RBS
Fernandão porque está iniciando um trabalho, tem a simpatia da direção, do grupo de jogadores e da torcida. Não faz má campanha, tem apenas uma derrota em oito jogos, soma 31 pontos estando na 5° colocação. Tem três pontos a mais que o sexto colocado (São Paulo) e três pontos a menos que o quarto (Grêmio).

É fato que Fernandão passou a contar com seus melhores atletas apenas agora, questão de uma ou duas semanas. Antes disso trabalhava com um grupo esfacelado, repleto de desfalques. É um aspecto que pesa na avaliação de qualquer trabalho, e soma-se aos outros motivos que garantem um ambiente longe de crises no Internacional.

Do lado do Grêmio, a primeira vacina anti-crise é a classificação do BR-12. Mesmo perdendo, o Tricolor não perde posição, segue na quarta colocação, podendo ser alcançado em número de pontos apenas pelo próprio Inter, mas ganha do rival nos critérios de desempate.

Bons resultados recentes, como o 2 a 1 contra o São Paulo, o 4 a 0 sobre o Figueirense, e a classificação para as oitavas de final da Copa Sul-Americana, engrandecem o aspecto psicológico da equipe gremista. Com um plantel de jogadores experientes e uma comissão técnica que tem confiado muito no planejamento do clube, o Grêmio saberá avaliar o real peso que seria uma derrota no clássico. Não há o mínimo motivo para crise. Sinto no Grêmio um vestiário também blindado, com plenas condições de lidar com qualquer situação, sem alarde, sem perder os rumos.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Em Grenal equilibrado Inter fica no G5

Foi ali, em cima do laço. Foi na sorte de contar com os resultados paralelos. Foi, também - e sobretudo - na vitória no clássico, sobre um Grêmio sem nada a perder, sem nada a ganhar, mas com a motivação de tirar o Inter da Libertadores de 2012. A motivação gremista durou até os 16 minutos do segundo tempo, quando Oscar foi derrubado na área por Rochemback e D'Alessandro teve a chance de vencer Victor mais uma vez, de novo em cobrança de pênalti. 1 a 0 colorado. Depois do gol, o Grêmio baixou a guarda e o Inter, junto com o Beira-Rio, cresceu. Damião e Gilberto perderam a chance de ampliar o placar. 
As duas equipes iniciaram o jogo sem surpresas. A surpresa foi um Inter pouco perigoso, ameaçando em raras oportunidade o goleiro Victor, de boa atuação. Não que o Grêmio tivesse ameaçado o Inter. Não ocorreu, mas visto a motivação de ambas as equipes, teve o Tricolor maior felicidade no primeiro tempo. Com 4-2-3-1 de Celso Roth, os laterais colorados não conseguiram jogar, pouco fizeram ao serem acompanhados por Marquinhos e Escudero. Porém, aos dois meias gremistas, faltou a contribuição ofensiva. Outro destaque negativo do lado gremista foi Rochemback, sem o mesmo brilho de outros jogos. De bom, o Grêmio teve a dupla de zaga formada por Vilson e o promissor Saimon, e o volante Fernando.
Dorival Junior manteve os dois atacantes e os dois meias. Um 4-4-2 bem brasileiro, que teria tudo para dar mais certo caso Damião tivesse um parceiro mais adequado. Gilberto não é mau jogador, mas Zé Roberto (que entrou no final), em forma, seria o jogador certo do elenco atual.
O torcedor colorado tem o que comemorar. Não poderia ser de outra forma, não poderia ser em outro campeonato. No BR-11 de emoções e definições na última rodada, ficou para os últimos minutos a pressão do Grêmio, num 4-3-3 com Leandro, Miralles e  André Lima, com Victor na área tentando finalizar, com Celso Roth indo embora, entregando o chapéu, mas não entregando o ouro. Que na verdade é prata, pois a vaga na Libertadores não é direta, só é melhor que nada.