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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O confronto de características do Gre-Nal 402

O Inter de Abel Braga tem uma vantagem valiosa sobre a equipe gremista do recém chegado Luiz Felipe Scolari: o colorado tem uma maneira de jogar, tem uma característica, uma identidade desde o início da temporada. Coisa que o Grêmio passa longe de ter. Embora possamos questionar a falta de velocidade do Internacional, é preciso reconhecer que a cadência e a qualidade técnica individual para trocar a bola no setor ofensivo é uma característica que tem levado o colorado a resultados razoavelmente satisfatórios: venceu o Campeonato Gaúcho, vem passando de fase na Copa do Brasil e é o terceiro colocado no BR-14, com a mesma pontuação que o vice-líder e quatro pontos atrás do Cruzeiro. Além, é claro, de ter vencido os dois clássicos do ano.

Com o retorno do chileno Aranguiz, o técnico Abel Braga não deve fugir muito do 4-2-3-1, com a opção de variar para o 4-1-4-1 . A dúvida ainda é: quem sai para a volta do chileno? Os meias Alex e Alan Patrick mais o volante Wellington são os mais cotados. Pouca coisa muda seja qualquer um deles a deixar a equipe. O posicionamento segue similar. Contudo, a volta de Aranguiz representa uma válvula de escape interessante, pois se trata de um jogador leve, com fôlego para entrar na área quantas vezes for preciso e ainda recompor o posicionamento na hora de defender. É um jogador que destoa do toque cadenciado e acelera a mecânica colorada.

Montagem PoA Geral. Fotos: Fernando Gomes e Felix Zucco/Agência RBS

Por outro lado, o Grêmio é uma incógnita. Apesar de um grupo de jogadores qualificado para disputar campeonatos nacionais, a montagem da equipe sofre muito pela falta de continuidade. Uma derrota qualquer no contexto tricolor tem pesado muito, obrigando diretoria e comissão técnica a cederem invariavelmente à pressão externa, protagonizando frequentes mudanças. O Grêmio não tem um rosto, não tem uma característica, se mostra uma equipe mutante, diferente a cada jogo.

É, sem dúvida, uma desvantagem que tem Felipão para o clássico. Qualquer escalação parte de uma desconfiança completa. O Grêmio de hoje precisa provar a todos que é bom time, e esse tipo de sentimento afeta o rendimento do grupo. O maior exemplo disso é desempenho do clube nos clássicos da última década, em que o tricolor geralmente perdia e tinha sérias dificuldade de vencer mesmo quando a qualidade entre Inter e Grêmio era equivalente.

O Gre-Nal 402 tem, como sempre, uma importância maior que apenas os três pontos. Não creio que uma derrota normal signifique algo de negativo na continuidade dos trabalhos de Abel e Felipão. O primeiro por já estar consolidado, e o segundo por estar iniciando uma jornada. Entretanto, uma vitória do Inter pode significar uma guinada interessante, enchendo o time de confiança na perseguição ao Cruzeiro. Enquanto no Grêmio, a vitória auxilia na remontagem da equipe, trazendo a simpatia da torcida novamente para junto ao grupo e respaldando uma escalação que finalmente poderá ganhar sequência. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Imposição física e velocidade surpreenderam o Inter

A maneira de jogar da equipe que é líder da Série B do Brasileirão não foi surpresa para o Inter de Abel Braga, na primeira partida da terceira fase da Copa do Brasil, na noite de quarta-feira, no Beira-Rio. Presumo que a comissão do Internacional tenha estudado e analisado muitos jogos do adversário. O que o time da casa não esperava era que a execução do Ceará, um dos melhores ataques do ano até aqui na temporada, fosse tão boa. Ou boa o suficiente para amarrar um colorado em péssima noite, que mesmo com os desfalques de Wellington, Wellington Silva e Aranguiz tem mais time, no papel, que a equipe comandada por Sérgio Soares.

O abafa inicial foi do Ceará, sempre muito bem postado em campo, investindo na marcação alta, para roubar a bola dentro do campo do Inter - o que aconteceu diversas vezes. Dessa maneira saiu o primeiro gol, aos 9 do segundo tempo. Mas assim também já tinha ocorrido o pênalti para a equipe cearense, que Dida pegou, aos 15 da primeira etapa. O Inter ficou desorientado com a postura do adversário, que se colocava em um 4-4-2 bem ortodoxo, fechando bem os flancos com seus meias abertos, recuando para ocupar espaço, deixando os dois atacantes Magno Alves e Bill dificultando a saída de bola feita por Willians e os dois zagueiros colorados Paulão e Juan. Tudo isso com muito força física e velocidade.

Em contra partida, por característica um time lento, o Inter encontrou muitos obstáculos para colocar a bola no chão e fazer valer sua técnica. Dos três meias posicionados atrás de Rafael Moura, nenhum é de velocidade: D'Alessandro pela direita, Alex pelo centro e Allan Patrick na esquerda. Sendo que esses dois últimos ocupavam muitas vezes o mesmo espaço, dificultando a mecânica colorada.

Bruno Alencastro/Agência RBS
O Inter até chegou ao empate, mas só no momento em que o Ceará se recolheu e aceitou a pressão normal do time da casa que está perdendo e mistura pressa com velocidade, vontade e necessidade. De forma desorganizada, com um chute belíssimo de longa distância, o colorado fez seu gol com Alan Ruschel, que entrou no lugar de Fabrício. Logo na saída de bola, já nos acréscimos, o Ceará aproveitou o desespero e a desorganização do time de Abel e conseguiu sair na cara de Dida e fazer o 2 a 1. Com justiça, diga-se de passagem.

No jogo da volta o Internacional precisa vencer por dois gols de diferença para passar de fase ou vencer pelos mesmos 2 a 1 para ir para os pênaltis. Qualquer empate serve ao Ceará. A missão, é claro, ficou mais complicada, ainda mais que a partida será três dias após um Gre-Nal, do outro lado do país, portanto uma viajem desgastante. Mas a verdade é que o Inter tem toda condição de jogar mais e fazer o resultado que precisa, sobretudo com o retorno dos desfalques.

sábado, 7 de junho de 2014

Vamo, vamo Inter

Vamo, vamo Inter. Vamos de novo, afinal o final faz parte. Não do jeito que foi, e quem sabe o jeito que deveria ser?  O mais certo é que poderia não ser, não assim, de repente, aos 36 apenas.

Vamo, vamo Inter. Foi ele quem pediu, na condição de capitão não só de um clube, mas de uma nação vermelha. E o Inter foi. O torcedor colorado sabe muito bem disso, todos nós sabemos.

Vamo, vamo Inter. Porque hoje não é por ser gremista ou colorado, é por ser desportista, é por saber reconhecer e respeitar quem foi mais que grande, foi gigante. Nesse sábado triste, somos F9 antes de qualquer cor ou bandeira.

Vamos, mesmo não sendo fácil acreditar ou aceitar. Mesmo que estejamos aqui, distantes, nos baseando apenas pela relação estabelecida através do futebol, que na prática, na análise fria, é distante da maioria, mas que emocionalmente torna tudo muito próximo.

Vai, Fernandão. Nós vamos daqui, vermelhos e azuis, sabendo que foi cedo, e tendo a noção que foi uma honra e um privilégio ter um jogador de futebol da tua categoria atuando no Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Final de semana do protagonismo colorado

Dois dias para morrer de orgulho de ser colorado. Sábado e domingo para reviver um passado glorioso e vislumbrar um futuro de conquistas. Porque o Sport Club Internacional foi gigante nesse final de semana, em Porto Alegre, onde nasceu e de onde saiu para ganhar o Mundo. Não há torcedor que não tenha se sentido invencível diante da imponência de seu remodelado estádio. Invencível como aquele timaço campeão brasileiro em 1979, comandado por Paulo Roberto Falcão, dito Rei de Roma - mas filho do Gigante da Beira do Rio.

Ricardo Duarte / Agência RBS
Sob a regência e direção artística de Edson Herdman, a noite de 5 de abril de 2014 foi mágica na capital gaúcha. O Estádio Beira-Rio voltou, depois de dois anos de reformas. Não há argumento racional que explique o que o Inter fez para com seus ídolos. Colocar os protagonistas dos principais títulos da história do clube, no meio do campo, décadas depois, para serem ovacionados, aplaudidos de pé, homenageados como de fato merecem. Futebol é paixão, e a produção do show de reinauguração soube explorar toda emoção de uma torcida que estava longe de sua casa, palco de batalhas épicas e conquistas inesquecíveis.

Bruno Alencastro / Agência RBS
O Inter não esqueceu, nem de Gabiru, Damião, Pinga, Tinga, Fabiano, Rubem Paz e tantos outros, todos gigantes na história do clube. Colher depoimento dos ex-jogadores foi uma baita sacada. E aquele telão imenso, acima da nova cobertura? Ali Fernandão e D'Alessandro contemplaram a nação vermelha que os idolatra. No gramado, estes dois últimos, mais Figueroa e Falcão, sem dúvida nenhuma os mais festejados. Dispostos, felizes e emocionados.

Domingo foi de jogo. É de futebol que vive o Beira-Rio. O Peñarol escapou de uma goleada. Não fosse um Inter com 12 substituições na segunda etapa, tirando o pé em um jogo absolutamente tranquilo, seria goleada. O time uruguaio só não escapou do craque argentino. D'Alessandro, o ídolo do presente, autor dos dois gols da vitória.

Bruno Alencastro / Agência RBS
E pra fechar com chave de ouro os dois dias de comemorações, o choro emocionado de Índio, o zagueiro de tantos anos, tantos jogos, inúmeros gols - inclusive em Gre-Nais - e importantes títulos. Foi ele que ergueu a Taça após a vitória sobre o Peñarol, foi ele que deu a primeira volta olímpica do reformado Beira-Rio, aos prantos, saudando a torcida que terá saudade, em pouco tempo.

Teve coisa que não deu certo? Teve, evidente. O entorno do estádio ainda deve. E deve ficar pronto em algumas semanas. Para o Gre-Nal não. Embora haja grande chance que o clássico decisivo seja mesmo disputado no palco luxuoso da Av. Padre Cacique. Mas ficou provado que o Beira-Rio está pronto o suficiente para receber de forma razoável grandes eventos, mesmo faltando acertar e afinar alguns detalhes.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Dupla Gre-Nal volta a sobrar

Vieira / Agência RBS
Não faltou vontade e valentia aos adversários de Grêmio e Internacional nesse final de semana. Contudo, é cada vez mais complicado para as outras equipes do Gauchão fazer frente aos dois grandes da capital. Nesse domingo, o Esportivo foi completamente dominado no primeiro tempo pelo mistão armado por Enderson Moreira. O Tricolor abriu 3 a 0 e, com o relaxamento natural, até porque o adversário já tinha um jogador a menos, a equipe de Bento Gonçalves cresceu na partida, fazendo um segundo tempo surpreendente e descontando no placar.

O Grêmio, quando quis jogar, foi muito superior. No 4-2-3-1, um time leve, com dois volantes marcadores e de bons recursos técnicos: Ramiro e o capitão Riveros. Na frente, um Luan sempre insinuante pela esquerda, um Alan Ruiz de bons lampejos mas discreto pelo centro e um Maxi Rodrigues ainda devendo pela direita. O centroavante Everaldo aproveitou uma das únicas oportunidades que teve e acabou marcado. Ao que tudo indica, esse jogador passou à frente de de Lucas Coelho como reserva de Barcos.

Já em Porto Alegre, no sábado, o primeiro evento teste do reformado Estádio Beira-Rio. Sem entrar no mérito de ser ou não o jogo de reinauguração, é preciso exaltar o Gigante Para Sempre. A casa do Internacional ficou lindíssima. E lá, no novo "velho casarão", o Colorado segue mandando, mesmo que o Caxias tenha quase aberto o placar.

A equipe de Abel Braga segue jogando da mesma forma, no 4-1-4-1. Sem Alex, o técnico optou por Alan Patrick, jogador de poucas oportunidades na temporada passada mas que vai achando seu espaço entre as principais opções do novo comandante da equipe. O meia fez partida razoável.

O destaque ficou para Fabrício e Rafael Moura. Cada um autor de dois gols na vitória por 4 a 0. Abel deve estar feliz, pois está recuperando a confiança de dois jogadores que estavam em baixa e que hoje não têm opções confiáveis de substitutos no elenco colorado. Contudo, são suficientes para o restante da temporada? Mesmo que venham sobrando no Gauchão, é apensas o Gauchão.

terça-feira, 30 de julho de 2013

As derrotas de um Gre-Nal de torcida única

O Ministério Público acatou o pedido da Brigada Militar: o clássico 397 terá presente apenas a torcida do Grêmio. A BM avaliou que não teria condições de dar segurança ao torcedor colorado no deslocamento do Beira-Rio até a Arena. A decisão implica, necessariamente, em duas derrotas doloridas para todos nós.

A primeira, e mais urgente, é a desistência do poder público quanto a inibição do torcedor violento. A tabela do BR-13 é conhecida desde o início do ano, portanto sabe-se a data e o local do clássico há bons meses. Se nesse tempo todo a BM não achou maneira de viabilizar um Gre-Nal na Arena, qual é a perspectiva de que isso aconteça nos próximos anos? Temo que o próximo domingo marque o início de uma era triste: a dos clássicos de torcida única.

A Brigada Militar, dessa forma, admite publicamente que o torcedor violento está vencendo e, aos poucos, se tornando em um monstro incontrolável e absoluto dentro dos estádios de Inter e Grêmio. Essa sensação de impotência da BM e de eminente tensão nos campos de futebol, absolutamente em nada corresponde com a verdade. A violência dentro do estádio existe, mas infelizmente o terrorismo que se faz em torno de focos isolados - identificados e identificáveis - a torna um artificio para que o torcedor bom abandone os jogos.

Ao contrário do que parece, o torcedor ruim não tem força para enfrentar o poder público. Basta, contudo, que esse poder em questão faça-se presente. Não batendo, nem jogando spray de pimenta ou caindo em provocação barata, mas sim identificando, prendendo, cadastrado e inibindo a presença do malfeitor no estádio. Se por um lado é ousadia, e desacato à autoridade, chamar o policial pra briga e xingá-lo de tudo quanto é forma, do outro lado é completamente besta e antiprofissional corresponder da mesma forma. Me preocupa que o policial aja como um torcedor irracional e descontrolado. Ele precisa ser íntegro, calmo e assertivo, mesmo não deixando de ser rígido, por mais que isso pareça impossível, é o papel da policia, e precisa ser cumprido.

A segunda derrota é a nossa quanto sociedade civilizada. É inadmissível que tenhamos que ser escoltados por policiais militares para que não entremos em confronto corporal com torcedores de times rivais. Por um esporte. Por uma camiseta vermelha ou azul. Por um gol, um título a mais, uma taça a menos. Por bobagens simbólicas nos matamos, e só não o faremos porque estamos sendo vigiados, filmados ou policiados. É uma pena. 

Que o poder público não vire as costas e aposte em políticas severas de punição para que possamos todos ser mais civilizados. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Em busca da mística

Começou o ano. Não só aqui no PoA Geral, mas também no Beira-Rio e no Olímpico. Ou quem sabe no Centenário e na Arena, que serão palcos das principais partidas de Internacional e Grêmio em 2013. Pelo lado colorado, casa emprestada, em Caxias do Sul, enquanto seu estádio segue em reforma. Já o tricolor não, este passa a jogar de forma definitiva em sua nova estadia.

Deixando um pouco de lado as questões técnicas, táticas, de preparação e contratações, quero me ater a outro fator comum aos dois clubes nessa temporada que se inicia. Ambos, a partir de agora, precisam reconquistar a mística de jogar em casa, precisam dar alma aos dois novos estádios.

A Arena é do Grêmio, mas ainda não é o Grêmio, assim como, por 58 anos, foi o Olímpico. Time, torcida e estádio, tudo uma coisa só. Coisa de identidade, associação direta, intimidação do adversário e inflamação anímica do atleta gremista, que sente que ali é o seu território, ali ele consegue correr e jogar duas vezes mais. É este tipo de identificação que o Grêmio busca selar com a sua Arena a partir de hoje. A nova casa precisa adquirir alma, e isso passa diretamente pelo comportamento da torcida.

No caso do Inter, é temporário, mas não menos importante. Até porque o colorado ainda fará alguns jogos em Canoas enquanto o Centenário, em Caxias, não estiver 100% para receber as partidas. A direção colorada anunciou algumas medidas que garantem ao sócio do clube as mesmas possibilidades do Beira-Rio. O Inter inclusive estuda parceria com empresas de ônibus para garantir transporte de ida e volta para os jogos com valores acessíveis, algo entre 15 e 30 reais.

Em 2012 os jogos no Beira-Rio em obras foram melancólicos. O clima em torno do estádio acabou sendo um dos fatores que entrou na conta que resultou na má temporada do Internacional. Desfalques, crise de vestiário, opções técnicas e táticas equivocadas e um estádio que não pulsou. O Beira-Rio passou longe de ser tudo o que representa para o futebol colorado. Compreensível, pois o momento é de reforma e não há como ser diferente.

Sem seus velhos casarões, uma das tantas missões de Grêmio e Inter em 2013 é buscar a mística de jogar em casa, agora em outros gramados.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

E o Inter, hein?

Estive no Beira-Rio ontem e acompenhei a derrota por 2 a 0 para a Portuguesa. Foi umas das piores atuações do ano. O chamado fato novo, que foi a demissão do técnico Fernandão, não surtiu nenhum efeito. Impressão que ficou é a de que o time correu menos. O Inter foi completamente submisso à marcação da equipe que ainda briga para não cair, e sofreu com os contra-golpes puxados pelo atacante Ananias - ele que também desmanchou o Grêmio, no Olímpico, no 1° turno.

Curioso que com essa estrutura de time, com Forlán e Damião no ataque e um losango no meio, com Ygor, Guiñazu na esquerda, Fred na direita e D'Alessandro na articulação, há alguns jogos o Inter conquistou bons resultados e até conseguiu duas vitórias seguidas.

O Inter agora divide atenções na contratação de um novo treinador - deve ser o Dunga - e na preparação para o Gre-Nal. É o jogo do ano, não só para o Inter.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Crônica da crise anunciada

Fernando Gomes/Agência RBS
A entrevista de Fernandão, no final da manhã de ontem, após o anuncio de sua demissão do cargo de treinador do Internacional, não chegou a ser bombástica. Foi sintomática. E não foi bombástica porque se sabia de tudo aquilo que foi dito, inclusive o quew ficou nas entrelinhas. E sintomática porque parece que o Clube, como instituição, chegou ao seu limite de tolerância. O vice de futebol Luciano Davi falou, o Presidente Giovani Luigi falou. O Inter prepara mudanças para 2013. Por enquanto, tudo o que se viu já era esperado.

Fica difícil avaliar o trabalho de Fernandão como treinador. Não sabemos até que ponto suas decisões técnicas e táticas surtiram efeito, fracassaram ou foram simplesmente boicotadas. Pelo seu histórico como jogador, pelo que se conhece de sua personalidade e de seu perfil profissional, Fernandão tem todas as ferramentas para se tornar um técnico competente. Mas dessa vez, não deu.

Foi uma sucessão de erros. A quantidade de vezes que o Inter trocou de técnico não é compatível com a qualidade do elenco colorado. Aparentemente não há motivo para que não se consiga desenvolver um trabalho por mais de uma temporada. Todas sabemos que às vezes as aparências enganam. Há dois anos a diretoria vem se enganando.

O próprio Fernandão, que trabalhou como diretor executivo do clube por um ano, antes de assumir o comando técnico, sabia do perfil do grupo de jogadores colorados. Ele ajudou a montar esse elenco. Estava ciente dos problemas de vestiário e assumiu o risco - assim como o Inter - de aceitar o cargo de treinador, sem nunca ter outra experiência sequer.

Já falei aqui em algum outro post, ninguém treina esse time do Inter. É emergencial uma renovação de nomes e a montagem de um novo grupo de trabalho. Se possível, evitando atuar num Beira-Rio que é mais um canteiro de obras que um estádio de futebol. O clima não ajuda, não é imponente, a torcida não inflama e fica distante do campo.

O Inter precisa, urgentemente, de 2013. Não pode mais cometer o equivoco de Fernandão: ser amigo de quem não merece.

domingo, 28 de outubro de 2012

O Inter de duas vitórias seguidas

Sequência de bons resultados é algo fundamental no Campeonato Brasileiro. Vencendo dois ou três jogos seguidos, é muito grande a chance de ganhar boas colocações, encostar em quem está na frente e injetar de ânimo torcida e grupo de jogadores. Até agora, no BR-12, isso só havia acontecido uma vez com o Internacional. Na estreia de Fernandão, dia 22 de julho, 11° rodada, o Inter venceu o Atlético-GO por 4 a 1 no Beira-Rio. Dia 25, na 12° rodada, a vitória foi contra o Figueirense, por 1 a 0, no Orlando Scarpelli.

A vitória contra o Vasco, fora de casa, no meio da semana, e o 2 a 1 sobre o Palmeiras, ontem, no Beira-Rio, ajudam a dar uma cara diferente para um Inter desacreditado e, aparentemente, afundado em uma grave crise de vestiário. Faltando cinco jogos para o final do campeonato, o Colorado aparece na 5° colocação, somando 51 pontos. Entretanto, ainda está há sete pontos do G4.

As duas vitórias do Inter têm similaridades. As duas foram de virada, com o adversário saindo na frente. Fator de demonstra um poder de reação interessante, até então impensável no atual elenco, visto a irregularidade dos últimos meses.

Entretanto, o aspecto mais importante foi a maneira de jogar. Fernandão adotou o 4-3-1-2, esquema com o qual já foi execrado pela crítica por causa dos "abomináveis" três volantes. A diferença agora é a qualidade de quem entra em campo e certa vergonha na cara de quem vesta a camisa vermelha.

Nessa nova configuração colorada, D'Alessandro volta a ser o centro do time. O gringo entendeu a função, chamou a responsabilidade e está fazendo o que pode. Não tirou o pé em nenhuma jogada. Ele é o enganche do losango de Fernandão. Na frente da zaga, Josimar (ontem) ou Ygor (titular, suspenso contra o Palmeiras) protegem o setor, guardam posição. Pelos lados, os apoiadores são Guiñazu pela esquerda e o ótimo Fred, pela direita. Estes, marcam e apoiam. Como atacantes, Forlán e mais outro. Contra o Vasco jogou Dagoberto, ontem Rafael Moura. Mas o titular é Damião.

O primeiro gol colorado na vitória de 2 a 1 sobre o Palmeiras é um retrato do que Fernandão espera do seu time. Guiñazu apareceu na linha de fundo, pela esquerda, cruzou e achou Fred, que finalizou, entrando pela ponta direita. Ou seja, os dois volantes de lado passam a linha do enganche e aparecem como opção, geralmente entrando em diagonal, fazendo um dois com o lateral ou até mesmo com o atacante. D'Ale geralmente recebe a bola de costas para a marcação e, quando gira, tem ao menos quatro opções de passe.

Alexandre Lops/Divulgação Inter

O técnico colorado já tentou jogar assim outras vezes, mas com três volantes mais pesados e Fred ou Forlán como enganche no losango. D'Alessandro faz essa função melhor que qualquer um no Beira-Rio, e os outros dois rendem mais nas posições em que atuaram nas duas últimas vitórias. Sem exagero nenhum: quando joga assim, Fred lembra demais o volante Tinga.

Entretanto, mesmo como essa nova perspectiva de rendimento, Libertadores 2013 ainda está distante para o Inter.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A zona de conforto do Internacional

Depois do empate em 2 a 2 com o Sport, o técnico do Internacional abriu a caixa de ferramentas contra os jogadores do elenco colorado. Segundo ele, muitos estão acomodados, jogando sem indignação, aceitando a marcação do adversário e displicentes. Foi exatamente isso o que se viu no primeiro tempo de 2 a 0 para o Sport.

Na segunda etapa o Inter voltou com outro ânimo, com sangue correndo nas veias. Fernandão retirou o estreante Rodrigo Dourado, de 18 anos, para colocar Cassiano. Fred, o melhor colorado em campo, recuou para jogar junto a Guiñazu, e passou a organizar o Inter vindo de trás. Cassiano foi jogar no lado direito, enquanto D'Alessandro seguiu centralizado, Forlán na esquerda e Damião de centroavante.

A melhora do Inter não passa pela saída do jovem Dourado, que foi discreto, e mal orientado para marcar, pois não tinha ninguém no setor dele. Era pra ser Hugo, mas este ficou muito mais entre os zagueiros colorados que os dois atacantes, Gilsinho e Felipe Azevedo, que atuaram abertos, segurando os laterais do Inter.

Ricardo Duarte/ClicRBS
O time de Fernandão melhorou por três motivos. Primeiro, e mais importante, porque o time ficou afim de correr, com vontade de jogar futebol. Segundo motivo foi o recuo de Fred. O Inter não precisa de mais um marcador, mas sim de alguém que soubesse ocupar o espaço e sair jogando com qualidade. O terceiro motivo foi o futebol agudo de Cassiano pelo lado direito. Tudo isso no segundo tempo.

Contudo, não foi suficiente para o Inter buscar a virada. O time gaúcho segue na sétima posição, com 37 pontos, e é cada vez mais improvável mude esse panorama. O Inter desse terminar o BR-12 mais ou menos nessa posição.

Vem por aí, no Beira-Rio, uma semana de muita movimentação fora de campo. Pois não tem jogo, mas ainda não se sabe quais as consequências das fortes declarações de Fernandão após a partida. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Gre-Nal aparentemente sem crise

Ditado comum na aldeia do futebol gaúcho é que Gre-Nal tira da crise e põe na crise. Ou seja, ganhar o clássico significa sempre um gás a mais, uma luz no final do túnel de quem não vive bom momento. Perdê-lo é exatamente o contrário, é a luz enfraquecendo, o sintoma que as coisas não vão bem. Gre-Nal faz técnico balançar.

Curiosamente, o clássico de número 393 deste domingo, válido pela última rodada do primeiro turno do BR-12, não tem essa característica. Me parece que os dois vestiários estão muito bem blindados para uma possível crise pós-grenal. Não acontecendo uma goleada de proporções históricas, ou algum fato muito inusitado, nem Fernandão, nem Luxemburgo balançam caso sejam derrotados.

Guilherme Becker/Agência RBS
Fernandão porque está iniciando um trabalho, tem a simpatia da direção, do grupo de jogadores e da torcida. Não faz má campanha, tem apenas uma derrota em oito jogos, soma 31 pontos estando na 5° colocação. Tem três pontos a mais que o sexto colocado (São Paulo) e três pontos a menos que o quarto (Grêmio).

É fato que Fernandão passou a contar com seus melhores atletas apenas agora, questão de uma ou duas semanas. Antes disso trabalhava com um grupo esfacelado, repleto de desfalques. É um aspecto que pesa na avaliação de qualquer trabalho, e soma-se aos outros motivos que garantem um ambiente longe de crises no Internacional.

Do lado do Grêmio, a primeira vacina anti-crise é a classificação do BR-12. Mesmo perdendo, o Tricolor não perde posição, segue na quarta colocação, podendo ser alcançado em número de pontos apenas pelo próprio Inter, mas ganha do rival nos critérios de desempate.

Bons resultados recentes, como o 2 a 1 contra o São Paulo, o 4 a 0 sobre o Figueirense, e a classificação para as oitavas de final da Copa Sul-Americana, engrandecem o aspecto psicológico da equipe gremista. Com um plantel de jogadores experientes e uma comissão técnica que tem confiado muito no planejamento do clube, o Grêmio saberá avaliar o real peso que seria uma derrota no clássico. Não há o mínimo motivo para crise. Sinto no Grêmio um vestiário também blindado, com plenas condições de lidar com qualquer situação, sem alarde, sem perder os rumos.

domingo, 8 de julho de 2012

Inter usa do contra-ataque para vencer o Cruzeiro no Beira-Rio

Assim como o Atlético-MG há uma semana, o Cruzeiro também desembarcou em Porto Alegre com velhos conhecidos do futebol gaúcho. Comandado por Celso Roth, a Raposa teve o zagueiro Léo, que atuou como lateral direito e faz bom campeonato na posição, teve o meia Souza e também os volantes Leandro Guerreiro, Willian Magrão e Tinga, que há poucos meses ainda jogava no Internacional. O Cruzeiro tem um bom time, continua se reforçando e não é de graça que dificultou muito as coisas para o Internacional.

Dorival admite que o Colorado ainda não joga o futebol que todos esperam, inclusive a comissão técnica. Uma série de desfalques e a falta de continuidade são os principais motivos alegados pelo treinador. No próximo domingo, quando recebe o Santos, mais uma vez o Inter não vai conseguir repetir o time. Oscar e Damião vão jogar as Olimpíadas e D'Alessandro está suspenso.

Contra o Cruzeiro, apensar das boas participações de Josimar e Élton, Guiñazu fez muita falta à equipe. É o argentino um dos responsáveis pela compactação do time, pela marcação mais agressiva e pela transição defesa/ataque. Os dois volantes escalados apenas marcaram.

Quem teve a posse de bola foi o Cruzeiro, que iniciou jogando no 4-3-1-2, com Tinga e Willian Magrão vindo de trás e apoiando Montillo na armação. Apesar do volume de jogo mineiro, o Inter marcou com correção a equipe de Roth. Devido a circunstância, restou ao colorado o contra-ataque. 

Sem o brilho dos ofensivos D'Alessandro, Oscar, Dagoberto e Damião, o Inter venceu pela efetividade. No habitual 4-2-3-1, que varia para o 4-4-2 conforme o posicionamento de Dagoberto, os dois gols vieram no primeiro tempo, depois de rápidas trocas de passes. 
Ricardo Duarte/ClicRBS
Durante a partida, o Inter encaixou poucas jogadas, sobretudo num segundo tempo todo cruzeirense. Roth jogou o Cruzeiro pra cima, adiantou Tinga, deslocou Léo de novo pra zaga e Magrão fez a lateral. Na frente, Wallysson fez boa parceria com Ramon, e Montillo ficou mais à vontade atuando pela esquerda. O Cruzeiro chegou ao gol mas o Inter soube segurar o ímpeto da Raposa.

Além da importante vitória colorada, que por enquanto coloca o Inter no G4, é positivo que Dorival faça a leitura correta do jogo e saiba que, mesmo jogando em casa, às vezes é bom negócio esperar o adversário e explorar o contra-ataque.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Equilíbrio no primeiro jogo entre Inter e Fluminense

O Fluminense ter a primeira campanha da Libertadores é plausível, nada de surreal. O que fugiu do comum foi a 16° campanha do Colorado entre os classificados para as oitavas de final. No geral da competição, a verdade é que o Inter ficou em 17°, pois o Defensor, terceiro colocado em seu grupo, teve campanha melhor que o time gaúcho. Pelo peso das duas camisas e pelos elencos, é prematuro que Flu e Inter se matem logo agora, no início da fase eliminatória. Contudo, pelo futebol apresentado pelo Colorado até agora, a situação se justifica.

Mas o que se viu no primeiro confronto foi equilíbrio. E não poderia se esperar outra coisa. O placar zerado só faz injustiça quanto ao tamanho do jogo e ao empenho das equipes. Porém, na equiparação de forças, o zero a zero talvez tenha sido um resultado correto. Assim como também seria 1 a 1 ou 2 a 2.
Foram dois tempos distintos. A primeira etapa foi toda do Fluminense. No segundo tempo, praticamente só deu Inter. As duas equipes jogaram de formas parecidas, um 4-2-3-1 com um atacante vindo de trás e se desgarrando da linha de armadores. No time de Abel, esse cara foi Rafael Sobis, que fez bom jogo, apareceu pelos dois lados, marcou o Nei e finalizou algumas jogadas. Diferente de Dagoberto, que pelo Inter executou a mesma função, mas como menos sorte. Dagoberto não foi bem mais uma vez, foi substituído no intervalo devido à lesão. Jajá, que entrou em seu lugar, foi melhor e participou da melhora do Inter na segunda etapa.

Tanto ao time de Dorival quanto o time de Abel, faltou acionar os finalizadores. Damião e Fred não receberam nenhuma bola em condição de converter à gol. Contudo, o centroavante colorado atuação razoável, melhor que a do avante tricolor. Leandro Damião buscou mais o jogo e criou algum coisa na base da iniciativa pessoal. Não é à toa que os destaques da partida foram jogadores de aptidões defensivas: Sandro Silva, pelo Inter, e Gum, zagueiro do Fluminense.

Na comparação dos dois tempos, o Fluminense comandado por Deco e Sobis criou mais que o Inter do segundo tempo. Só que, por ironia do futebol, quem teve o jogo na mão foi o Inter de Dátolo e Jô. O argentino desperdiçou o pênalti que Edinho cometeu em Damião; Jô meteu uma bola na trave poucos minutos antes do apito final, quando um bola sobrou em meio à confusão na área carioca.

No jogo da volta, 10 de maio, no Rio de Janeiro, o panorama deve ser o mesmo. Mas o Flu tem a vantagem de contar com o retorno de Wellington Nem, atacante que faz boa temporada pelo time carioca. Já o Inter dificilmente vai contar com os retornos de D'Alessandro, Oscar e, até mesmo, Kléber e Dagoberto.

Impossível cravar quem passa de fase. Mas é difícil negar que o Fluminense vive melhor fase e, quando propôs o jogo, foi melhor que o Inter no Beira-Rio.

Foto Diego Vara/ClicRBS

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Inter, Santos e o jogão no Beira-Rio

Do meio para frente, Dorival Junior não contava com jogadores fundamentais de sua equipe. Oscar, D'Alessandro e Guiñazu teriam todas as condições de dar um algo a mais em favor do Internacional no jogaço que acabou em 1 a 1 no Beira-Rio. Ou talvez não, é do futebol. No primeiro jogo, em Santos, eles jogaram e o Inter tomou três do Neymar, este monstro com a bola nos pés que, nesse segundo jogo, só foi parado pela monstruosa atuação de Muriel, arqueiro colorado que vive uma temporada de muito brilho.

Ao contrário do Inter, o Santos de Muricy estava completo do goleiro ao centroavante. Um time que ainda é o atual campeão da América. E que, de quebra, é melhor que aquele Santos que venceu o Peñarol em julho passado. Uma equipe que demostrou muita maturidade ao não se desesperar com o gol cedo do Inter, um golaço do Nei, em linda cobrança de falta. O Santos segurou o Colorado com toda a paciência do mundo, neutralizou como pôde as investidas de Dagoberto e Dátolo, anulou Damião e, aos poucos, foi avançando e retendo a bola até possuir o controle do jogo, mas nada que representasse um desequilíbrio exagerado em campo, pois o Inter nunca foi passivo na partida.

Dorival armou um time híbrido, mas que atuou a maioria do tempo no 4-4-2, com Tinga bem aberto na direita, jogando uma bela partida, de muita entrega, com Dátolo ao lado, mais no centro que na esquerda, formando assim um quadrado torto no meio, com Sandro Silva e Élton jogando praticamente em linha na frente da zaga. Na frente, Dagoberto foi atacante ao lado de Damião, movimentou pelos dois lado, fez partida melhor que a do companheiro e melhorou com relação a ele mesmo nos últimos jogos.

As variações táticas do Inter pouco efeito prático tiveram no confronto. Em certos momentos Tinga recuou para formar um losango no 4-3-1-2. Algumas vezes quem recuava era o atacante Dagoberto, para armar a equipe no 4-2-3-1 que Dorival costuma usar.

O Santos não veio para empatar. Curiosamente, no final do segundo tempo, o Peixe era o mais interessado e jogar e se expor buscando o segundo gol que o próprio Internacional, que com este ponto somado adia e complica um pouco a classificação para a segunda fase. O Colorado fica quase que na obrigação de vencer o Juan Aurich no Peru e ainda torce por resultados paralelos bem prováveis que aconteçam.

Neymar passou como quis pela defesa colorada mais um vez, o craque santista merecia o gol por tudo o que fez e jogou no Beira-Rio. Neymar só não passou por Muriel, que por tudo o que catou embaixo das traves, não merecia ter sido vazado por Alan Kardec. Mas merecimento e justiça são conceitos complicados de serem aplicados ao futebol. Como ficou é sempre como deveria ser.

E foi um jogão. No final das contas, o Inter segurou as pontas. Pelo tanto de desfalques que teve Dorival, quando Tinga e Dagoberto cansaram, faltou banco para o treinador. Jajá, na Libertadores, ainda não. O mesmo vale para Gilberto. Muricy, por outro lado, tirou do banco Alan Kardec, autor do gol de empate, e Elano, jogador experiente e com passagens pela Seleção.

*Foto Diego Vara/ClicRBS

sexta-feira, 2 de março de 2012

Impasse das obras para a Copa de 2014 em Porto Alegre

Fabio Fialho Martins*

Um assunto muito polêmico que tomou o estado nas últimas semanas tem sido o impasse que surgiu nas reformas do Beira-Rio para a Copa de 2014. Com as obras paradas há mais de 250 dias, a ameaça de Porto Alegre perder a Copa do Mundo aumenta cada vez mais.

A falta de garantias da AG (Andrade Gutierrez) com relação ao pagamento das obras do estádio é uma ameaça para qualquer banco público ou privado para o financiamento da reforma. Agora, após a nota da empresa nos jornais, o Banrisul fechou as portas para a AG e não vai mais fazer negócio com a construtora. O maior problema agora é que, provavelmente, o Inter e a AG terão de procurar outro banco ou investidor master para que a obra volte a andar.

Uma possível solução começou a aparecer quando, de acordo com o repórter Túlio Milmman, apareceram empresas para tomar a frente das reformas. De acordo com o repórter, as empresas Capa Engenharia, Lomano Aita, EGL e DHZ, pertencentes ao Nex Group, estão capitaneando a iniciativa de assumir as obras.

Em uma opinião pessoal, acabo acreditando que a Copa de 2014 tem uma grande chance de não acontecer em Porto Alegre. Praticamente voltamos a estaca zero nas obras do Beira-Rio, e como o Ministro Aldo Rebelo descartou todas as hipóteses de a Arena do Grêmio receber os jogos, creio que Porto Alegre acabará ficando fora da Copa.

Atualização: Tarso diz que presidente da AG apresentará garantias para obra no Beira-Rio

*Estudante de jornalismo

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O potencial de 2012 para a dupla Grenal

O ano que se inicia à 0 hora desse próximo domingo, há cerca de um mês já havia iniciado para Grêmio e Internacional. Isto porque, acertadamente, os dois clubes começaram o seus planejamentos  para a próxima temporada com antecedência. Principalmente o Grêmio, que só não pode dizer que está com o grupo fechado para começar janeiro por causa ou três questões: mais um zagueiro, mais um meio-campista e o acerto com o Douglas. De qualquer forma, a única questão fundamental aí é o acerto com o meia Douglas. Se o camisa 10 permanecer no Olímpico, outro jogador para a posição não seria tão emergencial. A questão de outro zagueiro também é relativa, pois muitos defendem que Saimon pode ser o companheiro de Sorondo em 2012.
O Inter não contratou tanto, pois a temporada começa muito cedo, em janeiro já tem o jogo pela pré Libertadores. Por isso o Inter optou em mudar pouco o grupo de jogadores. O time titular é o mesmo que acabou 2011, porém com o acréscimo de Dagoberto ao lado de Leandro Damião. Dagoberto representa um salto de qualidade significativo comparado aos outros jogadores da posição disponíveis para Dorival Junior.
Tanto Inter quanto Grêmio vivem a expectativa de duas novas casas em 2012. O Grêmio, uma nova casa de fato, pois a Arena deve ficar pronta em Outubro, um avanço que tem tudo para representar uma nova era para o futebol Tricolor. Já o Inter vai continuar no Beira-Rio, mas um Beira-Rio todo remodelado, reformado e modernizado. O estádio não deve ficar pronto em 2012, mas as obras recomeçam em janeiro.
Na bola, ninguém pode dizer que as intenções dos dirigentes são ruins. Tudo depende se as novas contratações vão encaixar. A missão do Inter é mais complicada, a Libertadores começa cedo, o clube tem pouco tempo de preparação. Mas a exigência sobre o Grêmio é maior, visto que nesse ano que chega ao fim o clube completou 10 temporadas sem um título de maior expressão. 

domingo, 29 de maio de 2011

Inter 0x1 Ceará

Jogo válido pela 2° rodada deste BR-11. Como o Inter, também perdi. Por isso, melhor comenta o jornalista Vicente Fonseca, do blog Carta na Manga, no post Rio Grande Hospitaleiro. Destaco o seguinte trecho:

"O Ceará fez algo semelhante ao que realizou o Peñarol: organizado, defendeu-se bem e explorou contra-ataques. Esta tem sido a arma para ganhar do Inter no Beira-Rio. Aliás, assim como o Grêmio, a última vitória do Inter em casa já fez aniversário de mais de mês. O veloz Osvaldo, que já desarticulou o Flamengo na Copa do Brasil, infernizou os defensores vermelhos na base da velocidade. Michel, muito bom primeiro volante que clube algum do centro financeiro do país teve a capacidade de observar com a calma que merece, foi impecável no combate aos criadores do Inter."

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Município reassenta famílias em nome do "progresso"


Obras da Copa tiram 4,5 mil famílias de casa em Porto Alegre
As pessoas não reclamam da mudança, mas da falta de informação: muitas delas não têm ideia do lugar onde vão morar

As mudanças não acontecem sem problemas. No loteamento para onde estão sendo levados os moradores da área do aeroporto, a reportagem do iG constatou casos de famílias que estão enfrentando dificuldades para pagar a parcela da casa, em torno de 6% da renda mensal familiar, além das contas de água e luz, que não existiam quando elas viviam em terrenos irregulares.
Em outra área da cidade, na região próxima ao estádio Beira-Rio, a preocupação é quanto ao futuro endereço. Nos últimos dias, cerca de 500 moradores dos bairros Cristal, Cruzeiro e Divisa, que serão afetados pela duplicação de uma avenida, têm protestado para cobrar informações da prefeitura. Eles cobram a apresentação do projeto de reassentamento para a área e pedem que a maioria das famílias fique na mesma região.
“Até agora, não nos apresentaram projeto, não saiu cadastro. Estão nos empurrando com a barriga desde novembro”, reclama Renato Maia, presidente da associação de moradores das vilas Cristal e Divisa, na região sul de Porto Alegre. Ali, pelo menos 1,8 mil famílias devem ser removidas para a duplicação da avenida Moab Caldas, que será acesso para o Beira-Rio. Outra remoção deve ocorrer em uma área próxima ao estádio, que será modernizado e terá hotel e estacionamentos no seu entorno. Cerca de 70 famílias devem ser retiradas do local. “Não queremos ir para longe. Têm pessoas que moram há mais de 50 anos aqui e vão ser removidas”, afirma Maia.
Já a ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho deve deslocar 2.609 famílias das vilas Dique e Nazaré. Já foram transferidas 434 famílias para um loteamento em construção no bairro Rubem Berta, zona norte da cidade.
Porém, nem todas as pessoas reclamam das mudanças. Há pouco tempo, o casal Fernando e Maria Lúcia Rosa trocou a casa de madeira nos fundos do aeroporto Salgado Filho por um sobrado de alvenaria no extremo norte da cidade. Com dois quartos, sala e cozinha, a nova residência deixa poucas saudades da antiga casa em um terreno irregular na Vila Dique, que deu espaço às obras de expansão do aeroporto. “A única coisa que não queríamos nem olhar foi a demolição da nossa casa”, lembra o marceneiro Fernando.

Para onde ir?
O cientista político Sérgio Baierle, integrante da ONG Cidade, que estuda os problemas habitacionais de Porto Alegre, critica o destino das famílias que serão removidas. A maioria das áreas de interesse social mapeadas pela prefeitura se encontra nos extremos sul e norte da cidade, regiões com infraestrutura insuficiente e com grande concentração populacional.
“A nossa preocupação é o modelo de planejamento que não integra a população na cidade. Está se criando uma cidade cada vez mais divida”, destaca o cientista político. Ele defende que os reassentamentos sejam feitos em áreas próximas dos locais onde viviam as famílias, que poderiam manter suas atividades. “Um dos problemas do Rio foi concentrar uma população muito pobre em áreas sem urbanização, gerando mais conflito social. Defendemos que elas não sejam reagrupadas em um único lugar, que eles possam ser integradas com toda a cidade”, afirma.
Jorge Dusso, diretor do Departamento de Habitação de Porto Alegre, justifica os reassentamentos em áreas afastadas da cidade devido ao alto custo dos imóveis nas regiões mais centrais. “Procuramos alocar as famílias sempre o mais próximo possível dos locais onde moram e desenvolvem suas atividades profissionais. Mas sempre trabalhamos na linha do possível”, justifica. Dusso afirma que os loteamentos que estão sendo construídos possuem infraestrutura adequada e alguns contam com unidades de triagem de material reciclável, ganha-pão de boa parte dos moradores. Oficinas de capacitação são pferecidas para que a população possa buscar alternativas de emprego.
A prefeitura realiza outras obras indiretamente ligadas à Copa do Mundo. O prolongamento da avenida Voluntários da Pátria, próximo à futura Arena do Grêmio, deve provocar cerca de 800 desapropriações. Já as obras de saneamento do Projeto Integrado Socioambiental devem retirar 1.746 imóveis às margens do Arroio Cavalhada, na zona sul da cidade. A ampliação da pista do Salgado Filho deve retirar ainda cerca de 170 imóveis regulares no bairro Jardim Floresta.