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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Final de semana do protagonismo colorado

Dois dias para morrer de orgulho de ser colorado. Sábado e domingo para reviver um passado glorioso e vislumbrar um futuro de conquistas. Porque o Sport Club Internacional foi gigante nesse final de semana, em Porto Alegre, onde nasceu e de onde saiu para ganhar o Mundo. Não há torcedor que não tenha se sentido invencível diante da imponência de seu remodelado estádio. Invencível como aquele timaço campeão brasileiro em 1979, comandado por Paulo Roberto Falcão, dito Rei de Roma - mas filho do Gigante da Beira do Rio.

Ricardo Duarte / Agência RBS
Sob a regência e direção artística de Edson Herdman, a noite de 5 de abril de 2014 foi mágica na capital gaúcha. O Estádio Beira-Rio voltou, depois de dois anos de reformas. Não há argumento racional que explique o que o Inter fez para com seus ídolos. Colocar os protagonistas dos principais títulos da história do clube, no meio do campo, décadas depois, para serem ovacionados, aplaudidos de pé, homenageados como de fato merecem. Futebol é paixão, e a produção do show de reinauguração soube explorar toda emoção de uma torcida que estava longe de sua casa, palco de batalhas épicas e conquistas inesquecíveis.

Bruno Alencastro / Agência RBS
O Inter não esqueceu, nem de Gabiru, Damião, Pinga, Tinga, Fabiano, Rubem Paz e tantos outros, todos gigantes na história do clube. Colher depoimento dos ex-jogadores foi uma baita sacada. E aquele telão imenso, acima da nova cobertura? Ali Fernandão e D'Alessandro contemplaram a nação vermelha que os idolatra. No gramado, estes dois últimos, mais Figueroa e Falcão, sem dúvida nenhuma os mais festejados. Dispostos, felizes e emocionados.

Domingo foi de jogo. É de futebol que vive o Beira-Rio. O Peñarol escapou de uma goleada. Não fosse um Inter com 12 substituições na segunda etapa, tirando o pé em um jogo absolutamente tranquilo, seria goleada. O time uruguaio só não escapou do craque argentino. D'Alessandro, o ídolo do presente, autor dos dois gols da vitória.

Bruno Alencastro / Agência RBS
E pra fechar com chave de ouro os dois dias de comemorações, o choro emocionado de Índio, o zagueiro de tantos anos, tantos jogos, inúmeros gols - inclusive em Gre-Nais - e importantes títulos. Foi ele que ergueu a Taça após a vitória sobre o Peñarol, foi ele que deu a primeira volta olímpica do reformado Beira-Rio, aos prantos, saudando a torcida que terá saudade, em pouco tempo.

Teve coisa que não deu certo? Teve, evidente. O entorno do estádio ainda deve. E deve ficar pronto em algumas semanas. Para o Gre-Nal não. Embora haja grande chance que o clássico decisivo seja mesmo disputado no palco luxuoso da Av. Padre Cacique. Mas ficou provado que o Beira-Rio está pronto o suficiente para receber de forma razoável grandes eventos, mesmo faltando acertar e afinar alguns detalhes.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A falta de continuidade que atrapalha a dupla Gre-Nal

Sem dúvida nenhuma, dos últimos presidentes do Internacional, Giovanni Luigi é o mais contestado pela torcida. Seu mandato começou em 2011. Celso Roth era o técnico, recém havia renovado o contrato. O Inter vinha do Mundial de Clubes de 2010, ainda sob a presidência de Vitório Piffero. Em poucos meses, Luigi demitiu Roth. Veio Falcão, e o ídolo colorado ficou mais três meses e também foi pra rua. Depois de alguns jogos com Osmar Loss de interino, chega então Dorival Junior. Este último consegue transpassar 2011 e vai até boa parte de 2012, quando é demitido para que Fernandão assuma o comando técnico da equipe. E o Capitão da América em 2006 foi outro que não conseguiu ter sequência. Em 2013, início do segundo mandato de Luigi, Dunga começa um trabalho promissor. Uma série de fatores e resultados ruins também resultaram na queda do Capitão do Tetra. É então que o Colorado termina o ano com Clemer sendo o treinador.

Giovanne Luigi se encaminha para seu quarto e derradeiro ano de presidência. Foram, até agora, sete treinadores. Basicamente, o Inter troca o comandante a cada seis meses. É muita coisa. Se formos contabilizar o número de dirigentes que passaram pelo departamento de futebol, também é uma enormidade. Nesta terça o Luis César Souto de Moura, então diretor de futebol, anunciou sua saída. Ou seja, no Beira-Rio, em 2014, o Inter segue com o mesmo presidente mas novamente terá um departamento de futebol e uma comissão técnica iniciando um trabalho.

Não há planejamento que resita. Os jogadores não sentem a mínima confiança na direção e a certa altura já não respeitam mais aqueles a quem deveriam ser subordinados. E isto vem acontecendo muito claramente dentro do vestiário colorado nas últimas temporadas.

No Grêmio, com todo respeito ao Fábio Koff - o maior dirigente da história do Grêmio, cartola dos mais importantes e de grande influência política no futebol sul-americano -, as informações deste resto de ano dão conta que não são boas as chances de renovação com Renato Portaluppi. A não ser que o treinador peça um absurdo impagável de salário para o próximo ano, a troca do comando técnico do Grêmio é um equívoco para 2014.

Renato já conhece o grupo, tem a simpatia dos jogadores e fez uma campanha que o credencia a ter o respaldo da direção gremista. 

Se a decisão for realmente mudar de treinador, Koff inicia seu segundo ano de mandato com o terceiro técnico. É muita mudança! Se há o mérito na manutenção do diretor executivo Rui Costa e do Assessor de Futebol Marcos Chitolina, o Grêmio tem tudo para começar um ano promissor mantendo a comissão técnica e fazendo contratações pontuais num grupo que é vice-campeão brasileiro.

É preciso ter convicção.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Grêmio passa pelo Bahia e está na semifinal da Copa do Brasil

O Luxemburgo chamou o torcedor no começo da semana para o confronto com o Bahia e o torcedor correspondeu. Cerca de 35 mil gremista foram ao Olímpico e assistiram um bom jogo de futebol, com um Grêmio bem postado e comprometido em vencer, mesmo sabendo da vantagem já conquistada no primeiro jogo. Desde o início o Tricolor jogou sério, marcou bem e buscou o gol, sem brilhantismo como já é de praxe, mas vencendo.

O Bahia não é nenhum bobo. Falcão é bom treinador, é ousado, e tem nas mãos uma equipe formada por um punhado de refugos conhecidos e alguns outros jogadores menos cotados tecnicamente. No início do jogo o Bahia tentou jogar de igual para igual. Falcão montou o esquema conhecido pelo apelido de árvore de natal, um 4-5-1 que, distribuído em campo, fica um 4-3-2-1. Típico para explorar contra-ataque, porque tinha Fahel na frente da zaga, o bom Gabriel mais à direita, o ex-gremista Helder na esquerda, numa linha mais avançada o Lulinha ao lado do Magno e, na frente, o centroavante Ciro. Todos jogadores de velocidade.   

O problema do Bahia é que na hora de trocar passes e fazer o bola girar, além de faltar qualidade de quem trazia a bola de trás, sentia demais a marcação do Grêmio, que era muito boa. Fernando e Léo Gago foram impecáveis. Souza mais uma vez ficou aquém e Marco Antônio, no 4-3-1-2 gremista, foi nada mais que regular. A dupla formada por Miralles e Moreno deu boa resposta. O argentino é melhor alternativa que André Lima, que torna o ataque mais pesado e menos dinâmico.

Os dois gols do Grêmio saíram de boas trocas de passe. Jogadas trabalhadas em treino pelo Luxemburgo, um reflexo positivo no trabalho do treinador, que já tem oito jogos e oito vitórias na Copa do Brasil. É a melhor campanha na competição, o que não serve para muita coisa, já que é no sorteio que se decide onde será a segunda partida da semifinal contra o Palmeiras e pelo regulamente, o Grêmio pode ser eliminado com dois empates, caindo fora da competição estando invicto. Ou seja, a melhor campanha não tem nenhum valor prático, apenas anímico. A ideia de time que funciona, o respaldo dos bons resultados no Olímpico e a segurança de uma zaga que parece estar ajeitada - mesmo com o desfalque de Werley - são os grandes méritos do Grêmio na Copa do Brasil.

*Foto Marco Vieira/ClicRBS 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Vencer fora de casa é sempre significativo

O Grêmio fez um bom jogo contra o Bahia de Falcão. A vitória por 2 a 1 é justa e merecia ter sido menos apertada. Gol baiano saiu no primeiro tempo, no mento em que o Grêmio estava melhor e já tinha criado algumas boas chances de gol. Com o empate ainda na primeira etapa, o time de Luxa teve moral para aguentar a pressão do Bahia no início do segundo tempo e força para sair e buscar o resultado depois das mudanças do treinador, aos 20 minutos do segundo tempo (a virada veio aos 27).

Do jogo, ficam dois fatores muito significativos. Primeiro, a vitória fora de casa, que é um diferencial em qualquer situação, ainda mais em uma copa, quando o segundo jogo é em casa. Segundo é a maneira de jogar. O Grêmio de Luxemburgo segue pragmático, sem dar espetáculo, priorizando o futebol coletivo e de resultado. É essencial que um time, mesmo não estando no estágio ideal, e o Grêmio não está, construa sua identidade respaldado por vitórias significativas como esta sobre o Bahia.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Balanço Inter 2011

A década do Colorado é tão boa que, até em ano de altos e baixos, se ganha dois ou três títulos no Beira-Rio. O primeiro ano de gestão do presidente Giovanni Luigi tem um Gauchão e uma Recopa Sul-Americana, além de um 5° lugar no BR-11 e a vaga na pré-Libertadores. Mais da metade dos clubes da primeira divisão trocariam seu ano pelo do Inter. 2011 foi razoável para o torcedor colorado. Porém, a temporada passou longe de não dar dor de cabeça aos vermelhos. Apesar de tudo, o ano do Internacional foi conturbado, principalmente fora do campo, como o episódio das reformas do estádio, que ainda se estendem.
Foram duas trocas de treinadores - ou três, contando o mês que Gilmar Loss trabalhou como técnico interino. Teve a polêmica demissão de Falcão, com três meses de trabalho, e a queda do departamento de futebol comandado por Roberto Siegmann, revelando que o clima de vestiário era péssimo no Beira-Rio. As entrevistas dos envolvidos Siegmann, Falcão e Luigi, na época, foram constrangedoras. Fala-se que o clima com os jogadores também não era dos melhores. Alguns alardeavam que o grupo era dividido em três.
Sempre lembrando que antes de Falcão tinha o inesgotável Celso Roth, sobrevivente do Mazembazzo no Mundial de Clubes. Roth seguiu comandando o clube até o limite, até onde deu, até que os sócios colorados decidiram parar de pagar o clube. Falcão veio, Renato já estava por aqui, e o clima era de festa no RS. Festa que não entrou em campo, não sustentou trabalho nem de um, nem de outro. A eliminação precoce na Libertadores foi um balde de água fria nas duas torcidas, que sonhavam com um clássico na competição continental. 
Paulo Roberto Falcão tentou implantar no Inter uma ideia de futebol europeu, com jogadores cumprindo várias funções, posse de bola, e uma armação de jogo descentralizada, sem a figura clássica do camisa 10. Fez a famosa duas linhas de 4, no 4-4-2 em que D'Alessandro e Andrezinho jogavam bem abertos, e Zé Roberto fazia companhia para Damião no ataque. Nessa formação o Inter viveu um de seus melhores momentos no ano, ganhou o Gauchão e chegou a entrar no G5 do BR-11.  Mas não resistiu à incompreensão pública e nem aos poucos resultados ruins. Mais pra frente, já na era Dorival Junior, os melhores resultados do Inter, incluindo título da Recopa e vaga na pré-Libertadores, a equipe jogou num 4-4-2 muito similar ao de Falcão, mas sem Zé Roberto e Andrezinho.
O que 2011 deixou evidente para o futebol do Inter é a necessidade de rejuvenescer o grupo de jogadores. Pois se não estão desgastados pela idade, estão desgastando com o clube ou com a torcida. Ou até mesmo acomodados, ganhando um bom salário, mas sem nenhuma motivação para disputar título. Caso mais evidente é o de Bolivar, de uma péssima temporada tecnicamente. Jogadores como Tinga e Guinazu seguiam o mesmo caminho, mas melhoraram de rendimento no final do ano, é provável que sejam mantidos.
Para pensar no Tri da Libertadores, ou no Tetra do Brasileirão, o Inter precisa de contratações, precisa de menos conturbações políticas e mais foco na bola. Mas também precisa ser coerente, dar respaldo ao treinador, pois Dorival é bom profissional, ainda jovem, anseia por títulos, e não pode ser tratado como foram tratados Roth e Falcão.
Se há uma palavra que resuma o ano colorado, esta seria Damião. Esteve aqui no Beira-Rio o jogador brasileiro que quase dividiu os holofotes com Neymar. Leandro Damião foi um fenômeno, empilhou gols e ostentou um exuberante preparo físico. Centroavante que dentre muitas qualidades técnicas, também pode ser chamado de trombador. Um pena sua lesão na metade pro fim do ano, acabou atrapalhando sua guinada na Seleção e a briga pela artilharia do BR-11. Ainda sim, um brilhante Damião.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Grêmio e Inter não precisam pensar em novo técnico

O acaso quis que a política de clube de Grêmio e Internacional entrasse em crise quase ao mesmo tempo. Dias separam um acontecimento do outro. A saída de Renato Portaluppi, a demissão de Falcão, a saída de Roberto Siegmann, o fogo amigo dentro do vestiário gremista, a declarada relação conturbada do presidente colorado com o antigo treinador. A última da semana é na Azenha, com a saída do vice de futebol Antônio Vicente Martins no domingo à noite, Paulo Pelaipe está de volta ao comando do vestiário gremista. Pelaipe esteve com Odone de 2005 a 2008, e agora volta como diretor executivo remunerado, mas com as mesmas incumbências de um vice de futebol.
Com a chegada de Paulo Pelaipe, a imprensa especializada do RS começou a especular a volta de Celso Roth ao Grêmio. Especulação pura, puríssima. Julhinho Camargo pode cair daqui a dois ou três jogos, e Roth pode até ser contratado, pois é do agrado de Odone e Pelaipe. Mas isso está no campo da adivinhação, de quem analisa por fora. Não há nenhuma informação que venha de dentro do Grêmio que sinalize com essa possibilidade no momento atual. Paulo Pelaipe foi um dos que indicaram Julhinho ao presidente, já trabalhou com o treinador quando Julhinho cuidava da base e chega com o discurso de quem está fechado com a atual comissão técnica.
O Grêmio acerta caso não mude o comando técnico. O campeonato do Grêmio hoje é fugir do rebaixamento e beliscar algo em torno da décima posição na tabela, portanto não vale a pena trazer um técnico medalhão, que cobre um salário exorbitante, para fazer o time jogar pouco mais do que vem jogando e ficar pouco melhor posicionado do que está. Julhinho faz parte do "bom e barato". Merece respaldo para trabalhar, pois tem total condições de fazer o Grêmio jogar o que precisa, e pra isso não precisa ganhar de 400 a 700 mil reais por mês. Ainda que a campanha até agora não seja boa, embora cinco jogos seja muito pouco para avaliação mais profunda. O Grêmio tem questões mais urgentes e graves para resolver.
Ao Internacional talvez fosse mais necessário a contratação de um novo treinador, já que desde a saída de Falcão, quem comanda o Colorado é o interino Osmar Loss. E por que seria mais necessário? O Inter passa por um ano de transição, o grupo de jogadores é de qualidade e tem história no clube, mas está envelhecido, muitos não rendem como há um ou dois anos. 2011 é ano para começar a reformular o time para iniciar uma nova década com todo o gás. E por isso um treinador mais experiente caísse melhor à situação do Inter, se juntando a um Fernandão agora diretor executivo também sem experiência no cargo e iniciando no carreira fora dos campos.
Porém, muito pelos motivos gremistas, Osmar Loss mereça a chance de ser efetivado no Inter e seguir seu trabalho, pelo menos que seja até o final do ano. Tanto no Grêmio quanto no Inter, pior que está não fica. E qualquer que seja o treinador, por mais que ganhe a cifra que seja no final do mês, muito melhor também não fica.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Falcão, ex-Inter

O "ex" do título, obviamente, faz alusão ao profissional, técnico de futebol Paulo Roberto Falcão. Certamente o Rei de Roma - apesar do apelido distante dos pagos - não deixará de ser o Rei do Beira-Rio e nem um colorado de coração e marca maior.
A demissão do técnico do Internacional pegou a todos de surpresa na manhã desta segunda-feira. Entretanto, veio à tona o que já era evidente. Nas entrevistas coletivas, explicativas e de despedidas, o atual presidente Giovanni Luigi, o ex-vice de futebol Roberto Siegman e Falcão não pouparam palavras. Foram claros, sem nenhum tipo de constrangimento. Não havia nenhum tipo de sintonia na ideia, no modo de trabalhar, e no discurso dos três comandantes do futebol colorado. Ao ser perguntado sobre seu relacionamento com o presidente, Falcão foi taxativo: "Zero".
Luigi aproveitou a sequência negativa de três derrotas, que culminou num 3 a 0 para o São Paulo no Beira-Rio, domingo, para fazer o que era de sua vontade desde que assumiu o Inter, em janeiro. Siegmann como homem forte do futebol foi uma concessão política, à contra-gosto do presidente. Quase como foi com Falcão. Luigi sempre preferiu Dunga, e é provável que o outro ídolo e volante colorado seja anunciado nos próximos dias.
Foi o percurso natural de alguma coisa que já começou errado. Ninguém consegue trabalhar sem o respaldo que vem de cima e sem um bom relacionamento com o comandante, e vice-e-versa. Uma hora ou outra, a corda se rompe. No Inter, durou 99 dias.
Na bola, sem considerar fatores externos e políticos, a demissão de Paulo Roberto Falcão faz-se injusta. Não é uma temporada fácil para o Inter, é um ano de transição, de mudança de elenco, hora de rejuvenescer os jogadores. Falcão começava a entrar num momento em que, depois de três ou quatro meses, o seu trabalho consolidaria-se de vez no futebol colorado, seja positiva ou negativamente. O Inter já tinha encontrado um time base, um bom time, com um quarteto ofensivo de qualidade e que funcionava. Nesse time base, algumas peças ainda não davam a resposta que precisa uma equipe que almeja um título brasileiro, caso de Bolívar, Nei, Bolatti, talvez Kléber e Guiñazu. Mas o grupo do Inter não é mais tão numeroso e forte como fora há pouquíssimo tempo. Falta alternativa ao treinador. E vai continuar faltando ao substituto de Falcão caso não chegue ninguém.
Falcão merecia mais tempo e respaldo. Mais respeito. A torcida sabe disso, Falcão também. Do outro lado, só posso acreditar que Giovanni Luigi tem consciência da pressão que vai encontrar daqui pra frente. Só não tenho certeza que ele saiba e trabalhe 2011 como uma temporada de transição. 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Chocolate colorado credencia ideias de Falcão

Se antes do jogo lá em Sete Lagoas o Atlético Mineiro vivia uma semi-crise, depois dos 4 a 0 do Inter o Galo afunda de vez o pé na crise e deve demitir seu treinador, o Dorival Junior - o que ainda não é oficial até o fechamento deste post, mas já causa alvoroço nos clubes que estão à procura de um treinador.
A partida do Inter foi excepcional, mesmo num primeiro tempo de 0 a 0. Falcão finalmente conseguiu que sua ideia de futebol desse certo, um 4-4-2 que se defende com duas linhas de quatro e ataca de modo brasileiro clássico, no 4-2-2-2. O treinador achou a dupla de zaga, é Bolivar e Juan, a dupla de volantes é Guina e Tinga, os meias são D'Alessandro e Oscar e na frente Zé Roberto e Damião. Nas laterais, Nei é o que tem e Kléber voltou a jogar bem, principalmente contra o Atlético.
O Galo de Dorival Junior atuou no 4-3-1-2, concentrou a criação num rechonchudo Daniel Carvalho, que não conseguiu fugir de Tinga e Guiñazu. Do outro lado, uma atuação de gala do quarteto ofensivo colorado, apoiado principalmente pela chegada do Kléber pela esquerda, que há muito tempo não dava dos seus cruzamentos certeiros na cabeça do atacante, que dessa vez resultou no gol de Zé Roberto, o segundo do Inter no jogo.
Uma vitória de 4 a 0 é incontestável. Não teve influencia da arbitragem nem sorte, teve futebol.
Para o próximo jogo o Inter terá desfalques. Juan e Oscar vão para a Seleção sub-20 e passam algumas rodadas fora. Tinga saiu machucado e D'Alessandro cumprirá suspensão pelo terceiro amarelo. Portanto, próxima quarta-feira contra o outro Atlético, o paranaense, é a chance de Falcão provar que o grupo de jogadores assimilou o seu 4-4-2, mudando nomes e mantendo o esquema.

domingo, 19 de junho de 2011

Coritiba e Inter ficam no 1 a 1

O Coxa e o Colorado fazem parte do grupo de equipes do qual se espera uma boa campanha no BR-11. Mas a verdade é que nenhum deles emplacou ainda no campeonato. Por questões técnicas, táticas e anímicas. O Coritiba perdeu recentemente a final da Copa do Brasil jogando em casa e também só agora passa a dar maior atenção ao BR-11. O Inter, por sua vez, viveu o trauma de trocar o treinador e ainda ser eliminado precocemente na Libertadores, dentro do Beira-Rio e na condição de favorito e atual campeão.
Jogo movimentado no Couto Pereira. Falcão de novo não foi feliz nas suas escolhas, e de novo deve enfrentar uma semana difícil em Porto Alegre. Oscar poderia ter saído jogando, ficou no banco. Duranteo jogo, poderia ter entrado. Ficou no banco. Entre as quatro linhas, destaque para o goleiro Muriel, que substituiu Renan, afastado para resolver questões contratuais.
A principal dificuldade de Paulo Roberto Falcão tem sido se impor perante um grupo cheio de experiência e vaidade. Como não é do estilo brigão e autoritário, que conquista o respeito no grito, o treinador do Inter só pode conquistá-lo pelo conhecimento que tem. E ainda não conseguiu. Que seja rápido, pois não sei até quando a direção - que também sente a falta de uma figura como Fernando Carvalho no vestiário - vai ter paciência.
 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Tática - dos pontos fracos da nossa imprensa esportiva

Pode até ser uma impressão equivocada. De 2010 para cá, a imprensa do RS especializada em futebol tem batido muito nos treinadores da dupla Grenal. E, não são raras as vezes, se apega à questões de nenhuma importância ou sem nenhum fundamento futebolístico aceitável.
A ferida começou a ser aberta há alguns anos, talvez dois ou três, e alcançou o estágio crítico a partir da Copa do Mundo de 2010. É o "Monstro da Análise Tática". A discussão de ordem tática, que era feita por poucos jornalistas, alguns em veículos de tevê fechada, ganhou espaço na internet e se expandiu através dos blogs. Inevitavelmente a grande mídia teve de absorver essa tendência de jornalismo. O esquema 4-2-3-1 ficou muito em evidência na Copa do Mundo, a imensa maioria das seleções jogaram com essa formatação e ficou impossível de ignorar esse fato e não discuti-lo. Mas discutir sabendo o fazer?
Para os analistas e repórteres do Rio Grande do Sul é inconcebível ganhar um jogo tendo apenas um atacante em campo. Como se só o atacante atacasse. Esse tipo de simplificação é prejudicial à discussão e, por consequência, informa errado o espectador/ouvinte/leitor e cria no clube um clima de muito desconforto, até porque nem todo dirigente sabe tanto assim de bola quanto deveria. Assim, cai Celso Roth, cai Silas, cai Fossati, quase cai Falcão, quase cai Renato.
Não existe só o 4-4-2 e o 3-5-2. Não dá para esquecer que em 2010 o Inter venceu a Libertadores no 4-2-3-1. Assim como a Espanha venceu na Copa do Mundo. O Barça ganha tudo no "faceiro" 4-3-3. Ai de Falcão escalar o Inter num 4-3-3; ou de Renato, de tentar um 4-1-3-2, como já tentou e deu errado esse ano, e como deu muito certo no Estudiantes campeão na Libertadores de 2009. No Olímpico ou no Beira-Rio, quem não montar sua equipe no 4-4-2 abrasileirado, com dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois meias e dois atacantes, das duas uma: ou é retranqueiro ou é ofencivista demais.
Grêmio e Internacional estão longe de ter uma temporada incontestável. Mas que se conteste com maior embasamento e critério. Sábado passado, Portaluppi foi crucificado por escalar um 4-5-1, com apenas Viçosa no ataque e um Gabriel inventado no meio de campo. Perdeu de 3 a 1 para o bom São Paulo, no Morumbi. E perdeu só pelo esquema e pela invenção? Renato tentou um 4-4-1-1 que tivesse rapidez de se fechar e defender pelos lados e a capacidade de sair em bloco, com as chegadas dos wingers Lúcio e Gabriel passando e dando a opção de Douglas lançar. Não deu certo porque lá na frente o Viçosa não soube reter a bola, Douglas não soube jogar de costas para a área, e a linha de quatro no meio muitas vezes não foi uma linha de quatro. O que quero dizer é que também poderia ter dado certo, e o fracasso pelo esquema diferente não pode ser uma obviedade, como parece ser para tantos.
Facão está batendo de frente com as análises equivocadas que recheiam os comentários da imprensa gaúcha. E quem bate de frente com a imprensa apanha, é taxado de chato ou professor pardal quando fala de tática nas entrevistas coletivas.
Os jornalistas estão expostos. Poucos entendem ou conseguem ler esquemas táticos. Aí atacam, falam que é bobagem, que treinador não ganha jogo, só atrapalha, que só o jogador faz a diferença, que esse ou aquele não podem jogarem juntos, ou devem jogarem juntos, que três volantes é absurdo, que três atacantes é absurdo. Quem não entende desprestigia, então simplificam demais o futebol e a discussão acerca do tema, tornando-a muitas vezes supérflua.
E volto a repetir, Renato e Falcão, Grêmio e Inter, ainda estão devendo muita bola. Mas debate tido como especializado também está devendo e precisa subir de nível.

domingo, 8 de maio de 2011

Grêmio sai na frente na decisão

Algumas vezes, comentando jogos do Grêmio dessa temporada, escrevi aqui nesse blog: Viçosa não é Jonas. Mais uma forma de criticar a ineficiência da direção e da comissão técnica para achar uma alternativa à saída do goleador tricolor dos últimos dois anos. De fato, Viçosa não é Jonas, precisa jogar e fazer muito gol para ser tão importante para o clube quanto foi o 5° maior goleador do Grêmio. Porém, sem dúvida que Junior Viçosa, 21 anos, sobe no conceito de qualquer torcedor gremista e fica com o moral lá nas alturas depois desses dois domingos de Homem Grenal, de dois clássicos e três gols.
O primeiro grenal da decisão do Campeonato Gaúcho 2011 foi um grenal diferente, num Beira-Rio nem tão lotado e pouco empolgado, reflexos das eliminações de Grêmio e Inter na Copa Libertadores no meio da semana. Clássico de cinco gols, coisa rara. Grenal sem arbitragem polêmica, algo a se comemorar. Vale o registro e o parabéns a Jean Pierre Lima e seus assistentes.
Grenal que não teve D'Alessandro como figura principal, o astro colorado que inferniza a defesa tricolor desde que chegou ao estado, em 2008. Foi o grenal da atitude gremista, da recuperação de Renato e de seu grupo de jogadores, que continua carente de boa opções, mas tem potencial de fazer bons jogos como fez no Beira-Rio, vencendo o Inter por 3 a 2. Grenal de Luiz Severo Junior, que veio no meio da temporada passada de Viçosa, no Alagoas, e no clássico 386 fez dois gols e mais a assistência para o gol de Leandro.
Falcão, que só teve jogos decisivos, de mata ou morre, desde que assumiu o Inter, repetiu na escalação inicial erro muitas vezes cometido por seu antecessor. Ao optar pelo 4-2-3-1, o treinador escalou Sobis na meia-esquerda, com a missão de encostar em Damião e ser um jogador mais agudo que D'Alessandro e Andrezinho. O Colorado abriu o placar através dessa jogada: Sobis dentro da área, recebendo de Kléber e fazendo a parede para Andrezinho vindo de trás. Mas não foi uma boa tarde para o Sobis, que não conseguiu desempenhar a função (que não é a de ofício) o restante do jogo.
O grande mérito tricolor talvez tenha sido encaixar a marcação e não se abater com o gol cedo, aos 8 minutos. O Grêmio de Renato praticamente espelhou o esquema colorado, um 4-2-3-1 que variava para o 4-4-2 com meio-campo em losango. Para isso, uma escalação mais leve. Douglas não foi brilhante, mas fez boa partida, jogou centralizado. Na esquerda, marcando o lateral Nei e recuando para combater Andrezinho, a surpresa da tarde, Escudero, que entrou bem e e foi acertadamente expulso aos 44 do segundo tempo, depois de matar um contra-ataque colorado. Do outro lado, na direita, a mesma função do argentino tinha o jovem Leandro, de muito boa atuação e um gol anotado. Mais atrás, Rochemback e Fernando se entenderam bem. Na zaga, Vilson, que entrou no lugar de Rafa Marques, dá sinais de que realmente é o melhor zagueiro do tricolor, a não ser que Rodolfo resolva jogar o que sabe.
Do lado colorado, Damião não passou em branco. O goleador do Brasil no ano deixou o seu no momento em que Falcão perdia de 2 a 1 e resolveu apostar na maior dificuldade do Grêmio, a bola aérea. O Intenacional ficou com duas linhas de 4 e dois centroaventes na área, Leandro Damião e Cavenaghi. O Inter empatou, mas o Grêmio seguiu mais consciente na partida, tocando a bola com mais propriedade e lucidez. Aos 41, Viçosa, em posição legal, fez o gol da vitória.
A vantagem do Grêmio é muito grande, além de jogar em casa, tem a seu favor qualquer empate, qualquer vitória e derrotas de 1 a 0 e 2 a 1. Grenal, sabe-se, dificilmente foge a estes resultados. Contudo, o desse domingo fugiu, foi de um 3 a 2 de bom futebol e pouca pancada. É inegável que, no momento, o Gauchão é mais tricolor que vermelho e branco. O que não quer dizer muito depois que a bola rola, e tem mais 90 minutos de grenal e bola rolando no Olímpico, domingo que vem.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dupla Grenal decepciona na Libertadores

Para Grêmio e Inter a Libertadores acabou na última quarta, dia 5 de maio, a noite trágica do futebol brasileiro na competição continental. Fluminense e Cruzeiro subiram no mesmo salto, usaram da mesma arrogância e foram eliminados cometetendo erros similares, técnicos e táticos, estratégicos e de planejamento. Prejudicados, ressalva-se, por uma curta pré-temporada e por um calendário inchado pelos estaduais. Tem tudo isso, mas também quando se é campeão, exemplo recente do Inter em 2010, se tem igual. Coisas do futebol.
A decepção que causa o Grêmio é um contexto inteiro, um 2011 não mais que razoável, de uma ou duas boas partidas, um turno de estadual conquistado, é verdade, mas de um time que não ganhou padrão e de poucos nomes que se afirmaram como titulares. Não é absurda a eliminação para a boa equipe do Universidad Católica. Decepção pela derrota no Olímpico? Pode ser. Mas longe de ser igual decepção a derrota no Chile, com um Grêmio esfacelado, sem meio time titular, com uma equipe fraca em campo.
Uma sucessão de erros, que começam pela diretoria do clube, responsável pelo grupo de jogadores, passam por Renato Portaluppi e culminam nos jogadores, que são os menos culpados nisso tudo, entretanto são eles que vão a campo e tentam executar aquilo que lhes é pedido fora dele. Fosse um time mais qualificado, com a mesma calma - incomum - que teve o Grêmio grande parte do jogo contra a Católica, no Chile, talvez tivessem melhor sorte (melhor futebol, com certeza) os tricolores. Para fechar a Libertadores gremista com chave de "ouro", o gol de cabeça de Mirosevic, da maneira que o Grêmio mais tomou gol em 2011.
O que aconteceu com Inter é pontual. A decepção está exatamente no jogo de volta, noite de 5 de maio, Beira-Rio tomado, mais especificamente aos 7 minutos do segundo tempo, quando o centroavante Oliveira fazia, de cabeça, o segundo gol do Peñarol e garantia a classificação dos uruguaios à fase de quartas de final da Libertadores.
Toda a bola, e toda a calma de controlar a bola, que o Inter teve no bom primeiro tempo que jogou e venceu por 1 a 0, faltou no segundo tempo em que o Colorado despertou com o placar já adverso, 2 a 1 para o Peñarol, e precisando marcar duas vezes para pensar em classificação. O Inter não pensou, começando por Falcão que, se pensou, pensou errado. Sacou Oscar e Andrezinho, desmontou o 4-2-3-1 e tentou um 4-3-3 com D'Alessandro na direita, Damião no centro e Ricardo Goulart na esqurda. Oscar não precisava sair, Sobis talvez precisasse entrar mais cedo, mas não no lugar de Nei, tirando assim o ótimo Bolatti do meio-campo e o jogando para a lateral.
Faltou começar o segundo tempo mais ligado, como começou Oscar, fazendo gol no primeiro minuto de jogo, não como o Inter que tomou o empate aos 30 segundos de segunda etapa e a virada aos 7. Jogo jogado não era, mas o bom resultado de 1 a 1 em Montevidéu dava muita confiança aos colorados. Pelo time e pela história recente, confiança justificada. Pela camisa e pelo sangue uruguaio, confiança venenosa.
Falcão está começando o trabalho, assumiu o cargo num momento decisivo do semestre e é natural que eventualidade aconteçam. Mas a direção já pode pensar que alguns jogadores podem estar encerrando sua participação no Inter. Dá para trazer algumas peças. E dá para agradecer os serviços prestados ao clube, e liberar alguns profissionais a darem prosseguimento na carreira.
O Grêmio pode reunir todo mundo, sentar numa sala de reuniões e pensar o resto do ano do clube. Chegar a um acordo se Renato quer realmente ficar, dispensar alguns jogadores abaixo da média e, trazer cinco ou seis reforços. Só assim o Grêmio pode sonhar com Libertadores 2012.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Inter vence e se classifica em primeiro no grupo

Em 1980, Paulo Roberto Falcão, ainda como jogador do Internacional, foi vice campeão da Libertadores. Voltando em 2011, como treinador, na preleção de um jogo decisivo contra o Emelec, que o Inter precisava empatar ou vencer para classificar para a fase eliminatória , Falcão tem a humildade de encerrar a palestra com o seguinte papo para seus jogadores: "Muitos aqui são campeões ou bi campeões da Libertadores. Não ganhei essa competição por um gol! Vão lá e me ensinem".
Não que depois disso os jogadores tenham entrado em campo e feito um partidaço, num 2 a 0 mentiroso que poderia ter sido 5. Não foi assim. Falcão repetiu a escalação e o esquema de sábado, quando venceu o Santa Cruz por 1 a 0, enfrentou um Emelec de jogadores rodados, que poderia se classificar caso vencesse, que espelhou o 4-4-2 colorado, fechando os lados do campo neutralizando o que de melhor o Inter teve na vitória do final de semana. O Inter teve dificuldades no primeiro tempo e os murmúrios da torcida, ainda que precipitados, deram o aviso.
A sensível mudança promovida por Falcão no intervalo foi fator determinante para o Inter melhorar e chegar à classificação. O treinador apenas trouxe D'Alessandro e Andrezinho para o meio, os fazendo jogar às costas dos volantes do time boliviano, e quando esses dois jogam o restante do time funciona melhor. Como talvez melhor tenha funcionado Leandro Damião, o centroavante do posicionamento, da imposição física, que recebe a bola pelo alto, dentro a área e, não podendo golpeá-la ao gol, ajeita com categoria para que o companheiro de ataque conclua e abra o placar do Beira-Rio, no começo do segundo tempo. Rafael Sobis e toda a nação colorada agradecem. Mas Damião funciona também (e tão bem!) como centroavante goleador, com faro de gol, o homem da hora e do momento certo, dos pés que a bola procura, e procurou depois do chute de Guiñazu e do rebote do goleiro Klimowicz, aos 38 do segundo tempo.
O resultado deu aos colorados a primeira colocação do Grupo 6 da Libertadores, com 13 pontos. O Inter aguarda o fechamento da rodada para saber quem enfrentará nas oitavas de final.

sábado, 16 de abril de 2011

Vitória magra do Inter na estreia de Falcão

É sempre muito bonito de ver no futebol algum tipo de relação que vá além da profissional. É o que se vê no Internacional desde que foi anunciada a volta de Paulo Roberto Falcão à casa mata do Beira-Rio. Na escalação colorada anunciada pelos auto-falantes do estádio antes do jogo, a torcida vibrou como se fosse gol o nome do técnico. Esse clima é essencial para o ambiente do clube, só trás coisa boa.
Ajudou a trazer a vitória contra o Santa Cruz, ainda que magra, por 1 a 0, mas num jogo decisivo de mata ou morre, nas quartas de final de um turno que o Inter precisa ganhar para pensar em título de Gauchão. Falcão teve menos de uma semana de trabalho.
O Internacional não deu espetáculo, porém foi extremamente pragmático, organizado e, como muito se falou desde a contratação do ídolo colorado, o time esteve compacto. Jogando num 4-4-2 com duas linhas bem definidas, como pouco se joga no Brasil e muito se usa na Europa e na América do Sul. Falcão aproximou os três setores do time que, assim, com as linhas próximas, não corria risco quando perdia a posse de bola, pois nunca esteve fora do lugar.
D'Alessandro como winger na esquerda e Andrezinho surpreendendo e jogando bem de winger pela direita fizeram metade do trabalho dos laterais, indo à linha de fundo e, eventualmente, caindo pelo meio e invertendo de posição. Assim, como meias abertos, surgiu a jogada do gol colorado, com o lançamento do argentino lá da esquerda para o Andrezinho, que corria pelo corredor direito e pôde fazer cruzamento rasteiro e preciso para o goleador Damião. Os laterais, Falcão justificou, com esse esquema não precisam correr de uma linha de fundo à outra o jogo inteiro, eles dividem o campo com os meias que jogam à frente, vindo de trás como opção de tabela e recomeço de jogada. Funcionou contra um Santa Cruz acuado, que perdeu um jogador logo cedo.
Foi boa a estreia de Falcão, deixa impressão positiva e uma perspectiva real de melhora, visto que tem um Rafael Sobis ganhando ritmo e jogando na sua, de segundo atacante, um Oscar com fome de bola e pra entrar no time, um D'Alessandro cada vez mais ídolo e em fase iluminada, tem Bolívar e Rodrigo se entendendo e fazendo ótima dupla, tem Bolatti e Guiñazu combatendo e impondo respeito em castelhano, um Tinga saindo do DM e com futebol pra brigar por vaga. Tem muita bola nesse plantel para Falcão fazer o que  Roth já fez, lá quando chegou, em Junho do ano passado.
 

domingo, 10 de abril de 2011

Para esperar Falcão com a alma lavada

Paulo Roberto Falcão, ídolo e agora técnico colorado, assume o Inter nesta segunda-feira e, por pouco, não pega um time em crise e eliminado da fase final da Taça Farroupilha. 'Por pouco' é modo de dizer, afinal o jogo acabou 6 a 2 para o Inter, mas a verdade é que o time comandado pelo interino André, ex-goleiro do clube nos anos 90, saiu perdendo de 2 a 0 e com esse resultado corria o risco de ser eliminado.
A virada colorada, que aconteceu de forma fulminante, com gols aos 26, 39, 41 e 44 minutos do primeiro tempo pode ter um peso enorme para o estado anímico dos jogadores, que agora começam um trabalho novo com outro treinador e trazem o torcedor de novo pra junto do time.
No 4-2-2-2, o Inter com Oscar, D'Alessandro, Sobis e Damião demorou a encaixar. Só encaixou quando D'Alessandro assumiu o jogo. O argentino, de novo, foi o maestro colorado, deu passe pra gol e ainda guardou dois. Damião fez boa partida e deixou o dele, mas talvez o gol mais importante da tarde tenha sido o de Cavenaghi, que entrou no segundo tempo e finalmente fez seu primeiro gol pelo Inter. A partir daí, quem sabe o centroavante argentino não deslancha.
Falcão vai ter a semana livre para conhecer os jogadores dentro do vestiário, conversar, aplicar algumas teorias nos treinos e preparar seu primeiro Inter para enfrentar o Santa Cruz final de semana, pelas quartas de final da Taça Farroupilha. Sem dúvida, é importante o retorno de Falcão aos gramados e ao Inter. Certo, só saberemos se deu com o tempo. O certo, por enquanto, é o privilégio dos torcedores da dupla GRENAL de verem no comando seus maiores ídolos.