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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A zona de conforto do Internacional

Depois do empate em 2 a 2 com o Sport, o técnico do Internacional abriu a caixa de ferramentas contra os jogadores do elenco colorado. Segundo ele, muitos estão acomodados, jogando sem indignação, aceitando a marcação do adversário e displicentes. Foi exatamente isso o que se viu no primeiro tempo de 2 a 0 para o Sport.

Na segunda etapa o Inter voltou com outro ânimo, com sangue correndo nas veias. Fernandão retirou o estreante Rodrigo Dourado, de 18 anos, para colocar Cassiano. Fred, o melhor colorado em campo, recuou para jogar junto a Guiñazu, e passou a organizar o Inter vindo de trás. Cassiano foi jogar no lado direito, enquanto D'Alessandro seguiu centralizado, Forlán na esquerda e Damião de centroavante.

A melhora do Inter não passa pela saída do jovem Dourado, que foi discreto, e mal orientado para marcar, pois não tinha ninguém no setor dele. Era pra ser Hugo, mas este ficou muito mais entre os zagueiros colorados que os dois atacantes, Gilsinho e Felipe Azevedo, que atuaram abertos, segurando os laterais do Inter.

Ricardo Duarte/ClicRBS
O time de Fernandão melhorou por três motivos. Primeiro, e mais importante, porque o time ficou afim de correr, com vontade de jogar futebol. Segundo motivo foi o recuo de Fred. O Inter não precisa de mais um marcador, mas sim de alguém que soubesse ocupar o espaço e sair jogando com qualidade. O terceiro motivo foi o futebol agudo de Cassiano pelo lado direito. Tudo isso no segundo tempo.

Contudo, não foi suficiente para o Inter buscar a virada. O time gaúcho segue na sétima posição, com 37 pontos, e é cada vez mais improvável mude esse panorama. O Inter desse terminar o BR-12 mais ou menos nessa posição.

Vem por aí, no Beira-Rio, uma semana de muita movimentação fora de campo. Pois não tem jogo, mas ainda não se sabe quais as consequências das fortes declarações de Fernandão após a partida. 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A excelente vitória gremista e a crise no Inter

Grêmio 3x1 Sport
As duas últimas vitórias do Grêmio foram por 3 a 1 e ambas significam bem mais que apenas um bom futebol. São duas vitórias construídas de formas diferentes, mas que fortalecem o moral do time não como em um jogo normal. Ganhar fora de casa, de um adversário que se imagina seja adversário direto na tabela, jogando 45 minutos com 10 homens em campo, com dois gols de um jogador que passava a ser criticado no Olímpico, tem a mesma relevância anímica que descer para o intervalo perdendo de 1 a 0 e voltar para o segundo tempo para dar um passeio no adversário e virar o jogo para 3 a 1. São duas vitórias que vão além do futebol jogado.

Elano foi o destaque do Grêmio. Luxemburgo parece ter acertado o meio-campo com o quadrado formado por Fernando, Souza, Elano e Zé Roberto. Na lateral, Tony é uma das grandes notícias do tricolor, foi responsável por inúmeras jogadas contra Cruzeiro e Sport. Na frente, o ritmo de jogo e o entrosamento entre Moreno e Kléber finalmente começa a fazer diferença.

O Grêmio ainda tem certa dificuldade contra equipes que se fecham e especulam no contra-ataque. Nesta quarta o time, agora mais experiente, demostrou mais paciência e triangulações, que são indispensáveis para furar sistemas defensivos muito fechados. 

O Tricolor fecha a décima rodada do BR-12 na boa 4° colocação, com 18 pontos.

Crise no Inter
A crise que se estabeleceu no Internacional depois da derrota de ontem, nada tem a ver com a derrota de ontem. Em Minas, aconteceu uma espécie de estopim ou, como preferirem, acendeu o sinal amarelo para Dorival Junior. Por toda a circunstância que envolvia o jogo, não há nada de anormal o Inter, desfalcado e com um jogador a menos, perder para um Galo que está embalado, é líder do campeonato, joga em casa, e tem um bom time de futebol.

O Inter poucas vezes agradou em 2012. Mesmo nas poucas vezes que teve todo mundo disponível. Afinal, Dorival reclama com razão quando alega as poucas oportunidades que teve de trabalhar com o grupo completo. Sem dúvida, lesões, suspensões e convocações prejudicaram o ano colorado. E são jogadores importantes, como Moledo, Kléber, D'Alessandro, Oscar, Dagoberto, Dátolo e Damião. Tinga e Sandro Silva, que já foram titulares a certa altura do ano, deixaram o clube. Dorival não conseguiu dar sequencia a uma ideia de time titular.

Outras questões que tomaram conta das manchetes coloradas durante o ano foram os casos de indisciplinas e desentendimentos de vestiário. Sintoma que não é de agora, e evidencia um grupo difícil de se trabalhar, que há anos passa pelas mãos de muitos treinadores.

Demitir Dorival seria entregar o futebol do Inter quase que exclusivamente ao bel prazer dos jogadores. Do contrário, os atletas também precisam sentir sua parcela de culpa na má fase do time. É cômodo para qualquer um no Beira-Rio deixar tudo recair nas costas do treinador.

Mais do que nunca Dorival precisa de respaldo da direção. O Inter precisa de trabalho técnico, tático e, importante agora, um pulso firme da direção dentro do vestiário. Trocar de técnico a toda hora relaxa o grupo, fragiliza o planejamento e demostra falta de convicção. Dorival é bom treinador e ainda tem lenha para queimar no Inter.