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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Grêmio joga mal, vence e se classifica

O jogo foi complicado? Foi e não foi. Afinal, não dá para dizer que o Grêmio correu riscos contra o Fortaleza, no Olímpico. O Grêmio correu pouco. O Fortaleza, com time reserva, pois prioriza a final do cearense no Domingo, correu o que pôde com o que tinha. E tinha, inclusive, dois ex-jogadores do Grêmio: o volante Élton e o centroavante Rômulo. Dois que, em algum momento dos últimos 10 anos sem grandes títulos no Olímpico, foram titulares do Tricolor Gaúcho, agora são reservas do Fortaleza. Convenhamos, isto explica muita coisa.

Mas Elton e Rômulo, sobre os 2 a 0 a favor do Grêmio, não explicam quase nada. Estavam inseridos no 3-6-1 aplicado pelo Fortaleza, esquema que ajudou a neutralizar Marco Antônio, anulou André Lima e conteve os dois laterais gremistas. Só que muito mais que isso, não fez. Na frente, Rômulo teve atuação parecida com a do centroavante adversário, pouco fez.

No Grêmio, a grande expectativa nem era pelo jogo em si, ou pela classificação. A atração da noite era o lateral-esquerdo Dener, que ganhou a vaga já que as duas opções de Luxemburgo (J. César e Pará) estavam impedidos de jogar.  Definitivamente não foi uma boa estreia. O garoto não tinha sido aproveitado nas últimas temporadas no Olímpico e esse ano foi emprestado e jogou o Gauchão pelo Veranópolis. Pela esquerda, na noite desta quarta, não comprometeu atrás, contou com a ótima cobertura de Gilberto Silva (em grande forma), mas não acertou nenhuma investida, nem mesmo uma jogada de combinação com Léo Gago. Entretanto, Dener continua no grupo e, quem sabe, terá outras oportunidades.

Destaque mesmo para quem fez os dois gols. Primeiro Leó Gago, em cobrança de pênalti (sofrido por Bertoglio). Segundo, o próprio Facundo Bertoglio que, é verdade, acertou pouco coisa, mas quis muito o jogo, buscou a bola a todo momento e tentou as melhores jogadas do Grêmio. Miralles deu o segundo gol de lambuja.

Como já foi comentado algumas vezes aqui no PoA Geral, jogando um futebol pragmático, de resultado, o Grêmio vai avançando, enquanto vê grandes caírem na Copa do Brasil. Botafogo, Cruzeiro e Atlético-MG já estão fora. Pelo menos para Luxemburgo as perspectivas de melhora são interessantes, pois mais futuramente vai contar com Kléber, Marcelo Moreno, Zé Roberto e Julio César. 

*Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Grêmio venceu porque se impôs quando tinha 11

Dentre os vários problemas que o Grêmio, enquanto clube de futebol, enfrenta na última década, um deles, inegavelmente, é a dificuldade que seus times têm para vencer fora de casa. Dentro de casa, quase todo mundo vence quase todas. Perde uma aqui e ali, empata outra, mas vence a maioria. O diferencial do time vencedor de uma competição é ser forte também fora do seu estádio. O Grêmio tem dois exemplos recentes: a Libertadores de 2007 e o BR-09. Em ambas as competições o Tricolor papou todo mundo em casa e perdeu tudo longe do Olímpico.

Na vitória desta quarta, o principal fator para os 2 a 0 sobre o Fortaleza foi a imposição do Grêmio sobre o modesto e empolgado time cearense. A partida foi no acanhado estádio Presidente Vargas, lotado de uma torcida confiante, que vê o Fortaleza fazendo boa campanha em 2012, com dois atacantes que estão marcando gols no estadual e com uma referência técnica vestindo a 10, o meia-atacante Geraldo, de 38 anos. Não é um ambiente fácil de se jogar, mesmo levando em conta que o Fortaleza está na 3° divisão do futebol brasileiro. Coloque ainda na conta do Grêmio a derrota no grenal e a eliminação no campeonato gaúcho.

Luxemburgo mudou o time. Uma mudança foi por necessidade, pois Naldo fez quarta zaga no lugar de G.Silva, suspenso. As outras duas foram opções do treinador. Gabriel merecidamente perdeu o lugar na lateral-direita para o participativo Edilson e, na frente, Bertoglio foi sacado do time para que o Grêmio tivesse um ataque com mais força física e poder aéreo, formado por André Lima e Marcelo Moreno. No restante do time, a forma mais habitual de jogar em 2012, o 4-4-2 com o desenho de losango no meio (4-3-1-2).

Desde o início o Grêmio marcou na frente, travou a empolgação da equipe cearense e encheu de nervosismo time treinado por Neido Xavier. O primeiro gol saiu aos 12 minutos, com Marcelo Moreno aproveitando a sobra dentro da área. O segundo gol foi uma pintura, um minuto depois do primeiro. O lateral Edilson cruzou para a entrada da área e, da meia-lua, como ela veio, Marco Antônio acertou com sua perna direita um daqueles chutes que se acerta poucas vezes na vida. Golaço para fechar uma bela vitória tricolor.
O Grêmio só correu riscos quando perdeu o lateral-esquerdo Pará, aos 17 do segundo tempo, expulso depois de receber dois cartões amarelos. O Fortaleza, que já fazia quase um 4-3-3 com Geraldo e Cléo jogando uma linha atrás do centroavante Jaílson, recheou ainda mais o time de atacantes. O problema é que justamente os dois melhores nomes do Fortaleza, Geraldo e Cléo, não estavam em noite inspirada. Quando conseguiram vencer a defesa tricolor, pararam em Victor - novamente em grande forma.

O retorno de Léo Gago parece ser um fator decisivo para o Grêmio atualmente. Foi assim na vitória de 2 a 0 desta quarta. Assim como são cada vez mais inspiradas as partidas do volante Fernando. Para o jogo da volta, no Olímpico, no próximo dia 9, é natural que Luxemburgo não precise mais de um time mais pesado, por isso é plausível que André seja banco e Bertoglio volte ao time. O que não pode mudar é a atitude que o Grêmio teve quando, principalmente, tinha 11 em campo.

Foto Jarbas Oliveira/AE