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sábado, 7 de dezembro de 2013

O constrangimento colorado e a desconfiança gremista

O Internacional não vai ser rebaixado. Passaria por uma conta e uma combinação de resultados muito improváveis. Contudo, já é de enorme constrangimento para o colorado chegar na última rodada com uma possibilidade matemática de cair para a série B do Campeonato Brasileiro. Não sou daqueles  que acham que o Inter passa a máquina nesse domingo, lava a alma sobre a Ponte Preta. Esperamos algo parecido há três ou quatro rodadas, e nada acontece, nada de o Inter finalmente pontuar o suficiente para se livrar do fantasma da segunda divisão. Duvido que desencante diante da Macaca, mesmo sendo o time de Campinas uma equipe de baixíssimo nível.

O fato é que o Inter decepcionou. Teve uma administração equivocada do futebol, e uma gestão de vestiário, ao que tudo indica, mais uma vez ineficiente. O fator Beira-Rio tem muito peso, é verdade. Seria realmente muito difícil conquistar algo grande sem o grande templo colorado, mas o Internacional tinha condições de fazer melhor temporada, podendo ser um dos cinco ou seis melhores times do BR-13.

Já o Grêmio tem boas chances de ser o segundo colocado do Brasileirão. Basta empatar com a Portuguesa e o time de Renato Portaluppi consolida a posição de vice-campeão nacional. Algo simbólico, não para ser comemorado como título, mas para ser exaltado como campanha. Campanha pior apenas que a do Cruzeiro e melhor que outras 18 equipes, tendo como prêmio uma boa bonificação financeira e uma vaga direta na Libertadores. Mesmo que essa condição ainda precise ser confirmada na última rodada, é uma condição privilegiada.

De alguma forma, é infundada muito da desconfiança que se tem com a equipe gremista há alguns meses. É hora do torcedor esquecer algumas declarações equivocadas de Renato, é o momento de compreender e perdoar alguns problemas de rendimento ao longo da competição. É a oportunidade correta em que a direção tem de respaldar seu profissional, apostar na continuidade da comissão técnica e do grupo de jogadores. Não é hora de contratar novo técnico, muito menos um time novo. O Grêmio, há uma década, precisa de manutenção, respaldo e planejamento. O atual elenco é razoavelmente bom, necessitando ser reforçado de forma pontual, em três ou quatro posições para titularidade e mais três ou quatro reforços para grupo. 

domingo, 10 de novembro de 2013

Seis jogos sem marcar. Tem explicação?

Tem explicação. Não é exata, afinal se trata de futebol. Mas vai muito além da falta de sorte protestada por Renato, após a derrota de 3 a 0 para o Cruzeiro, em pleno Mineirão lotado. Primeiro o jogo: o Grêmio não jogou para levar três. No retorno do 3-5-2, o time de Renato Portaluppi defendeu-se bem até meados da segunda etapa, concedeu poucos espaços ao bom time de Marcelo Oliveira, que sendo o bom time que é, virtual campeão brasileiro, aproveitou cirurgicamente o que teve de oportunidade. Na frente, o Grêmio teve um Kléber e um Barcos mai próximos, tentandodo ser uma dupla de fato. Contudo, os atacantes gremistas voltaram a falhar nas finalizações. 

Dentre as milhares de variáveis dentro de uma partida de futebol, destaco sempre três fatores como os mais importantes para definir se uma equipe vence ou não um jogo. Quase que inventarialmente são eles: posse de bola, intensidade e ocupação de espaço. No Mineirão, o Cruzeiro teve 64% da posse da bola (Footstats), teve equilíbrio quando imprimiu intensidade para abrir o placar na primeira etapa e depois quando usou essa intensidade para marcar o Grêmio na segunda etapa e chegar ao segundo gol apenas aos 33 do segundo tempo, matando o time gaúcho animicamente e liquidando a partida aos 40 minutos, com a marcação do terceiro gol. Em contrapartida, o Grêmio não teve essa intensidade nem quando resolveu atacar, nem mesmo quando queria marcar o adversário, fundamentalmente a partir da metade do segundo tempo.

Ramon Bittencourt / Lancepress!

Porém, o que essa equipe do Grêmio mais carece no atual momento é de ocupação de espaço. Apesar dos três gols dese domingo, tem ocupado razoavelmente bem os espaços defensivamente. É na transição da defesa para o ataque que a equipe tem falhado feio nos últimos jogos. Dificilmente alguém diferente dos atacantes gremistas perdem gols. Falhas individuais? Certamente. Questão de fase ruim e incompetência: a bola não está entrando. Mas há uma falha coletiva, pois uma equipe é formada de 11 jogadores, e precisa que aconteça um certo rodízio nas micro-regiões do campo. Um exemplo básico é como joga o Barcos, saindo bastante da área. 

Não é difícil ver a área de ataque gremista desabitada. Se o Barcos está fora dela, cumprindo uma função tática muitas vezes determinada por seu treinador, é preciso que alguém, no mínimo, ocupe aquele espaço vazio. Seja um volante, um ala ou um segundo atacante. Isso é ocupação de espaço, compensação tática. É um quesito em que o Grêmio parece ter regredido nos últimos meses.

Portanto, não é só culpa da sorte, do Barcos, do Kléber, do Vargas e do Mamute. É um conjunto de situações, e só pode ser corrigido pelo Renato Portaluppi. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A culpa não foi de Elano e Zé Roberto

Fernando Gomes / Agência RBS
O Grêmio perdeu nesta última quarta-feira para o fraco Criciúma, dentro da Arena. Curiosamente, no retorno de Elano e Zé Roberto ao time titular. Se antes, os dois passaram a ser descartáveis para o técnico Renato Portaluppi, agora, do dia pra noite, passam a ser também para crônica e torcida. Os dois principais jogadores do Grêmio em 2012. O Zé Roberto, de um primeiro semestre inclusive cotado para Seleção Brasileira. Os dois, após uma derrota, jogadores ultrapassados.

Ora, eles não tem culpa na derrota de ontem? Claro, a mesma culpa de Renato Portaluppi e dos outros nove jogadores em campo. 

No futebol, uma variável infinita de fatores determina se uma equipe vai ganhar, perder ou empatar. Pior que a dupla Elano e Zé, contra o Criciúma, foi o técnico Renato. Mais letal que o próprio Criciúma, foi o próprio acaso a que qualquer equipe está sujeita em uma partida de 90 minutos. A história do jogo seria outra se o camisa 10 do Grêmio encobre o Gallato - como fez, depois de lançamento preciso de Elano - e coloca mais meia fração de força na bola chutada. Mais tarde, ainda zero a zero, se o juiz tivesse marcado pênalti sobre o mesmo Zé Roberto que perdera um gol imperdível minutos antes. O Grêmio fez bom primeiro tempo. Não fez o gol, e deu o azar (e teve sim a incompetência) de levar gol do 18° colocado do BR-13. O que não invalida a bela companha que vem fazendo a equipe de Renato Portaluppi nesse campeonato.

O técnico gremista cometeu dois grandes erros. O primeiro deles foi não ser político. Não sendo Zé Roberto e Elano titulares, precisam eles serem boas opções de banco. Precisam ser utilizados, ganhar ritmo, sentirem-se úteis e se habituarem a maneira de jogar que levou o Grêmio à vice-liderança. Renato tinha que ser político, e não utilizá-los apenas quando não há outra alternativa. É complicado depender de quem você não está prestigiando.

O outro erro foi a mudança abrupta de postura. A equipe vinha atando no 3-5-2 ou no 4-3-3. Em ambos os esquemas a estratégia era exatamente a mesma: defender, marcar intensamente no campo do adversário e aproveitar as poucas oportunidade criadas. Contra o Criciúma, não tendo Riveros, Ramiro e Kléber, jogadores fundamentais na maneira de jogar do Grêmio vice-líder, Portaluppi colocou ao lado de Souza um volante marcador para proteger os então dois zagueiros e na frente escalou uma linha de três meias muito técnicos e pouco marcadores.

Por característica, o Grêmio de ontem precisava ser o mandante de fato do jogo, valorizar a posse da bola e abrir espaço com paciência e inteligência. Apesar do bom primeiro tempo, faltou intensidade, paciência e tranquilidade para fazer aquilo que desde janeiro Luxemburgo tentou fazer no Grêmio em 2013: ser um time técnico e cadenciado. O Grêmio de Renato não vem sendo assim, e ontem, quando fugiu disso, teve muitas dificuldades. Principalmente em um segundo tempo que precisava buscar o resultado. Não deu certo.

O BR-13 segue e o Grêmio segue, sem muito se abalar por uma derrota circunstancial. Muito pior seria ter perdido para o Botafogo, por exemplo, concorrente direto na tabela. O que é possível lamentar, talvez, é que jogadores da qualidade de Elano e Zé Roberto percam espaço por um erro de avaliação da comissão técnica e por conta de uma derrota em casa completamente pontual e isolada.

Não esqueçamos que o Grêmio ainda é vice-líder. 

domingo, 29 de setembro de 2013

Inter e Grêmio em caminhos opostos

São Paulo 0 x 1 Grêmio
O time de Renato Portaluppi repetiu com 3 atacantes a mesma eficiência tática e entrega do esquema com 3 zagueiros. Se a disposição tática é diferente, a estratégia é a mesma: marcar o máximo e errar o mínimo no momento de finalizar. Contra o Corinthians, pela Copa do Brasil, eficiência zero e placar em branco. Neste domingo, diante do São Paulo, no Morumbi, o Grêmio aproveitou, com Vargas, umas das raríssimas situações de gol que criou. Estrategicamente, perfeito. Contudo, há ressalvas.

Marcelo Pereira / Terra
O bom time do São Paulo - apesar da posição na tabela - conseguiu envolver o Grêmio. Isso porque teve três meias ofensivos que exigiram a atenção dos três volantes gremistas e como homem surpresa a boa partida do volante Wellington, que sobrava quando invariavelmente não era marcado. Não à toa o time de Renato teve em Dida a grande figura da partida. O goleiro foi responsável por três defesas decisivas, que brecaram o time do técnico Muricy Ramalho.

A filosofia de futebol adotada pelo Grêmio ainda carece de estágios de evolução. Se é quase impossível reclamar da análise fria dos números, afinal de contas o Tricolor é vice-líder do BR-13 e Renato pela primeira vez fala em disputar o título, trazendo a análise para o campo de jogo, é quase displicente a maneira como o Grêmio erra passe na transição de bola no meio de campo. Isso quando há uma transição, e não apenas chutões buscando o combate de Kléber e Barcos com os marcadores, e torcendo por uma segunda bola conquistada por Vargas.

Para um time que busca jogar no contra-ataque, é preciso contra-atacar muito melhor. Contudo, a convicção de Renato em uma maneira de jogar é um passo rumo a evolução e a consolidação de uma equipe.

Inter 1 x 2 Cruzeiro
Perder para o melhor time da competição não é motivo de desespero. Ainda mais para um Inter que não é essencialmente confiável em 2013. Foi quase um mais do mesmo. Só não foi porque há na cabeça do técnico Dunga um principio de mudança. Primeiro, a colocação de Forlán e Damião no banco de reservas. Segundo, a ideia de um time com mais vitalidade e velocidade.
Fernando Gomes / Agência RBS
Assim, como no segundo tempo de Inter 1 x 1 Atlético-PR, o Colorado entrou em campo contra o líder ostentando uma equipe mais leve, com uma maneira de jogar similar a do Cruzeiro: usando o 4-2-3-1. Dessa forma, Caio era o "um" do ataque. Atrás dele, Alan Patrick mais centralizado, Otávio pela direita e Jorge Henrique pela esquerda. Todos fazendo um bom primeiro tempo.

O problema é que o bom não tem sido suficiente para o Inter. De moral completamente esfacelada, o time de Dunga não se dá o direito de errar. Erros com facilidade colocam a torcida contra a equipe e tiram dos jogadores a tranquilidade de uma finalização decisiva ou de um passe comum no meio-campo. Do outro lado uma equipe na sua plena forma física e tática, que evidentemente soube aproveitar o momento negativo do Inter e jogar no erro do colorado.

O Inter sentiu muito o gol no início do segundo tempo, mais do que deveria. Não se achou mais no jogo. Mas se Dunga procurar, pode achar no primeiro tempo uma nova ideia de time, que dê mais vitalidade a uma equipe que precisa correr mais e se preocupar menos com a pressão que vem de fora. O BR-13 ainda apresenta situações que podem levar o Inter ao G-4.

domingo, 25 de agosto de 2013

Inter ansioso segue sem vencer

Há seis jogos o Inter não vence no BR-13. É muito jogo, é muito empate. E como empate leva quase a lugar nenhum, segue na 8° colocação, com 23 pontos. O Inter vai, aos poucos, perdendo a condição de postulante ao título. Vai ficando pra trás, mesmo com um jogo a menos.

O problema mais grave na equipe do Internacional é o sistema defensivo. Não a dupla de zagueiros, Ronaldo Alves e Juan, e sim o sistema. É uma questão de posicionamento, imposição, conversa, atalho e proteção. O Inter não está sendo compacto, há pouco entendimento entre os setores do time, e muito por conta disso toma tantos gols.

Comandado por D'Alessandro, o Inter fez bom primeiro tempo. Poderia ter ampliado o placar antes de levar o gol de empate, aos 36 da primeira etapa. Soma-se a enorme carga emocional de não vencer há seis jogos no BR-13 a chuva e o campo pesado, o gol legítimo de Forlán que foi anulado e o pênalti sobre Damião no último minuto de jogo.

Dunga fez trocas interessantes na segunda etapa, mas o colorado não acertava uma sequência de passes. Além de prejudicar o andamento do seu jogo, cresce a moral do adversário. O Goiás fez a dele, com Walter em grande noite, se aproveitou do momento delicado do Inter e chegou a abrir 3 a 1. A sorte que o Inter não teve de fazer dois ou três no primeiro tempo, teve na reta final, ao buscar o 3 a 3.

Mas ainda é pouco para um time que pode mais e que já fez muito mais nesse ano. Ainda há tempo de pensar em título. Contudo, está cada vez mais distante.

A vitória da convicção

Da derrota para o Santos, na última quarta-feira, pela Copa do Brasil, não ficou apenas o resultado negativo e a desvantagem para o jogo de volta. Ficou a boa postura tática. Renato entendeu que aquela havia sido a melhor apresentação do Grêmio no 3-5-2 e compreendeu que esquema bom não é o que ganha, mas sim o que dá consistência, ocupação de espaço e perspectiva de crescimento. Por isso manteve os três zagueiros, os cinco meio-campistas e os dois atacantes. Exatamente os mesmos 11, postados da mesma maneira. E com um pouco mais de aplicação e efetividade, venceram o Flamengo, fora de casa, chegando a quatro vitórias consecutivas no BR-13.


Se o Flamengo está mal colocado na competição, se teve o desfalque importante de Elias, se jogou sem o apoio massivo de sua imensa torcida, se pensa mais na Copa do Brasil, nada disse interessa ao Grêmio. O fraco time carioca, mesmo no 4-3-3 armado por Mano Menezes, conseguiu deixar Marcelo Moreno solitário na frente.

O Grêmio marcou bem. Acima de tudo marcou, pois esta é a característica da equipe de Renato Portaluppi. A marcação começa com Kléber e Barcos e intensifica-se quando o adversário chega na linha do meio-campo, com Alex Telles, Riveros, Ramiro e Pará dando o combate, Souza posicionado alguns metros atrás, na sobra, e os três zagueiros ligados, rebatendo o que passar pela forte marcação dos cinco meio-campistas.

Assim, marcando forte, o adversário erra e é nesse erro que o tricolor tem ganhado seus jogos. Se as situações de gols foram poucas, as do Flamengo quase inexistiram. O Grêmio foi efetivo como não foi contra o Santos. Mas ainda pode ser mais, se defender e ganhar com mais tranquilidade, como havia se desenhado no primeiro tempo da importante vitória de 1 a 0 sobre o Flamengo.

O Grêmio vence e passa, aos poucos, a convencer. Coisa que, sinceramente, já não esperava dessa equipe em 2013.

MIL POSTAGENS!
Não é fácil manter um blog, ainda mais quando ele passa a ser a terceira ou quarta atividade do dia. Claro que gostaria de atualizar com muito mais frequência o PoA Geral, mas tenho conseguido, em média, postar três ou quatro textos por semana nos últimos anos. E dessa forma, muito feliz, chego ao número expressivo de mil postagens.

Obrigado a todos que leem, ajudam e já ajudaram. Rumo aos dois mil textos!  

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Grêmio não tem identidade

Não é difícil diagnosticar o problema do Grêmio em 2013. O Tricolor é um time que não tem identidade. E quando falo isso não me refiro a uma identidade histórica, de garra, raça, entrega e outras tantas coisas muitas vezes protestadas pela torcida gremista. O Grêmio de hoje não tem, sequer, uma identidade recente, fator fundamental para o insucesso da equipe.

O Grêmio oscilou muito. Teve poucos momentos bons, alguns momentos razoáveis e outros momentos ruins. Essa oscilação passa invariavelmente pela falta de um filosofia de futebol bem aplicada. Luxemburgo tentou, mas acabou frustrado com seu 4-4-2 com meio em quadrado e um centroavante que saia da área para articular o jogo. O técnico tentou, em meio ano não conseguiu que a equipe funcionasse de forma confiável e foi demitido.

Agora é a vez de Renato Portaluppi. O novo treinador, em sete jogos, passa por problemas similares. Renato monta a equipe, traça uma estratégia e o time não a executa da melhor maneira. E não executa porque as ideias de Portaluppi estão se mostrando equivocadas e de pouca convicção. Nas poucas partidas que teve, não repetiu o time e variou muito de esquema.


O seu preferido 4-3-1-2 é carente de um meia-articulador. Elano não é esse jogador e tampouco vem conseguindo "quebrar um galho". Mais atrás, quando Zé Roberto é colocado na ponta esquerda da trinca de volantes, como volante apoiador, o corredor para que ele consiga ser um jogador útil e agudo no ataque fica muito longo, sacrificando demais um jogador de quase 40 anos. Para o vértice direito do losango, o Grêmio não tem um outro jogador que possa atacar e defender com a eficiência que a função exige. Desse forma o 4-4-2 com meio em losango - apesar de ter sido utilizado nas duas vitórias do Renato - não tem se mostrado a melhor opção visto o grupo de jogadores.

Quando o 3-5-2, surpreendentemente, tinha surgido como boa opção no Gre-Nal, o técnico gremista resolve não dar sequência e mudar novamente contra o Coritiba, utilizando três volantes fundamentalmente marcadores - Adriano, Souza e Riveros.

O Grêmio levou um gol cedo, e obviamente teve imensas dificuldades de buscar o resultado contra uma equipe organizada e com uma estratégia bem traçada na partida. O time de Renato foi só abafa, em um momento em que precisaria de experiência e calma.

Não é absurdo dizer, analisando a tabela, que o Grêmio não chega ao G4 do BR-13. É preciso calma e tempo para arrumar a casa. Renato pode sim fazer isso, mas é necessário que perceba algumas situações e oxigene o time titular, sacando algumas caras tarimbadas e as tornando opção. 

É hora de pensar em um time modesto e competitivo para, ao menos, passar de fase na Copa do Brasil e reconquistar a torcida.    

domingo, 4 de agosto de 2013

Equilíbrio marca primeiro Gre-Nal da Arena

O lance mais definitivo do Gre-Nal 397, o primeiro da história da nova Arena gremista, foi construído aos 21 minutos do primeiro tempo, por Willians. O volante colorado disparou pelo flanco direito, venceu dois ou três marcadores e cruzou para Leandro Damião, de pé esquerdo, marcar seu sexto gol em clássico. Cerca de 5 minutos atrás o mesmo Willians derruba Kléber na área, cometendo assim o pênalti que oportuniza a Barcos converter e abrir o placar do jogo. Mas o gol de Damião foi mais decisivo para o jogo, justamente por ter representado uma rápida resposta a um Grêmio que até então era melhor em campo, porém não teve tempo para crescer a tomar conta do clássico a partir do gol marcado.


Caso o empate colorado não tivesse ocorrido de forma tão rápida, pelo cenário inicial de jogo, entendo que o Grêmio conseguiria administrar o resultado e, talvez, ampliá-lo. O surpreendente 3-5-2 de Rento Portaluppi deu certo. Alex Telles e Pará conseguiram segurar os laterais colorados, fazendo com que a saída de bola do adversário fosse prejudicada. Os dois alas gremistas chegaram à linha de fundo algumas vezes e inverteram bolas de um lado a outro, algo fundamental para abrir a defesa do Inter.

O Grêmio também contou com boas atuações individuais, contudo ainda peca no momento da articulação mais decisiva. Devido a forte marcação proposta por Renato, a maior parte do tempo no campo do Inter, o Tricolor roubou algumas bolas importantes, mas não soube dar prosseguimento.

Do lado colorado, Dunga não conseguiu avançar sua equipe e se desvencilhar do esquema gremista. O treinador tinha peças para isso, e tinha em seus 11 iniciais. Assim como Adriano marcava individualmente D'Alessandro, os três zagueiros gremistas tinham que receber marcação homem a homem dos três, em tese, atacantes colorados, terminando com a sobra feita por Rhodolfo e obrigando os alas Pará e Telles a recuarem para compor a linha defensiva. Por opção do treinador em deixar Forlán e Jorge Henrique mais recuados, e pela imposição física e tática do Grêmio, essa foi uma medida não utilizada pelo Inter. Acredito que era viável.

O time de Renato foi levemente melhor, mas é inegável o baixo nível técnico do Gre-Nal desse domingo e um equilíbrio que acabou prevalecendo. O resultado não é tão ruim para o Inter quanto é, em termos de tabela, para o Grêmio. A equipe colorada segue seu caminho no BR-13 sem muitas alterações, continua vislumbrando a liderança, ainda mais com os acréscimos de Alex o Scocco. Por outro lado o Grêmio, mesmo fazendo um bom jogo, continua desencontrado, sem passar confiança ou dar perspectiva do que realmente é seu papel no campeonato.

Após o jogo a tônica acabou sendo discurso da ambos os clubes contra a arbitragem de Fabrício Neves Corrêa. Algo que, sinceramente, é exagerado por parte de Grêmio e Internacional. Os mesmos equívocos, dentro de um jogo normal, não causariam tanto barulho.

terça-feira, 30 de julho de 2013

As derrotas de um Gre-Nal de torcida única

O Ministério Público acatou o pedido da Brigada Militar: o clássico 397 terá presente apenas a torcida do Grêmio. A BM avaliou que não teria condições de dar segurança ao torcedor colorado no deslocamento do Beira-Rio até a Arena. A decisão implica, necessariamente, em duas derrotas doloridas para todos nós.

A primeira, e mais urgente, é a desistência do poder público quanto a inibição do torcedor violento. A tabela do BR-13 é conhecida desde o início do ano, portanto sabe-se a data e o local do clássico há bons meses. Se nesse tempo todo a BM não achou maneira de viabilizar um Gre-Nal na Arena, qual é a perspectiva de que isso aconteça nos próximos anos? Temo que o próximo domingo marque o início de uma era triste: a dos clássicos de torcida única.

A Brigada Militar, dessa forma, admite publicamente que o torcedor violento está vencendo e, aos poucos, se tornando em um monstro incontrolável e absoluto dentro dos estádios de Inter e Grêmio. Essa sensação de impotência da BM e de eminente tensão nos campos de futebol, absolutamente em nada corresponde com a verdade. A violência dentro do estádio existe, mas infelizmente o terrorismo que se faz em torno de focos isolados - identificados e identificáveis - a torna um artificio para que o torcedor bom abandone os jogos.

Ao contrário do que parece, o torcedor ruim não tem força para enfrentar o poder público. Basta, contudo, que esse poder em questão faça-se presente. Não batendo, nem jogando spray de pimenta ou caindo em provocação barata, mas sim identificando, prendendo, cadastrado e inibindo a presença do malfeitor no estádio. Se por um lado é ousadia, e desacato à autoridade, chamar o policial pra briga e xingá-lo de tudo quanto é forma, do outro lado é completamente besta e antiprofissional corresponder da mesma forma. Me preocupa que o policial aja como um torcedor irracional e descontrolado. Ele precisa ser íntegro, calmo e assertivo, mesmo não deixando de ser rígido, por mais que isso pareça impossível, é o papel da policia, e precisa ser cumprido.

A segunda derrota é a nossa quanto sociedade civilizada. É inadmissível que tenhamos que ser escoltados por policiais militares para que não entremos em confronto corporal com torcedores de times rivais. Por um esporte. Por uma camiseta vermelha ou azul. Por um gol, um título a mais, uma taça a menos. Por bobagens simbólicas nos matamos, e só não o faremos porque estamos sendo vigiados, filmados ou policiados. É uma pena. 

Que o poder público não vire as costas e aposte em políticas severas de punição para que possamos todos ser mais civilizados. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A liderança do Inter e a derrota da tese

Está bem o Inter. Ponto. E a melhor notícia para a torcida colorada talvez nem seja a liderança após o jogo contra o cambaleante São Paulo e sim a perspectiva de fortalecimento da equipe treinada por Dunga. No domingo, o Inter pega o lanterna Náutico. Ainda que fora de casa, é jogo para vencer e se manter na ponta. E manutenção é essencial para o psicológico, para amadurecer o espírito de líder e candidato real ao título. Afinal, só ganha quem sente-se capaz de ganhar.

O Internacional, já líder, passa (e passará) a contar com Alex, Scocco, Alan Patrick, Caio, Otávio e Leandro Damião. O time de Dunga praticamente chegou à liderança e se recuperou da péssima primeira parte de BR-13 sem contar com esse nomes - ou pelo menos não em condições ideais de jogo. A partir de agora passa a ser um Inter mais forte, mais encorpado, com um grupo de jogadores que oferece ao treinador opções interessantes para reposição ou até mesmo mudança de estratégia e esquema tático.

Está bem o Inter.


A derrota da tese

E não é que o Atlético Mineiro foi Campeão da Libertadores? Era quase impossível dizer que o Galo não era o favorito após o início arrasador na competição, precedido de uma boa temporada em 2012, avalizado por um forte time montado por Cuca. Quem não defendia o favoritismo, na realidade, defendia uma tese: a de que Cuca, Atlético e Victor nunca conseguiriam conquistar um grande título, simplesmente porque são azarados.

Não teve azar nessa Libertadores. Teve é muitas dificuldades. Muitas delas, é verdade, construídas pelo próprio Galo. Mas sobrou competência na maioria das vezes ao forte time mineiro, do monstruoso (São) Victor, do nervoso e ardiloso Cuca, do líder Ronaldinho, do matador Jô, do xerifão Réver e de todos os outros que merecem tanto louros quanto.

Na última quarta-feira o Atlético Mineiro entrou para a história conquistando uma grande competição, tendo um grande time, uma imensa torcida, derrotando não apenas um valente e improvável finalista como o Olímpia, mas também derrubando por terra uma legião de secadores e suas teses furadas. 

domingo, 21 de julho de 2013

Inter ganha; Grêmio perde

Inter 1 x 0 Flamengo

Não imaginava o Flamengo de Mano Menezes impondo tamanha dificuldade para o Colorado. Foi um bom jogo de futebol disputado na tarde fria de Caxias do Sul nesse domingo. Mano, parece, está acertando a mão, e o time carioca. Num 4-4-2, com duas linhas marcando e tentando atacar, tendo Carlos Eduardo mais à frente, caindo pela esquerda, e Marcelo Moreno bem, buscando segurar a zaga do Inter, o Flamengo fez uma boa partida fora de casa e quase arranca um empate importante para uma equipe que, por enquanto, não busca título na competição.

Marcelo Oliveira / Agência RBS
Importante mesmo é a vitória do Inter, mesmo com improvisações, como Fabrício no meio-campo e Forlán como centroavante. Ainda que improvisações, trazendo ao time de Dunga vitórias essenciais na véspera de receber reforços que qualificam e quantificam o grupo de jogadores.

Jorge Henrique mais uma vez se apresentou bem. Fabrício atuou de forma segura tanto no meio quanto na lateral, após a saída de um Kléber que parece jogar próximo daquilo que sabemos que joga na esquerda. D'Alessandro manteve a boa média, dessa vez sem gol. Contudo, o destaque maior é o zagueiro Juan, soberano na área colorada e letal ao 46 minutos do segundo tempo.

Criciúma 2 x 1 Grêmio

Era a chance do Grêmio se consolidar no pelotão de cima. Não faltou raça nem determinação ao tricolor gaúcho de 9 homens em campo. Faltou bola, e o pouco que era jogado após o empate gremista, aos 37 do segundo tempo, já com Biteco expuslo, era o suficiente para vencer o dominado time de Criciúma. Mas Vargas achou que estava na pré-escola, brigou como um menino de 6 anos e foi expulso. Com dois a menos, com a torcida contra, o gramado pesado da chuva que castigava Santa Catarina, fica praticamente impossível.

Era possível no início do jogo, se o losango de Renato não escondesse Elano em meio a dois volantes, se não exigisse de Zé Roberto uma espichada mais longa para chegar na área ou se por motivo de estratégia - ou de um aquecimento mal feito - o Grêmio não demorasse tanto para entender que era jogo para ele propor, assumir a responsabilidade de equipe grande e deixar o contra-ataque como uma opção ao time da casa e não a ele próprio, Grêmio.