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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Considerações sobre a boa convocação de Dunga

CBF/ Divulgação
O novo (velho) técnico da Seleção Brasileira chamou 22 jogadores para os amistosos de setembro contra Colômbia e Equador. Na média, é uma boa convocação. A discussão entre três ou quatro nomes é sempre natural, uma lista nunca é unânime. Dunga lembrou de dez atletas remanescentes da Copa do Mundo, chamou outras 12 novidades. Como bem ressaltou, é apenas o início do trabalho e muitos ainda receberão oportunidade, até mesmo outros jogadores que disputaram o mundial do Brasil.

Das novidades, Filipe Luís, agora no Chelsea, e Miranda, do Atlético de Madrid, já mereciam, inclusive, estar na lista final de Felipão. Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro, do Cruzeiro, e Philippe Coutinho, do Liverpool, são lembranças justíssimas. Os dois laterais do Porto, Danilo e Alex Sandro, também são dois jovens que merecem oportunidade.

Dos que discordo, dois são da confiança de Dunga e, possivelmente, serão titulares: o lateral Maicon e o volante Ramires. Na zaga, Gil, do Corinthians, deve dar lugar ao lesionado Thiago Silva na sequencia do trabalho. Diego Tardelli, do Galo, é bom jogador, mas talvez já tenha passado seu momento de Seleção.

Jogadores que não descartaria para iniciar esse novo ciclo até a próxima Copa do Mundo são o goleiro Victor, os laterais  Dani Alves e Marcelo e ainda o volante Paulinho. Não acredito que Dunga pense da mesma forma.

Baseado em seus trabalhos no Inter e na própria Seleção canarinho, projeto um primeiro time no esquema 4-2-3-1, de futebol pragmático e, muitas vezes, priorizando o contra-ataque. O time deve ter: Jefferson; Maicon, David Luiz, Miranda e Filipe Luis; Fernandinho e Elias; Ramires, Oscar e Neymar; Diego Tardelli.

Ramires será o que foram Elano no Brasil e Fred no Inter, meias abertos por um dos lados, porém mais contidos, deixando a maior parte das infiltrações a cargo do outro meia extremo. No caso do retrospecto de Dunga, já fizeram esse papel Forlán e Robinho.

Sobre essa projeção de time, não é a que eu escalaria em um primeiro momento, mas fica evidente que o técnico da Seleção precisa lidar com problemas como a falta de um atacante mais de área confiável e um volante extraclasse.    

A LISTA

GOLEIROS
Jéfferson (Botafogo)
Rafael Cabral (Napoli)

LATERAIS
Maicon (Roma)
Danilo (Porto)
Filipe Luís (Chelsea)
Alex Sandro (Porto)

ZAGUEIROS
David Luiz (PSG)
Marquinhos (PSG)
Gil (Corinthians)
Miranda (Atlético de Madrid)

VOLANTES
Luiz Gustavo (Wolfsburg)
Elias (Corinthians)
Fernandinho (Manchester City)
Ramires (Chelsea)

MEIAS
Éverton Ribeiro (Cruzeiro)
Oscar (Chelsea)
Willian (Chelsea)
Philippe Coutinho (Liverpool)

ATACANTES
Hulk (Zenit)
Ricardo Goulart (Cruzeiro) - Também pode ser meia
Neymar (Barcelona)
Diego Tardelli (Atlético Mineiro)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Renovação X Reestruturação

Após toda a Copa do Mundo em que o Brasil não vence surge o mesmo papo: renovação. Afinal, é preciso renovar, buscar novos jogadores e resgatar o espírito brasileiro de jogar futebol convocando atletas que tenham orgulho de defender seu país.

Um belíssimo papo furado. Este é um dos erros crassos da nossa maneira de fazer futebol. Buscar a renovação a cada quatro anos sacrifica boas gerações e dificulta a criação de uma equipe propriamente dita, que tenha sentido coletivo e mescle experiência e juventude. Portando, Dunga, Gilmar Rinaldi e CBF erram quando falam apenas em renovação. Erra também quem cobra isso deles. A Seleção não precisa de renovação, ela precisa de continuidade e ajustes.

A palavra correta é reestruturação. Mas aí em uma esfera muito maior, que não se detém apenas no que é gerir uma seleção de futebol de um país. A Confederação Brasileira de Futebol precisa oxigenar suas práticas. Buscar a profissionalização nos mais variados setores, como o da arbitragem, por exemplo. Precisa abrir os cofres e investir de forma razoável na organização de campeonatos menores que permitam a boa saúde dos clubes de pequeno porte, auxiliar na manutenção e estruturação da base e promover cursos preparatórios com real estofo e valor técnico. Ouvir o Bom Senso FC, aderir ao fair play financeiro e repensar o calendário do futebol nacional.

Aos clubes grandes, é preciso cobrar da mesma forma. Essas agremiações poderosas precisam também se reestruturar. Além de profissionalizar a maneira de gerir o clube, é de suma importância que saibam atuar juntos fora do gramado, o que implicaria na criação de uma liga independente, nos moldes do falecido Clube dos 13. Uma liga para negociar, sobretudo, uma divisão mais equilibrada das verbas de televisão e que busque se desgarrar dos braços da Rede Globo e das Federações, defendendo o interesse dos clubes não de forma individual, mas visando o bem comum das instituições.

Isso vai muito além de uma renovação na Seleção Brasileira.


Aliás, Dunga como treinador e Gilmar Rinaldi como coordenador pouco difere do que vimos na última comissão técnica que tinha Felipão de técnico e Parreira um cargo acima - ainda que não parecesse. Por que escolher Dunga?

Não que tivesse feito mal trabalho em termos de resultado de campo na sua passagem, de 2006 a 2010. Mas o fato é que o novo (velho) técnico não deixou legado nenhum durante sua passagem pela Seleção Brasileira. Convocou pensando irrestritamente naquele momento, ignorando que em 2014 jogaríamos uma Copa do Mundo em casa e precisaríamos de uma equipe mais experiente. A culpa não é toda dele, evidente que faltou planejamento de instâncias maiores. Algo que esperamos que Gilmar Rinaldi seja capaz de comandar durante sua gestão.

Renovação
Da Copa de 2010 para a de 2014, cinco jogadores seguiram na Seleção: Julio Cesar, Thiago Silva, Maicon, Daniel Alves e Ramires. É um número baixo, ainda mais se considerarmos que nomes como Marcelo, Hernanes, Neymar e Victor poderiam estar no grupo. Outros nomes, naquele momento, também poderiam ser lembrados e, quem sabe, teriam uma trajetória diferente na carreira. Alexandre Pato e Paulo Henrique Ganso, sobretudo.

Mesmo após a catástrofe do 7 a 1 para a Alemanha na semifinal e a derrota de 3 a 0 para a Holanda na decisão de terceiro lugar, não é a hora de começar uma equipe do zero. Dos 23 convocados de Luiz Felipe Scolari para disputar o mundial no Brasil, pelo menos 12 podem servir de base para o novo trabalho do técnico Dunga. Da defesa ao ataque, são eles: Victor, Daniel Alves, Marcelo, Thiago Silva, David Luiz, Luis Gustavo, Fernandinho, Paulinho, Oscar, Willian, Neymar e Bernard.

sábado, 7 de dezembro de 2013

O constrangimento colorado e a desconfiança gremista

O Internacional não vai ser rebaixado. Passaria por uma conta e uma combinação de resultados muito improváveis. Contudo, já é de enorme constrangimento para o colorado chegar na última rodada com uma possibilidade matemática de cair para a série B do Campeonato Brasileiro. Não sou daqueles  que acham que o Inter passa a máquina nesse domingo, lava a alma sobre a Ponte Preta. Esperamos algo parecido há três ou quatro rodadas, e nada acontece, nada de o Inter finalmente pontuar o suficiente para se livrar do fantasma da segunda divisão. Duvido que desencante diante da Macaca, mesmo sendo o time de Campinas uma equipe de baixíssimo nível.

O fato é que o Inter decepcionou. Teve uma administração equivocada do futebol, e uma gestão de vestiário, ao que tudo indica, mais uma vez ineficiente. O fator Beira-Rio tem muito peso, é verdade. Seria realmente muito difícil conquistar algo grande sem o grande templo colorado, mas o Internacional tinha condições de fazer melhor temporada, podendo ser um dos cinco ou seis melhores times do BR-13.

Já o Grêmio tem boas chances de ser o segundo colocado do Brasileirão. Basta empatar com a Portuguesa e o time de Renato Portaluppi consolida a posição de vice-campeão nacional. Algo simbólico, não para ser comemorado como título, mas para ser exaltado como campanha. Campanha pior apenas que a do Cruzeiro e melhor que outras 18 equipes, tendo como prêmio uma boa bonificação financeira e uma vaga direta na Libertadores. Mesmo que essa condição ainda precise ser confirmada na última rodada, é uma condição privilegiada.

De alguma forma, é infundada muito da desconfiança que se tem com a equipe gremista há alguns meses. É hora do torcedor esquecer algumas declarações equivocadas de Renato, é o momento de compreender e perdoar alguns problemas de rendimento ao longo da competição. É a oportunidade correta em que a direção tem de respaldar seu profissional, apostar na continuidade da comissão técnica e do grupo de jogadores. Não é hora de contratar novo técnico, muito menos um time novo. O Grêmio, há uma década, precisa de manutenção, respaldo e planejamento. O atual elenco é razoavelmente bom, necessitando ser reforçado de forma pontual, em três ou quatro posições para titularidade e mais três ou quatro reforços para grupo. 

domingo, 29 de setembro de 2013

Inter e Grêmio em caminhos opostos

São Paulo 0 x 1 Grêmio
O time de Renato Portaluppi repetiu com 3 atacantes a mesma eficiência tática e entrega do esquema com 3 zagueiros. Se a disposição tática é diferente, a estratégia é a mesma: marcar o máximo e errar o mínimo no momento de finalizar. Contra o Corinthians, pela Copa do Brasil, eficiência zero e placar em branco. Neste domingo, diante do São Paulo, no Morumbi, o Grêmio aproveitou, com Vargas, umas das raríssimas situações de gol que criou. Estrategicamente, perfeito. Contudo, há ressalvas.

Marcelo Pereira / Terra
O bom time do São Paulo - apesar da posição na tabela - conseguiu envolver o Grêmio. Isso porque teve três meias ofensivos que exigiram a atenção dos três volantes gremistas e como homem surpresa a boa partida do volante Wellington, que sobrava quando invariavelmente não era marcado. Não à toa o time de Renato teve em Dida a grande figura da partida. O goleiro foi responsável por três defesas decisivas, que brecaram o time do técnico Muricy Ramalho.

A filosofia de futebol adotada pelo Grêmio ainda carece de estágios de evolução. Se é quase impossível reclamar da análise fria dos números, afinal de contas o Tricolor é vice-líder do BR-13 e Renato pela primeira vez fala em disputar o título, trazendo a análise para o campo de jogo, é quase displicente a maneira como o Grêmio erra passe na transição de bola no meio de campo. Isso quando há uma transição, e não apenas chutões buscando o combate de Kléber e Barcos com os marcadores, e torcendo por uma segunda bola conquistada por Vargas.

Para um time que busca jogar no contra-ataque, é preciso contra-atacar muito melhor. Contudo, a convicção de Renato em uma maneira de jogar é um passo rumo a evolução e a consolidação de uma equipe.

Inter 1 x 2 Cruzeiro
Perder para o melhor time da competição não é motivo de desespero. Ainda mais para um Inter que não é essencialmente confiável em 2013. Foi quase um mais do mesmo. Só não foi porque há na cabeça do técnico Dunga um principio de mudança. Primeiro, a colocação de Forlán e Damião no banco de reservas. Segundo, a ideia de um time com mais vitalidade e velocidade.
Fernando Gomes / Agência RBS
Assim, como no segundo tempo de Inter 1 x 1 Atlético-PR, o Colorado entrou em campo contra o líder ostentando uma equipe mais leve, com uma maneira de jogar similar a do Cruzeiro: usando o 4-2-3-1. Dessa forma, Caio era o "um" do ataque. Atrás dele, Alan Patrick mais centralizado, Otávio pela direita e Jorge Henrique pela esquerda. Todos fazendo um bom primeiro tempo.

O problema é que o bom não tem sido suficiente para o Inter. De moral completamente esfacelada, o time de Dunga não se dá o direito de errar. Erros com facilidade colocam a torcida contra a equipe e tiram dos jogadores a tranquilidade de uma finalização decisiva ou de um passe comum no meio-campo. Do outro lado uma equipe na sua plena forma física e tática, que evidentemente soube aproveitar o momento negativo do Inter e jogar no erro do colorado.

O Inter sentiu muito o gol no início do segundo tempo, mais do que deveria. Não se achou mais no jogo. Mas se Dunga procurar, pode achar no primeiro tempo uma nova ideia de time, que dê mais vitalidade a uma equipe que precisa correr mais e se preocupar menos com a pressão que vem de fora. O BR-13 ainda apresenta situações que podem levar o Inter ao G-4.

domingo, 25 de agosto de 2013

Inter ansioso segue sem vencer

Há seis jogos o Inter não vence no BR-13. É muito jogo, é muito empate. E como empate leva quase a lugar nenhum, segue na 8° colocação, com 23 pontos. O Inter vai, aos poucos, perdendo a condição de postulante ao título. Vai ficando pra trás, mesmo com um jogo a menos.

O problema mais grave na equipe do Internacional é o sistema defensivo. Não a dupla de zagueiros, Ronaldo Alves e Juan, e sim o sistema. É uma questão de posicionamento, imposição, conversa, atalho e proteção. O Inter não está sendo compacto, há pouco entendimento entre os setores do time, e muito por conta disso toma tantos gols.

Comandado por D'Alessandro, o Inter fez bom primeiro tempo. Poderia ter ampliado o placar antes de levar o gol de empate, aos 36 da primeira etapa. Soma-se a enorme carga emocional de não vencer há seis jogos no BR-13 a chuva e o campo pesado, o gol legítimo de Forlán que foi anulado e o pênalti sobre Damião no último minuto de jogo.

Dunga fez trocas interessantes na segunda etapa, mas o colorado não acertava uma sequência de passes. Além de prejudicar o andamento do seu jogo, cresce a moral do adversário. O Goiás fez a dele, com Walter em grande noite, se aproveitou do momento delicado do Inter e chegou a abrir 3 a 1. A sorte que o Inter não teve de fazer dois ou três no primeiro tempo, teve na reta final, ao buscar o 3 a 3.

Mas ainda é pouco para um time que pode mais e que já fez muito mais nesse ano. Ainda há tempo de pensar em título. Contudo, está cada vez mais distante.

domingo, 4 de agosto de 2013

Equilíbrio marca primeiro Gre-Nal da Arena

O lance mais definitivo do Gre-Nal 397, o primeiro da história da nova Arena gremista, foi construído aos 21 minutos do primeiro tempo, por Willians. O volante colorado disparou pelo flanco direito, venceu dois ou três marcadores e cruzou para Leandro Damião, de pé esquerdo, marcar seu sexto gol em clássico. Cerca de 5 minutos atrás o mesmo Willians derruba Kléber na área, cometendo assim o pênalti que oportuniza a Barcos converter e abrir o placar do jogo. Mas o gol de Damião foi mais decisivo para o jogo, justamente por ter representado uma rápida resposta a um Grêmio que até então era melhor em campo, porém não teve tempo para crescer a tomar conta do clássico a partir do gol marcado.


Caso o empate colorado não tivesse ocorrido de forma tão rápida, pelo cenário inicial de jogo, entendo que o Grêmio conseguiria administrar o resultado e, talvez, ampliá-lo. O surpreendente 3-5-2 de Rento Portaluppi deu certo. Alex Telles e Pará conseguiram segurar os laterais colorados, fazendo com que a saída de bola do adversário fosse prejudicada. Os dois alas gremistas chegaram à linha de fundo algumas vezes e inverteram bolas de um lado a outro, algo fundamental para abrir a defesa do Inter.

O Grêmio também contou com boas atuações individuais, contudo ainda peca no momento da articulação mais decisiva. Devido a forte marcação proposta por Renato, a maior parte do tempo no campo do Inter, o Tricolor roubou algumas bolas importantes, mas não soube dar prosseguimento.

Do lado colorado, Dunga não conseguiu avançar sua equipe e se desvencilhar do esquema gremista. O treinador tinha peças para isso, e tinha em seus 11 iniciais. Assim como Adriano marcava individualmente D'Alessandro, os três zagueiros gremistas tinham que receber marcação homem a homem dos três, em tese, atacantes colorados, terminando com a sobra feita por Rhodolfo e obrigando os alas Pará e Telles a recuarem para compor a linha defensiva. Por opção do treinador em deixar Forlán e Jorge Henrique mais recuados, e pela imposição física e tática do Grêmio, essa foi uma medida não utilizada pelo Inter. Acredito que era viável.

O time de Renato foi levemente melhor, mas é inegável o baixo nível técnico do Gre-Nal desse domingo e um equilíbrio que acabou prevalecendo. O resultado não é tão ruim para o Inter quanto é, em termos de tabela, para o Grêmio. A equipe colorada segue seu caminho no BR-13 sem muitas alterações, continua vislumbrando a liderança, ainda mais com os acréscimos de Alex o Scocco. Por outro lado o Grêmio, mesmo fazendo um bom jogo, continua desencontrado, sem passar confiança ou dar perspectiva do que realmente é seu papel no campeonato.

Após o jogo a tônica acabou sendo discurso da ambos os clubes contra a arbitragem de Fabrício Neves Corrêa. Algo que, sinceramente, é exagerado por parte de Grêmio e Internacional. Os mesmos equívocos, dentro de um jogo normal, não causariam tanto barulho.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A liderança do Inter e a derrota da tese

Está bem o Inter. Ponto. E a melhor notícia para a torcida colorada talvez nem seja a liderança após o jogo contra o cambaleante São Paulo e sim a perspectiva de fortalecimento da equipe treinada por Dunga. No domingo, o Inter pega o lanterna Náutico. Ainda que fora de casa, é jogo para vencer e se manter na ponta. E manutenção é essencial para o psicológico, para amadurecer o espírito de líder e candidato real ao título. Afinal, só ganha quem sente-se capaz de ganhar.

O Internacional, já líder, passa (e passará) a contar com Alex, Scocco, Alan Patrick, Caio, Otávio e Leandro Damião. O time de Dunga praticamente chegou à liderança e se recuperou da péssima primeira parte de BR-13 sem contar com esse nomes - ou pelo menos não em condições ideais de jogo. A partir de agora passa a ser um Inter mais forte, mais encorpado, com um grupo de jogadores que oferece ao treinador opções interessantes para reposição ou até mesmo mudança de estratégia e esquema tático.

Está bem o Inter.


A derrota da tese

E não é que o Atlético Mineiro foi Campeão da Libertadores? Era quase impossível dizer que o Galo não era o favorito após o início arrasador na competição, precedido de uma boa temporada em 2012, avalizado por um forte time montado por Cuca. Quem não defendia o favoritismo, na realidade, defendia uma tese: a de que Cuca, Atlético e Victor nunca conseguiriam conquistar um grande título, simplesmente porque são azarados.

Não teve azar nessa Libertadores. Teve é muitas dificuldades. Muitas delas, é verdade, construídas pelo próprio Galo. Mas sobrou competência na maioria das vezes ao forte time mineiro, do monstruoso (São) Victor, do nervoso e ardiloso Cuca, do líder Ronaldinho, do matador Jô, do xerifão Réver e de todos os outros que merecem tanto louros quanto.

Na última quarta-feira o Atlético Mineiro entrou para a história conquistando uma grande competição, tendo um grande time, uma imensa torcida, derrotando não apenas um valente e improvável finalista como o Olímpia, mas também derrubando por terra uma legião de secadores e suas teses furadas. 

domingo, 21 de julho de 2013

Inter ganha; Grêmio perde

Inter 1 x 0 Flamengo

Não imaginava o Flamengo de Mano Menezes impondo tamanha dificuldade para o Colorado. Foi um bom jogo de futebol disputado na tarde fria de Caxias do Sul nesse domingo. Mano, parece, está acertando a mão, e o time carioca. Num 4-4-2, com duas linhas marcando e tentando atacar, tendo Carlos Eduardo mais à frente, caindo pela esquerda, e Marcelo Moreno bem, buscando segurar a zaga do Inter, o Flamengo fez uma boa partida fora de casa e quase arranca um empate importante para uma equipe que, por enquanto, não busca título na competição.

Marcelo Oliveira / Agência RBS
Importante mesmo é a vitória do Inter, mesmo com improvisações, como Fabrício no meio-campo e Forlán como centroavante. Ainda que improvisações, trazendo ao time de Dunga vitórias essenciais na véspera de receber reforços que qualificam e quantificam o grupo de jogadores.

Jorge Henrique mais uma vez se apresentou bem. Fabrício atuou de forma segura tanto no meio quanto na lateral, após a saída de um Kléber que parece jogar próximo daquilo que sabemos que joga na esquerda. D'Alessandro manteve a boa média, dessa vez sem gol. Contudo, o destaque maior é o zagueiro Juan, soberano na área colorada e letal ao 46 minutos do segundo tempo.

Criciúma 2 x 1 Grêmio

Era a chance do Grêmio se consolidar no pelotão de cima. Não faltou raça nem determinação ao tricolor gaúcho de 9 homens em campo. Faltou bola, e o pouco que era jogado após o empate gremista, aos 37 do segundo tempo, já com Biteco expuslo, era o suficiente para vencer o dominado time de Criciúma. Mas Vargas achou que estava na pré-escola, brigou como um menino de 6 anos e foi expulso. Com dois a menos, com a torcida contra, o gramado pesado da chuva que castigava Santa Catarina, fica praticamente impossível.

Era possível no início do jogo, se o losango de Renato não escondesse Elano em meio a dois volantes, se não exigisse de Zé Roberto uma espichada mais longa para chegar na área ou se por motivo de estratégia - ou de um aquecimento mal feito - o Grêmio não demorasse tanto para entender que era jogo para ele propor, assumir a responsabilidade de equipe grande e deixar o contra-ataque como uma opção ao time da casa e não a ele próprio, Grêmio.

domingo, 5 de maio de 2013

Inter Campeão Gaúcho 2013

Um número infindável de motivos podem ser elencados para se comentar o final de uma competição e a conquista de um título. Não é diferente com o Internacional e o Campeonato Gaúcho 2013, merecidamente ganho pela terceira vez consecutiva pelo colorado.

O Inter se interessou, levou a sério e quis esse título. Sabe e tem consciência do tamanho de um título regional. Entende que não é a glória máxima - obviamente está longe disso -, mas até este dia 5 de maio, é o que há para ganhar. E o Inter ganhou. Nos pênaltis, com o dono do time, o argentino D'Alessandro, errando a primeira batida, e com um outrora contestado Muriel, pegando a cobrança decisiva. Coisas da bola. 
Mauro Schaefer/Correio do Povo
Nos 90 minutos, um jogo de poucas alternativas. O Juventude de Lisca foi maior do que poderia ser, foi corajoso e segurou o Inter enquanto seu fôlego permitiu. Jogou melhor no primeiro tempo, fazendo uma linha de marcação com quatro homens no meio-campo. Um deles, aberto na esquerda, Bergson, marcando e dificultando a vida de Gabriel. O lateral colorado sentiu, e jogou pouco.

Ao time do Juventude, do bom goleiro Fernando e do interessante volante Fabrício, faltou a segunda parte. Se por um lado, com esforço e aplicação tática, o time da serra segurou o 0 a 0 diante de quase 20 mil colorados, ficou evidente a falta de munição ofensiva.

Fator importante e boa notícia para o colorados. O técnico Dunga tem o espírito vencedor do jogador Dunga. Desde que assumiu a função de treinador na Seleção Brasileira, em 2006, o atual técnico do Inter disputou e foi primeiro colocado nas eliminatórias da Copa do Mundo, venceu a Copa América 2007, venceu a Copa da Confederações 2009, em 2010 perdeu a Copa e agora, em 2013, em sua primeira competição pelo Inter, levanta a Taça do Gauchão. Ou seja, o aproveitamento de Dunga é monstruoso.

Em campo, o Inter ainda tem o que melhorar. É um time em evolução e não há jeito melhor de evoluir que vencendo. Dá confiança, dá moral e se estabelece uma estrutura tática favorável para que, aos poucos, se mexa nas peça necessárias.

Acabou o Gauchão. Agora, é bola pra frente, Copa do Brasil e ainda o BR-13.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Rodada de tropeços e reflexão para a dupla Gre-Nal

São José 0 x 0 Internacional

Na quarta-feira o Inter não passou do 0 a 0 com o São José, jogando no Passo D'Areia, na grama sintética molhada da chuva caiu sobre Porto Alegre naquela noite. Aliado a isso, Dunga não contou com cinco jogadores: Forlán, D'Alessandro, Fred, Ygor, Moledo e Juan. Alguns destes, é verdade, foram apenas preservados, enquanto outros estavam vetados pelo DM ou servindo sua seleção - caso de Forlán.

Se colocarmos na lista o Willians, o número sobre para seis. É mais da metade de um time. Em condição incomum de gramado, passa a ser compreensível a brutal queda de rendimento do Inter. Sinal que o grupo é fraco ou precisa de reforços? Não é fraco, mas como qualquer clube grande, boas contratações nunca são dispensáveis. 

Direção e comissão técnica sabem que nenhum time no mundo mantém o mesmo rendimento quando troca cinco titulares por cinco reservas. Assim como sabem que contra o São José, dava pra jogar um pouco mais. Não como Josimar, que dessa vez tentou jogar mais do que sabe, e fez muito menos do que vinha fazendo. 

O diretor de futebol, Luis César Souto de Moura, após o jogo, disse que só Atlético-MG e Corinthians no Brasil podem e estão rendendo mais que o Internacional. Ele não está muito errado, e quando falou que as críticas ao time existem e são feitas de forma interna, deu a entender que o Colorado sabe que o grupo de jogadores ainda precisa de algumas peças.


Grêmio 1 x 2 Cruzeiro

Fernando Gomes/Agência RBS
O resultado diz. O Grêmio fracassou, dentro da Arena. Perdeu para um Cruzeiro que ainda não tinha vencido na Taça Farroupilha. O pior para o time de Luxemburgo é que essa derrota vai além do Gauchão e acaba tendo reflexo na Libertadores. Afinal de contas, a equipe que entrou em campo, sem Elano e com três atacantes, era até então a mais provável formação para enfrentar o Fluminense, no dia 10.

É sempre muito complicado de sustentar uma ideia se baseando em derrotas ou atuações ruins. A vitória, com qualquer esquema, dá confiança, moral e consistência a um time. O ideal é que o Grêmio chegue para o confronto pela Libertadores dessa forma: confiante, com moral elevada e consistência. Por este aspecto, o 4-3-3 parece se tornar inviável.

Contudo, sigo com a ideia de ser a melhor opção para o Grêmio, considerando o acréscimo de Vargas no lugar de Kléber ou Welliton. Concordo com Luxemburgo quando diz que não devemos creditar a derrota exclusivamente ao esquema. O Grêmio já perdeu no 4-4-2, e perdeu bastante, inclusive.

Muitos fatores acabam determinando uma derrota ou uma vitória. O que mais pesa é a aplicação correta de um plano de jogo bem traçado. E este plano de jogo pode ser executado em qualquer esquema. Em qualquer formatação é preciso aplicação, intensidade e repetição. Pela coletiva pós jogo do treinador, faltou os dois primeiros. Pelo que declararam os jogadores na saída de campo, falta ainda repetição.

O que eram seis jogos pelo Gauchão para preparar o time, agora são apenas dois. Sinceramente, não sei mais se Luxemburgo banca o 4-3-3 contra o Fluminense.

domingo, 10 de março de 2013

Inter sobrou na decisão do turno

O colorado do ijuiense Dunga levou a Taça Piratini com todos os méritos. Lá em Ijuí, contra o São Luiz, time da melhor campanha, mas não do melhor futebol. O Inter tem mais futebol, tem mais elenco, tem mais estrutura e mais dinheiro. Tudo isso entra em campo. Tudo isso é representado pelo placar de 5 a 0. Com o maior respeito que o São Luiz merece, fica evidenciado no placar o tamanho das duas equipes.

Não esperava uma goleada tão elástica. Mas a entendo. Contra o fraco Esportivo, na semifinal, o Inter fez só 2 a 0 e não jogou bem. O time de Ijuí é mais forte que o de Bento Gonçalves, e justamente por ser mais forte inspirou maior dedicação ao Inter de Gabriel, D'Alessandro, Rafael Moura e Leandro Damião. Este último com dois gols e duas assistências.
Diego Vara/Agência RBS

O bom São Luiz do Paulo Porto assumiu a responsabilidade de jogar em casa e propôs o jogo enquanto deu, nos primeiros 15 minutos. Jogando no 4-4-2 com um losango no meio, o time da casa tinha três volantes marcando muio forte, Marcos Paraná como articulador central e Juba como atacante de velocidade. Na linha de quatro defensores, um rigoroso revezamento na subida dos laterais. Dessa forma, principalmente com Paraná carimbando as jogadas, o São Luiz conseguiu rondar a área colorada.

Só rondar não basta. O Inter continha as investidas dos adversários com as seguras e corretas intervenções de Rodrigo Moledo e Juan. A partir daí, passado os minutos iniciais, o Inter se acertou, se achou, se reconheceu, mesmo o campo não oferecendo as melhores condições.

D'Alessandro entrou no jogo. Josimar cresceu e roubava todas. Meio de lado estava Forlán, que passou longe do que é, até agora, o melhor jogador da competição. Sem o uruguaio inspirado, o colorado teve a força e o oportunismo de Damião - coisa que há muito tempo não se via.

Pode ser um bom recomeço ao centroavante. Faltava uma grande partida ao camisa 9, estava faltando gol e, por tabela, confiança. É esse o momento. É essa a palavra: confiança.

Um time se constrói com vitórias e confiança. É justamente esse o caminho que Dunga está trilhando. O time não está pronto. Chegarão reforços e jogadores ainda voltarão de lesão. Porém, são três meses de um trabalho baseando em bons resultados. Ainda que sejam contra adversários mais fracos, são bons resultados. O Inter está adquirindo consistência. E já garantiu uma vaga na grande final do campeonato. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Inter assimila favoritismo e vence mais um clássico

O Grêmio tem seus motivos para não priorizar o Gauchão e jogar com reservas, mesmo que seja um clássico Gre-Nal decisivo, valendo vaga para uma semi-final de turno. Do outro lado, o Inter não tem absolutamente nada com isso. Tem no momento, e todos sabemos disso, apenas o campeonato regional para se preocupar.

Porthus Junior/Agencia RBS
Assim como no clássico de Erechim, há algumas semanas, nada mais natural que uma vitória colorada. Se por um aspecto o Inter não enfrenta um Grêmio com força máxima e, porventura, não testa seu elenco numa partida mais forte, o time do técnico Dunga assimila de forma positiva a responsabilidade de entrar em campo como favorito. São dois Gre-Nais como franco favorito, e duas vitórias. Sem dúvida é uma qualidade que se destaca no Internacional desde início de 2013.

Luxa acertou com seu 3-5-2. Fez um primeiro tempo razoável, apesar de ir para o intervalo perdendo por 1 a 0. O técnico gremista optou pelos três zagueiros muito em função de Tony, que tem sérias dificuldades de defender. No meio, destaque para Matheus Biteco, que mesmo depois do pênalti sobre Forlán, conseguiu manter o bom nível durante o jogo. Contudo, faltou ao Grêmio força ofensiva.

O Inter por sua vez jogou da forma como todos esperavam, um 4-4-2 com uma formatação de meio-campo que lembrava, em muitos momentos, um losango. Isto porque Fred se posicionava mais à esquerda, recuado, na mesma linha de Josimar. Ygor fez boa partida pelo centro, em frente à área, enquanto D'Alessandro fechava o meio centralizado no setor ofensivo. Esse posicionamento acabou se desmanchando na segunda etapa, junto com a mudanças do Grêmio, o que fez do Inter um time mais perigoso em campo.

Luxemburgo errou quando abandonou o 3-5-2 e partiu para o tradicional 4-4-2. Assim o Grêmio teve Tony e Alex Telles recuando para a linha de defensores. Dessa forma, Gabriel e Fabrício tiveram mais campo para jogar, e cresceram no jogo junto com Inter. Apesar do Grêmio ter descontado na segunda etapa, o time de Dunga  dominou a partida de forma mais evidente, e poderia ter ampliado.

De forma justa, continua na competição aquele que está mais preocupado com o Gauchão. Vitória nada mais que natural do Inter.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Goleada do Grêmio B e classificação colorada

Guilherme Testa/Chute10
O Grêmio finalmente voltou a ter boas notícias com seu plantel B. A equipe treinada por Roger Machado fez uma bela partida. Está certo que foi contra o Santa Cruz, mas visto que até agora o Tricolor tinha quatro derrotas, e todas elas jogando com jogadores reservas ou emergentes, um 5 a 0 é um grande acontecimento.

Roger usou o 3-5-2 tal qual a sua função, quando surgiu, em meados dos anos 70 e 80 na Europa: tornar o time mais ofensivo. Se desfaz a linha de quatro defensores - ficam apenas três - e se ganha um homem no meio-de-campo. Ontem, esse homem foi Guilherme Biteco, a joia gremista que já fora vendido ao Hoffenhain da Alemanha, que jogou na ala-esquerda, ora puxando para o meio, ora entrando em diagonal. Guilherme foi o homem da bola parada, quase marcou por duas vezes em cobranças de falta, bateu o escanteio que resultou no gol de Werley e fez a jogada que pifou Bertoglio cara a cara com o goleiro, para que o argentino marcasse o primeiro de seus dois gols na partida.

O Grêmio amassou o Santa Cruz, e correu poucos riscos. O trio formado por Werley, Gérson na sobra e Grolli compondo pela esquerda, foi soberano frente aos atacantes do adversário. Pela direita, quem ditava o ritmo era Tony, outro ala de feições ofensiva. Assim, com bastante jogadas pelos flancos, o Grêmio conseguiu fazer bom uso do 3-5-2 e encaminhar a sua classificação para a fase de matas da Taça Piratini.

Caxias 0 x 2 Inter
Não assisti ao jogo. Assisti aos lances e aos gols, apenas. Mas não é difícil chegar a conclusão de que o jogo não deveria ter seguido, no primeiro tempo. Devido a chuva, ao estado do gramado, o futebol ficou impraticável. Caxias e Inter fizeram o que dava. E o que dava era dar balão e cabecear. Aí, ponto para o colorado, que teve Gabriel e Damião. 1 a 0 Inter.

No segundo tempo, com o campo menos prejudicado após ter cessado a chuva, arremates de de longa e média distância eram as principais armas. D'Alessandro soube aproveitar, marcou o segundo e selou a vitória e a classificação colorada para a outra fase da Taça Piratini.

Importante que essa classificação venha antecipada, ainda mais depois de uma partida tão desgastante quanto esta de ontem. Assim, para o próximo domingo, contra o Cruzeiro, jogo que fecha a fase de grupos da Taça Piratini para o Inter, Dunga pode escalar time reserva sem problema nenhum. Descanso merecido e mais uma chance a quem ainda busca vaga no grupo principal.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Como o Inter conquistou a vitória que todos esperavam

A responsabilidade era colorada. Todos sabiam. O Internacional sabia, tinha consciência que neste Gre-Nal, o primeiro de 2013, levava vantagem sobre o Grêmio pelo fato de estar com seu time principal, pensando, nesse momento, apenas no Gauchão. Diferente do Tricolor, que ainda poupa seus titulares em detrimento à preparação da Copa Libertadores. Cada um com seus motivos e suas possibilidades.

Dentro das suas possibilidades, visando não ferir o planejamento prévio mesmo depois da derrota por 4 a 0 para o São Luiz, o Grêmio recheou seu time B com alguns jogadores do plantel de cima. São eles Bressan, Tony, Léo Gago, Misael, Deretti, Leandro e Willian José, jogadores reservas imediatos da equipe principal. Ainda teve Fernando, Werley e Alex Telles, considerados titulares do Grêmio. Portando, o time treinado por Roger pode ser considerado uma equipe mista. Desta forma, tecnicamente mais fraca que o Internacional.

Assim, o Grêmio se preparou para contra-atacar. No 4-3-1-2, o meia de ligação foi Jean Deretti. Jogador de velocidade e drible, que não tem a característica de um organizador que pensa e faz o time jogar. Com a bola no pé, o Tricolor não teve capacidade de agredir o Internacional, salvo em chutes de fora da área e em cobranças de faltas, como no gol de Fernando.

Fernando Gomes/ClicRBS
Diferente do Inter. Dunga repetiu o time que empatou com o Novo Hamburgo, um 4-4-2 que ataca em formato de quadrado e se defende com Dátolo e D'Alessandro fechando os lados do campo, formando uma linha de quatro, com Fred e Willians centralizados. Tendo a posse de bola, o Inter teve infiltração na área gremista.

Mesmo com a forte marcação de Fernando, Misael e Léo Gago, Dátolo conseguiu chegar à frente, se juntar a Damião e Forlán e aumentar o número de opções para D'Alessandro. O Inter ainda contava com a boa chegada de Gabriel e de Fabrício, como no segundo gol, que o lateral-esquerdo surgiu livre depois de passe de Forlán e chutou cruzado para que Damião ampliasse o placar.

Por característica, o Inter não tem uma equipe veloz, portanto precisa da posse da bola e de paciência para girar, virar o jogo, envolver a marcação e efetivar as jogadas ofensivas. O time do Dunga vais mostrando isso, deixando claro a mecânica de jogo que ditará o ano colorado.

Foi um Gre-Nal interessante, sem aquele desequilíbrio que era esperado, apesar do domínio evidente do Inter. O Grêmio sai do clássico com a terceira derrota no Gauchão, o que aparentemente não preocupa direção e comissão técnica - e não deve mesmo preocupar. Já o Colorado conquista uma vitória importante, e não em termos de tabela, mas no sentido de sustentação de ideia de futebol. É sempre bom inciar um trabalho com vitórias, ainda por cima sobre o maior rival, tendo ele a qualidade que tiver.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Como deve jogar Internacional treinado por Dunga

Definitivamente começou o ano de 2013 para o Inter. Se essa temporada terminou mais cedo, a nova demorou a iniciar. Houve um significativo hiato entre a saída de Fernandão até o acerto com Dunga, uma negociação arrastada, cheia de nunces e desencontros. No final das contas, o colorado anunciou uma comissão de futebol competente, capaz de fazer com que 2013 seja melhor que um azedo 2012.

Para fazer aqui um exercício de projeção, só podemos utilizar o único trabalho de Dunga como técnico: os quatro anos à frente da Seleção Brasileira. Sem dúvida um trabalho competente, baseado na coerência, com bons resultados. Porém, um futebol pragmático, pouco plástico, o que criou certa antipatia com o torcedor brasileiro.

A base titular, que foi à Copa de 2010 jogava num 4-2-3-1. Tinha Júlio César no gol, Maicon na lateral-direita, Michel Bastos na esquerda, a dupla de zaga era Lúcio e Juan, protegidos pelos volantes Gilberto Silva e Felipe Mello. Na linha de três meias, Elano na direta, um pouco mais recuado, Kaká no centro e Robinho na esquerda, entrando na diagonal. Na frente, o atacante era Luis Fabiano. É um time experiente, com pouco espaço para novos valores.

Se Dunga seguir a mesma tendência, as mudanças no grupo de jogadores não serão tão drásticas, e as contratações seguirão o mesmo perfil, apostando em nomes rodados como Forlán, Dátolo, Dagoberto e Juan. O que deve mudar é a atitude de vestiário, a maneira de cobrar rendimento, o modo de gerir os atletas. Dunga é disciplinador, e gosta de ter aliados em campo. Na sua Seleção, a maioria era de sua confiança, bruxos.

Hoje, Dunga tem D'Alessandro. É no argentino que o novo técnico aposta como um aliado dentro de campo. Será o capitão. Num provável 4-2-3-1, o camisa 10 segue sendo o centro do time, centralizado na linha de três meias, uma concepção parecida com a de Kaká na Seleção, puxando contra-ataques e retendo a bola.

O homem da infiltração, que se desloca na diagonal, pode ser tanto Forlán quanto Dagoberto. Eles que se aproximariam mais de Damião no ataque. Dunga até pode utilizar os dois juntos, mas nenhum faria o papel que Elano exercia. Um meia mais recuado, aberto na direita, marcando o lateral adversário e combinando jogadas com seu próprio lateral. O Inter pode ir ao mercado buscar esse jogador.

Assim como um segundo volante. Guinãzu sai pro jogo, marca na frente, só que tem dificuldades no passe curto e na conclusão à gol. No seu time, Dunga tinha um Felipe Mello igualmente combativo, mas que entrava na área e gostava de arriscar chutes e conclusões. Esse jogador pode muito bem ser o Fred, fazendo dupla com Ygor ou com o próprio Guiñazu.

Nas laterais, o Inter precisa contratar, principalmente na direita. Kléber renovou, e já foi jogador de Dunga na Seleção. Talvez continue com a 6 colorada. Na zaga, a mesma coisa acontece com Juan, jogador já conhecido pelo técnico. Deve ganhar mais espaço em 2013.

Um provável time, no 4-2-3-1: Muriel, Contratação, Moledo (Contratação), Juan, Kléber; Ygor (Guiñazu), Fred; Forlán, D'Alessandro, Dagoberto; Leandro Damião.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Seleção fica no meio do caminho

Cair nas quartas de final é precoce para uma Seleção Brasileira, por mais que ela seja treinada por Dunga, por mais que ela não seja brilhante, por mais que tenha Felipe Melo, Michel Bastos e mais alguns pra lá de discutíveis. Mas essa Seleção de Dunga, e eu sempre disse isso aqui, era uma equipe competitiva, pragmática, que dificilmente levava gols. Por essas características, apostava que o Brasil iria mais longe.

O fato é que a Holanda é uma equipe muito parecida com essa Seleção montada por Dunga. A Laranja Mecânica até agora não foi a clássica Laranja Mecânica, passou longe de dar espetáculo, mas foi sempre muito pragmática e objetiva nessa Copa, ainda mais quando Robben voltou ao time para jogar junto a um Sneijder que já vinha jogando muito.

E a diferença da Holanda para o Brasil está, e esteve, nesses dois jogadores: Robben e Sneijder. Pois as duas equipes se encaixaram táticamente, a marcação de ambas foi corretas, tanto no 4-2-3-1 brasileiro, quanto no 4-3-3 holandês.

Quando o Brasil foi melhor, no primeiro tempo, foi porque Robinho teve vitória pessoal em algumas jogadas e conseguiu se desprender da marcação e entrar livre na área. Foi porque Kaká se movimentou bem. Foi porque Felipe Mello fez o que pouca faz. Foi porque Sneijder não conseguiu vencer G.Silva. Chocolate do Brasil no primeiro tempo: 1 a 0.

Já no segundo tempo, a Holanda foi melhor porque Sneijder saiu do meio, jogou mais à direita e fugiu da marcação de G.Silva. Foi melhor porque a marcação a Robben estava comprometida com o cartão de Michel Bastos. A Holanda foi melhor porque o Brasil voltou pior, desconcentrado. Julio e Felipe falharam logo aos 8 minutos, empata holandês. Aos 22, Felipe Mello (de novo ele) deixa Sneijder cabeciar sozinho para virar o jogo. Aos 28 minutos, antes que Dunga pudesse mexer - e já deveria ter mexido - Mello dá um pisão em Robben, vai expulso e complica tudo o que já estava complicado. Chocolate da Holanda no segundo tempo: 2 a 0.

Vitória merecida dos holandeses. Eliminação merecida do Brasil, que jogou o que pôde com o que tinha e com o que o Dunga levou. Fim de um trabalho bom nos números, feio no campo e na bola. 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Seleção de sempre

Por Castro Marcon Cavalcante*

Em Joanesburgo, fez um frio de bater o queixo, 3° graus marcava o termômetro, mais frio que isso só a pousada barata que estou parando. Incrível, os quartos de lá são uma geladeira. Pelo menos o calor da torcida brasileira no Elis Park serviu para amenizar a situação. Aliás, na terça, sentei próximo ao cara que despencou das arquibancadas em meio ao jogo. Muito engraçado.

Tive alguns problemas para enviar textos para o blog, por isso esse chega dias depois da estreia da Seleção. Uma estreia discreta, como 90% das estreias dessa Copa de poucos gols e muitas retrancas. Excessão à regra foram Alemanha e Argentina, que venceram e jogaram bem.Os hermanos confirmaram o bom futebol goleando a Koreia do Sul no começo dessa segunda rodada que já é melhor que a primeira, missão não muito difícil.

A vitória do Brasil não surpreendeu, tampouco o futebol. Assim tem sido a gestão Dunga. Com esse futebol, com esse esquema tático e com esses jogadores o Brasil ganhou tudo o que disputou nos últimos 3 anos e meio. Pode ganhar a Copa? Pode. Só não pode depender tanto de um lampejo de objetividade do Robinho, ou do poder de fogo do Kaká descontado. Não dá pra isolar o centroavante no estático 4-2-3-1.

Não pode tanta coisa. Nem era para o Dunga ocupar o cargo que ocupa, nem pra eu comprar ingresso de cambista. Uma coisa eu sei que eu posso fazer, é só o que me resta, torcer - e aguentar a vuvuzela do argentino do quarto ao lado.

*Castro é louco, inclusive por futebol, e aceitou a ideia de ser o correspondente do PoA Geral na África do Sul.