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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

As dificuldades de escalar o Grêmio em 2015

Se com o grupo completo, escalar o Grêmio não é fácil, imagine para esse primeiro momento do Gauchão, que começa já no sábado, às 17h, contra o União Frederiquense na Arena. Por agora, Felipão ainda não conta com Geromel, Ramiro e Giuliano, que recuperam-se de lesão, e Wallace, volante que serve à Seleção Brasileira sub-20. 

O grande problema do Grêmio são as incertezas e, claro, as características dos jogadores. Há muito mais dúvidas que afirmações. Mesmo que a direção afirme que o time tenha uma base pronta do ano passado - e tem -, também é verdade que jogadores fundamentais para o desempenho da equipe gremista em seu melhor momento dentro BR-14 deixaram o grupo. Para Scolari, é difícil repetir este ano o 4-4-2 que facilmente variava para o 4-3-3, tendo como destaque a parceria entre Dudu e Zé Roberto na esquerda e Luan como segundo atacante. Comentei sobre essa formatação aqui no PoA Geral. 

Os jovens Erik e Evérton são o que mais próximo o Grêmio tem do velocista Dudu. Mas que resposta esses jogadores realmente podem dar? Na lateral-direita, Galhardo e Matías Rodrigues podem ser mais regulares que o competitivo Pará? E na esquerda, a capacidade física e de recomposição de Marcelo Oliveira podem suprir a técnica de Zé Roberto?

Contudo, o maior pepino para Felipão pode estar no lugar em que, aparentemente, estaria a solução. A trinca Douglas, Barcos e Moreno. Bons jogadores, mas que juntos deixam a equipe pesada, sem a mobilidade necessária para a montagem de uma equipe veloz e competitiva.

Qual o esquema melhor se adapta ao grupo gremista? A falta de velocidade e de estatura dos principais jogadores são uma preocupação, além da incógnita que representam ainda alguns jogadores promissores, como o próprio meia Lincoln, tratado pelo clube como jogador acima da média.

No treino de quarta-feira, 28, o técnico gremista sinalizou uma formação sem a presença dos dois centroavantes, no esquema 4-2-3-1, valendo-se de algumas improvisações.

Nessa projeção testada pelo Felipão, Galhardo e Luan seriam os meias abertos, enquanto Marcelo
Oliveira faz dupla com Rhodolfo durante a ausência de Geromel. Moreno seria reserva de Barcos,
porém a presença de ambos na equipe que inicia o Gauchão não está descartada.  

Time Ideal?

Se eu tivesse a difícil missão de definir uma equipe ideal para o Grêmio, usando todos os jogadores do elenco, eu também optaria pelo 4-2-3-1. Apostaria minhas fichas no Giuliano recuperado, na velocidade do jovem Éverton e arriscaria uma dupla de volantes baixos, com Ramiro e Felipe Bastos,  para tentar ter a posse da bola a maior parte do tempo. À primeira vista, não é time para disputar a ponta de cima da tabela do Campeonato Brasileiro, mas encaixado pode, perfeitamente, ser postulante na Copa do Brasil.

Gremio 2015 - Football tactics and formations



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Gre-Nal encaminha, mas não define

Não há dúvida que o clássico de domingo é importantíssimo. Até porque quem vencer na Arena fica na frente do rival e, com uma ajudinha de resultados paralelos, também fica muito bem posicionado na tabela. Dois pontos separam o Internacional, terceiro colocado com 56, do Grêmio, sexto colocado com 54 pontos. Portando, quem conquistar os três pontos dá um passo fundamental na briga por uma classificação para a Copa Libertadores.

Contudo, o equilíbrio do BR-14 é tão grande entre aqueles que disputam uma vaga no G4, que perder não significa estar fora da disputa. Do segundo colocado para o sétimo, são cinco pontos de diferença, sendo que ainda ocorrerão alguns confrontos diretos. Atrás do líder e virtual campeão Cruzeiro temos:

2° São Paulo ------ 59 pontos
3° Internacional - 56 pontos
4° Fluminense --- 54 pontos
5° Atlético-MG -- 54 pontos
6° Grêmio -------- 54 pontos
7° Corinthians --- 54 pontos

A tabela nos mostra que há três times, bons times, fora da zona de classificação que, mesmo assim, possuem pontuação para estarem dentro do G4, ficando de fora apenas pelos critérios de desempate. Se estas equipes mantiverem a média de aproveitamento, variando pouca coisa pra cima ou pra baixo, tenho absoluta certeza que a disputa vai até a última rodada. Independente do resultado do Gre-Nal de domingo.

Agora, clássico é um jogo à parte. Quase um campeonato separado, e numa análise de contexto mais ampla que o simples efeito de tabela, o Gre-Nal vale mais que três pontos. Vale a confiança de determinados jogadores para a reta final de campeonato, vale a estabilidade da comissão e do grupo de jogadores para seguir trabalhando com tranquilidade e buscar os objetivos, e vale o apoio e a auto-estima da torcida, que pode inflar com uma vitória sobre o rival.

Os times

Se tivesse que apostar, apostaria que Felipão e Abel Braga não promovem nenhuma surpresa. Escalam dentro daquilo que vem sendo suas equipes dentro das últimas rodadas. O Inter muito provavelmente em um 4-2-3-1, segurando bastante o Aranguiz ao lado de Willians para tentar proteger a zaga formada por jogadores razoavelmente jovens. Se Alex estiver em boas condições, haverá muita troca de posição com o volante chileno, fazendo com que D'Alessandro procure movimentar-se para o meio, abrindo espaço para que Charles Aranguiz se infiltre pela direita. Tal qual foi o primeiro gol contra o Santos, na Vila Belmiro, no final de semana.

Já o Grêmio deve usar três volantes de origem, como vem sendo. Esses nomes podem variar, afinal não há nenhum muito melhor que o outro. Contudo, Scolari optará em posicionar a equipe em um tradicional 4-4-2, fazendo no meio-campo a linha de quatro jogadores que lhe dá a segurança defensiva da equipe menos vazada no BR-14 e a opção de contra-ataque com Dudu e Zé Roberto pela esquerda. Luan deve ficar mais livre, atuando como segundo atacante e Ramiro novamente atuará pelo flanco direito, auxiliando Pará tanto no campo defensivo quanto no campo de ataque.

Se há um favorito, a balança pende mais para o lado colorado. É o time de melhor campanha, sempre esteve à frente do Grêmio e tem um retrospecto recente em clássicos que credencia. A questão anímica pode pesar para o tricolor, estar quase sempre inferiorizando no confronto direto nos últimos anos é sim capaz de afetar o emocional dos jogadores. Ainda mais que o elenco do Inter possui mais jogadores com perfil de decisão, que já demonstraram ser capazes de fazer a diferença em algum momento.

Agora, é importante ressaltar que as duas equipes se equivalem. Vivem momentos similares tecnicamente. A motivação gremista em finalmente vencer seu primeiro Gre-Nal na Arena é relevante e coloca um ingrediente a mais no clássico. Só resta torcer que seja um clássico jogado essencialmente na bola, sem polêmicas nem picuinhas, só com bola na rede.


Gremio vs Internacional - Campeonato Brasileiro - 9th November 2014 - Football tactics and formations
Inter no 4-2-3-1, apostando na variação entre Alex e Aranguiz para confundir a marcação do tricolor.
Já o Grêmio no 4-4-2 que permite variação para o 4-3-3, avançando Dudu e segurando Ramiro. Mas Felipão pensa, primeiramente, em proteger seus sistema defensivo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Regularidade é um dos méritos do Grêmio de Scolari

O Grêmio fez bom jogo contra o Fluminense, no Maracanã, na noite de quarta-feira, 24. Mesmo que não tenha vencido, ou que Marcelo Grohe tenha que ter feito algumas boas defesas. O fato é que mais uma vez a equipe não sentiu o fato de estar jogando fora de casa, soube agredir o adversário e manteve-se como a defesa menos vazada do BR-14. O Grêmio do técnico Luiz Felipe Scolari adquiriu corpo, ganhou cara e estilo e, sobretudo, está mantendo a regularidade.

É justamente essa regularidade que faz com que o time seja um dos postulantes a vaga na Libertadores. São pequenos direitos que as equipes vão ganhando ao longo da competição. Há três ou quatro rodadas o Grêmio conquistou esse direito de ser um dos que disputam a ponta de cima. Na classificação de momento, antes do final da rodada, nesta noite de quinta-feira, o Tricolor é o quarto, tem 40 pontos. Mas pode ainda ser ultrapassado pelo Atlético-MG, no entanto não se distancia do G4.

Felipão tem como base o 4-3-3 e, a partir deste sistema, executa pequenas variações dentro das partidas. Contudo, a estratégia é basicamente a mesma em qualquer circunstância. A marcação é quase que prioridade, não à toa tem a melhor defesa, tendo tomado apenas 14 gols, mas um dos piores ataques, com 19 gols. O líder Cruzeiro já marcou 49, o vice Internacional 31 e o terceiro São Paulo tem 42 gols. Time base:

 Gremio - Football tactics and formations

As variações táticas passam por mudanças de posicionamento de alguns jogadores. Para se defender, por exemplo, o Grêmio se recolhe em um 4-1-4-1, geralmente quando Giuliano está no time. Contra o Fluminense, Felipão se defendeu em um 4-4-2, deixando Luan como companheiro de Barcos, criando uma opção mais razoável de contra-ataque. Veja o posicionamento defensivo no Maracanã: 

Gremio - Football tactics and formations

Apesar de ter valorizado a posse de bola em alguns momentos contra o Fluminense, tentando não desperdiçar o controle das ações enquanto o adversário não dava espaço, esta não é uma característica latente da equipe de Felipão. Geralmente o Grêmio opta pela objetividade, se aproveitando da verticalidade de Dudu, Luan e da boa capacidade de Barcos reter a bola e esperar a infiltração de quem vem de trás. É uma mecânica de jogo pragmática e eficiente, similar àquela implementada por Renato Portaluppi na campanha de vice-campeão brasileiro do ano passado.

Já são oito jogos seguidos sem perder, sendo cinco vitórias e três empates. A última derrota foi para o Cruzeiro, no Mineirão, dia 21 de agosto. Naquela oportunidade, apesar do resultado negativo, o Grêmio teve boa atuação, deixando o líder marcar apenas nos minutos finais.

Se não é postulante ao título, nem tem como certo a vaga na Libertadores, é ao menos regular o time de Felipão. Fator que já o credencia a ficar no bolo de cima pelas próximas rodadas e brigar por uma vaga no G4. Entendo que o BR-14 tenha no atual cenário seis equipes (do 2° Inter ao 7° Atlético-MG) lutando por três vagas.

domingo, 17 de agosto de 2014

Grêmio de Felipão segue sendo uma incógnita

O tricolor gaúcho teve uma atuação razoável para conseguir vencer o Criciúma na tarde deste domingo, na Arena. A vitória de 2 a 0 ficou de bom tamanho. Scolari, a exemplo do que fez para o Gre-Nal, modificou consideravelmente a equipe. Não podendo contar com Pará e Barcos, o Grêmio foi à campo no 4-3-3, com Zé Roberto fazendo boa partida na lateral esquerda, Matías Rodrigues muito discreto na direita, Ramiro, Riveros e Felipe Bastos como meio-campistas e, na frente, Dudu, Lucas Coelho e Luan. O meia Giuliano ficou na reserva, primeiro por estar com dores e segundo por uma opção do técnico em tem uma equipe mais combativa.

Mauro Vieira / Agencia RBS

O ideia do 4-3-3 é interessante e, acredito, plausível de ser aplicada com esse grupo de jogadores. Mas, talvez não com esses 11 que venceram o Criciúma, equipe notadamente pouco qualificada deste BR-14. Pelo rendimento de Matias Rodrigues, o retorno de Pará é inevitável. O atacante Barcos, apesar de tudo, é mais jogador de Lucas Coelho e tem lugar na equipe. Na lateral esquerda Zé Roberto foi muito bem, aguentou os 90 minutos, mas pode ter problemas com uma sequência mais pesada. Na trinca de meio-campistas, Felipe Bastos parece ter conquistado a confiança de Felipão. Mais uma vez fez boa partida. Quanto a Giuliano, tem muita qualidade e pode, se estiver inteiro, ser um dos jogadores do meio.

Mas em sua coletiva após o jogo Felipão deu a entender que haverá mais mudanças para enfrentar o Cruzeiro no Mineirão e deixou claro uma intenção de ter um time que muda a cada rodada, conforme a necessidade do adversário. Ou seja, tão cedo não saberemos que cara terá o Grêmio. Pode até funcionar, mantendo uma espinha dorsal e modificando sensivelmente o esquema: do 4-3-3 para o 4-2-3-1, por exemplo.

Contudo, um aspecto me preocupou da entrevista do técnico gremista. Segundo ele, Ramiro não precisava jogar, precisava apenas marcar e não deixar Paulo Baier ter liberdade. O Criciúma tem uma dos piores times da competição, o meia em questão tem 40 anos, se movimenta pouquíssimo e mereceu marcação individual por parte do Grêmio. E contra um Cruzeiro, Felipão vai marcar individualmente todo o time da Raposa? O futebol moderno não admite mais esse tipo de estratégia, sobretudo em um time de certa qualificação como é o do Grêmio, com total condição de exercer marcação por zona, roubada de bola no campo do adversário e posse de bola. Quando você se propõe a marcar individualmente você se desgasta mais, corre mais atrás da bola e possivelmente cometerá mais faltas. Acho este um conceito preocupante caso passe a ser usado com mais frequência. Sobre o rodízio, é mais provável que funcione.

domingo, 30 de março de 2014

O 2º tempo que mudou a história do Gre-Nal 400

Bruno Alencastro / Agencia RBS
Abel Braga mudou o time e o jogo no intervalo. Até porque viu o Grêmio dominar a primeira etapa e vencer por 1 a 0. A equipe de Enderson Moreira começou como se esperava, da maneira que vinha atuando nos últimos jogos. No 4-4-2, com Ramiro e Edinho por dentro, Riveros aberto pela direita e Dudu na esquerda, na frente Luan e Barcos. Embora já tivéssemos duas chances de gol para cada lado aos 15 minutos de partida, o time da casa era melhor em campo, tinha a posse da bola e buscava mais as jogadas ofensivas. Não à toa abriu o placar com Barcos, em jogada pela intermediária direita após cruzamento de Pará.

O Inter começou a partida modificado, Abel não posicionou a equipe como ela vinha jogando. Ao invés do 4-1-4-1, o Colorado voltou para o 4-2-3-1. Willians e Aranguiz foram os dois volantes posicionados, atrás do centroavante Rafael Moura o Inter teve Jorge Henrique pela direita, D'Alessandro centralizado e Alex mais à esquerda. E foram justamente estes três meias o grande problema do técnico colorado - mal posicionados pelo próprio Abel.

Centralizado, D'Alessandro ficou submetido à marcação de Edinho e não fazia bom jogo. Na direita de ataque, Jorge Henrique tampouco conseguiu jogar nas costas de Wendell quanto conseguiu acompanhar o lateral gremista na marcação. Do outro lado, sem o cacoete de jogar pelo lado, Alex centralizava, encontrava a marcação de Ramiro e trancava a passagem do chileno Aranguiz. Passou pelos desajustados três meias colorados a vitória do Grêmio no primeiro tempo.

No intervalo, Abel Braga tirou o apagado Jorge Henrique e colocou Alan Patrick. Além da mudança de jogador, talvez o mais importante tenha sido a mudança tática. Alex foi para o centro, onde se sente melhor. D'Alessandro foi para a direita, bater de frente com Wendell e fugir da marcação pesada do camisa 5 gremista. Enderson foi obrigado se viu  inverter Riveros e Dudu, prejudicando a mecânica natural do jogo do Grêmio. E pra fechar as mudanças que determinaram a vitória do Inter, pela direita o colorado teve Alan Patrick, mais interessado, vivendo uma belíssima fase tecnicamente e brigando por uma vaga entre os 11 titulares.

Bruno Alencastro / Agência RBS

O Grêmio sentiu muito o primeiro gol de Rafale Moura e partir de então o Inter cresceu ainda mais. O jogadores sentiram que o jogo colorado encaixou. Da mesma forma, o Grêmio percebeu que o adversário estava melhor posicionado. Do banco, Enderson talvez tenha feito uma leitura errada da partida e trocou um meia de velocidade por um jogador cadenciador. No momento parecia muito mais razoável contar com os dois em campo e optar pela saída de um dos volantes - Ramiro, que fazia partida apagada.

Visto que há saldo qualificado e o próximo jogo tem mando do Internacional, a vantagem do colorado é significativa. Resultados muito prováveis de um Gre-Naal beneficiam o time de Abel: Grêmio 1 a 0, 0 a 0 ou qualquer outro resultado de empate. Sem dúvida, foi um passo inestimável, fora de casa, para que o Inter possa ser Tetra Campeão Gaúcho.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Substituições mudaram a cara do Grêmio no segundo tempo

Em termos de tabela e projeção, o empate de 0 a 0, em casa, com o Newell's Old Boys, não é resultado ruim. O Grêmio segue como líder do grupo e com a classificação bem encaminhada. Contudo, a partida na noite desta quinta-feira, na Arena, deixa mais que um ponto para o time gaúcho. Deixa também a sensação - como nos jogos anteriores da Libertadores - que a equipe de Enderson Moreira está no caminho certo quanto a sua formatação, e goza de um grupo de jogadores com boas opções para mudar o panorama de um jogo.

Diego Vara / Agência RBS
O time argentino foi uma parada duríssima, jogando um primeiro tempo de muito respeito, privilegiando a posse de bola e conseguindo certa imposição diante de uma Arena lotada. No 4-3-3, com a bola passando por Banega, Max Rodrigues e Figueroa, faltou ao NOB verticalidade. Mesmo no bom primeiro tempo que fez, como no segundo tempo mais cauteloso, a equipe do técnico Alfedro Berti não exigiu do goleiro Marcelo Grohe a realização de nenhuma defesa com qualquer grau de dificuldade. Fruto, também, da boa postura da linha de quatro defensores do Grêmio mais o auxílio dos três volantes.

Mas o que chamou atenção foi a mudança gremista do primeiro do segundo tempo. De um time mais passivo, tentando especular contra-ataques, o Grêmio se tornou um time insinuante, que buscou o gol e fez do goleiro Guzmán o principal nome da partida. Do 4-3-2-1, com Zé Roberto e Luan especialmente atuando por dentro, caindo pouco pelos flancos, com Riveros e Ramiro pouco inspirados tecnicamente, o Tricolor passou para o 4-2-3-1. Detalhe é que os três bons meias que compuseram a linha atrás de Barcos saíram do banco de reservas: Dudu, Alan Ruiz e Maxi Rodrigues.

O Grêmio acaba, na média, fazendo um bom jogo de futebol, construindo várias oportunidades na segunda etapa para que pudesse liquidar o adversário. E sem dúvida é um diagnóstico importante constatar que parcela considerável da mudança de postura do Grêmio veio do banco. É sinal que o Grêmio tem grupo razoavelmente qualificado para seguir crescendo na competição. Ainda que o uruguaio Maxi Rodruiguez pareça abaixo daquilo que foi em 2013, o conjunto em si prevalece, e me parece melhor com relação ao ano passado. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Grêmio passou por teste difícil na Arena

Possivelmente seja o Nacional de Medellín o adversário mais forte do grupo 6 da Libertadores, o chamado grupo da morte. É realmente um bom time e ontem à noite, em Porto Alegre, impôs certas dificuldades ao Grêmio, diferente do que pode refletir um placar de 3 a 0. Placar merecido, evidentemente, mas através de um trabalho coletivo muito árduo, de afirmação importante para a equipe de Enderson Moreira.

Wendell definitivamente não sente o peso da camisa ou do jogo. O jovem lateral-esquerdo do Grêmio tem muita facilidade no apoio, com bom drible e velocidade, fez o cruzamento para o gol de Ramiro e na parte defensiva não compromete. Assim como Luan, como Ramiro, é uma jóia com potencial de crescimento que está funcionamento muito bem dentro do trabalho coletivo da equipe gremista.

Variando do 4-1-4-1 para o 4-3-3, o Grêmio tem segurança defensiva com os três volantes e insinuação ofensiva com um Zé Roberto dividindo ações com Luan, tendo a chegada de Wendell pela esquerda e contando com um capitão Barcos em fase bem mais inspirada, mesmo que ontem tenha perdido um gol incrível. O bom time colombiano teve seus melhores momentos após ter levado o primeiro gol, mas encontrou na equipe gaúcha um time capaz de se defender e anular as virtudes do adversário.


O Grêmio de Enderson Moreira vai sendo talhado por vitórias seguras e consistentes, fatores importantes na caminhada de um time em formação. O Ainda é precoce apontar o Tricolor como favorito ao título da Libertadores, mas já há amostras que a equipe tem capacidade de crescimento importante na competição continental e pode, quem sabe, surpreender.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O que mudou na dupla Gre-Nal de 2013 pra cá

Apesar da amostragem ser pequena e o nível de exigência do Gauchão ser dos mais baixos, é possível sim tirar algumas conclusões sobre Inter e Grêmio para 2014. Possivelmente uma ou outra análise pode soar precoce - e de fato é -, mas tanto Enderson quanto Abel estão apostando e trabalhando com uma filosofia de futebol que deve perdurar durante a temporada.

Grêmio tem mais opções ofensivas
Do time de Renato Portaluppi, vice-campeão brasileiro, para esse que inicia a temporada, houve duas perdas técnicas significativas: Souza e Vargas. Cada um por suas circunstâncias particulares. Porém, das poucas contratações que o Grêmio fez, nenhuma representa individualmente uma melhora significativa na qualidade do elenco. O fato é que o Grêmio ganhou em outras frentes, e um dos principais responsáveis por esse acréscimo é o estilo de jogo adotado pelo técnico Enderson Moreira.

Adriana Franciosi /Agência RBS
O Grêmio da temporada passada era pragmático, marcador, pouco vaidoso e nada virtuoso. Assim, conseguiu ser o segundo melhor time do Campeonato Brasileiro, com Kléber e Barcos comprometidos em marcar, e se desgastando por isso, pelo bem maior da equipe. Da mesma forma os volantes, invariavelmente três, sempre de muita entrega e transpiração.

O Tricolor desse ano achou alternativas e mudou a proposta de jogo. Luan veio da base e está dando conta do recado, Zé Roberto voltou à beirada do campo, sem a cobrança de ser o articulador central da equipe, Maxi Rodrigues é boa opção de banco, assim como Alan Ruiz. Jogadores mais agudos, Enderson ainda tem Kléber, Dudu e Éverton. Como titular, Barcos está correspondendo a uma mecânica de jogo que o aciona mais. O Grêmio de ontem, que venceu o Caxias por 3 a 2, a maior parte do tempo atuou numa espécie de 4-3-3, com Luan e Zé Roberto atuando pelos lados e conseguindo movimentação interessante na frente. 

O time de Enderson gosta de ter a bola no pé, diferente da equipe de Renato. Se terá resultado melhor, só o tempo dirá.

Inter tem transição no meio campo
No início da temporada o técnico Abel Braga perdeu três atacantes de alto nível: Forlán, Scocco e Leandro Damião. Mesmo com a contratação de Wellington Paulista, não podemos considerar que houve reposição à altura. Mas o fato é que o Inter tem o time de melhor rendimento do Gauchão 2014, sobrando em relação aos adversários e apresentando um futebol vistoso. Diferente do Grêmio, não há mudança significativa na postura e na proposta de jogo para essa temporada. Clemer e Dunga, assim como Abel, variavam do esquema 4-1-4-1 para o 4-2-3-1, sempre privilegiando a posse de bola e jogadores mais técnicos.

Porém, o atual treinador ganhou algumas soluções caseiras e um reforço estrangeiro importantíssimo. Primeiro os reforços caseiros: Alex, Alan Patrick, Fabrício e Rafael Moura voltaram a apresentam um futebol mais respeitável e hoje são peças fundamentais na campanha colorada. Principalmente o lateral-esquerdo, que praticamente não tem reserva, e o meia Alex, de condição física prejudicada na temporada passada.

No entanto, o nome fundamental é Charles Aranguiz, o volante chileno que consegue dividir ações com D'Alessandro na armação da equipe. Aranquiz chega para substituir Fred, o meia/volante que ano passado foi vendido e descompensou o até então arrumado time de Dunga. O chileno, assim como o brasileiro, tem vitalidade, desarme, bom passe e bom arremate. É o tipo de jogador que é chamado de "motorzinho do time", com a capacidade de fazer a transição da defesa para o setor ofensivo, jogando por dentro, na segunda linha de meio no 4-1-4-1 utilizado até agora por Abel Braga. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Grêmio B é inconstante

Após a primeira partida contra o São José, uma derrota de 1 a 0 em um gramado sintético cozinhando a 60 Graus Celsius, o plantel B do Grêmio voltou à campo esta noite e conquistou uma vitória apertada de 2 a 1 sobre o Lajeadense. Os primeiros pontos do Tricolor no Gauchão. Sem dúvida nenhuma pontos essenciais para um Grêmio que começa a usar seu plantel principal no domingo, mas sempre visando e priorizando a Libertadores, portanto deixando claro que equipe mista será uma constante no estadual.

Lucas Uebel / Grêmio FBPA
A equipe de Mabília era vista com desconfiança pela torcida gremista. Contudo, mesmo após a vitória nesta segunda rodada, a desconfiança persiste. A gurizada que entrou em campo se comportou melhor, é verdade, no bom e amplo gramado da Arena. A péssima imagem deixada contra o Zequinha enfraqueceu, mas ainda há o que provar ao torcedor e à comissão técnica principal.

O Grêmio B demostrou bons valores individuais. Dois deles certamente serão utilizados no time de cima. Primeiro o atacante Evérton, de 17 anos. Ele joga pela esquerda no 4-2-3-1 tricolor, porém foi quem apareceu como centroavante para finalizar a boa jogada do lateral Breno e abrir o placar contra o Lajeadense. O segundo veste a 10. Luan é um meia alto, magro, com velocidade, vitória pessoal e bom passe. Ele começou jogando pelo meio na linha de três meias e mostrou versatilidade ao terminar a partida atuando pela direita. Luan sofreu o pênalti que acabou dando a vitória ao Grêmio.

O lateral esquerdo Breno também tem qualidade e talvez surpreenda ao ser alçado para a equipe principal, afinal hoje o Grêmio conta apena com Wendell para a posição.

Contudo, no segundo tempo a equipe de jovens do Grêmio teve uma queda preocupante de rendimento. O time se mostrou inconstante animicamente, cedeu à pressão e sentiu bastante o gol de empate. Sem dúvida, apesar da vitória importante, a segunda etapa gremista demostra certa instabilidade no Grêmio de Mabília. Instabilidade que prejudica o conjunto, mas não ao ponto de apagar o razoável brilho de algumas jovens apostas.