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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Punição ao Grêmio é justa, mas o que muda?

O fator pedagógico é importante. Já lembraram que em outros momentos as punições a clubes por causa de objetos lançados a campo por torcedores era comum. Este é um cenário que mudou bastante, de tanto que puniram as agremiações, o fator pedagógico condicionou torcedores a quase não cometerem mais infração de tal natureza. O que me leva a acreditar, de forma otimista, que a eliminação do Grêmio na Copa do Brasil e a multa de 50 mil reais por conta das injúrias raciais de torcedores dirigidas ao goleiro Aranha, do Santos, é começo definitivo para a mudança de comportamento, pelo menos dos, gremistas - habituados a chamar colorados de macaco sob o disfarce de folclore, e outras desculpas.

Contudo, o julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) deixa no ar inúmeras questões completamente discutíveis. O melhor texto que li a respeito, até então, foi do José Antônio Lima, publicado hoje no blog Esporte Fino, da Carta Capital. O jornalista é um crítico do trio que traz mais problemas que soluções ao futebol brasileiro (quando deveria ser exatamente ao contrário): CBF, Globo, STJD.

Entre outros aspectos, Lima faz o seguinte apontamento:
"A punição ao Grêmio foi, também, duplamente conveniente para o complexo da CBF. Por um lado, o tribunal mostrou “força”, e fez isso em cima de um time virtualmente eliminado da competição de que foi excluído. Fez, também, em cima de determinados torcedores, claramente culpados, é verdade, mas sem direito à defesa, o que é grotesco, e cuja punição não será fiscalizada, como é óbvio. Ao mesmo tempo, a decisão joga a tarefa do combate ao racismo sobre os clubes, isentando a CBF de qualquer obrigação a respeito de ações que eduquem jogadores, torcedores e clubes sobre o tamanho do problema. Com a punição do Grêmio, passa-se a sensação de que “algo está sendo feito”, ainda que na verdade nada tenha mudado."
Corroborando com a opinião do blogueiro, um levantamento da Folha de São Paulo, do dia 31 de agosto, destaca 12 denúncias de racismo no futebol brasileiro em 2014. Além de ser lamentável que o Grêmio esteja envolvido em duas das denuncias, é pertinente notar que todas as outras penas são relativamente brandas, muitas delas sendo ainda amenizadas após recurso no STJD.

Como se não bastasse, Ricardo Graiche, um dos cinco auditores que votou pela punição do clube gaúcho, foi flagrado em 2012 postando conteúdo preconceituoso e racista em sua conta no Facebook (imagens abaixo). Portanto, é necessário se dar conta:

- O racismo não se resume a poucos torcedores, tampouco a torcidas organizadas. É uma doença social;
- A punição contra o Grêmio, apesar de questionável, é justa e pode ter um significado importante para o futuro do clube e a relação com seu torcedor;
- Não podemos nos deixar enganar por medidas pontuais, principalmente vindas da CBF e STJD.



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Considerações sobre a boa convocação de Dunga

CBF/ Divulgação
O novo (velho) técnico da Seleção Brasileira chamou 22 jogadores para os amistosos de setembro contra Colômbia e Equador. Na média, é uma boa convocação. A discussão entre três ou quatro nomes é sempre natural, uma lista nunca é unânime. Dunga lembrou de dez atletas remanescentes da Copa do Mundo, chamou outras 12 novidades. Como bem ressaltou, é apenas o início do trabalho e muitos ainda receberão oportunidade, até mesmo outros jogadores que disputaram o mundial do Brasil.

Das novidades, Filipe Luís, agora no Chelsea, e Miranda, do Atlético de Madrid, já mereciam, inclusive, estar na lista final de Felipão. Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro, do Cruzeiro, e Philippe Coutinho, do Liverpool, são lembranças justíssimas. Os dois laterais do Porto, Danilo e Alex Sandro, também são dois jovens que merecem oportunidade.

Dos que discordo, dois são da confiança de Dunga e, possivelmente, serão titulares: o lateral Maicon e o volante Ramires. Na zaga, Gil, do Corinthians, deve dar lugar ao lesionado Thiago Silva na sequencia do trabalho. Diego Tardelli, do Galo, é bom jogador, mas talvez já tenha passado seu momento de Seleção.

Jogadores que não descartaria para iniciar esse novo ciclo até a próxima Copa do Mundo são o goleiro Victor, os laterais  Dani Alves e Marcelo e ainda o volante Paulinho. Não acredito que Dunga pense da mesma forma.

Baseado em seus trabalhos no Inter e na própria Seleção canarinho, projeto um primeiro time no esquema 4-2-3-1, de futebol pragmático e, muitas vezes, priorizando o contra-ataque. O time deve ter: Jefferson; Maicon, David Luiz, Miranda e Filipe Luis; Fernandinho e Elias; Ramires, Oscar e Neymar; Diego Tardelli.

Ramires será o que foram Elano no Brasil e Fred no Inter, meias abertos por um dos lados, porém mais contidos, deixando a maior parte das infiltrações a cargo do outro meia extremo. No caso do retrospecto de Dunga, já fizeram esse papel Forlán e Robinho.

Sobre essa projeção de time, não é a que eu escalaria em um primeiro momento, mas fica evidente que o técnico da Seleção precisa lidar com problemas como a falta de um atacante mais de área confiável e um volante extraclasse.    

A LISTA

GOLEIROS
Jéfferson (Botafogo)
Rafael Cabral (Napoli)

LATERAIS
Maicon (Roma)
Danilo (Porto)
Filipe Luís (Chelsea)
Alex Sandro (Porto)

ZAGUEIROS
David Luiz (PSG)
Marquinhos (PSG)
Gil (Corinthians)
Miranda (Atlético de Madrid)

VOLANTES
Luiz Gustavo (Wolfsburg)
Elias (Corinthians)
Fernandinho (Manchester City)
Ramires (Chelsea)

MEIAS
Éverton Ribeiro (Cruzeiro)
Oscar (Chelsea)
Willian (Chelsea)
Philippe Coutinho (Liverpool)

ATACANTES
Hulk (Zenit)
Ricardo Goulart (Cruzeiro) - Também pode ser meia
Neymar (Barcelona)
Diego Tardelli (Atlético Mineiro)

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Líder do Bom Senso F.C. concede entrevista ao DCM

Reprodução Facebook
No último sábado, 19, o Diário do Centro do Mundo publicou uma interessante entrevista com o zagueiro Paulo André, ex-jogador do Corinthians, líder do movimento Bom Senso F.C. O jogador atualmente joga no futebol chinês, na equipe Shanghaï Shenhua. Ao DCM, Paulo André falou sobre as reivindicações do movimento, que busca conquistar melhorias significativas para o esporte no Brasil. Na sequência, reproduzo na íntegra a conversa do jogador com o jornalista Pedro Zambarda de Araújo.

DCM: O que você achou do desempenho da seleção na Copa do Mundo?


PA: Não acho que a seleção fracassou tanto. As pessoas perderam a razão e se deixam levar pela emoção e pelo placar de 7 a 1. Minha visão não mudou por causa da Copa e nem minha críticas. O Brasil, fazendo tudo errado, chegou à semifinal. Algumas informações: 70% dos atletas profissionais ficam desempregados seis meses por ano, clubes grandes acumulam dívidas, dirigentes nunca são punidos, clubes pequenos estão jogados às traças, jogadores entram na justiça do trabalho e podem esperar por até 10 anos pra receber os atrasados, a formação e a capacitação de profissionais é empírica e insuficiente e a média de público nos estádios tem a décima oitava posição no ranking mundial, atrás até de Estados Unidos e Austrália. Se não estamos no fundo do poço, estamos bem próximos dele. E a solução dada pelos dirigentes do futebol brasileiro é trocar a comissão técnica, o coordenador, o médico e o assessor de imprensa da seleção. Tem que ter muita cara de pau, não? Imagine se trilharmos o caminho correto? Seremos imbatíveis.

DCM: Os jogadores têm alguma culpa no estado das coisas no futebol?


PA: Todos nós temos culpa. Os jogadores de futebol refletem a própria sociedade brasileira. Estudaram nas mesmas escolas públicas, tiveram as mesmas poucas oportunidades, não sabem ou não conseguem se posicionar politicamente, têm medo de retaliação e acabam por virar massa de manobra. O mesmo ocorre com o povo.

DCM: Quais são as propostas do Bom Senso F.C. para mudar a gestão da CBF, que tem dirigentes há 40 anos no poder?

PA: O primeiro passo é propor a reforma política. É preciso oxigenar a estrutura de poder. Quem está no poder há décadas já provou que não tem capacidade de conduzir o futebol brasileiro com a excelência que o cargo exige. A CBF, numa tática de guerra conhecida como “teoria da intimidação”, controla seus 47 membros, sendo 20 clubes da série A e 27 federações estaduais. Esse jogo político emperra as medidas técnicas necessárias para o desenvolvimento do esporte no país. É preciso democratizar a CBF já.

DCM: Democratizar a CBF?


PA: A CBF se ampara no artigo 217 da Constituição, inciso I que define que as entidades que administram o esporte no país tem autonomia financeira e estatutária. Esse artigo não permite nenhum tipo de intervenção ou regulação do governo. Ao mesmo tempo, a CBF se utiliza de um bem público que é a seleção brasileira e arrecada mais de R$ 400 milhões por ano. A oportunidade do Congresso Nacional e da presidente está na necessidade de que os grandes clubes de futebol, quebrados, têm pela aprovação da LRFE (Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte). O projeto propõe, entre outras coisas, o parcelamento da divida fiscal dos clubes, mas oculta a isenção da responsabilidade civil e penal dos dirigentes que cometeram irregularidades no período. Exigir dos clubes, em troca pelo parcelamento da dívida fiscal, a democratização da CBF, sem se excluir, é claro, a responsabilidade civil e penal, que venha a ser apurada, dos dirigentes seria um golaço. É para isso que o Bom Senso F.C. está trabalhando atualmente.

DCM: Dilma pode colaborar com essa mudança?

PA: Dilma tem uma única oportunidade de devolver a CBF, e todas as entidades que regem o esporte no país, ao povo brasileiro. Não devemos aprovar a LRFE do jeito que está. O projeto é frágil ao tentar garantir que os clubes estejam realmente em dia com suas obrigações fiscais e, principalmente, trabalhistas. Essa debilidade justifica o desespero dos dirigentes e a pressão da “bancada da bola” para sua rápida aprovação. Uma vez garantido o parcelamento, clubes e CBF voltarão a se blindar e não mais discutirão as mudanças estruturais do esporte. É preciso aproveitar a oportunidade e exigir dos clubes, em contrapartida pelo parcelamento da dívida, a regulação e a democratização do estatuto da CBF, limitando o mandato dos dirigentes a quatro anos com apenas uma recondução, dando voz e direito de voto aos atletas, treinadores, árbitros e todos os demais clubes filiados à entidade. O Congresso Nacional e a Dilma têm amplas condições de democratizar a autoritária e arcaica estrutura do esporte brasileiro.

DCM: Que papel deve ter o estado ou o governo na gestão do futebol brasileiro?

PA: Intervir para democratizar as estruturas de poder, regulando as entidades que administram a CBF, como os Teixeiras, Marins e Del Neros. Governo deve coubir a criação de novos impérios maléficos para o desenvolvimento do esporte brasileiro.

DCM: E o que você acha da corrupção no nível internacional, em entidades como a Fifa?

PA: É preciso lutar contra isso. Mas teremos muito trabalho com a CBF e com a Comembol antes de chegarmos a FIFA (risos).

DCM: O que você achou das Jornadas de Junho e dos protestos anti-Copa?

PA: Achei incrível e participei. E espero que voltem com mais frequência. O país precisa disso. Boa parte dos nossos políticos se esquecem de seu papel e de quem eles deveriam representar de fato. Uma reforma política se faz necessária para melhorar o modelo de representatividade. Apenas 8% dos nossos deputados foram escolhidos de forma direta. Isso é algo que não entra na minha cabeça.

DCM: A reforma que vocês propõem no Bom Senso F.C. inclui a Globo?


PA: Se não temos direito nem de votar e opinar dentro da CBF, imagine dentro da Globo. A Globo é uma empresa que visa o lucro. Ela controla os clubes por causa dos empréstimos e adiantamentos do contrato dos direitos de transmissão. Ela sabe jogar o jogo e está no direito dela de buscar o lucro. E a CBF, que deveria zelar e proteger o nosso futebol, é conivente. Para não ficarem expostos, fingem que o problema não é com eles. Para que os clubes fiquem menos dependentes da emissora, é preciso fechar a torneira, parar de gastar de forma insana, colocar as contas em dia e depois negociar o próximo contrato de TV em melhores condições, abrindo a concorrência. Por isso o Bom Senso luta por um Jogo Limpo Financeiro dentro do futebol, não esse de mentirinha que querem aprovar no Congresso. Sou um sonhador, não me julgue por isso.

DCM: Quais são os bons exemplos internacionais de boa administração do futebol?


Existe na Alemanha, na Inglaterra e na própria França. As Confederações cuidam da Seleção e se preocupam com o futebol nacional, fomentando seu desenvolvimento em todas as dimensões: educação, formação e alto rendimento. Além de investir na responsabilidade social da prática esportiva, como lazer e saúde. Elas são responsáveis por capacitar treinadores, gestores, criar licenças e cursos para profissionalizar cada um dos segmentos citados acima e regulamentar todas as questões que envolvem o esporte no país. Enquanto isso, a Liga, a associação dos clubes, comanda o futebol profissional e seus campeonatos, visando o espetáculo e o lucro. Não é tão difícil de copiar, não é?

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Renovação X Reestruturação

Após toda a Copa do Mundo em que o Brasil não vence surge o mesmo papo: renovação. Afinal, é preciso renovar, buscar novos jogadores e resgatar o espírito brasileiro de jogar futebol convocando atletas que tenham orgulho de defender seu país.

Um belíssimo papo furado. Este é um dos erros crassos da nossa maneira de fazer futebol. Buscar a renovação a cada quatro anos sacrifica boas gerações e dificulta a criação de uma equipe propriamente dita, que tenha sentido coletivo e mescle experiência e juventude. Portando, Dunga, Gilmar Rinaldi e CBF erram quando falam apenas em renovação. Erra também quem cobra isso deles. A Seleção não precisa de renovação, ela precisa de continuidade e ajustes.

A palavra correta é reestruturação. Mas aí em uma esfera muito maior, que não se detém apenas no que é gerir uma seleção de futebol de um país. A Confederação Brasileira de Futebol precisa oxigenar suas práticas. Buscar a profissionalização nos mais variados setores, como o da arbitragem, por exemplo. Precisa abrir os cofres e investir de forma razoável na organização de campeonatos menores que permitam a boa saúde dos clubes de pequeno porte, auxiliar na manutenção e estruturação da base e promover cursos preparatórios com real estofo e valor técnico. Ouvir o Bom Senso FC, aderir ao fair play financeiro e repensar o calendário do futebol nacional.

Aos clubes grandes, é preciso cobrar da mesma forma. Essas agremiações poderosas precisam também se reestruturar. Além de profissionalizar a maneira de gerir o clube, é de suma importância que saibam atuar juntos fora do gramado, o que implicaria na criação de uma liga independente, nos moldes do falecido Clube dos 13. Uma liga para negociar, sobretudo, uma divisão mais equilibrada das verbas de televisão e que busque se desgarrar dos braços da Rede Globo e das Federações, defendendo o interesse dos clubes não de forma individual, mas visando o bem comum das instituições.

Isso vai muito além de uma renovação na Seleção Brasileira.


Aliás, Dunga como treinador e Gilmar Rinaldi como coordenador pouco difere do que vimos na última comissão técnica que tinha Felipão de técnico e Parreira um cargo acima - ainda que não parecesse. Por que escolher Dunga?

Não que tivesse feito mal trabalho em termos de resultado de campo na sua passagem, de 2006 a 2010. Mas o fato é que o novo (velho) técnico não deixou legado nenhum durante sua passagem pela Seleção Brasileira. Convocou pensando irrestritamente naquele momento, ignorando que em 2014 jogaríamos uma Copa do Mundo em casa e precisaríamos de uma equipe mais experiente. A culpa não é toda dele, evidente que faltou planejamento de instâncias maiores. Algo que esperamos que Gilmar Rinaldi seja capaz de comandar durante sua gestão.

Renovação
Da Copa de 2010 para a de 2014, cinco jogadores seguiram na Seleção: Julio Cesar, Thiago Silva, Maicon, Daniel Alves e Ramires. É um número baixo, ainda mais se considerarmos que nomes como Marcelo, Hernanes, Neymar e Victor poderiam estar no grupo. Outros nomes, naquele momento, também poderiam ser lembrados e, quem sabe, teriam uma trajetória diferente na carreira. Alexandre Pato e Paulo Henrique Ganso, sobretudo.

Mesmo após a catástrofe do 7 a 1 para a Alemanha na semifinal e a derrota de 3 a 0 para a Holanda na decisão de terceiro lugar, não é a hora de começar uma equipe do zero. Dos 23 convocados de Luiz Felipe Scolari para disputar o mundial no Brasil, pelo menos 12 podem servir de base para o novo trabalho do técnico Dunga. Da defesa ao ataque, são eles: Victor, Daniel Alves, Marcelo, Thiago Silva, David Luiz, Luis Gustavo, Fernandinho, Paulinho, Oscar, Willian, Neymar e Bernard.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cartolaço da CBF é um equívoco

A informação pegou too mundo de surpresa. Mano Menezes não é mais o técnico da Seleção Brasileira. O anuncio de sua demissão foi na tarde desta sexta-feira . Um verdadeiro cartolaço dos dirigentes José Maria Marin, Andrés Sanchez e Marco Polo Del Nero. Quinta-feia à noite, alguns dos jornalistas mais bem informados do Brasil receberam a informação, porém não conseguiram nenhuma confirmação. Até hoje de manhã, Mano não sabia. Os três cartolas da Confederação Brasileira de Futebol tomaram a decisão após reunião.

É um equívoco. Mano já viveu momentos em que cogitar uma demissão não era nenhum absurdo. Agora, é burrice. O trabalho do técnico não é incontestável, porém, está longe de ser tão ruim quanto as pessoas pintam por aí. Fundamentalmente a imprensa de Rio e São Paulo. Até então, o grande erro de Mano Menezes era a demora para definir um time base para trabalhar, coisa que se resolveu nos últimos seis meses. Os testes diminuíram, a filosofia de jogo estava clara e a equipe principal praticamente definida. O trabalho estava, finalmente, dando frutos, o Brasil estava encorpando. Não era o momento para mudanças.

O pior de tudo é que as mudanças podem ser profundas, quando cogita-se Felipão e Muricy. Nem tanto pelo nome ideal, que agora seria Tite. Os dois primeiros seguem uma linha mais agregadora, de montar equipes mais competitivas e menos tática, mais experiente e pesada, menos leve e jovial. Tudo que o Brasil não precisa.

Os convocáveis de hoje são, essencialmente, jovens. Que precisam de maturação tática, entrosamento e confiança. Não de uma mudança de rumo.

Não sabemos se Mano seria Campeão do Mundo - nem estou afirmando isso aqui. Mas realizava um perfil de trabalho que está alinhado com o futebol moderno, praticado nas grandes equipes do mundo. Quem mais, no Brasil, poderia fazer coisa parecida? Tite.

Posso errar tudo e daqui a um ano e meio a Seleção estar levantando a taça sob o comando de Felipão ou Muricy. E o ônus de dar opinião.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Você viu? #19

Todas as terças aqui no PoA Geral é dia de repassar conteúdo, compartilhar, indicar. Nunca se pode ler tudo, sempre escapa alguma coisa que fica pra depois, mas um depois que não chega nunca. Vai que uma dessas está aí embaixo. Aproveite, é uma interessante reunião de links.

Carta Capital, 9 de abril

Jornalismo B, 9 de abril

Jornal Sul21, 9 de abril

Jornal Sul21, 9 de abril

Vi o Mundo, 8 de abril


No próximo dia 11 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará se as mulheres brasileiras poderão realizar o aborto de um feto anencéfalo.


RS URGENTE, 8 de abril

Blog do PVC, 5 de abril

Estratégia e Análise, 4 de abril.


"Desta vez o Lobão Errou", escreveu o músico e jornalista gaúcho Arthur de Faria, em seu Facebook, depois de tocar junto com Wander Wildner no festival Lollapalloza, que aconteceu em São Paulo neste final de semana:

"Gents, só tenho uma coisa pra dizer do Lollapalooza e acho que meus amigos que tavam lá tocando comigo assinam embaixo todos: se o mundo fosse assim tava melhor. Desta vez o Lobão errou. O tratamento era absolutamente im-pe-cá-vel pra TODOS os artistas, sem NENHUMA espécie de privilégio pra nenhuma banda de nenhum tamanho (exceto, obviamente, a ordem dos shows, que ainda cometeu o equívoco de botar todos os brasileiros ANTES dos de fora - mas foi só isso). Do Dave Grohl ao Cascadura, todos comeram nos mesmos lugares, conviveram sem nenhum estrelismo, respeitaram todos os horários (menos os Racionais, que atrasaram), tiveram o MESMO tempo de montagem e passagem de som (inacreditáveis 3 horas), e as mesmas condições técnicas. Quem circula por festivais desse tamanho sabe o quanto isso é raro. Respeitei o tal do Perry Farrel. E, é claro, o sensacional staff brasileiro todo: gentil, prestativo, educado, empenhado, incansável. Uma puta experiência de big-big-big business com clima de casa da gente. Inacreditável. Parabéns a todos os envolvidos. Wander Wildner assina embaixo, não assina?"

terça-feira, 13 de março de 2012

Você viu? #15

Nesta segunda-feira (12), Ricardo Teixeira renunciou ao cargo de Presidente da CBF. Confira a seguir tudo o que, até agora, o PoA Geral recomenda ler sobre o assunto.

Sai que é não é mais sua, Teixeira!
Blog do Mauro Beting, 12 de março

Romário, sobre saída de Teixeira: 'Exterminamos um câncer do futebol brasileiro'
ESPN.com.br, 12 de março

Alexandre Kalil prega união de clubes por eleições na CBF já
Blog do PVC, 12 de março

Jornalismo B, 12 de março

Vi o Mundo, 12 de março

Conversa Afiada sobre a generosa reportagem do Jornal Nacional na noite desta segunda.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A renuncia de Ricardo Teixeira mudaria os rumos do futebol nacional?

Quinta-feira acabou, a sexta está iniciando e não aconteceu o anuncio da renuncia de Ricardo Teixeira à presidência da CBF. Pelo menos até o fechamento deste post. Especula-se desde quarta-feira (15) que o atual comandante da Confederação Brasileira de Futebol cederia à pressão e deixaria o cargo que ocupa desde  16 de janeiro de 1989.

Nos bastidores, o rumor corre desde novembro passado, dizem os dirigentes das confederações estaduais. A maioria deles aliados e muito próximos a Ricardo. E justamente por estar cercado de aliados políticos é que quase nada mudaria na gestão da CBF, pois provavelmente um desses aliados assumiria o cargo. Pelo estatuto da instituição, em caso de renuncia, assume o cargo o vice-presidente mais idoso, que no caso se tarata de José Maria Marín, de 79 anos.
Outra possibilidade é a de trazer a eleição de 2015 para os próximos meses desse ano. Esta é uma alternativa levantada pelo Noveletto, presidente da Federação Gaúcha. Porém, ele sabe que precisaria de manobras políticas de grandes proporções para que eleições sejam convocadas nesse momento. E se fosse, os nomes mais concorridos e com maiores chances também são da turma de Teixeira, como Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians.

Segundo informações do jornalista da ESPN Paulo Vinício Coelho, Ricardo Teixeira está isolado, sem conversar com quase ninguém. Estaria deprimido, constrangido ao ponto em que chegou a situação. Muito mais pelo que ouvem seus filhos na escola do que qualquer outra atitude que possa lhe pesar a consciência. Os dirigentes mais próximo dizem que até sábado o ainda presidente se pronunciará oficialmente.

Outro forte indicio de que nada mudaria é a conivência dos grandes clubes brasileiros perante a CBF e a Rede Globo. Na polêmica disputa dos direitos de transmissão dos próximos três anos do campeonato brasileiro, a atitude mais promissora a ser tomada era formar uma liga aos mesmos moldes do Clube dos 13 (ou até mesmo fortalecer a instituição hoje desvalorizada) com o único e exclusivo interesse de valorizar o Campeonato, beneficiando todo mundo, inclusive o torcedor, e dividindo o dinheiro dos direitos televisos de forma mais racional e igualitária. Os presidentes dos clubes foram na contra-mão acontece nos grandes campeonatos do mundo. Se aliaram com CBF (que nada tem a ver com o C13) e Globo para negociarem os direitos individualmente, utilizando apenas o poder de barganha que cada instituição tem: o valor de sua marca, o número de torcedores e o potencial de audiência. Esta desunião dos clubes e uma total falta de visão corporativista é muito prejudicial ao futebol brasileiro nesse momento.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Inter vence a segunda no Gauchão

O absurdo calendário brasileiro impôs ao Internacional a improvável missão de jogar três partidas de futebol no intervalo de quatro dias. Na quarta, os titulares enfrentaram o Once Caldas pela Pré-Libertadores, uma partida de elevado nível de competição. Na quinta, tinha jogo pelo Gauchão, contra o Cerâmica, jogo que a equipe B perdeu de 2 a 0, no Beira-Rio. Novamente pelo Estadual, e no Beira-Rio, neste sábado o Internacional voltou a vencer.

O time reserva venceu bem, sem grandes dificuldades, por 3 a 1, o Veranópolis. Jogo que marcou a boa volta de Tinga, que pode aparecer na no jogo da Colômbia na quarta. Outro que pode aparecer caso não joguem D'Alessandro e Dagoberto (há essa possibilidade) é Marco Aurélio, que desencantou e fez seu primeiro gol vestindo a camiseta do Inter.

Palmas para o Inter, que se mostra estruturado para conseguir escalar três equipes diferentes para essa situação bizarra. Vaias para as federações gaúcha, brasileira e sul-americana, responsáveis por entregar o organização do futebol ao bel-prazer de patrocinadores e detentores dos direitos de transmissão.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O feitiço contra o feiticeiro, a cobra que morde o rabo, entre outras coisas

A coisa chegou num ponto em que a CBF está ameaçando divulgar gravações comprometedoras a respeito de Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes. A notícia é do colunista Ricardo Feltrin, da Folha de São Paulo. Segundo o jornalista da Folha, Teixeirão não gostou do Jornal Nacional ter noticiado sobre as denuncias ao presidente da CBF.
A fonte de Feltrin garante que nas gravações é possível ouvir diálogos em que o diretor da Globo Esportes exerce todo seu poder e arrogância, mudando horário de jogos e falando mal da concorrência, inclusive usando de palavriado chulo.
Apesar de não haver aí nada que ninguém não saiba, nota-se que há um desgaste, não só entre Globo e CBF, mas principalmente entre as duas instituições e o público, sobretudo depois da matéria esclarecedora da revista Piauí de julho. 
O sujo começa a falar do mal lavado. Só espero que a roupa suja seja lavada o quanto antes, e aos olhos de todos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ciberativismo sai às ruas: #ForaRicardoTeixeira no centro de Porto Alegre

Na tarde desta sexta-feira (5), dezenas de pessoas se reuniram na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre, em protesto contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, que ocupa o posto há 22 anos e tem mandato até 2015 - ano em que deixa a CBF para concorrer à presidência da FIFA.
O protesto foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS, pelo Movimento Juntos e pela Frente Nacional dos Torcedores. Segundo a organização e as informações do Correio do Povo e do Jornal Sul 21, a manifestação  durou cerca de duas horas (das 12h às 14h) e contou com a participação de algo em torno de 300 pessoas.
A campanha #ForaRicardoTeixeira ganhou força no twitter no mês passado, depois da publicação da entrevista com Teixeira na Revista Piauí de julho. Sem nenhum tipo de papas na língua nem vergonha na cara, o presidente da CBF fala absurdos, com uma arrogância e um desdém monumental contra quem o acusa de corrupção e manobras levianas frente à confederação.
Sábado passado, 30/07, o manifesto ocorreu no Rio de Janeiro. Próximo dias 13 de Agosto, protesto semelhante deve acontecer na cidade de São Paulo.
Outrora tão criticado ciberativismo, pelo fato de não sair das redes sociais, aos poucos vai ganhando outros moldes e outra força. A força que o estende ao mundo real, que o faz ser percebido não apenas por aqueles que tem acesso à internet, mas também pelos cidadãos que circulam nas ruas. Outro exemplo extraordinário é o caso Tonho Crocco, que ganhou repercussão nas redes sociais, com imensa apoio ao músico e repúdio ao processo aberto pelo deputado federal Giovani Cherini (PDT). Tamanha foi a repercussão e campanha, que o deputado anunciou em nota oficial que deve encerrar o caso.
E para não deixar escapar. A RBS publicou em seus portais na internet uma pequena nota sobre o protesto contra Ricardo Teixeira. O texto de  dois parágrafos e apenas três frases coloca como causa principal do protesto "a forma como a Copa de Mundo de 2014 está sendo organizada". Diz que além disso, os manifestantes aproveitaram para "bradar" contra Teixeira. Veja com os próprios olhos AQUI. Nos links mais acima têm as reportagens do Sul 21 e do Correio do Povo. Comparem.

Foto de Ramiro Furquim/Sul21

terça-feira, 22 de março de 2011

Ver o circo pegar fogo

Desde o final de 2010 até este exato momento (e não estanca por aqui, muito pelo contrário), um assunto no futebol brasileiro corre em paralelo à própria prática do esporte. Claro, estou falando da polêmica que se criou em torno da disputa dos direitos de transmissão do futebol a partir de 2012. O assunto vai muito além do futebol. Mas muito além.
Tem ali muita política, muito interesse financeiro de clube, de entidade, de emissora. Tem muito do que é a selva sem lei que é mídia brasileira. Quando finalmente o Clube dos 13 resolveu retirar as regalias da toda poderosa e mimada Globo, instalou-se o caos político no futebol nacional. Em texto de Alexandre Haubrich publicado recentemente aqui no blog, dá para entender melhor como a situação chegou ao atual patamar de indefinição.
Corre a informação que a Globo está fechada com 13 clubes, mas até agora só Grêmio, Goiás, Cruzeiro e Coritiba admitiram oficialmente o acordo com a emissora para que transmita seus jogos no triênio 2012/13/14. Flamengo e Corinthians ainda não acertaram com ninguém. Enquanto isso, A RedeTV! já adquiriu junto ao C13, em licitação aberta a qual foi a unica emissora a participar, o direito de transmissão do Campeonato Brasileiro dos próximo três anos. O detalhe é que o C13 está com uma gama pequena de clubes grandes ainda afiliados. São eles o CAP, o Inter, o Atlétco-MG e o São Paulo.
Agora a rede Record entrou na briga novamente. E emissora do bispo Edir Macedo promete investir forte nos quatro últimos pilares do C13 e garantir pra si os direitos de transmissão de Flamengo e Corinthians, clubes das maiores torcidas do Brasil.
Ou seja: a bagunça é grande. No cenário atual, os direitos de transmissão podem ser divididos em três fragmentos entre as três emissoras, o que diminuiria muito a quantidade de jogos televisionados. A notícia ruim disso tudo é que o torcedor é o maior prejudicado, pois nenhum benefício lhe trás esse tipo de disputa de interesse.
A notícia boa de todo esse alvoroço é ver o circo pegar fogo! Assim, quem sabe, não se chega a conclusão que um novo circo precisa ser erguido; não se chega a conclusão que a Globo não pode ter todo esse poder de audiência e barganha; que a CBF tem que gerir futebol e não jogos de políticagem; que os clubes precisam ser mais unidos visando o bem coletivo e o melhor para o torcedor. Quem sabe não está na hora do Estado apagar esse fogo e pôr ordem na casa, como fez Cristina Kirchner, na Argentina, estatizando as transmissões e passando os jogos na tevê pública.

Leia também:
Record alfineta Globo e diz: prioridade é ter Fla e Corinthians

Senado entra na discussão dos direitos de tevê do Campeonato Brasileiro

sábado, 5 de março de 2011

A Rede Globo e o monopólio no futebol brasileiro

Artigo do jornalista Alexandre Haubrich, postado dia 03/03/11 no blog Jornalismo B

As transmissões televisivas de futebol, a princípio, são como quaisquer outras transmissões de eventos ao vivo. Se um comício é transmitido pela TV, por exemplo, pressupõe-se que ele aconteça de forma independente em relação às emissoras que querem transmiti-lo, e que a cobertura seja jornalística. Em muitos eventos esportivos também é assim. No Brasil, as partidas de futebol profissional não seguem a óbvia lógica.
No Campeonato Brasileiro de Futebol, por exemplo, o espaço para o jornalismo nas transmissões ao vivo é irrisório. Os repórteres de campo são praticamente a única exceção. O restante é espetáculo, e os próprios transmissores fazem parte relevante do show. Mesmo os horários das partidas são definidos pela emissora que detém os direitos exclusivos sobre os jogos. É por isso que, no meio da semana, o torcedor fiel precisa ir ao estádio às 21h50min, chegando em casa já na madrugada para trabalhar no dia seguinte, enquanto a dita emissora não mexe no sagrado horário de suas novelas. É por isso que, em pleno verão, atletas profissionais são obrigados a jogar sob temperaturas absurdas às 16h, para que a audiência televisiva não seja prejudicada e os milhões de reais da publicidade entrem fácil nos cofres da emissora.
O futebol profissional foi mundialmente – inclusive no Brasil – transformado em um grande espetáculo televisivo. O torcedor que vai ao estádio tem poucos direitos, pouco conforto, pouca segurança, é muito pouco respeitado, a começar pelos horários das partidas. Enquanto isso, a televisão ganha audiência com o futebol, e publicidade com a audiência.
Ao contrário de um evento comum, o futebol profissional passou a girar em torno da televisão, já que é dali que os clubes, mal administrados e pouco preocupados com seu torcedor, tiram a maior parte de sua receita – que, para tornar o clube competitivo, precisa ser cada vez mais alta.
Dentro desse contexto, já em meados de 2010 tivemos a polêmica eleição para o Clube dos 13, na qual acusações de compra de votos por parte de Kléber Leite, aliado da CBF e de seu presidente, Ricardo Teixeira, não foram repercutidos pela Rede Globo. Kléber era o adversário do atual presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, e defendia a manutenção do formato de disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol. Koff, não. E Koff, contra os interesses da Rede Globo e da CBF, venceu.
No início de 2011, o Clube dos 13, seguindo recomendação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), colocou em disputa os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, enquanto a Rede Globo gostaria de manter os critérios anteriores: nenhum. A Globo gostaria de continuar com a exclusividade dos direitos, sem concorrência, já que a Record parece ter condições financeiras de oferecer mais aos clubes do que a Vênus platinada – as transmissões das Olimpíadas de 2012 e de 2016 já estão nas mãos da Record, lá as travessuras políticas da Globo não adiantaram. O que a Globo fez, então? De alguma forma desconhecida convenceu os clubes a se retirarem do Clube dos 13 (totalmente ou apenas na negociação dos direitos de imagem), e a negociarem diretamente com a emissora carioca.
Operando nos bastidores para evitar a justa concorrência, impondo seus horários esdrúxulos às partidas, monopolizando as imagens e transmissões, enfraquecendo as instituições responsáveis por gerir o futebol brasileiro, a Globo presta um enorme desserviço ao esporte, ao torcedor e ao telespectador, além de ignorar e enfraquecer valores democráticos básicos.
*Um post interessante sobre o assunto pode ser encontrado no Escrivinhador.