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quarta-feira, 18 de março de 2015

Você viu? #128

Hoje no Você Viu vou priorizar uma assunto que ainda está muito forte: as manifestações do dia 15 de março. Como de costume, vou fugir das notícias e interpretações da grande mídia e buscar visões e opiniões mais à esquerda. Entendo como um exercício necessário para tentar fugir do lugar comum.






Blog do Sakamoto, 15 de março

Bruno Lima Rocha para o IHU, 15 de março

Jornalistas Livres, 15 de março

Sul 21, 15 de março

Eliane Brum, 16 de março

Pragmatismo Político, 17 de março

Carta Capital, 17 de março

El País, 17 de março

Revista Fórum, 18 de março

Imagens dos protestos em Novo Hamburgo, região metropolitana. Foto: Joel Vargas

quarta-feira, 11 de março de 2015

Você viu? #127

A partir desta semana, o Você Viu passa a ser postado sempre nas quarta-feiras, e não mais nas terças como já era habitual. O motivo é mais operacional, visando facilitar a produção desta coluna por este blogueiro que vos tecla.

Havana Connection #3


Gente: Os trabalhadores diante da Operação Lava Jato
Carta Capital, 11 de março

Carta Capital, 10 de março

Jornalismo B, 9 de março

Estratégia & Análise, 7 de março

ProjacA mucama de Angélica
Diário do Centro do Mundo, 9 de março

Revista Fórum, 10 de março

Agência Pública, 3 de março




terça-feira, 3 de março de 2015

Você Viu? #126

Diário do Centro do Mundo


Ponte
Vista aérea de Brasiléia no ápice da cheia. Foto: Secom/AC

Drogas: Por que louvamos o álcool e punimos a maconha?
Blog do Sakamoto, 3 de março

Escuridão: Parque da Redenção perde o encanto quando o sol se põe
Sul 21, 3 de março

HSBC: Receita Federal investiga brasileiros suspeitos
Carta Capital, 3 de março

Guido Mantega: A boçalidade do mal
Eliane Brum, 2 de março

Mujica: 10 frases marcantes do ex-presidente do Uruguai
BBC Brasil, 1° de março

Água: Presidente da CPI da Sabesp fala ao DCM
Diário do Centro do Mundo, 1° de março

Crise: Líder socialista espanhol busca em Lula uma inspiração contra a crise
El País, 28 de fevereiro

Porto Alegre: COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA CÂMARA INDICA QUE AGRESSORES DA OCUPAÇÃO MAIS BELA VISTA PODEM SER DO 4º BOE
Jornalismo B, 27 de fevereiro

Amazônia: Grilagem e desmatamento contam a história do Jari
Agência Pública, 26 de fevereiro

Violência: Brasil aparece em 2º lugar em lista dos destinos mais inseguros para mulheres viajarem sozinhas no mundo
Brasil Post, 24 de fevereiro

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Você Viu? #123

Como já é habitual, todas as terças-feiras aqui no PoA Geral proponho uma espécie de curadoria de conteúdo. Na sequência, portanto, você vai poder conferir links de vídeos, artigos, reportagens e entrevistas, colhidos ao longo da última semana.

Socialista Morena, 27 de janeiro
Capa da Veja em 16 de junho de 2004
Trabalho Escravo: Manifestações e protestos marcam semana de combate ao trabalho escravo
Rede Brasil Atual, 27 de janeiro

Sul 21, 27 de janeiro

Choque: Reality show envia blogueiros de moda para fábrica têxtil no Camboja
Catraca Livre, 26 de janeiro

Jornalismo B, 26 de janeiro

Blog do Sakamoto, 26 de janeiro

Estado Islâmico: entrevista com Bruno Lima Rocha, professor do curso de Relações Internacionais da Unisinos

BBC Brasil, 26 de janeiro

Opera Mundi, 26 de janeiro

Carta Maior, 24 de janeiro

DW, 23 de janeiro

DCM, 22 de janeiro

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Você Viu? #121

O atentado da semana passada aos funcionários da publicação francesa Charlie Hebdo ainda é um assunto que se impõe. Por conta disto, a edição desta terça-feira reúne bastante conteúdo sobre o ocorrido. O contexto é mais complexo do que parece, portanto nem todas as vozes que selecionei expressam a mesma opinião, mesmo sendo visões com posicionamentos sempre mais à esquerda.

Charlie


EXAME, 12 de janeiro

Portal Fórum, 12 de janeiro

Intervozes, 11 de janeiro

Carta Maior. 11 de janeiro

Coluna do Veríssimo, 11 de janeiro

DCM, 10 de janeiro

Eu não sou: Je ne suis pas Charlie
Leonardo Boff, 10 de janeiro

Blog do Morris, 9 de janeiro

El País, 13 de janeiro

Outros temas


Arthur de Faria, 13 de janeiro

Sul 21, 12 de janeiro

Blog do Sakamoto, 12 de janeiro

Eliane Brum, 10 de janeiro

Feminismo: Gentili e seu modo mascu de standu up Bullying
Escreva Lola, Escreva, 7 de janeiro

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Você viu? #120

Já é de praxe aqui no PoA Geral todas as terças-feiras essa curadoria de conteúdo, reunindo algo do mais interessante que foi pra rede nos últimos dias. Com a edição 120, começamos o ano. Aproveitem que tem muita coisa boa pra consumir nos links indicados.

POA: Fortunati poderá vetar projeto que cria feriado para Dia da Consciência Negra em Porto Alegre
Sul 21, 6 de janeiro

Futebol: Neymar a Messi após gol sofrido pelo Barça: 'Aquece'
ESPN, 6 de janeiro



Kátia Abreu: Ministra diz que “não existe mais latifúndio”. Adoraria viver no país dela
Blog do Sakamoto, 5 de janeiro

Ministra:  O Brasil tem latifúndios: 70 mil deles
Carta Capital, 6 de janeiro

Política: Análise preditiva para o cenário político nacional em 2015
Estratégia & Análise, 5 de janeiro

Segurança: O estranho caso das promoções e demissões do coronel que fazia propaganda nazista
DCM, 5 de janeiro

Coronel Fabio de Souza em entrevista para Luciano Huck
















Mídia: Como a Veja foi atacada por seus próprios leitores numa matéria sobre o nazismo na PM
DCM, 5 de janeiro

Cristo: 10 versões hereges para Jesus: liberdade de pensamento e a neo-inquisição virtual
Socialista Morena, 5 de janeiro

Chile: Após série de ofensas racistas, jogador de futebol venezuelano pede para sair de time
Opera Mundi, 1° de janeiro

Sant'Ana:  Zero Hora, dezembro de 2014: A promoção do racismo
Jornalismo B, 30 de dezembro/14

Insegurança: O Natal das mães que perderam seus filhos para o Estado
Ponte, 28 de dezembro

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Folha de S. Paulo: golpe baixo e desinformação

O jornal Folha de S. Paulo publicou em seu portal na última quarta-feira, 17, um levantamento sobre os gastos públicos com publicidade do governo federal e das estatais nos veículos de comunicação, entre os anos de 2000 e 2013. O título da matéria é "Sites alinhados ao governo foram beneficiados com gasto em publicidade".

A estrutura, a abordagem e a intenção do texto são de um golpe baixíssimo e praticam sobre o leitor uma desinformação tremenda. Na publicação, em tom acusatório, o jornal afirma que revistas como a Carta Capital e sites como o Carta Maior são tidos pela "oposição" como veículos financiados pelo Palácio do Planalto e pelo PT. Segundo a Folha, são "sites alinhados ao governo" e com "posições de esquerda". Quer dizer, na linguagem jornalística mais rasa, de entendimento médio, estes veículos não praticam jornalismo isento e honesto.

Desonesta é a intenção da Folha em publicar a matéria com a clara intenção de minar a discussão pública sobre democratização da mídia, dando a entender que fora do pequeno espectro de grandes empresas de comunicação do Brasil o jornalismo é necessariamente chapa branca e alinhado ao governo. Tornando notícia o fato de um veículo se posicionar politicamente à esquerda, como se isso configurasse algum crime.

Na quarta-feira mesmo a Carta Capital publicou uma matéria em tom de resposta. "O levantamento da Folha de S.Paulo comprova o óbvio: os barões da mídia embolsam a maior fatia dos investimentos do governo federal. Sem falar nos acertos pouco republicanos com seus aliados tucanos", afirma o texto. E ainda destaca que, no últimos 14 anos, os grupos que mais lucraram em cotas publicitárias são:  Grupo Globo (5,2 bilhões), TV Record (1,3 bilhão), SBT (1,2 bilhão), Band (1 bilhão), Editora Abril (523 milhões), Folha de S. Paulo (266 milhões), O Estado de S. Paulo (188 milhões) e IstoÉ (179 milhões).

Imagem: Carta Capital

Na matéria da Folha, são citados oito sites/blogs de esquerda. Somadas suas cifras, chegamos próximo a 72 milhões. Em média, 9 milhões de reais para cada um. Será mesmo que são eles os financiados pelo Palácio do Planalto, pelo PT, ou pelos gastos públicos com publicidade das estatais e do governo federal?

Nesses últimos 14 anos, o número de meios de comunicação que recebem investimentos de estatais passaram de 4,4 mil para 10,8 mil. Ou seja, houve uma sinalização de abertura e de democratização, ainda que sensível. Contudo, automaticamente diminui a fatia do bolo destinado às grandes empresas. Mas, de fato, a distribuição ainda é desigual. É dentro deste contexto que os barões da mídia levantam a bandeira de combate à opinião de esquerda, à democratização e disseminação de veículos que representem uma real alternativa de fonte de informação.

No blog do Rovai, hospedado no Portal Fórum, o jornalista contou como foi a abordagem da repórter da Folha antes da publicação da matéria. Já o portal Carta Maior informou que vai processar o jornal.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Você Viu? #117

Mídia: “É hora de ir. A decisão é minha”, diz PVC ao anunciar saída da ESPN
UOL Esporte, 9 de dezembro

IBGE: Taxa de desemprego no terceiro trimestre fica estável
Agência Brasil, 9 de dezembro

Suástica: Quem é o dono da “piscina nazista”?
Portal Fórum, 8 de dezembro











Educação: Apesar de melhora, somente 54,3% dos jovens concluíram ensino médio até os 19 anos em 2013
Brasil de Fato, 8 de dezembro

Homem da lei: Juiz que deu voz de prisão ao não entrar em voo já usou escravos duas vezes
Blog do Sakamoto, 8 de dezembro

Brasileirão 2014: Seleção, craque e uma boa notícia no ano dos 7 a 1 que não devem ser esquecidos
Blog Olho Tático, 8 de dezembro

Ponte: PL em tramitação na Câmara de POA prevê remoções para construção da 2ª ponte do Guaíba
Sul 21, 8 de dezembro

FOTO: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul 21















Manifestações: O otário que acreditou que Aécio ia ao protesto
Diário do Centro do Mundo, 6 de dezembro

Legalização: Grupo de policiais defende a legalização de todas as drogas
Ponte, 5 de dezembro



Impostos: A história da funcionária da Receita que sumiu com o processo de sonegação da Globo
Diário do Centro do Mundo, 1 de dezembro

Educação: Como em Porto Alegre, prefeitura de Buenos Aires pode fechar escola para pessoas em situacao de rua
Jornalismo B, 3 de dezembro

KISS: Mães de Janeiro: “Não estamos pelos que foram, mas pelos que ficaram”
Revista O Viés, 2 de dezembro

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Você Viu? #116

Saúde: Quatro pessoas que vivem com Aids contam suas histórias
Sul 21, 2 de dezembro

Sonegação: A história da funcionária da Receita que sumiu com o processo de sonegação da Globo
Diário do Centro do Mundo, 1° de dezembro

HQ: Uma história real sobre o tráfico de trabalhadores estrangeiros para a indústria high-tech dos Estados Unidos
Agência Pública, 1° de dezembro

Violência: Mãe acredita que filho de 13 anos foi morto pela PM por vingança
Ponte, 1° de dezembro

Política: Armando Monteiro é nomeado novo ministro do Desenvolvimento
Carta Capital, 1° de dezembro

Saúde: Brasil e Aids: o que mudou após três décadas do primeiro diagnóstico?
Brasil de Fato, 1° de dezembro

Renner: Fiscalização flagra trabalho análogo ao escravo na produção para a Renner
Blog do Sakamoto, 28 de novembro

Chespirito: SBT bate Globo e Record durante oito horas com maratona de Chaves
Notícias da TV, 29 de novembro












Chespirito: São Paulo recebe exposição em homenagem a Roberto Bolaños, o eterno Chaves
Hypness

Denúncia: Famílias com até dois mínimos arcam com 48,9% dos impostos
Vi o Mundo, 28 de novembro

Mídia: O que o termo “petrolão” diz sobre a imprensa
Carta Capital, 25 de novembro


terça-feira, 25 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Você Viu? #113

Ditadura: Dopinha é tema de documentário e deve ser adquirido pelo governo do Estado até dezembro
Sul 21, 11 de novembro

Mídia: Crônica da baixaria entre Santana e Kenny Braga
Juremir Machado da Silva, 11 de novembro


Violência: Em 7 meses, 6 funkeiros são assassinados em bailes de SP
Ponte, 10 de novembro

Eleições: O ‘nordestino’ Diogo Mainardi
Diário do Centro do Mundo, 10 de novembro

Intercâmbio: MST defende acordo de cooperação assinado com ministro venezuelano
Agência Brasil, 10 de novembro

Veja: O “odiojornalismo” não pode ser patrocinado pelo dinheiro público
Diário do Centro do Mundo, 10 de novembro

Infeliz: Silvio Santos ironiza cabelo de criança negra e recebe críticas na internet
Carta Capital, 10 de novembro

Meninas: A rebelião de Jô Soares
Tijolaço, 9 de novembro


Política: Deputado tucano exige que site anti-PT que atacou jornalistas seja punido
Blog do Sakamoto, 8 de novembro

Esquerda: Polemizando com dois editoriais da Carta Maior, 29 de outubro e 06 de novembro de 2014
Estratégia & Análise, 8 de novembro

Auxílio-moradia: Trabalhadores e jovens de mais de dez entidades protestam contra auxílio moradia para juízes
Jornalismo B, 7 de novembro
FOTO: Alexandre Haubrich / Jornalismo B















terça-feira, 4 de novembro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Você viu? #111

Hoje farei uma inversão de postagens. Ao invés do habitual Filme de Segunda, neste dia posterior às eleições darei uma de revista Veja e anteciparei o Você Viu? em um dia. Amanhã, portanto, volto a falar sobre cinema. Por agora, indico algumas leituras repercutindo o pleito de domingo.

Sartori diz que ninguém está autorizado a divulgar nomes de secretários
Sul 21, 27 de outubro

Imprensa europeia repercute vitória de Dilma Rousseff
Agência Brasil, 27 de outubro

Dilma e sua coligação está movendo 7 ações na justiça contra a revista Veja
Sul 21, 27 de outubro

Não esqueçam o que eles escreveram
Observatório da Imprensa, 27 de outubro

A pressão por uma guinada de Dilma à esquerda começa agora
Blog do Sakamoto, 27 de outubro

91,8% dos brasileiros em Miami votaram em Aécio Neves
Revista Fórum, 27 de outubro

Primeiro pronunciamento da Presidente reeleita Dilma Rousseff




Primeiro pronunciamento do Governador do RS eleito José Ivo Sartori




A Dilma Rousseff que eu conheci pessoalmente
El País, 26 de outubro

Aécio: “a maior prioridade deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado”
Carta Capital, 26 de outubro

PMDB é o maior vencedor nos estados
Carta Capital, 26 de outubro

Por que a Minas de Aécio deu a vitória a Dilma
Diário do Centro do Mundo, 26 de outubro

Indignado, Coronel Telhada fala em separar SP do País
Portal Terra, 26 de outubro

Nordestinos sofrem preconceito na internet após vitória de Dilma
Uol, 26 de outubro


AQUI, galeria dos fotógrafos Bernardo Jardim Ribeiro e Ramiro Furquim, do Sul 21.
Bernardo Jardim Ribeiro / Sul 21

sábado, 25 de outubro de 2014

A técnica do antijornalismo e a resposta da Presidente Dilma

Em Vi O Mundo, o pesquisador que estudou o maior fenômeno de antijornalismo do Brasil. Artigo interessante para entender um pouco da prática jornalística da revista Veja. Já o portal de notícias Pragmatismo Político destaca: Tribunal Superior Eleitoral afirma que capa da revista Veja é propaganda eleitoral irregular e está claramente “a favor de uma candidatura em detrimento de outra”.



Indico ainda o texto do editor do Diário do Centro do Mundo. A seguir, na íntegra:

Uma discussão estritamente jornalística sobre o caso Veja

Paulo Nogueira para o DCM, em 25 de iutubro

Capa da mais recente edição de Veja, que teve
seu lançamento antecipado em dois dias 
Vou falar estritamente sobre a técnica jornalística utilizada pela Veja na última edição.

Percebi que é necessário, uma vez que mesmo jornalistas experientes como Ricardo Noblat não compreendem exatamente onde está o problema.

Citei Noblat porque, em sua conta no Twitter, além de em determinada altura do debate de ontem ele informar seus seguidores de que a bateria do celular acabara, ele fez a seguinte indagação.

“Que prova Dilma da reportagem da Veja? Uma gravação? Diria que é falsa. Uma entrevista do doleiro preso?”

Uma das missões do jornalismo é jogar luzes sobre sombras. Noblat jogou ainda mais sombras sobre as sombras já existentes.

Prova é prova. Prova são evidências consideradas irrefutáveis pela Justiça depois de um processo em que as partes defendem sua posição.

Prova não é a palavra de ninguém – gravada, escrita ou dita em público. Porque o ser humano pode dizer qualquer coisa que imagine que vá beneficiá-lo ou prejudicar um opositor.

Imagine que alguém queira destruir moralmente você. Ele afirma que você é pedófilo, por exemplo. Grava um vídeo e coloca no YouTube.

O fato de ele haver falado que você é pedófilo não prova nada, evidentemente. Você o processa. A Justiça vai pedir provas. Se o difamador não as tiver, estará diante de uma encrenca considerável.

O raciocínio acima não vale, infelizmente, para o jornalismo, dada a influência que as empresas de mídia exercem sobre a Justiça no Brasil.

Mas vale em sociedades mais avançadas. O caso clássico, neste capítulo, é o de Paulo Francis.

Acusou diretores da Petrobras de terem contas no exterior. Como as acusações foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, os acusados puderam processá-lo nos Estados Unidos.

A Justiça americana pediu provas a Francis. Ele nada tinha. Na iminência de uma indenização à altura das calúnias, Francis se atormentou e morreu do coração.

Na Justiça brasileira, ele certamente se sairia facilmente de um processo. E ainda seria glorificado como mártir da liberdade da expressão.

Ainda que, para voltar à frase de Noblat, uma fita fosse apresentada, isto não valeria rigorosamente nada. De novo: nada.

Imagine, apenas a título de exercício mental, que alguém tivesse prometido ao doleiro preso vantagens no caso de uma vitória de Aécio: dinheiro, pena branda, cobertura discreta em jornais, revistas, telejornais.

Imagine, além disso, que o doleiro de fato acreditasse que uma simples declaração sua daria a presidência a Aécio.

Ele falaria o que quisessem que ele falasse, naturalmente.

No Brasil, situações como a que descrevi podem acontecer.

Nos Estados Unidos, e volto a Paulo Francis, não. Sem provas, não apenas o acusador estaria frito. Também jornais e revistas que reproduzissem suas acusações enfrentariam problemas colossais.

A sociedade tem que ser protegida.

Em meus dias de Abril, meus amigos se lembram, sempre disse que seria simplesmente inimaginável um jornal publicar – sem provas – uma entrevista em que um irmão do presidente fizesse acusações destruidoras.

Esse irmão poderia estar mentindo, por ódio ou motivações pecuniárias. Inventando coisas. Aumentando outras.

Onde muitas pessoas viram um triunfo da Veja, enxerguei desde o princípio uma demonstração da miséria do jornalismo nacional. E da Justiça, porque se ela agisse como deveria ninguém destruiria a reputação de ninguém sem provas.

Tantos anos depois deste caso a que me refiro, nem o jornalismo brasileiro e nem a Justiça evoluíram.

As trapaças estão até nos detalhes. O jornalismo digno manda que você tome cuidados básicos ao publicar acusações. O acusador disse isso ou aquilo. Afirmou. Para manipular leitores, a Veja utiliza outro verbo: revelou. É, jornalisticamente, uma canalhice e um crime.

A Veja sabe que pode publicar o que bem entender porque a Justiça não vai cobrar provas. Como opera em solo brasileiro, e não americano, ainda poderá se declarar mártir da liberdade da expressão, caso seja mesmo processada por Dilma.

Era o que aconteceria com Paulo Francis se não tivesse sido julgado pelas leis americanas.

Nos Estados Unidos, de onde emigrou há 60 anos a então modesta família Civita para fazer fama e fortuna no Brasil, a Veja estaria morta há muito tempo com o tipo de jornalismo que faz.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A elite branca que sofre, David?

Em sua coluna, publicada no jornal Zero Hora de terça-feira, 14, o jornalista David Coimbra foi infeliz ao fazer uma leitura do cenário nacional e classificar a luta pela ampliação de direitos civis como um embate entre "Elite Branca versus Negros e Pobres". Segundo a interpretação do colunista, a chamada elite branca "sofre" no Brasil, ainda mais por ser taxada de forma pejorativa por pensadores. Ele ainda estabelece outras lutas entre "o bem e o mal", tais como Racistas x Negros discriminados, Homofóbicos x Homossexuais, Misóginos x Feministas, entre outras categorias.

Com todo respeito ao jornalista da RBS, e ao seu legítimo posicionamento, discordo veementemente do texto. Não desmerecendo sua carreira, tampouco sua experiência de vida. David, na referida crônica, lembra aos leitores: "Então eu, que sempre trabalhei, que trabalhei e muito, o dia todo, todos os dias, que ganho salário, que sou filho de professora e neto de sapateiro, que sempre estudei em colégio público e nunca ocupei cargo público, eu sou da Elite Branca". Por aí começo a entender o posicionamento de alguém que, presumo, anda à margem da real situação da população brasileira, sobretudo a polução de negros e pardos.

Vamos aos dados.

Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, publicada em janeiro deste ano, um trabalhador negro no Brasil ganha 57,4% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Em números, uma média salarial de R$ 1.374,79 para os trabalhadores negros contrastando com R$ 2.396,74 mensais para brancos. Na educação, outro estudo do IBGE, de 2012, aponta que 35,8% dos jovens negros ou pardos brasileiros estão no ensino superior. Esse número mais que triplicou desde 2001. Mesmo assim, o percentual ainda está muito aquém da proporção de 65,7% apresentada pelos jovens brancos. Será que é apenas demérito?

Em média, 100 a cada 100 mil jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012. É o que mostra o Mapa da Violência 2014, estudo que visa compreender o panorama da evolução da violência dirigida contra os jovens no período entre 1980 e 2012. O estudo mostra que morreram, proporcionalmente, 146,5% mais negros do que brancos no país, em 2012. É considerada morte violenta a resultante de homicídios, suicídios ou acidentes de transporte. Entre 2002 e 2012, por exemplo, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências, em matéria da EBC, afirma que essa seletividade foi construída por diversos mecanismos, como o desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento à violência em áreas de maior população branca do que negra, bem como o acesso, por parte da "Elite Branca", à segurança privada.

Também chama atenção a lista dos 513 deputados federais eleitos no último dia 5 de outubro. Com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral, são autodeclarados brancos 79,9%, autodeclarados pardos 15,5%, os pretos representam 4,2% e apenas 0,4% são de origem indígena. No senado, 81,5% dos eleitos são brancos. Ao contrário do que entende David Coimbra, sua trôpega "Elite Branca" me parece ter bastante representatividade para lutar pelos direitos (que sempre tiveram).

O Relatório de Sustentatibilidade de 2012 da RBS, empresa de comunicação para qual trabalha o jornalista, revela o ambiente em que David está acostumado a passar boa parte do seu tempo, afinal ele diz que trabalha o tempo inteiro. Num universo que tem por volta de 6,5 mil funcionários, a empresa aponta ser 96% deles brancos, e apenas 4% negros. Na página 34, em um dos quadros informativos, uma nota faz questão de ressaltar: "100% dos cargos de diretoria são ocupados por brancos”.

Por essa variedade de dados, e mais outros referentes aos demais movimentos sociais - que preferi não citar para não estender ainda mais o texto -, é que discordo do referido colunista de ZH, ainda mais quando encerra sua explanação de forma irônica: 
- No Brasil, a Elite Branca sofre.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Você Viu? #109

Mídia: O que diz a mídia internacional sobre os candidatos
Observatório da Imprensa, 14 de outubro

Petrobras: Dornelles, o homem-bomba da CPI da Petrobras que constrange Aécio
Rede Brasil Atual, 14 de outubro

Passado: Meritocracia à Aécio
Diário do Centro do Mundo, 13 de outubro

Eleições: No Piauí, razões para voto em Dilma vão muito além do Bolsa Família
BBC Brasil, 13 de outubro

América Latina: Vitória de Evo significa apoio de população a programa econômico da Bolívia, diz analista
Opera Mundi, 13 de outubro

Propaganda: TRUCO! Programa #23 – 13 de outubro
Agência Pública, 13 de outubro

Sul 21, 13 de outubro
Ramiro Furquim / Sul 21

Dia das crianças: Se for eleito, vou botar esses vagabundos de 12 anos para trabalhar
Blog do Sakamoto, 12 de outubro

Corrida Eleitoral: O avanço do voto conservador e a difícil capacidade de reação do movimento popular brasileiro
Estratégia & Análise, 9 de outubro

Debate: Armínio Fraga e Guido Mantega - Economia Globo News, com Míriam Leitão

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Filme de Segunda 162

Garota Exemplar


Todos concordamos que David Fincher é um excelente diretor. Não é por acaso que sua filmografia é composta por trabalhos exitosos, tanto junto à crítica quanto ao público, como Clube da Luta (1999) e A Rede Social (2010). O mais recente, Garota Exemplar, não decepciona e entra na lista dos grandes trabalhos do cineasta americano.

O filme é uma adaptação do best seller da escritora Gillian Flynn, que aqui participa da produção escrevendo o roteiro. Este é um dos fatores mais importantes de Garota Exemplar, que ganha uma proximidade de intenção muito similar àquela da literatura. Não só isso, mas o filme como um todo é feito por acertos e mais acertos.

Garota Exemplar se trata de um suspense policial surpreendente (para quem não leu o livro), que estabelece uma crítica muito perspicaz ao modelo pré-fabricado do casamento e também à mídia sensacionalista americana. Nos primeiros minutos conhecemos Nick Dunne (Ben Affleck), na manhã em que comemora seus cinco anos de casado com Amy Dunne (Rosamund Pike). Após visitar o bar que administra com a irmã, e meio que desabafar com ela, deixando a entender que seu relacionamento não é a maravilha que aparenta, Nick volta para casa e não encontra a esposa. A partir daí começa uma investigação policial para saber se Amy foi sequestrada, assassinada e se o marido poderia estar envolvido. Mais que isso não posso dizer.


David Fincher consegue envolver o espectador e, dentro das três impressionantes reviravoltas do roteiro, é capaz de nos deixar boquiabertos com as atitudes dos personagens. Mais que isso, nos apresenta uma sociedade doente, alimentada pelas fofocas e pelo julgamento precoce da opinião pública na figura de programas de televisão sensacionalistas. Garota Exemplar não deixa de ser um retrato muito assustador da indústria das celebridades e a busca por uma vida que pareça feliz aos olhos de terceiros.

Para isso, um filme pesado, e perturbador em alguns momentos, o diretor comanda atuações curiosamente discretas, sem nenhum exagero teatral. As aparências, de fato, enganam. Rosamund Pike brilha ao seu modo, fazendo uma personagem sempre instigante e atraente. Já o interiorano Nick de Ben Affleck é o perfeito marido conformado, que presta pouca atenção em casa e pouco se importa se o relacionamento caiu em uma rotina desgastante. Parece estar sempre mais preocupado com os programas de TV, video-game ou com o seu bar.

Também é notável a importância dos coadjuvantes, todos atores de menor expressão no mercado, mas sempre no tom perfeito para o que é Garota Exemplar. Assim como a inteligente narrativa, que de forma não linear conta toda a história, nunca se mostrando confusa - embora complexa em sua montagem. Qualquer informação a mais seria spoiler. Só posso recomendar que assistam ao filme.

Gênero: Drama
Duração: 145 min.
Origem: EUA
Direção: David Fincher
Roteiro:  Gillian Flynn
Distribuidora: Fox Film
Censura: 14 anos
Ano: 2014


Classificação PoA Geral 
- Obra (10)
X Baita Filme (9)
- Bom Filme (7 a 8)
- Bem Bacana (6)
- Meia-boca (5)
- Ruim (3 a 4)
- Péssimo (0 a 2)