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domingo, 13 de abril de 2014

O Tetra Campeonato de um soberano Internacional

Jeffesron Botega / Agência RBS
O quarto título gaúcho consecutivo do Internacional é, sem dúvida nenhuma, incontestável. No segundo jogo, no Centenário, em Caxias, 4 a 1 para o colorado. Na Arena, outra vitória: 2 a 1, de virada. O placar agregado escancara um constrangedor 6 a 2, que simboliza a superioridade do Inter no século XXI. O clube do Gigante da Beira-Rio tem uma série de méritos, ano a ano, e neste novo século cresce frente ao Grêmio, sabe jogar o clássico, sabe ganhar Gre-Nal, sabe decidir no momento em que é preciso. Na mesma proporção o Tricolor se apequena. Perdeu, desde o seu centenário, em 2003, a capacidade de decidir. Mesmo com equipes equivalentes, o anímico, na hora "H", pesa em favor do colorado.

Na análise fria do jogo e das equipes, o Inter de Abel não é superior ao Grêmio de Enderson ao ponto de construir placar tão elástico, seja no agregado 6 a 2 ou no resultado isolado de 4 a 1. É muita diferença, e essa diferença não é real, é circunstancial. Dentro destas circunstâncias o mérito colorado me parece muito mais importante e determinante que os deméritos do Grêmio. Na primeira etapa o Tricolor começou imprimindo o ritmo do jogo, tendo volume, a posse da bola, mas não intensidade, nem sequer a finalização com maior perigo ao gol de Dida.

Em contrapartida o Inter se defendeu na primeira etapa, mas se defendeu com serenidade, com grande destaque para Paulão e Willians. Tendo o contra-ataque à sua disposição, a equipe de Abel Braga chegou apenas uma vez, e nessa única oportunidade D'Alessandro abriu o placar. A partir daí o Grêmio ficou desestabilizado e só se achou novamente quando já estava 4 a 0 para o adversário, com Dudu fazendo bom jogo pela direita e Léo Gago entrando para tentar brecar as investidas coloradas.

No início do segundo tempo o fator anormal de três gols em pouco menos de 15 minutos determinou o que já parecia certo, o Tetra Campeonato do Inter. Ainda é cedo para perceber os reais efeitos que a constrangedora derrota terá sobre o bom elenco gremista. Contudo, para o Internacional é um início de temporada promissor, respaldado por um bela campanha no regional. Campanha coroada com a vitória incontestável sobre o Grêmio.

Do goleiro ao centroavante, não teve quem jogou mal no time Campeão Gaúcho de 2014, sempre comandado pelo espetacular D'Alessandro, jogador que parece ter nascido dentro das dependências do Beira-Rio. E se é discutível a importância do Gauchão, é absolutamente irrefutável a importância de vencer um Gre-Nal decisivo, ainda por cima goleando e reforçando a hegemonia colorada no século XXI.
Jefferson Botega / Agencia RBS

sábado, 12 de abril de 2014

Mudanças táticas para o Gre-Nal e para a temporada

Grêmio
Acho improvável que o técnico Enderson Moreira mude sua equipe para o clássico decisivo, mesmo o Grêmio estando em desvantagem no placar agregado. Contudo, há um certo mistério cercando a escalação gremista. Edinho estaria deixando a equipe para o ingresso de mais um meia. Maxi Rodrigues e Jean Deretti disputariam a vaga. No lugar do lesionado Luan, Alan Ruiz já me parece praticamente escalado. Quem corre por fora é Zé Roberto, jogador que possivelmente seja utilizado na segunda etapa, já que está voltando de um tempo considerável sem jogar.

O Grêmio tem alternativas. Porém, não é o momento de mudar. A saída de Luan já impões uma mudança natural. A partir do ingresso de Dudu, o Grêmio passou a jogar num 4-4-2 quase que ortodoxo. A linha de quatro meio campistas começa com Riveros na direita, Ramiro e Edinho centralizados e Dudu na esquerda. Na frente, Barcos e Luan. Com a saída do promissor atacante e o ingresso de Alan Ruiz, Enderson volta ao 4-3-2-1, centralizando mais as ações na cadência do meia argentino.

Lucas Uebel / Grêmio FBPA
Entretanto, não é errado pensar que num futuro próximo o volantão Edinho possa deixar a equipe tricolor. Em algumas semanas o técnico gremistas terá pelo menos quatro boas opções para formar a linha de três meias atrás de Barcos, deixando Riveros e Ramiro mais contidos na marcação, porém com maior qualidade na saída de bola. Na frente, Enderson poderá escolher entre Alan Ruiz, Luan, Zé Roberto e Dudu, com Maxi Rodrigues, Deretti e Everton correndo por fora. Há, sem dúvida, boas ferramentas para um equilibrado 4-2-3-1, com boa capacidade de marcação e agilidade na saída para o ataque. Mas insisto, não é o momento. Os testes que o treinador vem fazendo tenho a nítida impressão que são para uma eventual mudança durante o clássico.

Inter
Da mesma forma, Abel Braga não deve mudar para o clássico Gre-Nal. Especulou a entrada de Igor para jogar ao lado de Willians e aumentar o poder de marcação na equipe colorada. O discurso da comissão técnica e dos jogadores, porém, não deram a entender que haverá mudança. E acerta o técnico Abel Braga. Não é hora de mudar.

Em sua formação habitual, o Inter varia naturalmente do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, dependendo do posicionamento de Aranguiz. Geralmente o colorado tem Willians à frente da zaga, D'Alessandro aberto na direita, Alex e Aranguiz centralizados e agora Alan Patrick na esquerda. Rafael Moura é a referência no ataque. É um time naturalmente ofensivo, não necessariamente faceiro. Basta que todos cumpram suas funções. Futebol é ocupação correta do espaço, e é possível fazer isso com jogadores de qualquer posição, desde que estejam dispostos e bem orientados.

Acredito que o chileno comece o clássico decisivo mais amarrado a Willians, deixando o setor ofensivo se posicionar com três meias e um centroavante. O contexto diz que o Inter pode ser cauteloso, não medroso. E duvido que seja. Não tenho dúvida que o Inter vai jogar como se tivesse 0 a 0, privilegiando a posse da bola e a alta capacidade técnica e visão de jogo de seus jogadores de meio-campo.

Olhando mais pra frente, ainda vejo a necessidade de colocar mais velocidade na equipe colorada. Seja com a saída de Alex e o ingresso de Otávio ou até mesmo a troca de Moura por Wellington Paulista, jogador notadamente mais ágil e veloz. Contudo, para a finalíssima de domingo, o que melhora Abel faz é manter a equipe que, no segundo tempo, na Arena, promoveu uma virada imponente no resultado.