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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Folha de S. Paulo: golpe baixo e desinformação

O jornal Folha de S. Paulo publicou em seu portal na última quarta-feira, 17, um levantamento sobre os gastos públicos com publicidade do governo federal e das estatais nos veículos de comunicação, entre os anos de 2000 e 2013. O título da matéria é "Sites alinhados ao governo foram beneficiados com gasto em publicidade".

A estrutura, a abordagem e a intenção do texto são de um golpe baixíssimo e praticam sobre o leitor uma desinformação tremenda. Na publicação, em tom acusatório, o jornal afirma que revistas como a Carta Capital e sites como o Carta Maior são tidos pela "oposição" como veículos financiados pelo Palácio do Planalto e pelo PT. Segundo a Folha, são "sites alinhados ao governo" e com "posições de esquerda". Quer dizer, na linguagem jornalística mais rasa, de entendimento médio, estes veículos não praticam jornalismo isento e honesto.

Desonesta é a intenção da Folha em publicar a matéria com a clara intenção de minar a discussão pública sobre democratização da mídia, dando a entender que fora do pequeno espectro de grandes empresas de comunicação do Brasil o jornalismo é necessariamente chapa branca e alinhado ao governo. Tornando notícia o fato de um veículo se posicionar politicamente à esquerda, como se isso configurasse algum crime.

Na quarta-feira mesmo a Carta Capital publicou uma matéria em tom de resposta. "O levantamento da Folha de S.Paulo comprova o óbvio: os barões da mídia embolsam a maior fatia dos investimentos do governo federal. Sem falar nos acertos pouco republicanos com seus aliados tucanos", afirma o texto. E ainda destaca que, no últimos 14 anos, os grupos que mais lucraram em cotas publicitárias são:  Grupo Globo (5,2 bilhões), TV Record (1,3 bilhão), SBT (1,2 bilhão), Band (1 bilhão), Editora Abril (523 milhões), Folha de S. Paulo (266 milhões), O Estado de S. Paulo (188 milhões) e IstoÉ (179 milhões).

Imagem: Carta Capital

Na matéria da Folha, são citados oito sites/blogs de esquerda. Somadas suas cifras, chegamos próximo a 72 milhões. Em média, 9 milhões de reais para cada um. Será mesmo que são eles os financiados pelo Palácio do Planalto, pelo PT, ou pelos gastos públicos com publicidade das estatais e do governo federal?

Nesses últimos 14 anos, o número de meios de comunicação que recebem investimentos de estatais passaram de 4,4 mil para 10,8 mil. Ou seja, houve uma sinalização de abertura e de democratização, ainda que sensível. Contudo, automaticamente diminui a fatia do bolo destinado às grandes empresas. Mas, de fato, a distribuição ainda é desigual. É dentro deste contexto que os barões da mídia levantam a bandeira de combate à opinião de esquerda, à democratização e disseminação de veículos que representem uma real alternativa de fonte de informação.

No blog do Rovai, hospedado no Portal Fórum, o jornalista contou como foi a abordagem da repórter da Folha antes da publicação da matéria. Já o portal Carta Maior informou que vai processar o jornal.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Você Viu? #118

Ideologia: Manifesto sobre a esquerda-caviar
Carta Capital, 15 de dezembro

Comportamento: Selfies em sequestro de Sydney revoltam internautas
BBC Brasil, 15 de dezembro













CNV: O choro de Dilma na Comissão da Verdade: um depoimento
Diário do Centro do Mundo, 15 de dezembro



História: Jornalista lança 'biografia' do DOI-Codi. Com ex-agente do Dops na plateia
Rede Brasil Atual, 14 de dezembro

Política: PSDB e PT estão mais similares, diz Luciana Genro
Diário do Pará, 14 de dezembro

MTST: Líder dos sem-teto reúne ricos e pobres em ‘aula pública’ no centro de SP
Ponte, 12 de dezembro

Sonegação: como a Globo conseguiu renovar a concessão apesar de dever ao Fisco
Diário do Centro do Mundo, 10 de dezembro

Repercussão caso Jair Bolsonaro (PP)



EBC, 15 de dezembro

Portal Imprensa, 15 de dezembro
 
Portal Fórum, 14 de dezembro

Zero Hora, 12 de dezembro

Revista Exame, 11 de dezembro

Portal Imprensa, 10 de dezembro

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Você Viu? #117

Mídia: “É hora de ir. A decisão é minha”, diz PVC ao anunciar saída da ESPN
UOL Esporte, 9 de dezembro

IBGE: Taxa de desemprego no terceiro trimestre fica estável
Agência Brasil, 9 de dezembro

Suástica: Quem é o dono da “piscina nazista”?
Portal Fórum, 8 de dezembro











Educação: Apesar de melhora, somente 54,3% dos jovens concluíram ensino médio até os 19 anos em 2013
Brasil de Fato, 8 de dezembro

Homem da lei: Juiz que deu voz de prisão ao não entrar em voo já usou escravos duas vezes
Blog do Sakamoto, 8 de dezembro

Brasileirão 2014: Seleção, craque e uma boa notícia no ano dos 7 a 1 que não devem ser esquecidos
Blog Olho Tático, 8 de dezembro

Ponte: PL em tramitação na Câmara de POA prevê remoções para construção da 2ª ponte do Guaíba
Sul 21, 8 de dezembro

FOTO: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul 21















Manifestações: O otário que acreditou que Aécio ia ao protesto
Diário do Centro do Mundo, 6 de dezembro

Legalização: Grupo de policiais defende a legalização de todas as drogas
Ponte, 5 de dezembro



Impostos: A história da funcionária da Receita que sumiu com o processo de sonegação da Globo
Diário do Centro do Mundo, 1 de dezembro

Educação: Como em Porto Alegre, prefeitura de Buenos Aires pode fechar escola para pessoas em situacao de rua
Jornalismo B, 3 de dezembro

KISS: Mães de Janeiro: “Não estamos pelos que foram, mas pelos que ficaram”
Revista O Viés, 2 de dezembro

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Você Viu? #116

Saúde: Quatro pessoas que vivem com Aids contam suas histórias
Sul 21, 2 de dezembro

Sonegação: A história da funcionária da Receita que sumiu com o processo de sonegação da Globo
Diário do Centro do Mundo, 1° de dezembro

HQ: Uma história real sobre o tráfico de trabalhadores estrangeiros para a indústria high-tech dos Estados Unidos
Agência Pública, 1° de dezembro

Violência: Mãe acredita que filho de 13 anos foi morto pela PM por vingança
Ponte, 1° de dezembro

Política: Armando Monteiro é nomeado novo ministro do Desenvolvimento
Carta Capital, 1° de dezembro

Saúde: Brasil e Aids: o que mudou após três décadas do primeiro diagnóstico?
Brasil de Fato, 1° de dezembro

Renner: Fiscalização flagra trabalho análogo ao escravo na produção para a Renner
Blog do Sakamoto, 28 de novembro

Chespirito: SBT bate Globo e Record durante oito horas com maratona de Chaves
Notícias da TV, 29 de novembro












Chespirito: São Paulo recebe exposição em homenagem a Roberto Bolaños, o eterno Chaves
Hypness

Denúncia: Famílias com até dois mínimos arcam com 48,9% dos impostos
Vi o Mundo, 28 de novembro

Mídia: O que o termo “petrolão” diz sobre a imprensa
Carta Capital, 25 de novembro


terça-feira, 18 de novembro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Punição ao Grêmio é justa, mas o que muda?

O fator pedagógico é importante. Já lembraram que em outros momentos as punições a clubes por causa de objetos lançados a campo por torcedores era comum. Este é um cenário que mudou bastante, de tanto que puniram as agremiações, o fator pedagógico condicionou torcedores a quase não cometerem mais infração de tal natureza. O que me leva a acreditar, de forma otimista, que a eliminação do Grêmio na Copa do Brasil e a multa de 50 mil reais por conta das injúrias raciais de torcedores dirigidas ao goleiro Aranha, do Santos, é começo definitivo para a mudança de comportamento, pelo menos dos, gremistas - habituados a chamar colorados de macaco sob o disfarce de folclore, e outras desculpas.

Contudo, o julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) deixa no ar inúmeras questões completamente discutíveis. O melhor texto que li a respeito, até então, foi do José Antônio Lima, publicado hoje no blog Esporte Fino, da Carta Capital. O jornalista é um crítico do trio que traz mais problemas que soluções ao futebol brasileiro (quando deveria ser exatamente ao contrário): CBF, Globo, STJD.

Entre outros aspectos, Lima faz o seguinte apontamento:
"A punição ao Grêmio foi, também, duplamente conveniente para o complexo da CBF. Por um lado, o tribunal mostrou “força”, e fez isso em cima de um time virtualmente eliminado da competição de que foi excluído. Fez, também, em cima de determinados torcedores, claramente culpados, é verdade, mas sem direito à defesa, o que é grotesco, e cuja punição não será fiscalizada, como é óbvio. Ao mesmo tempo, a decisão joga a tarefa do combate ao racismo sobre os clubes, isentando a CBF de qualquer obrigação a respeito de ações que eduquem jogadores, torcedores e clubes sobre o tamanho do problema. Com a punição do Grêmio, passa-se a sensação de que “algo está sendo feito”, ainda que na verdade nada tenha mudado."
Corroborando com a opinião do blogueiro, um levantamento da Folha de São Paulo, do dia 31 de agosto, destaca 12 denúncias de racismo no futebol brasileiro em 2014. Além de ser lamentável que o Grêmio esteja envolvido em duas das denuncias, é pertinente notar que todas as outras penas são relativamente brandas, muitas delas sendo ainda amenizadas após recurso no STJD.

Como se não bastasse, Ricardo Graiche, um dos cinco auditores que votou pela punição do clube gaúcho, foi flagrado em 2012 postando conteúdo preconceituoso e racista em sua conta no Facebook (imagens abaixo). Portanto, é necessário se dar conta:

- O racismo não se resume a poucos torcedores, tampouco a torcidas organizadas. É uma doença social;
- A punição contra o Grêmio, apesar de questionável, é justa e pode ter um significado importante para o futuro do clube e a relação com seu torcedor;
- Não podemos nos deixar enganar por medidas pontuais, principalmente vindas da CBF e STJD.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Líder do Bom Senso F.C. concede entrevista ao DCM

Reprodução Facebook
No último sábado, 19, o Diário do Centro do Mundo publicou uma interessante entrevista com o zagueiro Paulo André, ex-jogador do Corinthians, líder do movimento Bom Senso F.C. O jogador atualmente joga no futebol chinês, na equipe Shanghaï Shenhua. Ao DCM, Paulo André falou sobre as reivindicações do movimento, que busca conquistar melhorias significativas para o esporte no Brasil. Na sequência, reproduzo na íntegra a conversa do jogador com o jornalista Pedro Zambarda de Araújo.

DCM: O que você achou do desempenho da seleção na Copa do Mundo?


PA: Não acho que a seleção fracassou tanto. As pessoas perderam a razão e se deixam levar pela emoção e pelo placar de 7 a 1. Minha visão não mudou por causa da Copa e nem minha críticas. O Brasil, fazendo tudo errado, chegou à semifinal. Algumas informações: 70% dos atletas profissionais ficam desempregados seis meses por ano, clubes grandes acumulam dívidas, dirigentes nunca são punidos, clubes pequenos estão jogados às traças, jogadores entram na justiça do trabalho e podem esperar por até 10 anos pra receber os atrasados, a formação e a capacitação de profissionais é empírica e insuficiente e a média de público nos estádios tem a décima oitava posição no ranking mundial, atrás até de Estados Unidos e Austrália. Se não estamos no fundo do poço, estamos bem próximos dele. E a solução dada pelos dirigentes do futebol brasileiro é trocar a comissão técnica, o coordenador, o médico e o assessor de imprensa da seleção. Tem que ter muita cara de pau, não? Imagine se trilharmos o caminho correto? Seremos imbatíveis.

DCM: Os jogadores têm alguma culpa no estado das coisas no futebol?


PA: Todos nós temos culpa. Os jogadores de futebol refletem a própria sociedade brasileira. Estudaram nas mesmas escolas públicas, tiveram as mesmas poucas oportunidades, não sabem ou não conseguem se posicionar politicamente, têm medo de retaliação e acabam por virar massa de manobra. O mesmo ocorre com o povo.

DCM: Quais são as propostas do Bom Senso F.C. para mudar a gestão da CBF, que tem dirigentes há 40 anos no poder?

PA: O primeiro passo é propor a reforma política. É preciso oxigenar a estrutura de poder. Quem está no poder há décadas já provou que não tem capacidade de conduzir o futebol brasileiro com a excelência que o cargo exige. A CBF, numa tática de guerra conhecida como “teoria da intimidação”, controla seus 47 membros, sendo 20 clubes da série A e 27 federações estaduais. Esse jogo político emperra as medidas técnicas necessárias para o desenvolvimento do esporte no país. É preciso democratizar a CBF já.

DCM: Democratizar a CBF?


PA: A CBF se ampara no artigo 217 da Constituição, inciso I que define que as entidades que administram o esporte no país tem autonomia financeira e estatutária. Esse artigo não permite nenhum tipo de intervenção ou regulação do governo. Ao mesmo tempo, a CBF se utiliza de um bem público que é a seleção brasileira e arrecada mais de R$ 400 milhões por ano. A oportunidade do Congresso Nacional e da presidente está na necessidade de que os grandes clubes de futebol, quebrados, têm pela aprovação da LRFE (Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte). O projeto propõe, entre outras coisas, o parcelamento da divida fiscal dos clubes, mas oculta a isenção da responsabilidade civil e penal dos dirigentes que cometeram irregularidades no período. Exigir dos clubes, em troca pelo parcelamento da dívida fiscal, a democratização da CBF, sem se excluir, é claro, a responsabilidade civil e penal, que venha a ser apurada, dos dirigentes seria um golaço. É para isso que o Bom Senso F.C. está trabalhando atualmente.

DCM: Dilma pode colaborar com essa mudança?

PA: Dilma tem uma única oportunidade de devolver a CBF, e todas as entidades que regem o esporte no país, ao povo brasileiro. Não devemos aprovar a LRFE do jeito que está. O projeto é frágil ao tentar garantir que os clubes estejam realmente em dia com suas obrigações fiscais e, principalmente, trabalhistas. Essa debilidade justifica o desespero dos dirigentes e a pressão da “bancada da bola” para sua rápida aprovação. Uma vez garantido o parcelamento, clubes e CBF voltarão a se blindar e não mais discutirão as mudanças estruturais do esporte. É preciso aproveitar a oportunidade e exigir dos clubes, em contrapartida pelo parcelamento da dívida, a regulação e a democratização do estatuto da CBF, limitando o mandato dos dirigentes a quatro anos com apenas uma recondução, dando voz e direito de voto aos atletas, treinadores, árbitros e todos os demais clubes filiados à entidade. O Congresso Nacional e a Dilma têm amplas condições de democratizar a autoritária e arcaica estrutura do esporte brasileiro.

DCM: Que papel deve ter o estado ou o governo na gestão do futebol brasileiro?

PA: Intervir para democratizar as estruturas de poder, regulando as entidades que administram a CBF, como os Teixeiras, Marins e Del Neros. Governo deve coubir a criação de novos impérios maléficos para o desenvolvimento do esporte brasileiro.

DCM: E o que você acha da corrupção no nível internacional, em entidades como a Fifa?

PA: É preciso lutar contra isso. Mas teremos muito trabalho com a CBF e com a Comembol antes de chegarmos a FIFA (risos).

DCM: O que você achou das Jornadas de Junho e dos protestos anti-Copa?

PA: Achei incrível e participei. E espero que voltem com mais frequência. O país precisa disso. Boa parte dos nossos políticos se esquecem de seu papel e de quem eles deveriam representar de fato. Uma reforma política se faz necessária para melhorar o modelo de representatividade. Apenas 8% dos nossos deputados foram escolhidos de forma direta. Isso é algo que não entra na minha cabeça.

DCM: A reforma que vocês propõem no Bom Senso F.C. inclui a Globo?


PA: Se não temos direito nem de votar e opinar dentro da CBF, imagine dentro da Globo. A Globo é uma empresa que visa o lucro. Ela controla os clubes por causa dos empréstimos e adiantamentos do contrato dos direitos de transmissão. Ela sabe jogar o jogo e está no direito dela de buscar o lucro. E a CBF, que deveria zelar e proteger o nosso futebol, é conivente. Para não ficarem expostos, fingem que o problema não é com eles. Para que os clubes fiquem menos dependentes da emissora, é preciso fechar a torneira, parar de gastar de forma insana, colocar as contas em dia e depois negociar o próximo contrato de TV em melhores condições, abrindo a concorrência. Por isso o Bom Senso luta por um Jogo Limpo Financeiro dentro do futebol, não esse de mentirinha que querem aprovar no Congresso. Sou um sonhador, não me julgue por isso.

DCM: Quais são os bons exemplos internacionais de boa administração do futebol?


Existe na Alemanha, na Inglaterra e na própria França. As Confederações cuidam da Seleção e se preocupam com o futebol nacional, fomentando seu desenvolvimento em todas as dimensões: educação, formação e alto rendimento. Além de investir na responsabilidade social da prática esportiva, como lazer e saúde. Elas são responsáveis por capacitar treinadores, gestores, criar licenças e cursos para profissionalizar cada um dos segmentos citados acima e regulamentar todas as questões que envolvem o esporte no país. Enquanto isso, a Liga, a associação dos clubes, comanda o futebol profissional e seus campeonatos, visando o espetáculo e o lucro. Não é tão difícil de copiar, não é?

terça-feira, 15 de abril de 2014

sábado, 20 de outubro de 2012

Jornalismo pra quem?

Texto de Bruna Andrade, publicado ontem, 19 de outubro, no blog Jornalismo B.

Avenida Brasil: quem matou…o jornalismo?

Qual a razão de ser do jornalismo: a realidade ou a ficção? É essa a iminente pergunta que se faz ao perceber o espaço dado por Globo e Zero Hora a especulações relacionadas ao desfecho da novela Avenida Brasil. É a ficção pautando e ganhando considerável destaque em espaços que se dizem jornalísticos.

O modelo da cobertura que está sendo feita para o final da novela não é nenhuma novidade na grande imprensa brasileira, é o velho showrnalismo: cobertura a nível de entretenimento, com a opinião de “especialistas”, a fim de chamar a atenção e formar a opinião pública através do circo midiático. Foi isso que fez o Fantástico do último domingo em um espaço de quase 10 minutos dedicados à discussão sobre quem matou o personagem Max, de Avenida Brasil, e que Zero Hora repetiu em uma matéria de duas páginas no jornal de quinta-feira. Há ainda que se destacar que nessa edição de ZH nenhuma outra matéria foi contemplada com duas páginas.

Mas qual seria o valor notícia, a relevância jornalística da morte de um personagem ficcional? Ocorre que a grande mídia já naturalizou a quebra da fronteira entre jornalismo e entretenimento, e agora vem se perdendo também na linha entre realidade e ficção. Porém, esse processo de inversões não vem acontecendo por acaso, ou pela simples perda de “qualidade” desses veículos, isso acontece dentro de um modelo de jornalismo que trabalha pela alienação e despolitização. Exemplo disso é a reportagem no jornal ZH desta sexta-feira (19) sobre a moradora de rua que comprou uma televisão em prestações somente para assistir a novela. A reportagem em momento algum questiona a dominação consumista exercida pela programação da TV, nem a inversão de valores que há na história, e não questiona pelo fato de que a matéria vem para endossar e naturalizar práticas como essa, que, assim como as empresas jornalísticas, funcionam dentro da lógica capitalista.

Outro ponto relevante nessa cobertura é o do veículo se autopautando, ou seja, transformando o próprio veículo em notícia. É o que acontece quando o Fantástico, da Rede Globo, dedica quase 10 minutos, em um espaço de concessão pública, para tratar do final da novela Avenida Brasil, da mesma Rede Globo, e quando a Zero Hora, do Grupo RBS, filiada à Globo, dedica quatro páginas em dois dias ao mesmo tema.

E tudo isso é, infelizmente, apenas um exemplo, entre tantos que diariamente se sucedem nos jornais, do tipo de jornalismo feito pela grande mídia: um jornalismo circense, pautado pelo mercado, e que vem para promover a conservação através da alienação.

*Atualizado às 21h41.

O Jornal Nacional de hoje veiculou uma reportagem de 1 minuto e 40 segundos sobre a expectativa dos “brasileiros” e a movimentação das pessoas voltando para casa para não perder o final da novela. A reportagem teve direito até a sobrevoo ao vivo pelo Rio de Janeiro e São Paulo para mostrar como as ruas estão vazias, segundo eles, em razão do derradeiro capítulo de Avenida Brasil.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Preguiça de questionar o mundo

No curso de jornalismo, cadeira Mídia e Cultura, o que se discute são as representações que a grande mídia faz dos vários rostos de uma sociedade plural como a brasileira e latino-americana. Se discute qual o poder de influência da mídia e qual, portanto, é a origem dessas representações culturais, qual a o significado daquilo que consumimos como entretenimento e informação.
Se discute. Ponto. Mas nem sempre se pensa
Noto uma preguiça de pensar diferente. Uma incapacidade de se indignar com aquilo que não é bom, não é certo, é preconceituoso, é malicioso. Me bate um desgosto de saber que esses são fundamentalmente alunos da comunicação social. E das duas uma: ou eles estão muito satisfeitos com o tipo de mercado que a comunicação e o jornalismo - principalmente - estão submetidos e querem, de verdade, ingressar nessa fábrica de entretenimento em massa; ou acontece ali uma preguiça intelectual que lhes impede, de fato, que percebam o tanto de conteúdo equivocado, de péssima intenção, que circula todos os dias nos grandes meios de comunicação.
É preciso entender que informação é poder. E mais poderoso que aquele que é bem informado, é aquele que tem a possibilidade de escolher o que é notícia. Por isso é fundamental o questionamento, a reflexão, um olhar crítico. Ainda mais dentro de uma faculdade, o espaço ideal para que se discuta quaisquer assunto de interesse social, empírica e cientificamente   
Como muitos acham, não é exagero nenhum da parte dos movimentos negros que reivindiquem um maior espaço de representação na mídia tradicional, ou que defendam as cotas para o ingresso no ensino superior. Não é exagero do movimento LGBT que exija o uso correto de termos como transsexual, homossexual e bissexual em reportagens ou em produções de ficção. Afinal de contas a informação correta e a presença corriqueira desses grupos significativos da sociedade ajuda a diminuir o preconceito que infelizmente ainda sofrem.
Comunicação democrática é aquela em que todos tenham as mesmas possibilidades de comunicar. Diferente desta selva sem lei que é o mercado da informação e do entretenimento. Selva que dá a muitos jornalistas o sentimento de estar acima da lei, e que faz que uma revista como a Veja seja a mais vendida do Brasil. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O feitiço contra o feiticeiro, a cobra que morde o rabo, entre outras coisas

A coisa chegou num ponto em que a CBF está ameaçando divulgar gravações comprometedoras a respeito de Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes. A notícia é do colunista Ricardo Feltrin, da Folha de São Paulo. Segundo o jornalista da Folha, Teixeirão não gostou do Jornal Nacional ter noticiado sobre as denuncias ao presidente da CBF.
A fonte de Feltrin garante que nas gravações é possível ouvir diálogos em que o diretor da Globo Esportes exerce todo seu poder e arrogância, mudando horário de jogos e falando mal da concorrência, inclusive usando de palavriado chulo.
Apesar de não haver aí nada que ninguém não saiba, nota-se que há um desgaste, não só entre Globo e CBF, mas principalmente entre as duas instituições e o público, sobretudo depois da matéria esclarecedora da revista Piauí de julho. 
O sujo começa a falar do mal lavado. Só espero que a roupa suja seja lavada o quanto antes, e aos olhos de todos.

terça-feira, 22 de março de 2011

Ver o circo pegar fogo

Desde o final de 2010 até este exato momento (e não estanca por aqui, muito pelo contrário), um assunto no futebol brasileiro corre em paralelo à própria prática do esporte. Claro, estou falando da polêmica que se criou em torno da disputa dos direitos de transmissão do futebol a partir de 2012. O assunto vai muito além do futebol. Mas muito além.
Tem ali muita política, muito interesse financeiro de clube, de entidade, de emissora. Tem muito do que é a selva sem lei que é mídia brasileira. Quando finalmente o Clube dos 13 resolveu retirar as regalias da toda poderosa e mimada Globo, instalou-se o caos político no futebol nacional. Em texto de Alexandre Haubrich publicado recentemente aqui no blog, dá para entender melhor como a situação chegou ao atual patamar de indefinição.
Corre a informação que a Globo está fechada com 13 clubes, mas até agora só Grêmio, Goiás, Cruzeiro e Coritiba admitiram oficialmente o acordo com a emissora para que transmita seus jogos no triênio 2012/13/14. Flamengo e Corinthians ainda não acertaram com ninguém. Enquanto isso, A RedeTV! já adquiriu junto ao C13, em licitação aberta a qual foi a unica emissora a participar, o direito de transmissão do Campeonato Brasileiro dos próximo três anos. O detalhe é que o C13 está com uma gama pequena de clubes grandes ainda afiliados. São eles o CAP, o Inter, o Atlétco-MG e o São Paulo.
Agora a rede Record entrou na briga novamente. E emissora do bispo Edir Macedo promete investir forte nos quatro últimos pilares do C13 e garantir pra si os direitos de transmissão de Flamengo e Corinthians, clubes das maiores torcidas do Brasil.
Ou seja: a bagunça é grande. No cenário atual, os direitos de transmissão podem ser divididos em três fragmentos entre as três emissoras, o que diminuiria muito a quantidade de jogos televisionados. A notícia ruim disso tudo é que o torcedor é o maior prejudicado, pois nenhum benefício lhe trás esse tipo de disputa de interesse.
A notícia boa de todo esse alvoroço é ver o circo pegar fogo! Assim, quem sabe, não se chega a conclusão que um novo circo precisa ser erguido; não se chega a conclusão que a Globo não pode ter todo esse poder de audiência e barganha; que a CBF tem que gerir futebol e não jogos de políticagem; que os clubes precisam ser mais unidos visando o bem coletivo e o melhor para o torcedor. Quem sabe não está na hora do Estado apagar esse fogo e pôr ordem na casa, como fez Cristina Kirchner, na Argentina, estatizando as transmissões e passando os jogos na tevê pública.

Leia também:
Record alfineta Globo e diz: prioridade é ter Fla e Corinthians

Senado entra na discussão dos direitos de tevê do Campeonato Brasileiro

sábado, 5 de março de 2011

A Rede Globo e o monopólio no futebol brasileiro

Artigo do jornalista Alexandre Haubrich, postado dia 03/03/11 no blog Jornalismo B

As transmissões televisivas de futebol, a princípio, são como quaisquer outras transmissões de eventos ao vivo. Se um comício é transmitido pela TV, por exemplo, pressupõe-se que ele aconteça de forma independente em relação às emissoras que querem transmiti-lo, e que a cobertura seja jornalística. Em muitos eventos esportivos também é assim. No Brasil, as partidas de futebol profissional não seguem a óbvia lógica.
No Campeonato Brasileiro de Futebol, por exemplo, o espaço para o jornalismo nas transmissões ao vivo é irrisório. Os repórteres de campo são praticamente a única exceção. O restante é espetáculo, e os próprios transmissores fazem parte relevante do show. Mesmo os horários das partidas são definidos pela emissora que detém os direitos exclusivos sobre os jogos. É por isso que, no meio da semana, o torcedor fiel precisa ir ao estádio às 21h50min, chegando em casa já na madrugada para trabalhar no dia seguinte, enquanto a dita emissora não mexe no sagrado horário de suas novelas. É por isso que, em pleno verão, atletas profissionais são obrigados a jogar sob temperaturas absurdas às 16h, para que a audiência televisiva não seja prejudicada e os milhões de reais da publicidade entrem fácil nos cofres da emissora.
O futebol profissional foi mundialmente – inclusive no Brasil – transformado em um grande espetáculo televisivo. O torcedor que vai ao estádio tem poucos direitos, pouco conforto, pouca segurança, é muito pouco respeitado, a começar pelos horários das partidas. Enquanto isso, a televisão ganha audiência com o futebol, e publicidade com a audiência.
Ao contrário de um evento comum, o futebol profissional passou a girar em torno da televisão, já que é dali que os clubes, mal administrados e pouco preocupados com seu torcedor, tiram a maior parte de sua receita – que, para tornar o clube competitivo, precisa ser cada vez mais alta.
Dentro desse contexto, já em meados de 2010 tivemos a polêmica eleição para o Clube dos 13, na qual acusações de compra de votos por parte de Kléber Leite, aliado da CBF e de seu presidente, Ricardo Teixeira, não foram repercutidos pela Rede Globo. Kléber era o adversário do atual presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, e defendia a manutenção do formato de disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol. Koff, não. E Koff, contra os interesses da Rede Globo e da CBF, venceu.
No início de 2011, o Clube dos 13, seguindo recomendação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), colocou em disputa os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, enquanto a Rede Globo gostaria de manter os critérios anteriores: nenhum. A Globo gostaria de continuar com a exclusividade dos direitos, sem concorrência, já que a Record parece ter condições financeiras de oferecer mais aos clubes do que a Vênus platinada – as transmissões das Olimpíadas de 2012 e de 2016 já estão nas mãos da Record, lá as travessuras políticas da Globo não adiantaram. O que a Globo fez, então? De alguma forma desconhecida convenceu os clubes a se retirarem do Clube dos 13 (totalmente ou apenas na negociação dos direitos de imagem), e a negociarem diretamente com a emissora carioca.
Operando nos bastidores para evitar a justa concorrência, impondo seus horários esdrúxulos às partidas, monopolizando as imagens e transmissões, enfraquecendo as instituições responsáveis por gerir o futebol brasileiro, a Globo presta um enorme desserviço ao esporte, ao torcedor e ao telespectador, além de ignorar e enfraquecer valores democráticos básicos.
*Um post interessante sobre o assunto pode ser encontrado no Escrivinhador.