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domingo, 11 de julho de 2010

Ficou com os melhores

Por Castro Marcon Cavalcante*

O título da Espanha é importante para o futebol. O melhor time dos últimos quatro anos não jogou o que todos esperavam, mas já foi o suficiente para ganhar uma Copa de futebol pouco brilhante, em que a bola - a jabulani - acabou ficando maior que o próprio esporte, o futebol.

O jogo final foi equilibrado. A possibilidade de um título inédito parece ter incomodado alguns jogadores. Não Iniesta, muito menos Casillas. Os dois espanhóis fizeram uma grande partida e foram os principais responsáveis pelo triunfo da Fúria sobre a Holanda. O primeiro, pelo gol salvador aos dez minutos do segundo tempo da prorrogação. O segundo, pelas defesas importantíssimas, que evitaram os gols de Robben.


A Holanda, que chegara a sua terceira final, agora soma seu terceiro vice-campeonato mundial. Os excelentes Sneijder e Robben pouco fizeram contra a Espanha, ficaram longe da boa Copa que faziam até então. Os laranjas bateram, foram responsáveis pela final de Copa mais violenta da história, podiam ter jogado mais.

Diferente da Holanda, a Espanha tem hoje a melhor equipe de sua história. Por isso o título da Fúria é importante, pois além de ser a geração de ouro de uma escola importante do futebol, é uma Seleção que joga diferente dos campeões do novo século. A Espanha apesar de ter feito poucos gols na Copa, tem uma proposta ofensiva, de posse de bola, de toques bonitos, de poucas faltas. É a vitória do futebol romântico.

O craque? Forlán. É ele o cara dessa Copa da África. O 10 do Uruguai foi um dos goleadores, foi um dos grandes articuladores e no seu último jogo, contra a Alemanha, conseguiu fazer o gol mais bonito da competição, desbancando o irregular golaço de Luis Fabiano.
Agora é voltar para Porto Alegre! Foi uma grande Copa do Mundo, assim como vai ser grande uma Copa em qualquer lugar do Mundo, inclusive a do Brasil em 2014.  Não enviei texto depois da eliminação do Brasil, por pedido do Luiz e por alguns outros problemas aqui na África, mas me foi encomendado esse último texto. Voltaremos... ou não.

*Castro é louco, inclusive por futebol, e aceitou a ideia de ser o correspondente do PoA Geral na África do Sul. 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Seleção fica no meio do caminho

Cair nas quartas de final é precoce para uma Seleção Brasileira, por mais que ela seja treinada por Dunga, por mais que ela não seja brilhante, por mais que tenha Felipe Melo, Michel Bastos e mais alguns pra lá de discutíveis. Mas essa Seleção de Dunga, e eu sempre disse isso aqui, era uma equipe competitiva, pragmática, que dificilmente levava gols. Por essas características, apostava que o Brasil iria mais longe.

O fato é que a Holanda é uma equipe muito parecida com essa Seleção montada por Dunga. A Laranja Mecânica até agora não foi a clássica Laranja Mecânica, passou longe de dar espetáculo, mas foi sempre muito pragmática e objetiva nessa Copa, ainda mais quando Robben voltou ao time para jogar junto a um Sneijder que já vinha jogando muito.

E a diferença da Holanda para o Brasil está, e esteve, nesses dois jogadores: Robben e Sneijder. Pois as duas equipes se encaixaram táticamente, a marcação de ambas foi corretas, tanto no 4-2-3-1 brasileiro, quanto no 4-3-3 holandês.

Quando o Brasil foi melhor, no primeiro tempo, foi porque Robinho teve vitória pessoal em algumas jogadas e conseguiu se desprender da marcação e entrar livre na área. Foi porque Kaká se movimentou bem. Foi porque Felipe Mello fez o que pouca faz. Foi porque Sneijder não conseguiu vencer G.Silva. Chocolate do Brasil no primeiro tempo: 1 a 0.

Já no segundo tempo, a Holanda foi melhor porque Sneijder saiu do meio, jogou mais à direita e fugiu da marcação de G.Silva. Foi melhor porque a marcação a Robben estava comprometida com o cartão de Michel Bastos. A Holanda foi melhor porque o Brasil voltou pior, desconcentrado. Julio e Felipe falharam logo aos 8 minutos, empata holandês. Aos 22, Felipe Mello (de novo ele) deixa Sneijder cabeciar sozinho para virar o jogo. Aos 28 minutos, antes que Dunga pudesse mexer - e já deveria ter mexido - Mello dá um pisão em Robben, vai expulso e complica tudo o que já estava complicado. Chocolate da Holanda no segundo tempo: 2 a 0.

Vitória merecida dos holandeses. Eliminação merecida do Brasil, que jogou o que pôde com o que tinha e com o que o Dunga levou. Fim de um trabalho bom nos números, feio no campo e na bola.