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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

As dificuldades de escalar o Grêmio em 2015

Se com o grupo completo, escalar o Grêmio não é fácil, imagine para esse primeiro momento do Gauchão, que começa já no sábado, às 17h, contra o União Frederiquense na Arena. Por agora, Felipão ainda não conta com Geromel, Ramiro e Giuliano, que recuperam-se de lesão, e Wallace, volante que serve à Seleção Brasileira sub-20. 

O grande problema do Grêmio são as incertezas e, claro, as características dos jogadores. Há muito mais dúvidas que afirmações. Mesmo que a direção afirme que o time tenha uma base pronta do ano passado - e tem -, também é verdade que jogadores fundamentais para o desempenho da equipe gremista em seu melhor momento dentro BR-14 deixaram o grupo. Para Scolari, é difícil repetir este ano o 4-4-2 que facilmente variava para o 4-3-3, tendo como destaque a parceria entre Dudu e Zé Roberto na esquerda e Luan como segundo atacante. Comentei sobre essa formatação aqui no PoA Geral. 

Os jovens Erik e Evérton são o que mais próximo o Grêmio tem do velocista Dudu. Mas que resposta esses jogadores realmente podem dar? Na lateral-direita, Galhardo e Matías Rodrigues podem ser mais regulares que o competitivo Pará? E na esquerda, a capacidade física e de recomposição de Marcelo Oliveira podem suprir a técnica de Zé Roberto?

Contudo, o maior pepino para Felipão pode estar no lugar em que, aparentemente, estaria a solução. A trinca Douglas, Barcos e Moreno. Bons jogadores, mas que juntos deixam a equipe pesada, sem a mobilidade necessária para a montagem de uma equipe veloz e competitiva.

Qual o esquema melhor se adapta ao grupo gremista? A falta de velocidade e de estatura dos principais jogadores são uma preocupação, além da incógnita que representam ainda alguns jogadores promissores, como o próprio meia Lincoln, tratado pelo clube como jogador acima da média.

No treino de quarta-feira, 28, o técnico gremista sinalizou uma formação sem a presença dos dois centroavantes, no esquema 4-2-3-1, valendo-se de algumas improvisações.

Nessa projeção testada pelo Felipão, Galhardo e Luan seriam os meias abertos, enquanto Marcelo
Oliveira faz dupla com Rhodolfo durante a ausência de Geromel. Moreno seria reserva de Barcos,
porém a presença de ambos na equipe que inicia o Gauchão não está descartada.  

Time Ideal?

Se eu tivesse a difícil missão de definir uma equipe ideal para o Grêmio, usando todos os jogadores do elenco, eu também optaria pelo 4-2-3-1. Apostaria minhas fichas no Giuliano recuperado, na velocidade do jovem Éverton e arriscaria uma dupla de volantes baixos, com Ramiro e Felipe Bastos,  para tentar ter a posse da bola a maior parte do tempo. À primeira vista, não é time para disputar a ponta de cima da tabela do Campeonato Brasileiro, mas encaixado pode, perfeitamente, ser postulante na Copa do Brasil.

Gremio 2015 - Football tactics and formations



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Grêmio B é inconstante

Após a primeira partida contra o São José, uma derrota de 1 a 0 em um gramado sintético cozinhando a 60 Graus Celsius, o plantel B do Grêmio voltou à campo esta noite e conquistou uma vitória apertada de 2 a 1 sobre o Lajeadense. Os primeiros pontos do Tricolor no Gauchão. Sem dúvida nenhuma pontos essenciais para um Grêmio que começa a usar seu plantel principal no domingo, mas sempre visando e priorizando a Libertadores, portanto deixando claro que equipe mista será uma constante no estadual.

Lucas Uebel / Grêmio FBPA
A equipe de Mabília era vista com desconfiança pela torcida gremista. Contudo, mesmo após a vitória nesta segunda rodada, a desconfiança persiste. A gurizada que entrou em campo se comportou melhor, é verdade, no bom e amplo gramado da Arena. A péssima imagem deixada contra o Zequinha enfraqueceu, mas ainda há o que provar ao torcedor e à comissão técnica principal.

O Grêmio B demostrou bons valores individuais. Dois deles certamente serão utilizados no time de cima. Primeiro o atacante Evérton, de 17 anos. Ele joga pela esquerda no 4-2-3-1 tricolor, porém foi quem apareceu como centroavante para finalizar a boa jogada do lateral Breno e abrir o placar contra o Lajeadense. O segundo veste a 10. Luan é um meia alto, magro, com velocidade, vitória pessoal e bom passe. Ele começou jogando pelo meio na linha de três meias e mostrou versatilidade ao terminar a partida atuando pela direita. Luan sofreu o pênalti que acabou dando a vitória ao Grêmio.

O lateral esquerdo Breno também tem qualidade e talvez surpreenda ao ser alçado para a equipe principal, afinal hoje o Grêmio conta apena com Wendell para a posição.

Contudo, no segundo tempo a equipe de jovens do Grêmio teve uma queda preocupante de rendimento. O time se mostrou inconstante animicamente, cedeu à pressão e sentiu bastante o gol de empate. Sem dúvida, apesar da vitória importante, a segunda etapa gremista demostra certa instabilidade no Grêmio de Mabília. Instabilidade que prejudica o conjunto, mas não ao ponto de apagar o razoável brilho de algumas jovens apostas. 

domingo, 13 de março de 2011

Jogo movimentado e empate entre Caxias e Internacional

No estádio Centenário, em Caxias do Sul, um 3 a 3 cheio de alternativas, repleto de momentos dignos de um jogão de bola. O goleiro Sangali defendeu mais um pênalti, Damião fez mais três gols (ainda que estivesse em posição irregular no segundo gol), Everton fez outra boa partida contra a dupla grenal, teve expulsão, comemoração polêmica e empate no finalzinho. Com o empate, o Caxias conquistou o primeiro ponto na Taça Farroupilha, tem um jogo apenas e ocupa a terceira colocação do grupo 1. O Colorado, depois da segunda partida, tem quatro pontos e é o líder do grupo.
No jogo, um Caxias embalado, rápido e arrasador logo de início. Pôs o Inter na roda e marcou logo aos 3min, depois de belo chute de Itaqui, de fora da áera, no cantinho de Lauro. O meia/volante do Caxias ocupa o setor esquerdo do meio campo do time da serra, que joga em losango e conta muito com a chegada dos meias dentro da área, pois os atacantes Everton e Lima se movimentam para os lados ou pra trás e abrem espaços na defesa adversária. Assim saiu o segundo gol do Caxias, gol do meia Waldison.
Mas antes do gol de Waldison, teve gol de Damião. Ultimante, sempre tem gol de Damião. Leandro Damigol ou Damishow, fique a seu critério. O cara é o artilheiro do Gauchão, chegou aos 11 gols. Carregou nas costas um Inter que não encontrou seu melhor futebol, num 4-2-3-1 que foi razoável com Oscar na meia-direita, mas deixou muito a desejar com Zé Roberto apenas fazendo número na esquerda. A tarde foi tão ruim para o meia, que errou o pênalti que ele mesmo sofreu.
O movimentado primeiro tempo acabou 2 a 2. Na segunda etapa o Inter voltou com mudanças na zaga, entraram Índio e Juan. As coisas acalmaram, o colorado ficou mais consistente e o Caxias não teve fôlego pra continuar no ritmo do primeiro tempo. Tardiamente Celso Roth tirou Zé Roberto e mandou a campo Rafael Sobis que, num lance, fez mais que o meia-esquerda.
A partir dos 30min do segundo tempo o jogo pegou fogo de novo. Damião subiu mais que todo mundo, num salto impressionante, e fez seu terceiro gol, de cabeça. Na comemoração, uma alfinetada no Grêmio, Leandro Damião encenou um quarto árbitro levantando a placa dos acréscimos, fazendo alusão ao jogo do meio da semana, entre Grêmio e Caxias. Talvez não precisasse, mas também não faz mal nenhum. Como não faria mal Carlos Alberto aceitar a flauta e responder com mais classe, como não teve no seu twitter.
Lima agrediu o zagueiro Índio, foi justamente expulso. Deixou seu time na mão, e nos pés de Everton. Em contra-ataque mortal, depois de Tinga e Damião perderem o gol que garantiria a vitória (é, Damião também erra gol), o veloz Everton acertou belo chute e empatou tudo de novo aos 36min. Com um homem a mais, deu tempo para o Inter errar mais dois ou três gols.
O próximo jogo do Colorado é às 19h30 de quarta-feira, pela Libertadores da América, na Bolívia, contra o Jorge Wilstermann. Colorado que ainda não esta confirmado pelo Celso Roth, mas é certo que não jogam Bolivar e D'Alessandro, Kléber volta, já Guiñazu não tenho certeza. O certo é que Oscar tá dando conta no meio-campo, e pode render mais ao lado do maestro argentino.Mas aí, tem de ir um dos volantes ou Zé Roberto para o banco.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Grêmio vence a Taça Piratini

Por onde começar um texto sobre um jogão de bola como foi Grêmio e Caxias? Jogo que teve de tudo. Teve campeão de muitos erros e defeitos. Teve um perdedor de se aplaudir em pé, com garra e futebol de vencedor. Teve quatro gols com a bola andando - ainda que andasse menos que deveria no segundo tempo. Teve os oito minutos de acréscimos no final, para compensar o jogo que, em certos momentos, foi mais brigado e encenado que jogado. Teve a decisão por pênaltis, que sempre reserva boas emoções ao torcedor e quase sempre daí sai o herói da noite. No confronto Victor x Sangalli na hora das cobranças, brilhou a estrela do tricolor, duas vezes.
Uma das armas de um time tecnicamente em desvantagem, tem que ser a surpresa. Também é fundamental a obediência tática. Foi justamente o que teve o Caxias do técnico Lisca no início da decisão da Taça Piratini, dentro do Olímpico. O Caxias surpreendeu atacando um Grêmio que não esperava se defender logo de cara, um Grêmio formatado à atacar. Com a bola, 4-4-2 com meio-campo em losango, time leve, ligeiro, com facilidade de entrar jogando pelos flancos. Sem a bola, um Caxias posicionado num 4-1-4-1, esquema que protege bem a linha defensiva e dá rápidas alternativas de contra-ataques. O calor foi tanto que, antes dos 10 minutos de jogo, Renato mandou os reservas do Grêmio aquecerem.
Aos 26, já perdendo de 1 a 0, depois da bela cobrança de falta do garoto Itaqui (19min), o técnico do Grêmio desistiu mais uma vez do seu quadrado no meio-campo, dessa vez formado por Rochemback, Willian Magrão, C.Alberto e Douglas. Não deu liga nem mecânica ao time. Como virou praxe no Olímpico, saiu C.Alberto e entrou Bruno Collaço para fazer as vezes de Lúcio, no lado esquerdo do agora losângo gremista no meio-campo. Lúcio estava no banco, há de se ressaltar, mas até aquele momento ainda era preservado, entrou no desespero gremista do segundo tempo e foi bem, parece estar curado da lesão.
Se por um lado o Grêmio não iniciou bem, o Caxias iniciou ótimo! Fez um baita primeiro tempo, dentro do campo do Grêmio, tocando a bola com autoridade, com o atacante Éverton (ex-Grêmio e Inter, como muitos nesse Caxias) em noite iluminada. O segundo gol do Caxias saiu no momento em que o tricolor começava a se encontrar no jogo, aos 39min e com ajudinha do Victor. Pareceu um golpe fatal. Mas não para Willian Magrão, que não marcou lá atrás o quanto deveria, é verdade, mas marcou lá na frente, aos 43, gol que reacendeu a chama do Imortal Tricolor no jogo.

Aliás, se não foi a grande partida dos defensores do Grêmio em suas funções, acabaram compensando com gols. Pois, no finzinho de um segundo tempo quase unilateral, que quase só deu Grêmio jogando, errando gol e Sangalli defendendo, deu também pros dois zagueiros do Tricolor virarem atacantes e aí sobrar uma bola para o Rafael Marques empatar um dramático jogo aos 50 minutos da segunda etapa e levar tudo para os pênatils.

Nos pênaltis, consagração gremista: duas cobranças defendidas, quatro convertidas, volta olímpica e um título que ganha proporções maiores pelo jeito que foi conquistado, não pelo peso histórico. O título TÍTULO que o grupo de jogadores e a comissão técnica tanto fala, não pode ser esse. Título mesmo é ganhar o Gauchão completo e/ou Libertadores.

Dá para comemorar, sim. Mas dá para pôr muitos questionamentos ao Grêmio 2011. Deve melhorar, ora, se almeja algo maior que a Taça Piratini. Com todo respeito ao Caxias, que é bom time, fez um partidão, esticou a corda ao máximo, valorizou a vitória gremista, mas é um clube que disputa a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, não pode ser obstáculo tão duro na vida de quem quer ser campeão da América.
Mas a história contada e escrita é outra. O Caxias foi o obstáculo que o técnico Lisca prometeu às vésperas do confronto. Por detalhe não saiu vitorioso. Não seria injustiça. E há justiça no futebol?