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quarta-feira, 18 de março de 2015

Você viu? #128

Hoje no Você Viu vou priorizar uma assunto que ainda está muito forte: as manifestações do dia 15 de março. Como de costume, vou fugir das notícias e interpretações da grande mídia e buscar visões e opiniões mais à esquerda. Entendo como um exercício necessário para tentar fugir do lugar comum.






Blog do Sakamoto, 15 de março

Bruno Lima Rocha para o IHU, 15 de março

Jornalistas Livres, 15 de março

Sul 21, 15 de março

Eliane Brum, 16 de março

Pragmatismo Político, 17 de março

Carta Capital, 17 de março

El País, 17 de março

Revista Fórum, 18 de março

Imagens dos protestos em Novo Hamburgo, região metropolitana. Foto: Joel Vargas

segunda-feira, 16 de março de 2015

Respeito, mas está longe de me representar

Todo respeito ao povo que saiu às ruas neste domingo, 15 de março, em todo o Brasil. Um número realmente significativo de pessoas foram manifestar-se contra o PT e a presidente Dilma Rousseff, pedindo o impeachment da mandatária e o fim da corrupção. Faz parte do jogo democrático. 

Entendo que engana-se quem generaliza dizendo que apenas a elite branca foi para as ruas. Pelo que tenho observado e lido nesses últimos meses, este é um movimento forjado pela elites e comprado por uma parcela significativa dos brasileiros médios, que não são necessariamente privilegiados pelos programas assistenciais do governo, tampouco pelo capital das grandes potências empresariais. Esse brasileiro médio, alardeado por postagens terroristas nas redes sociais e uma cobertura do país negativa e insistente por parte da grande mídia, foi para as ruas convicto que o Partido dos Trabalhadores e a presidente são os maiores problemas do Brasil.

Terrorismo desse tipo tomou conta das redes sociais, levando 
muitas pessoas a crerem nessas informações.
Eles tem o direito de pensarem assim. Ainda bem que vivemos em uma democracia e isso pode acontecer. Contudo, as pautas defendidas pelas principais lideranças que convocaram esse movimento do dia 15 de março, não me representam. E digo mais: não representam para o país um caminho salutar em sua democracia ainda jovem.

Primeiro que não acho que os últimos anos da administração do PT tenham sido uma maravilha. Dilma, Lula e o PT cometeram os mesmo erros e fizeram as mesmas alianças que qualquer partido da oposição faria sem corar as bochechas. Reconheço, porém, os inúmeros avanços e conquistas importantes de uma parcela da população proporcionadas pelo governo do PT, no qual sempre votei em segundo turno (optando primeiramente pelos candidatos do PSOL).

Dito isto, não posso nunca me aliar a um movimento que tem, entre seus simpatizantes e principais incentivadores, nomes como Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e grupos que apoiam a intervenção militar. Além, claro, do desespero completo que é, neste momento, acreditar no impeachment da presidente Dilma.

Casal protesta em Porto Alegre. Foto: Guilherme Santos / Sul21

Estes surgem da mesma vertente que defende a redução da maioridade penal, criminaliza o aborto, criminaliza os movimentos sociais e diz amém para absolutamente tudo que a grande mídia publica. É um movimento que se diz contra a corrupção e grita palavras de ordem contra o governo que mais investigou corrupção na história desse país.

Me alio aos movimentos que não negam suas bandeiras históricas, que muito levaram pau da polícia, bala de borracha, gás lacrimogênio, para que hoje desfrutemos de direitos essenciais, como férias remuneradas, décimo terceiro, licença maternidade, valorização do salário mínimo, carteira assinada. Movimentos que entendem a importância da Petrobrás, que também querem o fim da corrupção, mas não que isso signifique o enfraquecimento das instituições em nome de um jogo político sujo, forjado e mal interpretado.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Você viu? #111

Hoje farei uma inversão de postagens. Ao invés do habitual Filme de Segunda, neste dia posterior às eleições darei uma de revista Veja e anteciparei o Você Viu? em um dia. Amanhã, portanto, volto a falar sobre cinema. Por agora, indico algumas leituras repercutindo o pleito de domingo.

Sartori diz que ninguém está autorizado a divulgar nomes de secretários
Sul 21, 27 de outubro

Imprensa europeia repercute vitória de Dilma Rousseff
Agência Brasil, 27 de outubro

Dilma e sua coligação está movendo 7 ações na justiça contra a revista Veja
Sul 21, 27 de outubro

Não esqueçam o que eles escreveram
Observatório da Imprensa, 27 de outubro

A pressão por uma guinada de Dilma à esquerda começa agora
Blog do Sakamoto, 27 de outubro

91,8% dos brasileiros em Miami votaram em Aécio Neves
Revista Fórum, 27 de outubro

Primeiro pronunciamento da Presidente reeleita Dilma Rousseff




Primeiro pronunciamento do Governador do RS eleito José Ivo Sartori




A Dilma Rousseff que eu conheci pessoalmente
El País, 26 de outubro

Aécio: “a maior prioridade deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado”
Carta Capital, 26 de outubro

PMDB é o maior vencedor nos estados
Carta Capital, 26 de outubro

Por que a Minas de Aécio deu a vitória a Dilma
Diário do Centro do Mundo, 26 de outubro

Indignado, Coronel Telhada fala em separar SP do País
Portal Terra, 26 de outubro

Nordestinos sofrem preconceito na internet após vitória de Dilma
Uol, 26 de outubro


AQUI, galeria dos fotógrafos Bernardo Jardim Ribeiro e Ramiro Furquim, do Sul 21.
Bernardo Jardim Ribeiro / Sul 21

sábado, 25 de outubro de 2014

A técnica do antijornalismo e a resposta da Presidente Dilma

Em Vi O Mundo, o pesquisador que estudou o maior fenômeno de antijornalismo do Brasil. Artigo interessante para entender um pouco da prática jornalística da revista Veja. Já o portal de notícias Pragmatismo Político destaca: Tribunal Superior Eleitoral afirma que capa da revista Veja é propaganda eleitoral irregular e está claramente “a favor de uma candidatura em detrimento de outra”.



Indico ainda o texto do editor do Diário do Centro do Mundo. A seguir, na íntegra:

Uma discussão estritamente jornalística sobre o caso Veja

Paulo Nogueira para o DCM, em 25 de iutubro

Capa da mais recente edição de Veja, que teve
seu lançamento antecipado em dois dias 
Vou falar estritamente sobre a técnica jornalística utilizada pela Veja na última edição.

Percebi que é necessário, uma vez que mesmo jornalistas experientes como Ricardo Noblat não compreendem exatamente onde está o problema.

Citei Noblat porque, em sua conta no Twitter, além de em determinada altura do debate de ontem ele informar seus seguidores de que a bateria do celular acabara, ele fez a seguinte indagação.

“Que prova Dilma da reportagem da Veja? Uma gravação? Diria que é falsa. Uma entrevista do doleiro preso?”

Uma das missões do jornalismo é jogar luzes sobre sombras. Noblat jogou ainda mais sombras sobre as sombras já existentes.

Prova é prova. Prova são evidências consideradas irrefutáveis pela Justiça depois de um processo em que as partes defendem sua posição.

Prova não é a palavra de ninguém – gravada, escrita ou dita em público. Porque o ser humano pode dizer qualquer coisa que imagine que vá beneficiá-lo ou prejudicar um opositor.

Imagine que alguém queira destruir moralmente você. Ele afirma que você é pedófilo, por exemplo. Grava um vídeo e coloca no YouTube.

O fato de ele haver falado que você é pedófilo não prova nada, evidentemente. Você o processa. A Justiça vai pedir provas. Se o difamador não as tiver, estará diante de uma encrenca considerável.

O raciocínio acima não vale, infelizmente, para o jornalismo, dada a influência que as empresas de mídia exercem sobre a Justiça no Brasil.

Mas vale em sociedades mais avançadas. O caso clássico, neste capítulo, é o de Paulo Francis.

Acusou diretores da Petrobras de terem contas no exterior. Como as acusações foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, os acusados puderam processá-lo nos Estados Unidos.

A Justiça americana pediu provas a Francis. Ele nada tinha. Na iminência de uma indenização à altura das calúnias, Francis se atormentou e morreu do coração.

Na Justiça brasileira, ele certamente se sairia facilmente de um processo. E ainda seria glorificado como mártir da liberdade da expressão.

Ainda que, para voltar à frase de Noblat, uma fita fosse apresentada, isto não valeria rigorosamente nada. De novo: nada.

Imagine, apenas a título de exercício mental, que alguém tivesse prometido ao doleiro preso vantagens no caso de uma vitória de Aécio: dinheiro, pena branda, cobertura discreta em jornais, revistas, telejornais.

Imagine, além disso, que o doleiro de fato acreditasse que uma simples declaração sua daria a presidência a Aécio.

Ele falaria o que quisessem que ele falasse, naturalmente.

No Brasil, situações como a que descrevi podem acontecer.

Nos Estados Unidos, e volto a Paulo Francis, não. Sem provas, não apenas o acusador estaria frito. Também jornais e revistas que reproduzissem suas acusações enfrentariam problemas colossais.

A sociedade tem que ser protegida.

Em meus dias de Abril, meus amigos se lembram, sempre disse que seria simplesmente inimaginável um jornal publicar – sem provas – uma entrevista em que um irmão do presidente fizesse acusações destruidoras.

Esse irmão poderia estar mentindo, por ódio ou motivações pecuniárias. Inventando coisas. Aumentando outras.

Onde muitas pessoas viram um triunfo da Veja, enxerguei desde o princípio uma demonstração da miséria do jornalismo nacional. E da Justiça, porque se ela agisse como deveria ninguém destruiria a reputação de ninguém sem provas.

Tantos anos depois deste caso a que me refiro, nem o jornalismo brasileiro e nem a Justiça evoluíram.

As trapaças estão até nos detalhes. O jornalismo digno manda que você tome cuidados básicos ao publicar acusações. O acusador disse isso ou aquilo. Afirmou. Para manipular leitores, a Veja utiliza outro verbo: revelou. É, jornalisticamente, uma canalhice e um crime.

A Veja sabe que pode publicar o que bem entender porque a Justiça não vai cobrar provas. Como opera em solo brasileiro, e não americano, ainda poderá se declarar mártir da liberdade da expressão, caso seja mesmo processada por Dilma.

Era o que aconteceria com Paulo Francis se não tivesse sido julgado pelas leis americanas.

Nos Estados Unidos, de onde emigrou há 60 anos a então modesta família Civita para fazer fama e fortuna no Brasil, a Veja estaria morta há muito tempo com o tipo de jornalismo que faz.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Declaração de voto

O ato de votar, em um segundo turno, é quase um exercício de rejeição. Pois, na teoria, ficam frente a frente concepções diferentes de ideia de governo. Ao eleitor, cabe escolher entre um ou outro. Entre esquerda ou direita. Entre PSDB ou PT. Entre mais corrupto ou menos corrupto. Entre simpático e antipático. São inúmeras as dicotomias, sendo elas verdadeiras ou não. Em segundo turno de eleição, colocado o natural crescimento nas emoções e convicções de cada indivíduo, a torcida para que o outro lado não ganhe acaba sendo mais intensa do que pela vitória do seu próprio lado. 


Por acreditar que não fará bem ao Brasil e ao Rio Grande do Sul eleger Aécio presidente e Sartori governador é que voto, no próximo dia 26, em Dilma Rousseff e Tarso Genro. Entendo as candidaturas do PSDB em âmbito nacional, e a do PMDB em escala regional, como um retrocesso à direita, possivelmente valorizando a política neoliberal, privilegiando o capital financeiro e enfraquecendo o Estado e suas ações afirmativas.

Não é, contudo, um voto às cegas. Apesar do profundo respeito pela história do Partido dos Trabalhadores, e da imensa admiração pela trajetória pessoal de lutas e conquistas tanto de Tarso quanto da atual presidente Dilma, é extremamente necessário que se faça críticas aos governos do PT, sobretudo pelo viés das pautas históricas defendidas pelo partido.

Os 12 anos de mandato Lula e Dilma, e os quatro de Tarso Genro aqui no RS, representam avanços sociais históricos para o Brasil, disso não há dúvida. O combate à miséria e à pobreza foi notável, o aumento do poder de compra da classe média foi importantíssimo para o crescimento da economia do país, a ampliação das vagas ao ensino superior e técnico, mais os programas de inclusão como ProUni, FIES, política de cotas e Pronatec garantem acesso de uma parcela da população que nunca imaginou se formar e ter um diploma. Estamos vendo inúmeros casos de jovens se formando e constituindo uma primeira geração de graduados dentro das famílias menos abastadas, e isso é muito significativo. Assim como o Mais Médicos, programa que conseguiu levar saúde básica aos rincões onde médicos brasileiros não demonstravam interesse em prestar atendimento. Fora outros avanços, talvez menos importantes.

Deixo manifesto aqui, por coerência às minhas convicções, as ressalvas quanto ao projeto do PT que, através do voto, escolho para que continue por mais quatro anos. Pouco se fez quanto a reforma política, reforma agrária e reforma no sistema de comunicação social. É furtivo também o registro negativo sobre as alianças feitas em nome da governabilidade. Alianças essas que, sem dúvida, atrasam alguns avanços necessários e, infelizmente, ainda não dão sinais de enfraquecimento.

Entendendo, porém, que o processo eleitoral de 2014 elegeu uma gama de senadores e deputados com tendências gerais mais conservadoras, vejo ainda mais necessário que permaneça à frente do país um projeto político, ao menos, com a tendência de centro-esquerda demostrada pelo Partido dos Trabalhadores. Colocado o novo congresso a partir de 2015, aliado a uma possível candidatura de Aécio Neves, pautas como a criminalização da homofobia, regulamentação da maconha, do aborto e demarcação de terras indígenas e quilombolas voltarão ao fundo do baú. Ao mesmo tempo em que ganharia força a redução da maioridade penal, a privatização de presídios e o combate cada vez mais ostensivo (sanguinário e ineficaz) ao tráfico de drogas.

Colocado estes pontos, mais as sérias restrições de ordem ética e moral que tenho pela trajetória pessoal e política do candidato do PSDB, Aécio Neves, apoiado aqui no RS por José Ivo Sartori, do PMDB, é que neste segundo turno vou de Dilma Rousseff e Tarso Genro para Presidente e Governador.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dez coisas sobre o debate dos presidenciáveis na Band

Assisti a boa parte do debate com os candidatos a Presidente da República realizado pela TV Bandeirantes na noite de terça-feira, 27. Não foi com aquela atenção necessária, com anotações precisas e fundamentais para escrever qualquer análise mais densa sobre o confronto. Confesso, porém, não ter me surpreendido com nada. Nem com os momentos bons, tampouco com o vários momentos ruins, de enrolação e discurso vazio.

Marina (PSB) pergunta a Dilma (PT). 
Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Quero, portanto, replicar a análise breve e pertinente do jornalista Paulo Nogueira, publicada nesta quarta no portal Diário do Centro do Mundo. Posso até discordar em uma ou duas frases do editor do site, mas concordo, sobretudo, com a essência básica que passa o texto. Confira:

Dez coisas sobre o debate da Band

1) Dilma apanhou de todos os lados. Bateu em Aécio e poupou Marina, que não a poupou.

De uma maneira geral, se defendeu bem, o que mostra que se preparou para a pancadaria generalizada.

2) Aécio foi Aécio e mais três: os jornalistas da Band, José Paulo de Andrade, Boris Casoy e Fabio Panuzio.

As perguntas deles continham invariavelmente críticas a Dilma e oportunidades para Aécio vender seu peixe. Foram torcedores muito mais que jornalistas.

3) Aécio escolheu por onde vai tentar brecar Marina: dizendo que ela é uma “aventura”, um “improviso”.

A verdadeira mudança, segundo ele, é ele mesmo.

4) Aécio vê um Armínio Fraga que só ele vê. Nas  suas considerações finais, Aécio anunciou Fraga como ministro da Economia com o ar triunfal de um técnico que estaria comunicando a aquisição de Messi.

5) Marina mostrou quanto respeita Neca. Os óculos vermelhos com os quais se apresentou no debate chamaram a atenção de todos.

Neca não parece ter apreciado muito. Da plateia, acenou para que Marina os tirasse, e foi obedecida.

6) Marina, como se diz no futebol, está de salto alto, mascarada, por conta das pesquisas.

Parecia pairar acima do bem e do mal, ou pelo menos acima de Dilma e Aécio, ao renegar a polarização PT X PSDB.

7) O Pastor Everaldo não tem noção das coisas. Numa pergunta sobre o futuro da energia, parecia aquele aluno que ao ver uma questão numa prova percebe que não estudou nada. Respondeu com seu repetido bordão sobre o Estado Mínimo, que lhe valeu o apelido de Pastor Neoliberal entre os internautas.

8) Eduardo Jorge, do PV, foi o Rei da Zoeira, com seu vozeirão, seu traje de cantor sertanejo e suas críticas “a tudo isso que está aí”.

“Aquele tio que fuma maconha e pede dinheiro emprestado pra tua avó”, na definição de um internauta no Twitter.

9) Levy Fidelix frustrou os internautas ao deixar de falar no mítico “aerotrem”.

Comparado ao baixinho da Kaiser e ao Senhor Spacely, parecia, como o Pastor Everaldo, perdido no tempo e no espaço.

10) Luciana Genro pode se tornar um bom quadro da esquerda, se for mais pragmática. Sublinhou a semelhança entre o programa econômico de Aécio e de Marina, falou na necessidade de taxar as grandes fortunas e, em seu melhor momento, notou que o jornalista José Paulo de Andrade não entendeu nada dos protestos de junho passado.

Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Eleições presidenciais e reformas estruturais

A seguir, editorial da edição 596 do Jornal Brasil de Fato, que basicamente reflete a opinião deste blogueiro que vos tecla.

As manifestações de junho de 2013, exigindo mais cidadania políti­ca e social, assim como a instrumen­talização da Ação Penal 470 (conhe­cida como mensalão) pelas forças ne­oliberais para destruir o Partido dos Trabalhadores (PT) e desgastar os governos Lula e Dilma, transforma­ram as eleições de 2014 numa bata­lha decisiva. Nesse sentido, os pro­testos de junho do ano passado colo­caram na ordem do dia a necessidade de aprofundar as mudanças no Bra­sil. Ao mesmo tempo, a politização da AP 470 reafirmou que a classe do­minante brasileira não tolera a me­lhoria de qualidade de vida do povo e que é impossível avançar nas con­quistas populares sem o acirramento da luta de classes.

Para responder aos anseios po­pulares de mais cidadania política e social, é necessário colocar as re­formas estruturais na agenda políti­ca brasileira. Não por acaso, a pre­sidenta Dilma, no lançamento de sua candidatura à reeleição, pautou o Plano de Transformação Nacional como uma diretriz fundamental de seu programa de governo. Trata-se do compromisso com quatro refor­mas: a política; a federativa; a urba­na e dos serviços públicos.

Para a reforma política, Dilma tem concordância com a necessida­de de um plebiscito oficial que con­sulte o povo brasileiro sobre a ne­cessidade de convocar uma Assem­bleia Constituinte exclusiva para mudar o sistema político. Por trás da reforma federativa está certa­mente uma reforma tributária pa­ra corrigir as distorções que penali­zam a renda da classe trabalhadora e que prejudicam os setores produ­tivos da economia brasileira. A re­forma urbana se pautará certamen­te para combater o déficit habita­cional, melhorar consideravelmente a mobilidade urbana, avançar num amplo programa de saneamento básico e redefinir a segurança pú­blica no Brasil. A melhoria dos ser­viços públicos é uma medida fun­damental e de impacto imediato na população pobre.

Até agora, esse compromisso da candidatura da presidenta Dilma com estas quatro reformas é a gran­de novidade das eleições presiden­ciais de 2014. Entretanto existem al­gumas pedras no meio do caminho. O compromisso do PT e da presi­denta Dilma com estas reformas en­frenta alguns gargalos. O primeiro é o caráter conservador de sua coali­zão eleitoral, particularmente o PM­DB. Ou seja, conseguirá a presiden­ta Dilma, durante a campanha pro­pagandear estas reformas sem sofrer dissidências ou ameaças dos pró­prios aliados?

O segundo gargalo é que mesmo que a presidenta consiga propagan­dear estas propostas e seja reeleita compromissada com elas, encontra­rá dificuldades de aceitação no Con­gresso Nacional hegemonizado por empresários, ruralistas e todo tipo de pensamento conservador. Ou seja, encontrará um obstáculo num siste­ma político pautado pelo poder eco­nômico.

Não é possível colocar as reformas estruturais na agenda sem combinar luta de massas com a luta pela cons­tituinte exclusiva do sistema políti­co. Para viabilizar esta agenda políti­ca, torna-se urgente a construção de uma nova maioria social que tenha como base uma força social de mas­sas formada fundamentalmente pela jovem classe trabalhadora que se re­novou nestes últimos 12 anos.

Se a presidenta Dilma não pautar as reformas estruturais, não conse­guirá dar respostas às demandas de junho de 2013. Além disso, corre o risco de abrir um abismo entre o PT e os anseios por mudanças que os ma­nifestantes de junho pautaram. Mas não somente isso. Poderá perder as eleições e abrir espaço para uma pos­sível restauração neoliberal no Brasil com consequências para toda a Amé­rica Latina.

Pautar estas quatro reformas seria um bom ponto de partida para rom­per com a pobreza de debate pro­gramático tão comum nas eleições. Além disso, também seria o primei­ro passo para pautar outras refor­mas fundamentais, como a agrária, solenemente ignorada nestes últi­mos 12 anos.

São novas tarefas e novas forças sociais que abrem a possibilidade de gestarmos um novo ciclo histórico para refundar o Brasil. Quais candi­daturas presidenciais acumulam for­ças para um projeto de mudanças es­truturais?

A candidatura da presidenta Dil­ma, com todos os seus limites, não representa retrocessos e tem sinali­zado com a necessidade de assumir o compromisso com o aprofundamen­to das mudanças políticas e sociais.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Aborto não é obrigatório no Brasil

Mesmo que a Presidente Dilma Rouseff tenha sancionado na última quinta-feira (1°) a lei que garante e qualifica o atendimento a vítimas de violência sexual, não passa a ser obrigatório o aborto em território brasileiro. Me parece necessário que se faça esse tipo de ressalva, afinal li nas redes sociais, de pessoas até certo modo esclarecidas e cursando o ensino superior - comunicação, inclusive -, que o governo federal tinha liberado o aborto. Na sequência, vinha um inconsequente "#ForaDilma, o gigante acordou".

Entidades religiosas, como a Federação Espírita Brasileira (FEB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foram pelo mesmo caminho e criticaram a sanção da lei 12.845/2013. Em nota publicada no site da CNBB, os bispos, por exemplo, lamentam que a Presidente não tenha vetado o Artigo 2º e os incisos IV e VII do Artigo 3º. É um projeto de lei simples, claro e direto, pode ser lido inteiro AQUI. O inciso VII do Artigo 3° diz exatamente o seguinte: "Fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis." Ou seja, para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil as vítimas de violência sexual não devem ter como direito o acesso à informação sobre tudo aquilo que o atendimento do Sistema Único de Saúdo lhes garante.

Contudo, o Governo Federal já enviou ao Congresso um projeto de lei para corrigir duas imprecisões do texto original. A primeira propõe uma nova redação para a definição de violência sexual. A nova redação fará referência diretamente aos termos usados no Código Penal Brasileiro. A segunda correção é quanto a expressão profilaxia da gravidez, considerada inadequada tecnicamente, por “medicação com eficiência precoce para prevenir gravidez resultante do estupro”, o que nada mais é que a pílula do dia seguinte.


Segundo a nova lei, O atendimento a vítimas de violência sexual deve incluir agilidade no atendimento, diagnóstico e tratamento de lesões, a realização de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. A lei também determina a preservação do material coletado no exame médico-legal.

Duas questões importantes que precisamos ter bem claras:
Uma é que a PL 12.845/2013 é um avanço na luta pelo direito da mulher. A outra é que entidades religiosas não devem praticar lobby ou tentar exercer influência sobre a opinião pública a respeito de temas legislativos. O que elas tem todo o direito, e estão muito certas dentro de suas crenças, é recomendar a seus fiéis e simpatizantes que não pratiquem ou participem de determinadas situações.

Ninguém é obrigado a abortar, ninguém é obrigado a usar preservativo, ninguém é obrigado a casar virgem e com alguém do mesmo sexo. A constituição brasileira está acima de qualquer religião, sem necessariamente inibir a prática dela. E se tratando de um país democrático e legislado para todos, mesmo quem discorda da CNBB pode ter o direito de receber informação sobre todos os serviços sanitários que a lei garante. Quem concorda com a CNBB, simplesmente peça para não ser informado.

É fácil. Assim como entender que o aborto não é obrigatório.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

terça-feira, 1 de maio de 2012

Você viu? #22

1° de maio, Dia do trabalhador. Parabéns a você, brasileiro e trabalhador. Seguimos nós com mais um Você Viu?, a reunião semanal de links aqui no PoA Geral. Iniciamos hoje com o pronunciamento oficial da Presidente Dilma Rousseff especial para o Dia do Trabalhador



Jornal Sul21, 30 de abril

Blog do Altamiro Borges, 30 de abril

Jornal Sul21, 30 de abril

Jornal JÁ, 30 de abril

Blog da Cidadania, 30 de arbil

Blog Acerto de Contas, 28 de abril

Estratégia e Análise, 28 de abril

Revista NOIZE, 25 de abril

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cara-de-pau na cobertura da visita de Dilma à Cuba


A Presidente Dilma está em Cuba e a grande mídia brasileira vai à loucura. Como se fosse proibido conversar ou visitar ou negociar com a ilha caribenha. Como se o embargo econômico imposto pelos E.U.A. há décadas nos impedisse de encarar Cuba como um país latino e irmão como todos os outros. Bradam na mídia as vozes do moralismo brasileiro falando em direitos humanos, falando nos ditadores Fidel e Raul Castro. Os mesmos que não falam da base americana de Guantánamo, território cubano. Os mesmos que tratam a ação em Pinheirinho como uma simples desocupação de 8 mil "invasores". Como não tivesse sido uma atentado ao direito básico à moradia - fora a truculenta atuação da PM.

Segundo a Anistia Internacional, em relatório de abril de 2011, Cuba é o país que menos viola os direitos humanos ou que melhor os respeita no continente americano. Ficando à frente de muitos gigantes da democracia capitalista.


Um exemplo básico é a abertura do Jornal da Globo desta segunda-feira. Atente aos primeiros 40 segundos:

 


Recomendo a leitura, longa leitura, do post A blogueira que virou santa é a dona da semana, do grande Lucio de Castro da ESPN. O jornalista, que já visitou a ilha algumas vezes, aborda o assunto com muita propriedade e ainda fala da blogueira cubana Yoani Sánchez, principal voz de oposição em Cuba. Uma personagem muito controversa, mas idolatrada pela grande mídia brasileira.

Ainda tem o post do Jornalismo B sobre Yoani, texto que inclusive repercutiu na blogosfera cubana.

E para fechar, a primeira coletiva da Presidente na chegada em Cuba, com um discurso conciliador, mas sem deixar de ter respostas firmes e seguras. Ao ser perguntada se visitaria Fidel: "Sim, com muito orgulho, eu vou".

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Você viu? #1

Compilação de links reunidos durante os últimos sete dias. A partir de hoje, todas as terças-feiras aqui no PoA Geral.
O mundinho particular de Veja - Jornalismo B, 21 de Setembro.
Barça de Messi beira a perfeição - Blog do Carlão, 24 de Setembro.
O pensamento escravocrata - Tijolaço - O blog do Brizola Neto, 24 de Setembro.
Não somos racistas? - Cão Uivador, 25 de Setembro.
Ciclistas fazem “farofada” no Mercado Público de Porto Alegre. Veja as fotos - Sul 21, 26 de Setembro.


Em 1987, Jô Soares critica fortemente as atitudes de bastidores da Rede Globo, uma crítica perfeitamente atual, mas que provavelmente não sairia mais da mesma boca.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Orgulho

É com misto de orgulho e felicidade que encaro e eleição de Dilma Rousseff. A mineira-gaúcha, de origem húngara, se elege aos 62 anos de idade, quase 63, na sua primeira eleição, contra um político calejado, cancheiro, acostumado com debates a cada dois anos e com o contato com o eleitor. Isto, por si só, já é significativo. Lula precisou de quatro eleições para se eleger a primeira vez.
Felicidade por questões pessoais, de poder ver no RS e no Brasil uma derrota significativa da direita representada pelo PSDB. De poder eleger candidatos que voto com muita convicção. São eles o senador Pain, Dilma Roiusseff e, principalmente, o governador eleito Tarso Genro, que assume depois de quatro anos de Rigotto e quatro anos de Yeda no estado. Os canditados do Partido dos Trabalhadores, hoje representam um projeto de governo que muito mais acertou do que errou, não é à toa a aprovação popular.
O sentimento de orgulho é mais abrangente, ultrapassa as fronteiras do Brasil. O processo é lento, não sabemos até que ponto continuará avançando, mas o eleitor está se desgarrando de preconceitos pré-históricos na hora de ir às urnas. Como é legal ver um índio na presidência da Bolívia, um negro nos E.U.A., um ex-guerrilheiro no Uruguai, um mestiço na Venezuela, um operário no Brasil que, agora, elege uma mulher.
A primeira mulher Presidente da República. Significativo! Ainda mais para uma mulher que vem da esquerda, embora o PT seja um partido de centro, para uma mulher que atuou fortemente na luta contra a ditadura e tem um passado digno, de guerrilha e clandestinidade. Não só aqui, mas nos outros países citados, e outros ainda, há uma profunda prova de democracia. Basta que o povo queira, chega-se ao cargo máximo de uma república. Seja índio, negro, mulher etc.
Podemos questionar a qualidade de cada governo, sim. Mas não a legitimidade e a importância histórica de cada representante do povo que chegou ao poder. Estou feliz, questão pessoal. O orgulho é pelo coletivo, pela evolução do pensar e do votar.

sábado, 16 de outubro de 2010

Intelectuais saem em apoio a Dilma Rousseff

Em setembro, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) publicou em seu portal eletrônico um manifesto assinado pelos reitores das universidades públicas em apoio à candidata do Partido dos Trabalhadores Dilma Rousseff. Segundo o documento o Brasil está no rumo certo garças às políticas implementadas pelo governo Lula. 

No último dia 13, o site da Carta Capital noticiou sobre o manifesto liderado pelo Chico Buarque, pelo teólogo Leonardo Boff e pelos jornalistas e escritores Emir Sader e Eric Nepomuceno que abrem o voto e defendem Dilma nesse segundo turno. O documento deve ser entregue à candidata no dia 18 de outubro, no Rio de Janeiro. Confira:
Manifesto de artistas e intelectuais pró Dilma
Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.
Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.
Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.
Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.
Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.
Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepomuceno