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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Você Viu? #121

O atentado da semana passada aos funcionários da publicação francesa Charlie Hebdo ainda é um assunto que se impõe. Por conta disto, a edição desta terça-feira reúne bastante conteúdo sobre o ocorrido. O contexto é mais complexo do que parece, portanto nem todas as vozes que selecionei expressam a mesma opinião, mesmo sendo visões com posicionamentos sempre mais à esquerda.

Charlie


EXAME, 12 de janeiro

Portal Fórum, 12 de janeiro

Intervozes, 11 de janeiro

Carta Maior. 11 de janeiro

Coluna do Veríssimo, 11 de janeiro

DCM, 10 de janeiro

Eu não sou: Je ne suis pas Charlie
Leonardo Boff, 10 de janeiro

Blog do Morris, 9 de janeiro

El País, 13 de janeiro

Outros temas


Arthur de Faria, 13 de janeiro

Sul 21, 12 de janeiro

Blog do Sakamoto, 12 de janeiro

Eliane Brum, 10 de janeiro

Feminismo: Gentili e seu modo mascu de standu up Bullying
Escreva Lola, Escreva, 7 de janeiro

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Filme de Segunda 157

Magia ao Luar


É louvável que com 78 anos de idade, Woody Allen siga fazendo basicamente um filme por ano. O mais recente da safra, Magia ao Luar, é uma comédia romântica despretensiosa, quase sem ambição, porém com a acidez peculiar do diretor, que desta vez usa Colin Firth como seu porta-voz.

Magia ao Luar volta aos anos 20 para contar a história do consagrado mágico Stanley Crawford (Firth), um ilusionista habilidoso. Cínico e nada carismático, uma de suas especialidades é desmascarar charlatões que se dizem clarividentes. A opção por um filme de época é inteligente, pois se trata de um tempo em que os céticos, como Stanley, eram poucos, e as pessoas eram enganadas com mais facilidade.

A trama se passa no sul da França, quando o ilusionista é chamado para tentar provar que a jovem e linda sensitiva Sophie (Emma Stone) está prestes a dar um golpe milionário na família de Brice, um perfeito pateta que apaixonou-se pela moça e agora vive a fazer-lhe serenatas.

As habilidades de Sophie surpreendem o ardiloso Stanley, que em determinado momento acaba revendo alguns de seus conceitos, e se tornando um ser humano mais humano, digamos assim. Woody Allen, como em tantas outras vezes, aborda de forma deliciosa a imensa influência que uma mulher pode exercer sobre um homem apaixonado. 


O que talvez não funcione muito seja a química dos dois protagonistas, algo que pode ter sido até proposital por parte do diretor, visto a personalidade difícil do personagem de Colin Firth. Em compensação, a Côte d'Azur, parte do litoral sul da França no Mar Mediterrâneo, é fotografada com uma felicidade fora do normal por parte do diretor de fotografia Darius Khondji. Todos os quadros são invariavelmente bonitos, valorizando a paisagem, as cores e a presença constante do sol. É um dos pontos altos de Magia ao Luar.

Evidente que é improvável que Allen produza uma obra-prima a cada ano, até porque na última década filmou alguns de seus melhores trabalhos na carreira. Esse novo longa não se trata de um deles, mas não deixa de ter o seu valor. Woody Allen sempre merece ser assistido.

Gênero: Comédia dramática
Duração: 98 min.
Origem:Estados Unidos
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 12 anos
Ano: 2014
 
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Filme de Segunda 135

A Culpa é do Fidel


E não é que chegamos ao último Filme de Segunda do ano. Mais um ano! Porém, curiosamente, não trago o último lançamento de 2013, nem aquela promessa de Oscar ou altas bilheterias no verão. Hoje escrevo sobre um filme-estreia, digamos assim. Lá em 2006, após alguns trabalhos como assistente de direção, curtas e documentários, Julie Gavras lançava seu primeiro longa de ficção. Ela que é filha do cineasta grego Costa-Gravas. Sobre o segundo filme de Julie, Late Bloomers, de 2011, já foi tema aqui no blog.

Em A Culpa é do Fidel a cineasta opta por uma linha mais similar a que seu pai sempre abordou, diferente do seu trabalho seguinte: comédia romântica leve, quase que atemporal. Na sua estreia, Gavras data muito bem sua trama, caracteriza-se por uma linha política e colocando todo um contexto histórico sob a perspectiva de uma menina de nove anos. Manobra que sem dúvida nenhuma distensiona um eminente clima de Guerra Fria.


Anna é uma menina esperta, bem educada, de personalidade forte. Vive em uma família bem estabilizada da França, no final dos anos 60. Mora em uma boa casa, juntamente com o irmão mais novo, o pai advogado e a mãe jornalista. Estuda em uma escola de freiras, apenas para meninas, que preza por uma disciplina quase militar. Isso tudo se fragiliza com a chegada de uma tia, irmã de seu pai, que perdeu o marido assassinado pelo regime de Franco na Espanha.

Fernando, pai de Anna, vê ressurgir dentro de si velhas ideologias e a vontade de voltar a militar contra os regimes ditatoriais que àquela época assolavam o cenário político mundial. Ele e sua esposa saem dos empregos, vão morar em um apartamento menor e passam a articular, da França, ajuda diplomática e apoio às eleições de Allende no Chile.

A Culpa é do Fidel mostra como Anna passa a tentar entender todas aquelas mudanças, o porquê dos amigos barbudos sempre em reuniões em seu apartamento, entre outras curiosas situações. A menina se vê dividida entre as explicações dos pais e os resmungos dos avós e até mesmo da babá, uma cubana que deixou a ilha após o regime comunista de Fidel. A história é de uma leveza incomum para a temática. É, com certeza, uma grande estreia a de Julie Gavras no cinema. Busquem em DVD, Blue-Ray ou até mesmo na internet.

Gênero: Drama
Duração: 99 min.
Origem: França, Itália
Direção: Julie Gavras
Roteiro: Arnaud Cathrine, Domitilla Calamai, Julie Gavras
Distribuidora: -
Censura: 14 anos
Ano: 2006


Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Filme de Segunda 122

Paris - Manhattan


Sophie Lellouche é uma jovem cineasta francesa que, em seu longa de estreia, resolve homenagear seu grande ídolo no cinema. Porém, o resultado não alcança o nível que o ídolo em questão mereceria e o filme acaba frustrando muito gente. Esta não é a sinopse de Paris - Manhattan, é a verdadeira história por trás da construção do filme. O argumento do longa que presta homenagem a Woody Allen é outro, inclusive é bem interessante. Tinha tudo pra dar certo, mas definitivamente não deu.

Alice é uma farmacêutica completamente viciada nos filmes de Woddy Allen. De família judia e superprotetora, ela é uma solteirona que ora parece convicta, ora parece arrependida de não dar seguimento a nenhum relacionamento. Essa é uma condição que preocupa sua família. Seu pai, sua mãe, irmã e cunhado, agem como cupidos a todo momento.

Em Paris - Manhattan, a protagonista conversa com um poster de Woody Allen que fica em seu quarto. O próprio diretor, que faz participação especial, responde e conversa com Alice, proporcionando alguns dos poucos momentos realmente interessantes do filme. Sophie Lellouche consegue tirar alguns sorrisos de canto de boca, baseando muito de sua trama no estilo de Allen. Contudo, a comparação é quase constrangedora.

Quando Alice passa a ser amiga de Victor, e o personagem que é um inteligente instalador de alarmes tenta conquista-lá, o longa tenta recriar situações de relacionamentos muito recorrentes nos filmes do diretor novaiorquino. As referências e o tributo são muito evidentes, e acabam amarrando a estreante cineasta.

Ironicamente, quem salva Paris - Manhattan é justamente seu muso inspirador. A sequência final, com o inusitado encontro entre Woody Allen e Victor é muito divertido. Agrega valor à obra de Lellouche e tira do pedestal um dos maiores nomes da história do cinema. É muito legal ver o mito entendendo a homenagem e se colocando à disposição. Mesmo que, infelizmente, o resultado final não seja dos melhores.

Gênero: Comédia Romântica
Duração: 77 min.
Origem: França
Direção: Sophie Lellouche
Roteiro: Sophie Lellouche
Distribuidora: Vinny Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2013
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
X Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Filme de Segunda 109

Tomboy


Talvez o nome do filme seja  fator mais explícito desse trabalho delicado e cuidadoso da francesa Céline Sciamma. A tradução literal do termo Tomboy é menina moleque. É assim que conhecemos Laure, uma menina que tem  por volta de 10 anos de idade, cabelos curtos, corpo esguio e que usa roupas nada femininas.

Em época de combate ativo contra a homofobia, a cineasta prefere não chocar. Opta por um trabalho intimista, guiado pela leveza e inocência de crianças descobrindo a vida. Laure, seu pai, sua mãe e sua irmã mais nova se mudam para um novo conjunto habitacional. Rodeado por uma enorme área verde, as crianças do condomínio se dão bem e passam parte do dia na rua, brincando.

Pensando que seria aceita pelo novo grupo com mais facilidade, Laure assume a identidade de Michael e se apresenta como menino. A jovem parece já ter a consciência de que não encontrará na rua a mesma compreensão que tem dos pais, que não a contestam ou pressionam para que seja mais feminina.

Tomboy transcorre de forma suave, dividindo o filme em três etapas. Primeiro, a aceitação no grupo. Depois, a criação de laços de amizade e o surgimento de uma paixão pré-adolescente por Lisa, a única menina do grupo. Essa atração de "Michael" acaba sendo correspondida. A última e terceira etapa é a mais traumática, ainda que Céline Sciamma não pese a mão em nenhum momento. É quando Laure, por intervenção da mãe, precisa deixar de ser Michael e, para todos então, será Laure.

Céline monta um cenário interessante, de uma família aparentemente sem problemas para discutir ou aceitar a sexualidade de um dos filhos. É uma sugestão importante. A responsabilidade de qualquer discussão mais profunda e preconceituosa fica a cargo das crianças que apresentam certa dose de maturidade. Tomboy acaba sendo um belíssimo trabalho sobre crescimento e descobrimento.

Gênero: Drama
Duração: 82 min.
Origem: França
Direção: Céline Sciamma
Roteiro: Céline Sciamma
Distribuidora: Pandora Filmes
Censura: 10 anos
Ano: 2012
Classificação PoA Geral 
- Obra
- Baita Filme
X Bom Filme
- Bem Bacana
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Filme de Segunda

Meia noite em Paris
Começamos com o gênero. Se engana aquele que pensa ser mais uma comédia romântica de Woody Allen. Não. Meia noite em Paris ultrapassa o romântico, torna-se poético. Estamos diante de uma comédia, sim, engraçada, bem-humorada, ácida como a maioria das comédias do cineasta americano. Mas esta é uma comédia poética! Não sei se existe, não sei se o Woody Allen, ou você, concorda. Mas foi o que eu senti assistindo ao filme: poesia.

Talvez não exista cidade tão cinematográfica quanto Paris. É de um charme irresistível, de uma beleza inconfundível. A consequência disso é a fotografia do filme, espetacular. Tanto nas tomadas filmadas durante o dia quanto naquelas filmadas à noite, sobretudo quando Allen recria Paris nos anos de 1920, repleta de boates, cabarés, e frequentada pela nata da intelectualidade europeia.

O Woody Allen da vez é Owen Wilson. Confesso não ser grande fã do trabalho de Owen Wilson, mas aqui está impecável. Desde o jeito de caminhar até o modo de falar, tudo lembra Woody Allen. E no elenco não  tem ninguém de espetacular, nenhum grande nome, mas todos trabalhando numa sincronia muito boa, que funciona bem e dá o espaço adequado para que brilhem o texto, a história e a cidade.
Não sei até que ponto vale a pena ou até que ponto é sacanagem contar a sinopse do filme. Afinal, qual o mistério da meia-noite da cidade Cidade Luz? Quem descobriu foi Gil Pendler (Owen Wilson), roteirista de sucesso em Hollywood, insatisfeito com a pobreza de seus textos, que sonha em terminar seu livro, ser um romancista reconhecido, morar em Paris e não precisar mais ganhar dinheiro com os enlatados que escreve para o cinema.
Diferente de Gil pensam sua sogra, seu sogro e sua noiva Inez (Rachel McAdams). Isso fica claro na viajem deste quarteto à capital francesa. Enquanto Gil sonha e vive uma nostalgia sem fim, Inez só pensa no roteiro turístico, compras e sair com um casal de amigos "pseudointelectuais" (segundo Gil/Woody Allen).
Em Meia Noite em Paris Woddy Allen diverte o público ao mesmo tempo que se diverte, viajando no tempo e promovendo conversas e encontros que com certeza ele daria tudo para ter tido. Dá para dar boas risadas, dá para viajar e babar muito por Paris, além da boa música, os bons diálogos, a poesia que é Paris à meia-noite, a poesia que são os filmes de Woody Allen. Sempre indispensável.


Classificação PoA Geral

- Obra
- Baita Filme
- Bom Filme
- Bem Bacana
- Legal
- Meia-boca
- Ruim
- Péssimo
- Inclassificável   

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Qualquer semelhança...

Do jornal Sul 21:

Jovens criam movimento contra imigrantes franceses
Jorge Seadi

Cresce na França um movimento da extrema direita contra os imigrantes pobres, principalmente os mulçumanos e negros que vivem nas periferias das cidades.
Enquanto Marine Le Pen, filha do lendário líder de extrema direita francesa, está adotando um discurso menos racista e xenófobo contra os imigrantes asiáticos e negros, surge um grupo jovem e radical que vai às ruas de Paris pedindo a expulsão destas pessoas.
Em suas primeiras manifestações públicas, eles se apresentam como “líderes carismáticos”, comunicando-se e organizando-se através das redes sociais. Enquanto a extrema direita representada pela família Le Pen modera sua linguagem, este movimento usa uma linguagem forte e xenófoba contra imigrantes, negros e mulçumanos, classificados como “gentinha”.
Ao mesmo tempo, o movimento é nacionalista, posicionando-se contra a globalização. São contra o capitalismo, contra o cosmopolita e a favor das “coisas locais”.
Na primeira manifestação pública, em Paris, gritavam “Revolução Nacional” , “O Poder aos jovens” e a “França para os franceses”.

Com informações do ABC.es

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Pergunte a um gaúcho o que ele acha de nordestinos. Pergunte sobre homossexuais, se conhece, se tem amizade com algum, se tem parentes que são, pergunte sobre união legal entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais gays. Pergunte o que ele acha de separar o RS do Brasil.
Tenho certeza que um número expressivo de pessoas responderão de forma xenófoba, preconceituosa e ostentando um sentimento separatista burro, sem nenhum fundamento ou argumento. Não sei em números o quanto essas pessoas representam da sociedade riograndense, mas ainda que sejam 20 ou 30%, é bastante.
Muito disso vem da supervalorização da cultura gaúcha que se mistura com um certo complexo de inferioridade, de uma cultura que se fecha, não busca se expandir, não aceita novidades porém, ao mesmo tempo, reclama de não ser aceita e também discriminada no eixo RJ-SP quando, na verdade, é ela mesma quem discrimina.