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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Você viu? #120

Já é de praxe aqui no PoA Geral todas as terças-feiras essa curadoria de conteúdo, reunindo algo do mais interessante que foi pra rede nos últimos dias. Com a edição 120, começamos o ano. Aproveitem que tem muita coisa boa pra consumir nos links indicados.

POA: Fortunati poderá vetar projeto que cria feriado para Dia da Consciência Negra em Porto Alegre
Sul 21, 6 de janeiro

Futebol: Neymar a Messi após gol sofrido pelo Barça: 'Aquece'
ESPN, 6 de janeiro



Kátia Abreu: Ministra diz que “não existe mais latifúndio”. Adoraria viver no país dela
Blog do Sakamoto, 5 de janeiro

Ministra:  O Brasil tem latifúndios: 70 mil deles
Carta Capital, 6 de janeiro

Política: Análise preditiva para o cenário político nacional em 2015
Estratégia & Análise, 5 de janeiro

Segurança: O estranho caso das promoções e demissões do coronel que fazia propaganda nazista
DCM, 5 de janeiro

Coronel Fabio de Souza em entrevista para Luciano Huck
















Mídia: Como a Veja foi atacada por seus próprios leitores numa matéria sobre o nazismo na PM
DCM, 5 de janeiro

Cristo: 10 versões hereges para Jesus: liberdade de pensamento e a neo-inquisição virtual
Socialista Morena, 5 de janeiro

Chile: Após série de ofensas racistas, jogador de futebol venezuelano pede para sair de time
Opera Mundi, 1° de janeiro

Sant'Ana:  Zero Hora, dezembro de 2014: A promoção do racismo
Jornalismo B, 30 de dezembro/14

Insegurança: O Natal das mães que perderam seus filhos para o Estado
Ponte, 28 de dezembro

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A crise institucional no Transporte Público em Porto Alegre

*Leonardo Palombini

Publicado em Jornal Sul21, 29 de janeiro

Está instalada a contradição na questão do transporte em Porto Alegre. Sim, os últimos episódios da questão apontam que vivemos uma crise. Essa crise, ainda resultado das jornadas de junho de 2013 e de toda a luta pelo Transporte Público que se alastrou pelo país naquele ano, expõe um racha geral entre os dois principais poderosos envolvidos na questão: Prefeitura e empresas de ônibus. Por um lado, Fortunati acusa as empresas de transporte e os trabalhadores de estarem de conluio na greve, a fim de aumentarem as tarifas. Por outro lado, as associações patronais repudiam publicamente essas declarações, tentando empurrar pra Prefeitura a responsabilidade por um possível aumento de passagem.

Os trabalhadores, por sua vez, embora com uma direção sindical pelega – do mesmo partido do prefeito -, encampam uma greve histórica, mostrando sua força e a importância que o transporte público tem na cidade. Eles, patrolando sua direção – que pede que coloquem 70% da frota na rua, em respeito à arbitrária decisão judicial, a qual contraria a Lei de Greve -, e em resposta aos ataques do Fortunati, param 100% da frota e propõem: “voltamos com 100% da frota às ruas, desde que liberem as catracas”. Isso significa: não temos nenhum compromisso com a agenda de ajuste das passagens, pelo contrário, queremos nosso reajuste salarial sem aumento de tarifa para população. Colocam em jogo o já manjado discurso do patrão e da mídia contra a greve, que diz que ela “prejudica a população”. Quem prejudica, afinal? A proposta dos trabalhadores transfere aos patrões a responsabilidade pela falta de ônibus. Só que o objetivo dos empresários, os chamados tubarões do transporte, não é prestar um serviço de qualidade à população, mas sim encher os bolsos de dinheiro com o já suado dinheiro dos trabalhadores. Se não o fosse, liberavam as catracas para garantir o serviço. Mas parece que não vão abrir mão tão fácil da sua tetinha… Centenas de milhares de reais por dia não se joga facilmente. Não bastando os incentivos fiscais que receberam do governo e seus sucessivos aumentos nas tarifas, impetrados historicamente acima da inflação, os empresários do transporte querem mais. Querem ainda economizar em cima de seus trabalhadores – já submetidos a uma rotina de trabalho longa, estressante e estafante. E é contra eles a luta dos rodoviários – a clássica luta entre trabalhadores x patrões.

Já a luta contra o aumento da tarifa, protagonizada pelo Bloco de Lutas e a juventude mobilizada da cidade – um quinto elemento nesse quiproquó – também é contra os tubarões do transporte, mas é ainda contra a política de Fortunati, que mantém nas ruas empresas sem sequer licitação para atuar e com reiterados aumentos abusivos de tarifa, empresas essas que sequer abrem suas contas publicamente, a despeito do serviço que prestam ser PÚBLICO.

Sendo assim, entre os patrões e a prefeitura – onde sempre houve uma aliança histórica – instala-se uma crise. E enquanto a direção do sindicato tenta frear a luta, por representar interesses alheios aos dos trabalhadores da base, empresários e prefeito tentam colocar um no outro a responsabilidade pelo – por eles desejável – reajuste das passagens. Afinal, embora os dois queiram o aumento, ambos têm medo em relação a que isso poderia desencadear em pleno ano de Copa – a exemplo do que aconteceu ano passado, com mais de 30 mil pessoas nas ruas de Porto Alegre marchando, entre outras coisas, pelo Transporte Público acessível e de qualidade.

No outro lado desse embate, entre a juventude e trabalhadores que lutam pelo transporte 100% público, pelo passe livre estudantil, indígena, quilombola e para desempregados, encampados no Bloco de Lutas, fortifica-se uma aliança política e de solidariedade com a luta dos trabalhadores rodoviários, uma aliança definitivamente de classe.

Isso tudo parece nos indicar uma aliança tradicional da burguesia esfacelando-se, justamente pela sua falta de saída e total desorientação dentro dos limites tradicionais impostos pelo modelo de transporte público privatizado, enquanto a aliança dos trabalhadores, essa sim, só cresce e se fortifica. São os de baixo colocando-se na ofensiva dentro do sistema, e isso é sinal dos tempos.

Ninguém ainda tem a resposta de onde tudo isso vai nos levar, mas uma coisa é certa: a questão do transporte e do direito à cidade está na pauta nacional, e Porto Alegre está encabeçando essa luta. O transporte nas cidades brasileiras é precário, dominado por meia dúzia de grandes empresários que nadam nos milhões com o lucro das passagens, enquanto se associam promiscuamente com os governos, tal qual uma máfia criminosa. E parece que esse tipo de coisa já não está mais sendo aceita publicamente. Está instalada a crise, que é o passo certeiro para o avanço.

Todo apoio à luta dos rodoviários!
Aumento de salário sem aumento de tarifa!
Por um transporte 100% Público!
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Leonardo Palombini é professor de Geografia na Rede Pública Estadual e mestrando em Geografia pela UFRGS.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fortunati está tapiando a população de Porto Alegre

Atualizado às 20h: A prefeitura divulgou na tarde desta quarta-feira as seis casas noturnas que funcionam por meio de liminar em Porto Alegre: Cabaret Voltaire, Café Quintino, Divina Comédia, Opinião, Strike 410 e Stuttgart.

Não acho prudente politizar tragédias. Ainda mais na base do achismo, como geralmente fazem personagens da mídia, sejam de imprensa ou não. Apontar culpados e vir com aquele velho discurso de que "só no Brasil mesmo" e "esses políticos que só servem para roubar nosso dinheiro", é jogar pra torcida. É a coisa mais fácil do mundo. Não é disso que as vítimas do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, precisam.

Devemo é ficar atentos às investigações, cobrar e esperar que a justiça cumpra sua função.

Bernardo Jardim Ribeiro/Jornal Sul21
Entretanto, algumas coisas não podemos deixar passar. Ontem à noite, no programa 20 Horas, da TVCOM, o prefeito de Porto Alegre José Fortunati afirmou que existem seis grandes casas noturnas funcionando na capital gaúcha com liminar da Justiça e oferecendo risco de segurança aos frequentadores. Ele não revelou os nomes para - palavras dele - "não causar pânico".

A impressão que fica é que Fortunati não quer causar pânico aos proprietários dos estabelecimentos. A população, tenho certeza, não ficaria em pânico. Apenas teria a possibilidade de escolher entre frequentar ou não esses lugares.

O prefeito ainda disse mais: “Nós já vínhamos fazendo isso. No ano passado, fechamos mais de 30 casas por meio de processos e avisos. Tivemos muitos protestos de frequentadores na época, mas acho que hoje as pessoas estão compreendendo melhor e que medidas duras, às vezes, devem ser tomadas para não colocar em risco a vida das pessoas. O que vamos começar a partir de hoje é uma fiscalização mais intensa”

Minha memória, e o arquivo de todos os jornais da capital, não podem estar tão equivocados assim. Fortunati se refere à operação Sossego, executada pela Smic, ano passado. Essa operação nunca mencionou entre seus objetivos a verificação de sistemas anti-incêndios ou planos de evacuação de público. Ela primava por verificar as condições de funcionamento dos comércios, potencial de perturbação do sossego público, uso de música, presença de menores de 18 anos, horário estipulado nos alvarás expedidos pela prefeitura, condições de higiene e proibição do comércio de bebidas alcoólicas em vias públicas.

Pelo menos por enquanto, José Fortunati está tapiando a população de Porto Alegre.

sábado, 6 de outubro de 2012

Considerações sobre a polêmica derrubada do tatu

Sem dúvida nenhuma foi um ato de estupidez aquele que aconteceu na noite de quinta-feira, no centro de Porto Alegre, que acabou na derrubada do tatu-bola inflável, mascote da Copa do Mundo de 14, patrocinado pela Coca-Cola. E foi estupidez de ambas as partes: BM e manifestantes. Desde já esclareço minha posição favorável às manifestações e, acho que sim, seria legal e até certo ponto significativo furar o Tatu. Porém, não da forma que foi feito.

As imagens são claras. Houve excesso da Brigada Militar. Foi uma reação descabida sobre quem protestava contra a privatização do espaço público promovida pela administração Fortunati. É ridículo o modo como a BM escoltou o mascote, que pertence à coca-cola e estava cercado, portanto, é um bem privado, não justificando o número de efetivo dos funcionários do Estado. Também causa espanto o modo completamente alucinado com a BM reagiu contra o grupo de manifestantes. As imagens não deixam dúvida.


Por outro lado, é preciso registrar a falta de prudencia dos manifestantes. Desde o final da tarde do mesmo dia, já rolava nas redes sociais o boato que tentariam derrubar o mascote de Copa. O ato no Araújo Vianna, na noite anterior, durante e depois do show do Tom Zé, também era um sintoma. Evidentemente, não era esse o momento ideal para uma ação como esta de quinta-feira à noite.

É preciso colocar na balança o valor das coisas. Algumas pessoas (segundo relatos, menos que dez) decidiram enfrentar o Brigada e investir contra o tatu. Era preciso lembrar que é só um tau-bola inflável, e um objeto de plástico não pode valer a integridade física de tantas pessoas (essa última frase também serve para a BM).

Em Porto Alegre, o Largo Glênio Peres tem um significado popular valioso para a cidade. Sempre foi palco para manifestações púbicas, comícios políticos, artistas de rua e feiras populares. É natural que se queira resgatar e revitalizar esse espaço, que fica em frente ao Mercado Público. Mas entregá-lo nas mãos da Vonpar/Coca-cola não pode ser a única alternativa.

Entretanto, mesmo levando em consideração todo o contexto do Largo Glênio Peres, os manifestantes assumiram um risco muito maior do que era necessário.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Araújo Vianna: os dois lados da reinauguração

Foi um bonito espetáculo que se viu, no início da noite desse 20 de setembro, no Auditório Araújo Vianna. Algo em torno de 3 mil pessoas prestigiaram o show dos artistas que marcaram (e ainda marcam) a história da música porto-alegrense. Artistas que, a partir dos anos 70, ajudaram a escrever a rica história do Auditório.

E o povo de Porto Alegre tem uma relação de muito afeto com o Araújo. Por ali já passaram artistas importantes, intelectuais e manifestações sociais que fazem parte da memória coletiva e afetiva da cidade. O Araújo Vianna é um bem cultural e público de valor inestimável para a capital gaúcha, localizado no coração do Parque da Redenção.

O "novo" Araújo Vianna realmente ficou muito bonito, confortável, excelente acústica. Além de tudo, não há lugar ruim. De qualquer ponto do auditório se tem uma boa visão do palco.

Um clima de nostalgia tomava conta da plateia. O público curtiu muito os shows, aplaudiu, cantou junto e, em certos momentos, desceu em massa pra frente do palco para cantar alguns clássicos do rock gaúcho. É boa a sensação de saber que o Araújo Vianna volta a figurar no repertório cultural de Porto Alegre.

Mas tem o outro lado da situação.

O Auditório foi fechado pela administração do então prefeito Fogaça em 2005, alegando problemas estruturais. Dois anos após o fechamento, a Prefeitura decidiu reerguer o espaço através de parceria com a iniciativa privada e lançou licitação para a reforma.

Na época a comunidade cultural se colocou contra a privatização do lugar. A Bancada Federal gaúcha, por iniciativa da deputada Maria do Rosário, apresentou a possibilidade de uma emenda de bancada, para manter, assim, o Araújo como um espaço público. Recursos próprios do Ministério da Cultura ou o financiamento por organismos como o BNDES também eram uma possibilidade. Nada adiantou.

A Opus Promoções venceu a licitação, executou a obra junto com a Prefeitura e, depois de muitos atrasos e adiamentos, sete anos fechado, o Araújo Vianna é reinaugurado apenas 17 dias antes das eleições municipais, com as obras ainda não finalizadas. Dos 8 shows programados para 2012, sete ocorrerão entre setembro e outubro, que é período eleitoral.

A Opus agora é detentora de 75% das datas, por um período de 10 anos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quem investe no futuro prefeito de Porto Alegre

O jornalista Felipe Prestes publicou em seu blog, no último dia 28, um importante levantamento sobre quais empresas estão financiado os candidatos a prefeito de Porto Alegre. O financiamento da campanha é um fator fundamental para entendermos quais os rumos político administrativo de uma cidade, estado ou país. Nas eleições anteriores, o candidato era obrigado a prestar contas apenas depois do pleito. Não faz sentido, pois assim o eleitor vota às cegas.

Baseada na Lei de Acesso à Informação, a presidente do TSE, Carmen Lúcia, determinou, na semana passada, que candidatos a cargos eletivos em todo o país tornem público quem doou dinheiro para ajudar na campanha eleitoral. A partir da norma, os candidatos precisarão entregar à Justiça Eleitoral duas parciais das doações recebidas, uma no dia 6 de agosto e outra no dia 6 de setembro. Na sexta-feira passada, 24, o TSE colocou à disposição em seu site as doações realizadas até o dia 6 de agosto.


Como explica Prestes em seu texto, há três categorias de recebedores de doações: os candidatos, os “comitês” e os diretórios dos partidos. Muitas vezes a doação é feita diretamente para o comitê ou para o diretório, portanto fica mais difícil precisar exatamente que empresas apoiaram determinado candidato.

Os grandes doadores da campanha 2012 são as construtoras. Com quem intenção essas empresas repassam seus recursos a candidatos a cargos públicos? Funciona como uma espécie de lobby, misturado com investimento. O famoso "uma mão lava a outra".

Está mais do que na hora de se discutir e achar formas de implantar o financiamento público de campanha. Sem disparidades econômicas, sem interesses de terceiros (com alto poder aquisitivo). Nada mais que o Estado Democrático fazendo uso de seus recursos para que a própria democracia seja exercida, da forma mais transparente possível.

Veja, a seguir, o levantamento feito pelo Felipe Prestes:


ADÃO VILLAVERDE (PT)

Quanto recebeu: R$ 95 mil

Quem doou: toda a quantia veio da direção nacional, com a expressão “outros recursos não descritos”, ou seja, não veio do Fundo Partidário, são recursos privados mesmo, ocultos. Cabe-nos, portanto, analisar as doações já recebidas pela Direção Nacional do PT. Foi dali que saiu o dinheiro.

CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT: R$ 100 mil
BANCO ALVORADA S/A: R$ 500 mil
FINANCEIRA ALFA S/A: R$ 80 mil
CONSTRUTORA OAS LTDA.: R$ 500 mil
JHS F INCORPORAÇÕES LTDA: R$ 500 mil
FOX INOVA AMBIENTAL LTDA: R$ 600 mil
CONSTRUTORA VENANCIO LTDA: R$ 22 mil
CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S/A: R$ 100 mil
CONSTRUTORA BARBOSA MELLO S/A: R$ 300 mil

ÉRICO CORRÊA (PSTU)

Quanto recebeu: R$ 2.485

Quem doou: o dinheiro veio do Comitê Financeiro Único Municipal do PSTU

Doações recebidas pelo comitê:
EDEMAR ANTONIO FISH: R$ 500
YOUNG DIAS LAUXEN E LIMA ADVOGADOS ASSOCIADOS (escritório de advocacia que atende diversos sindicatos): R$ 5 mil
MARILINDA DA CONCEIÇÃO MARQUES TAVARES (advogada especialista em Previdência que presta assessoria a sindicatos): R$ 3 mil
DENIOR JOSÉ MACHADO (integrante do Sindjus-RS): R$ 500

JOCELIN AZAMBUJA (PSL)

Não achamos doações para sua candidatura.

De qualquer maneira, segue a única doação recebida pelo Comitê Financeiro do PSL:
LUIZ CARLOS MACHADO (candidato a vice-prefeito da coligação): R$ 300

JOSÉ FORTUNATI (PDT)

Quanto recebeu: R$ 69.127

Quem doou: Todo o dinheiro foi doado pelo Comitê Financeiro do PDT municipal.

Então, lá vamos nós analisar o quem doou para o comitê do PDT:
TONIOLO BUSNELLO S/A (empresa que trabalha com terraplanagens e pavimentações) – R$ 8 mil
CONSTRUTORA OAS LTDA. – R$ 250 mil

A conta é simples, como Fortunati já recebeu mais de R$ 69 mil e a TONIOLO só doou R$ 8 mil, pode-se afirmar sem medo de errar que, no mínimo, R$ 61 mil da campanha do candidato são oriundos da OAS (quase 90%, portanto).

MANUELA D’ÁVILA (PCdoB)

Quanto recebeu: R$ 450 mil

Quem doou: todos os recursos são da Direção Nacional do PC do B

Dos R$ 450 mil, R$ 200 mil são do Fundo Partidário, dinheiro público que é repassado, com percentuais fixados por lei, aos partidos. Os demais R$ 250 mil são recursos “não descritos”, ou seja, privado. Vejamos, então, quem doou para a Direção Nacional do PC do B:

CONSTRUTORA OAS LTDA: R$ 250.000

Os demais recursos da Direção Nacional do PC do B são todos oriundos do Fundo Partidário. E os R$ 250 mil são exatamente o valor privado repassado pelo PC do B à candidatura de Manuela. Ou seja, a única doação privada recebida pela Direção Nacional do PC do B foi toda repassada à candidatura de Manuela. A OAS doou, mesmo que indiretamente, R$ 250 mil à candidatura. Como foi exatamente a mesma quantia doada ao Comitê do PDT, me parece claro que se tratou de um investimentos da OAS, equânime, nos dois candidatos com maiores chances no pleito. Não creio que tenha sido um investimento genérico no PC do B.

O diretório municipal do PC do B também recebeu polpudas doações do Zaffari (R$ 110 mil), mas elas, ao menos até o momento, não foram repassadas à campanha de Manuela.

ROBERTO ROBAINA (PSOL)

Quanto recebeu: R$ 9950

Quem doou: ele mesmo

O comitê do PSOL também recebeu R$ 4 mil, os quais, pelo menos por enquanto, não foram repassados à campanha de Robaina:

DIAMES DOS SANTOS BRUM (auditor da Receita Federal) – R$ 1 mil
CELSO AUGUSTO DIAS – R$ 3 mil (valor estimado de um comodato de imóvel)

WAMBERT DI LORENZO (PSDB)

Quanto recebeu: R$ 1,3 mil

Quem doou:

O próprio Wambert: R$ 1 mil
ATILA FERNANDES MARQUES DA SILVA ROSA (advogado e militante do PSDB): R$ 300

O mesmo Átila também doou R$ 300 ao Comitê do PSDB, valor não repassado, por enquanto, à campanha de Wambert.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ocupação do espaço público é a melhor alternativa para a Redenção

Já se discute há algum tempo em Porto Alegre a falta de segurança à noite nos parques da capital, principalmente o Parque Farroupilha. Tenho a impressão que a ideia absurda de cercar a Redenção esteja mais em baixa do que nunca. O que está sendo amplamente analisado na Secretaria Nacional de Segurança, é a aquisição de 27 novas câmeras para serem instaladas na Redenção e no Parque Marinha. Os equipamentos farão uma cobertura quase que completa dos parques.

Mesmo que outros parques estejam dentro da discussão, a Redenção acaba centralizando a polêmica. Na interessante reportagem do jornal Sul21, nesta última quarta, dia 4, os movimentos sociais entraram forte na discussão e se colocam completamente contra a instalações de câmeras. O debate é muito pertinente, e tem fundamento.

Há um aspecto fundamental que, acho, pode ser um ponto de partida para a polêmica. A sensação de insegurança é sempre maior que a real falta de segurança. Afinal, as estatísticas que dão conta da violência na noite da Redenção apontam porcentagens proporcionalmente maiores do que qualquer outro ponto da cidade? Certamente não ao ponto de justificar um sistema de câmeras que monitore de forma invasiva qualquer movimento do frequentador comum do parque. E tenho certeza que a porcentagem de frequentadores comuns é infinitamente maior que a dos infratores.

Ao permitir que as vias públicas se tornem um grande reality show, estamos autorizando o Estado a nos vigiar em nome da nossa (suposta) segurança. É isso que queremos? Como se bancos e joalherias, por exemplo, não sofressem com nenhum tipo de crime, mesmo amparados por valiosos sistemas vigiados de segurança.

Há sim uma discrepância em algum dos argumentos dos representantes dos movimentos sociais na reportagem do Sul21. A alegação que as câmeras irão invadir a privacidade de quem vai para o parque, à noite, fazer sexo em locais escusos da Redenção, é descabida. Um local de circulação pública não pode virar lugar frequente de relações sexuais. Porém, ao mesmo tempo que não é aceitável que a Redenção se torne uma espécie de motel ao ar livre, não é de bom grado que se iniba o flerte, o namoro, a busca pelo sexo. Faz parte da vida noturna de qualquer grande cidade.

O que a Redenção precisa é da ocupação do espaço público pela sociedade civil. Coisa que aconteceu recentemente por duas vezes, que se chamou de Serenata Redenção Iluminada. Uma iniciativa que começou sendo fomentada nas redes sociais e se transformou em um evento cultural muito bonito. A questão principal é o habito. E o habito é cultural, e vem com o tempo.

Se, aos poucos, as pessoas cultivarem o hábito de frequentar a Redenção no turno da noite, atividades culturais e comerciais tomarão conta do espaço, coibindo de forma natural o que se classifica como crime.

De resto, é muito mais prudente e menos abusivo uma polícia que faça rondas periódicas e seja ágil a qualquer chamada emergencial, do que um sistema de câmeras que monitore passo a passo a vida do cidadão.
Ramiro Furquim/Jornal Sul21

sábado, 12 de março de 2011

Coleta de lixo em Porto Alegre agora tem GPS

Na tarde de quarta-feira, dia 9, o prefeito de Porto Alegre José Fortunati reuniu a imprensa local para apresentar o novo sistema de monitoramento de coleta de lixo da capital. O serviço pode ser acessado por qualquer cidadão, basta acessar a página do DMLU no site oficial da prefeitura e vizualizar no mapa a localização dos caminhões de coleta em tempo real.
Mário Moncks, diretor-presidente do DMLU vê com bons olhos o sistema desenvolvido pela Procempa, que possibilita ao órgão uma fiscalização mais precisa quanto a horário, trajeto e velocidade dos caminhões. Para o cidadão comum, vale a mesma premissa de fiscalização e controle.
Sem dúvida a modernização da coleta seletiva de Porto Alegre é importante. É fato que o monitoramento da circulação dos veículos coletores de lixo é uma ferramenta a mais para o cidadão usufruir. Porém, não visa melhorar significamente a qualidade do serviço prestado, nem sua eficiência. Não surpreende, por isso, que esse upgrade não tenha custado nada aos cofres da prefeitura (segundo consta no site oficial da prefeitura).
Em Porto Alegre, são recolhidos, em média, 1000 toneladas de lixo por dia nas mais de 10.500 ruas cadastradas para receber o serviço. O que é recolhido é levado até o Aterro Sanitário de Minas do Leão (a 113 km de Porto Alegre). Nas principais ruas e avenidas, o caminhão passa todos os dias, nas demais localidades, de duas a três vezes.
Em contrapartida, Fortunati afirmou que, ainda esse ano, começa o processo de conteinerização do lixo no centro da capital. Serão, inicialmente, 1.200 contêineres que possibilitarão que o lixo seja colocado em qualquer horário pelo cidadão. Acredito (e torço) que seja sistema semelhante ao de Caxias do Sul, exemplo de coleta seletiva de lixo no Brasil.

*A título de curiosidade, consultei o site do DMLU antes de fechar esse post, à 1h de sábado: cerca de 10 caminhões ainda circulavam pela Porto Alegre.