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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Prefeitura de Taquari explica retirada de busto que homenageava ditador

Sob o governo do gaúcho Costa e Silva
foi promulgado o AI-5, período mais
crítico da ditadura militar no Brasil
Por meio de uma nota oficial, a administração do prefeito Emanuel Hassen de Jesus (PT), de Taquari, explicou os motivos de ter retirado de praça pública o busto em homenagem a Artur da Costa e Silva, presidente do Brasil entre os anos de 1967 e 1969, período que se deu durante o regime militar.

Além de ser um ato simbólico, em um ano simbólico, que "descomemoramos" os 50 anos do golpe de 64, é acima de tudo uma correção histórica. Não há motivos para homenagear quem ficou à frente do Brasil em um dos períodos mais obscuros da nossa história. A nota da prefeitura de Taquari, que reproduzo a seguir, justifica muito bem a atitude tomada pelo Município.

Nota Oficial - Retirada Busto Costa e Silva

 Em face da polêmica gerada pela retirada do busto existente junto à Lagoa Armênia, na cidade de Taquari - RS, a Prefeitura Municipal de Taquari informa que:

1. O busto em questão foi instalado no ano de 1976, em homenagem a Arthur da Costa e Silva, porque “nesta Lagoa Armênia, na infância, organizou seu primeiro pelotão de meninos. Em hora difícil, presidente da República, comandou com altruísmo o Brasil e o povo Brasileiro.”

2. Com a divulgação do Relatório da Comissão Nacional da Verdade, restaram comprovadas as atrocidades cometidas no período da ditadura militar, especialmente naquele período conduzido por Costa e Silva.

3. Portanto, a administração municipal de Taquari entendeu que não havia razão para manter uma homenagem no maior ponto turístico da cidade, espaço de demonstrações culturais, justamente a quem promoveu um período nebuloso na história do país. Cidadãos de Taquari, inclusive, sofreram as mazelas daquele período.

4. O busto, portanto, foi retirado e já está junto ao Museu Costa e Silva, existente no município e mantido pela Prefeitura Municipal. Junto com ele, também estará à disposição uma cópia do relatório da Comissão Nacional da Verdade, para que a história seja conhecida na totalidade em que foi possível escrevê-la.

5. A Lagoa Armênia continuará sendo, e cada vez mais será, um espaço para a livre manifestação cultural no município de Taquari.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Dopinha será tombado para criação de centro cultural

Após reunião realizada pelo Compach, conselho municipal que delibera acerca de assuntos pertinentes ao patrimônio histórico e cultural da cidade, foi decidido o tombamento do casarão localizado na rua Santo Antônio, número 600, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. O projeto prevê que ali seja criado um Memorial para preservar e difundir a memória da resistência à ditadura militar.

FOTO: Bernardo Jardim Ribeiro / Sul 21

Conhecido como “Dopinha”, o local foi o primeiro centro de tortura clandestino da América Latina. O nome faz referência ao Departamento de Ordem Polícia e Social (Dops), órgão responsável pela repressão aos movimentos políticos contrários ao regime. Embora não se tenha certeza quanto a precisão das datas, a casa, que era alugada pelo estado, teria funcionado entre os anos de 1964 e 1966. Um episódio notório relacionado à casa da rua Santo Antônio foi o assassinato do sargento Manuel Raimundo Soares, que passou por lá antes de seu corpo ser encontrado boiando no rio Jacuí. O assassinato ficou conhecido como o “caso das mãos amarradas”, forma como o corpo do sargento foi encontrado. 

Desde 2011, movimentos sociais, como o Movimento de Justiça e Direitos Humanos, como o Comitê Carlos Ré da Verdade e da Justiça, e mais recentemente pela Comissão Estadual da Verdade, buscam a criação do memorial. Para que isso ocorresse, houve um acordo entre a Prefeitura de Porto Alegre e governo do Estado, cabendo à prefeitura o tombamento e desapropriação do imóvel e ao governo do Estado a recuperação e instalação do memorial. O Governo Federal também já se comprometeu a financiar a reforma do imóvel avaliado em 2,8 milhões de reais.

O centro cultural, que deve começar a sair do papel apenas em 2015, levará o nome de Luiz Eurico Tejera Lisboa, o Ico Lisboa, militante gaúcho assassinado em São Paulo. O local servirá para o conhecimento da história de luta pela democracia, pela reistência ao regime e pelo respeito aos direitos humanos.


Documentário


Músico e ativista, Raul Ellwanger é um dos entrevistados.
FOTO: Leonardo Vieceli
No primeiro semestre deste ano, ao lado de colegas do curso de jornalismo da Unisinos, trabalhei na produção do documentário "Dopinha", que tenta, na medida do possível, jogar luz aos acontecimentos do casarão da Santo Antônio.

Na última quarta-feira, 10, recebemos o prêmio da terceira colocação no 31º Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo, promovido, entre outras instituições, pela OAB do RS e também pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos. Além disso, na semana passada, entregamos uma cópia do filme para ser anexada no relatório final da Comissão Estadual da Verdade do RS.

O documentário já teve duas exibições, uma na Unisinos Porto Alegre e outra no campus São Leopoldo. Estamos trabalhando para que, nas próximas semanas "Dopinha" seja exibido na TVE e também esteja disponível na internet. 

Com informações de Prefeitura de Porto Alegre e Jornal Sul 21

terça-feira, 22 de julho de 2014

Você viu? #98

Acabou o recesso. Depois da Copa e de um trabalho intenso deste blogueiro na assessoria de imprensa da Fan Fest Porto Alegre, o PoA Geral volta com mais força a partir desta publicação. Durante o período do mundial foram apenas dois textos, relacionados com Seleção Brasileira. Agora, as coisas voltam ao normal. Vamos juntos!

Final: O braço fraqueja às vezes: o Impedimento acabou
Blog Impedimento, 22 de julho

Eleições: Candidatos ao Senado fazem debate com trocas de farpas
Jornal Sul21, 21 de julho

Conflito: Ofensiva em Gaza já fez 100 mil buscarem ajuda da ONU; entenda conflito
BBC Brasil, 21 de julho

Mídia: O aeroporto de Aécio e o comportamento da mídia
Diário do Centro do Mundo, 20 de julho

Jornalismo B, 19 de julho
Mariana Pires / Jornalismo B
RJ: Dois meninos e uma sentença de morte
Agência Pública, 10 de julho

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Você Viu? #51

Almbulantes: O esquema de loteamento político das ruas do Recife
Blog Acerto de Contas, 10 de dezembro

Indígenas:Cresce tensão na desocupação da terra indígena Marãiwatsédé; bispo é ameaçado
Jornal Sul21, 10 de dezembro

Direitos Humanos: Denúncias de violação de direitos humanos crescem 77% em 2012
Jornal Sul21, 10 de dezembro

Argentina: Argentinos exigem plena vigência da Ley de Medios 
Brasil de Fato, 10 de dezembro

Grêmio Arena: O futuro é agora
Carta na Manga, 9 de dezembro

Futebol: Corinthians terá mais R$ 30 milhões da Nike. Ou os rivais acordam ou será difícil competir
Blog do PVC, 9 de dezembro

Mídia Independente: A 50ª batalha
Jornalismo B, 8 de dezembro

Porto Alegre: Porto Alegre: equívocos e ruídos da reforma administrativa de Fortunati
RS Urgente, 7 de dezembro

Niemeyer: "A vida é um sopro" - o documentário
Documentário de 90 minutos sobre a vida do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer (Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1907 — Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2012).
Diário Gauche, 6 de dezembro

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Justiça quer censurar mais um blog

Cresce, junto à credibilidade de blogs jornalísticos, as ações judiciais que buscam inibir o trabalho de blogueiros independentes. Infelizmente, a maior parte das tentativas de censura parte dos grandes meios de comunicações, infinitamente mais influentes e poderosos economicamente. Não é o caso agora, mas vale o registro.

A seguir, texto publicado ontem, no Blog do Sakomoto.


Juíza quer censurar este blog por relatar decisão em caso de libertação de escravos

Estou sendo processado pela juíza Marli Lopes da Costa de Goes Nogueira, da Justiça do Trabalho do Distrito Federal, por conta de um post publicado aqui neste blog.

O texto tratava de uma decisão da magistrada, atendendo a um pedido de liminar em mandado de segurança movido pela empresa Infinity Agrícola. Sua decisão suspendeu um resgate de trabalhadores que foram considerados em condição análoga à de escravos pelo Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho. As vítimas estavam em uma fazenda de cana no município de Naviraí, Estado do Mato Grosso do Sul e, entre eles, trabalhadores das etnias Guarani Kaiowá, Guarani Nhandeva e Terena. Posteriormente, o Tribunal Regional do Trabalho da 10a Região revisou a decisão da juíza, permitindo que as ações relacionadas à fiscalização continuassem.

Na ação, que envolveu também o portal UOL, ela solicitou – liminarmente – que a matéria e os comentários dos leitores fossem retirados do ar. E que eu não divulgasse mais nada relativo à sua reputação sob pena de multa de R$ 10 mil/dia. Quanto ao mérito da ação, pediu indenização por danos morais que teriam sido causados pela matéria e pelos comentários. O valor, a ser estipulado pela Justiça, deve ser o suficiente para que “desmotive de praticar ilícitos semelhantes em sua atividade de blogueiro e formador de opinião na internet”. Também solicitou que “diante da natureza dos fatos alegados”, o processo corresse em segredo de justiça.

O processo já corre há um tempo e esperei para ver o que acontecia. Decidi publicar agora sobre ele uma vez que acabei de ser intimado para prestar depoimento em Brasília.

Sei quais as consequências de retratar as dificuldades para a efetividade dos direitos humanos. Ainda mais no Brasil. Então, até aí, nenhuma novidade. Já fui ameaçado por senadora, fazendeiro, empresário, enfim, pegue uma senha e entre na fila. Reafirmo tudo o que foi apurado com minhas fontes e escrito e não vou retirar nada deste blog voluntariamente. E, se tiver que pagar uma indenização, pedirei a ajuda de vocês para uma campanha “Sakamoto Esperança” porque, como sabem, sou uma pessoa de posses. Contudo, posso dizer que estou sendo muito bem defendido.

Um último comentário: na decisão sobre a liminar, o juiz Carlos Frederico Maroja de Medeiros afirmou que: “Decisões judiciais não são infensas a críticas, e críticas não são o mesmo que ofensas. Não cabe aqui discutir o mérito da decisão ou da crítica feita pelo réu (até porque este juízo não é instância revisora do que decide a autora em sua atividade jurisdicional), mas apenas analisar se houve excesso no direito de informar e criticar. Mas o fato é que, ao menos neste juízo de prelibação, não se enxerga, na veiculação da notícia, o ânimo de ofender a autora por qualquer modo, mas apenas o de informar e expor sua crítica, para o que tem o jornalista não apenas o direito, mas o dever de fazer”.

“Dever de fazer.” Não é a decisão sobre o mérito, que ainda vai demorar. Mas não deixa de ser uma pequena aula vinda do Judiciário sobre liberdade de expressão e um alento para quem resolve amassar o barro diariamente.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Você viu? #38

Devido a correria dos últimos dias, hoje não consegui preparar um post com mais opções, mais dicas. Mas dá pra aproveitar. Caso tenho alguma contribuição, lança nos comentários.

São Paulo: Serra e os incêndios nas favelas de SP
Blog do Miro, 3 de setembro

Política: Em nota oficial, Dilma rebate FHC e diz que recebeu “herança bendita” de Lula
Jornal Sul21, 3 de setembro


Feminismo: Marcha contra a Mídia Machista reúne lutadoras e lutadores em Porto Alegre (fotos e vídeos)
Jornalismo B, 2 de setembro


Comissão da Verdade: Procurador Geral do Estado do RS defende punição para torturadores
RS Urgente, 2 de setembro

terça-feira, 24 de julho de 2012

Você Viu? #32

Chegamos na edição número 32 do Você Viu?. A seguir, algumas sugestões de conteúdos que foram importantes nos últimos dias e, talvez, tenha lhe passado desapercebido. Assim como passou em branco aqui no PoA Geral a estreia de Fernandão como treinador do Internacional. Uma boa estreia, inclusive. Por isso abrimos o post de hoje com o texto do blog Carta na Manga.

Carta na Manga, 23 de julho

Blog do Sakomoto, 23 de julho

Jornal Sul21, 23 de julho

Jornal Sul21, 22 de julho

CMI Brasil, 21 de julho

Jornal Sul21, 19 de julho

Blog Somos Andando, 19 de julho

RS Urgente, 19 de julho

Jornalismo B, 18 de julho


terça-feira, 17 de julho de 2012

Você viu? #31

Como já é tradicional, nas terças-feiras o PoA Geral traz um apanhado de links com alguns dos principais assuntos do últimos sete dias. Nesta 31° edição, inclusive, tem o discurso de Collor na CPI de Cachoeira que desencadeou na "vingança" da Globo: a entrevista de Rosane Collor no Fantástico.

Instituto Humanitas Unisinos, 16 de julho

Comunicações: Telefonia móvel: oligopólio e desrespeito ao consumidor
Jornal Sul21, 16 de julho

Eleições SP: Candidato, ex-chefe da Rota incita violência no Facebook
Brasil de Fato, 16 de julho

Collor: "A editora Abril se transformou num coito de bandidos..."
Blog Diário Gauche, 16 de julho


Collor 2: Minhas impressões sobre Rosane Collor no Fantástico
Blog Escreva Lola, Escreva, 15 de julho

Direitos Humanos 2: Rio Grande do Sul terá Comissão Estadual da Verdade
Blog RS Urgente, 15 de julho

Corrupção no futebol: A boa sugestão de mudar o nome do Engenhão: estádio João Saldanha
Blog do PVC, 13 de julho

Mídia: TV Globo chama “suborno” de “comissão” para defender Ricardo Teixeira
Jornalismo B, 12 de julho


terça-feira, 10 de julho de 2012

Você viu? #30

No dia em que completo meus 23 anos de vida, chego à trigésima edição do Você Viu?. É uma satisfação dobrada. Espero que os links a seguir sejam uteis e contribuam de alguma forma. Sigamos!

Direitos Humanos: Longe de erradicar o trabalho infantil
Brasil de Fato, 9 de julho

América Latina: Lideranças chilenas alertam para projeto de lei que criminaliza protestos
Jornal Sul21, 9 de julho

Revolução de 32: Hoje é dia de celebrar a bravura da “locomotiva da nação”

Blog do Sakomoto, 9 de julho

Internet: Megaupload voltará melhor e blindado para ataques, diz Dotcom
Portal Vermelho, 9 de julho

Mídia: Os jornalistas, esses semideuses
Blog Somos Andando, 6 de julho

América Latina 2: Ex-ditadores argentinos são condenados por roubo de bebês
Caros Amigos, 6 de julho

Eleição POA 2012: Primeiro debate expõe diferenças e semelhanças das candidaturas em POA

Jornal Sul21, 6 de julho

Além das 4 linhas: O campeão dos campeões
Estratégia e Análise, 5 de julho

Entrevista: Cesare Battisti: “A mídia jogou um papel sujo, imundo”
Jornalismo B, 5 de julho

terça-feira, 3 de julho de 2012

Você viu? #29

Pela vigésima nona vez este blog se dispõe a escolher alguns links, com alguns artigos e reportagens interessantes. Não são exatamente manchetes nacionais, porém não deixam de ser importantes. Vale a pena dar uma conferida. Qualquer dica, deixe nos comentários.

Futebol: Inter joga no Beira-Rio. Justiça libera arquibancada superior
Blog do Mário Marcos, 2 de julho

Cinema: Fantaspoa Revisitado apresenta filmes premiados
Blog do Renato Martins, 2 de julho

Comunicação RS: Conselho de Comunicação do RS: tudo pronto para o debate público
Jornal Sul21, 2 de julho

Comissão da Verdade: Para especialistas, Brasil precisa responsabilizar torturadores
Jornal Sul21, 2 de julho

Privatização: Privatização da água vira caso de polícia
Blog RS Urgente, 2 de julho

Futebol: O significado de Seedorf para o Botafogo e para o futebol brasileiro
Blog do PVC, 1° de julho

Movimentos Sociais: Corpos de pescadores artesanais são encontrados com sinais de execução
Brasil de Fato, 29 de junho

Violência contra a mulher: Dois projetos sobre violência contra a mulher são aprovados por Comissão do Senado
Agência Patrícia Galvão, 28 de junho

Direitos Humanos: “NÃO VAI FALAR, VAGABUNDA?”, DIZIA O TORTURADOR
Agência Pública, 28 de junho

"Policiais torturam para forçar confissões, agentes penitenciários torturam para castigar os presos. Há centenas de denúncias todos os anos mas poucos agentes do Estado são punidos."

terça-feira, 15 de maio de 2012

Você viu? #24

O Você Viu? dessa semana é um pouco diferente. Não trás aquela reunião de links como já é de praxe toda terça-feira. Hoje trazemos apenas um texto, reproduzido na íntegra. Leia a seguir o manifesto publicado dia 11 de maio no site do Coletivo Marcha da Maconha, que atenta com muito fundamento e argumento para um assunto muito pertinente ao nosso processo de maturação da democracia brasileira.


BASTA DE GUERRA: É HORA DE OUTRA POLÍTICA DE DROGAS PARA O BRASIL 

O debate está em jornais, revistas, redes de televisão. Tomou ruas, internet, livros, personalidades, políticos e campanhas eleitorais. Ganhou espaço e consistência que mostram cada vez mais a falência da política proibicionista em termos humanos, de segurança, de direitos, liberdades e saúde pública. O Brasil se tornou um dos mais sangrentos campos de batalha da guerra às drogas, um sistema racista, antigo e ineficiente para lidar como uma questão complexa e urgente. Uma lei que redunda em morte e gastos públicos elevados e de nenhuma forma ataca o consumo entre jovens e adultos, muito menos o abuso: apenas desloca-o para uma esfera ainda mais intocável.

O consumo de substâncias alteradoras de consciência é milenar, está imbricado com a própria evolução da humanidade. A tentativa recente de coerção a este hábito, às vezes nocivo à saúde às vezes não, não só é comprovademente um fracasso como traz em si uma série de efeitos nefastos e que devem preocupar a qualquer um que deseja um mundo menos injusto.

Da mesma forma que uma caneta pode escrever lindos poemas ou perfurar uma jugular, os efeitos das diferentes drogas, com suas diferentes culturas de uso, dependem de seu uso. Assim, ao mesmo tempo em que não cabe demonizá-las a priori, como se fossem dotadas de propriedades metafísicas, tampouco é sensato endeusá-las, acreditar que elas por si sejam transformadoras, revolucionárias ou coisa que o valha. Não defendemos que o uso de drogas traga um mundo melhor, mas não deixamos de ver o evidente: a proibição do consumo de algumas delas torna o mundo muito pior.

Você se importa com o encarceramento em massa? O Brasil já é o terceiro país que mais prende seus cidadãos no mundo, atrás apenas de EUA e China, e dos cerca de 500 mil detidos no país praticamente um quarto deles está nesta situação desumana por conta de crimes relacionados a drogas.

Você se importa com o racismo e a criminalização da pobreza? A origem da proibição da maconha, e de outras drogas, está altamente conectada com discursos e práticas racistas e xenófobas, em todo o mundo. No Brasil, a primeira lei que criminalizou a maconha tinha como alvo a população negra do Rio de Janeiro, e hoje a maior parte dos afetados pela guerra às drogas tem pele escura e baixas condições econômicas. Enquanto ricos e classe média são identificados como usuários, o pobre é sempre o traficante, com a guerra às drogas servindo como instrumento estatal de segregação e controle social de populações desfavorecidas.

Você se importa com o sofrimento humano e com o avanço da ciência? A proibição das drogas não só impede tratamento efetivo, de qualidade e público aos que fazem uso abusivo como freia também o desenvolvimento da ciência, que pode ter muitos ganhos com as pesquisas sobre psicotrópicos em geral. Já foi provado cientificamente o valor medicinal da cannabis – e de outras drogas transformadas em “tabu” – no tratamento de diversas enfermidades que sofremos, aliviando seus sintomas e preparando a cura: câncer, AIDS, Mal de Parkinson, depressão, ansiedade, enxaqueca e a lista não para de crescer.

Você se importa com informação de qualidade e prevenção ao uso abusivo? Você se importa com direitos civis e liberdades individuais? Você se importa com a situação da mulher e o encarceramento feminino no Brasil? Você se importa com a corrupção? Você se importa com guerras e conflitos armados ao redor do mundo? Você se importa com a colonização da política e da vida empreendida pelas indústrias armamentista e farmacêutica?

Chegou a hora de ver que isso não interessa só a meia dúzia de maconheiros, chegou a hora de parar de estigmatizar este debate. Chegou a hora de encarar os fatos, olhar nos olhos da realidade e ver que como está não pode ficar. A luta contra o proibicionismo quer colocar seus ombros ao lado de todos que lutam por outro mundo, assim como convidar aqueles e aquelas que dizem um basta à injustiça e à opressão a participar de nossa caminhada. Afinal, quando uma luta avança, nenhuma outra retrocede.

Basta de racismo, moralismo, violência, corrupção e proibição. Queremos o direito à saúde, à informação, ao próprio corpo, à autonomia, à liberdade: é tempo de uma nova política de drogas para o Brasil.

Para assinar o manifesto, individualmente ou em nome de grupos, movimentos e entidades, escreva para saopaulo@marchadamaconha.org


Para acompanhar e participar da construção da marcha, este ano (37 cidades já inscritas), visite www.marchadamaconha.org

Assinam (até 12/5/2012):

Marcha da Maconha São Paulo
ABESUP – Associação Brasileira de Estudos Sobre Psicoativos
Amparar – Associação de Amigos e Familiares de Presos
ANEL – Assembleia Nacional dos Estudantes Livre
Autônomos & Autônomas Futebol Clube
Bando o texto perdeu-se e o bacalhau também – Grupo de teatro
Bloco Planta na Mente – Rio de Janeiro
Brasil Pelas Florestas
Casa Mafalda
CEDECA Interlagos
Centro de Mídia Independente – CMI/SP
CFP – Conselho Federal de Psicologia
Centro Acadêmico Benevides Paixão – PUC-SP
Centro Acadêmico Ruy Barbosa – EEFE-USP
Cineclube Bordel Sem Paredes
Coletivo Acorda – Diadema
Coletivo Antiproibicionista Cultura Verde
Coletivo CannaCerrado
Coletivo Cultivando uma Ideia – Viçosa (MG)
Coletivo DAR – Desentorpecendo a Razão
Coletivo Feminista Três Rosas
Coletivo Feminista Yabá
Coletivo Plantando Consciência
Coletivo Plantando Informação
Coletivo Revolução Verde
Coletivo Semeando
Coletivo Sem Paredes
Coletivo Tomando o Céu de Assalto
Comitê Nacional pela Legalização do Cânhamo – Plantando a Paz – Curitiba
Construção Coletiva
Enecos – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
Fened – Federação Nacional dos Estudantes de Direito
Fora do Eixo
Fórum Mineiro de Saúde Mental
Frente Estadual Antimanicomial/ SP
FUMA – Frente Uspiana de Mobilização Antiproibicionista
Growroom
Hempadão – Laricas de informação
Instituto da Cannabis
Instituto Práxis de Direitos Humanos
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Matilha Cultural
Marcha da Maconha ABC
Marcha da Maconha Blumenau
Marcha da Maconha Fortaleza
Marcha da Maconha Florianópolis
Marcha da Maconha João Pessoa
Marcha da Maconha Juiz de Fora
Marcha da Maconha Niterói
Marcha da Maconha Rio Grande do Norte – Coletivo Potiguar
Marcha da Maconha Viçosa
Movimento Nacional da População de Rua
Movimento Passe Livre – MPL-SP
Movimento Para Todos
MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
NEIP – Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos
ONG Centro de Convivência É de Lei
ONG Plantando Consciência
Outras Palavras
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
Princípio Ativo – Coletivo Antiproibicionista de Porto Alegre
Projeto Vozes Insurgentes Ressignificando Universos Sofistas (VIRUS) – RN
Psicotropicus-Centro Brasileiro de Politica de Drogas
Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial
Rede Pernambucana de Redução de Danos
Tribunal Popular – O Estado brasileiro no banco dos réus
União de Mulheres de São Paulo

sábado, 14 de abril de 2012

Tarso fala com o RS Urgente e responde a David de Coimbra

Reproduzo a seguir, na íntegra, texto de Marco Weissheimer, publicado neste sexta-feira no blog RS Urgente. O jornalista encaminhou três perguntas ao governador Tarso Genro repercutindo a coluna do jornalista da RBS, publicada nesta sexta 13, no jornal Zero Hora:


Tarso convida colunista da RBS a também ter vergonha pela situação do Presídio Central
O jornalista David Coimbra perguntou hoje ao governador Tarso Genro, em coluna publicada no jornal Zero Hora, se ele não tinha vergonha da situação do Presídio Central. Para externar sua indignação com a situação dos detentos do presídio gaúcho, o colunista de ZH critica, entre outras coisas, os defensores dos animais e as manifestações a favor das bicicletas. “E os homens martirizados do Presídio Central? Ninguém se importa com eles? Onde está a solidariedade da espécie?” – pergunta Coimbra, que propõe como solução para o problema a privatização dos presídios.

O RS Urgente encaminhou ao governador Tarso Genro três perguntas sobre o tema. Eis as perguntas e a respostas do chefe do Executivo gaúcho:


Governador, qual a reação do senhor ao ver o estado atual do Presídio Central?


Acho que todos os gaúchos estão envergonhados com a situação do Presídio Central. Mas eu, particularmente, sinto-me, além de envergonhado, contente por estar orientando o governo, desde o início da gestão, para incidir fortemente sobre aquela vergonha nacional. Comecei este trabalho na época em que era ministro da Justiça, quando passei vultosos recursos para a reforma do presídio Anibal Bruno, de Pernambuco, que era tão vergonhoso como o Presídio Central. Não consegui mandar recursos para o Rio Grande do Sul porque, naquela época, as autoridades locais não preencheram os requisitos necessários para receber o dinheiro, por razões técnicas ou políticas que desconheço.


Na edição de Zero Hora desta sexta-feira, o colunista David Coimbra pergunta se o senhor “não tem vergonha” da situação. Qual a sua resposta a essa indagação?


Convido o jornalista que escreveu o isento artigo a ter vergonha comigo. Mais vergonha, talvez, porque, afinal, os dois governos que nos precederam foram eleitos com o apoio ostensivo das editorias da rede de comunicação onde ele trabalha. Os últimos oito anos de total descaso com o Presídio Central é que resultaram esta situação dramática que, paulatinamente, vamos corrigir. Ou alguém pensa que drama do presídio é resultado dos últimos 15 meses? Portanto, em oito anos de governos que foram eleitos com o ostensivo apoio dos “formadores de opinião” do jornal ao qual o referido jornalista presta o seu serviço, pouco ou nada foi feito em relação ao Presídio Central.

É bom a gente socializar a vergonha, senão parece que a imprensa é uma estrutura de poder “neutra”, composta só por pessoas puras e dotadas de incrível senso de responsabilidade pública, que não tem nenhuma responsabilidade com o que ocorre na esfera da política e nas decisões de Estado. Eu gostei do artigo. Achei muito bom o texto. Mas como represento uma instituição -o Executivo Estadual- e um projeto político -da Unidade Popular Pelo Rio Grande- convido-o a refletir sobre a herança que recebemos, cuja construção não teve o nosso apoio nem a nossa cumplicidade política, para que todos nos envergonhemos. E para que passemos a trabalhar juntos para construir um novo Rio Grande.


Na sua avaliação, a privatização é uma solução para o problema dos presídios?


Não vamos diminuir ou abdicar das nossas funções, como ocorrido em gestões anteriores. Esta é uma questão constitucional: a custódia dos detentos é responsabilidade do Estado. Qualquer empresa que entra em um negócio visa o lucro e o sistema prisional não serve para isso. Quero deixar claro que não somos contrários às PPPs. Pelo contrário, estamos encaminhando algumas. Mas elas não podem ser feitas no sistema prisional.

Em um passado recente, era de bom tom neoliberal reduzir as funções públicas do Estado, fazer promoções para demissões voluntárias, como ocorreu no governo Britto (referência para alguns como “modelo de gestão”), aplicar brutais arrochos salariais em todos os servidores, principalmente da Susepe, policiais civis e militares, terceirizar serviços e dar isenções fiscais concentradas exclusivamente em grandes empresas, deixando a base produtiva histórica do estado a ver navios. E mais, ainda restam 50 mil ações da Lei Britto para pagar, presente herdado por todos os governos que sucederam o governador Britto, ponto culminante da arrogância neoliberal no nosso estado.

sábado, 31 de março de 2012

Bancada religiosa do Acre censura curta metragem

A notícia é velha, de junho de 2011, e o curta metragem em questão é do ano anterior, foi lançado em 2010. Eu não quero voltar sozinho estava dentro do programa Cine Educação, que disponibiliza filmes para escola públicas passarem em sala de aula e debaterem com os alunos. A trama concilia dois tabus, e se passa numa escola, com jovens do ensino médio: a diversidade sexual e deficiência visual.

O filme do diretor e roteirista Daniel Ribeiro é impecável, delicado e sutil. Eu não quero voltar sozinho é muito bem executado em todos os sentidos, e não é por outro motivo que o curta passou vitorioso por diversos festivas.

No Acre, o filme foi passado para uma turma de alunos, no ano passado. Alguns jovens pensaram se tratar do tal kit-homofobia e procuraram os líderes religiosos do local, que por sua vez foram até os políticos protestar. Acabou que o filme foi retirado do programa e o Cine Educação foi vetado no Acre.

Fora a notícia velha, e a velha mania do poder religioso se intrometer nas diversas instâncias do Estado laico, na internet o belo Eu não quero voltar sozinho continua cumprindo seu papel como arte e como quebra de paradigmas.


06/2011 - Carta aberta dos realizadores de Eu não quero voltar sozinho
Queridos amigos e colegas,

No início da semana recebemos a notícia de que a exibição do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, como parte do programa Cine Educação, havia sido censurada no Acre.

O programa Cine Educação, uma parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, tem como objetivo "a formação do cidadão a partir da utilização do cinema no processo pedagógico interdisciplinar" e disponibiliza diversos filmes cujos temas englobem os direitos humanos, de modo que professores escolham quais são mais adequados para serem trabalhados em aula.

Na semana passada, no estado do Acre, uma professora escolheu o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho e exibiu-o para seus alunos. Para aqueles que não conhecem, a trama narra a história de Leonardo, um adolescente cego que, ao longo do filme, vai se descobrindo apaixonado por um novo colega de sala.

Alunos presentes na exibição confundiram o curta metragem com o "kit anti-homofobia" e levaram a questão aos líderes religiosos, que mobilizaram políticos da região com o intuíto de proibir o projeto Cine Educação como um todo. Nenhum desses representantes públicos deu-se ao trabalho de ir atrás da verdade e descobrir que se tratava de um programa pedagógico com o intuito de levar o debate sobre direitos humanos para a sala de aula. Mais uma vez no Brasil, a educação perde a batalha contra o poder assustador das bancadas religiosas e conservadoras.

Neste momento, o programa Cine Educação está paralisado. Enquanto isso, os secretários de Educação e de Direitos Humanos do Acre estão articulando com o governador a possibilidade de garantir sua continuidade, enquanto os líderes evangélicos forçam o cancelamento definitivo do programa. Pelo que sabemos, mesmo que o programa seja reativado, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho será excluído do catálogo e não mais ficará disponível para que professores o utilizem no debate de questões que envolvem algo tão elementar quanto a sexualidade humana e tão importante quanto a deficiência visual. 

De forma arbitrária, em uma república federativa cuja Constituição atesta um Estado laico, a sociedade está sendo privada de promover debates. Como pretendemos que adolescentes consigam respeitar a diversidade e formem-se cidadãos lúcidos, pensantes e ativos se informação, arte e cultura (sem qualquer caráter doutrinário) lhes são negadas?

Eu Não Quero Voltar Sozinho não é um filme proselitista, tampouco ergue bandeiras de nenhuma natureza. É apenas uma obra de ficção amplamente premiada em festivais de cinema no Brasil e no exterior, cujos predicados artísticos e humanos transcendem qualquer crença. Ademais, se assuntos referentes à orientação sexual dos indivíduos e seus respectivos direitos civis estão na pauta do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, por que não debatê-los em sala de aula? Que combate sombrio é esse, que reacende a memória de um obscurantismo Inquisidor?

terça-feira, 6 de março de 2012

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