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terça-feira, 21 de maio de 2013

Você Viu? #68

Meio Ambiente: Ativistas realizam marcha contra corte de árvores em Porto Alegre
Jornal Sul21, 20 de maio
Ramiro Furquim/Sul21

















Transporte: PSOL: nota da ATP “é uma ameaça à população e ao Judiciário”
Jornal Sul21, 20 de maio

Mídia: Os portugueses deveriam rir ao ser chamados de “estúpidos” pelo CQC?
Diário do Centro do Mundo, 20 de maio


Política: Dilma diz que boato sobre Bolsa Família é desumano e criminoso
Vi o Mundo, 20 de maio

Censura: PF apreende equipamentos de repórter no Mato Grosso do Sul
Blog do Sakomoto, 19 de maio

Uruguai: Mujica rejeita título de “presidente mais pobre do mundo”
Diário do Centro do Mundo, 18 de maio

Ditaduras: RÍOS MONTT, O GENOCIDA
Agência Pública, 16 de maio


E a série "Não há o que não haja", nos brinda com uma bela campanha contra o comunismo no Brasil.

sábado, 23 de março de 2013

“Em uma empresa de comunicação, questionar não é permitido”

20 de março, por Cris Rodrigues no SOMOS ANDANDO

Tive hoje a oportunidade de ler uma carta escrita, como disse um amigo, com o fígado, não com as mãos. Trata-se de um agora ex-funcionário do Diário Catarinense, jornal do Grupo RBS em Santa Catarina, que colocou no papel toda a frustração por ter que sair de um emprego de muito tempo por absoluta falta de condições de trabalho. Sua demissão, como ele conta na carta, foi acertada com o jornal, depois de 25 anos de RBS. Ali ele fala em “prepotência”, em “opressão”, em “tirania” por parte da administração atual. Pra quem critica a RBS desde a adolescência pela má qualidade do jornalismo praticado, é um agravante e tanto um cara que estava ali dentro há duas décadas e meia, que parecia realmente gostar da empresa, não aguentar mais. E na carta ele ainda cita mais 17 outros nomes que teriam saído pelos mesmos motivos, além de outros que continuam no grupo insatisfeitos.

Quando eu vejo uma carta assim, fico com emoções divididas. Por um lado, acho ótimo que as coisas estejam aparecendo e que as pessoas percam o medo de se manifestar contra esse tipo de situação. Por outro, a cada coisa dessas, fico triste por constatar, de novo, a situação do jornalismo no Brasil. Fico triste de ver que o grupo que detém o monopólio da comunicação no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina consegue ser cada dia pior e ainda assim manter esse monopólio.

Mas não deixa de ser engraçada a contradição desse pessoal. Vale atentar para uma passagem da carta do ex-funcionário do Grupo RBS, já lá no final:

Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido.

Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido.

Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido.

Vende a diversidade de opiniões… Pois é, uma empresa que treme ao ouvir falar em Conselhos de Comunicação, que brada contra marco regulatório, que acusa qualquer tipo de regulamentação de censura. Regulamentação, vale dizer, que o Reino Unido – que se enquadra naquele grupo de países que sempre são exemplo de civilização para a mídia brasileira – está fazendo neste momento. Regulamentação – se quiserem, eu desenho – serve pra colocar em prática o que diz a Constituição e garantir a pluralidade da comunicação no Brasil, coisa que não acontece quando bem poucos grupos dominam todo o mercado, impondo apenas uma visão a toda a sociedade. Duzentos milhões de pessoas são obrigadas a ler, ouvir e ver o que pensa uma única família, por pura falta de opção.

E aí a ironia vem, quando aparece uma carta dessas. A ironia de uma empresa que diz prezar pela liberdade de expressão – e pega em foice pra defendê-la – e cerceia seus próprios funcionários.

O jornalismo do Brasil é triste.


A publicação da carta – de alforria – foi permitida pelo autor. Segue a íntegra:


ACABOU!!! Hoje, depois de mais de 25 anos de RBS, fui demitido da empresa. Se, por um lado, é um momento de alegria, de júbilo, por ter sido aceito opedido que fiz para ser mandado embora (mesmo que por conveniência de que o fez, como a justificar a ação), por outro, é de profundo pesar pela situação que me levou a formular tão drástica solicitação – é muito grave e difícil não se ver outra saída que não a de abrir mão do trabalho do qual se gosta e ao qual se dedicou a maior parte da vida.

E é esta mesma postura crítica que me levou à situação extrema de pedir para ser desligado e que marcou minha atuação profissional nesses anos todos que me leva a fazer algumas considerações sobre o ambiente insalubre que tomou conta da redação do Diário Catarinense – mais do que em qualquer época em um quarto de século – nos últimos meses.
Inúmeras gestões se sucederam à frente do DC (redação). A cada editor-chefe – agora diretor – que assumiu seguiram-se momentos de tensão e, às vezes, ruptura, naturais no início de um novo trabalho, de um modo diferente de ver e conduzir as coisas. Até aí, tudo aceitável e dentro do esperado. Mas como o ser humano é imperfeito e o apelo para satisfazer o ego é imenso, muitos que detêm o poder ultrapassam, algumas vezes, o limite e agem com prepotência, idiotia – os sem-poder, como eu, também não estão livres. Tudo dentro da normalidade, desde que seja exceção. Mas quando vira regra, como agora, é abuso.
Aí está a grande diferença desta para administrações pretéritas: a prepotência tornou-se sistêmica, a opressão é o modus operandi. E se em situações um pouco mais estressantes vividas anteriormente se chegou a cogitar solução como a de agora – sair ou ser “saído” da empresa –, o trabalho (não o cargo) sempre garantiu a permanência, sempre foi um refúgio. Agora, no entanto, esta tábua de salvação não mais existe, pois a tirania, a opressão, age justamente aí: não deixa espaço para ninguém, para nenhuma ação e forma de pensamento que não a do tirano. Sem ter o que fazer, a não ser dizer amém, por que continuar? Como continuar?
Se alguém, como bom jornalista, contra-argumentar, levantando a hipótese de que talvez eu tenha uma visão equivocada, seja algo pessoal ou, quem sabe, que o modo de agir que eu esteja condenando seja o meu próprio, lembro que não estou só, que a lista dos que capitularam (foram demitidos, foram compelidos a pedir demissão e aceitaram qualquer emprego fora para se livrar ou mesmo resolveram ir para outro veículo dentro da RBS) fala por si – fala, não, grita. Aí vai uma parte do “obituário”: Guarany Pacheco, Eduardo Kormives, Roberto Azevedo, Márcia Feijó, Renê Müller, Mariju de Lima, Simone Kafruni, Tarcísio Poglia, Marcelo Oliveira, Gisiela Klein, Marcelo Becker, Ângela Muniz, Natália Viana, Larissa Guerra, Valéria Rivoire, Fernando Ferrary, Celso Bevilacqua – sem esquecer da Ceoli e da Jussara, da secretaria de redação, substituídas por um time de futsal de terceira divisão. Não lembro de todos os nomes, não citei os que foram para outros cantos da RBS e nem, é claro, os muitos outros que seguem no baile por absoluta falta de opção.
Em resumo:
Em uma empresa de comunicação, questionar, alimento do jornalismo, não é permitido.
Em uma empresa de comunicação que tem a educação como bandeira, que implica justamente pensar de forma autônoma, pensar não é permitido.
Em uma empresa de comunicação que exalta a democracia, vende a diversidade de opiniões, a participação dos leitores como case de ação, de sucesso, divergir não é permitido.

Por fim, entendo que atualmente, na redação do DC, somente há lugar para a frustração ou para quem se dispõe, por afinidade, disposição ou interesse, a ser um “clone” do chefe da vez. Portanto, não há lugar para jornalistas no que verdadeiramente esta palavra, esta profissão significa – talvez haja lugar para marqueteiros, especialização da casa nos tempos mais recentes.
Lamento muito que o modo de pensar e agir de um só se sobreponha ao de tantos outros por força única e exclusivamente de um cargo ao qual, ao que parece, foi guindado erroneamente, sem de fato ser merecedor, o que não é tão incomum assim no meio jornalístico e dentro da RBS.

Chega!!!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Justiça analisa censura ao blog Falha de São Paulo

É no mínimo curioso ver como a grande mídia brasileira se preocupa tanto com o fato da blogueira Yoani Sanchez não conseguir sair de Cuba nos últimos anos, apesar de ter um blog que rende muito dinheiro, tem 10 milhões de acessos mensais e tem opção de tradução para 20 línguas. Ela tem uma baita estrutura e faz oposição ao regime cubano, dentro de Cuba.

Aqui no Brasil, casos de censura a blogues são ignorados completamente pela imprensa corporativista. A explicação é simples: a maioria das ações judiciais são movidas por essas mesma empresas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nem tudo é piada

Notícia publicada ontem, no site do PSTU.

Danilo Gentilli manda tirar vídeo do PSTU do Youtube


Um vídeo que denunciava as piadas racistas do “comediante” Danilo Gentilli, postado no Youtube pelo Portal do PSTU, foi retirado do ar nesta quinta-feira.

Segundo a notificação do Youtube, o vídeo foi retirado devido a reivindicações de direitos autorais de Gentilli. “Recebemos reivindicações de direitos autorais sobre o material que você enviou, como segue: o de Danilo Gentili sobre o vídeo "Quantas bananas vc quer pra deixar essa história pra lá?", afirma o comunicado do Youtube.

Quantas bananas você quer?

O vídeo publicado pelo Portal do PSTU trazia uma entrevista com Thiago Ribeiro, jovem negro de 29 anos que, recentemente, denunciou Gentilli por suas piadas de explícito conteúdo racista. Cansado das piadas sem graça do “comediante”, Thiago Ribeiro postou no Youtube um vídeo com uma coletânea de piadas racistas de Gentili. O vídeo obteve 800 visualizações, inclusive uma visualização do próprio Gentili, que conseguiu tirar o vídeo do Youtube por meio da cláusula de uso de imagem.

Através do seu perfil no Twitter, Thiago interpelou Gentili sobre a proibição do vídeo. A resposta de Gentilli foi pra lá de desprezível: “vamos esquecer isso... Quantas bananas você quer pra deixar essa história pra lá?", escreveu o comediante em seu Twitter. Na sequência, muitos seguidores de Gentilli desataram ataques racistas contra Thiago. Todos eles, inclusive Gentilli, foram denunciados por crime de racismo ao Ministério Público de São Paulo e à Polícia Federal sobre o ocorrido. Também foi realizado um Boletim de Ocorrência na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

Gentilli se utilizou do mesmo expediente para retirar, do youtube, a entrevista de Thiago ao Portal do PSTU. Em três dias de exibição, a entrevista já tinha sido visualizada por mais 4.100 usuários.

Como se não bastasse, para defender suas piadas racistas, Gentilli se apóia no direito à “liberdade de expressão”. O que só pode ser uma piada de mau gosto do “comediante” que não tem o menor escrúpulo em censurar qualquer crítica a algo que mais do que uma simples piada: é crime, tipificado em lei. 

Se você ainda não viu o vídeo, assista aqui sua nova versão. Agora, com a censura imposta por Gentilli.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Justiça quer censurar mais um blog

Cresce, junto à credibilidade de blogs jornalísticos, as ações judiciais que buscam inibir o trabalho de blogueiros independentes. Infelizmente, a maior parte das tentativas de censura parte dos grandes meios de comunicações, infinitamente mais influentes e poderosos economicamente. Não é o caso agora, mas vale o registro.

A seguir, texto publicado ontem, no Blog do Sakomoto.


Juíza quer censurar este blog por relatar decisão em caso de libertação de escravos

Estou sendo processado pela juíza Marli Lopes da Costa de Goes Nogueira, da Justiça do Trabalho do Distrito Federal, por conta de um post publicado aqui neste blog.

O texto tratava de uma decisão da magistrada, atendendo a um pedido de liminar em mandado de segurança movido pela empresa Infinity Agrícola. Sua decisão suspendeu um resgate de trabalhadores que foram considerados em condição análoga à de escravos pelo Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho. As vítimas estavam em uma fazenda de cana no município de Naviraí, Estado do Mato Grosso do Sul e, entre eles, trabalhadores das etnias Guarani Kaiowá, Guarani Nhandeva e Terena. Posteriormente, o Tribunal Regional do Trabalho da 10a Região revisou a decisão da juíza, permitindo que as ações relacionadas à fiscalização continuassem.

Na ação, que envolveu também o portal UOL, ela solicitou – liminarmente – que a matéria e os comentários dos leitores fossem retirados do ar. E que eu não divulgasse mais nada relativo à sua reputação sob pena de multa de R$ 10 mil/dia. Quanto ao mérito da ação, pediu indenização por danos morais que teriam sido causados pela matéria e pelos comentários. O valor, a ser estipulado pela Justiça, deve ser o suficiente para que “desmotive de praticar ilícitos semelhantes em sua atividade de blogueiro e formador de opinião na internet”. Também solicitou que “diante da natureza dos fatos alegados”, o processo corresse em segredo de justiça.

O processo já corre há um tempo e esperei para ver o que acontecia. Decidi publicar agora sobre ele uma vez que acabei de ser intimado para prestar depoimento em Brasília.

Sei quais as consequências de retratar as dificuldades para a efetividade dos direitos humanos. Ainda mais no Brasil. Então, até aí, nenhuma novidade. Já fui ameaçado por senadora, fazendeiro, empresário, enfim, pegue uma senha e entre na fila. Reafirmo tudo o que foi apurado com minhas fontes e escrito e não vou retirar nada deste blog voluntariamente. E, se tiver que pagar uma indenização, pedirei a ajuda de vocês para uma campanha “Sakamoto Esperança” porque, como sabem, sou uma pessoa de posses. Contudo, posso dizer que estou sendo muito bem defendido.

Um último comentário: na decisão sobre a liminar, o juiz Carlos Frederico Maroja de Medeiros afirmou que: “Decisões judiciais não são infensas a críticas, e críticas não são o mesmo que ofensas. Não cabe aqui discutir o mérito da decisão ou da crítica feita pelo réu (até porque este juízo não é instância revisora do que decide a autora em sua atividade jurisdicional), mas apenas analisar se houve excesso no direito de informar e criticar. Mas o fato é que, ao menos neste juízo de prelibação, não se enxerga, na veiculação da notícia, o ânimo de ofender a autora por qualquer modo, mas apenas o de informar e expor sua crítica, para o que tem o jornalista não apenas o direito, mas o dever de fazer”.

“Dever de fazer.” Não é a decisão sobre o mérito, que ainda vai demorar. Mas não deixa de ser uma pequena aula vinda do Judiciário sobre liberdade de expressão e um alento para quem resolve amassar o barro diariamente.

sábado, 31 de março de 2012

Bancada religiosa do Acre censura curta metragem

A notícia é velha, de junho de 2011, e o curta metragem em questão é do ano anterior, foi lançado em 2010. Eu não quero voltar sozinho estava dentro do programa Cine Educação, que disponibiliza filmes para escola públicas passarem em sala de aula e debaterem com os alunos. A trama concilia dois tabus, e se passa numa escola, com jovens do ensino médio: a diversidade sexual e deficiência visual.

O filme do diretor e roteirista Daniel Ribeiro é impecável, delicado e sutil. Eu não quero voltar sozinho é muito bem executado em todos os sentidos, e não é por outro motivo que o curta passou vitorioso por diversos festivas.

No Acre, o filme foi passado para uma turma de alunos, no ano passado. Alguns jovens pensaram se tratar do tal kit-homofobia e procuraram os líderes religiosos do local, que por sua vez foram até os políticos protestar. Acabou que o filme foi retirado do programa e o Cine Educação foi vetado no Acre.

Fora a notícia velha, e a velha mania do poder religioso se intrometer nas diversas instâncias do Estado laico, na internet o belo Eu não quero voltar sozinho continua cumprindo seu papel como arte e como quebra de paradigmas.


06/2011 - Carta aberta dos realizadores de Eu não quero voltar sozinho
Queridos amigos e colegas,

No início da semana recebemos a notícia de que a exibição do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, como parte do programa Cine Educação, havia sido censurada no Acre.

O programa Cine Educação, uma parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, tem como objetivo "a formação do cidadão a partir da utilização do cinema no processo pedagógico interdisciplinar" e disponibiliza diversos filmes cujos temas englobem os direitos humanos, de modo que professores escolham quais são mais adequados para serem trabalhados em aula.

Na semana passada, no estado do Acre, uma professora escolheu o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho e exibiu-o para seus alunos. Para aqueles que não conhecem, a trama narra a história de Leonardo, um adolescente cego que, ao longo do filme, vai se descobrindo apaixonado por um novo colega de sala.

Alunos presentes na exibição confundiram o curta metragem com o "kit anti-homofobia" e levaram a questão aos líderes religiosos, que mobilizaram políticos da região com o intuíto de proibir o projeto Cine Educação como um todo. Nenhum desses representantes públicos deu-se ao trabalho de ir atrás da verdade e descobrir que se tratava de um programa pedagógico com o intuito de levar o debate sobre direitos humanos para a sala de aula. Mais uma vez no Brasil, a educação perde a batalha contra o poder assustador das bancadas religiosas e conservadoras.

Neste momento, o programa Cine Educação está paralisado. Enquanto isso, os secretários de Educação e de Direitos Humanos do Acre estão articulando com o governador a possibilidade de garantir sua continuidade, enquanto os líderes evangélicos forçam o cancelamento definitivo do programa. Pelo que sabemos, mesmo que o programa seja reativado, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho será excluído do catálogo e não mais ficará disponível para que professores o utilizem no debate de questões que envolvem algo tão elementar quanto a sexualidade humana e tão importante quanto a deficiência visual. 

De forma arbitrária, em uma república federativa cuja Constituição atesta um Estado laico, a sociedade está sendo privada de promover debates. Como pretendemos que adolescentes consigam respeitar a diversidade e formem-se cidadãos lúcidos, pensantes e ativos se informação, arte e cultura (sem qualquer caráter doutrinário) lhes são negadas?

Eu Não Quero Voltar Sozinho não é um filme proselitista, tampouco ergue bandeiras de nenhuma natureza. É apenas uma obra de ficção amplamente premiada em festivais de cinema no Brasil e no exterior, cujos predicados artísticos e humanos transcendem qualquer crença. Ademais, se assuntos referentes à orientação sexual dos indivíduos e seus respectivos direitos civis estão na pauta do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, por que não debatê-los em sala de aula? Que combate sombrio é esse, que reacende a memória de um obscurantismo Inquisidor?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Você viu? #9

PoA Geral levantando a cabeça e prestando atenção no que acontece ali do lado - que, na maioria das vezes, é mais interessante do que acontece aqui.

Governador anuncia Piso Regional de R$ 700 a partir de março - Portal do Estado do RS, 19 de Dezembro.

Dando seguimento à série de entrevistas que o Sul21 está fazendo com os pré-candidatos ao cargo de Prefeito de Porto Alegre, Adão Villaverde, do PT. Assista as duas primeiras entrevistas AQUI.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A grande mídia e o temor a uma comunicação mais democrática

É nessa quarta-feira a audiência pública na Câmara do Deputados que irá discutir o caso de censura do jornal Folha de S. Paulo contra o blog Falha de São Paulo. A audiência foi convocada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
Em um nota deselegante assinada pelo dono do Grupo Folha, pelo diretor-executivo e pelo secretário de redação do jornal , a Folha já avisou que não comparecerá na audiência pública. Além de desqualificar a discussão, afirmando estar "superada", chamou o deputado de desenformado e disse que os dois irmãos responsáveis pelo blog são ligados ao PT.
Este é mais um exemplo, e talvez dos mais graves, de como as grandes corporações midiáticas usam todo seu poderio político, econômico e principalmente jurídico para minar o trabalho de jornalistas independentes e comprometidos com uma forma mais transparente de jornalismo. Forma esta que ganhou força, espaço e consumidores com a internet e, por isto, incomoda quem é grande.
Enquanto alguns nadam contra a corrente (ou apenas tentam pará-la), já está marcado para este dia 27 de outubro o I Encontro Mundial de Blogueiros, que ocorre em Foz do Iguaçu, no Paraná. O evento que começa na quinta e termina no sábado, vai receber um monte de gente importante nesse universo que cresce a cada dia e a cada conquista, desde os primeiros encontros nacionais e regionais em todo o Brasil ano passado e esse ano.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Prática jornalistica: cara de pau.

Reproduzo a seguir texto de Alexandre Haubrich, publicado no blog Jornalismo B, dia 13 de setembro.


Grupo RBS se diz sob censura, mas protege funcionário censor

Acompanhem o raciocínio. Comecemos pela notícia:
Sexta-feira, 2 de setembro de 2011. Chamada na capa da Zero Hora anuncia: “CENSURA – Justiça proíbe menção a nome de vereador – Veículos da RBS não podem citar envolvido na Farra das Diárias”. Na página 12, a matéria explica: “A decisão atinge todas as mídias (do Grupo RBS) e pode resultar em multa diária de R$ 1 mil. (…) Em agosto do ano passado, o Grupo RBS e o Fantástico, da Rede Globo, apresentaram a série de reportagens de Giovani Grizotti. O material revelou como vereadores utilizavam diárias para viagens turísticas”.
No dia seguinte, nova chamada na capa: “Entidades repudiam censura à RBS”. Na matéria, cerca de meia página, uma série de entidades realmente “repudiando censura à RBS”. Em 7 de setembro, quarta-feira, não há chamada de capa, mas está lá uma nova matéria, novamente meia página: “Veto à imprensa – Justiça de Torres mantém censura a veículos da RBS – Mais duas entidades divulgaram nota lamentando decisão do tribunal”.
Finalmente na sexta-feira, 9, mais uma chamada na capa: “Censura à RBS chama atenção até no Exterior”. A matéria, nas páginas 4 e 5 (as “nobres” de Zero Hora) busca mostrar como o caso é absurdo, “insólito”. O título da matéria, em letras garrafais, é “O peso da censura”. O repórter é Humberto Trezzi. O argumento para classificar o caso como “insólito”: “A RBS adotou as medidas cabíveis em nome de um valor constitucional – a liberdade de expressão. Mesmo que o parlamentar não fosse rei, isso não invalida o direito à mídia de nominá-lo. A Constituição, em seus artigos 5º e 220, veda a censura prévia e confirma que é livre a manifestação do pensamento”.
Corta.
Sábado, 14 de março de 2009. Post do Jornalismo B: “o jornalista Wladymir Ungaretti, dono do blog Ponto de Vista, está sendo processado pelo repórter fotográfico da Zero Hora Ronaldo Bernardi. Os motivos do processo são os posts daquele blog que chamam Bernardi, sempre usando o apelido ‘Fotonaldo’, de cascateiro” (…) O processo claramente tem o único intuito de fazer calar. É, portanto, autoritário, centralizador de opinião, ditatorial”.
Os termos do processo são semelhantes ao do caso RBS x vereador de Torres. Algumas diferenças, porém, são marcantes: além de não poder citar o nome de Ronaldo Bernardi em seu blog (igualmente sujeito à multa), Ungaretti também teve que retirar do ar as menções ao funcionário da RBS. Além disso, é claro que uma empresa do tamanho do Grupo RBS não tem qualquer dificuldade em arcar com os custos do processo ou mesmo com possíveis multas. Ungaretti, como todo blogueiro processado – e são muitos, boa parte deles acossados por outras empresas de mídia –, vê seu trabalho estrangulado pela censura e pelo golpe financeiro. O Ponto de Vista segue sob censura, há mais de dois anos e meio. Os processos seguem tramitando.
Em nenhum momento, desde o início de 2009, o Grupo RBS divulgou o caso ou se preocupou em dissuadir seu funcionário de praticar censura contra um veículo de mídia – o blog Ponto de Vista. Ainda que saiba muito bem que “a Constituição, em seus artigos 5º e 220, veda a censura prévia e confirma que é livre a manifestação do pensamento”, a RBS não “adotou as medidas cabíveis em nome de um valor constitucional – a liberdade de expressão”. E as medidas cabíveis, nesse caso, eram – são – muito mais acessíveis ao Grupo. Só dependem da própria RBS.
A cara de pau é hoje uma das práticas jornalísticas mais comuns nas empresas de comunicação.
Siga www.twitter.com/jornalismob e www.twitter.com/alexhaubrich

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Band, seus interesses e Luiza Erundina


Erundina censurada
Por Alves Rodrigues
A Rádio BandAM640, aqui de Porto Alegre, leva aoar, todos os domingos, um programa chamado "Hora Israelita". Perfeito. O que me incomoda é que, com toda a certeza, a emissora jamais aceitaria transmitir um programa que se chamasse, por exemplo, "A Hora do Islam". Posso apostar com quem queira que ela jamais incluiria um programa com esse título em sua grade. É democrático isto?
Não, claro que não. Mas quem está se importando? A direção nacional da empresa é que não está, certamente.
O único interesse do jornalismo brasileiro, há muito tempo, é divulgar as ideias e os ideais dos donos da mídia, os de seus amigos e os de seus patrocinadores. Qualquer um pode alugar um horário no rádio ou na tv e sair 'pregando' o que bem entender, desde que, é claro, não contrarie os interesses dos donos da emissora que alugou o espaço.
Jornalismo seletivo - só divulga o que lhe convém, preferência por facetas negativas dos partidos que não lhe são simpáticos, total descaso pelos deslizes cometidos por políticos 'amigos', assim é a mídia nacional brasileira. E agora chega a um caso extremo de violação ao direito de informação, um ataque deliberado à liberdade de expressão, e traz de volta ao cenário democrático em que se insere o país, o repugnante expediente da censura.
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que já foi prefeita da capital de São Paulo, enquanto ainda pertencia aos quadros do PT, foi impedida de argumentar em defesa de um projeto de lei de sua autoria que apenas propunha, segundo ela, "motivar mais democracia e transparência no processo de renovação das concessões públicas de rádio e tv". A justificativa da emissora, segundo consta, foi apresentada por telefone, e resumiu-se a isto: “Este veto é uma resposta aos ataques que a deputada vem fazendo à Rede Bandeirantes”.
A assessoria de imprensa da deputada divulgou nota que pode ser lida neste link.
Honestamente? Isso é uma vergonha.

*Alves Rodrigues mantém o blog Somos Todos Torcedores e o twitter @lvesrodrigues