Mostrando postagens com marcador prefeitura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador prefeitura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fortunati está tapiando a população de Porto Alegre

Atualizado às 20h: A prefeitura divulgou na tarde desta quarta-feira as seis casas noturnas que funcionam por meio de liminar em Porto Alegre: Cabaret Voltaire, Café Quintino, Divina Comédia, Opinião, Strike 410 e Stuttgart.

Não acho prudente politizar tragédias. Ainda mais na base do achismo, como geralmente fazem personagens da mídia, sejam de imprensa ou não. Apontar culpados e vir com aquele velho discurso de que "só no Brasil mesmo" e "esses políticos que só servem para roubar nosso dinheiro", é jogar pra torcida. É a coisa mais fácil do mundo. Não é disso que as vítimas do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, precisam.

Devemo é ficar atentos às investigações, cobrar e esperar que a justiça cumpra sua função.

Bernardo Jardim Ribeiro/Jornal Sul21
Entretanto, algumas coisas não podemos deixar passar. Ontem à noite, no programa 20 Horas, da TVCOM, o prefeito de Porto Alegre José Fortunati afirmou que existem seis grandes casas noturnas funcionando na capital gaúcha com liminar da Justiça e oferecendo risco de segurança aos frequentadores. Ele não revelou os nomes para - palavras dele - "não causar pânico".

A impressão que fica é que Fortunati não quer causar pânico aos proprietários dos estabelecimentos. A população, tenho certeza, não ficaria em pânico. Apenas teria a possibilidade de escolher entre frequentar ou não esses lugares.

O prefeito ainda disse mais: “Nós já vínhamos fazendo isso. No ano passado, fechamos mais de 30 casas por meio de processos e avisos. Tivemos muitos protestos de frequentadores na época, mas acho que hoje as pessoas estão compreendendo melhor e que medidas duras, às vezes, devem ser tomadas para não colocar em risco a vida das pessoas. O que vamos começar a partir de hoje é uma fiscalização mais intensa”

Minha memória, e o arquivo de todos os jornais da capital, não podem estar tão equivocados assim. Fortunati se refere à operação Sossego, executada pela Smic, ano passado. Essa operação nunca mencionou entre seus objetivos a verificação de sistemas anti-incêndios ou planos de evacuação de público. Ela primava por verificar as condições de funcionamento dos comércios, potencial de perturbação do sossego público, uso de música, presença de menores de 18 anos, horário estipulado nos alvarás expedidos pela prefeitura, condições de higiene e proibição do comércio de bebidas alcoólicas em vias públicas.

Pelo menos por enquanto, José Fortunati está tapiando a população de Porto Alegre.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Araújo Vianna: os dois lados da reinauguração

Foi um bonito espetáculo que se viu, no início da noite desse 20 de setembro, no Auditório Araújo Vianna. Algo em torno de 3 mil pessoas prestigiaram o show dos artistas que marcaram (e ainda marcam) a história da música porto-alegrense. Artistas que, a partir dos anos 70, ajudaram a escrever a rica história do Auditório.

E o povo de Porto Alegre tem uma relação de muito afeto com o Araújo. Por ali já passaram artistas importantes, intelectuais e manifestações sociais que fazem parte da memória coletiva e afetiva da cidade. O Araújo Vianna é um bem cultural e público de valor inestimável para a capital gaúcha, localizado no coração do Parque da Redenção.

O "novo" Araújo Vianna realmente ficou muito bonito, confortável, excelente acústica. Além de tudo, não há lugar ruim. De qualquer ponto do auditório se tem uma boa visão do palco.

Um clima de nostalgia tomava conta da plateia. O público curtiu muito os shows, aplaudiu, cantou junto e, em certos momentos, desceu em massa pra frente do palco para cantar alguns clássicos do rock gaúcho. É boa a sensação de saber que o Araújo Vianna volta a figurar no repertório cultural de Porto Alegre.

Mas tem o outro lado da situação.

O Auditório foi fechado pela administração do então prefeito Fogaça em 2005, alegando problemas estruturais. Dois anos após o fechamento, a Prefeitura decidiu reerguer o espaço através de parceria com a iniciativa privada e lançou licitação para a reforma.

Na época a comunidade cultural se colocou contra a privatização do lugar. A Bancada Federal gaúcha, por iniciativa da deputada Maria do Rosário, apresentou a possibilidade de uma emenda de bancada, para manter, assim, o Araújo como um espaço público. Recursos próprios do Ministério da Cultura ou o financiamento por organismos como o BNDES também eram uma possibilidade. Nada adiantou.

A Opus Promoções venceu a licitação, executou a obra junto com a Prefeitura e, depois de muitos atrasos e adiamentos, sete anos fechado, o Araújo Vianna é reinaugurado apenas 17 dias antes das eleições municipais, com as obras ainda não finalizadas. Dos 8 shows programados para 2012, sete ocorrerão entre setembro e outubro, que é período eleitoral.

A Opus agora é detentora de 75% das datas, por um período de 10 anos.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Prestes a ser destruído, Centro Cenotécnico mobiliza artistas de Porto Alegre


O Centro Cenotécnico do Rio Grande do Sul está com os dias contados. Em função da Copa do Mundo de 2014, o tradicional espaço que dá guarida a artistas de Porto Alegre e do interior do Estado terá que ser destruído e as autoridades públicas ainda não encontraram uma solução.

O estabelecimento fica localizado na avenida Voluntários da Pátria, 1370. Como a via será duplicada pela prefeitura da Capital em função da Copa, cerca de 100 imóveis da região precisarão ser desapropriados.

São cerca de 1.300 metros divididos em galpões com salas para depósito de materiais artísticos e cenográficos de diversas peças. Qualquer grupo de dança, de teatro, de circo, de cinema ou de quaisquer manifestações artísticas e culturais pode utilizar o espaço para ensaiar e realizar suas produções.

O complexo possui três salas fechadas para ensaios e reuniões, sendo que a maior delas é adaptada para atividades circenses, com um pé direito de 10 metros de altura, ideal para trapezistas. Além disso, esse mesmo espaço possui uma marcação de palco idêntica à do Teatro São Pedro.

O trecho onde fica o Centro Cenotécnico corresponde à primeira fase da obra, cujo contrato foi selado pela prefeitura no dia 25 de maio. A licitação foi concluída no dia 18 de janeiro de 2012, mas os artistas só ficaram sabendo que o local seria destruído há apenas três semanas. Não receberam um aviso da prefeitura, que desapropriará a área, nem do governo do Estado, que administra o espaço.

Foi por mero acaso que a comunidade artística ficou sabendo que um dos principais espaços públicos da categoria precisaria ser demolido. Uma arquiteta da prefeitura estava fazendo medições no local, catalogando árvores que serão arrancadas e foi interpelada por um servidor do Centro Cenotécnico ao entrar no estabelecimento.
Artistas armazenam e confeccionam materiais para espetáculos no local | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21