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terça-feira, 22 de julho de 2014

Você viu? #98

Acabou o recesso. Depois da Copa e de um trabalho intenso deste blogueiro na assessoria de imprensa da Fan Fest Porto Alegre, o PoA Geral volta com mais força a partir desta publicação. Durante o período do mundial foram apenas dois textos, relacionados com Seleção Brasileira. Agora, as coisas voltam ao normal. Vamos juntos!

Final: O braço fraqueja às vezes: o Impedimento acabou
Blog Impedimento, 22 de julho

Eleições: Candidatos ao Senado fazem debate com trocas de farpas
Jornal Sul21, 21 de julho

Conflito: Ofensiva em Gaza já fez 100 mil buscarem ajuda da ONU; entenda conflito
BBC Brasil, 21 de julho

Mídia: O aeroporto de Aécio e o comportamento da mídia
Diário do Centro do Mundo, 20 de julho

Jornalismo B, 19 de julho
Mariana Pires / Jornalismo B
RJ: Dois meninos e uma sentença de morte
Agência Pública, 10 de julho

terça-feira, 15 de abril de 2014

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

E o outro lado da greve?

O outro lado da greve é o dos grevistas. Ninguém faz greve por diversão, ninguém põe em risco sua imagem diante a sociedade por passa-tempo. Ninguém quer enfrentar a fúria e a truculência do Estado por mero preciosismo. Os PMs, sejam da Bahia ou do Rio de Janeiro, têm seus motivos para se organizarem e, curiosamente, reivindicar melhorias que atingiriam direta e positivamente toda a sociedade civil. Afinal se trata  de segurança pública.

Mas este lado da greve ninguém consegue enxergar com nitidez. E não enxerga porque a mídia não aborda o assunto por esse outro viés. O que vemos são comerciantes falando e fechando as portas, turistas reclamando da insegurança e a divulgação de notas oficiais das acessórias de imprensa.

Isto aqui dentro. E lá fora:

[...]
Reivindicações dos trabalhadores repercutem na mídia internacional

A greve dos policiais militares na Bahia e as movimentações similares no Rio de Janeiro e em outros estados repercutem na mídia internacional. O jornal espanhol El País apontou o contraste entre o crescimento econômico do Brasil e a precarização de setores como a segurança pública. O periódico ainda explica que a greve na Bahia pode espalhar por outros estados, como Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraná.

O maior jornal dos Estados Unidos, The New York Times, lembrou que os salários dos policiais no Brasil são muito baixos, apesar de o país ser a sexta economia do mundo. A publicação também comparou a remuneração dos agentes de segurança com a dos juízes no Rio de Janeiro, citando supersalários que chegam a R$ 87 mil.

A rede inglesa BBC News reforçou que o Carnaval carioca pode acontecer em meio à greve dos policiais. A agência publicou uma declaração de um policial que pediu para que a população ficasse em casa até que a situação se resolva.

sábado, 3 de setembro de 2011

"Tudo culpa daqueles filhos da..."

Poucos são os que não embrulham o estômago ao ler, na revista Piauí do mês de agosto, o texto-relato do jornalista Nilton Claudino, "Minha dor não sai no jornal". No seu relato publicado na revista, ele conta um pouco da sua trajetória profissional até o momento em que é sequestrado e torturado por uma milícia no Rio de Janeiro e como, a partir de então, sua vida se desajusta completamente.
Nilton ingressou no foto-jornalismo no final da década de 1970. Trabalhou em diversos veículos e ganhou um punhado de prêmios. Na década de 90 iniciou no jornalismo investigativo, incentivado pelo amigo Tim Lopes, que em 2002 foi  capturado e morto por traficantes enquanto trabalhava disfarçado investigando o tráfico de drogas. Felizmente Nilton Claudino não teve o destino macabro do companheiro de profissão. Companheiro que ele ajudou a achar, depois que recebeu uma informação de um anônimo indicando onde Tim estava enterrado. Chorando, fotografou o momento em que a polícia achou a ossada de seu amigo.
Em maio de 2008, trabalhando para o jornal O Dia, do RJ, foi morar no Jardim Batan, uma favela no Realengo, Zona Oeste, junto de uma outra repórter e um motorista do jornal. Disfarçados, obviamente. Buscando, com exito, se integrar na comunidade. O objetivo era investigar um grupo de milicianos que controlavam a comunidade. Em 2007, este grupo expulsou os traficantes e passou a cobrar "taxa de segurança" dos moradores além de lucrarem com venda de gás, tevê a cabo pirata e transporte de vans.
Nilton e seus colegas foram descobertos depois de 14 dias, foram capturados por volta das 21h30 de uma quarta-feira, 14 de maio, e passaram a noite sendo torturados e "julgados". Por sorte, o comando da milícia decidiu que permaneceriam vivos. 
O que lemos no texto de Claudino é muito parecido com o que assistimos há alguns meses no cinema, no filme Tropa de Elite 2. E é chocante, porque o texto é real, sem nenhuma dose de ficção. Um dos trechos mais preocupantes do texto, escrito na primeira pessoa, começa com um dos milicianos se dirigindo ao jornalista:
"'Então parece que o problema é com a família', respondeu 01. 'Você vai morrer e precisa saber que foi alcaguetado por amigos de dentro do jornal. Vou provar: você tem na sua baia de trabalho as fotos de um de seus filhos tocando guitarra. Seus filhos são lindos. Você mora na zona sul'., disse, completando em seguida com meu endereço exato.
Gelei, e ele continuou: 'Vocês são uns bundões. Foram alcaguetados por seus amigos. Temos informantes em tudo o que é jornal e televisão'."
Outro trecho diz o seguinte:
"A repórter reconheceu a voz de um vereador, filho de um deputado estadual. E ele a reconheceu. Recomeçou a porradaria. Esse político me batia muito Perguntava o que eu tinha ido fazer na Zona Oeste. Questionava se eu não amava meus filhos."
Nilton não vive mais no Rio de Janeiro, nem vê mais seus filhos e sua esposa, nunca mais viu seus amigos, sequer seus ex-colegas. Se afastou de tudo e de todos, e também do que já fora uma dia. Diz ser impossível viver ao lado das pessoas de que gosta sabendo o risco que correm por sua culpa. Sua culpa? Encerra dizendo que: "A tortura continua. Tudo culpa daqueles filhos da puta." 
Histórias como essa não pautam a grande mídia. Não vi nada no JN, no Fantástico, na Folha. Perdoem-me se estiver errado, mas não vi. Em compensação, a cada semana, uma alegoria jornalística que ilustra a capa da Revista Veja, é motivo de repercussão desproporcional. Que piada.